Home
28 Killing Demons
Foi há cerca de sete anos.
Visão mantinha os olhos fechados, ainda recostado na cabeceira da cama, sua respiração era lenta e ele estava quase adormecendo, porém ainda acordado o suficiente para continuar acariciando Wanda, com sua mão direita repousando sobre o lado de seu rosto, seu polegar roçando sua bochecha em um movimento suave, e sua mão esquerda posta sobre suas costas, agarrando com os dedos a camisa branca que ela vestia.
Wanda, por outro lado, caíra em um leve sono, a carícia de Visão a levando para um agradável descanso. O calor de seu toque aquecendo sua pele, ela inconscientemente segurando no lado da calça do pijama dele.
Ele abriu superficialmente os olhos assim que se tornou consciente do frio que o abraçou repentinamente, principalmente por estar sem camisa, aquela que Wanda retirara e jogara no chão. Sua atenção recaiu sobre a mulher deitada entre suas pernas, com a cabeça em cima de sua coxa, tão tranquila como ele nunca vira antes.
Como se tivesse sentido o olhar dele sobre si, Wanda começou a voltar de seu sono, levando um bom tempo até abrir definitivamente os olhos e, ainda sonolenta, procurar o olhar de Visão apenas para encontrá-lo olhando-a. Aqueles olhos azuis que a encantavam. Ele sorriu para ela, que retribuiu o gesto com o mais sereno dos sorrisos.
— Está bem? — Ele perguntou em um sussurro, recebendo como resposta um leve aceno de cabeça.
— E você? — Ela indagou com voz rouca.
Ele assentiu em resposta. Um momento silencioso se seguiu antes da expressão de Visão mudar para mais séria, os olhos levemente arregalados, como se tivesse acabado de lembrar de algo.
— Wanda, quando eu... — Ele interrompeu sua fala, como se ficasse constrangido em dizer certas palavras. — Eu... apertei sua cabeça quando... você sabe... — Ele viu ela sorrir, provavelmente achando graça do jeito desconcertado em que ele se encontrava. — Eu machuquei você?
Ela expirou pesadamente, seu sorriso crescendo.
— Não. — Wanda respondeu, sua mão involuntariamente apertando o tecido da calça dele. — E eu? Acho que segurei sua mão forte demais, não?
Ele sorriu, aliviado por não a ter machucado, e pôs algumas mechas do cabelo dela atrás de sua orelha.
— Não, você nunca me machucaria. — O sorriso dela desapareceu minimamente antes de se alargar. Ele a olhou por um momento e suspirou. — Eu sinto que deveria ter sido diferente. — Wanda permaneceu em silêncio, esperando que ele continuasse. — Sinto que não deveríamos primeiro ter usado mãos e boca... normalmente as primeiras vezes não são assim. — O sorriso de Wanda murchou e ela lentamente se sentou na cama, de lado para Visão, seu cabelo cobrindo seu rosto, ela parecia envergonhada com alguma coisa. — Wanda... eu disse algo errado?
— Não. — Ela disse em voz baixa, sem olhá-lo. — Eu só... — Ela suspirou pesadamente, pondo o cabelo atrás da orelha e deixando que Visão visse seu rosto, olhando-o pelo canto dos olhos. — Eu nunca... fiquei... com outra pessoa além de você e ele. Eu gosto como você faz eu me sentir. — Ela sorriu minimamente e então desviou o olhar para suas mãos juntas sobre seu colo. — Meu corpo já se recuperou da gravidez. — Mais um suspiro. — Mas... eu... eu apenas... não gosto. Sinto... eu sinto como se estivesse... eu só...
Visão se moveu para sentar próximo a ela, levou sua mão para repousar sobre o meio das costas dela, um toque suave para não a retrair.
— Marcas fazem partem da gravidez... — Ele iniciou com voz serena, porém Wanda o interrompeu.
— Não... marcas da gravidez. Não é isso. — Visão permaneceu em silêncio, ouvindo. — Eu apenas... não quero que você sinta... nojo.
— Mas eu não sinto.
— Mas eu sinto. — Ela rapidamente contrariou. — Não é só isso. — Os olhos se Wanda se encheram de lágrimas. — Você deve me achar uma idiota.
— Absolutamente não.
Visão não conseguiu ver, porém sabia que ela estava próxima de chorar. Algo a incomodava, profundamente, e ele queria poder ajudar. Desde que conhecera Wanda, ele sempre quis poder ajudá-la. Matar seus demônios.
— O que há de errado? — Ele questionou em tom baixo.
Wanda sentiu as lágrimas queimarem em seus olhos antes de molharem suas bochechas.
— Eu não sei. — Ela murmurou. — Eu só não me sinto bem.
— Não precisamos fazer nada que você não queira.
— Não é isso. Eu quero. — Ela virou seu rosto para fitá-lo. — Eu quero. Mas... eu tenho essa sensação estranha... eu me sinto mal... suja... é complicado. — Uma lágrima pingou de seu olho. Ela forçou um sorriso, não de alegria, e desviou o olhar para cima brevemente antes de voltar a olhá-lo, o sorriso ainda em seu rosto. — Eu sei que sexo é melhor do que eu tive com ele. Você me mostrou isso. — Ela mordeu o lábio inferior enquanto sentia um pequeno nó na garganta. — Mãos e boca... nunca tive isso com ele, então foi... fácil fazer.
Visão segurou nos lados de seu rosto, secando suas lágrimas com seus polegares. Seu olhar era tão acalentador, fazia Wanda se sentir mais confortável. Ela segurou as mãos dele e as acariciou, assim como ele acariciava suas bochechas.
— Não precisamos fazer nada. — Ele repetiu calmamente, um minúsculo sorriso pontuando sua frase para tranquilizá-la.
— Eu sei. — Ela sussurrou assentindo com a cabeça. — Eu sei que você nunca me machucaria. — Novamente azuis contra verdes, verdes contra azuis. A distância entre seus rostos foi diminuindo até que suas testas estavam encostadas uma na outra, olhos fechados, suas respirações quentes sendo compartilhadas. — Eu quero. — Ela disse tão mais baixo que antes. — Me ajude a matar esse demônio.
O espaço entre seus lábios tornou-se nulo.
Um beijo tão calmo, um contraponto aos seus corações, que aceleravam gradativamente. Enquanto mantinha uma mão afundada nos cabelos de Wanda, Visão passou seu outro braço para segurá-la na parte mais baixa de suas costas, puxando-a para deitar na cama adequadamente, posicionando-se sobre ela, entre suas pernas.
Wanda tinha os olhos fechados, tentando sentir somente Visão. O embalo suave de seus lábios sobre sua boca. O toque quente de suas mãos nos lados de seu corpo, tão calmo, segurando-a com delicadeza. A proximidade de seus corpos.
A pulsação de seu coração atingiu seus ouvidos, abafado, rápido. Um aperto em seu peito. As lembranças invadindo sua cabeça abruptamente, sem que ela percebesse que agora tinha os olhos fortemente cerrados e uma expressão de pânico em seu rosto. E a ausência do toque de Visão.
Ela abriu os olhos, soltando o ar que não notara estar preso em seus pulmões. Visão a olhava, assustado ou preocupado. Ou ambos.
— Podemos apenas ficar deitados. — Ele sugeriu como outra maneira de dizer “Não precisamos fazer nada que você não queira”.
— Não. — Ela levou um momento para controlar sua respiração novamente, acalmando seu coração acelerado. — Desculpa.
— Não tem que pedir desculpa por nada, Wanda. — Ele se inclinou e beijou sua testa.
Antes que se afastasse, Wanda enlaçou suas mãos atrás do pescoço dele, mantendo-o perto. Visão voltou a aproximar seus corpos para abraçá-la. Levou seu rosto para junto de seu ouvido, depositando um beijo próximo a sua orelha antes de pedir em um sussurro:
— Me diga o que sente.
Ela fechou os olhos mais uma vez. Aquelas lembranças ainda estavam lá, massacrando sua mente.
Mas... havia algo. Algo apagando o cheiro de whisky. Era o aroma amadeirado e... uma essência específica que ela só poderia descrever como “Visão”. Aquela lembrança de mãos geladas tocando seu corpo sendo substituída por um agradável toque acalentador. A memória de um peso maciço e violento pressionando seu corpo contra o colchão ficando cada vez mais longe, sobrando somente a sensação de um abraço cálido.
Sua mente foi ficando enevoada, aquelas lembranças... distantes. E Visão... perto.
— Eu só sinto você.
Ele levantou o olhar para encará-la.
Olhos verdes. Um sorriso.
Ele segurou em seu rosto com uma das mãos e reclinou-se até tocar seus lábios.
Wanda sentiu seu coração descompassar. Dessa vez, era uma sensação boa. Uma necessidade inimaginável de continuar beijando Visão e nunca parar, nem mesmo para respirar. Suas bochechas queimaram, uma energia percorreu seu corpo, seus pelos arrepiando.
O Visão interrompeu seu beijo e tomou fôlego, uma pontada de preocupação martelando em sua cabeça. Ele não poderia continuar se ela não quisesse.
— Wanda...
— Eu quero.
Ele afastou seus rostos o suficiente para conseguir olhar dentro de seus olhos, que, por sinal, estavam com as pupilas dilatadas.
— Tem certeza?
— Eu preciso ser mais clara que isso? — Ela sorriu, um traço de malícia e uma pitada de seriedade. — E você? Você quer?
Um sorriso brotou nos lábios dele, suas bochechas ficando ruborizadas.
— Naturalmente.
— Tem certeza? — Ela franziu o nariz de maneira adorável, ele diria.
— Certamente.
A troca de sorrisos foi o ponto final dessa discussão. Wanda se elevou até conseguir depositar um beijo nos lábios de Visão, antes de voltar a deitar a cabeça no travesseiro e, lentamente, desabotoar botão por botão da camisa que vestia, sem em momento algum desviar o olhar do homem sobre si. Quando desfez o último botão, ela pegou uma das mãos dele e colocou-a sobre seu abdômen.
Ela estremeceu imediatamente.
Sua mão percorreu por sobre sua pele, repousando sobre as costelas dela por um momento, em seguida afastando um dos lados da camisa, expondo seu seio direito. Ele afastou o outro lado. Wanda sentiu que sua respiração estava irregular novamente, mas de forma positiva.
O olhar de Visão era tão... amável.
Admiração. Ele a estava admirando de uma maneira que ninguém nunca a havia admirado.
Subitamente, ela se agarrou a ele, um choque de bocas e um beijo lento se sucedeu... não por muito tempo.
Wanda podia sentir o calor do corpo de Visão. As mãos dele se instalaram em sua cintura... uma delas não permanecendo ali, subindo e prendendo-se ao seu seio, apertando-o ao mesmo tempo em que ela puxava o cós da calça dele. Em instantes Visão estava fora de suas calça e cueca, dessa vez as peças jogadas no chão, não levando mais que um segundo para a camisa de Wanda se encontrar junto das roupas dele.
Ele levou seus lábios para trilhar beijos do pescoço à clavícula dela, e descendo até seu seio esquerdo.
— Visão... — Ele parou de imediato e a olhou. — É você.
Ela afundou os dedos nos fios de cabelo dele, guiando sua cabeça de volta para seu seio. Com boa vontade, Visão tomou o mamilo em sua boca, sugando como se estivesse se alimentando. Wanda sequer precisou pedir para que ele levasse seus maravilhosos dedos entre suas pernas, pois eles já estavam lá, sobre aquele feixe de nervos sensível, movendo-se em um delicioso ritmo.
Era o Visão. Era o toque do Visão. O cheiro do Visão. Visão estava tocando em seu corpo, impregnando seus pulmões, estimulando seu prazer... sim.
Sim... ela só conseguia sentir ele.
Abriu os olhos que fechara sem perceber, suspiros involuntários escapando por entre seus lábios enquanto observava a boca de Visão envolvendo seu seio. Ele depositou um beijo sobre o mamilo, em seguida fitando-a por um momento, talvez a procura de alguma autorização. E essa veio através de um gesto: Wanda segurou os lados do rosto dele, acariciando suas bochechas ao passo que guiava sua cabeça para seu outro seio.
Ele pegou o bico rosado com os dentes, de leve para não machucar, arrastando sua língua sobre ele com lentidão, beijando-o por fim, focado completamente no magnífico seio da deusa deitada em sua cama. Sentiu sua ereção apertar contra o colchão, incômodo, porém ele precisava se certificar de que ela estava recebendo todo o prazer que merecia. Que estava excitada o...
A mão dela agarrou na sua, aquela inconscientemente acariciando seu clitóris, puxando-a para cima. Novamente Visão afastou seu rosto para olhá-la, preocupação sempre escondida no fundo de seus olhos.
— Já tive suas mãos o suficiente por hoje. — Ela proferiu com dificuldade tentando não deixar sua voz fraquejar. — Eu estou pronta se você estiver.
A expressão no rosto dele era difícil de ser decifrada. Em verdade, era uma mistura de emoções: a nítida preocupação; a óbvia excitação, o que o tornava extremamente fofo com suas bochechas rosadas, olhar luxurioso e ainda preocupado em dar-lhe prazer tanto quanto estava recebendo; e o mais puro, adorável e genuíno... conforto? Felicidade? Algo implícito, ainda indecifrável, mas que estava presente em cada detalhe de Visão.
Wanda estava pronta para a conjunção carnal... Entretanto, contrariamente ao que ela esperava, Visão se afastou, gentilmente a fazendo levantar de sua posição e sentou no lugar onde ela estava, escorando-se na cabeceira enquanto puxava Wanda para cima de suas pernas, sentada em seu colo, suas intimidades muito próximas.
— Agora eu estou pronto. — Ele afirmou, fazendo o mais singelo sorriso surgir nos lábios de Wanda e o olhar mais afetuoso brilhar em tom esverdeado.
Ela segurou o lado de seu rosto com sua mão direita, a outra vagarosamente arrastando a ponta das unhas sobre o peitoral de Visão até chegar ao seu pênis, envolvendo-o com cuidado, levemente o acariciando antes de se erguer, posicionar o membro dele em sua entrada e muito lentamente descer seu corpo sobre seu comprimento, sentindo seu interior ser expandido, preenchido...
Quando sentiu a ereção dura que nem uma pedra dentro de seu corpo, Wanda respirou devagar, ficando imóvel enquanto Visão segurava em sua cintura, seus dedos acariciando sua pele ao passo que ele pacientemente aguardava ela se acostumar com a sensação... com muita dificuldade ignorando o delicioso aperto em seu pênis.
Ele observou Wanda de olhos fechados, parecia até mesmo estar murmurando uma prece, e sentiu sua delicada mão carinhosamente afagando sua bochecha.
Tudo em Wanda parecia tão... magnífico.
Como alguém poderia machucá-la?
O primeiro movimento dela, subindo e descendo sobre sua extensão, foi o que arrancou o ar de seus pulmões e qualquer pensamento coerente que vagava por sua mente. Ela abriu as pálpebras, perdendo-se no azul dos olhos de Visão, a cor mais límpida que ela já vira. Suas mãos emolduravam o rosto pálido dele, iluminado pela luz amarelada do abajur.
Mais uma vez ela mexeu o quadril para cima e para baixo, seu clitóris sendo apertado nesse movimento. E os olhos deles nunca deixaram as pupilas um do outro. Nem quando Visão apertou um pouco mais forte a cintura de Wanda quando ela repetiu sua ação, retirando e colocando o pênis de dentro de si. Nem quando ela gemeu baixinho no momento que ele se empurrou em seu interior. Muito menos quando ele se inclinou e capturou seu mamilo esquerdo entre os lábios, seus movimentos acelerando a cada estocada.
Wanda sentia seus mamilos enrijecidos e muito necessitados da boca de Visão. Sua excitação só crescia, estava tão líquida que Visão facilmente deslizava dentro e fora de sua vagina. Os movimentos não mais eram cientes, eram involuntários, instintivos, seus corpos se mexiam juntos, num ritmo só deles.
E Visão era tão bom em lhe dar prazer...
Ela queria olhá-lo. Quando gozasse, queria olhar para ele, ver ele, saber que era ele e apenas ele que estava com ela ali, naquele momento. Intimamente. Fisicamente. E, mais que tudo, emocionalmente. Porém seus olhos se fecharam e jogou sua cabeça para trás, sua boca se abrindo e emitindo um gemido arrastado, enquanto sentia o pênis de Visão a empalando duramente, combinado com sua ávida boca sugando seu seio com ansiedade, causando uma sensação intensamente prazerosa.
Os braços dele a seguraram mais junto, ela o envolveu em um abraço no mesmo instante em que se empurrava mais uma... a boca dele... tão deliciosa... duas... seu interior se apertando tão forte em torno dele... três. Firme. Fundo.
Ela gemeu... alto. E eles estavam se olhando, bem dentro de seus olhos. Cientes. Wanda tremia, seu corpo, suas paredes internas, ela estava tremendo nos braços do Visão enquanto uma onda de prazer arrastava a ela e ele, que gozou no momento exato em que Wanda segurou em seu rosto, aproximando seus lábios dos dele, ainda tremendo, sentindo o aperto dele, seu membro a preenchendo tão perfeitamente.
Wanda beijou seu lábio castamente, a ausência de fôlego impedindo ambos de aprofundarem o beijo. Ele a envolveu em seus braços, ela escondeu seu rosto na dobra de seu pescoço e eles fecharam os olhos, respirando pesadamente, mas apreciando o contato pele a pele. O calor do corpo um do outro. O odor exalado por seus poros, o cheiro de sexo, suor e uma essência única de cada um misturado.
Foi nesse instante que Wanda descobriu amar a sensação de ser abraçada por Visão, de tê-lo dentro de si, tão junto. Ela poderia passar a vida assim. E foi nesse instante que Visão descobriu amar Wanda.
Nessa época, Visão apenas desconfiava, ele ainda não tinha certeza de qual demônio havia ajudado Wanda a matar. Somente algum tempo depois ela conseguiu contar a ele, confirmando suas desconfianças. E somente algum tempo depois, Wanda soube que também fora a heroína na história de Visão.
Fale com o autor