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38 Rescue Mission
A última coisa que Wanda se lembra é de sentir uma picada dolorida em seu pescoço, então a região toda doendo e por fim seus olhos se fechando quando não conseguiu ficar mais acordada.
Levou longos minutos até conseguir voltar completamente à consciência, ainda com o pescoço dolorido, ainda sonolenta e ainda assustada, como se tivesse acordado de um pesadelo. Mas o pesadelo ainda estava acontecendo.
A jovem sokoviana arregalou os olhos enquanto se forçava para ficar sentada na cama, procurando reconhecer o lugar e as três crianças em sua frente, até “Sophia”, “David” e “Lizzie” circular em sua mente enevoada. “Pietro” foi o próximo nome, depois “Strucker” e finalmente “Ultron”. Tudo veio tão rápido, as lembranças.
— Mamãe? — Um de seus filhos a chamou, não sabia dizer qual, seu cérebro não estava registrando a informação, apenas o som.
Até que uma agitação, um barulho rouco, ofegante. Uma das crianças. Tentativas falhas de respiração. Parecia estar se afogando.
David...
Não estava se afogando! Estava tendo um ataque de asma!
Wanda ficou tão vidrada e desorientada que apenas segurou os ombros do filho enquanto ele agarrava seus braços, seus olhos arregalados, em pânico, implorando ajuda. O menino estava desesperado buscando por ar.
Wanda finalmente conseguiu pensar no que precisava fazer: precisava de uma bombinha para asma. Estava prestes a se desvencilhar do filho quando, ao olhar para o lado em direção a mesa de cabeceira, se deparou com Sophia lhe entregando uma bombinha.
A mulher agarrou o objeto e colocou na boca do menino, apertando o botão ao mesmo tempo em que David sugava o remédio. Duas inaladas foram o suficiente para acalmá-lo, uma terceira só por garantia. Ele respirou devagar, sentindo seus pulmões se enxerem de ar e seu coraçãozinho desacelerar.
Porém Wanda ainda estava preocupada; nervosa, exatamente. Se não fosse pelo pensamento rápido da gêmea, David poderia ter ficado minutos em meio à crise, talvez teria ficado inconsciente... mil coisas se passavam na mente de Wanda, tudo misturado.
~ ♡ ~
Poderia roubar uma arma, um revólver, e atirar contra ele. Poderia pegar uma faca e esfaqueá-lo. Poderia quebrar uma garrafa e o perfurar, ou usar um saca-rolhas.
Poderia jogá-lo pela janela. Atropelá-lo. Queimá-lo vivo na lareira.
Poderia espancá-lo até a morte. Estava com tanta raiva que poderia facilmente matá-lo. Matar todos eles.
~ ♡ ~
Como escapar? Não faz ideia de onde estão. E se tiverem muitos capangas do lado de fora? E se não conseguirem pular a grade, ou atravessar os portões?
Pode ser que tenham cachorros ferozes guardando a casa ou seja lá onde estão. Pode ser que consigam fugir, mas para onde? Como?
~ ♡ ~
Ela queria esmagar a cabeça dele. Com uma marreta, com um taco de basebol, com uma cadeira, uma estatueta ou uma pedra. Qualquer coisa. Ela só queria bater sem parar na cabeça de Ultron. Na de Strucker. Na de todos eles. Ela queria atirar em Ultron, como ele atirou em Pietro.
~ ♡ ~
— Mãe? — Elizabeth, agarrada em sua mãe, entre ela e Sophia, chamou por Wanda.
A mãe tinha David em seu abraço do lado esquerdo e Elizabeth e Sophia do seu lado direito, todos sentados quase deitados no meio da cama, agarradas uns aos outros. Wanda olhou para a filha encolhida junto a si.
— Sim? — Ela respondeu em voz baixa.
— Nós não vamos sair daqui? — Por mais que tenha tentado disfarçar, a voz de Elizabeth falhou e Wanda percebeu imediatamente que sua filha queria chorar.
— É claro que vamos. — Ela instintivamente respondeu, a fim de acalmá-la. Em vão, pois Elizabeth começou a chorar.
Ela estava com medo. E de todos os seus filhos, ela era a mais contida. Wanda se mexeu para se sentar na cama, seus filhos tendo que acompanhar sua ação, e segurou os braços da filha com suas mãos.
— Eu quero ir para casa. — A menina choramingou, buscando o abraço de sua mãe que prontamente a envolveu com seus braços.
“Casa”. Eles não tinham uma “casa”. Mas Wanda sabia que “casa” significava “longe dali”, junto com Visão e seus dois caçulas gêmeos.
— Crianças...
Um som de alarme interrompeu a fala de Wanda. Luzes vermelhas brilharam por de baixo da porta do quarto.
“Steve”. Por algum motivo, o nome do Capitão Rogers veio a sua mente e Wanda sentiu como se esse alarme significasse que estão sendo resgatados. Seus filhos estavam se segurando a ela, porém seus olhos estavam focados na porta, tentando ver ou ouvir alguma coisa que pudessem entender.
Wanda delicadamente se soltou deles, mas as crianças resistiram, tentando segurar suas mãos e braços para ficarem perto.
— Tudo bem, só vou dar uma olhada. — Ela avisou a eles antes de sair da cama e caminhar até a porta.
Com cautela, Wanda abriu a porta do quarto e espiou o corredor do lado de fora. Luzes de emergência postas junto às lâmpadas do corredor piscavam em tom vermelho sem parar e uma sirene alta como a de alarme de segurança ecoava por todos os lados.
Se isso significava um resgate, talvez seja hora de Wanda pegar seus filhos e sair dali.
— O que é isso? — Perguntou David, ainda na cama com suas irmãs.
Wanda se virou para eles e sinalizou com a mão para se aproximarem dela.
— Venham!
De pronto as crianças obedeceram, Elizabeth conseguindo agarrar a mão de sua mãe enquanto sua irmã segurou na sua e David foi seguindo logo atrás.
A mulher e as crianças seguiram o caminho contrário do que ela havia feito anteriormente, quando encontrou Strucker queimando suas fotos e, inesperadamente, conheceu Ultron. Percorrendo o corredor, Wanda ficou alerta para uma saída ou algum capanga de Strucker tentando os impedir de sair.
Dobrou o corredor, não havia ninguém. Correram sem fazer muito barulho, considerando que o alarme encobria qualquer som. Nem perceberam que estavam descalços, porém isso era o de menos, o importante era procurar uma saída.
Viraram a esquina do corredor, parecia nunca ter fim. Eram portas e portas fechadas, todas iguais e nenhuma escada à vista.
O som de disparos de armas assustou Wanda por parecer muito próximo, quase fazendo-a tropeçar. Quando percebeu, era Sophia que guiava o caminho, puxando sua irmã que puxava sua mãe, David segurou a mão de Wanda em algum momento do percurso.
Outra esquina e...
Wanda colidiu com algo maciço. Uma pessoa, grande e forte.
Ao olhar direito, era um homem e uma mulher, muito mal-encarados, fitando-os ameaçadoramente.
— A Rapunzel vai a algum lugar? — Disse a mulher, um sorriso sarcástico em seu rosto.
Wanda ficou na frente dos filhos instintivamente. Mas ela não estava recuando. E aqueles dois não estavam ficando parados.
Ambos tinham um bastão em suas mãos que usaram para acertar Wanda, fracamente na primeira vez. Wanda desviou com facilidade. Não por muito tempo...
Os dois avançaram de novo, mais rápido e com golpes consecutivos, Wanda precisou usar seus antebraços para proteger seu rosto e desviar de um dos bastões, mas a mulher usou seu bastão para bater nas pernas de Wanda e fazê-la cair, o homem ergueu seu bastão no ar e o desceu com tudo em direção a Wanda, que por um ato de adrenalina conseguiu rolar para o lado a tempo de escapar do golpe.
A mulher aproveitou que Wanda estava ajoelhada de costas para eles e usou seu bastão para segurá-la pelo pescoço contra seu corpo, estrangulando-a. Wanda tentou resistir, seus pés quase saindo do chão, mas a mulher a empurrou com força contra um espelho que Wanda não tinha visto antes dependurado na parede.
Sua testa doeu.
Seu pescoço doía.
Havia cacos de espelho no chão, sob Wanda.
— Sete anos de azar. — A mulher disse.
Isso não incomodou Wanda, mas o espontâneo pensamento de que seus filhos estavam ali a aterrorizou. Ela levantou o rosto minimamente para eles, que estavam chorando e apavorados encolhidos em um canto a poucos metros deles.
— Corram. — Wanda tentou proferir, mas somente saiu um sussurro rouco.
O homem olhou para as crianças, uma delas soltando um grito involuntário.
— “Um milagre”? — A mulher disse novamente. — É tão fraca. Vai morrer sozinha.
— Ela não está sozinha.
A voz de Natasha era inconfundível.
O homem e a mulher olharam em direção da voz. Grande erro. Do outro lado, Steve Rogers lançava seu escudo – para admiração das crianças – em direção ao homem, que caiu para a frente com o baque em suas costas. Já Natasha não ficou nem um pouco receosa quando a mulher ergueu o bastão em sua direção, pois em milésimos de segundo ela estava sendo eletrocutada com o taser que Natasha possuía.
— Deixa comigo! — Thor proferiu, surgindo por trás de Natasha e usando também um taser para eletrocutar o homem que Steve havia derrubado com seu escudo. — Meu Stormbreaker. — Ele disse, olhando para as crianças e piscando enquanto mostrava o taser.
— Essa foi quase. — Disse Natasha, estendendo sua mão para Wanda, ajudando-a a se levantar.
— Como... — Wanda começou, mas logo Natasha já respondia sua pergunta não completada:
— Tantas pessoas trabalhando para livrar vocês do Strucker e nenhuma seria capaz de encontrar a localização da mansão do proprietário das Indústrias Ultron? — Um meio sorriso pontuou sua fala. — Quando eu digo que temos um plano, confie em mim.
— Temos que ir. — Steve falou, chamando a atenção delas ao passo que as crianças corriam para segurar em Wanda, seja em suas mãos, seja em sua roupa. — Não somos os únicos em uma missão de resgate aqui.
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