Holly
1 Prólogo
Notas iniciais
Segundo, esse primeiro capítulo não é narrado pela personagem principal, é por uma pessoa mais que especial que um dia todos nós iremos conhecê-la hehe
terceiro, se vc leu até aqui, obrigada de novo :D
BOA LEITURA!
Poucos acreditam no misterioso, no que a ciência humana não pode provar. Materialistas, ou os de pouca fé.
Os observo de perto, e vejo ate onde os seus ceticismos podem chegar.
Não que eu seja maligna, sou uma boa amiga, acreditem. Mas para alguns sou algo que eles temem.
Ora! Porque me veem como um ser tão cruel? Nunca me conheceram, não sabe os mistérios por trás de mim, nem meus motivos.
Seres ignorantes e insensíveis.
Mas o que lhes vim contar não é os meus lamentos. Vejam, eu sou sozinha, preciso desabafar-me, por isso não me julgues dramática de mais.
Há alguns dias atrás, eu passeava pelas ruas Britânicas, uma caminhada longa e prazerosa, adoro a brisa sombriamente gélida nas ruas desertas pela negridão. Eram raros esses intervalos que tinha entre minhas obrigações. Como disse; raras. Logo o dever me chamou.
Já acostumara com os gritos, os choros, os desmaios. Humanos, francamente, não percebem que isso não modifica nada? Mas o meu instinto antecipou-me desta vez. Não havia morrido ninguém, mas sabia quem seria. Na rua algumas crianças chegavam da escola e iam direto para suas casas, e bem nessa rua, duas pessoas andavam abraçadas. Um homem extremamente alto de cabelos negros de pele alva segurava nas mãos de uma menina de cabelos igualmente negros com a fisionomia semelhante a sua.
Tão jovem e tão inocente do que acontecerá... Tão linda. Aproximei-me dos dois para ouvi suas conversas.
-Que tal pizza?
-Ah, de novo papai? – a voz da menina era aveludada e tranquila que lhes dá felicidade só de ouvi-la. Mas é claro que eu não sentia felicidade.
-Ok meu anjo. Hm... Podemos pedir comida chinesa! O que acha?
-Agora sim! – Ela disse dando um beijo em seu ombro, pois era muito menor que ele para alcançar-lhes as bochechas.
Meu fascínio fez-me aproximar mais deles, fiquei ao lado da menina sentindo seu aroma doce e delicado, usufruindo do calor que, em seu corpo percorria, espalhando-se pelos arredores, será uma bela mulher, pensei comigo mesma. De repente ela parou e estremeceu, olhou fixamente para onde eu estava espremendo os olhos com certa desconfiança. Despertei-me de sua hipnose e saí de pressa de seu lado.
-Esta tudo bem querida? –perguntou seu pai.
-Acho que sim, parecia que tinha alguém do meu lado.
-Deve ser seu anjo da guarda. –comentou seu pai inocentemente.
-Tenho certeza de que um anjo da guarda não sugaria minha felicidade. –ela disse baixinho.
Oh! Como sou estúpida! Deixei-me levar por um ser humano, aproximando-me como se fosse um frágil inseto atraído pela luz.
Voltei-me ao foco inicial.
E tudo acontecera muito rápido, menos aos meus olhos, é claro. Numa briga de gângsteres próximo dali acabou se atirando de uma arma qualquer uma bala em direção oposta e atingindo a testa perto da orelha do homem alto que acompanhava a menina depois de buscá-la do colégio.
O homem morrera na hora.
E a menina permaneceu ali, sem reação. Aos poucos as ruas começaram a encher e tumultuar-se. Os bombeiros chegaram depositando o corpo do homem morto numa maca o levando para uma ambulância. Fui ate o corpo do homem e o abracei com leveza e doçura e antes de partir, dei-me uma ultima olhada a menina que sentada ao meio fio da calçada sem expressão respirava.
Agora talvez você me pergunte “o que acontecera?”. Acredite, nem eu sei.
O estranho não foi eu dizer desses detalhes sem nexos a vocês, e sim, o fato de eu me sentir prendida a tal menina. Uma jovem, nem em completa adulta formara-se ainda.
O que estava havendo?
E desde esse dia atrás, ela ficou presa em meu subconsciente, se é que tenho um.
E hoje, agora. Algo mais raro ainda aconteceu. Eu ter outra pausa entre minhas obrigações. Sim, isso era raro, aconteciam entre cem a trezentos anos, não entre dois a três dias.
Os seres humanos estão prolongando suas vidas, idiotas medíocres.
Porque resmungo do descanso? Ora! Sou um ser curioso como qualquer outro, com tempo sobrando a mim, visitava antecipadamente pessoas prestes a partirem, para testar suas forçar de vontades. E tenho que vos dizer que raros eram os seres de muita força e fé imaculada para sobreviverem à mim. Não posso me dar ao luxo de ficar à toa para isso não acontecer frequentemente.
Como vos disse, sou curiosa. Então, tornei a voltar às ruas britânicas, naquela rua em especial. O homem cujo carreguei nos braços aquela noite fora Sebastian Schneider, um pai de família responsável e amável para com seus entes. Trabalhava como carpinteiro por conta própria, enfim, era um bom homem. Honesto, digno, um homem de caráter real. Sim, isso ainda me impressionava.
Sebastian vive sozinho com a filha, já que há poucos meses sua esposa Julia falecera com um tumor no cérebro. Foi agradável carrega-la nos braços.
O pobre homem fora morto a tiro em frente a sua casa, e quem presenciou o ocorrido?
Sua filha Holly Schneider, de 15 anos.
Não sei se foi exatamente por isso que me prendi a ela, e é por isso que estou voltando ao lugar.
Não, eu não perco meu tempo visitando pessoas cujo não tenho interesse em ceifa-las. Porém isso nunca acontecera. Perceba a frase em negrito, nunca. E eu existo antes de qualquer homem existir.
Na rua estavam-se poucas pessoas, era meio da noite já. O frio era tamanho para um frágil humano àquela hora. Mas a luz do quarto de uma casa permanecia acesa, fui ate ela e vi a diferente e doce Holly rezando. A menina estava de joelhos perante a cama segurando um terço entre as mãos e pedia algo com fervor.
Não sei o que foi o que a jovem pediu, eu não gosto de ouvir preces.
Holly deixou escorrer uma pequena e fina lagrima sob seu belo e angelical rosto. Como era agonizante tal cena.
Mas, o que seria agonia?
Então a menina Holly se levantou, limpando a lágrima e ergueu a cabeça pegando uma pequena malinha e saindo do quarto.
Era óbvio que com o pai morto, a menina teria de ir embora. Não havia mais ninguém para ampará-la.
Holly entrou num carro de polícia que a aguardava rente ao meio fio. Saindo do meu campo de vista.
Se eu tinha vontade de segui-la, eu tinha. Mas não posso me dar esse luxo.
Continua...
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