Home
9 The Call
Notas iniciais
— Onde você está? — O garoto perguntou com voz embargada, o choro tomando conta.
Em um segundo Wanda estava ao seu lado, pegando o celular com mãos trêmulas e o coração palpitando. Levou o aparelho ao ouvido ansiando por ouvir a voz de seu noivo após meses sem terem contato.
— Vis? — Seu nome escapou por entre seus lábios, a ansiedade deixando a mente de Wanda impaciente ainda que Visão não tenha levado mais que um segundo para responder:
— Wanda?
Seu coração se inundou de alívio e felicidade. As crianças estavam estáticas ao seu lado, o choro de uma contagiando o grupo inteiro que começava a soluçar baixo, porém incontrolavelmente. Os olhos de Wanda embaçaram-se quando as lágrimas emergiram, ameaçando caírem a qualquer momento.
— Vis. — Ela sussurrou, seu nome era a única coisa que vinha a sua mente.
— Wanda... — Ele soltou o ar dos pulmões como se o prendesse há muito tempo. — Eu precisava ouvir a sua voz. — Disse com tom de alívio. — Wanda?
— Sinto sua falta. — A voz de Wanda não saiu muito mais alta que antes. — Nós sentimos sua falta.
— Eu também sinto sua falta... de todos vocês. — Ele fez uma pausa por o que pareceu uma eternidade para Wanda, mas antes que ela pudesse o chamar, ele prosseguiu. — Eu estarei aí em dois dias. — Wanda soltou o ar que nem percebera que segurava e passou a mão pelo rosto molhado pelas lágrimas que não notara cair. — Como você está? Como estão nossos filhos? — Não eram perguntas de praxe, a preocupação estava presente em sua voz.
— Estamos bem. — Ela se virou para os filhos, seus soluços diminuindo e tornando-se em fungadas contínuas. — Estão com saudades também.
— Eu também... eu também. Tem sido cada vez mais difícil dormir longe de vocês. — Ele suspirou profundamente.
— Quer falar com eles? — Wanda viu os olhos dos filhos se erguerem e observarem-na ansiosos.
— Sim, por favor.
Wanda sorriu ao ouvir Visão dizer “por favor” mesmo quando não era necessário e entregou o celular a David que o agarrou rapidamente, levando-o a orelha.
— Pai?
— Oi, amigão. Como você está?
— Quando você volta?
— Depois de amanhã, não vai demorar.
— Eu te amo, vou passar para Soph.
O menino deu o celular à gêmea sem esperar por uma resposta do pai.
— Pai, é a Sophia, eu amo você.
— Oi, princesa. Eu também amo você.
— Eu sinto sua falta, volte logo, por favor.
— Eu vou, eu prometo.
Sem se despedir, entregou o aparelho a irmã mais nova.
— Oi, papai, é a Lizzie! — Ela disse alto. — Eu quero que você volte logo.
— Eu vou, bonequinha. Eu te amo muito.
— Amo você! Tchau.
Wanda sorriu ao ver as crianças praticamente repetirem o que as outras diziam, embora elas dissessem de forma sincera.
Tommy pegou o celular antes de Billy e levou-o ao ouvido como seus irmãos fizeram.
— Papai. Papai! — Ele apenas repetiu-se, a segunda vez mais alto que a primeira.
— É o Tommy. — Wanda puxou a mão junto com o celular para informar Visão e direcionou-a novamente na orelha do filho.
— Tommy! Eu sinto tanta saudade sua!
— Eu também. — Ele balbuciou, balançando um boneco do Batman na outra mão. — Tchau, papai. Volta para casa logo! — E entregou o celular para a mãe, que colocou junto a orelha de Billy que deixou que a mulher o segurasse.
— Diz “Oi” para o papai. — Wanda falou ao filho, mas ele ficou em silêncio olhando para um dinossauro de brinquedo em suas mãos, seus olhinhos marejados. — Ei, o papai está com saudades.
— Billy? — Visão o chamou, pôde ouvir que o menino estava com dificuldade para conversar com ele, talvez fossem os sentimentos confusos para uma criança de cinco anos. — Billy, está me ouvindo?
Ele balançou a cabeça afirmativamente.
— Ele não pode te ver, querido. — Wanda informou o garoto.
— Sim. — Finalmente ele disse algo.
— Eu amo você tanto, tanto.
Billy soltou o brinquedo e seu rosto se contorceu enquanto as lágrimas começaram a cair, afastando-se do celular e envolvendo seus pequenos braços ao redor do pescoço de Wanda, seu choro se tornando alto e audível para Visão.
— Ele sente muito a sua falta. — Disse Wanda ao celular enquanto abraçava Billy com o outro braço.
— Diga a ele que eu também sinto saudades. — Ele fez uma pausa rapidamente. — Eu tenho que desligar agora.
— Tudo bem. — Wanda deu um curto suspiro. — Amamos você.
— E eu amo todos vocês. Até breve.
A ligação foi encerrada e Billy foi devidamente consolado. Sophia foi ao banheiro, David abriu a geladeira e Elizabeth voltou a mexer em seus pertences dentro dos sacos de lixo, já Tommy voltou a brincar com seu brinquedo e o do irmão até ele largar de sua mãe e reivindicar sua posse.
Wanda guardou o celular em sua bolsa. Dois dias. Visão estaria ali em dois dias. Depois de seis meses, dois dias.
Ela sorriu com essa perspectiva.
~ ♡ ~
Sentados no sofá, David e Sophia seguravam com uma mão uma fatia de pizza cada um enquanto com a outra mexiam no controle remoto, apoiado em suas pernas, de seus carrinhos. Na cama, Elizabeth e seu Buzz Lightyear aliaram-se a Tommy e seu Batman para lutarem contra o Tiranossauro rex de Billy, suas fatias de pizza sendo lentamente ingeridas quando se lembravam delas.
Wanda lavava alguns talheres para que pudessem utilizar nas próximas refeições; ao enxaguar os últimos garfos e fechar a torneira, secou suas mãos e parou por um momento para recolocar e analisar o anel de noivado no dedo anelar da mão esquerda. A luz não muito forte ainda fazia-o brilhar. Banhado a ouro branco, minúsculos diamantes preenchiam uma meia lua do círculo, no meio dele, um diamante maior muito bem lapidado. Wanda não o tirava para quase nada.
Visão lhe dera pouco depois do nascimento dos gêmeos caçulas. Já estavam juntos há mais tempo antes disso, porém decidiram esperar pelo casamento. Queriam amigos e familiares no grande dia, mas ambos estavam brigados com suas famílias. Além disso, Strucker volta e meia dava um sinal de vida, e isso era mais um empecilho para a realização do casamento.
O tempo passou e quando Visão precisou se afastar com urgência há seis meses, ele prometera a Wanda que após seu retorno eles não adiariam mais o tão sonhado casamento. Na época, nenhum dos dois sabia quanto tempo ele ficaria afastado. Felizmente, apenas mais dois dias.
O carrinho de controle remoto batendo em seu pé incessantemente tirou-a de seus pensamentos. Sophia controlava o carrinho, amarelo chamativo e com faróis que acendiam luz branca, continuando a bater nos pés de sua mãe.
Wanda não a repreenderia por isso, era desnecessário e nem um pouco grave. Ela olhou para a filha por cima do ombro, era bom vê-la sorrir, ver todos eles sorrindo. Foi quando Wanda lembrou de que precisava conversar com a menina sobre o motivo pelo qual teve um ataque de pânico no dia anterior.
Ela ficava muito preocupada quando isso acontecia. Sophia era uma menina muito querida e alegre, embora muito tímida muitas vezes, e os ataques de pânico começaram com cerca de quatro anos de idade, pouco depois de Strucker conseguir alcançá-los pela primeira vez. Não ocorriam com muita frequência, porém ainda eram preocupantes e certamente a menina deveria ir a um psiquiatra. Tanto Wanda quanto Visão – e provavelmente todos os seus amigos – sabiam que ela e seus filhos deveriam ir a um psiquiatra, mas ainda não era um momento seguro para ir. As crianças poderiam dizer algo que, embora não intencionalmente, pudesse consequentemente se tornar caso de autoridades de Proteção à Criança.
Wanda não era uma mãe ruim, muito pelo contrário. Ela era amorosa e protetora, possivelmente a melhor mãe que seus filhos poderiam querer, mesmo que ela não pensasse isso.
— Hora de dormir. — Ela disse e houve protestos por parte do mais velho, já os demais apenas continuaram brincando enquanto começavam vagarosamente a se mexer, cumprindo com a ordem de sua mãe.
Nesse momento, Wanda olhou para a cama de solteiro e ponderou sobre a qualidade de sono que seus filhos teriam ao dormirem amontoados. Mas, uma cama é melhor que cama nenhuma.
Um envelope surgiu por debaixo da porta, David o pegou rapidamente por curiosidade.
— Não sei o que é. — Ele disse após olhar para o papel em branco, sem remetente ou destinatário.
Wanda pegou o envelope e abriu-o, dentro dele somente havia duas fotos polaroid. Ela retirou as duas e olhou-as, um sorriso brotando em seus lábios.
Uma das fotos era de Wanda com os cinco filhos em um dia ensolarado num parque. A outra foto era apenas de Wanda e Visão, no mesmo parque, sentados no chão, Wanda entre as pernas dele, ele a abraçando, seus rostos juntos enquanto observavam o anel no dedo da jovem.
O sorriso no rosto de Wanda não se desfazia, ainda mais com o pensamento de que Visão enviara as fotos como um prelúdio de seu retorno.
— Tem alguma coisa escrita atrás. — Disse Sophia, apontando para uma das fotos.
Wanda virou a fotografia e o sentimento de felicidade se expandiu ainda mais por seu peito ao ler a palavra “Logo”.
Visão estaria logo junto com eles novamente.
Fale com o autor