Hollywood
1 Capítulo 1
Minha historia começa como muitas outras, eu não era ninguém. Uma adolescente que mora com os pais, estuda e tem amigos, perspectiva de vida? Ser professora de português, ter dois filhos, e me casar com meu melhor amigo, Robert. Só que algo inacreditável aconteceu, depois que um vídeo vazou na internet onde eu cantava Halo da Beyoncé. Não foi proposital, tudo começou com uma brincadeira e no final, estava com 5 bilhões de acesso, e um homem negro de terno alinhado na porta de casa.
Meus pais quase tiveram um infarto, e eu? Bom, não sabia se sentia medo ou alegria. Olhava para meus pais com cara de poucos amigos e sabia que aquele vídeo não podia ter caído na internet, mas no fundo, sem demonstrar meu coração saltitava como louco, era meu sonho. Eu queria viver da musica, queria emocionar as pessoas com minha voz, mas isso não parecia estar nos planos de meus pais, que passaram uma semana cochichando e me deixando por fora de qualquer coisa.—Você aceito, certo? — Anelise saltitava de alegria. —Sou menor, não importa o que quero. — Aperto os livros contra meu peito. — No final quem decide são meus pais. —Eles são legais, todo mundo diz isso. — Ela sorri. — Terei uma amiga famosa! —Eles odiaram a ideia Ane. — Paro em frente ao meu armário. — Eles me deixarem ir em festas é uma coisa, agora, viajar e cantar fora do país, jamais. —Já conversou com eles?. —Mal nos falamos a semana toda. — Coloco o código e abro. — E nem preciso, já sei a resposta. Anelise me abraça e tento segurar minhas lagrimas, me sinto frustrada, cansada e magoada. Nunca esperei ter uma oportunidade dessa, já tinha me conformado em cantar de baixo do chuveiro, nem me doía mais. Ate esse cara aparecer e me despejar essa oportunidade, por que agora? Ele não poderia ter esperado alguns messes, eu faria aniversario e enfim seria adulta. —Sinto muito amiga. — Ela sussurra. —Tudo bem, tanto faz mesmo. Robert que passa pelo corredor ao nos ver sorri, mas não um sorriso qualquer e sim daqueles de tirar o folego, de te fazer suspirar. Ele e eu nos conhecemos a quatro anos atrás, quando sua família se mudou para o apartamento ao lado do meu. Sendo assim como sindica e presidente do comitê de boa vizinhança, minha mãe dedicou um jantar para a nova família. No começo Robert se parecia quieto e distante, mas logo que fomos deixados sozinhos, descobrimos que tínhamos muita coisa em comum, e dai nasceu uma grande amizade. Se bem que o que temos nesse momento já se passou de amizade, faz quatro meses que estamos saindo, que estamos deixando os rótulos de amizade de lado. O que me tem deixado bem confusa em alguns dias, não sei se somos namorados ou amigos que se pegam de vez enquanto (Sempre). Nosso "Relacionamento" não é mistério para ninguém, na verdade as pessoas já haviam descoberto que rolava algo a mais antes mesmo de nós dois notarmos. —Olá meninas. — Ele beija a bochecha de Ane e me da um pequeno selinho. — Como estão? —Bem. — Ane coça a cabeça. —Bem. — Respondo por fim. Robert me olha desconfiado e depois para Ane, sua sobrancelha esquerda se ergue. —O que aconteceu?. — Pergunta. —Nada. Volto a mexer em meu armário, Ane me encara como se dizendo "Conte para ele.'' Não gosto de falar sobre mim, mesmo para meus amigos, conto o necessário o resto guardo tudo para mim. Nesse caso não que seja um segredo que quero guardar, mas me lembrar ainda me incomoda, e não falar poderia me ajudar a imaginar de que nada mudou. Olhando para Robert, sei que tenho que contar, ele é meu melhor amigo e um quase namorado. Não posso começar uma relação escondendo coisas dele, mesmo que seja sem importância, então derrotada suspiro. —Um empresário foi me procurar, com uma proposta. —O que?- Sua boca se transforma em ''ó'' e logo em um sorriso.- Isso é demais!- Seus braços enlaçam minha cintura me tirando do chão. —Robert. — Detento escapar. —Isso é incrível Megan! É o seu sonho se realizando. — Quando estou no chão ele beija minha testa. — Estou muito feliz por você. —Obrigada. — Olho para o chão. — Não é necessário. —O que?- Ele esta confuso. —Os pais dela não permitiram. — Ane passa a mão em meu braço. — Mas esse não é o fim, certo. —Não. Robert que agora parece nem ter estado feliz a segundos atrás, me abraça forte. E foi o que precisava para minhas lagrimas rolarem. —Tudo bem. — Digo ao me afastar de seus braços. -Tudo vai ficar bem. Saio sem nem olhar para trás preciso pensar, não quero chorar e quanto mais perguntas fizerem, não conseguirei segurar. Vou para minha primeira aula do dia, como sempre faço, sem nada mudar.
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