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46 Time
O caminho entre a entrada da fazenda e a casa dos Barton era o último empecilho entre Wanda e sua família adotiva.
O sol já estava se pondo, dando um ar muito hospitaleiro à fazenda. E trazendo algumas memórias para uma nervosa Wanda.
A minivan parecia ir rápido demais e ao mesmo tempo demorar muito para chegar.
Suas amigas compraram roupas novas para ela – e para Visão e as crianças, já que a perda no loft foi quase total –, nada chique, mas bonito e adequado. Uma blusa preta com listras horizontais sob um casaco fino preto, uma calça jeans com detalhes de rasgados e uma botina preta com um pequeno salto. Aquela roupa demonstrava a nova Wanda – nova para os Barton.
Quando eles a olhassem, saberiam imediatamente que ela havia mudado, amadurecido, desde a última vez que a viram. Dez anos atrás.
E isso assustava Wanda. Fazia muito tempo... Será que seus pais adotivos ainda a reconheceriam? Eles ficariam bravos? Brigariam com ela? Ela receberia um sermão provavelmente.
Visão apertou sua mão, seus dedos entrelaçados, e Wanda virou para olhá-lo.
— Tudo bem? — Ele perguntou em voz baixa.
Ela apenas assentiu e deu-lhe um sorriso nervoso.
No volante, Natasha guiava o carro, desacelerando aparentemente, e Bruce, o quase oficial médico da família, ao seu lado no banco do passageiro.
As crianças, cada uma comportadamente sentada em um banco atrás de seus pais, quietinhas, talvez até um pouco sonolentas. Os menores, Tommy e Billy, infelizmente precisaram de uma rápida consulta com o Dr. Banner após ficarem enjoados no caminho, mas estavam aguentando firme até o final.
Em um carro atrás do deles, provavelmente Steve e Tony estavam em um silêncio mortal ou uma discussão acirrada.
Visão também tinha suas preocupações. Além do bem-estar de Wanda e dos filhos deles, ele pensava constantemente que talvez Clint e Laura Barton pudessem estar um tanto quanto aborrecidos, para falar o mínimo, por ele não ter entrado em contato ou convencido Wanda de voltar para casa.
E o que mais preocupava Wanda e Visão, além de todas as suas preocupações, era o fato de cinco crianças irem conhecer seus avós pela primeira vez, vice-versa.
Laura e Clint gostariam dos seus filhos? Bem, quem não gosta deles? Mas será que eles os aceitariam tão bem quanto se os tivesse conhecido desde o útero? Uma pergunta que cutucava a mente de Visão, mas especialmente a de Wanda.
— Chegamos. — A voz de Natasha soou do banco da frente, o carro já estava estacionado sem que eles percebessem, e logo a porta dela e de Bruce eram abertas.
Wanda paralisou, suas mãos tremendo levemente. Chegou a hora.
Visão não disse, mas ele sentia um calafrio de pensar que aquelas cinco pessoas paradas em frente a casa estavam os aguardando.
Wanda e Visão se olharam mais uma vez, compartilharam um suspiro e apertaram suas mãos antes de se moverem para abrir a porta do carro.
Pondo os pés para fora do veículo, nenhum dos dois ousou olhar para os Barton de imediato, tamanho era o nervosismo. Eles olhavam apenas para seus filhos e os ajudavam a sair do carro.
Porém, uma vez fora da minivan, não havia mais desculpa para não olhar para a família adotiva de Wanda.
Então, eles finalmente se encararam.
Foram apenas alguns pouquíssimos segundos entre seus olhares se cruzarem e Laura se mover do lugar, apressando seus passos até sua filha.
Quando a alcançou, envolveu Wanda em um abraço apertado, mas a mais nova não conseguiu retribuir na mesma intensidade.
As lágrimas vieram rapidamente, de Laura, não de Wanda. Ela forçou ao máximo para não derramar sequer uma lágrima das quase transbordando em seus olhos.
Clint se aproximou sem que Wanda conseguisse processar tal informação. Ele a abraçou, junto de Laura. Foi quando ela não conseguiu segurar.
Ele não disse nada. Não a repreendeu. Não deu um sermão. Nada. Ele apenas a abraçou, forte e carinhosamente.
E foi nesse momento que as lágrimas não derramas de Wanda vieram à tona.
Ela se sentiu tão pequena e infantil em meio aos abraços de seus pais adotivos que não conseguiu pensar em absolutamente nada, a não ser na vergonha que sentia.
Por um momento, enquanto abraçava Wanda, Clint olhou para atrás dela, diretamente para Visão, não disse nada, mas deu-se conta de que esse abraço não poderia durar para sempre.
Tempo, foi um longo tempo em que os três se abraçaram. Quando finalmente se afastaram, Wanda percebeu que havia retribuído o abraço na mesma intensidade que recebera.
Mas agora era hora de encarar seus pais definitivamente.
Laura, a boa mãe, estava parada com um sorriso singelo, secando as últimas lágrimas enquanto a olhava.
Clint, o bom pai, mais contido, porém ainda precisou secar uma lágrima sorrateira que escapara.
E Wanda, a boa filha, muito nervosa e envergonhada, usou as costas das mãos para secar o rosto molhado rapidamente. E ficou em silêncio, encarando seus pais.
— Então... — Disse Laura, quase sem fôlego. — Eu soube que sou avó. — Ela cobriu a boca com as mãos enquanto ria. "Avó" soava muito estranho para uma mulher que não tinha nem cinquenta anos.
Visão gentilmente guiou os filhos para junto de sua mãe, eles estavam acanhados, todos eles, inclusive Visão, que permanecera atrás dos filhos como forma de se sentir mais seguro.
Clint e Laura ficaram mais próximos um do outro enquanto olhavam para baixo para observarem as cinco crianças.
Eles pareciam tanto com Wanda, mas também tanto com Visão que chegaram a pensar que o que Natasha contara, sobre os mais velhos não serem filhos do atual noivo de sua filha, não fosse verdade.
Wanda desviou o olhar de seus pais para focar em seus filhos, sentindo-se mais confortável ao acariciar os fios loiros da cabecinha de Billy, que estava ao seu lado segurando em seu casaco.
— Estes são... David, Sophia, Elizabeth, Thomas e William. — Proferiu Visão após um longo silêncio de todo mundo, sinalizando para cada uma das crianças lado a lado em sua frente.
— Oi. — Laura disse em tom calmo, prolongando a monossílaba enquanto se inclinava levemente para olhar as crianças com um sorriso nos lábios.
Clint deu um passo a frente e se agachou para ficar mais baixo que os três mais velhos e na altura dos gêmeos mais novos.
Wanda levantou o olhar para a figura que se aproximava. Era uma animada Lila trotando até ela, pulando em seus braços para abraçar sua irmã.
Cooper veio logo atrás, tão empolgado quanto a irmã, parando ao lado das duas. Lila se afastou após um forte abraço e Cooper rapidamente envolveu Wanda em um novo abraço, tão forte e aconchegante quanto da irmã caçula.
Wanda sentiu seu coração doer. Lila já era uma adolescente. Cooper agora era mais alto que ela. Ela sequer os reconheceria se eles não fossem as únicas pessoas com aparência de filhos naquele lugar além de seus próprios.
Quando Cooper se afastou, Wanda tentando desfazer um nó em sua garganta, uma figura baixa se esgueirou entre seus irmãos adotivos e enlaçou a cintura dela.
Nathaniel Pietro Barton.
O bebê da família Barton que recebera o nome de seu irmão, agora possuía onze anos de idade.
Ela perdeu dez anos de convivência com sua família.
Dez anos.
E esse era um tempo que não voltaria.
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