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2 A Warning
Wanda seguiu para o quarto indicado pela enfermeira e apressou-se para adentrá-lo. Seus olhos se arregalaram ao ver Sam com diversos hematomas, feridas e curativos espalhados pelo corpo. Ao olhá-la, Sam forçou-se para frente com urgência.
— Wanda, você tem que ir embora! — Ele disse para ela, seu rosto dizia o quão sério era sua afirmação. — Ele te encontrou, mandou um daqueles capangas atrás de mim.
Wanda foi até a cama de seu amigo, parando ao seu lado, uma mão cobrindo a boca aberta em espanto.
— Quem...
— Eu não sei quem era, mas era um deles. Ele me pegou de surpresa. — Sam respirava pesadamente e engoliu com dificuldade antes de prosseguir. — Ele perguntou por você, eu disfarcei, aí ele me mandou para dar uma volta no hospital. — O tom irônico foi seguido por um meio sorriso na tentativa de não deixar a mulher mais horrorizada do que já estava.
Sim, Wanda sabia que Strucker era um monstro, só não imaginava que ele atingiria pessoas que não tinham a ver com a situação deles.
O problema é que todos que se envolviam com Wanda tinham a ver com a situação deles.
— Desculpa. — Ela forçou a palavra entre a vontade de chorar.
— Não ouse chorar, garota. Eu sabia no que eu estava me metendo. — Sam deu outro sorriso seguido por uma careta de dor quando ele voltou a deitar. Sua agitação inicial diminuindo após dar o aviso necessário “saia daqui”.
— Rhodes...
— Ele foi para Seattle, vai ficar na casa de uns conhecidos por alguns dias. — Parecia que Sam estava prestes a falar mais alguma coisa, porém se calou e olhou para suas mãos em seu colo.
— Por que ele foi para Seattle? — Sam olhou para o lado antes de encarar Wanda, e ela soube a resposta imediatamente. — Ele não fez isso. — Ela disse com leve espanto. — Sam, ele não fez isso, fez?
— Bucky também, ele foi para Vegas.
— Sério? — Wanda expirou frustrada. — Não deviam ter feito isso.
— Tecnicamente nem foi um sacrifício. Rhodes queria mesmo visitar uns amigos e Bucky está na cidade do pecado. — Wanda suspirou pesadamente, torcendo a boca em desgosto. — Aí, os dois que quiseram fazer isso, ok? Cada um para um lado para ninguém perceber.
— Bom, agora não adianta mais, ele já sabe que estou aqui.
— Na verdade eu meio que deixei escapar alguma coisa sobre Hollywood, então vocês têm um tempo para saírem daqui.
— Não, se ele sabe que estamos aqui, não há mais tempo. — Ela fez uma pausa e ponderou sobre o homem que tinha visto quando estava no ônibus. Será que ele a tinha visto também? Ela não sabia dizer. Enfim, suspirou mais uma vez. — Eu vi um homem hoje, quando eu estava no ônibus. Não sei se ele me viu, nem sei direito como ele era, foi muito rápido, mas lembro que ele se destacava. Tenho quase certeza que era um dos capangas de Strucker.
— Tem certeza ou quase certeza?
— Não sei, não faço ideia. Foi a primeira coisa que eu pensei, meu cérebro avisando que havia algo errado. Aí eu recebo uma ligação e você está no hospital. Coincidência? Duvido.
Foi a vez de Sam suspirar.
— Bom, então talvez esteja na hora de migrar novamente. — Wanda nada disse e Sam bateu com a mão na cama indicando que ela sentasse, a jovem prontamente obedecendo. — Wanda. — Ele a chamou na esperança que ela o olhasse, mas ela continuou olhando para o chão. — Talvez... esteja na hora de ligar para o Clint. — Ela ergueu o olhar para encará-lo, esperando que continuasse. — Ele saberia o que fazer...
— Não. — Respondeu secamente.
— Mas...
— Não, eu não quero. — Ela se levantou e cruzou os braços, virando de costas para Sam.
— Devia deixar o orgulho de lado e pedir ajuda. Wanda, ele é seu pai...
— Não importa, ele não vai poder fazer nada. — Antes que Sam pudesse retrucar, o celular de Wanda tocou e ela rapidamente atendeu. — Bruce?
— Wanda, oi. Eu tenho uma boa e uma má notícia.
— Sim?
— A boa é que consegui falar com T’Challa, o que foi bem incrível por sinal, e ele disse que da última vez que viu o Visão ele estava bem. A má notícia é que ele saiu de Wakanda tem cerca de duas semanas, disse que não podia ficar mais lá, e até agora não entrou em contato com ninguém.
A respiração de Wanda entrecortou, porém ela conseguiu controlá-la.
— E você ligou para o Tony?
— Para o Steve, que falou com Tony, nenhum dos dois viram ele.
Bruce fez um som como se fosse falar alguma coisa, mas interrompendo-se como se não soubesse se deveria ou não falar.
— Algum problema?
— Só estava pensando... eu te adoro, Wanda, e adoro as crianças, mas... não acha melhor falar com a polícia? Isso está ficando muito complicado e assustador.
Wanda ficou em silêncio por um momento. É claro que ela adoraria ir à polícia! Pedir ajuda, ficar protegida. Ela já tentou falar com eles, mais de uma vez. Resultado? Strucker a alcançou duas vezes e para escapar ela precisou de muito jogo de cintura. Bruce estava assustado, ela sabia, ela mesma estava assustada, mas a polícia não era uma opção, não mais.
— Tudo bem, Bruce. Vou resolver isso, ok? Obrigada por tudo. — Ela ouviu ele suspirar um “de nada” antes de desligar.
— E aí? — Sam questionou quando ela se virou para ele, devolvendo o celular à bolsa.
— Bruce disse que Visão saiu de Wakanda, provavelmente alguém o encontrou por lá. — O olhar dela caiu para suas mãos, unhas nervosamente raspando umas nas outras. — Disse para ir à polícia, mas não vai adiantar.
Sam bufou.
— Nunca adianta.
Embora a palavra “nunca” fosse exagerada, neste contexto ela estava correta.
— Sam. — Wanda o chamou, levantando o olhar para o amigo. Haviam tantos ferimentos em seu rosto, um olho estava minúsculo de tão inchado, o outro tinha um corte bem em cima da pálpebra, o lábio estava roxo e cortado, bochechas esfoladas... Sua aparência a fazia lembrar de si mesma em uma época distante, porém muito vívida em sua mente. — Quando você sair do hospital, tire umas férias longe daqui, por favor.
Ele deu uma risada, mas não era de graça ou diversão, e logo ficou sério outra vez.
— Pode deixar. Mas você também tem que prometer que vai encontrar um lugar seguro.
— Não se preocupe, só fique longe dessa confusão. Eu me meti nisso, eu saio disso.
Ele segurou em sua mão, uma forma de evitar um abraço potencialmente doloroso e ao mesmo tempo de demonstrar apoio. Despediram-se, não antes de Wanda lembrá-lo de que ele era “apenas um segurança, não um justiceiro”, desculpando-se pelos problemas causados e desejando melhoras, saindo porta afora em seguida.
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