Notas iniciais
Wow! Meses! Mas eu voltei! Desculpe, eu estive completamente fora da escrita esses últimos meses, mas agora que as coisas acalmaram eu consegui terminar Home! Sim, terminar! Esse é o penúltimo capítulo, o último sai no sábado! Lá vai o resumão a partir do capítulo 47 (resumos de antes disso estão disponíveis em capítulos anteriores, no caso, no cap 47 e outros listados nele). Anteriormente em Home: Após o reencontro com os Barton, Wanda e Visão, juntamente com seus filhos e com Tony, Natasha, Steve e Bruce, foram recepcionados com café da manhã no jantar, um banquete improvisado por Laura. Os olhares deixaram a família Maximoff desconfortável, ainda assim, Laura Barton se sentiu emocionada com a interação com sua filha adotiva e seu neto Tommy. Após o jantar, Wanda entrou no quarto em que dividira com Pietro, sentindo sua presença mesmo depois de tanto tempo. Depois que as crianças dormiram, Wanda escutou a conversa de seus amigos e familiares no andar de baixo, onde estavam falando sobre ela e suas atitudes falhas nos últimos tempos, causando-lhe extremas emoções, fazendo-a fugir correndo da casa sob a chuva. Correu até cair no gramado junto a estrada e chorou incessantemente. Visão chegou para consolá-la, e Wanda disse que o amava. Ele a carregou até o celeiro, onde Visão lembrou quando dissera que a amava no dia em que ela lhe contara que estava grávida de Tommy e Billy, então adormeceu junto a ela. Na manhã seguinte, Visão acordou com Clint os observando, o qual disse que os dois iriam conversar mais tarde. Após o café da manhã, Visão e Clint caminharam juntos pela estrada enquanto conversavam. Clint perguntou como Visão e Wanda se conheceram, e a conversa tomou rumo até a história de como Pietro morreu. Visão pediu desculpas por não ter levado Wanda para casa antes, e Clint disse que não havia culpados na história. Cooper Barton foi correndo até eles para avisar que Natasha os chamava, tratando-se de algo importante. Boa leitura! :D

Eles mal atravessaram a porta e Natasha empurrou Visão para o lado de Steve, em seguida segurando no braço de Clint.

— Vá ver a Wanda. — Ela disse para Visão, depois virou para Clint. — Vou te atualizar.

Confusos, cada um foi guiado por um capitão: Clint foi levado por Natasha até a cozinha e Visão acompanhou Steve escada a cima.

— O que aconteceu? — Visão indagou, pressentindo o pior.

— Laura está com as crianças no celeiro. — Steve falou em tom baixo, como se ainda tivesse medo que sua voz chegasse aos ouvidos de quem não deveria ouvir a conversa. — Carol ligou, disse que houve um incidente.

— Um incidente? Algo grave? — Visão sentia seu coração acelerar à medida que avançava pelo corredor imaginando que talvez o primogênito Strucker poderia ter...

— Werner acidentalmente atirou contra a própria cabeça.

Visão parou no caminho. Steve deu dois passos à frente antes de parar também, olhando para o primo.

— O que quer dizer? — Visão seria paciente e esperaria Steve contar tudo, mas ao mesmo tempo a pergunta encontrou seu rumo sozinha para fora de sua boca.

— Werner von Strucker está morto. Ele se matou.

A informação pairou no ar. A frase de Rogers era um eco em sua mente.

Ele não processou a informação, não. Ainda não. Ele ouviu Steve dizer para ele ficar com Wanda, mas sua voz pareceu se perder. Ele foi conduzido por Steve, que tinha uma mão em suas costas e o levemente empurrava em direção ao quarto de Wanda.

Visão mal registrou que Steve fechara a porta, deixando apenas os dois no quarto, Wanda sentada na lateral da cama, olhos arregalados e expressão petrificada, olhando-o.

A primeira e única ação em que Visão pensou foi em abraçar Wanda.

Ele caminhou até ela e se agachou no chão em sua frente, segurando em suas mãos sobre seu colo. Ela parecia em choque, sem saber o que dizer.

Com um olhar brilhando em lágrimas não derramadas, ela abriu a boca e levou um segundo antes de conseguir proferir qualquer coisa.

— Vis... — O nome dele foi a primeira coisa que conseguiu dizer, ainda se sentindo... entorpecida. — É errado... é errado eu me sentir... — Ela encheu os pulmões de ar antes de terminar a pergunta. — Aliviada?

Sua expressão mudou para receio.

Era errado se sentir aliviada pela morte de uma pessoa? Não era qualquer pessoa, era Werner von Strucker, que fora quase tão terrível para ela quanto Wolfgang.

Ela lembrava de como aquele garoto, dois anos mais velho, ficara completamente revoltado com a nova esposa do pai. De como ele a tratou horrivelmente, até mesmo a ameaçou algumas vezes. Wanda nunca achou que ele realmente fosse mal, mas sabia que ele estava se tornando cada vez mais parecido com Strucker, mesmo que Wolfgang tivesse tentado afastar o filho primogênito.

— Não sei o que é certo sobre tudo isso, mas me sinto da mesma forma. — Visão disse, tão suavemente que fez Wanda dar um pequeno sorriso trêmulo.

— O que isso significa? Digo... o que a morte de Werner significa para nós?

A palavra "livre" queria sair dos lábios de Wanda, e ela queria ouvir essa palavra saindo da boca de Visão.

Ele respirou lentamente, pondo suas mãos em cada braço dela e carinhosamente esfregando-os.

— Eu acho... que devemos começar a pensar em maneiras de vivermos. — E essa palavra, "viver", parecia muito... distante. — Se não temos mais que fugir, teremos que rever alguns hábitos.

"Hábitos". Outra palavra que fazia a mente de Wanda pensar profundamente.

Se não tinham mais que fugir, então deveriam viver. E viver significava mudar os hábitos de fuga. Sem olhar sempre para trás, sem pensar que o perigo iminente está entre as multidões do metrô, entre os passageiros dos ônibus, no banco ou na padaria de Agnes. Quando esses hábitos de fuga incessantes parassem, então estariam livres.

E estar livre é um passo para viver.

Wanda levou suas mãos para segurarem o rosto de Visão, admirando os olhos dele como bem gostava de fazer.

— Sei que ainda não terminou, que a Hydra continua, mas me sinto aliviada. — Ela disse calmamente. — Porque os únicos que nos perseguiam se foram. — Ela fez uma pausa, sentindo as lágrimas picarem os cantos dos olhos. — E eu não me sinto culpada por sentir alívio por isso.

Visão a envolveu em seus braços, Wanda se agarrou a ele.

O abraço era tudo o que precisavam naquele momento.

~ ♡ ~

Provavelmente este dia ficaria na memória, tão nítido e tão enevoado como fora.

Natasha contara a Clint o suficiente para ele entender sobre Strucker, mas resguardou a Wanda a chance de contar sua versão dos fatos e outros detalhes quando estivesse pronta.

Depois da manhã com surpresas confusas e alívio e outros sentimentos complexos e simples que deixavam os corações de Wanda e Visão pesados e leves ao mesmo tempo, um almoço se seguiu com a deliciosa comida de Laura descendo facilmente por suas gargantas. Muitos neurônios foram queimados, ainda assim, enquanto cada um naquela fazenda tentava entender todas as informações – referentes a Strucker, a volta de Wanda, as crianças, o noivado e futuro casamento de Wanda e Visão, enfim, sobre tudo –, mas tudo ficou um pouco melhor porque Laura sempre foi, a cada segundo do dia, a melhor anfitriã que poderiam ter.

Por isso, à tarde as crianças tanto dos Barton quanto as Maximoff saborearam apetitosos brownies feitos pela mãe-vó. E depois de ingerirem uma quantidade razoável de açúcar – porque um suco de laranja bem adocicado parecia perfeito para acompanhar a guloseima –, os pequenos – e até o maiores Lila e Cooper – estavam muito agitados, correndo de um lado para o outro do lado de fora da casa, inventando brincadeiras e gritando para se comunicarem.

Wanda lembraria desse dia. Lembraria nitidamente de ver seus filhos agindo que nem crianças normais, todos eles se esquecendo, por alguns momentos, de olharem para ela e para Visão em busca de autorização. Ela também lembraria como fora enevoado o momento em que Laura ou Natasha sugeriu para que sentassem no lado de fora, apenas para conversar ou observar as crianças. Ela não saberia quanto tempo ficaram assim, apenas lembraria que em determinada hora o sol foi ficando alaranjado e baixo, um fim de tarde próximo.

Mais tarde, naquele dia, após o sol desaparecer no horizonte e antes da escuridão chegar, ela e Clint caminhariam na mesma estrada em que Wanda correra na chuva noite passada. Eles conversariam e Clint mostraria o bilhete que ela deixara para ele no dia em que fugira de casa, aquele que ele guardou durante dez anos. Ela choraria, pediria desculpas, ele choraria e também pediria desculpas. Eles se abraçariam.

Mais tarde, naquele dia, após o sol desaparecer no horizonte e antes da escuridão chegar, Wanda Maximoff contaria a Clint Barton porque ela fugiu de casa. E Clint contaria a sua filha adotiva, Wanda, que ela seria sempre bem-vinda de volta.

Mais tarde, naquele dia, após a escuridão da noite cobrir o hemisfério oeste do planeta Terra e todas as almas na fazenda Barton estarem dormindo, um coração sokoviano se aqueceria.