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4 Trash Bags


Notas iniciais
Eu inclui durante a história alguns personagens de WandaVision, como Agnes e, como irão ver, a Sra. Hart. Só disse isso para explicar para quem talvez não assista a série e não esteja familiarizado com esses nomes. É provável que mais personagens da série sejam inclusos na fic. Aliás, assistam WandaVision! É muito boa!

— Estou cansado. — Reclamou o pequeno Billy com sua doce voz infantil.

— Estou com sede. — Disse a filha do meio, dona de lindos olhos verdes iguais aos de sua mãe.

Wanda emergiu de seus pensamentos, um turbilhão deles, e olhou para Billy segurando sua mão direita e depois para Elizabeth que ia mais a frente observando seus próprios pés ao andar.

— Já estamos na quadra de casa.

— Querem apostar corrida? — Sugeriu David numa tentativa de encurtar a viagem.

— Não, não. Melhor não, Dave.

— Mas mãe...

— Eu não quero você tossindo com falta de ar. — Ela argumentou. O menino fez um beiço e baixou os ombros em frustração.

Os gêmeos caçulas arrastavam suas mochilas de rodinhas como se pesassem toneladas e os três mais velhos sentiam como se carregassem pedras em suas mochilas dependuradas nos ombros. Eles possuíam um carro, mas fora vendido há poucos meses, já que por algum motivo misterioso ele vivia na oficina.

Wanda gostava de caminhar, na maioria das vezes, misturava-se às demais pessoas, sentia que estava invisível perto delas. Mas às vezes era uma atividade árdua. O dia já estava para terminar, o sol se punha cada vez mais cedo devido à época do ano, e de vez em quando eles costumavam ir ao parque, o que significava chegar em casa quase no escuro.

— Mãe, tem alguém na nossa casa! — Proferiu Elizabeth, apontando o dedo em direção ao pátio a duas casas a frente.

Dois homens largavam desleixadamente grandes sacos de lixo pretos. A dona do imóvel, uma mulher idosa de cabelo loiro curto e cacheado, observava os homens com um rosto sério e um envelope nas mãos.

As crianças correram até o quintal e Wanda as acompanhou, confusa e pronta para se rebelar.

— O que é isso? O que estão fazendo? — Ela indagou ao se aproximar da proprietária. — Sra. Hart, o que está acontecendo? Isso são nossas coisas?! — Wanda abriu um dos sacos de lixo, haviam roupas dentro.

— Vocês não têm muitas coisas, todos os móveis vieram com a casa. Tudo o que é de vocês está em sacos e caixas. — Wanda a encarou, a confusão e incredulidade estampadas em seu rosto. — Aqui está uma “indenização”. Vocês não podem mais ficar aqui.

— O que?! Como assim? Por que não?

— Porque a casa precisa ser liberada. Sinto muito. — A Sra. Hart permanecia com a mão direita esticada segurando o envelope.

— Não, não, você não pode fazer isso de uma hora para a outra! Para onde eu vou? Eu tenho filhos! Onde eles vão ficar? — O desespero começava a crescer dentro de Wanda.

— Sinto muito, isso é necessário. É melhor assim.

Wanda ficou estática a encarando. A mulher empurrou o envelope em suas mãos e caminhou para dentro da casa, conferindo se tudo havia sido empacotado.

Era a terceira pessoas que falava a palavra “melhor” após explodir uma bomba no colo de Wanda. E sua mente pensou imediatamente em Strucker. É claro! Como ela podia ter esquecido de sua tática mais usual? Reprimir o inimigo até que ele ficasse sem opções, vulnerável, e aí atacar. Era o que estava acontecendo aqui. Primeiro ele deve ter mandado alguém para falar com seu chefe o obrigando a demiti-la. Depois deve ter dito ao banco para encerrar sua conta. Em seguida, deve ter ameaçado a Sra. Hart para despejá-la imediatamente, deixando-a sem casa. Quem era o próximo?

— Mãe? — Chamou David. O menino olhava preocupado para ela.

Wanda, ainda com expressão atônita, pegou o saco que havia aberto anteriormente e atou-o novamente. Haviam vários sacos de lixo com roupas, sua mala grande de rodinhas estava ao lado dos sacos, haviam mais algumas caixas com pertences que não roupas, como porta-retratos e porta-joias.

— Terminamos. — Informou um dos homens que carregara as coisas, ele mantinha um olhar de pesar em seu rosto, porém não disse nada.

De dentro da casa saiu a Sra. Hart. Ela pagou aos dois homens e lançou um olhar de pena à jovem mãe ajoelhada na grama, depois desviou o olhar e foi embora.

— Mãe, nós fomos expulsos? — Perguntou Elizabeth, parada ao lado de seus irmãos observando a bagunça.

Wanda não respondeu; levantou-se e correu até a porta de entrada da casa, pegou sua chave e tentou destrancar a porta, mas não conseguiu.

Bufou frustrada e abaixou a cabeça enquanto batia com os lados dos punhos fechados contra a madeira.

O que fazer agora? O que fazer? O que fazer? Banner.

Ela se apressou para pegar o celular, ligando para o número da discagem rápida. Após longos segundos chamando, ele finalmente atendeu:

— Alô?

— Bruce, sou eu. Preciso de ajuda.

Ele ficou mudo por um momento antes de falar.

— Não é uma boa hora.

— É urgente. Fomos expulsos de casa...

— Olha... realmente não é uma boa hora.

Ambos ficaram em silêncio, Wanda percebendo a aflição em sua voz.

— Ele... ele está aí?

Mais silêncio.

— Tem coisas para carregar?

Wanda pensou por um momento até entender que ele se referia a sua expulsão e consequentemente aos seus pertences.

— Sim... não tenho como levar tudo.

— Pegue o que conseguir, só o necessário, e o que não der deixa aí que eu passo para pegar... ou peço para alguém. Mas sai dai agora. — Ele sussurrava, ela não sabia dizer se quem estava com ele conseguia o ouvir ou não, mas sabia que tinha alguém com ele.

— Bruce...

— Faz o que eu disse. Eu vou ficar bem, eu prometo. Mas você tem que ir.

A ligação encerrou de repente. Seja lá quem estivesse com ele, deixou que ele atendesse a ligação e falasse com ela.

Era como Wanda acabara de perceber: Strucker estava jogando com ela. Reprimir e atacar; era o que ele fazia de melhor. Strucker intimidaria as pessoas a sua volta, amigos, chefe, qualquer um que tivesse qualquer ligação com ela.

Ele já conseguira sua demissão, o encerramento de sua conta bancária, a expulsão de sua casa. Machucara Sam e estava prestes a machucar Bruce. E Wanda se perguntou quanto tempo ele levaria para chegar à escola de seus filhos. Outro ponto a se pensar: eles deveriam ir à escola mesmo sabendo que Strucker os quer junto dele?