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10 Right Now
Notas iniciais
Wanda saiu do prédio apertando o cardigã ao adentrar o vento frio da estação. Aproximou-se do carro estacionado bem em frente, janelas escuras que impediam que ela visse as duas figuras ocupantes dos assentos da frente. Pôs a mão na maçaneta da porta de trás, o som do carro sendo destravado foi ouvido e ela abriu a porta, entrando no carro e fechando-a novamente.
— Oi. — Ela expirou.
Dentro do veículo estava mais quente, uma música baixa e melodiosa tocava no rádio, Thor estava atrás do volante e Carol no banco ao seu lado.
— Boa noite. — Disse Thor com sua voz grossa e sonoridade arcaica.
— Olá. — Carol pronunciou em tom baixo.
— Noite calma? — Wanda indagou com a intenção de iniciar uma conversa.
— Normal.
— As crianças dormiram? — Questionou Thor.
— Sim, tiveram um dia cheio. — Ela fez uma pausa, seu olhar caindo rapidamente antes de prosseguir. — Também não dormiram muito bem na noite passada.
— Nenhum de vocês dormiu. — Proferiu Carol. Ela e seu parceiro se mantinham olhando atentamente através dos vidros escuros.
Houve um suspiro de Wanda. Isso é verdade, seus filhos conseguiram dormir um pouco na lanchonete, mas ela mal piscou. Apesar de se sentir exausta, uma dor de cabeça despontando em sua têmpora, ela ainda não queria dormir.
— Há quanto tempo trabalham com a Nat? — Wanda perguntou. Para que essas duas pessoas tenham seguido sua tia até Portland apenas para executar um plano misterioso para garantir a segurança dela e de seus filhos, devem ser muito próximos de Natasha ou, no mínimo, dever um enorme favor a ela.
— Nos conhecemos todos na mesma época, mais ou menos. — Thor respondeu calmamente. — Já fazem... o que? Oito anos? — Ele indagou à Carol, que apenas murmurou em concordância.
— Então... ela disse por que estão aqui? — A jovem queria saber até que ponto os amigos de sua tia sabiam sobre sua história.
Não era exatamente uma história para se orgulhar. Na verdade, Wanda tinha vergonha de ficar compartilhando-a com os outros. Tirando Visão e o seleto grupo de amigos que se propôs a ajudá-los, os demais nunca souberam pelo que a jovem europeia passou.
Wanda viu a troca de olhares entre os dois Capitães e deduziu que fosse um “sim”.
— Ela manteve a discrição. — Disse Carol, sua voz em tom neutro e alto o suficiente para ser ouvido. — Contou quem era você, do que fugia e por que precisava de ajuda. O resto é apenas contexto.
Embora sua vida não fosse “apenas contexto”, Wanda interpretou isso como um modo de manter sua privacidade resguardada.
Thor olhou para Wanda através do espelho retrovisor interno do carro e ponderou sobre o quão jovem ela era. Ela fora mãe jovem, sofrera a dor da perda muito jovem. Perder-se na vida era muito fácil considerando o histórico dela, mas, felizmente, ela foi encontrada, e por um bom homem.
— Eu... tenho que agradecer a vocês. — Ela articulou as palavras lentamente. — Obrigada... por sua ajuda. — Conseguiu ver os acenos de cabeça e logo ouviu “de nada” em uníssono. — Hã... se quiserem alguma coisa... algo para comer ou beber, podem pedir ou comprar. Por minha conta. Bem... tecnicamente pela do Visão. — Ela riu baixo acompanhada de sorrisos dos outros dois. Pôs a mão na maçaneta, mas parou antes que abrisse. — E obrigada pela mensagem. Ela foi importante para nós.
— Que mensagem? — Carol perguntou quase que imediatamente.
— A de Visão. O envelope com as fotos. Colocaram por debaixo da porta.
Carol e Thor se olharam, dessa vez em alerta. De pronto a loira pegou seu celular e discou um número rapidamente.
— Vamos. — Ordenou Thor para Wanda, saindo do carro em seguida.
— Estão aqui. — Carol disse ao celular e desligou-o sem demora.
Wanda pulou do carro como um gato e apertou o passo para dentro do prédio, acompanhando Thor e com Carol vindo logo atrás. Percorreram com pressa os lances de escada e o corredor até o apartamento onde as crianças dormiam amontoadas. Wanda destrancou a porta com urgência, Thor entrou na frente, conferindo até o banheiro para ver se estava tudo em ordem, saindo assim que se certificou.
A jovem foi até a cama onde seus filhos dormiam, continuavam da mesma forma que os deixara antes de sair: uns abraçados nos outros, apertados, os gêmeos mais velhos dormindo com suas cabeças junto aos pés dos três mais novos e vice-versa, bichinhos de pelúcia presos entre os bracinhos de cada um deles.
No corredor, Carol e Thor olhavam para os lados e sussurravam entre si. Carol parou na soleira da porta.
— Posso ver o envelope? — Ela pediu e Wanda procurando dentro de sua bolsa, alcançando para a outra mulher quando o encontrou.
A Capitã examinou o envelope, depois as fotos e por fim a mensagem “Logo” no verso de uma das fotos.
— Alguma coisa? — Indagou Thor sobre seu ombro.
— Posso ficar com elas? — Carol perguntou à Wanda que apenas assentiu. — Certo. Fique aqui e não abra a porta para ninguém. Thor vai ficar do lado de fora por garantia.
— Tudo bem, mas o que isso significa? Quer dizer... — Wanda cruzou os braços e respirou profundamente. — Não foram vocês nem o Visão que enviou as fotos. — Ela concluiu, embora o peso do que isso significava ainda não tivesse sido sentido. — Então foi o Strucker?
— Se não fomos nós, foi alguém do prédio ou alguém que entrou despercebido. — Carol pareceu diminuir o tom de voz, talvez para que ninguém de fora a ouvisse ou para não acordar as crianças. — Fique aqui, nós cuidaremos disso.
Wanda não disse mais nada, apenas concordou com a cabeça e trancou a porta assim que a mulher saiu.
Ela caminhou para de volta junto a cama de solteiro. Pareciam anjos dormindo em um sono pesado e necessário.
Strucker enviou as fotos.
Foi Strucker.
Strucker mandou alguém entregar as fotos para ela.
No apartamento seguro onde ela estava.
Sem que Carol ou Thor vissem. Os dois estavam vigiando. E não viram. Estavam na frente do prédio. E mesmo assim alguém do Strucker entrou e colocou o envelope sob a porta. Alguém que sabia onde eles estavam.
Alguém do Strucker.
Strucker sabia onde ela estava.
Ele sabia.
Se ele quisesse, ele poderia pegá-los agora mesmo.
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