Notas iniciais
Opa! Quase que não teve atualização hoje :v Mas cá estamos! Devo dizer que eu parei na metade do capítulo, há umas duas semanas, e hoje quando fui terminar acabei dando um "meio novo rumo" para esse segmento, porque eu... não lembrava qual era o rumo que eu ia dar! Mas acho que foi até melhor... Nas notas finais digo o porquê!

Tatuagem na mão esquerda, vestindo camisa regata e um trapo velho na cabeça. Outro homem, vestido adequadamente de terno. “Obrigado”.

Wanda sentiu os pelos de seu rosto arrepiarem e suas bochechas estavam geladas, provavelmente ela estava pálida.

— Mãe, ninguém atende. — Elizabeth reclamou de onde estava sentada na cama junto de seus dois irmãos gêmeos.

— “Ninguém responde”, não “Ninguém atende”. — Corrigiu David, hábito comum dele.

“Obrigado”. Ele a olhou, por um momento, enquanto se virava e ia até um carro preto, acompanhado pelo homem com a mão tatuada.

— Mãe. — Chamou Elizabeth, quase em um resmungo, descontente por sua tentativa de comunicação pelo walkie-talkie não ser frutífera.

Wanda respirou lentamente enquanto tentava conter as lágrimas ameaçando de formarem. Ela nunca quis chorar na frente de seus filhos, não era uma boa ideia.

— O que? — Ela perguntou em voz baixa, ainda olhando pela janela, mas sem realmente conseguir prestar atenção no que via.

— Ninguém responde no walkie-talkie!

— Eu não posso fazer nada. — Ela respondeu, um pouco seca demais, enquanto olhava para os filhos por cima do ombro.

Ouviu uma porta de carro bater e imediatamente pôs as mãos no vidro da janela, aproximando o máximo o rosto para tentar ver quem saíra do carro, mas era tarde demais, a pessoa já havia sumido de vista.

Ela se afastou da janela e caminhou a passos largos até a porta do quarto. Rapidamente alcançou a maçaneta e a forçou para abrir, facilmente conseguindo, o que a deixou surpresa. Strucker não havia trancado a porta.

— Fiquem aqui. — Ela lançou um olhar severo para seus filhos ao dar o aviso, saindo do quarto em seguida e fechando a porta novamente.

Olhou para os dois lados do corredor: vazio. Ninguém vigiando para impedi-los de sair. Sem saber por onde começar, e tomada por uma onda de raiva inconsciente e justificada, a jovem sokoviana foi até a primeira porta mais próxima à esquerda, escancarou-a e deparou-se com um quarto vazio.

O carro arrancou. O vidro abaixou. A sensação de que algo terrível ia acontecer. O carro sumiu de vista. Segundos depois. Tiros.

Wanda fez a mesma coisa com a segunda porta, e novamente não encontrara nada. Fez isso com a outra e com a quarta. Nada, vazio. Na quinta porta, Wanda empurrou essa com tudo, que bateu contra a parede e voltou metade do caminho, sendo impedida de se fechar mais quando Wanda entrou no quarto quase bufando, mas absolutamente sem fôlego. Não por ter escancarado portas, mas pela imagem de Strucker sentado junto a lareira, seu álbum de fotografias do lado, rasgado, as últimas fotos nas mãos dele, as demais transformadas em cinzas.

Ela ainda levou alguns segundos para identificar com certeza que era seu álbum de fotografias, aquele contendo fotos sagradas de Wanda e sua família, dado de presente por Visão para registrar momentos de suas vidas.

— Finalmente você veio. — Ele proferiu com seu forte sotaque.

Strucker a olhou rapidamente com um sorriso fincado no canto de sua boca, jogando por fim as fotos restantes nas chamas alaranjadas antes que Wanda pudesse impedi-lo, ela só dando um passo em falso em sua direção, suas sobrancelhas franzidas em tristeza.

— Você sabe. — Ele começou, levantando-se do pequeno banco onde estava e se virando para Wanda. — Garantirei para esquecerem o passado.

— Você não vai fazer nada. — O coração de Wanda estava afogado de raiva e tristeza, misturadas, talvez mais emoções junto. — Eles não sabem quem você é nem nunca vão saber. — As palavras saiam afiadas da boca de Wanda, gotículas de lágrimas se formando no canto de seus olhos. — David gosta de lembrar como é parecido com o pai dele. Os olhos, o cabelo, até mesmo o penteado. — Ela o encarou tão intensamente que sentia como se seu ódio se transformasse em uma energia, direcionando-a para Strucker. — E ele não está falando de você.

Strucker vagarosamente deu três passos em direção de Wanda, mas ela não sentiu medo algum. Pelo contrário, sua raiva só parecia aumentar a ponto de estar bufando enquanto sua expressão se contorceu em ira.

O até então temível Barão Strucker parou onde estava, a poucos metros da moça, e retirou do bolso de sua calça uma pequena caixa preta. Ele jogou o conteúdo da caixa em sua mão e depois a estendeu na frente do corpo, abrindo-a e deixando que areia preta ou detritos de cinzas caíssem no chão acarpetado.

— Sua aliança. — Ele proferiu, um arrepio percorrendo o corpo de Wanda quando as palavras atingiram sua mente. — Ouro e diamante transformados em pó. — Ele caminhou lentamente em direção dela, que permaneceu imóvel. — Se eu quiser, transformo aquele seu noivinho com nome estranho em cinzas e espalho no chão do seu quarto.

Um passo rápido. Uma mão levantada. O punho fechado colidindo contra seu rosto. Ela foi ao chão, a parte logo abaixo de seu olho doendo.

A ameaça de Strucker a relembrou de anos atrás. Mas ela pouco se importava com as lembranças dos socos...

Estava tonta, a sonolência atingira seu corpo como uma onda do oceano, não conseguia ficar de olhos abertos. Sentiu dor, um peso enorme e maciço pressionando seu corpo contra a cama, estava quase sufocando. Uma dor entre suas pernas.

Nem as lembranças daquela noite em que ele...

Mãos em seu pescoço, apertando-o. Ele a solta, então um punho igual a ferro atinge sua mandíbula.

Ou as lembranças de quando...

“Mein Wunder, você é tão especial.”

Strucker sequer viu a mão de Wanda fechar e golpear em cheio seu nariz. Ele cambaleou para trás, sem imaginar que seu milagre fosse mais forte do que imaginava, ou ao menos que tivesse a mão mais pesada do que esperava.

O rosto de Wanda era marcado por rastros de lágrimas. O quarto parecia ter esquentado a 50ºC e ela sentia como se pudesse socar Strucker sem parar, estava preparada para caso ele revidasse.

Ele riu. Apenas riu enquanto virava seu rosto para ela, as costas da mão limpando o pouco de sangue que saíra de sua narina.

— Eu sempre disse que você era especial, meu milagre.

— Com licença, senhor?

A voz grossa vinda detrás de Wanda a distraiu momentaneamente, o suficiente para Strucker agarrar seus ombros e a empurrar para trás, ela andou até bater as costas contra a parede, tentando se desvencilhar das mãos dele.

E então as mãos de Strucker estavam em seu pescoço. Wanda arregalou os olhos quando sentiu o aperto contínuo, mais doloroso do que realmente sufocante... até que se transformou em estrangulante do que realmente dolorido.

Ele aproximou seu rosto do dela, o bafo de whisky a asfixiando ainda mais.

— Eu tenho muitas surpresas para você. — Ele sussurrou perto da boca dela. — Você é tão especial, Mein...

Instantaneamente Strucker soltou seu pescoço enquanto tropeçava para trás, gemendo de dor e segurando a região entre suas pernas. Wanda havia lhe dando uma joelhada. E logo um punho fechado e pesado atingiu o olho do barão, fazendo-o tropeçar em seus próprios pés e cair de joelhos no chão.

— Eu não sou mais uma criança! — Wanda proferiu, tão séria quanto com raiva. — Não pode mais me controlar. — Dizer essas palavras foi como soltar algemas que prendiam suas mãos.

Um suspiro impaciente e alto o suficiente para atrair sua atenção para a porta lembrou Wanda de que alguém ainda estava parado ali. Era um homem branco de aparência mal-encarada, porém o que chamou a atenção da moça foi a tatuagem na mão dele.

Strucker se forçou a ficar ereto, ainda de joelhos e com uma mão segurando entre suas pernas.

— Wanda. — Ele a chamou, e ela virou seu rosto para ele, suas sobrancelhas franzidas em perseverante raiva ao fitar o homem com expressão de dor e presunção. — Eis a próxima surpresa: conheça Ultron. Reconhece esse nome? — Wanda voltou a olhar para a porta, onde um homem bem vestido surgiu logo atrás do homem mal-encarado. — Quando eu conheci você, Mein Wunder, e o seu irmão, eu pedi a Ultron para dar um jeito de você ficar junto a mim. Então, ele o fez.

O homem bem vestido, Ultron, deu um passo à frente do homem mal-encarado. Wanda o olhou, além da raiva, um outro sentimento invadindo seu coração ao finalmente ficar cara a cara com o assassino de seu irmão. Novas lágrimas pingaram de seus olhos e sentiu seu coração apertar angustiante.

— É um prazer finalmente lhe conhecer, Wanda. — O homem chamado Ultron proferiu, um sorriso marcando seu rosto.

— Não era minha intenção que Pietro morresse. — Disse Strucker, mas Wanda continuou encarando Ultron.

— E nem a minha. — O outro afirmou.

— Mas... cumpriu com o objetivo.

Notas finais
Acho que esse "meio novo rumo" foi melhor do que eu daria antes, porque aqui a Wanda revidou! Socos? Temos. Joelhadas? Temos também. Peço só um pouco mais de paciência, porque se tudo correr bem, em breve descobriremos um pouco mais do que se passa na mente e no coração da nossa Wandinha :3