Holly
5 P. Hermani
Notas iniciais
~5~
No domingo seguinte eu acordei exausta mentalmente! Eu decidi não ver Tomas, não queria mentir para ele até porque ele me salvou! Mas não queria dizer que eu queria me matar sem eu querer, eu que iria tomar remedios! Então passei o dia no quarto tirando, finalmente, fotos da família e colando pelo quarto e ouvindo músicas, o que foi muito bom. Hoje, era segunda e mais uma vez eu fazia minha rotina de acordar cedo mais que o normal e ir andando lentamente até a escola. Segundas eram as minhas aulas favoritas, transcorreram como sempre até a ultima aula que seria história com o senhor Basanourf.
–Quero que façam um trabalho que terá peso vinte no boletim de vocês! — disse ele andando de um lado a outro e depois sorriu para nós. — Não se preocupe, será um tema bem legal! Quero que pesquizem sobre um período histórico, do agrado de vocês. E falem sobre ele da forma que desejar! Escolham as duplas!
Meu coração palpitou. Quantos alunos há na sala? Que seja ímpar, que seja ímpas! Isso! Deve ser ímpar, aí eu fico sozinha!
–Todos com seus pares? — disse o professor. — ótimo! — respirei aliviada.
–Professor! A aluna nova ficou sem dupla! Se ela quiser fazer com a gente... — um garoto loiro e um de cachos olhou sorrindo para mim.
–Ah, acho que não vai precisar! — o professor olhava para o fundo da sala e apontou para algo. Por favor, que seja ímpar... — Senhor Hermani, por favor, pode se juntar a Holly? — eu me virei devagar e vi alguém que nunca tinha reparado.
O sinal tocou e ele levantou tão rápido que me apressei para alcançá-lo.
–Hey! Espera! — disse o seguindo pelo corredor. — Espera! — disse segurando seu braço. Ele me olhou e sorriu de forma medonha.
–O que você quer meu docinho? — disse ele vestindo uma jaqueta preta.
–Não me chame assim, temos que resolver nosso trabalho! — disse o olhando com raiva.
–Olha, eu não vou fazer isso. Se quiser fazer, fique à vontade! — ele se soltou do meu braço e voltou a andar. Senti minha raiva aumentar continuei atras dele e o segurei novamente.
–Escute aqui, se está achando que vai ganhar nota às minhas custas e está enganado! Ou você se interessa ou eu digo ao professor que quero fazer sozinha! — disse alto de mais. Vi algumas pessoas nos olhando e tentei ignorar.
Ele ficou ali, me olhando enquanto mascava chiclete. Depois de um tempo arrancou um pedaço de papel do mural e escreveu lá alguma coisa.
–Okay, docinho, eu faço isso! Mas com uma condição! — ele disse me olhando, sustentei seu olhar. — vai ser na minha casa. — ele entreogu o papel e lá tinha um endereço.
–Tudo bem! Então eu te encontro as três. — disse indo embora.
–O que? — gritou Tom.
–O que tem?
–Você o conhece?!
–Não! E você?
–Patrick Hermani?! Ele não é um cara muito legal! — disse Tom bufando.
–Ta, mas temos que fazer isso.
–Não! Eu te ajudo! Eu faço isso rapidinho para você! — disse ele com esperança nos olhos.
–Você não entende, né? Não é questão disso! Se eu amarelar, não vão me respeitar! Se eu apresentar sozinha ele vai rir de mim e se ninguém o domar ele sempre vai ser assim. Eu vou fazer essa droga! — disse pegando minha mochila. — Tenho que ir, depois eu te conto!
Caminhei e descobri que sua casa era no centro da cidade. Em uma rua bem estreitinha eu vi o numero indicado no papel de uma casa de dois andares bem simples. Bati na porta e esperei, logo ele apareceu. Sem aquelas roupas de couro e óculos escuros, ele parecia outra pessoa. Não parecia tão intimidador agora.
–Oi. — disse. Ele sorriu, olhou para dentro da casa conferindo e depois me deu passagem para entrar. Era uma casa bem apertada e simples, muito humilde. Ele me acompanhou até o sofá, onde eu coloquei as coisas em cima da mesinha de centro.
–Quer algo, docinho? — disse ele.
–Não e pare de me chamar de docinho. — disse tentando manter a calma.
–Ta bom! — disse ele levantando as mãos se rendendo e se jogando no sofá ao lado.
–Ta, então vamos começar! Eu andei pensando em falarmos sobre os faraós e...
–Chato... — disse ele olhando entediado um lápis.
–Tudo bem, então... que tal falarmos sobre a segunda guerra mund...
–Previsível...
–Ah! — bufei. — Então me fale sua ideia, bonzão! — disse cruzando os braços.
–É claro! — ele começou a caçar algo em sua mochila mas comecei a ouvir alguém o chamando no andar de cima. Uma voz fraca e cheia de dor. Ele arregalou os olhos e deixou a mochila tombar.
–Desculpe... é... Holly! Eu lembrei que tenho outras coisas a fazer, então... — ele pegou minha mochila e começou a me empurrar porta fora. — depois nos vemos! — e fechou a porta.
O que tinha rolado?
Eu não sabia se batia na porta de novo, mas eu acabei ficando um pouco irritada, dei as costas e fui embora! Fui direto para casa, se eu contasse para Tomas ele iria dizer “eu te avisei” e eu não to afim. Não tive saco para fazer mais nada além de ficar pensando naquele garoto. Idiota!
Quando meus tios chegaram, fui fazer o jantar e logo fui dormir. Fiquei agitando meus pés a noite inteira até ouvir alguém me chamar baixinho pela janela. Vi que era Tomas e me assustei. O que ele está fazendo aqui? Ele morre de medo do escuro!
–Tom! O que você tá fazendo aqui? — disse.
–Eu queria te ver. — ele respondeu sem graça.
–Espera! Vai lá pra frente! — fechei a janela e desci as escadas fazendo o máximo de silencio. Abri a porta e lá estava ele. O puxei para dentro onde o levei para o meu quarto.
–Você tá louco? — disse assim que fechei o alçapão.
–Eu estava agoniado! Queria saber sobre você. Imaginei coisas horríveis e também me senti mal por ter sido um pouco grosso com você! — disse ele coçando o braço.
–Tudo bem. E não se preocupe, nem me demorei na casa do Patrick. — disse bufando e me jogando na cama. Ele se sentou na borda com certo receio esperando por mais detalhes.
–O que rolou? — ele insistiu agoniado.
–Nada! Quando finalmente ele decidiu parar de brincar e fazer o trabalho algo aconteceu e ele me expulsou de lá!
–Como assim, algo aconteceu?
–Sei lá! Parecia que tinha alguém lá e o chamou. — dei de ombros, Tom ficou pensando um pouco oe depois deu de ombros.
–Eu falei, um pleno idiota! — e ficamos em silencio.
–Tom... — disse depois de minutos em silencio.
–Oi?
–Você mudou.
–Isso é uma pergunta? — ele riu um pouco incomodado ou sem graça.
–Não, um fato. — disse. Reparei em suas roupas, antes, tão certinhas e gomadas e hoje, roupas de um garoto de 16 anos normal. — Tom, você realmente mudou. — disse feliz. — você está no meu quarto, em plena madrugada, sem seu pai e meus tios saberem. Quer prova maior?! — disse o encarando, a luz da janela refletia seu olhar pensativo e distante e por fim, ele abriu um sorriso doce.
–Acho que sim, não me dei conta. Eu só... penso em você. — ele me olhou e seus olhos castanhos brilhavam de uma forma formidável.
–Me explica isso. — cruzei as pernas e me sentei ao seu lado, ele estremeceu um pouco desconfortável, mas permaneceu imóvel.
–Tipo isso, eu sei que no fundo eu deveria me afastar, mas... não o faço porque é você. Meu corpo aceita você de uma forma fácil. Antes de vir, eu fiquei horas criando forças para vir aqui e me assegurar se estava tudo bem, mas comecei a pensar que talvez ele tivesse feito coisas com você e só de pensar em você ferida isso fervilhou meu corpo, quando vi eu já estava aqui. É estranho, acontece sem eu saber. — ele riu como se tudo fosse uma piada e depois me olhou. — Obrigado, Holly!
Continua...
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