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32 Empty Chair


Sua cabeça latejava, seus olhos doíam e sua garganta estava seca após horas sem beber nenhum líquido, além de sentir um aperto no estômago, fome e nervosismo. Sua mente era uma bagunça, um zumbido estranho em seus tímpanos toda vez que alguém falava à sua volta.

Visão sabia o motivo desses sintomas. Sua noiva e seus filhos estavam desaparecidos. Sequestrados. Nas mãos de Strucker. Da noite para o dia.

Ele olhou para a sala do lado, aquela em que Wanda se sentara junto dos três bebês há aproximadamente oito anos, e onde agora Tommy e Billy eram distraídos pelo jovem Peter Parker e a pequena Morgan Stark, na tentativa de mantê-los longe da sala de vidro onde se encontrava sentado em uma das cadeiras da mesa de madeira, os outros assentos sendo preenchidos por outras seis pessoas, e outras seis sentadas em poltronas, cadeiras avulsas ou de pé.

Havia apenas uma cadeira vaga na mesa, aquela que deveria ser preenchida por Wanda, em uma discussão de o que fazer para mantê-los seguros, e não do que fazer para trazê-los de volta. Deveria ser para evitar, não resgatar após fracassar.

— Bom dia, Dr. Estranho. — A voz de Pepper soou pela sala silenciosa, dirigindo-se ao médico com o rosto estampado em uma tela grande tão fina e incolor que mal nota-se estar ali quando não usada. — Meu nome é Pepper Potts, diretora executiva da Indústrias Stark. Nos falamos mais cedo.

— Bom dia, Srta. Potts. E aos demais presentes. — O doutor proferiu.

Visão normalmente presta atenção em orientações, principalmente médicas, mas logo que o médico afirmou estar tudo bem consigo e com os seus filhos, ele se distanciou do que o homem dizia, nada realmente relevante, apenas algo sobre ter atenção à dificuldade respiratória e tonturas. E algo sobre um agente tóxico que comumente causa inconsciência, porém não é letal.

— Então podemos respirar aliviados? — Perguntou Pepper, deveras aliviada.

— Sim, podem respirar aliviados.

— Obrigada, doutor, pela eficiência e atenção.

— Disponha.

A vídeo chamada foi encerrada. E Visão voltara sua atenção quando Nick Fury questionou antes de qualquer outra pessoa na sala se pronunciar:

— Afinal, o que está acontecendo?

Ele não era o único ali a estar desatualizado. Sam Wilson, Bucky Barnes, James Rhodes e Peggy Carter também não sabiam do que se tratava essa reunião e muito menos o motivo da jovem Wanda Maximoff e seus três filhos mais velhos não estarem ali também.

— Bem. — Começou Bruce Banner, quase timidamente pela sala cheia. — Nós... eu e a Nat, chegamos cedo no loft do Visão e da Wanda para conferir como estavam.

— Chegamos lá e fomos surpreendidos com uma porta arrombada e vários homens tentando nos derrubar. — Natasha continuou a narrar o ocorrido.

— Nós conseguimos nos defender, mas eles acabaram fugindo.

— Quase todos. Nocauteamos três, acabaram internados.

— Os três que inalaram monóxido de carbono. Fumaça de incêndio.

— E a fumaça veio junto daquele cara.

— Scott Lang, o recreador contratado para as crianças. — Tony interviu rapidamente.

— Ele disse que viu dois homens saindo do prédio, dois dos que fugiram. — Natasha prosseguiu, todos na sala permaneceram em silêncio, atentos. — Quando entramos no loft, Wanda, David, Sophia e Lizzie já não estavam mais lá. Somente Visão, Tommy e Billy.

— Pareciam inconscientes, não acordavam de jeito nenhum. — Bruce afirmou, seu olhar rapidamente mirando Visão. — Pelo o que o Dr. Estranho disse, vocês foram drogados, por isso não reagiram.

— Do que se lembra, Visão? — Pepper perguntou com certo cuidado em seu tom de voz, ainda em pé perto da ponta da mesa, próxima a ele.

Visão se lembrava de muita coisa. Lembrava de perder-se nas doces memórias da sua primeira vez com Wanda. Lembrava de amá-la naquela noite, após as lembranças. De como ela tremeu em seus braços e sobre a conversa que tiveram, sobre a morte dos pais dela. Sobre o não uso do sobrenome Stark. E principalmente, lembrava de adormecer ao seu lado, abraçando-a, o calor de seus corpos compartilhado.

Porém, limitou-se a dizer:

— Só lembro que fomos dormir e então acordei no hospital.

— Resumindo: enquanto vocês dormiam, eles drogaram vocês com um gás ou sei lá o que, aí sequestraram a Wanda e as crianças, durante a fuga se depararam com o Professor Hulk e a Viúva Negra, três foram pra lona e o restante fugiu, então o circo pegou fogo, o Zé Pequeno chegou pra ajudar na evacuação e agora estamos todos aqui tentando descobrir como um nazista mafioso conseguiu cumprir com seu objetivo? — Sam Wilson captou a atenção de todos com seu “resumo” dos fatos. — É isso?

— Basicamente, sim. — Visão concordou, mesmo que sem vontade de se pronunciar.

— Viúva Negra? — Bruce Banner indagou em um sussurro para Natasha, sentada ao seu lado.

— Professor Hulk? — Ela indagou a ele, em igual tom, com as sobrancelhas franzidas.

— E o que disseram à polícia? E à imprensa? — Questionou Nick Fury, semblante inexpressivo, embora estivesse indignado com a proeza dos capangas de Strucker.

— Alguém montou uma farsa, para a polícia e para a imprensa. — Respondeu Steve, sem olhar para os demais colegas, em reunião com seus próprios pensamentos. — Tem alguém com alta influência dentro da polícia, aliado a Strucker.

— Estamos quase descobrindo quem é. — Pronunciou-se Peggy Carter, sentada ao lado de Steve. — O ponto positivo é que eles ainda não sabem do parentesco entre a Capitã Romanoff e a Srta. Maximoff, o que nos dá uma vantagem.

— É onde queríamos chegar: Clint Barton.

— Wanda disse que não queria envolver Clint. — Disse Sam, sentado em uma cadeira fora da mesa, logo atrás de Nick Fury que estava sentado na extremidade, ao oposto onde Pepper estava parada. — Acho que ela não ia querer que envolvêssemos ele.

— Se ele soubesse a real situação, com certeza iria ajudar. — Natasha argumentou.

— Ele pode não ser útil para resolver toda a questão, mas ele tem uma coisa de que estamos precisando. — Os olhares foram direto para Tony, sentado numa poltrona atrás para a diagonal de Peggy. — Um lugar seguro.

O olhar que Steve lançou a Tony foi um que eles não trocavam há muito tempo, algo beirando a anuência e cumplicidade. Tony finalmente havia dito algo com o qual Steve concordava.

— Acha que Clint pode receber todos nós? — Steve perguntou à Natasha. — Ao menos, parte do grupo, aqueles que de certa forma estão mais vulneráveis, na mira do Strucker.

— Meu irmão não vai negar abrigo, podem contar com isso. — Ela respondeu, um leve sorriso brotando no canto dos seus lábios com a expectativa de rever sua família, em especial, seus sobrinhos.

— Então está decidido. — Proferiu o Capitão Rogers. — Vamos nos preparar para uma viagem até a casa de Clint.

— E quanto à Wanda e meus filhos? — A voz de Visão chamou a atenção dos presentes, inclusive de Carol Danvers e Thor Odinson, parados em pé ao lado de James Barnes, sentado em uma cadeira próximo de Sam. — Fiquei aqui e ouvi sobre aonde iremos a seguir, mas nada em relação a trazer Wanda e os meus filhos de volta. — Ele levantou o olhar para encarar seus companheiros sentados do outro lado da mesa, primeiro Rhodes a sua frente, depois Steve ao lado dele e então Peggy. — A cada minuto aqui, é um minuto deles nas mãos de Strucker. Um dia já se passou. Eu não sei onde eles estão, se estão aqui em Nova Iorque ou se estão na Alemanha. Eu não sei o que fazer para encontrá-los e eu adoraria que focássemos um pouco mais nisso no momento. Por favor.

O silêncio mortal na sala era como uma neblina cobrindo um pântano. Só piorava o clima. Entretanto, Visão estava certo. Só falaram sobre eles, mas e quanto à Wanda e as três crianças desaparecidas?

Ninguém tinha respostas. Ninguém sabia o que fazer a seguir ou onde procurar. Ninguém sabia como fazer para trazê-los de volta, sãos e salvos. E a cadeira, que deveria ser ocupada por Wanda, permaneceria vazia.