Notas iniciais
Apresento-lhes o Multiverso!

“Sokovia – Abr/2006

— Está gravando.

— Repita para a câmera do porquê isso é importante.

— Confie em mim quando digo que é importante, senhor.

— Isso é o oposto do meu objetivo.

— No futuro, o senhor irá querer recordar esses dias. Não irá querer que eles sejam esquecidos.

[Risadas ao longe. O homem na frente da câmera olha em direção da origem do som com atenção.]

— Vejo algo a ser filmado.

— Senhor?

— Aqueles dois.

[O outro homem, subordinado que segura a câmera, olha em direção de dois jovens, uma moça e um rapaz de aparentemente mesma idade, que sentam na grama maltratada sob uma árvore pouco vigorosa.]

— Isso é relevante, senhor?

— Converse com eles.

[O subordinado hesita. A câmera balança com seus passos em direção aos dois jovens.]

— Você é rápido. [Os jovens o olham com desconfiança, ainda tomando fôlego.] Lembra meu filho, Peter. Ele também corre como um verdadeiro velocista. [Silêncio.] Meu nome é Erik.

[O subordinado se apresenta e estende a mão para o rapaz. Alguns segundos até que ele a segura.]

— Pietro. Minha irmã, Wanda.

[Ele aponta rapidamente para a irmã, que permanece sem esboçar emoção.]

— São daqui?

— Sim.

— Notei pelo sotaque. Bem forte, nativo.”

“Casamento – Ago/2007

[A jovem espia por entre as cortinas o lado de fora.]

— Nervosa? [Ela se assusta com a voz do homem que filma, recuando imediatamente, um semblante sério em seu rosto.] O que há de errado, Wanda?

[Ela hesita, o olhar mirando o chão, então senta-se no sofá.]

— Não sei se eu ainda quero.

[O homem se aproxima com a câmera, pondo-a sobre a mesa, senta-se ao lado da moça, seus rostos não podem ser vistos, apenas suas roupas, ele vestindo um terno preto, ela vestindo um vestido branco de noiva.]

— É tarde demais para voltar atrás. [Ele diz. Silêncio.] Wanda, faça isso. Eu estarei ao seu lado para te segurar.

— Vai entrar comigo, Erik?

— Como um pai, eu levarei você ao altar. [Alguns segundos até que se sucede um abraço. Ela suspira audivelmente.] Pronta?”

“Terceiro Trimestre – Abr/2008

[Wanda está sentada no sofá, olhando para a barriga, mãos sobre a enorme protuberância.]

— Incomodo?

[Ela olha para o homem que filma e sorri.]

— Nunca incomoda, Erik.

[O homem se aproxima, a câmera sempre apontada para a jovem. Senta-se de frente para ela.]

— Está... redondamente maravilhosa.

[Ela ri.]

— Concordo com a parte do “redondamente”.

[Ele ri.]

— Acho engraçado como você me lembra a minha filha. É estranho, porque ela não está grávida.

[Ele ri novamente, ela sorri.]

— Tem quantos filhos?

[Ele suspira.]

— Três filhos de três diferentes relacionamentos. Peter tem a sua idade. Você me lembra a do meio, Lorna. Treze anos, teimosa. Pintou os cabelos de verde para combinar com os olhos e com as unhas. [Wanda ri.] E a caçula Nina. Ama os animais. Você me lembra um pouquinho ela também. Moram com as mães. [Seguiu-se silêncio. O sorriso de Wanda desapareceu.] Como você está?

[Ela olha para a barriga novamente, semblante triste.]

— Como eu deveria estar?

[Silêncio.]

— Wanda, eu sei que ainda se sente triste pela morte do Pietro. [Ela olha para o lado e suspira incomodada.] Mas eu tenho certeza que ele iria querer que você...

— Por favor, Erik. Não diga o que Pietro iria querer. Nem eu posso dizer. [Lágrimas se acumulam nos olhos dela.] Só Pietro poderia dizer o que ele iria querer. E agora, ele não pode mais.

[Silêncio. Lágrimas silenciosas marcam as bochechas dela. Erik se aproxima com a câmera e senta ao lado dela. A câmera foca o chão, mas ainda capta os sons de baixos soluços e fungadas.]

— Shh. Tudo bem.

[A câmera é posta sobre a mesa de centro, virada para eles, captando-os por inteiro, Erik abraçando Wanda protetoramente, uma mão repousando em sua enorme barriga.]

— Eu não quero mais. [Ela funga.] Por favor.

— Tudo bem, vai ficar tudo bem.”

“Reunião dos Setores – Jul/2008

— ...tem vendido muito bem.

— Espera. Ele está gravando?

— Eu autorizei.

— Mas senhor...

— Não discuta minhas decisões. E quanto ao livro de registro?

[O homem no comando levantou de sua cadeira e parou junto de uma mesa de bebidas, servindo-se de uma.]

— Está em ordem. [Respondeu um homem fora do campo de visão da câmera.] Ela o mantém atualizado e seguro.

— É o mais importante.

— Eu não confio nela. [Disse o homem subordinado perto da ponta da mesa. O homem no comando, quase careca e de idade na casa dos quarenta anos, encarou-o enquanto ingeria a bebida da qual se servira.] Ela é questionável. Ela nem é daqui...

— Erik, sua opinião.

[Pediu o homem no comando, encarando Erik por cima da câmera.]

— Eu confio nela. É prudente, apesar de sua lealdade ser... duvidosa.

[Sua voz soou melhor que a de todos que falaram anteriormente.]

— Como confia nela se você mesmo diz que a lealdade dela é duvidosa?

[O homem subordinado falou virando-se para Erik, olhou para a câmera por um momento e de volta para o homem que a segurava.]

— Não entendo as reais motivações dela, mas sei que o Darkhold está seguro em suas mãos.”

“Conversa Strucker nº 86 – Ago/2008

— Aceita?

[O homem no comando oferece uma bebida da mesa de bebidas.]

— Sim, senhor.

[Serve um copo com um líquido caramelo e alcança para o homem que segura a câmera.]

— Não precisa ser tão formal, Erik. Já tem permissão para me chamar de Strucker.

[Silêncio. Som da bebida sendo ingerida.]

— Obrigado, senhor. Strucker.

[O homem no comando, Strucker, sorri presunçosamente para Erik e em seguida para a câmera.]

— Como está indo o projeto?

[Ele acena para a câmera.]

— Muito bem. Tenho muito material. Os dias de um futuro esquecido não serão esquecidos.

— A menos que haja um apocalipse, hein? [Strucker riu.] [Silêncio.] Algo errado, Erik?

[Silêncio. Suspiro.]

— Ela quer o divórcio.

[Strucker tem uma expressão séria no rosto. Momentos de silêncio.]

— Ela disse isso?

— Não com essas exatas palavras. Ela disse que não quer mais, que está cansada. Que quer voltar para casa.

— Essa é a casa dela agora.

— Prendê-la aqui só a faria querer fugir mais.

— Se ela for, contará para as pessoas quem eu sou, onde estou. Ela não pode.

— Ela não vai.

— Ela vai sim. Ela não está saindo daqui.

[Silêncio. Strucker termina sua bebida em um único gole e coloca o copo sobre a mesa.]

— Divórcio é uma boa ideia. Apazigua a situação. Divorcie-se. Diga apenas que ela deve se manter por perto. [Insistiu Erik.]

— Acha que ela irá aceitar?

— É isso ou continuar casada, o que ela não quer. O divórcio servirá para abrandar os ânimos. Acredite.

[Silêncio. Strucker olha fixamente para a câmera.]

— Ela disse o porquê?

— Ela é nova. Nova demais. Está confusa. E assustada.

— Assustada com o que?

— Ela disse que você está diferente.

[Strucker encara Erik.]

— Eu ainda não dei motivos para ela se assustar.”

“Manhã – Ago/2008

[A câmera balança. A porta é aberta, o quarto é escuro. A câmera se aproxima do lado da cama, focando na moça sentada encolhida no chão.]

— Wanda?

[A voz de Erik soa preocupada. Wanda treme e esconde seu rosto sob os braços dobrados sobre os joelhos puxados contra o peito. A câmera é posta sobre a mesa de cabeceira, apontada para os dois, captando apenas parte deles.]

— O que aconteceu?

[Erik toca em seu ombro, ela recua.]

[Silêncio.]

[Minutos se passam até que Wanda deixa que Erik a ajude a se sentar sobre a cama. Erik finalmente nota sangue no short do pijama de Wanda, entre suas pernas.]

[Respiração audível de ambos. Erik está sério. Wanda mantém a cabeça abaixada.]

— Wanda. [Ele ficou a olhando, ela permaneceu imóvel.] Ele te machucou?

[Em segundos ela estava ofegante e chorando.]”

“Edimburgo, Escócia – Mar/2009

— Vai vai vai! [Erik ordena ao fechar a porta do carro.]

— Erik... [Gemido de dor. A câmera mostra Wanda, seu rosto contorcido. Choro de bebês, muito alto.]

— Dirige, Charles!

[Foca o motorista, Charles, olhando para trás rapidamente, em seguida volta a focar em Wanda.]

— Deus...

— Você vai ficar bem. Você e seus bebês vão ficar bem.

[A câmera foca no cenário através do vidro traseiro, homens correndo em direção ao carro, ficando para trás a medida que Charles acelerava o veículo. Erik vira a câmera para seu rosto, obscurecido pela penumbra dentro do carro.]

— Meu nome é Erik Lehnsherr. Esse é Charles Xavier. [Mostrou o motorista.]

— Professor Charles Xavier. [O motorista corrigiu.]

— Irrelevante. E estes são Wanda, David e Sophia Maximoff. [Mostrou Wanda e os bebês.] E esta aqui é a pequena Lizzie. [Mostrou a barriga de Wanda, acariciando-a brevemente. Voltou a focar seu próprio rosto.] Eu colhi informações suficientes contra Wolfgang von Strucker, líder da Hydra, uma organização criminosa altamente... organizada. Estamos em Edimburgo, Escócia. Reunião de trabalho. Conseguimos uma brecha para tirar Wanda e os bebês em segurança do complexo onde estavam. Eles estão vindo atrás de nós.

— Ainda temos alguma vantagem. [Proferiu Charles do banco da frente.]

— Não por muito tempo. [Pausa. Wanda geme de dor.] Estou registrando nossa fuga. Tentarei enviar esse vídeo para pessoas de confiança. [Pausa.] Mas caso ele nunca chegue até suas mãos, que fique registrado, para quem o encontrar, que há uma mulher chamada Wanda Maximoff. Ela está grávida e está com outros dois bebês. Se nunca tiverem notícias dela, procurem-na. Não deixem que desapareçam.

[A câmera foca Wanda olhando para Erik, medo estampado em seu rosto.]

— Obrigada. [Ela disse com forte sotaque.]

[Erik segura sua mão que está sobre sua barriga.]

— Ganhei mais uma filha.

[Ele sussurrou, mas a câmera captou suas palavras.]”

Notas finais
Ok, eu sempre vou ver Magneto como vilão graças ao X-Men Evolution, e, embora eu não tenha assistido a todos os filmes de X-Men, lembro de assistir um em que ele é amigo do Professor Xavier, quando ainda são jovens (e que são eles nesse capítulo). Enfim, resolvi não manter exatamente a personalidade dele (o relacionamento conflitante com Wanda (pelo menos pelo que lembro dos desenhos), etc), como puderam ver, porque sei lá... Aliás, escrevi esse capítulo já tem um tempo, quando estava na metade do capítulo 15 ainda :v E espero que a maneira como foi escrita não tenha sido confusa. Não se preocupem, próximo capítulo trago explicações! E não deixem de ler Haven, da maravilhosa Vanilla Sky! O capítulo único é dividido em partes, então dá pra ir lendo devagar sem problemas! Não deixem de dar uma olhadinha no perfil dela depois! Tem mais fanfics dos nossos queridos Wanda e Visão!