Holly
8 Venha, menina.
Notas iniciais
~8~
Minha querida, fique comigo, seja minha, pertença-me! Não quero seu mal, veja, é especial demais para este mundo. Seja minha.... Faça a escolha certa.
Suava frio e acordei assustada. O rádio ainda ligado, os cadernos em cima de mim, estava exausta mas não queria dormir. Chorei agoniada. Quando teria fim?
—Ah! — gritei de raiva e de medo, suplicando paz. Um frio percorreu meu corpo, eu vazio se instalou em mim. Pra quê viver assim? Seria tão fácil... eu só...
Não! Eu levantei bamba da cama sem saber o que fazer ao certo. E sua voz passou como alívio em minha cabeça.
—Venha até mim, eu nunca a abandonarei, serei seu anjo da guarda. — sorri me sentindo purificada e sai, sai correndo sem me importar se alguém acordaria. A noite estava fria, mas isso me fortaleceu mais. Eu iria até meu anjo da guarda.
Corria deixando cair lagrimas de esperança, corria para a minha liberdade. O vento soprava forte e até violentamente em protesto a meu caminho, eu ignorei, até ri gostosamente.
—Não vai me impedir! — gritei e continuei a correr. Adentrei onde tinha mais árvores e vi a fumaça de uma lareira acesa. Lá estava sua casa, confortável e feliz. Chorava desesperadamente querendo vê-lo, obriguei os meus pés a correrem mais que minha coordenação suportava. Bati a porta desesperadamente, sem parar, sem ser educada, sem respeitar o horario de recolher.
Ouvi vozes se aproximando e logo quando vi o sr. Fitz o abracei com força.
—Holly, querida... — sem ele perguntar ou brigar comigo, me fez entrar e ir até a cozinha, eu não continha as lagrimas. — Espere um segundo. — ele foi até a geladeira e pegou um pouco de água para mim. — Tom! — ele gritou para o andar de cima e logo ele desceu correndo, com os olhos vermelhos de chorar e com o corpo quente, só deu tempo de olhar e ele correu a meu amparo.
Seus braços me acalmaram, sua voz suave me deu tranquilidade e aos poucos parei de chorar.
—Desculpe aparecer assim. -disse. — eu não estava aguentado, eu estava com medo, me senti sozinha, eu...
—Tudo bem. Não precisa explicar querida. — disse senhor Fitz. — Filho, pode trazer um colchão, Holly, pode dormir no meu quarto.
—Não, pai. — Tom o olhou. — Eu durmo aqui em baixo, deixa ela dormir no meu, vai se sentir melhor lá. — senhor Fitz o encarou e sorriu de uma forma estranha.
—Você consegue, Tomas? — perguntou seu pai esperançoso. Eu o olhei e ele sorriu para mim.
—Claro. — foi apenas o que disse.
Tom me levou pessoalmente a seu quarto.
—Quer tomar um banho? Você fez uma boa corrida. — apenas fiz que sim com a cabeça. Ele pegou uma toalha para mim e me indicou a porta do banheiro de seu quarto. Eu entrei e tomei uma ducha bem quente para relaxar os musculos, nem se eu tentasse sentir medo, eu não conseguia. — Holly? — ele me chamou do outro lado da porta.
—Oi?
—Eu deixei uma roupa limpa minha, pode usar, se quiser. Eu vou esperar fora do quarto para poder se trocar.
—Obrigada.
Sai do banheiro e o quarto estava vazio. Vi a roupa bem disposta em cima da cama. Uma blusa preta escrito em branco “Tudo é como uma casca de noz” eu não entendi, mas sabia que era algo científico. Abri a porta e lá estava ele, sentado em frente a porta, para qualquer problema correr e me socorrer. Ele sorriu ao me ver com sua camisa.
—Fiz um chá para você, é receita antiga, eu tomo quando não consigo dormir.
—Pode ficar comigo até eu dormir? — pedi segurando sua mão.
—Seria uma honra. — eu o puxei para cama. Ele me fez deitar em seu colo e eu fiquei olhando seu rosto e ele fazia o mesmo enquanto mexia no meu cabelo.
—Acredita que eu estava a sua espera? — disse ele. O encarei sem entender. — É estranho, mas eu sinto quando não está bem, e isso aconteceu. Eu senti um aperto no peito uma vontade de matar quem está te machucando, eu implorei que estivesse bem, para que viesse até mim, eu ia atrás de você, mas eu não consegui, parecia que algo não deixava! — ele disse. Eu me encolhi mais perto dele.
—Obrigada. — disse por fim. — Tom, você nunca conseguiu dormir fora do seu quarto. — comentei. Ele riu gostosamente.
—Não, nem eu sei o que me deu. Mas você esta aqui, na minha cama, tranquila e segura e só isso é mais que motivo para eu ficar tranquilo e dormir até no inferno.
—Que horror. — não deixei de sorrir.
—E seus tios...?
—Não sei, e nem quero pensar neles agora!
—Não pense, só durma. Eu vou estar aqui para qualquer coisa.
Ele acariciava meus cabelos e cantarolava baixinho e enfim eu me desarmei. Estava exusta, estava segura, estava bem,
Eu dormi feito um anjo.
Continua...
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