Notas iniciais
Bem, espero que vocês gostem.

Ainda eram dez da manhã e eu tinha que estar pronta para ir ao acampamento, mesmo que o ônibus só passasse pela minha casa às 14 horas, eram normas da minha mãe estar pronta antes do horário _bem antes_. Eu estava indecisa e nervosa sobre voltar para lá. Pessoas que eu não queria reencontrar. Mas eu amava aquele acampamento. Às quatorze em ponto, quando eu esperava sentada no degrau da varanda da minha casa, o ônibus chegou. Meus pais me abraçaram, e como sempre:

–Juízo! Confiamos em você! Vá com Deus! Te amamos! –Eu sorri, respondi que os amava também e correspondi com um “Amém”.

O motorista, um jovem carrancudo, desceu e me ajudou a guardar a mala no compartimento.O ônibus já estava cheio e eu ainda assim me sentei sozinha. Iria passar por várias cidades antes de chegar no Acampamento Hollowing.

Dormi por umas três horas, até quando alguém me deu um cutucão. Pisquei algumas vezes antes de enxergar direito. Uma garota loira, que aparentava ter uns 15 anos de idade, estava sentada ao meu lado. E eu já a conhecia.

–Oi, Ester! Quanto tempo! Achei que não te veria mais! –Ela disse com um sorriso falso com aqueles dentes brancos ofuscantes. Droga, como eu odiava aquela menina.

–Oi. Eu também não queria te ver, Ashley. E também não vou querer aturar você. –Eu estava sim, sendo grossa. Mas aquela menina era horrível. Não fisicamente, pois ela era bonita de um jeito que até irritava, mas seu jeito era horrível. Ela era aquela patricinha líder das cheerleaders loira que ficava com o garoto mais popular, clichê americano. E ela tinha feito mal a muitas pessoas. Odiava ela. E eu não costumo odiar as pessoas. Levantei-me e cheguei ao lado de uma garota.

–Licença, posso sentar aqui? –Perguntei tentando ser educada e não deixar a minha raiva se mostrar.

–Sim. –Ela disse e, então, eu me sentei.

–Meu nome é Ester. Como você se chama?

–Elizabeth. –Ela disse, com um sotaque britânico.

–Prazer. –Fiquei calada pelo resto da viagem,ouvindo música. Elizabeth parecia não estar a fim de conversar.

Assim que passamos pelo arco no qual estava escrito “Hollowing Camp” em grandes letras escuras, eu sorri. Quando o ônibus parou, eu sabia o que fazer. Então eu deixei a mala no ônibus, ela seria levada para o Chalé, e fui para o refeitório. A comida era a de sempre, era boa, desde que você soubesse escolher o que pegar. Provavelmente a Senhora Hullaway ainda era a chefe das cozinheiras, aquela velha era um clássico de lá. Na parede lateral do refeitório, tinha a lista dos Chalés. Fiquei no três.

Cheguei no quarto e encontrei com Elizabeth, fiquei feliz que ela estava lá, então eu sorri.

Peguei a cama de cima de um beliche ao lado da janela que dava para o bosque e coloquei as minhas coisas lá.

As garotas bombardeavam Elizabeth com perguntas ridículas sobre gente famosa e Londres e ela parecia entediada com tamanha superficialidade. Eu também ficaria.

Fiquei deitada na cama com meu fones de ouvido, até que todas saíram para o Meeting Time, quando as pessoas deviam se enturmar, na verdade, todas do chalé saíram, menos eu e Elizabeth. Eu troquei de posição, me sentando.

–Essas garotas te apavoram, não? –Perguntei tentando puxar assunto.

–Razoavelmente. –Ela respondeu, ainda sem querer conversar.

–Que livro você está lendo? –Perguntei tentando puxar assunto, ela parecia ser legal.

–Dom Casmurro, é literatura brasileira, você não deve conhecer. –Ela supôs errado. Meu pai é professor de literatura, ele me apresentou o livro e eu amei.

–Na verdade eu conheço, e eu amo esse livro! –Ela pareceu surpresa, mas mesmo assim sorriu.

E eu vi que seríamos amigas.

Conversamos por um tempo, até que eu lembrei que tínhamos que ir à Fogueira Principal para jantar em 45 minutos.

–Bem, eu vou tomar um banho agora, pois, acredite em mim, o banheiro logo log vai estar cheio de garotas, gritando: “é minha vez te tomar banho, sua vaca!”. –Elizabeth riu e fez que sim com a cabeça. Eu peguei um short jeans e um moletom azul no qual estava escrito “Okay? Okay.” ­­­_entendedores entenderão _, toalha e outros apetrechos e me dirigi à porta que dava no banheiro.

E realmente, assim que eu saí do banho, entraram várias garotas desgovernadas jogando suas malas cor-de-rosa no chão e gritando coisas como “Eu sou a próxima no banho!” ou “Alguém tem um top rosa pra me emprestar?”. Uma delas ainda gritou apavorada por quê seu batom tinha derretido. Era uma cena patética e engraçada de se ver.

Eu e Elizabeth ficamos prontas mais ou menos ao mesmo tempo, e, com nossos celulares na mão, fomos andando até a fogueira principal.

Chegamos à tão familiar clareira, que era grande e cheia de troncos deitados, servindo de banco, com lenha em fogo empilhada no meio, onde estava sendo feita a comida. Não havia sequer uma menina, mas estava cheio de meninos _ alguns bem bonitos, por sinal _. Acho que todas as outras eram “patricinhas”, talvez porque o acampamento é caro e patricinhas normalmente são ricas, e estavam se arrumando.

Eu e Elizabeth nos sentamos no tronco mais perto do bosque, ficando de costas pare ele, e conversamos sobre séries de TV, enquanto não dava a hora de “servirem” o jantar. Eles não iam servir o jantar, pelo menos não ali, e não naquele momento.

–Ei, você pode me dizer que horas são, pó favor? –Um garoto me cutucou. Ele tinha traços africanos e olhos cor de Âmbar, e era lindo. Eu, como uma romântica incorrigível _lê-se facilmente atraída por meninos_ sorri abobada.

–São dez para as dezenove. –Eu disse, quase gaguejando.

–Obrigada. –Ele disse sorrindo, e então voltou-se para seus amigos.

–Meu Deus. Você tem que tomar cuidado com isso... Digo, na sua facilidade em demonstrar sentimentos. As pessoas podem te machucar assim. –Elizabeth falou.

–É, obrigada... Isso já aconteceu... –Falei, me lembrando dos acontecimentos ocorridos no ano passado.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Se quiserem comentem, eu ficaria feliz! Qualquer dúvida, é só perguntar, seja por MP ou por comentário!