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31 Fire, Hospital, Orange Juice
Curioso como Visão pensou naquela lanterninha iluminando seus olhos como a luz de um farol guiando as embarcações na escuridão do mar.
E quando o médico desligou a lanterna, igualmente o farol se apagou. Ou talvez, ele já estivesse apagado. Há cerca de um dia, mais ou menos. Quando Wanda se foi.
— Dilatação das pupilas normal. — Proferiu o médico, trazendo Visão de volta à praia. — Sem sinais de lesão na cabeça. Significa que não há danos aparentes no cérebro.
— Bom. — Tony pigarreou atrás de Visão, onde esteve todo o tempo, ouvindo o médico avaliando o estado de saúde de seu irmão enquanto fingia não sentir culpa e preocupação.
— A princípio, sim. — O médico disse e Visão leu seu nome escrito no crachá mais uma vez, certificando-se de que lera certo o “Dr. Estranho”. — Não há lesões aparentes, mas como vocês foram encontrados inconscientes, pedirei mais alguns exames. Por ora, não há motivo de preocupação. Apenas avise se sentir alguma dor ou desconforto, principalmente respiratório.
Visão assentiu tão fracamente que há grande probabilidade de o médico nem ter visto antes de deixar a sala.
— Visão...
— Tem alguma notícia? — Ele interrompeu Tony, sentindo a mente enevoada.
Ouviu seu irmão suspirar e sua baixa resposta:
— Não.
O olhar de ambos foi atraído para a televisão dependurada na parede, onde a imagem de bombeiros trabalhando para apagar um incêndio preenchia a tela. A manchete: INCÊNDIO EM PRÉDIO DEIXA 3 PESSOAS INTERNADAS.
A jornalista, em voz off, narrava como a causa do fogo era desconhecida e que, por ser de manhã cedo, a maioria dos poucos moradores ainda estava dormindo. Também ressaltou que o incêndio só se alastrou por poucos andares, sendo rapidamente contido por alguns moradores, mas não sendo o suficiente para evitar três internações por monóxido de carbono, fora os outros que foram encaminhados ao hospital para uma checagem, como Visão e seus filhos gêmeos.
— Onde estão os meninos?
— O garoto está com eles.
Não demorou para passinhos rápidos cruzarem a porta e um veloz Tommy pular no colo de Visão enquanto um pequeno Billy tentava se soltar de sua babá, ou melhor dizendo, o estagiário.
— Desculpe, Sr. Stark! Eles fugiram da pediatria.
— Tudo bem, garoto. — Disse Tony, surpreendendo o jovem com o tom baixo de sua voz. — Avise Happy para te levar para casa. Vamos fazer mais alguns exames antes de ir.
— Sim, senhor. — Ele falou e por fim soltou Billy, que logo estava agarrado ao seu pai sentado na cama hospitalar.
— Obrigado, Peter. — Visão agradeceu, sua voz nitidamente abatida, antes do jovem sair, respondendo um “de nada”.
Tomando o lugar de Peter na porta aberta, Natasha parou ali junto de Thor e Carol, logo às suas costas.
— Podemos conversar? — A Capitã Romanoff perguntou olhando para Tony, que silenciosamente a acompanhou até o lado de fora do quarto. — Fiquem aqui. — Ela ordenou antes de guiar o caminho pelo corredor de paredes brancas.
— Então?
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Nada. — Ambos suspiraram frustrados. — E como eles estão?
— Aparentemente bem. — Ele disse enquanto caminhava devagar em círculo, com as mãos nos bolsos da calça. — O médico quer mais alguns exames, só por garantia.
— Ei, pessoal. — Os dois olharam para um homem bebendo suco de laranja de caixinha enquanto se aproximava deles. — Então, alguma novidade?
Por um momento, Tony e Natasha ficaram estáticos o observando, estranhando o motivo por ele ainda estar ali.
— Nada ainda. Você não tinha ido para casa? — Questionou Tony, franzindo o cenho.
— Eu estava com os gêmeos na pediatria, sai para pegar um suco para eles, mas já não estavam mais lá quando voltei. — Ele se justificou.
— E então você bebeu o suco deles? — Retoricamente perguntou Natasha.
— Eu paguei, então é meu suco. Hey, olhem isso. — Ele mostrou a palma da mão, então com um rápido movimento fez surgir uma carta de baralho. — Tirei das orelhas dos gêmeos, manteve eles entretidos por horas.
— Me diz novamente como você veio parar aqui. — Pediu Tony com semblante sério e quase revirando os olhos.
— Lugar certo, hora certa. E meu sogro deixou uma pasta no apartamento do seu irmão.
— Que provavelmente foi queimada.
— Oh, não. Eu peguei antes do incêndio tomar conta do loft.
— Então sua prioridade era a pasta, depois as crianças e por fim o Visão? — Indagou Natasha, realmente não querendo continuar essa conversar, mas algo a impedindo de encerrar, como uma vontade de chegar até o fim corretamente.
— Quando meu sogro disse “Ei, Scott! Pega a minha pasta que deixei no apartamento do Stark.” Eu disse “Ah, mas é só uma pasta, pode esperar até segunda.” Aí ele disse “Lang, pegue minha pasta no apartamento do Stark, não pode esperar até segunda.” Aí eu disse “Tudo bem então, eu aproveito e me apresento como recreador oficial do clube dos cinco.”
— Isso é importante? — Indagou Tony, provavelmente com a mesma ansiedade de Natasha por finalizar a conversa irrelevante.
— Se não querem saber, por que perguntou? — Dessa vez foi Scott Lang que franziu o cenho em desagrado. — Enfim, quando cheguei no prédio, dois caras mal-encarados estavam saindo e quase passaram por cima de mim como se eu fosse uma formiga. Daí eu senti o cheiro de fumaça, fui entrando no prédio e quando eu vi eu estava ajudando você... — Ele apontou para Natasha. — E aquele cara engraçado a tirar seu irmão e os filhos dele do apartamento. — Ele terminou, olhando para Tony. — Nossa! Que emoção. Tenho muita coisa pra contar pra Cassie.
— Você sabe que minha sobrinha e os filhos dela estão em perigo, certo? — Natasha estreitou os olhos para Scott.
— Eu sei, desculpe. Não quis dizer que foi legal, não. Só que foi... emocionante. Salvar alguém. — Scott Lang se sentiu estranhamente envergonhado, como se tivesse dito alguma besteira. — Eu vou voltar a recrear com as crianças. — Ele apontou para um lado aleatório e saiu em seguida.
— Depois dos exames, quero a equipe na Torre Stark. — Proferiu Tony, prestes a voltar para o quarto onde seu irmão estava.
— Não podemos esperar muito tempo. — Natasha verbalizou antes que ele saísse. — Wanda e as crianças estão exatamente onde nós tentamos ao máximo evitar que estivessem. — O olhar compartilhado pelos dois demonstrava a tensão da situação.
— Nós vamos resolver isso. — Eles olharam em direção a Steve, parado a poucos passos atrás de Natasha. — Cada minuto conta. Eles podem não estar mais no país amanhã. Precisamos agir agora. E também está na hora de contatar Clint.
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