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1 Bad Day
Notas iniciais
Os primeiros capítulos são mais explicativos, num ritmo mais lento, mas com o passar do tempo irão surgir os Vingadores mais amados do MCU!
Boa leitura :D
Alguns dias são ruins. Hoje é um desses dias para Wanda.
Após deixar os filhos na escola, apressou-se para o trabalho como garçonete em uma cafeteria no centro de Portland. O salário não era muito, mas graças ao dinheiro que Visão, seu noivo, enviava mensalmente pelo correio ela conseguia pagar a escola particular das cinco crianças e as contas do mês. Neste dia, ela levou um baque da vida.
Parada em um ponto de ônibus, às dez da manhã, demitida. Sua mente ainda estava embaçada, sem conseguir pensar em soluções no momento.
Ainda não recebera o dinheiro de Visão esse mês, o que era muito estranho, considerando que ele sempre pagava no início de cada mês sem exceção. Não havia como entrar em contato com ele, outubro estava acabando e as contas estavam chegando. O ano letivo mal havia iniciado e a mensalidade era cara; o aluguel também não era barato e usar o transporte público todos os dias fazia diferença em sua carteira. Em suma, a existência da boa vida de seus filhos dependia da “pensão” de Visão.
O ônibus parou em sua frente, algumas pessoas ao seu lado entraram e ela quase o perdeu enquanto sua mente divagava. Entrou e sentou-se em um banco vazio ao lado da janela, o banco ao seu lado logo ocupado por uma mulher com uma carranca no rosto.
Wanda olhou pela janela sem prestar atenção no movimento do lado de fora. Desde que saíra fugida da Escócia junto de Visão e três crianças pequenas, ela esperava encontrar um lugar onde pudesse respirar aliviada e chamar de lar. Por um tempo, ela teve um. Até ele a encontrar. As lembranças de seu ex-marido sempre a chateavam e faziam-na temer sua volta.
Visão fora mandado para a África por seu irmão, Tony Stark, para que ficasse sob os cuidados de amigos em Wakanda até que a poeira abaixasse.
Wolfgang von Strucker, o ex-marido de Wanda, líder da organização criminosa Hydra, havia feito algumas ameaças contra os Stark quando descobriu sobre o novo relacionamento de sua ex-esposa, fazendo com que o mais velho tomasse providências quanto ao irmão apaixonado. Tony não aprovou o relacionamento de Wanda e Visão no começo, mas com o tempo ele não pode mais ignorar. Estavam apaixonados, por anos a fio eles se declararam e viveram juntos, periodicamente mandando notícias através de Steve Rogers, primo dos irmãos Stark com quem Tony possuía uma certa “rivalidade de princípios”.
Nem a polícia era capaz de parar a Hydra, pois até mesmo ela estava envolvida em seus esquemas. Era frustrante e opressor viver com medo dele, ainda mais quando de seu relacionamento proveio três filhos. Wanda sabia, mesmo que Strucker nunca lhe tenha falado, que ele iria até o fim do mundo para recuperar sua amada e seus bebês. O divórcio fora mera artimanha para “abrandar os ânimos”, segundo o conselheiro de Strucker.
Por um segundo, Wanda teve a impressão de ver um rosto conhecido do outro lado da rua enquanto o ônibus estava parado para embarque e desembarque. Um homem cujos traços faciais se destacavam. Europeu. Quando viu, ele havia sumido. Parecia com um dos capangas de seu ex-marido, um dos que sempre estava por perto para garantir a segurança de seu líder.
O receio novamente tomou conta de Wanda e ela olhou para frente como se isso fosse a tornar invisível para quem a visse de fora. Levou longos minutos para que chegasse ao seu destino.
Desceu apressada e caminhou direto à clínica de exames, adentrando o local. O homem no balcão da recepção, que vestia um jaleco com um crachá escrito “Banner”, olhou-a com surpresa.
— Wanda... Oi. — Ele a cumprimento quando ela parou em sua frente.
— Bruce, tem um minuto? — Ela perguntou com rapidez.
— Hã... sim, sim. Claro. — Ele respondeu olhando para os lados como se procurasse por alguém. — Helen, você pode ficar aqui um minuto? — Ele indagou a uma mulher de traços coreanos também vestindo um jaleco branco. — Obrigado. — Ele agradeceu após ela assentir com a cabeça.
Os dois foram até uma sala com estantes repletas de materiais de escritório, laboratório e limpeza. Era pequena, mas ainda havia espaço para que os dois mantivessem certa distância entre si. Bruce puxou um banquinho e sinalizou para Wanda sentar enquanto ele se recostava na parede ao lado da porta.
— Então... — Ele começou. — Aconteceu alguma coisa?
Ela mantinha a expressão séria enquanto controlava sua respiração. Bruce Banner foi a primeira pessoa em quem pensou, mas não queria preocupá-lo com seus problemas. Ele era um bom amigo, disposto a ajudar, mas envolvê-lo na tempestade que era sua vida estava fora de cogitação.
— Eu preciso de um favor. — Ela disse calmamente evitando com sucesso que sua voz tremesse ou falhasse mesmo com o nó que se formava em sua garganta. — Preciso falar com Visão.
— Hã... ok. Posso tentar. — Bruce balançou a cabeça como se estivesse pensando em como faria o que a moça pedia. — Posso tentar falar com Okoye ou Shuri, talvez eu consiga uma palavrinha com T’Challa.
Wanda expirou pesadamente, seu rosto rígido.
— Obrigada. — Ela sussurrou, mas pelo ambiente relativamente apertado, foi possível ouvir claramente o que dissera. — Mas eu preciso falar com ele. Quando conseguir contato com ele, por favor, me avise.
— Claro, tudo bem, eu aviso. — Bruce mantinha uma expressão confusa e igualmente preocupada. — Mas aconteceu alguma coisa? As crianças estão bem?
— Estamos todos bem, só algumas coisas que preciso resolver. — Ela respondeu olhando para suas próprias mãos. Por um momento pensou em falar sobre sua demissão, mas achou inconveniente, Bruce poderia querer tentar ajudar, mas ele não merecia sustentar cinco crianças que não eram responsabilidade dele. Não, ela ainda tinha algum dinheiro guardado, ela conseguiria se virar.
— Posso fazer mais alguma coisa ou...?
— Não, tudo bem. Era isso, obrigada. — Forçou um sorriso ao olhar para ele e levantou-se do banco, empurrando-o para trás onde estava anteriormente.
— Você não deveria estar trabalhando agora?
— Ah sim, consegui uma folga. Tenho algumas pendências para resolver.
— Hm... certo.
— Obrigada mais uma vez. — Ela disse enquanto abria a porta. — Tchau.
— Tchau. — Ele murmurou antes que ela saísse, ainda com um olhar pensativo.
Ao sair da clínica, o celular de Wanda tocou. Levou alguns segundos até que o alcançasse dentro da bolsa, o número era desconhecido, ela sempre tentava evitar ligações desconhecidas, mas atendeu mesmo assim:
— Alô?
— Wanda Rogers? — Indagou uma mulher ao atender.
Tratava-se de Sam Wilson ou James Rhodes, os dois a chamavam assim quando era algum assunto importante envolvendo Strucker.
— Pois não?
— Eu estou ligando do Hospital Santa Clarita. O senhor Sam Wilson pediu para ligar para a senhora, ele foi internado no hospital essa noite.
— Aconteceu alguma coisa com ele?
— Ele foi encontrado na rua com diversos ferimentos, possivelmente causados por espancamento. Recobrou a consciência há cerca de uma hora.
A mente de Wanda ficou em alerta e seu coração acelerou. Sam, Rhodes e Bruce eram os únicos caminhos certos para chegarem até ela e as crianças. Sam ter sido espancado não podia ser coincidência, e então Wanda ter visto o rosto conhecido de um dos capangas de Strucker também não era loucura.
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