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18 Making Some Things Happen
— Já concluímos oitenta por cento, mas nesse ritmo ainda vai demorar para chegar a cem.
— Dois anos, oitenta por cento. Mais seis meses e chegamos a cem.
— Nat, vamos escondê-los por mais seis meses?
— Eles já se escondem há oito anos, o que são seis meses perto disso?
Um suspiro do outro lado da linha.
— Tenho que te contar uma coisa.
Uma pausa.
— Rogers, o que está escondendo?
Outro suspiro dele.
— Temos uma teoria e não é nada boa.
— Diga.
— Achamos que Strucker levou esses anos todos para coletar informações.
— Como nós.
— Exato. Ele levou mais tempo, acredito que para adiantar os passos de Wanda.
— Então, isso significa...
— Que se agora ele atacou Sam, já tem todas as informações que precisava.
— E vai pôr seu plano em prática, ou seja...
— Pegar a Wanda e as crianças.
O silêncio reinou, extremamente desconfortável.
— Steve. Nós estamos indo para aí. Certifique-se de que essa porcentagem chegue a cem, entendeu?
— Entendido, Capitã.
A ligação foi encerrada e uma batida no vidro da janela do seu lado a fez ter um sobressalto.
— Foi aqui que pediram reforço? — O homem disse ao reclinar-se para que Natasha pudesse ver sua cabeça careca e seu tapa-olho.
Ela sorriu e destrancou o carro. Nick Fury deu a volta no veículo e entrou, sentando-se no banco do passageiro.
— Chegou rápido.
— O céu estava sem trânsito. — Ele respondeu se ajeitando no assento. — Então, quem eu vim resgatar?
— Minha sobrinha e os filhos dela.
— Uhum. E do que precisam ser salvos?
— No momento, apenas precisam que as crianças sejam transferidas de escola.
— Me chamaram para uma transferência escolar? — Ele fez uma careta de estranhamento.
— Visão não te falou nada, não é? — Ela levantou as sobrancelhas e deu um sorriso de lado, percebendo que o homem sabia muito menos do que ela esperava.
— O rapaz me mandou vir, eu vim. Falou que você estaria me esperando e me atualizaria.
— Então ele jogou a bomba para mim? Que gracinha. — Ela expirou enquanto olhava para a frente, conferindo o movimento da rua, antes de voltar-se para ele novamente. — Provavelmente ele nem sabe que a gente se conhece.
— A gente só se conhece por causa deles. — Um momento silencioso se seguiu até Nick continuar. — Certo, eu faço a transferência, mas Wanda vai ter que ir junto, é a responsável legal por eles.
— Óbvio. Eles não vão para uma nova escola, vão ter professores particulares. Só precisamos de urgência. — Ela alertou seriamente. — Provavelmente vamos hoje à noite ou amanhã de manhã para Nova Iorque, depende de quando Bucky vai chegar.
— Conseguiram o jato?
— Carol está cuidando dessa parte.
— Essa missão está saindo bem cara, hein?
— Muito mais do que você imagina, mas isso não é problema para o Stark, afinal.
— Falando em Stark, os irmãos tiveram seu reencontro. — Ele informou com uma expressão menos séria.
— E como foi?
— Digamos que deu para sentir a tensão no ar. — Ele deu uma leve risada. — Mas, no final, Tony Stark pediu desculpas.
— Espera aí, está dizendo que Anthony Stark, dono das Indústrias Stark, pediu desculpas ao Visão Stark, seu irmão caçula? Esse Tony Stark?
— Uhum. — Nick deu outra risada.
— Não podemos estar falando da mesma pessoa. Ele não é um homem de se desculpar, principalmente quando pensa que está certo.
— Cinco anos, Romanoff. A pequena Morgan Stark mudou o coração do homem.
Natasha levantou as sobrancelhas nitidamente surpresa. Por essa ela não esperava.
— Filhos. Mudam as pessoas. — Ela comentou, sua expressão caindo levemente, mas logo disfarçou.
— Então, quando vamos fazer a tal transferência?
— Wanda já deve estar descendo com as crianças, Thor e Carol estão lá em cima com eles. Alguns imprevistos aconteceram recentemente, mas já foram resolvidos.
~ ♡ ~
— Obrigado por ter me deixado ficar, Helen. — Bruce Banner agradeceu a mulher com um aperto de mão.
— Eu é que agradeço por ter tido a oportunidade de trabalhar com você. — Helen Cho proferiu com um singelo sorriso nos lábios. — Espero trabalharmos juntos novamente algum dia.
— Eu também. Adeus. — Bruce deu um rápido sorriso e saiu da clínica da Dra. Cho.
Natasha esperava no carro, dando a partida assim que o Dr. Banner adentrou o veículo e acomodou-se ao seu lado.
— Então, amigo da Wanda, como está sua cabeça? — A ruiva indagou sem desviar os olhos da rua.
— Bem, bem, melhor. Obrigado. — Ele proferiu ligeiramente desconfortável, talvez até um pouco tímido, Natasha diria. — Então você é a tia da Wanda? — Ele puxou conversa, a voz saindo um pouco trêmula. Não que não tivessem conversado antes, mas o silêncio no carro parecia excruciante se permanecesse assim até chegarem ao seu destino.
— Sim, por incrível que pareça.
— Incrível mesmo, você não parece muito...
— Velha?
— Tia. Não parece muito com uma tia. — Ele se calou em seguida.
Natasha mal pode conter um sorriso, tanto de graça pela falta de jeito do homem ao seu lado quanto por, o que ela arriscou confessar internamente, interesse por ele.
~ ♡ ~
— E os papéis já estão encaminhados, então é só assinarmos a rescisão antes de irmos para Nova Iorque e pronto, não vai ser preciso mais nada. — Wanda disse por fim. Ela já estava falando há muito tempo e Visão permaneceu o tempo inteiro quieto com um sorriso discreto nos lábios. — Está sorrindo. — Ela notou.
Ele levantou o olhar das coisas que organizava no chão para olhá-la sentada na cama, arrumando algumas roupas.
— Gosto de ouvir sua voz. — Ele confessou, um sorriso se alastrando pela face de Wanda.
Ela largou uma pilha de roupas sobre o colchão e observou seus pertences em volta, sacos de lixo e caixas sendo esvaziadas e reorganizadas. Visão notou o olhar vago dela, guardou um par de calçados numa sacola e deixou-a de lado.
— Algo errado? — Ele questionou a observando.
— Não, nada. — Ela deu mais uma olhada nos objetos no piso, brinquedos e livros se misturavam. — Apenas estava pensando que toda vez que nos mudamos, alguém sai ganhando. — Ela viu o olhar interrogativo no rosto de Visão. — Bem, as crianças doam os brinquedos que não brincam mais, e também todos doamos quase todas nossas roupas, já que sempre acabamos comprando novas no lugar para onde vamos.
— Então alguém, em algum lugar, vai ganhar roupas muito boas e brinquedos muito legais. — Ele acompanhou o raciocínio dela. — Isso te incomoda? Não poder ficar tempo suficiente em um lugar para se apegar a algumas coisas?
Ela contraiu o rosto em um sorriso como se o que ele acabasse de dizer fosse uma piada.
— Se eu fico incomodada por não poder me apegar a bens materiais? — E Visão compartilhou um sorriso também. — Não, não mesmo. Claro que eu gostaria de ter uma casa para envelhecermos juntos, roupas para usar até que rasgassem ou que nossos filhos brincassem com seus brinquedos até os quebrar. — Ela parou de falar para poder pegar o colar com pedra amarela entregue por Agnes, escondido sob um amontoado de roupas. — Mas só gostaria de me apegar às pessoas que eu amo. Minha família.
Um momento de silêncio confortável se seguiu antes de Visão proferir:
— Isso tudo vai acabar. Strucker, mudanças... Uma hora isso vai acabar. E depois disso, nós iremos nos instalar em uma casa, acumular bens materiais de acordo com nossa condição financeira como pessoas normais fazem, e viveremos felizes para sempre.
Wanda lhe deu um sorriso fraco.
— Como num conto de fadas?
— Melhor, porque vai ser real.
O sorriso que Visão lhe deu transmitiu uma confiança mais que necessária. Ele tinha certeza do que dizia, e isso era o suficiente para fazê-la sorrir imaginando o momento do “felizes para sempre”.
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