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39 Red Wine
Wanda caminhava com dificuldade, seus pés estavam cortados por baixo, resultado de pisar sobre cacos do espelho que quebrou com seu próprio corpo quando aquela mulher – agora inconsciente e deixa para trás junto daquele homem – a empurrou contra ele.
Seguiram pelo caminho que Wanda e as crianças fizeram, porém depois tomaram outro corredor diferente.
— Não devíamos ir por onde vocês entraram? — Ela perguntou, ofegante, enquanto tentava acompanhar o passo de Steve e Natasha a sua frente, Thor dando cobertura às suas costas.
— Tem um batalhão vindo por lá. — Natasha respondeu sem tirar os olhos do caminho a sua frente.
— O que quis dizer com que vocês não são os únicos em uma missão de resgate? — Wanda questionou olhando para Steve, embora fosse para qualquer um dos três capitães ali.
— Nos deparamos com dois caras quando chegamos. — Thor tomou a frente em responder, possuía seu “Mjölnir”, a sua pistola, em suas mãos, pronto para caso fosse necessário usar. — Disseram que estavam aqui para resgatar um amigo, acerto de contas, coisas do tipo. Não ficamos pra papo, eles saíram do nosso caminho e nós do deles.
Em um segundo, vários capangas do Strucker surgiram em frente a Steve e Natasha, que de pronto reagiram, Thor se unindo a eles para ajudá-los.
Wanda não teve tempo para reagir quando alguém a agarrou pelas costas, envolvendo-a com um braço limitando seus movimentos e pondo uma faca em seu pescoço. A pessoa arrastou Wanda para trás com rapidez, seus filhos parados gritando por ela, logo dobraram o corredor, depois entraram em uma sala e Wanda foi jogada no chão.
Quando se levantou, viu o lugar onde estava: uma sala parecida com a que Strucker estava queimando suas fotos antes, mas outra. E a pessoa que a arrastara até ali e agora trancava a porta: a antiga amiga de Erik que igualmente trabalhava com Strucker desde quando Wanda o conhecera, seu nome era... Wanda não lembrava.
De uma poltrona, Strucker levantou e se aproximou lentamente até ficar a poucos passos de Wanda, um sorriso arrogante em seu rosto.
— Duas taças de vinho. — Ele ordenou à mulher, que o obedeceu, ainda que com um olhar descontente. Strucker encarou Wanda por longos segundos. — Aceita uma bebida?
“Aceita uma bebida?” Ela bebeu. Não levou muito tempo para se sentir nauseada, tonta. De repente, estava em uma cama. Ainda tonta, extremamente cansada e com sono. Dor. Dor entre suas pernas. Dor em seu corpo. Mãos a segurando contra a cama, seu corpo nu sendo empurrado e esmagado. Levou tortuosos momentos até entender que era Strucker. O cheiro de whisky invadindo seus pulmões quando ele respirava perto de seu rosto. Tentou gritar, mas não conseguiu. Ele estava a machucando. Forçando. Violentando. Rasgando. E ele continuou, a noite toda.
Uma lágrima solitária trilhou a bochecha de Wanda enquanto ela tinha os olhos fixos a sua frente, sem realmente olhar qualquer coisa. Strucker dera alguns passos de volta para a poltrona e ficara parado ali.
— Lembra da Raven? — Ele indagou de onde estava, longe de Wanda, atrás dela.
Wanda, parada no mesmo lugar, olhou diretamente para a mulher a vários metros de distância, junto a um armário de bebidas, despejando vinho em uma segunda taça. Ela olhou para Strucker, depois para Wanda, então retirou de sua manga alguma coisa, um pequeno saquinho, do qual despejou um pó branco dentro de uma das taças.
Confusa, Wanda olhou para Strucker, de costas para elas, alheio ao que a outra mulher fazia, inteiramente focado nas chamas da lareira a sua frente. Wanda olhou de volta para Raven, que lhe lançou um olhar ríspido. A mulher pegou as duas taças e foi até a moça, semblante sério enquanto entregava uma das taças, a que ela não havia colocado o pó branco. Raven a encarava tão seriamente, como se a ameaçasse com os olhos, que Wanda apenas ficou em silêncio enquanto observava a outra se afastar e entregar a taça com o pó branco, diluído na bebida bordô, ao barão.
Raven se afastou para junto da parede enquanto Strucker voltava a ficar parado em frente a Wanda. Ele balançou a taça levemente sem tirar os olhos da jovem por sequer um segundo.
— Acha mesmo que seus amigos vão sair daqui? — Ele indagou, retoricamente, e cheirou a bebida, focado demais em Wanda para perceber qualquer alteração no vinho. — Eu disse que garantirei para vocês esquecerem o passado.
E bebeu um longo gole do líquido tinto.
Wanda permaneceu parada, encarando Strucker assim como ele a encarava. Internamente, ela apenas esperava para alguma reação. Algum resultado. Mas nada aconteceu. Ele apenas continuou a encarando de maneira tão profunda... tão... degradante.
Os olhos dele se abriram mais. Ele contraiu o estômago, os ombros, tossiu e finalmente cambaleou para o lado. Wanda observou ele se contorcer em dor, derrubando a taça de vinho no chão, partindo-se em pequenos pedaços e manchando o carpete. Strucker caiu de bruços no chão. Wanda assistiu ele convulsionar, sons desagradáveis de um homem morrendo. Até que cessaram.
O coração de Wanda estava disparado, seu cérebro tentando entender as informações que recebia. Parada, fitando o corpo estático de Strucker, ela ainda não conseguia compreender a palavra “morto”. Strucker estava morto.
Devagar levantou seu olhar para Raven, que não esboçava qualquer emoção a não ser o típico desdém. A mulher foi até Strucker e, com o pé, virou-o de barriga para cima. A boca dele estava suja com o que parecia resquícios de vômito e sangue, os olhos estavam imóveis semicerrados e ele não parecia respirar.
Raven lançou um último olhar duro para Wanda antes de passar por ela e sair da sala.
O que havia acontecido? Raven envenenara Strucker. Por quê? Wanda não sabia e provavelmente nunca saberá.
Wanda deu uma boa olhada em Strucker, estirado no chão. Sua morte poderia significar o fim. O fim de uma vida fugindo. Mas ainda não era o fim. Haviam alguns capangas que poderiam ser um problema, mas em especial faltava uma pessoa. A pessoa que Wanda mais sentia raiva nesse momento.
Mais que uma missão de resgate, era um ponto final nessa história. Essa noite ela vingaria seu irmão. Vingaria a si mesma. Essa noite seria a última em que o assassino de Pietro respiraria. Nessa noite, Wanda Maximoff arrancaria o coração de Ultron.
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