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49 What Happened To That Seventeen Year Old Boy
Notas iniciais
O café da manhã foi tranquilo, apesar de silencioso. Ninguém falou muito, a não ser Nate que fazia várias perguntas para seus sobrinhos – a palavra soava muito esquisita, ele preferia o termo "amigos" de qualquer forma – que só respondiam depois de olharem para sua mãe ou para seu pai, que confirmavam com um aceno de cabeça que podiam responder algumas das perguntas mais "complexas". Os adultos permaneceram em silêncio.
Clint e Visão saíram da casa assim que Visão lavou o prato e talheres que usou, levando consigo uma xícara com café.
— Então... — Clint iniciou após um curto caminho percorrido. — Quando conheceu a Wanda?
A pergunta soara mais calma do que Visão esperava.
— Há cerca de oito anos. — Visão respondeu sucintamente, avaliando o terreno.
— E como se conheceram?
Não olhar um para o outro e continuar andando tornava a conversa mais fácil.
— Bem... é complicado.
— Descomplique.
Por um momento, Visão pensou ter ouvido algum aborrecimento na voz do outro homem, ou talvez só fosse o jeito dele falar mesmo, ele não sabia.
— Eu estava em Edimburgo na noite em que Wanda fugiu. Nos encontramos por acaso.
— Fugiu?
Visão parou e os dois se encararam, havia a clara confusão no rosto de Clint.
— Natasha não lhe contou?
— A Nat disse que Wanda havia se casado, se divorciado e tinha três filhos com o ex-marido. E mais dois com o noivo. Disse que vocês estavam com problemas, mas não disse o que. — Uma pausa precedeu a indagação. — Do que Wanda estava fugindo?
Visão olhou para seu café morno antes de responder.
— Tem muitas coisas que você vai ter que perguntar a Wanda. — Um momento de silêncio enquanto voltavam a andar. — Eu já a vi bem. E hoje, ela não está bem. Ela precisa de tempo. Dê isso a ela. — Ele olhou rapidamente para Clint antes de voltar a olhar para o chão. — Colar os pedaços quebrados leva tempo.
Clint pensou sobre isso, e abriu a boca para falar, mas Visão foi mais rápido:
— Você a procurou?
Aquela pergunta simples com uma resposta monossilábica:
— Não.
Clint abaixou a cabeça, como se estivesse com vergonha.
— Por que não?
A pergunta não foi acusadora, apenas a curiosidade presente.
Clint olhou para além da estrada, eram apenas campos verdes e árvores. Após um profundo suspiro, ele respondeu:
— Nós a procuramos, assim que percebemos que ela não estava aqui. Mas não levou dois dias, ela ligou para Natasha avisando que estava bem. Que não queria ser procurada. — Um novo suspiro. — Nós nunca os prenderíamos, Pietro e Wanda. Laura e eu sempre soubemos que se eles quisessem ir, eles iriam. — Ele fez uma pausa, Visão ouvindo tudo em silêncio. — Eles tinham planejado ir embora quando completassem dezoito anos. Queriam voltar a Sokovia. — Uma nova pausa. — Um ano antes eu os levei para uma viagem até lá, eles queriam procurar lugares para ficar enquanto tentassem ajudar quem precisasse de ajuda. Eles não queriam dar as costas para seu lar. — Ele pigarreou para desfazer um pequeno nó crescente em sua garganta. A lembrança do que acontecera ainda o feria. — Tiroteios e bombardeios são comuns lá, isso assustava a mim e a Laura, mas eles insistiram que queriam voltar. Em uma noite estávamos em uma espécie de mercado público, tendas e tudo mais. Um carro surgiu atirando contra as tendas, houve tumulto e gritaria. — Ele respirou fundo, sentindo o ar frio encher seus pulmões. — Havia um garotinho sozinho, eu o abracei e esperei pelas balas. Mas elas não vieram. — Uma vontade inesperada de chorar atingiu Clint, mas ele aguentou firme enquanto as lágrimas se acumulavam nos cantos de seus olhos. — Pietro correu até nós e ficou parado em frente as balas, ele foi alvejado.
Clint ficou em silêncio por um longo tempo.
— Sinto muito. — As simples palavras de Visão foram adequadas para o momento.
Clint balançou a cabeça sem o olhar e continuou:
— Foi cerca de um ano depois que Wanda fugiu. Quando ela ligou para a Nat, disse que estava em casa. E então nós soubemos onde ela estava e que, mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos trazê-la de volta. Achávamos que ela ficaria bem em Sokovia e que nos procuraria se quisesse, nós estaríamos a esperando. Isso foi há dez anos. Não sabíamos que não falaríamos com ela por todo esse tempo.
O silêncio foi o que prevaleceu em seguida. A chuva da noite anterior deixou a terra molhada, seus sapatos ficando embarrados facilmente.
O ar no campo era realmente muito mais limpo e fresco. A paisagem era muito mais verde e até mesmo o som soava diferente. Insetos como grilos podiam ser ouvidos com maior frequência e em tom mais alto.
— Senhor Barton? — Visão o chamou e ele o olhou.
— "Clint" está bom, Visão. Diga.
— Desculpe por não trazer Wanda para casa.
Clint não esperava por isso. Quando Natasha disse que Wanda estava noiva de seu segundo futuro marido, ele pensou em flechar o ex-marido e o atual noivo várias vezes, pois nenhum dos dois convenceu Wanda de falar com ele. Mas então essa vontade passou com o tempo. Embora ouvir um pedido de desculpas por esse motivo o deixasse um pouco melhor, ele sabia que aquele homem não tinha que se desculpar realmente.
— Está tudo bem. Não foi sua culpa. — Ele fez uma pausa. Pausas estavam sendo frequentes nessa conversa. — Não há por que culpar alguém.
Visão não sabia o que realmente dizer. Não sabia se insistia em pedir desculpas ou não, então optou pelo silêncio, ao que Clint não pareceu se incomodar.
Provavelmente ambos estavam com muitas coisas na cabeça. Provavelmente todo mundo estava com muitas coisas na cabeça. Cada um queimando neurônios de maneiras diferentes.
Visão bebeu o resto de seu café frio. Ele estava pensando... Pietro tinha dezessete anos quando morreu. A idade de Cooper agora. E Wanda havia voltado para casa depois de uma década. Talvez essas combinações de pensamentos estejam fazendo Clint relembrar de momentos... Momentos envolvendo seus filhos. Todos eles. Talvez não apenas Clint, mas Laura também.
Como um raio repentino, Visão percebeu que os estragos causados por Strucker se estendiam para todos os lados, todas as ramificações de seus círculos sociais, das suas famílias e seus amigos.
Qualquer raciocínio aprofundado sobre o assunto foi interrompido pelo jovem Cooper se aproximando correndo deles.
— Pai, a tia Nat está chamando. — Ele informou.
— Já estamos indo. — Clint respondeu.
— Ela disse que precisa ser agora, é importante.
Clint apenas assentiu e Cooper caminhou de volta em direção à casa.
Algo no interior de Visão dizia que as coisas estavam prestes a mudar.
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