No final da tarde encontro Ane e Robert no parque algumas quadras de casa. Meu humor já havia melhorado um pouco e eu não sentia mais a vontade de chorar. Sentamos em um quiosque com nossas agua de coco. Fazia um tempo que não saiamos os três juntos, depois que o lance entre Robert e eu surgiu, Ane evitava ficar muito tempo conosco alegando que " Não queria ficar de vela''. Hoje em especial ela decidiu que ficaria conosco ate anoitecer.

—Esta melhor?-Robert segura minha mão.

—Sim. — Sorrio. — Eu exagerei, não é tão importante assim.

—Não é o que penso. — Ane retruca.

Levantamos da mesa, Robert enlaça suas mãos na minha e seguimos pelo meio do parque onde espécies de pássaros voam soltos.

—Adoro esse lugar.

Isso é a maior verdade que eu já disse, amava aquele lugar, me remetia paz e tranquilidade. Eu me esquecia da vida quando estava lá.

—Eu também. — Ane sorri.

Quando o sol já estava baixo, Robert me trouxe para casa e ficou comigo estudando. A casa estava vazia, papai e mamãe não estavam, o que era uma novidade. A casa nunca ficava vazia, nunca mesmo. Sentados cada um em um quanto do quarto olho para o loiro todo folgado em minha cama, usando um óculos de grau e lendo o livro de matemática.

—Você fica tão sexy concentrado assim. — Sorrio e mordo o lápis. — Mas não podemos parar com os estudos?

Ele me olha de forma sapeca e deixa os livros de lado, vindo em minha direção. Estendo a mão para ele que me puxa , quando levanto agarra minha cintura.

—Temos uma prova amanha, se lembra? — Ele morde meu lábio.

—Sim, me lembro.- Sorrio quando ele acaricia meu rosto. — Mas também lembro que passamos o dia só no selinho.

—Serio?-Ele sorri e concordo com a cabeça. — Temos que ajeitar isso.

Seus lábios cobrem o meu, minha mão vai para sua nuca. Como eu adorava beija-lo, era tão doce e especial, ele me tratava com tanta paixão, segurava me como se eu fosse tão delicada, mas de maneira que me fizesse sentir protegida. Infelizmente o beijo não durou muito, pois logo escutamos um pigarrear e na porta estava meu pai.

—Precisamos falar com você filha. — Papai olha feio para Robert.

Ele amava Robert quando éramos apenas amigos, mas depois que começamos a sair, algo mudou e eles quando estavam um perto do outro pareciam pisar em ovos.

—Já esta tarde, é melhor eu ir.

Robert recolhe seu material, enquanto meu pai só observa nos dois. Quando convencido de que pegou tudo, Robert e eu descemos de mão dadas ate a sala. Ate que eu avisto o mesmo homem moreno de terno sentado no sofá com uma xicara na mão.

—O que esta acontecendo?

Olho de mamãe para papai, eles sorriem, por que? Robert me olha confuso, sei que ele quer ir para casa, mas não me deixaria sair sozinha. Aperto suas mãos na minha tentando manter meu equilíbrio, já que minhas pernas parecem gelatina.

—Este é Felipe, um empresário... — Mamãe tenta explicar.

—Eu sei quem ele é. — Estou chocada. — Ele esteve aqui a semana passada, lembram?

—Sim. — Papai sorri.

Richard estende a mão para o rapaz que levanto e aperto, os dois dizendo seus nomes, muito empolgados, por que?

—Sou namorado de Megan.

Richard enlaça minha cintura com o braço, papai fica vermelho e pigarra. Namorado? O que? Quando foi que decidimos isso.

—Que sorte você tem. — O homem sorri.- Tem uma namorada talentosa.

—Eu sei.

Olho para os dois petrificada, sem saber o que falar ou como reagir. Minha mãe me pega pela mão e me leva ate o sofá, sento-me e volto a olhar para o homem.

—Bom, sabemos que cantar é seu sonho. — Ela fala. — Não era o que queríamos para você, quer dizer. Não antes que terminasse a escola.

—Sim.- Concorda meu pai. — Mas já que aconteceu, não a impediremos.

Richard senta do meu lado boquiaberto, e segura minha mão livre.

—Mas temos regras. — Mamãe explica.- Não sabemos o dia de amanha, esse homem tem uma proposta. — Ela aponta para o Felipe. — Mas isso não significa que você será famosa.

—Será sim. — Felipe corrige.

—Não na minha casa. — Mamãe diz brava. — Enfim, pode ser uma carreira duradoura ou não, musicas vem e vão. Decidimos deixa-la livre para escolher, desde que a escola e as notas se mantenham firmes.

Olho para o meu ''Namorado'' que sorri, fazendo uma covinha aparecer em seu rosto. Mesmo ouvindo me sinto perdida, como se estivesse dormindo, tudo parece turvo e surreal.

—Estou com o contrato aqui. — Felipe tira papeis de sua pasta preta que só nesse momento noto. — Você só precisa dizer sim, e assinar.

—Mae? Pai?

Os dois me olham sorrindo, sei o quando do orgulho eles estão deixando de lado para fazer isso. Sei que acima de tudo eles só queriam que eu terminasse a escola e entrasse em um vestibular.

—Nós já assinamos a nossa parte. — Mamãe sorri. — Caminho aberto para você, agora decida-se. Vamos te ajudar no que for preciso.

Felipe me estende uma caneta, de ouro? Engulo em seco e respiro fundo, olho para Richard que diz um "Assina'' silencioso e sorri, meu pai olha intensamente para a caneta e mamãe para mim. Tremendo seguro a caneta e em seguida o contrato, olho para ele, e fico conta com a quantidade de paginas.

Fecho meus olhos, e assino a primeira, a segunda, terceira e diversas outras paginas. Quando assino a ultima e entrego para Felipe, Richard levanta sorrindo, me puxa e enlaça minha cintura. Meu pai sussurra um ''foi'' e mamãe sorri, mesmo que sem nenhuma felicidade. Beijo meu namorado, colocando a mão para que ninguém veja.

—Parabéns Filha. — Diz mamãe ao se levantar.

Felipe agora de pé me olha e estende sua mão, para mostrar que o contrato havido sido selado, me afasto de Richard e faço o mesmo e apertando a mão a mim oferecida, mas algo estranho aconteceu dentro de mim. Senti que tinha acabado de vender minha alma.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.