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23 Peace Agreement
Notas iniciais
Só agora Wanda notara o quão perto Visão estava, e o quão reconfortante sua presença era. Curiosamente – ou talvez nem tanto – sua mente ficava muito mais aliviada ao pensar em aceitar o pedido de desculpas de Tony do que o recusar rispidamente.
Ela tomou sua decisão, seguindo aquele lado de seu coração que reaprendeu a sentir mais profunda e verdadeiramente seus sentimentos e as pessoas a sua volta.
Balançou levemente a cabeça, afirmando a pergunta não dita de se ela aceitava o pedido de desculpas ou não.
— Desculpas aceitas. — Um sorriso minúsculo pontuou sua fala.
Tony pareceu ficar aliviado também, sua postura menos desconfortável, ela diria.
— Bom. — Ele ajeitou os óculos de volta no lugar e pôs as mãos nos bolsos das calças. — Que tal um almoço para firmarmos esse acordo de paz? — Sugeriu com uma pitada de expectativa na voz. — Comida caseira. Sei que vocês não têm comido direito ultimamente. Aliás, Morgan ia adorar conhecer os primos e fazer novos amigos. — Sua sugestão pareceu boa para o casal, principalmente por Tony incluir seus filhos em seu plano. — E também poderemos falar sobre algumas, e eu ressalto o “algumas”, coisas que estamos fazendo para livrar vocês da mira de uma organização criminosa.
Internamente, Visão sentiu orgulho de seu irmão. Ele o admirava, sempre seguia suas ordens antes de conhecer Wanda, era um exemplo para ele. Mas depois de Wanda, Tony se tornou uma figura menos admirável, e até mesmo odiada ocasionalmente. O pedido de desculpas que ele fizera há pouco mais de duas semanas fora mais um passo para a melhoria de seu relacionamento, assim como o pedido de desculpa à Wanda.
Talvez em breve eles estejam próximos e bem o suficiente para que Morgan e seus filhos possam manter contato e brincar juntos mais vezes.
Sincronamente, Wanda e Visão se olharam e um sorriso foi compartilhado entre os dois, seus pensamentos conversando.
— Parece uma boa ideia. — Visão afirmou, fitando seu irmão. — Nós vamos.
— Bom. Amanhã, na Torre Stark. Um carro vem buscar vocês às dez. — Tony informou antes de abrir a porta e sair do quarto acompanhado de Wanda e Visão.
Pararam do lado de fora e observaram o Dr. Pym e a Dra. van Dyne se aproximarem.
— Fracos, porém reversível. — O entomologista disse. — Não pararam de falar sobre um tal vulcão para a Feira de Ciências.
Tony lentamente girou seu corpo para olhar os pais das crianças, possivelmente em busca de explicação ou somente para observar seus rostos levemente estáticos.
— Eu diria que ela possui razoável dificuldade para cálculos e sentenças gramaticais mais complexas. — Proferiu Janet. — Seu conhecimento está na média, sabe muito bem o básico, aplica seus conhecimentos de forma adequada, mas ainda precisará de dedicação para ficar excelente.
— O mesmo vale para os mais velhos. — O doutor voltou a falar. — Acredito que já poderemos ver algum avanço em algumas semanas de trabalho.
— Isso é bom. — Disse Wanda, sem saber ao certo o quão “bom” isso realmente era.
Ela não esperava que seus filhos fossem ser alunos nota 10 na escola, considerando a quantidade de estresse que ocasionalmente eles suportavam, bem como a frequente troca de escola toda vez que se mudavam, mas felizmente eles conseguiam manter uma nota razoavelmente boa.
Passos se aproximaram e Hope van Dyne logo se juntou aos seus pais, parando entre eles.
— Os gêmeos contaram até vinte sem problemas. — Ela disse, um leve sorriso esboçado em seu rosto. — Do trinta em diante eles se confundem e no cinquenta eles travam. Sabem escrever o nome, algumas poucas palavras, identificam letras. Na minha opinião, estão de acordo com a idade. — Ela olhou para a mãe, que assentiu levemente em concordância. — E também têm um conhecimento muito bom sobre como usar walkie-talkies. — Ela soltou um pequeno riso, fazendo os pais do quinteto se sentirem menos tensos com o feedback.
— No geral, não é nada alarmante. — Concluiu Hank.
— Então terminamos por hoje? — Indagou Tony ao trio, que assentiu em resposta. — Ótimo. — Tony caminhou até a porta, abrindo-a e deixando que os três professores saíssem enquanto ele olhava para o casal a certa distância. — Amanhã, às dez, não se atrasem. — Disse por último antes de sair e fechar a porta atrás de si.
~ ♡ ~
O quarto das crianças, no mezanino, era consideravelmente mediano. Por esse motivo, quando Visão rapidamente fez a escolha dos móveis da casa, escolheu uma beliche, sendo que a cama de baixo era um pouco maior que uma cama de solteiro, onde os gêmeos caçulas dividiriam o colchão, enquanto que a cama de cima, de tamanho normal de solteiro, seria ocupada por Lizzie; a cama de cima ficava na horizontal em relação a cama de baixo, cruzando sobre o lado da cabeceira.
A bicama ficou para os primogênitos, David ocuparia a cama de cima e Sophia a embutida – para desgosto de seu irmão, que perdeu no “pedra, papel, tesoura” e não pôde ficar com a cama debaixo, aparentemente mais divertida.
Em comparação ao quarto do casal, a área do quarto das crianças era maior, porém, ainda assim, ficaria apertado se comprassem cinco camas individuais. Mas, realmente, para quem estava dormindo amontoado em uma cama de solteiro, suas atuais camas eram mais que perfeitamente adequadas e confortáveis.
— E foi assim que uma bruxa e um androide se apaixonaram.
— Mãe, histórias para dormir tem que ser felizes! — Sophia reclamou com um beicinho, escorando sua têmpora no joelho de seu pai que estava sentado na cama de seu irmão.
— Mas é uma história feliz, eles se apaixonam. — Wanda sorriu alternando seu olhar entre seu noivo e sua filha.
— Ela ficou sozinha! E o que acontece depois? Eles se encontram de novo? E os filhos deles?
— Bem, nunca é realmente um “fim”. Acho que o resto vai ficar para outro dia.
— Aaaah! — Dessa vez foi Lizzie quem reclamou, reclinando-se sobre a proteção lateral de sua cama para olhar para sua mãe, sentada junto aos gêmeos na cama de baixo. — Conta o resto.
— Já passou da hora de vocês dormirem.
— E amanhã temos um lugar para ir. — Visão completou. Pareceu que iria falar mais alguma coisa, ficou em silêncio por um momento, pensativo, depois voltou a olhar para Wanda e por fim para cada um de seus filhos. — Crianças, vou fazer uma pergunta e quero que sejam sinceros ao responder. — Apesar dos caçulas já estarem quase dormindo, eles ainda assentiram assim como seus irmãos. — Vocês sentem falta dos seus amigos?
Eles levantaram os ombros, sem emitirem sons, apesar de não parecerem tristes.
— Vocês conseguiram se despedir deles? — Wanda questionou com voz serena, observando principalmente os gêmeos na outra cama.
— Acho que sim. — David respondeu sem dar muita importância. — Ryan queria emprestado o meu walkie-talkie, mas eu disse que não ia dar pra emprestar porque a gente ia se mudar.
— E vocês eram bem amigos?
— Não sei, acho que sim. — Ele deu novamente de ombros, olhando apenas para o urso de pelúcia que mexia em suas mãos, objeto que adorava, mas apenas para dormir, assim como suas irmãs, não compartilhando com as demais crianças de sua escola sobre seu amiguinho.
— Vocês ficaram tristes por nós termos nos mudado? — Visão perguntou, esticando de leve o pescoço para tentar espiar o rosto de Sophia antes de fitar Lizzie brincando com seu leão de pelúcia.
— Nós sempre nos mudamos. — Elizabeth respondeu, olhando para seu pai através das grades da proteção lateral de sua cama.
— Mas isso deixa vocês tristes?
— Não sei. — Ela deu de ombros, voltando seu olhar para seu leãozinho.
— E você, Soph? — Sua mãe perguntou, gentilmente acariciando os cabelos dourados de seus caçulas enquanto a observava. — Fica triste quando nos mudamos?
A menina deu de ombros, focada apenas em seu cachorrinho de pelúcia, assim como seus irmãos com seus respectivos bichinhos.
— Às vezes, eu acho. — Ela deu de ombros novamente, uma atitude das crianças que seus pais não estavam apreciando muito. — Eu gostava da escola.
— Conseguiu se despedir dos seus amigos?
— Acho que sim. — Ela cantarolou de boca fechada enquanto mexia nas orelhinhas de seu cachorro antes de continuar. — Não tinha muitos amigos, mas vou sentir falta da Srta. Gamora.
— E do Sr. Quill! — David riu. — Ele tinha deixado a gente fazer um vulcão!
Um sorriso surgiu nos lábios de Wanda e sua atenção foi repentinamente atraída pelos dois garotinhos, um de cada lado de seu corpo, confortavelmente aconchegados em seu abraço. Pensou em perguntar a eles também sobre seus amigos e a mudança de cidade, porém eles já haviam adormecido com sua suave carícia.
Muito delicadamente ela se soltou de seus bracinhos e ajeitou-os na cama para dormirem adequadamente. Beijou a testa de Tommy e em seguida a de Billy, levando um momento para admirar os dois antes de se afastar para beijar a testa de Lizzie, depois de Sophia e David. Visão fez o mesmo que ela, desejando boa noite para cada um dos filhos e dando-lhes um beijo em suas testas.
— Mãe, você pode cantar? — Pediu David, para a surpresa de Wanda. Ela não cantava para eles dormirem há muito tempo, para ser sincera, e sentia certa falta disso.
Sem responder, Wanda apenas sorriu e sentou no final da cama do garoto, próximo aos seus pés, onde Visão antes estava sentado. O pai se manteve ao lado da cama de Lizzie, admirando sua esposa em sua imagem tão amável e maternal.
Os três filhos mais velhos, com os olhos levemente pesados, observaram sua mãe enquanto ela cantava a calma melodia em sua língua materna, as palavras em sokoviano preenchendo o ambiente pacificamente.
Eles amavam essa música, em especial por ser cantada por sua mãe. Era reconfortante, trazia uma paz instantaneamente e os embalava para um tranquilo sono.
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