Ao anoitecer, quando vários casais estavam destruídos por causa do programa, todos quiseram esfriar a cabeça. Resolveram ir pra um lugar onde podiam relaxar e quem sabe reconstruírem as coisas, recomeçar os relacionamentos.

E que lugar melhor seria senão um parque de diversões?

Na cidade vizinha havia um pequeno parque pouco frequentado por causa de a população ser pequena. Perfeito para abrigar muitos alunos de uma universidade.

Os alunos de Mercure, é claro, partiram para um labirinto com armadilhas, desafios e pessoas fantasiadas de monstros. As meninas berravam a cada esquina que viravam, o que trazia várias risadas aos garotos.

– Podia parar um pouco de gritar, May — diz Rick.

– Não sou eu que grito, é o Lucas — diz ela.

Todos dão altas gargalhadas, mas berram em sincronia quando um homem gigante de duas cabeças aparece na escuridão. Ninguém é hétero quando se leva susto.

A maioria do pessoal da Vebnus se reuniu no carrossel, no qual lotaram o brinquedo. Era uma forma romântica de se divertir. Mas infelizmente causava tontura em algumas pessoas.

– Eu odeio esse brinquedo — diz Carol, única presente da Eruptidus ali. — Acho que vou sair um pouco.

– Melhoras — diz Toni. — Gostei desse cavalo. Vou chamá-lo de Barbara.

– Barbara é o teu cu — diz Bah, que estava parada no cavalo atrás dele, junto com Daniela.

– Alguém viu o Paulo — pergunta Dani.

– Não me lembro de ter o visto sair da universidade — diz Hanna. — Mas o que você quer com ele, danada?

– Nada da sua conta — diz Dani, e salta para fora do brinquedo.

– Sou a rainha do carrossel, me sirvam elfos — diz Sininho, montada em uma carruagem, enquanto ria. Nunca é tarde de mais pra ser criança novamente.

Os alunos da Dazer aproveitaram para andar na montanha russa.

– Não peguei essa fila pra eles ficarem de melação– diz Letícia, quando Ana e Felipe se sentam no terceiro banco.

– Bem, se tiver medo, pode segurar minha mão — fala André.

– Veremos quem vai ter medo — diz Letícia.

Após todos os vagões estarem cheios, começam a deslizar para cima. Ao chegar naquela curva, prestes a cair, dá um frio na barriga em todos.

André esperava que Letícia o abraçasse de medo, mas acontece o oposto. Ele quem segura ela, e berra quando o carrinho desce em direção ao chão.

Após cinco minutos de muitas curvas, subidas e descidas, finalmente o brinquedo para e todos saem descabelados e tontos, alguns com as pernas tremendo e em casos raros, vômito na cara.

***

A fila da Skyscraper dobrava todo o parque de diversões, por ela ser uma réplica da montanha russa mais alta do mundo, ela tinha 86,5m de altura e uma fila quase maior que a mesma.

Ricardo, que já estava naquela fila há mais de uma hora, estava exausto, mas seria o próximo a entrar junto com Americo, Jay, Erica, Ingrid e Tico.

– É muito alta... — Jay diz.

– Tá com medinho? — Americo zoa.

– CALA A BOCA! — Jay grita e então a vez deles chegou.

– EITA GOIÁS! — Ricardo grita e corre para entrar, os outros vem logo atrás. Os carrinhos são compostos por três fileiras de duas cadeiras. Americo fora junto com Ingrid, Erica com Rick e Jay com Tico.

– AI MEU DEUS, VAI COMEÇAR — Jay se tremeu.

– NEM O TICO TÁ ASSIM, JAIMARA — Ingrid diz. — E OLHA QUE NÉ.

– SAI DAQUI! — Tico disse e então a montanha russa começou a subir, quando já estava no topo e Jay não parava de gritar, Ingrid meteu-lhe um tapa na cara.

– CALA A BOCA! NEM CHEGOU À DESCIDA, ARIRANHA.

Jay se calou enquanto todos os outros riam, mas chegara à descida e todos berraram tão alto que não conseguiram manifestar mais nenhuma risada.

Quando a montanha já estava no fim e Jay estava descabelada, Americo tirou grandes parafusos sabe-se lá da onde e disse:

– DE ONDE SAIU ISSO? — ele disse com desespero.

Jay gritou.

Tico gritou.

Ingrid gritou.

Rick começou a rir muito alto.

Todos acharam que iam morrer, mas Americo tinha trazido os parafusos da universidade.

– EU SOU MUITO NOVO PRA MORRER — Tico disse. — OLHA MINHA PELE, EU TENHO UMA PELE LEGAL.

– EU NÃO ESTUDEI TANTO PRA MORRER AGORA — Jay disse chorando.

Americo e Rick riram tanto que não estavam aguentando, eles nem sequer perceberam que a descida passara pela segunda vez e a montanha russa já estava no fim.

Eles pararam.

– ENGANEI VOCÊS, TROUXAS — Americo disse saindo e já correndo porque Jay tirara a barra da própria montanha russa correndo atrás dele.

***

Enquanto os outros se divertiam assustando e botando o terror nos outros universitários, Ananey andava perdida cercada por palhaços de fantasias horrorosas. Um deles encostou-se ao seu ouvido e disse:

"Às três da madrugada eu te farei sofrer... É bom que esteja dormindo, senão...", e um segundo depois, o palhaço deu a volta e Ney o perdeu de vista.

Ela se preparava para entrar numa barraca que dizia "LEIO MÃOS. R$20,00" afim de sair do meio dos palhaços até que então um malabarista derrubou três bolas em sua cabeça.

– Ahh! — ele recolheu as bolas e saindo correndo, disse: — Desculpe moça!

Ana já estava prestes a ter um ataque de fúrias até que uma velha a puxou para dentro da barraca e a fez sentar numa cadeira velha.

– Então você veio apreciar a parte mais nobre desse parque... A área circense. — Ana não entendeu muito como fora parar logo ali, mas para encerrar logo o assunto, estendeu sua mão sobre a mesa florida.

– Vai logo, lê minha mão.

A senhora pegou na mão de Ana com certa raiva e fechou os olhos.

– Eu vejo... — as feições da mulher exibiam confusão.

– Vê o quê? — Ana começara a ficar com um pouco de medo. — Não é algo ruim, é?

– Eu vejo que você tem ou teve muitas paixões, certo? Hã... E relacionamentos... Você não os leva muito a sério, leva?

Ana pensou em responder, mas a cara da senhora já dizia algo como "Eu sabia".

– Eu quero saber se vou ter sorte — pediu ela.

– No quê, exatamente?

– Profissão, amor... Sei lá! Você que é a profissional aqui.

A senhora, que Ana deduziu se chamar Lurdes pelo nome estar escrito em letras gigante num colar, apertou sua mão com mais força e depois tocou levemente com os dedos umas linhas da mão de Ana.

– Sorte na profissão? Sim... — Ana sorriu triunfante. — Você tem futuro, mas... No quesito amoroso — o sorriso se desmanchou — você não dá tanta sorte... Tantas decepções.

– Ah, dane-se! Você não sabe de nada! Está mentindo! — Ana levantou da cadeira e deixou dez reais na mesa. — Eu não quero mais saber.

– Você ousa me chamar de mentirosa e só paga a metade? — Lurdes se levantou e exigiu o resto do dinheiro. Ana pensou no que fazer, e enquanto rodeava a mesa, segurou na ponta e a mesa com cartas, dinheiros e outros objetos voou pelo ar. Ela saiu correndo, mas ao correr uns vinte metros, se esbarrou num palhaço que segura uma serra barulhenta.

Suas pernas logo se moveram e ela saiu gritando enquanto uma horda de outros palhaços a perseguia.

– SOCORROOOOO!

***

Sobre os Eruptidus, eles sabiam como transformar até um parque de diversão em uma aula. Eles correram para as barracas de prêmios e usavam sua inteligência para conseguir o que quisessem. Vick colocou algumas bolas de gude dentro da bola de meia, antes de atirar na boca de palhaço, e assim conseguiu o ursinho que queria. Lucas usou a força centrífuga para derrubar a torre de copos, o que fez com que achassem que ele era doido, já que ficava girando antes de atirar. Já Michael e Vanessa não faziam nada que envolvessem o cérebro, apenas comprar um algodão doce e dividiram. Álvaro trocou uma maçã do amor por umas moedas da Argentina, dizendo ao vendedor que elas valiam o dobro por serem artefatos antigos.

– Muito obrigado, volte sempre — disse o cara.

– "Voltaria se você se arrumasse melhor" — diz Álvaro para si, em voz baixa, quando virou de costas.

A diversão seguia pelo parque, e após Yasmim prender algodão doce no cabelo, Beto e Lyn se perderem no labirinto, Felipe fez malabarismo de ursinhos e Carol pescou o peixe maior por três vezes, todos encerraram as atividades no parque.

Ou talvez não...

Faltavam ainda 30 minutos pra subir, e após um dia de estresse no programa que acabou dando errado, que lugar melhor para um bom entendimento e umas boas pegações do que uma roda gigante?

– Okay, mas precisarei ir à frente — diz o reitor, quando as pessoas pediram para andar no último brinquedo. — Deixarei a professora de Anatomia no comando. — O que não foi uma boa ideia.

A fila pra montanha russa se estendia. Eram dois minutos a cada volta, e eram cinco voltas. Mas pela quantidade de vagões, coube todo mundo — ou pelo menos duas pessoas por vagão.

***

Detalhes a parte, a roda gigante foi muito emocionante e excitante para a maioria. E após uma noite cansativa de parque, todos voltam pra universidade. As aulas estavam acabando, logo viriam às férias, e a despedida da universidade para alguns.