O dia seguinte chegou e os alto-falantes da escola já estavam ligados e músicas já estavam rolando. A quadra já estava decorada e Ricardo estava muito animado. Pessoas de fora, inclusive olheiros de alguns trabalhos estavam lá para presenciar esse domingo maravilhoso. A arquibancada estava repleta de decorações diferentes feitas por algumas alunas da Vebnus – por isso o capricho era visível – e outra com alguns confetes ao chão e fitas jogadas – feito pela Mercure –.

Quando todos levantaram aos poucos e seguiram animados para a quadra, Ricardo pegou um dos microfones já animando para começar.

– BOA TARDE HOLLOW SPIRIT! – ele gritou e algumas pessoas gritaram também, mas o reitor arrancara o microfone da mão de Ricardo.

– Boa tarde, alunos! Estamos com várias atividades nesse domingo e queremos agradecer principalmente aos olheiros das faculdades vizinhas e donos das empresas dos cursos de alguns de vocês!

Todos ficaram preocupados, porque afinal, deveriam passar uma boa impressão.

– Hoje acontecerá o programa de casais e quero pedir encarecidamente que todos os casais inscritos venham para o palco sem tumulto. O Ricardo irá sortear o primeiro casal e o mesmo virá até o palco. Ele fará algumas perguntas sobre o seu parceiro e se algum dos dois errarem terão de pagar um pato. Que pato? Bem, eu não sei, mas há um sorteio também. Enfim, boa sorte a todos!

Uma salva de palmas ecoou pelo grande ginásio, a multidão estava crescendo porque hoje a universidade estava aberta para o público.

Lá fora no portão se encontrava Ingrid a espera de sua mãe juntamente com Victor e Brenda.

– Ela não vai vir, vamos embora – Ingrid disse se levantando.

– Espera! Quem sabe ela só se atrasou... Porque você sabe que pegar ônibus lá da sua favela não é fácil! – Brenda diz rindo.

– Nossa, olha aquele gato ali! –diz Victor quase gritando.

– Aquieta essa periquita – Ingrid disse.

– Como diz a pensadora contemporânea Natali Souza: se cair na rede eu papo – ele disse e as duas começaram a rir.

– Só se você usar o item que tem essa frase – Ingrid disse gargalhando. – O que não vai acontecer.

– Por que não?! Combina!

– Só se você quiser dividir seu amiguinho aí – Brenda disse e Ingrid riu tão alto que uma criancinha que estava poucos metros dali olhou para eles.

– Olha, mamãe... – A garotinha disse, apontando para Ingrid. – O que ela passa no olho? Parece cocô!

– Filha, isso é sombra... – A mãe responde toda envergonhada, enquanto Victor e Brenda caíam na gargalhada.

– Cocô vai ser o que vai voar na sua cara daqui a pouco – Ingrid respondeu. – Descarada.

Não demorou muito, a garotinha que já estava um pouco distante de sua mãe e mais perto de Ingrid começara a chorar e os três ficaram desesperados.

– NÃO CHORA! – Brenda disse tampando a boca dela.

– Ciranda, cirandinha, vamos todo cirandar... – Victor cantava, mas a criança chorava cada vez mais alta.

Enquanto os três tentavam acalmar a criança, o primeiro casal subia ao palco, a multidão estava quase lotada exceto pela arquibancada da Vebnus que ainda estava se enchendo.

– Jay e Elli, o primeiro casal! – Ricardo começara. – Nessa faculdade é cheio de gente que dá ré no kibe então não se surpreendam. A primeira a responder é a Elli, porque ela tem cara de que é o macho da relação...

Risadas ecoaram.

– Senta lá, Jay... – Rick disse fazendo gestos com a mão.

Elli tomou-se ao lado de Rick enquanto Jay estava sentada.

– Então, Elli, lhe farei três perguntas sobre Jay, ok? – Ela assentiu. – Mas haverá um porém. Vamos começar, qual é a série favorita dela?

– Ah, essa é fácil, Supernatural. – Elli disse e Rick ficou em silêncio com os olhos arregalados para ela. – O que foi? Eu errei?

– CORRETO! – ele deu um grito. – Quando é o aniversário dela?

– Ahn... 02/07?

– Nossa, Ellen – Jay disse lá do fundo.

– Errado! A resposta correta é 01/07. Gira a roleta, Jay.

– Isso é Silvio Santos? – ela disse brincando e girou a roleta e caiu em “Morango negro” – Quê?

– Morango negro, hmmmm – Rick disse. – MANDA ENTRAR O MORANGO NEGRO.

Entrou um homem de mais ou menos 1,95cm de altura e atrás dele duas mulheres com dois potes na mão com chocolate e morango, os gritos – principalmente das garotas da Vebnus – ecoaram.

– O que você vai ter que fazer é: pegar o morango e o chocolate da barriga daquele rapaz com a boca, não pode deixar chocolate não, hein!

Uma das mulheres derramava o chocolate enquanto a outra posicionava os morangos em seus devidos lugares.

– Mas tem muito chocolate, meu deus!

– Sei que você quer fazer isso! – Cirino gritou da arquibancada.

– Quero mesmo... – Jay sussurrou.

Então Jay pegou um dos morangos, a plateia estava eufórica e todos estavam gritando, quando ela lambeu o chocolate, todos sentiram a raiva de Elli subir e quando concluiu, Elli estava roxa.

– Quer dizer que a cada erro tem um preto diferente pra lamber? – Elli disse com deboche.

– Todas as cores que você quiser! – Rick disse rindo. – Como Ellen errou, ela não tem direito a terceira pergunta e passemos para Jay.

– Ai Jesus! – Jay se aproximou de Rick.

– Então, Jay, qual é a cor favorita da Ellen?

– NOSSA, VOCÊ PERGUNTA ISSO PRA ELA, MAS PRA MIM VOCÊ PERGUNTA COISAS DIFÍCEIS! – Ellen começa a gritar sentada.

– Calminha aí – ele disse e virou-se para Jay.

– Essa é fácil, preto – Jay disse e Rick assentiu, estava certa.

– Quem é o melhor amigo de Ellen Dias na Universidade?

– Roberto Diniz.

– OLHA, ELA É BOA, em todos os aspectos se é que vocês me entendem. – Todos começam a rir de Rick. – E a última pergunta, o que a Ellen odeia?

– Falsidade. – Concluiu.

– MUITO BOM! Bom, como Ellen errou apenas uma e Jay não errou nenhuma, as duas podem, talvez, ficar entre os três primeiros lugares. O próximo casal a subir é Gabriela e Roberto.

Um silêncio ecoou pelo ginásio e todos que ali estavam ficaram a espera do casal que não aparecia.

Alguém estava correndo, esse alguém era Clara, ela subiu ao palco e cochichou algo no ouvido de Ricardo, o mesmo fizera uma cara estranha.

– Bom, parece que o casal não é mais um casal ou eles brigaram, algo assim, portanto, vamos passar para o terceiro casal que é Mayara e Americo! Subam ao palco, terráqueos.

– Olá meu povo e minha pova– fala Americo entrando agarrado com May. – Rick, já te falaram que você esta um gatinho hoje?

– Cala a boca Americo — May fala dando uma cotovelada nele.

– Calma amor, não se exponha — diz ele rindo.

– Não Americo, depois vamos conversar nos bastidores — Rick fala piscando. — Mas vamos logo ao que interessa, Americo vá para lá, que vamos começar pela May. — ele fala apontando para o banco do outro lado da sala, May senta em no banco e começa a ficar vermelha. — Então May, será que você sabe tudo sobre ele? — Ela somente balança a cabeça em concordância. — Qual será a cor favorita dele?

– É, hum, verde? — ela fala meio tímida.

– EEEER — Rick grita — RADOOO, agora Americo rode a roleta!!! — Americo se levanta e vai em direção a roleta, a roda e para chupadinha gostosa.

– OPAAA, o que eu vou chupar??? — Americo fala entusiasmado e May se levanta e vira de costas.

– Que entre a chupadinha gostosa. — Entra uma morena só de biquíni e se aproxima de Americo. — Ela terá que te deixar com duas chupadinhas, uma em cada mamilo. EEEH GOIÁS.

– Olha não me responsabilizo se a cabana armar — Americo fala tirando a blusa, a menina começa a lhe chupar. — EITA GEOVANA, DEIXEI O FORNINHO CAIR.

– Chega, já vimos demais agora Americo vem para cá, e May hora da vingança.

– Com certeza — May fala fuzilando Americo com os olhos.

– Americo, me diga, qual é o filme favorito de May?

– Ah essa é fácil, é se beber não case.

– EEEEEXATO — ele fala rindo. — E qual é a banda favorita dela?

– PARAMORE.

– ERRADO. May, rode a roleta.

May vai até a roleta e cai em docinho na boca, Rick chama e entra um garoto branco sem camisa que carrega na boca um pedaço de chocolate ao qual May tem que pegar da sua boca, Americo cruza os braços e olha para a platéia, May vai até o garoto, ele se abaixa e coloca as mãos na cintura dela, e então ela pega o pedaço, mas algo a mais parece estar acontecendo.

– UOU, É ISSO MESMO QUE ESTA ACONTECENDO? ELES ESTÃO SE BEIJANDO??? — Rick fala e os dois param no mesmo instante.

– Mayara!!! — Americo fala e sai do palco, May sai logo atrás dele.

– Acho que uma relação foi destruída aqui — Rick fala rindo e todos na plateia cai na gargalhada. — Mas vamos continuar, que entre agora um dos nossos casais preferidos, MARIA E DANILO!!! — Os dois entram no palco se beijando, Rick fala para eles se separarem, primeiro Maria ia tentar acertar as respostas, depois Danilo. — Então Maria, nos diga quando Dan nasceu?

– 9 de Julho.

– Correto, qual é a cor preferida dele?

– Vermelho.

– OLHA, vejamos que esse casal se conhece muito bem, nos diga qual a série preferida dele?

– Deixe-me ver, acho que, deve ser — ela coloca a mão no queixo — Supernatural?

– EEEEEEEEERRADO, Dan vá para a roleta.

Dan vai até a roleta e quando rola a roleta ela para em Balão Ardido, então de cima do palco cai um balão do teto em cima do Dan na qual quando explode ele começa a se coçar todo.

– O QUE É ISSO? — ele grita de raiva

– Desculpa, mas acho que você não teve sorte, hein — Rick fala rindo, mas venha sua vez, em breve passa.

Danilo segue até o lado de Rick, ele passa por Maria que pisca para ele.

– Então Dan, nos diga qual a série preferida de Maria?

– GOT, acertei caralho — Dan grita.

– Sim, sim, e qual é a melhor amiga dela?

– Lógico que é a Ney.

– Certooooo, e o que ele mais gosta?

– ELA GOSTA DE MIM, LOGICO.

– Não, você errou feio, Maria, por favor, vá em direção a roleta e rode gata.

Maria segue até a roleta e quando ela roda cai em Água Sanitária, e do chão surge chuveirinhos que joga água sanitária em sua roupa a deixando furiosa.

– Que droga Rick — ela reclama.

– Desculpa, mas não é minha culpa e sim azar de vocês.

Os dois saem do palco rogando pragas em Rick.

– E que entre o próximo casal: Ney e Gorran.

Lá do fundo veio os dois, Ney maior do que Gorran e Gorran tentando aparentar ser maior do que ela.

– Awn, Grope e Flitwick, que coisa mais linda! — ele disse para a plateia. Desculpa, Sté. Foi só uma comparação onde quer que você esteja saiba que é a Flitwick pra sempre.

Ele empurrou Ana para o banco enquanto puxava Gorran para frente.

– Gorranzito, qual é o cantor ou cantora ou banda ou ao alguma coisa que a Ney é fã?

– Ahn... Eu sei essa, todos sabem, só não to lembrando. Aquela do fermento, cara... A LORDE.

– ERRA... — Rick gritou -, certinho. E quando essa moça faz aniversário?

– 11 de outubro?

– NÃO, É NOVEMBRO SEU BURRO. RODA A ROLETA, NEY.

Ela rodou e caiu em "asas mortíferas"

– AH NÃO, É MUITA COINCIDÊNCIA!

A mesma mulher que trouxe os morangos entrava com uma grande caixa coberta com um imenso pano preto e apenas uma abertura que cabia no máximo uma mão.

– Ney, há uma coisa aqui dentro, você não sabe o que é, obviamente. Pode ser um jacaré assim como também pode ser um milhão de reais, mas óbvio que não é um milhão de reais porque a gente é pobre. Mas você vai ter que enfiar a mão e descobrir o que é.

A plateia fez um barulho de medo.

– Nem preciso de efeitos nesse programa, eu to adorando essa plateia — ele disse rindo -, pode ir.

Ela enfiou a mão lentamente e do nada deu um grito muito alto e tirou a mão lentamente.

– QUE PORRA É ESSA? RICK ESSA COISA TA VIVA!

– Preciso que descubra o que é.

Ela voltou a enfiar a mão, mas dessa vez algo aconteceu e Ney, com sua incrível esperteza, puxou a mão para o lado direito levando a caixa consigo.

A mesma estatelou-se no chão quebrando e revelando um lindo pombo que voara para cima de Ney que gritava e esperneava igual uma criança. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e quando o pombo foi embora ela se tremia toda enquanto a plateia caia na gargalhada.

– Você me paga, Ricardo — disse enquanto se limpava -, ah se me paga.

– IRONIA CAIR ESSE NO DA NEY, NÉ GENTE, EU TO CHOROS. — Ele colocava a mão na barriga enquanto ria, Ney acabou puxando Gorran e saindo do palco deixando Rick rindo igual uma criança.

Demorou alguns minutos até Rick e a plateia se recomporem, mas então ele chamou o próximo casal que era Hanna e Vivaldo.

Os dois já estavam posicionados apenas esperando, Hanna era a primeira já que Vivaldo não quis correr o risco de errar e acontecer algo com a sua amada.

– ENTÃO, HANNA! VOCÊ ESTÁ MUITO LINDA HOJE.

– Vai logo, Ricardo.

– Antipática, o que o Vivas odeia?

– Física, óbvio.

– Certo! E do que ele gosta?

– De mim, óbvio — ela diz arrumando o cabelo.

– Nossa, passou longe — Rick diz. — RODA A ROLETA, VIVAS.

Ele roda e cai em "mãos milagrosas".

– HAHAHAHAHA — Rick começara a rir -, Hanninha, você vai ter que fazer 30 flexões.

– Eu? Tu estás louco, querido — ela disse se ajeitando. — Não vou sujar as minhas mãos.

– VAI SIM! — Rick disse.

– ENTÃO FAZ COM A CARA PRA VER SE MELHORA A SITUAÇÃO, MIGA — Gabriela grita da plateia e como Hanna odeia que a subestime, jogou a bolsa na cara de Vivaldo e começou a fazer as flexões.

– 15, 16... — Toda a plateia contava. — 18, 19...

Ela fez 20 e parou.

– TÁ BOM, AGORA É VOCÊ, VIVAS. Qual é a cor favorita da Hanna?

– Dourado.

– GOOD! Qual é a série favorita dela?

– CSI, eu acho.

– GENTE ELE É BOM! Quando ela faz aniversário?

– 13 de setembro.

– AEEEEOOOOOOO, ele acertou tudo! Parabéns aos dois, podem descer! Agora quero chamar dois casais porque irei fazer um mix, suba ao palco: Dani e Paulo, Luisa e Lucas!

Os quatro subiram ao palco.

– O que você vai inventar, hein Ricardo? — Paulo disse.

– Bom, vai ser o seguinte, as duas vão responder a pergunta sobre cada um de vocês e se errarem os dois vão pagar o pato juntos. Então vamos começar pelas moças porque somos cavalheiros. Dani, sobre o Paulo, o que ele não gosta? E Luisa, qual é a banda favorita do Lucas?

– Falsidade.

– Rosa de Saron

– DANI ERROU HAHAHAHAHA AGORA OS DOIS PAGAM! ADOROOOOO! UM DOS DOIS GIRA A SEGUNDA ROLETA.

Paulo girou, caiu em "rabos avançadas".

– Esse é um dos meus favoritos. VOCÊS DOIS SE AMAM, CLARO — a plateia riu -, então vão ficar, digamos, gêmeos por duas semanas. Vocês vão colocar esses rabos sintéticos que são idênticos ao rabo de um porquinho e irão usá-los por duas semanas, ele se coloca por cima da roupa então pode tirar e colocar. AGORA VOCÊS NÃO PODEM TIRÁ-LO, só na hora de se trocar, claro. Eles têm um sensor, então se tirarem eu saberei. E VOCÊS DOIS NÃO PODEM FICAR 15 METROS LONGE UM DO OUTRO, AGORA VISTAM.

– Eu vou ter que ficar perto dele? — Paulo disse. — Ah não.

Todos riram porque ficara muito engraçado.

– FICOU PARECENDO O DUDA. — Rick disse rindo. — Agora é a vez de vocês dois. Paulo, qual é o filme favorito da Dani? E Lucas, o que a Luisa gosta?

– A menina que roubava livros.

– Esportes.

– ACERTARAM. Vocês são muito sortudas, só porque queria vê-las vestidas de mulher gato por duas semanas, vou chorar.

– NOSSA COMO FAZ PRA ERRAR — Lucas gritou indignado.

– Vão embora! AGORA O ÚLTIMO CASAL — ele disse se ajoelhando e fazendo gestos de agradecimento para cima. — O CASAL MAIS RECENTE DE TODOS: ANDRÉ E LETI.

Os dois subiram desajeitados no palco e pararam em sintonia.

– ANTES, QUANTO TEMPO VOCÊS ESTÃO JUNTOS?

– 3 minutos

– 3 horas

– DECIDAM! — ele disse gargalhando. — André, você vai primeiro, meu querido. Leti sente-se.

– Manda a ver — André disse.

– Qual é o cantor ou cantora ou banda ou qualquer coisa que a Leti é fã?

– Demi Lovato — ele diz -, infelizmente.

– CERTO! O que ela odeia?

– Que a chamem de Leka, não é, Leka?

– ISSO! E qual é a música favorita dela?

– Demi Lovato — Really Don’t Care?

– NÃO, ERROU. — Rick disse. — LETI, GIRA.

Ela gira e cai em "banho milagroso"

– BOM, LETI, ALI HÁ DOIS BALDES, NÃO SABEMOS O QUE TEM DENTRO DE NENHUM DELES, NA VERDADE EU SEI, VOCÊ QUE NÃO, BASICAMENTE VAIS ESCOLHER O DA ESQUERDA OU O DA DIREITA PARA VIRAR EM SI MESMA.

Leti aponta para o da esquerda.

– VÁ LÁ BUSCAR E VIRE EM SI.

Ela andou até o balde o levantando e seguindo até o meio do balco, mais ou menos perto onde Rick e André estavam. O balde estava pesado, mas não dava para ver exatamente o que residia dentro dele por motivos de o mesmo estar tampado. Leti o levantou, pronta pra virar, mas um movimento brusco se fez e toda a substância — que no caso era água – estava voando em André.

André saiu correndo atrás do outro balde enquanto Leti se escondia atrás de Rick, mas no outro balde estava uma torta enfeitada com morangos e banana.

– PAREM! — Rick saiu correndo, mas Leti o segurou. André vinha correndo com a torta, Rick conseguiu se safar deixando apenas Leti, André pulou acertando a torta em cheio no rosto de Letícia, mas os dois escorregaram na água e acabaram caindo.

Risadas cada vez mais altas ecoavam pelo ginásio, Rick ria tanto que não conseguia pegar o microfone que caíra no chão. André espalhava o recheio da torta na cara de Letícia enquanto ela tentava em vão passar na cara dele também, mas aí ele a beijou e a plateia desmanchou-se em berros.

– ISSO JÁ TA VIRANDO PALHAÇADA! — A voz do reitor ecoara. — TODOS DESÇAM DESSE PALCO IMEDIATAMENTE E VÃO PARA AS SUAS IRMANDADES. 3 BRIGAS DE CASAIS, DOIS ROMPERAM, NÃO QUERO MAIS ESSE TIPO DE COISA.

– Mas reitor...

– MAS NADA RICARDO ACABOU — ele puxa Rick mais pra perto. — Eu chamei esses olheiros na esperança de emprego pra maioria de vocês, mas eu esqueci que eu trabalho é na Hollow Spirit.

Rick riu e o reitor pegara o microfone.

– ESPERO QUE TENHAM SE DIVERTIDO, MAS ESTAMOS ENCERRANDO.

Então ele levou o microfone de volta para o devido lugar.

– Reitor, eu preciso anunciar os casais vencedores.

– Não.

– ATÉ JESUS ANDOU SOBRE AS ÁGUAS, POR FAVOR, ME DEIXA ANDAR SOBRE ESSE PALCO E ANUNCIAR.

– SE JESUS ANDA PELAS ÁGUAS ENTÃO EU SAMBO NELA, RICARDO. AGORA ME DE LICENÇA.

***

Na quadra da Universidade Jay, Leti, Felipe, Ana e Alj estavam conversando.

– Que quadra sem cor, não é?! — comenta Alj.

– Verdade nem parece que já foi cenário de assassinatos — fala Ana.

– Mas não foi, idiota — Jay fala.

– Claro que foi — Felipe se mete.

– Foi?! — Jay diz.

– Não sei, houve tantos. — Felipe responde e ambos riem.- Mas sério poderíamos fazer algo para dar uma corzinha aqui, não é?!

– Sim, mas o que faremos? — Leti que até então estava só observando se mete. — Jogar tinta nas paredes?

– Sim, isso mesmo, só que de uma forma mais divertida — Jay ressalta.

– No que você esta pensando Jay? Eu conheço esse olhar — Alj comenta intrigado.

– Conhece? E esse aqui? — Jay fala envergando os olhos.

– Esse é o de "OI, EU SOU IDIOTA". – Ana diz com voz fina e todos riem.

– Mas fala no que você esta pensando, garota — Felipe fala.

– Espera aí, primeiro tenho que falar com umas pessoas, Leti vem comigo, já volto — Jay fala puxando Leti com ela.

As duas vão até a mansão de Mercure, e chamam Ney e Gabe, Jay conta todo o plano para as duas e ambas vão até uma lojinha de especiarias e compram bexigas e potes de tintas, depois elas voltam para a quadra onde os outros as esperava.

– Nossa achei que vocês tinham ido planejar matar alguém — fala Ana.

– Só se for a sua morte — Ney diz

– Ah! Vai cagar.

– Quietas, eu hein, fala Jay qual a sua incrível ideia — Alj fala sarcasticamente.

– Prestem atenção que só vou falar uma vez — ela faz gestos com as mãos para ficarem em silêncio e todos reviram os olhos. — Estão vendo essas bexigas aqui? Creio que sim, se não comprem óculos.

– Anda logo, não tenho o dia todo — Felipe fala, indignado.

– Calma nervosinho! Então, vamos encher essas bexigas de tintas, e depois jogá-las nas paredes. — ela fala e todos a olham por um segundo em silencio e depois caiem em gargalhadas.

– Ah, sim, é lógico que o reitor não iria nos deixar fazer isso — Ana comenta rindo.

– E desde quando isso nos impediu de fazer algo? — Gabe retruca.

– Eu adorei, mas quando vamos fazer isso? — Felipe pergunta.

– De madrugada né? Dã — Jay responde.

– Eu topo, então nos encontramos aqui às duas da manhã, entendeu Ana? — Ney fala olhando para Ana.

– Me ame menos garota.

– É sério.

– Eu vou estar aqui, meu Deus.

– Vai mesmo, nem que eu tenha que te trazer pelos cabelos — Jay fala.

– Sonha — Ana retruca.

– Todas as noites, às vezes é pesadelo.

– Hahaha, tão engraçado que vou até chorar de rir.

– Tá, calem. Então combinado, até as duas, tenho mais o que fazer. — Felipe fala.

Todos voltam as suas atividades normais, Jay, Leti e Ana levam as coisas para a Mansão da Dazer para escondê-las.

Quando se dá uma hora da manhã, Jay levanta e acorda Leti e Ana que demora mais de meia hora para se levantar, então as duas descem para o encontro dos meninos na sala.

– Que demora — Alj reclama.

– Culpe a Ana — Leti fala.

– Calem as bocas, vão acordar todos, vamos logo.

Todos seguem para a quadra levando as bexigas e tintas, lá encontram Ney, Gabe e Americo.

– O que ele está fazendo aqui? — pergunta Alj.

– Ele nos seguiu, e disse que se nós não contássemos o que íamos fazer ele iria gritar — Gabe responde.

–Bem sua cara — Alj fala encarando ele.

– E aí, quando vamos começar? — Americo fala eufórico.

– Primeiro vamos nos encher as bexigas, são duzentas para serem cheias com seis cores, estas são, vermelho, amarelo, azul, verde, roxo, e preto. — Jay fala e todos a escutam em silêncio. — Depois cada dupla ira ficar com uma parede da quadra, e depois é só jogar as bexigas.

– E quem disse que você vai dar ordem? — Ana retruca.

– Eu que tive a ideia, fica quieta, então para não ter brigas, vai ficar assim, Alj e Leti, Felipe e Ana, Gabe e Ney e Eu e Americo, pode ser? — ela pergunta e todos concordam com a cabeça. — Então todos comecem.

– Se você continuar mandando assim, eu vou acabar gamando — Americo fala.

– Apaga esse fogo Americo, eu hein — Jay fala o empurrando.

Todos começam a encher as bexigas, Ney acerta uma em Gabe que revida, e depois de meia hora todas já estavam cheias, cada dupla foi para a sua parede e começaram a jogar as bexigas nas paredes, formando um mix de cores, depois de uma hora todas as paredes já estavam inteiramente pintadas de forma abstrata.

– Enfim acabamos, não sei o que ficou mais pintado a parede ou a Gabe — dala Ney rindo.

– Também não sei, só sei que ficou linda — Jay comenta.

– Eu ou a parede? — pergunta Gabe rindo.

– A parede né, você não ficaria linda nem pintada de ouro.

– Jay, olha o que eu guardei para você — Americo chama Jay e assim que ela olha ele joga uma bexiga nela, que logo depois corre atrás dele e em menos de cinco minutos todos estavam se jogando restos de tintas e bexigas, até que o céu começa a clarear.

– Nossa, já deve ser de manhã — Alj fala.

– Não, o sol só resolveu nascer cedo hoje — Leti fala sarcasticamente. — É melhor voltarmos e nos lavar, antes que descobrem que fomos nós.

Todos concordaram e foram para as suas mansões, jogaram os potes de tinta nos lixeiros no pátio, quando chegaram a seus quartos foram tomar banho e desmaiaram de tanto sono, mas foram acordados logo depois pelos outros membros.

– Acorda Letícia — gritava Sté. — Temos aula.

– Já vou. — Leti respondia e voltava a dormir.

– Meu Deus você dormiu a noite toda.

– Sabe de nada inocente — grita Jay do outro lado.

– Não me diga que vocês se pegaram?

– Quem pegou quem? — Ellen entra no quarto e pergunta.

– Ninguém fala Jay, o que você esta fazendo aqui?

– Nossa, bom dia para você também.

– Foi mau amor, bom dia, e o que você está fazendo aqui?

– Vim falar que o reitor está fazendo uma reunião na quadra, agora, parece que aprontaram lá.

– Fodeu — Letícia fala levantando no pulo e sai do quarto de pijama e tudo.

– Essa eu quero ver — fala Jay que também sai de pijama.

As meninas vão logo atrás, quando chegam à quadra o reitor estava indignado, mas só ele, porque por toda a Universidade ouviam-se múrmuros de que quadra estava incrível.

– Quem fez isso vai ter punição — o reitor falava.

– EI ATENÇÃO, QUEM AQUI GOSTOU DA QUADRA ASSIM, ERGA A MÃO — Americo grita ao lado do reitor, e todos levantam as mãos. — Viu, não foi tão ruim assim.

– Você tem alguma coisa a ver com isso? — pergunta o reitor.

– Lógico que não.

– Desencana, de tantas coisas ruins que já aconteceram, de tantos momentos escuros, nada melhor que um pouco de cor — fala Ingrid do meio da multidão e todos falam sim em uníssono.

– Voltem as suas atividades, eu ainda descobrirei quem foi — o reitor fala olhando diretamente para o Americo.

Jay, Leti, Ney Gabe e Alj se juntam a Americo.

– Você é idiota mesmo né? — Alj fala com raiva.

– Só quis ajudar.

– Então não tente mais.

– Parem vocês — Leti fala e Jay limpa um pouco de tinta que tinha no seu queixo.

– Pois bem, pelo menos todos amaram, fiz minha boa ação da vida — fala Felipe que chega atrás de Jay.

– Todos fizeram — Ney completa.

– Agora me deixe voltar a dormir — fala Jay.

– E as aulas? — pergunta Leti.

– Que se fodam, eu vou é dormir.

– Então me espera que eu também vou — Letícia fala e as duas vão para a Mansão da Dazer.

– Eu também, adeus vocês — fala Gabe e Ney vai com ela

***

A noite chegou e junto com ela o nervosismo para Alj, ele estava montando um tipo de surpresa para a professora e queria pedir desculpas pelo ocorrido no outro dia. Então ele organizou tudo no telhado, com velas e pétalas jogadas ao chão.

Com ajuda, claro.

Era 21 horas quando ele telefonou para ela pedindo que subisse ao telhado e a mesma assentiu, ela tentou entrar, mas a porta se encontrava fechada, então ela bateu.

– Espera! — Felipe disse, então verificou por uma última vez tudo ao seu redor, a música estava ok, a comida não estava fria, estava tudo perfeito.

– Pensei que nunca abriria — ela disse, lhe beijando logo em seguida, o corpo dos dois se encaixava perfeitamente e a sintonia era perfeita. — O que tem pra mim?

– Bom, música, comida e o melhor — ele disse fazendo gestos com a mão -, eu.

– Que convencido! — ela disse gargalhando e ele puxou a cadeira para ela sentar.

Ele foi até o som e uma mistura de violino com teclado começou a tocar, então ele se sentou junto a ela.

Os dois passaram um tempo conversando e rindo sobre diversas coisas, mas foram surpreendidos por um gato pulando em cima da mesa.

– Aaaaah — Taís disse quando o gato virou a taça de vinho.

Alj pegou o gato colocando-o no chão, mas ele percebeu que o gato estava tremendo como se tivesse sido assustado há menos de 5 segundos.

– Ele parece assustad... — Um barulho de chave girando ecoa e os dois se assustam.

– EU VI... ALGUÉM DE CAPUZ TRANCANDO A PORTA POR DENTRO!

– Fica calma — Alj disse se levantando e indo até a porta, tentou abri-la, sem sucesso. — Calma, amor. Vamos dar um jeito nisso.

– Ele trancou por dentro, e agora? — Ela já estava com lágrimas nos olhos.

– MEU CELULAR!

– Não, você não pode ligar! Não podem descobrir...

Alj foi até ela acariciando o seu rosto.

– É alguém que eu confio.

Ela assente.

– Não diga alô, diga como vai Galisteu.

– Leti, preciso da sua ajuda.

– Oi, ermão.

– Alguém me trancou aqui fora no telhado.

– Espera, o que você ta fazendo nesse fucking telhado? — disse confusa.

– Teacher, lembra?

– AH, LEMBREI, SAFADO!

– Vem logo.

– To indo.

Não demorou muito, Leti chegou e abriu a porta.

– Estão bem? — Ela diz.

– Sim — Alj diz -, obrigado irmã.

Enquanto eles conversavam, a figura encapuzada passava por detrás da caixa D'água.