Home

11 The Girl Who Joined The Mafia


Notas iniciais
Hey guys! Por mais que eu revise várias vezes todo capítulo antes de postar, sempre escapa algum errinho. Então peço desculpas se encontrarem algum :) Boa leitura! :D

Murmúrios junto a porta precederam uma batida suave. Wanda levantou do sofá com pressa, destrancando-a e deixando que Natasha entrasse.

— Nat, ele vai...

— Não, não vai. — Natasha a interrompeu enquanto segurava seus braços. — Calma. — Ela pediu lentamente, sua voz baixa, porém firme. — Thor, Carol e eu ficaremos na porta, ninguém vai entrar aqui. Entendeu? — Wanda ficou encarando a ruiva, o medo marcado em seus olhos. — Agora, respire.

E a jovem soltou o ar preso nos pulmões, necessitando respirar mais do que imaginava.

— E se ele encontrou o Visão? E se o machucou? — Wanda externava seus pensamentos preocupados.

— Visão está bem, preocupe-se apenas em dormir. Tem que estar descansada amanhã.

— Mas...

— Sem mas. — Natasha inspirou lenta e profundamente enquanto mantinha seus olhos fixos no rosto pálido, e pouco visível na quase escuridão, de Wanda. — Eu vou pegar um chá para você, deite-se no sofá e feche os olhos.

Wanda não resistiu quando Natasha a empurrou para o sofá. Encolheu-se nele e fechou as pálpebras pesadas. Sua cabeça parecia que iria explodir, tanto pela enxaqueca quanto pelos pensamentos nervosos, e repousá-la no encosto do sofá era um alívio e ao mesmo tempo lhe causava uma pequena dor incômoda e localizada.

A única iluminação no ambiente provinha de uma luz noturna de tomada, que pouco iluminava, mas era o suficiente. Natasha não quis acender a luz para não acordar as crianças, afinal, elas mereciam uma boa noite de sono também. Com o máximo de silêncio possível, ela caminhou até a cama de solteiro e observou as cinco criancinhas que dormiam ali. O sorriso que surgiu em seu rosto era divino. Ela os admirava como se fossem pequenos anjos de mármore expostos em um museu.

Por um momento, ela pensou em como seria ter um deles para si, segurá-lo e abraçá-lo com tanta ternura e amor... Wanda tinha sorte. Sorte de poder chamá-los de filhos. E ela sabia que Wanda sabia da sorte que tinha, por isso estava tentando mantê-los seguros. Por isso, talvez, ela tenha ficado tantos anos longe de sua família. Talvez ficar longe era o modo de ela protegê-los também.

Soltando um suspiro baixo pelos lábios entreabertos, afastou-se da cama e abriu a porta sem fazer barulho, conferindo uma Wanda quase adormecida antes de sair do apartamento. Aparentemente, o chá não seria mais necessário.

~ ♡ ~

Wanda foi lentamente despertando, passando vários minutos em um estado entre adormecida e acordada. Quando finalmente a lembrança habitual de que deveria acordar seus filhos para a escola – mesmo que no momento não fosse adequado e em breve ela se daria conta disso – a trouxe para a consciência, ela abriu os olhos num susto sem saber que horas eram.

— Bom dia, bela adormecida. — Proferiu Natasha tomando café de Starbucks e lendo as manchetes de um jornal dobrado na metade, mesmo que a luminosidade do local fosse limitada com somente a luz provinda da janela do banheiro para iluminar. — Você estava em um sono tão profundo que eu não quis te levar para a cama para não te acordar.

— As crianças. — Wanda disse enquanto levantava rápido, quase se desequilibrando, fazendo uma careta ao sentir uma dor terrível no pescoço graças ao mau modo como dormira. — Têm que irem para a escola. — Mas então ela olhou para a cama, vazia e já arrumada.

— Eu os aprontei, Thor e Carol os levaram e ficarão vigiando. De perto. — Natasha acrescentou, olhando para Wanda ao passo que deixava o jornal sobre a geladeira e bebericava mais uma vez seu café. — Wanda, por que não deita na cama e dorme um pouco mais? Vai te fazer bem.

A moça expirou e caminhou até a cama, sentando-se na beirada, de frente para Natasha. Passou-se alguns minuto de Wanda sentada apenas fazendo seus neurônios acordarem e começarem a trabalhar.

— Por que deixou que eles fossem para a escola? — Ela perguntou, parecia um pouco irritada aos ouvidos de Romanoff, que baixou o copo para que pudesse olhá-la com atenção. Agora que sua mente clareava, o pensamento de que Strucker estava por perto e que seus filhos não deveriam se afastar dela lhe deu uma nova dose de preocupação.

— Eles não poderiam faltar. — Natasha respondeu sem maiores explicações.

Wanda balançou a cabeça.

— Meus filhos podem ser sequestrados ou sabe-se lá o que mais, e você achou que seria uma boa ideia mandar eles para a escola? Longe de mim? Com Strucker por perto?

— Ei ei, calma aí, garota. A pessoa que fugiu de casa para se juntar a máfia foi você. — Wanda disparou um olhar sério para Natasha, mas que logo se tornou um semblante triste. Natasha, percebendo as palavras que acabara de proferir, amenizou seu olhar e sentou-se ao lado da sobrinha. — Desculpe.

— Por dizer a verdade? — Wanda a olhou rapidamente antes de voltar a fitar o chão. — Foi o que eu fiz, afinal.

Um curto silêncio antecedeu a fala de Natasha:

— Por que fez isso, Wanda? Fugiu e se juntou ao Strucker? Quer dizer... — Ela expirou. — Sei porque fugiu dele, mas por que fugiu de nós? Antes de tudo isso começar?

Wanda deu um suspiro pesado antes de responder:

— Porque... depois que Pietro... — Ela respirou mais uma vez profundamente. — Depois que Pietro morreu, eu apenas... era como se eu estivesse morrendo também. Eu morri, metade de mim. — Ela fez uma pausa, sentindo como se lágrimas quisessem se formar. — Eu queria voltar lá, no lugar onde... aconteceu. E eu encontrei Strucker. Ele já havia falado com nós dois, comigo e com Pietro, antes da sua morte. Então... ele disse coisas que pareciam... anestésicas. — A lembrança de quando Strucker encontrara Wanda novamente, dessa vez desacompanhada do irmão, surgiram em sua mente e trouxe aquelas lágrimas para molharem seus olhos, porém sem caírem. — Você não faz ideia de como ele sabe convencer você a fazer coisas que você não quer. — Sua voz saiu em um quase sussurro e por um momento, por um mísero momento, Natasha ouviu suavemente o sotaque sokoviano da moça.

Romanoff ficou em silêncio por um momento pensando se deveria fazer a pergunta que queria ou não. Decidiu, por fim, fazê-la:

— Ele machucou você? — A preocupação de que algo mais grave que Strucker poderia ter feito com Wanda deixou sua mente impaciente, principalmente por Wanda ter levado alguns longos segundos para responder.

— Não. — Ela fez uma pausa, seu olhar ainda não encontrava Natasha. — No início não. Mas depois ele começou a ficar meio... Ele mudou. De repente não era mais tão paciente nem compreensível. Isso aconteceu rápido, não muito tempo depois que David e Sophia nasceram.

— E como vocês fugiram? — Natasha notou que Wanda apertava as mãos juntas nervosamente, um sinal de que não deveria forçá-la muito além no assunto para não a reprimir.

— Strucker é diferente. — Sua voz parecia ter caído terrivelmente para um sussurro quase inaudível. — Ele tenta agir calmamente. Aceitou o divórcio, mas queria que ficássemos por perto. — E seu tom voltou a aumentar de leve. — Não lembro muito bem como fugi. Só lembro de encontrar o Visão.

Não querendo obrigá-la a recordar desses momentos desagradáveis, embora estivesse curiosa para saber mais direto da pessoa que passou por isso, Natasha decidiu encerrar o assunto ali mesmo.

— Bom... Veja o lado positivo da coisa: tudo isso te trouxe até aqui, cinco filhos e um noivo. Um bom noivo.

Wanda sorriu com a fala de Natasha, que também sorriu ao ver a ansiedade de sua sobrinha dissipando-se vagarosamente.

— O melhor noivo. — Wanda afirmou e seu sorriso cresceu enquanto olhava para Natasha, que torceu a boca em dúvida.

— Não conheci muitos noivos, então não dou certeza, mas... Talvez ele seja o melhor noivo, sim.

E dessa vez o silêncio foi confortável, resultando em um abraço entre as duas mulheres.

— Obrigada, Nat. — Wanda disse ao se afastarem, Natasha ficando de pé. — Por tudo o que está fazendo.

— É isso que a família faz, certo? Ajudamos uns aos outros. — Ela deu um sorriso afável antes beber um gole do café esquecido e caminhar em direção à porta. — Não se preocupe, Wanda. Strucker não vai chegar perto das crianças. — Ela se virou para a morena. — Se ele quisesse pegá-los, teria feito isso ontem em vez de mandar fotos por debaixo da porta. Ele só quer te assustar. Só isso. — Wanda assentiu em entendimento. — Eu vou ficar por perto, você pode dormir mais um pouco.

— Nat. — Wanda a chamou antes que a ruiva pudesse girar a maçaneta. — O Sam está bem machucado. Eu não falei com ele desde que fui visitá-lo no hospital. Será que pode dar uma olhada nele para mim? E pode ver como Agnes está? Ela é uma amiga, acho que também chegaram até ela.

Natasha concordou com um aceno de cabeça.

— Pode deixar. Apenas descanse, garota da máfia. — Natasha piscou, ganhando em troca um olhar de descontentamento e desaprovação de Wanda, o qual foi ignorado, e saiu sorrindo divertida do apartamento.

Notas finais
Aviso aqui que a partir do próximo capítulo a classificação da história passará a ser +18.