Holly

6 Uma noite estranha


Notas iniciais
Boa Leitura! Comentem o que estão achando da história! :)

~6~





Acordei e vi que havíamos dormido sem percebe. Ele dormiu sentado encostado na cabiceira e eu dormi com a cabeça em suas pernas. Sorri ao ver ele tão sereno, tão inocente e meigo, ele não podia existir. Sacudi ele devagar e quando ele abriu os olhos meio desnorteado eu beijei sua bochecha o que o fez despertar.

–Bom dia. — disse me levantando. Ele se levantou num pulo.

–Meu Deus! São que horas?

–Relaxa. — disse rindo. — São cinco da manhã ainda!

–Ah, esqueci que acorda cedo. — ele riu coçando o olho e depois ficou me olhando. — Nunca tinha te visto assim, de pijama. — ele mordeu os lábios e coçou a cabeça. — tá bonita.

–Ai menino! — o empurrei e depois fui ao guarda roupa pegar uma roupa limpa. — Eu vou tomar um banho rápido e pegar algo para comermos, então... fique aqui que eu já volto!

Desci com cuidado e vi que meus tios ainda dormiam pelo ronco do tio Richard então entrei no banheiro e joguei uma água no corpo, depois desci e peguei algumas fatias de bolo e suco e subi com cuidado.

–Você é fofo dormindo. — comentei enquanto comíamos. Ele engasgou e ficou me encarando.

–Fofo? — ele riu sem graça.

–Sim, fofo. Bom, é melhor irmos antes que meus tios acordem! — eu levantei e desci primeiro para ter certeza de que estavam dormindo. Depois Tom desceu devagar, fomos para o térreo e saímos. O céu ainda estava escuro e bem frio, coloquei meu casaco e andamos pela rua.

–Sua casa é para lá. — disse quando passamos pela rua que ele devia entrar.

–Eu te levo. — ele colocou as mãos nos bolsos da calça e sorriu de forma gentil.

–Obrigada, as vezes é bom uma companhia.

–Ah, Holly! — ele me parou quando já estávamos nos aproximando. — evita o Patrick, ele não é bom para você. — ele disse e sorri da sua forma preocupada.

–Pode deixar! — disse entrando.

As aulas transcorreram normalmente, sempre fui boa aluna, e ajuda não tendo distrações e muito tempo livre para estudar, não sou do tipo 9 e 10, posso me chamar de 7 e 8. Pela primeira vez vi Patrick Hermani entrar, como eu não reparei nele há meses? É uma figura destacante. Ele sentou na útima cadeira no canto como de costume, eu não estava com raiva dele, mas estava muito irritada de ele ter me espulsado de lá, não foi ele quem fez o show todo para ir em sua casa?!

No final da aula eu iria para a biblioteca, eu ia seguir o conselho de Tom.

–Holly! — alguém me chamou e lá estava ele, correndo contra a multidão que estranhou essa atitude vindo de Patrick Hermani. Ignorei e continuei andando, mas ele conseguiu me alcançar. — Holly, para! Eu quero falar...

–Não quero saber! Você me fez ir atrás de você, me fez ir até sua casa, me fez aguentar suas reclamações e depois me chuta pra fora? Ah, não! — me virei, mas ele me segurou pelo braço.

–Eu sei, desculpa. — ele disse e em seus olhos não tinha arrogância e nem aquele tom severo que ele costuma ter. — só que, eu não posso te explicar aqui, agora, mas por favor, me dê uma chance! Eu já pensei num projeto perfeito, sei que vai gostar! — ele sorriu e colocou a mão no meu ombro. Umas meninas da nossa sala que pintam de mais o cabelo de loiro ficou nos olhando como se tivesse medo dele me bater, então tirei a mão dele do meu ombro.

–Escuta, Patrick, eu não ouvi coisas boas à seu respeito, mesmo assim tentei, sabe? Você não tinha crédito algum, agora então...

–Holly, eu sei! — ele segurou minha mão, mas viu que as garotas soltaram uma exclamação de horror e pessoas demais estavam parando para ver o valentão, então soltou minha mão e me puxou para fora da escola. — eu estou na negativa com você, mas só peço mais uma chance!

–Porque isso agora? Você nem queria isso e agora...

–Porque você é diferente. — olhei em seus olhos e vi sinceridade ali, suspirei e sorri.

–Ta bom. Vamos fazer isso! Eu vou que horas?

–Vamos agora! — ele me puxou pelo braço rindo feito bobo, ele não parecia tão ameaçador agora.

–Ah, não! Não, não! — disse quando ele parou diante de uma moto.

–O que? Tem medo? — ele riu e tirou de dentro do banco um capacete extra. — Vem, docinho, não vou te deixar cair. — ele subiu na moto, vestiu o capacete e me encarou. Contrariada também coloquei o meu e montei atrás dele. — é melhor se segurar firme. — ele alertou, então prendi bem meus braços em sua cintura e ele acelerou.

Tentei não mostrar pânico, mas em vão porque ele estava rindo. Eu tentava não gritar encondendo minha cabeça em suas costas, o vento forte batendo contra nós... Isso era assustador! Vi passar mais casas e lojas e sabia que estávamos, graças aos céus, chegando.

–Relaxa, docinho. Chegamos, e você está sã e salva. — ele parou em frente a sua casa e colocou a moto num tipo mini estacionamento ou casinha de cachorro do lado da casa e fechou o portãozinho.

–Nunca mais ando de moto. — disse ainda meio assustada. Ele riu deixando eu passar na frente.

A casa não estava tão arrumada quanto ontem, mas ainda sim, esta quieta e simples como da última vez.

–Desculpe a bagunça, eu que arrumo a casa. — ele disse sem jeito olhando pela sala. Como assim, ele que arruma?

–Patrick, cadê seus pais? — perguntei. Ele me olhou no fundo dos olhos, seu rosto mudara, não estava frio e nem feliz, só estava carregado de dor e aceitação.

–Bem... eles... esquece! Vem, vamos começar! — ele esfregou as mãos e foi estranho ver sua animação.

–Tudo bem, agora me diga, qual o seu grande plano?

–Dona Zarina! — ele disse sorrindo.

–O que?

–Dona Zarina. Eu pensei em fazer uma coisa que envolvesse a atualidade com consequencias históricas.

–E quem é dona Zarina?

–É uma senhora aqui da rua, ela veio da áfrica. Eu nunca conversei com ela, mas sei de que possui histórias muito fortes. Podíamos entrevistá-la e com base nisso fazermos nossa pesquisa!

–Olha, isso é íncrível!

–Que bom que gostou! Tem um livro na biblioteca aqui do lado que fala só sobre a áfrica, seria bom! Você espera aqui enquanto eu vou lá? — ele disse já se levantando.

–Claro! — disse.

Então ele saiu quase que correndo o que foi engraçado. O que aconteceu em um dia para ele mudar tanto? Abri meus livros e cadernos e comecei a pesquisar em seu computador sobre fatos africanos. Seria um bom trabalho, com certeza!

–Patrick... — o mesmo som de ontem. Uma voz fraca e dolorida o chamar baixinho. Eu fiquei um pouco nervosa, mas a pessoa chamou novamente. Vinha do andar de cima.

Subi devagar e em silencio as escadas e lá tinha dois quartos, o primeiro estava aberto e tinha num leito um senhor de idade. Muitos remédios em sua cabeceira e dentre eles uma siringa. Ele estava franzinho e com manchas de velhice pelo corpo, me olhou um pouco suspeito, mas abriu um sorriso.

–É a namoradinha do Pat? — ele tossiu, mas voltou a sorri. Sem jeito me aproximei.

–Não, senhor. Só estamos fazendo um trabalho. O senhor está bem? É que ele foi à biblioteca rapidinho.

–Ah, saiu. Estranhei uma visita aqui. — ele tentou se levantar, mas ia cair, então fui em seu amparo para auxiliá-lo. — Obrigado, querida.

–Porque? Ele não gosta que saibam do senhor?

–Não, querida, Pat é assim, mas é frágil por dentro. Ele só tenta cuidar de mim.

–Cuidar do senhor?

–Dê uma chance a ele, é um bom garoto que sofreu com a vida. — e então eu entendi.



–Vô? Holly?! — Patrick apareceu no quarto um pouco nervoso.

–Não se preocupe, Pat, é uma boa menina! — ele segurou minha mão e vi o quão frágeis as suas já estavam. — Vão estudar, obrigado pela visita, querida. — e piscou para mim.

Então era isso, limpar a casa sozinho, cuidar de mim, Patrick não tinha os pais e seu avô estava muito velho e doente.

–Patrick... — eu tentei dizer algo quando descemos.

–Desculpe, não era para ter visto. — ele disse, não estava zangado comigo, mas sim consigo e parecia que iria chorar.

–Tem vergonha de seu avô? — disse com a voz mansa.

–Não! Nunca! É o homem que mais me dá orgulho! Eu só não quero...

–Tudo bem, não precisa falar, não precisa explicar! — disse segurando sua mão e sorrindo da forma mais compreensiva que conseguia. — eu não vou te julgar, não vou sentir pena, mas se precisar, estou aqui. — ele deixou escorrer uma lágrima, mas seu rosto logo em seguida enrijeceu e a secou.

–Esqueça isso, vamos começar?

Passamos a tarde lendo fatos que ocorreu há cinco décadas atrás até os dias de hoje, para chegarmos à casa da senhora e saber do que ela está falando. Ligamos para ela e ela ficou contente de nos receber o que foi marcado para daqui à dois dias, depois do colégio. Quando deu cinco horas eu decidi ir para casa.

–Eu te levo! — ele disse pegando o capacete.

–Nem morta volto naquele troço!

–Não é troço! É a lola!

–Ah, tem um nome! — disse rindo guardando meu material.

–Vamos, docinho! Para de drama! — eu sorri.

Com muita força de vontade eu montei na lola e ele deu partida.

–Não precisa me apertar tanto, docinho! — ele riu e então percebi que estava apertando sua cintura de uma forma desnecessária.

–Foi mal! — gritei para ele me ouvir por causa do vento. Não demorou para chegarmos ao gramado dos Watersons.

–Chegamos, docinho!

–Você não vai parar de me chamar assim, né? — disse entregando o capacete.

–Não! — ele sorriu de forma boba.

–Obrigada pela carona, até amanha.

–Até!

Entrei em casa e fui direto para cozinha fazer algo para jantar. Tudo feito eu fui tomar banho e dormi; estava exausta!



Naquela noite coisas ruins aconteceram comigo. Eu vi alguém no sótão, me olhando de forma intensa. Eu não sabia direito quem era, se era alguém, uma assombração, meus pais... Eu acordei sem querer, tudo escuro, os olhos semiabertos, eu os vi, dois olhos me olhar e isso me pertubou. Quis abrir os olhos para ver mais, porém, aquilo se aproximou de mim, sussurrou coisas como se fosse o vento e eu havia voltado a dormir.

–Ah! — acordei assustada. A cama estava com sangue, não é o que deveria ser para uma adolescente, mas sangue dos meus braços como se um bisturi tivesse cortado superficialmente minha pele, deixado vazar sangue devagar e gradativamente até ele secar e impedir sua saída do meu corpo. Levantei assustada com duas coisas na cabeça:

Garras e trevas.

Tirei o lençol sujo, ainda sem saber o que fazer e desci. Já era tarde, meus tios tomavam café e olharam assustados a condição dos meus braços e do lençol.

–O que é isso Holly?! — minha tia gritou. Tio Richard segurou em meu braço e olhou assustado.

–Eu não sei, acordei assim. Não senti nenhuma dor enquanto dormia.

–Será que é sonambula? — perguntou meu tio.

–Não, eu passei a noite terminando o relatório, eu a veria! — disse minha tia mostrando um pouco de preocupação.

–Alguém entrou! Confira se roubaram alguma coisa, querida! — minha tia pulou da mesa e começou a olhar a casa.

–Holly, se isso for uma brinca...

–Porque eu brincaria com isso? — gritei, mas acabei desmaiando.

Continua...

Notas finais
Reviews? :)