Holidaze
8 Labor Gay
Notas iniciais
Nós passamos o resto do verão exatamente do jeito que eu queria ter passado. Ocasionalmente nossos pais tentavam botar algum tipo de restrição na quantidade de tempo que passávamos juntas, mas isso não surtiu qualquer efeito. Eu tinha aperfeiçoado a arte de sorrateiramente fugir de casa naqueles raros momentos em que minha mãe insistia que eu estava passando muito tempo na casa dos Berry e Rachel era mestre em convencer seus pais de que era essencial passarmos todo o tempo que podíamos juntas.
Eu praticamente me mudei para a casa dos Berry no fim do verão. Chegou ao ponto de eu ter minha própria pilha de roupa lavada e dobrada ao pé da cama de Rachel, mas isso honestamente não incomodava nenhuma de nós, porque a pilha de roupa de Rachel na minha casa era ainda maior. Por algum motivo, eu acho que Rachel gostava da ideia de dobrar minhas roupas no final de cada semana.
Brittany e Santana iam com frequência para minha casa durante o verão para poderem aproveitar a piscina e, por consequência, Rachel ficou mais próxima de ambas. Ocasionalmente outros membros do Glee se juntavam a nós para um churrasco, mas graças a Deus não houve qualquer episódio igual ao Dia da Independência. Puckerman passou a se convidar bastante quando soube que minha irmã estava morando conosco pelo resto do tempo que faltava até que ela mudasse para NY no fim do verão. Nós éramos uma espécie de família não-convencional.
Foi de grande ajuda a porta da casa de Rachel estar sempre destrancada e seus pais trabalharem de nove às cinco, porque nós frequentemente escapávamos para passar o dia em seu quarto.
O verão estava chegando ao fim e o início das aulas estava literalmente na esquina. Normalmente, lá pelo fim de agosto, eu estaria entediada por não ter mais nada para fazer e o começo das aulas seria bem-vindo, mas pela primeira vez isso não aconteceu. Eu deveria estar animada, era o nosso último ano, mas isso só significava que estávamos cada dia mais perto da formatura.
“Quinn, você algum dia vai me levar para um encontro?”
Eu virei minha cabeça e subi meus óculos de sol, piscando contra a claridade. “Nós fomos ao cinema ontem à noite e nós fomos tomar café da manhã hoje.”
Ela estava deitada na longa cadeira de sol ao meu lado. “Certo. Então eu posso te levar para um encontro?”
“Por que?”
Ela finalmente virou seu rosto para me encarar. “Eu só quero fazer algo especial pra você.”
Eu sentei, o sol caindo intensamente sobre nós. Já era hora de parar nossa seção de bronzeamento, de qualquer forma. “Você faz muitas coisas especiais pra mim. Por que você quer me levar num encontro?”
“Porque eu quero fazer algo pra você.” Ela respondeu sucintamente. “As aulas vão começar em dois dias e eu mal vi você por causa dos seus treinos. E quando as aulas começarem, nós não vamos mais ter todo esse tempo livre.”
Eu ia direito para sua casa depois do meu treino pela manhã, para poder passar o dia com ela até o meu treino à noite. Depois ela me pegava para podermos jantarmos juntas ou ver um filme até cairmos no sono. Eu sabia que esse não era o motivo.
“É realmente por causa disso?” Eu perguntei cautelosamente.
Ela suspirou e também sentou. “Eu só quero que esse verão seja inesquecível.”
“Ele já está sendo, não?”
Eu estava sob a impressão de que esse era o melhor verão de nossas vidas.
“Claro. Eu só queria aproveitar ao máximo antes de termos que voltar para a escola.”
Eu tinha um pressentimento sobre o porquê daquilo.
“Rach, nada vai mudar.”
“Você é ingênua se você acredita nisso.” Ela disse de repente, com um tom de escárnio descaracterístico.
Eu peguei sua mão entre as minhas. “Eu estou te dizendo que nada vai mudar entre nós.”
Ela soltou sua mão de mim. “Tudo vai mudar quando as aulas começarem. Esse é o seu ano, Quinn. Esse é o ano que você vem esperando por toda sua vida.”
“O que isso quer dizer?”
“Baile de Inverno? Baile de formatura? Essa é a sua volta da vitória.”
“Eu não me importo mais com nada disso.”
Rachel balançou a cabeça em descrença. Aquilo estava começando a me irritar. “No fundo você ainda se importa.”
“Nada vai mudar entre nós.” Eu repeti, me agarrando ao meu único argumento.
“Ninguém sabe que estamos namorando. Nós pertencemos a níveis diferentes na cadeia social da escola.” Ela disse como se estivesse me lembrando algo.
Minha voz quebrou levemente, mas eu encobri isso com uma tosse. “Como você pode dizer isso?”
“É verdade. No segundo em que voltarmos para o McKinley será como se esse verão nunca tivesse acontecido. Você vai voltar a comandar a escola com pulso de ferro e eu vou voltar a ser a rainha do drama que sabe cantar.”
“Do que você está falando? Santana disse algo pra você?”
“Santana? Não, Quinn. Isso é sobre eu e você.”
Eu me endireitei na cadeira, furiosa por ela estar fazendo isso num dos últimos dias de verão. “Não, isso não é sobre eu e você, isso, aparentemente, é sobre uma líder de torcida e sua namorada insegura.”
“Ahh, eu sou insegura?”
Eu cruzei meus braços. “Acho que o que eu disse ficou muito claro.”
“Quer saber? Esquece. Esquece que conversamos sobre isso.”
Ela pulou da cadeira e começou a andar em direção à casa.
“Pra onde você vai?”
“Pra onde minha presença seja apreciada.” Ela disse sobre os ombros.
Eu levantei e segurei o seu braço, virando-a para mim. “Apreciada? Rachel, do que você está falando? Eu aprecio todas as coisas em você.”
“Não parece.”
“Como você pode sequer dizer isso?”
“Você só me quer por perto quando é conveniente pra você.” Ela abaixou a voz.
Eu sabia que ela mesma não acreditava no que estava dizendo.
“Quando é conveniente pra mim? Rachel, eu quero você por perto sempre. Quando foi que eu demonstrei o contrário?”
“O tempo inteiro.”
Eu ri. “Ok. Eu sei que isso é um mecanismo de defesa seu. Da onde isso está vindo?”
“Eu só tenho pensado bastante ultimamente.”
“Pensado?” Eu perguntei incrédula. “Você está inventando desculpas para não darmos certo.”
“Não é isso o que eu estou fazendo!” Ela gritou teimosamente.
“Parece que sim, como se você não fosse sequer nos dar uma chance.”
Era como se ela esperasse que eu falhasse antes mesmo de começar. Ela nunca apostava contra mim. Como ela poderia saber como eu iria agir com ela nos corredores do McKinley?
“Eu estou sendo realista em relação a isso.” Ela replicou antes do seu olhar encontrar o meu. “Em relação a nós.”
Ela começou a se afastar de mim e eu não tive escolha a não ser segui-la. Eu quase empurrei ela na piscina para que ela pudesse se libertar daquele feitiço sobre o qual ela parecia estar.
“Realista? Você está tentando começar uma briga.”
Ela girou os pés e apontou um dedo na minha cara. “Bom, talvez isso precise acontecer pra você cair na real.”
Meus olhos disparam algo parecido com raiva. “Ok, tudo bem. Eu vou cair na real com você. Meus sentimentos por você são reais. Eu não gosto de ter que fingir que não estamos juntas, mas eu estou com muito medo de sair do armário porque eu tenho medo de escutar as palavras saia da minha casa de novo quando minha mãe descobrir sobre nós e eu estou com medo de que no segundo que você sair da minha vista alguém jogue raspadinha em você porque você está me comigo.”
“Bem, eu fico imaginando quem ensinou isso a eles.” Ela disse sarcasticamente.
Foi como um tapa na cara. “Wow.” Eu balancei a cabeça rindo desgostosa.
Eu dei as costas a ela e comecei a andar de volta para as cadeiras. Se ela queria continuar se machucando, eu certamente não iria ficar por perto para agravar a ferida.
“Quinn, espera. Eu não quis dizer isso.” Ela me chamou.
Eu a senti atrás de mim. “Olha, eu já sei que eu não mereço você, mas você realmente tem que esfregar isso na minha cara?” Eu me virei. “E por causa de uma briga estúpida?”
Ela trouxe suas mãos para sua testa. “É que tudo está tão confuso.”
“Bom, você pode imaginar como é confuso pra mim, ver você me atacar do nada. Você está querendo fazer com que eu termine com você?”
“Não! Quinn, eu amo você!”
Eu balancei minha cabeça, sem saber se eu poderia acreditar nela. “Você não tem ideia do que é olhar para você e lembrar de todas as coisas que eu fiz pra você. Você realmente acha que todo mundo vai esquecer que eu fazia bullying com você? Eu não gosto de me sentir como se eu não merecesse você e não faz com que eu me sinta melhor você jogar isso na minha cara depois de tanto dizer que me perdoou.”
Ela abaixou a cabeça. “Você tem razão. Me desculpa.”
“Não, você tem razão. Você é boa demais para mim, Rach.”
“Eu nem chego aos seus pés.” Ela começou a argumentar.
Eu balancei minha cabeça e botei minha mão em sua boca. “Isso não é verdade e você sabe disso.”
“Não é verdade? Quantas pessoas escrevem no mural do seu Facebook todos os dias? Quantas vezes nesse verão você teve que recusar o convite de alguém para sair? Em qualquer lugar que você chega as pessoas param para te ver entrar. Isso só acontece comigo nas minhas fantasias.” Ela disse tristemente.
Meu coração doeu por ela, realmente doeu. Eu não tinha controle sobre essas coisas.
Ela continuou. “Eu vejo você pela manhã antes de você ir treinar e você parece perfeita sem nem tentar. Eu pego você no seu treino e você está sempre despreocupada e confiante. Você está no topo, Quinn. E eu não consigo não pensar no porquê de você ainda estar comigo.”
Eu queria chorar. Ela estava tão quebrada e eu não tinha ideia de como consertar aquilo. Eu não queria mais ser o centro das atenções. Eu não me importava mais com nada disso. Eu me importava com ela e em fazê-la feliz. Eu estava desesperada para fazê-la feliz.
“Você quer que eu saia das Cheerios?”
“Não! Deus, não! Eu nunca te pediria isso.”
“Então o que você quer que eu faça? Por favor, me fala.” Eu implorei.
Eu estava quase ficando de joelhos.
“Eu não sei.” Ela encolheu os ombros tristemente. “Eu não sei como melhorar isso.”
Eu mordi meus lábios e assenti. “Quando você souber me avisa.” Eu comecei a me afastar dela.
“Quinn, espera!”
“Não. Eu acho que nós precisamos recuar um pouco antes que alguém diga algo que se arrependa. Me liga quando você estiver preparada para conversar, ok?”
Ela assentiu e eu me inclinei para beijar sua testa.
“Eu te amo.” Eu sussurrei antes de pegar minha toalha e voltar para dentro de casa.
Eu precisava quebrar algo e depois cair em pedaços antes de deixar que Rachel me reconstruísse.
...
Eu odiava o fato de estarmos desperdiçando os últimos dias de verão daquela forma. Até nossas mensagens pareciam forçadas e muito casuais.
Eu encontrei minha irmã sentada em uma das cadeiras de sol se refrescando e se banhando ao sol. Eu ouvi alguém tossir e percebi que ela não estava sozinha. Puck estava limpando a piscina.
“Você sabe que essa coisa entre você e o Puck está ficando estranha, certo?”
Ela sorriu abertamente. “É divertido assistir ele limpando coisas.”
“Ele fez sexo comigo.” Eu lembrei a ela.
Abigail fez uma careta e balançou a cabeça. “Isso certamente me curou da minha estranha obsessão por ele.” Ela sorriu e tirou seus óculos de sol. “Tá tudo bem? Por que você está parecendo como se eu tivesse jogado molho na sua blusa favorita?”
“Eu ainda não te perdoei por aquilo.” Eu olhei para ela. “Aquela era minha blusa favorita.”
Ela acenou despreocupadamente. “Eu já ouvi tudo isso antes. Sério, o que aconteceu? Rachel está cochilando no quarto?” Ela olhou para trás de mim pensando que talvez ela não tivesse enxergado Rachel ali. “Eu comprei pra ela a coisa mais fofa do mundo. Lembra daquelas lancheiras antigas? Eu comprei uma de Hairspray para ela!” Abigail riu.
As vezes ela acreditava ser a pessoa mais engraçada do mundo. Eu fiquei triste sem conseguir disfarçar. Rachel iria amar aquela lancheira e provavelmente iria realmente usá-la.
“Jesus, Q. É só uma brincadeira. Eu não estou esperando que ela use.”
“Eu e ela estamos meio que brigadas.”
“Oh.”
“É.”
Ela pareceu pensar por alguns segundos enquanto eu brincava com meus próprios pés. Eu não tinha ideia do porquê eu tinha procurado ela para falar sobre isso, mas eu precisava falar com alguém que soubesse de nós.
“Eu estou perplexa. Não é como se ela pudesse engravidar você, então eu não sei porque vocês estariam brigadas. Vocês pareciam bem.”
Eu revirei meus olhos. “Pessoas brigam.”
“Lésbicas brigam sobre o que casais de verdade costumam brigar?”
“Casais de verdade?”
“Desculpa pela minha ignorância. Eu quis dizer casais heterossexuais. Esse mojito está começando a fazer efeito.” Ela ofereceu um sorriso apreensivo e por mais que eu estivesse brava pelo que ela tinha dito, eu precisava conversar com alguém.
Ela continuou assim que percebeu meu olhar. “Olha, eu tenho pesquisado sobre isso me preparando caso você precise conversar com alguém e eu tenho certeza de que o cara da locadora já acha que eu sou gay por causa de todos os filmes que eu tenho alugado.”
Eu esfreguei meus olhos, cansada. “Deus, parece que é a Rachel quem está falando. O que está acontecendo comigo?”
Eu sentei em uma das cadeiras e descansei meus cotovelos nos joelhos.
“Para ser justa, ela foi quem me sugeriu tomar alguma iniciativa para aprender mais sobre o assunto.”
Eu levantei minha cabeça. “Quando ela sugeriu isso pra você?”
“Umas semanas atrás. Nós almoçamos juntas enquanto você tinha saído com a Brittany e Santana.”
“Ela não me contou sobre isso.” Eu repliquei, ligeiramente ofendida por ela não ter me contado.
“Por que ela se sentiu patética por sentir tanto a sua falta e ter que ligar para sua irmã mais velha para fazer companhia pra ela. Acho que ela não quis parecer muito pegajosa?”
“Pegajosa? Essa palavra sequer existe no meu vocabulário. Não existe limite para mim quando o assunto é passar tempo com ela.”
“Eu normalmente não me contentaria com o segundo lugar, mas ela é histérica.” Ela continuou.
Eu assenti. “Ela é histérica e ela é linda, e inteligente, e perspicaz e... e perfeita.” Suspirei.
Abigail franziu as sobrancelhas. “Então qual é o problema?”
“Eu não sou nada disso.”
“Por que não? Você é uma Fabray.”
“Exatamente isso.” Eu apontei. “Exatamente isso. Eu não sou uma Fabray quando eu estou com ela e ela me ama mesmo assim.”
“Eu ainda não estou entendendo. Isso soa como uma coisa boa.”
“É uma coisa boa. Mas todo o resto me vê como uma Fabray.”
Ela tomou mais um gole do seu mojito. “E daí?”
“Ela não disse com todas as letras, mas eu acho...” Eu corri uma mão pelos meus cabelos, esperando ganhar tempo para que ela pudesse ler a minha mente, sem sucesso. "Eu acho que ela quer assumir o nosso namoro.”
“Oh.”
“Oh? Isso é tudo que você tem para me dizer?’
“É. Quer dizer, não. Eu li sobre isso! Você sabe, sair do armário. Continue.” Ela gesticulou.
Eu encolhi só de ouvir ela falando esse termo.
Eu suspirei. “Nós começamos uma briga idiota sobre como eu não aprecio ela e como nós estamos em dois níveis diferentes de popularidade e eu acho que ela tem medo de que eu trate ela diferente quando voltarmos para a escola. Ou talvez ela esteja insegura porque eu sou uma Cheerio. Eu não sei, eu só queria que ela me dissesse o que ela quer que eu faça.”
“Bem, você quer se assumir?”
“Não muito.” Eu respondi honestamente.
Eu realmente não queria ter que fazer isso se pudesse ser evitado.
“Por que não?”
Por um milhão de motivos.
“Os olhares, os cochichos, as risadas, as fofocas.”
Ela ficou em silêncio por pelo menos um minuto enquanto processava o que eu havia dito. “Então você não se importa que isso possa afetar o seu status?" Ela perguntou cuidadosamente.
"Não."
"Hmm. Wow."
"O que?" Eu perguntei, não gostando do seu tom.
"Você sempre foi tão obcecada em ser popular e rainha do baile."
Eu encolhi os ombros. "Eu conheci a Rachel."
"Graças a Deus." Ela disse, me provocando.
"Não abusa."
"Então você tem medo do que as pessoas vão dizer?"
"Sim."
"E qual o problema?" Ela praticamente pulou da cadeira.
"Qual o problema do que?"
"As pessoas não falam de você independente disso? Quero dizer, eu imagino que elas fofoquem sobre você o tempo inteiro."
Eu pensei no que ela tinha acabado de dizer. Jacob Bem Israel realmente tinha uma página do seu blog especificamente dedicada a mim. "Acho que sim."
"Então dê a eles um motivo para falarem. Santana e Brittany não estão super gays uma pela outra agora?" Eu assenti. "Você não tem nada com o que se preocupar! Vocês três comandam aquela merda de colégio!" Ela riu como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo.
“E a Rachel? Eu não vou estar sempre por perto para protegê-la.”
“Protegê-la do que? Você realmente acredita que alguém vai fazer alguma coisa contra ela sabendo que vocês três irão defendê-la? Que ela namora a capitã das líderes de torcida? Vocês estão no último ano! Você está se preocupando à toa.”
“E o Finn?”
Ela deu de ombros. “Ele vai superar.”
“Mas e-"
Ela levantou uma das mãos. “Não tem nada que você tenha que se preocupar. Nossa mãe sequer se importa que você seja gay.”
“O que?”
Claro que eu não tinha escutado aquilo.
“Ela me perguntou há umas duas semanas. Deus que me perdoe, mas foi engraçado.”
Eu comecei a ferver de raiva e as minhas mãos se fecharam em punhos. “E você só resolveu me dizer isso agora?”
“Eu sabia que você ia surtar.” Ela replicou indiferente enquanto tomava outro gole do seu drink.
“Obviamente!” Eu gritei.
“Sem ofensa, mas você e a Rachel são meio que óbvias.”
“O que você disse a ela?” Eu pressionei.
“Eu não precisei dizer nada! Ela me perguntou e antes que eu pudesse responder ela disse ‘eu espero que sim, a Rachel faz tão bem a ela’ e saiu andando.”
“Ela estava bêbada? Ou drogada?”
Ela balançou a cabeça. “Sóbria como no dia que nasceu.”
Eu analisei sua expressão. “Você está falando sério?”
“Eu prometo. Eu achei que estava sonhando.”
“Isso é... bom. Eu acho.”
“Você acha? Você não tem mais nada no caminho! Eu te daria o meu mojito para comemorarmos, mas Puck está por perto.” Eu quase pulei da minha cadeira para atacá-la, mas ela levantou suas mãos em sinal de defesa. “Nossa, eu estou brincando!”
Ela começou a falar antes que eu pudesse gritar com ela. “Olha, se você acha que é isso que a Rachel está esperando que você perceba, então você provavelmente está certa. Eu não consigo pensar em outra coisa que possa ser. E se eu fosse ela, eu me sentiria da mesma forma. Quem não iria querer andar de mãos dadas com você pelos corredores do colégio?”
“Agora você só está tirando onda com a minha cara.”
“Não estou. Eu entendo o que ela deve estar sentindo. Eu acho que você também. Você não me disse uma vez que você odiava o fato de não poder segurar a mão dela na escola? Você não gostaria de não só segurar a mão dela, mas também escutar alguém dizer ‘aquela é a Rachel? Não olhe diretamente para ela, ela é a garota da Fabray’? Imagina você poder cantar um dueto com ela em uma das competições do coral ou algo do tipo. Você não quer sair de uma aula entediante de História Mundial e poder dizer oi pra sua namorada com um beijo?”
Ela estava certa, eu queria todas essas coisas.
“Você sempre odiou história.” Eu ri, lembrando de quando ela discursava furiosamente sobre o quanto história era inútil.
“Eu não ligo para o que aconteceu há trezentos anos!”
Eu me levantei da cadeira e estendi minha palma para ela bater. “Obrigada, Abs. Eu realmente vou sentir sua falta quando você for embora.”
“Isso é coisa de nerd.” Mas ela bateu na minha mão mesmo assim. “O que você vai fazer?”
“Dizer a nossa mãe que eu vou jantar na casa da Rachel.”
“Fiu-fiu” Ela assoviou.
“Gostou do que viu?” Puck disse perto da cascata de água.
“Não é pra você, Puckerman, continue limpando a piscina.” Eu disse enquanto andava em direção a casa para pegar minhas chaves.
“Leve a lancheira!” Eu ouvi minha irmã gritar.
“Eu não vou fazer isso!” Eu gritei sobre o ombro.
“Mas eu comprei o par dela pra você!”
...
Não demorou muito para eu chegar à casa dela, mas demorou mais do que três batidas em sua porta para que eu tivesse uma resposta. Eu fui recebida por uma Rachel suada e ofegante. Ela parecia surpresa em me ver.
“Quinn!” Ela tirou o fone de um dos ouvidos. “Há quanto tempo você está aqui? Por sorte eu ouvi a campainha entre uma música e outra.”
“Dez minutos.” Eu supus.
“Você deveria ter entrado.”
Eu encolhi os ombros tristemente e comecei a brincar com o tapete da porta de entrada com os pés. “Eu não tinha certeza se eu era bem-vinda ou não.”
Ela franziu as sobrancelhas. “Amor, você é sempre bem-vinda aqui.”
Eu desabei bem ali, vendo a expressão de mágoa no seu rosto pelo que eu disse.
“Me perdoa.” Ela botou pra fora enquanto abria os braços para que eu me aconchegasse nela. “Deus, eu senti tanto a sua falta.”
“Eu também.” Eu sussurrei no seu ombro.
Apesar do meu esforço, eu não podia mais segurar as lágrimas que de repente atacaram meus olhos. Só estar perto dela me fazia querer chorar depois de ficar quase um dia inteiro sem vê-la. Era o suficiente para que eu perdesse o controle.
“Oh Deus, eu estou toda suada e nojenta. Você está provavelmente querendo sair de perto de mim.” Ela começou a se afastar, mas eu a segurei mais forte.
“Não tem problema.” Eu sussurrei com a voz falha.
“Você está chorando?”
“Não.”
Eu tinha sido pega.
Eu senti seu corpo tremer com a risada que ela deu. “Eu não quero que suas lágrimas sujem meu corpo completamente limpo.” Ela brincou.
Eu ri e finalmente me afastei para limpar o caminho úmido que tinha se formado em meu rosto. Ela fez uma cara triste quando eu funguei e balancei a cabeça.
“Eu estou bem, eu juro. Eu só senti sua falta.”
Sua expressão se suavizou e ela se inclinou para me dar um selinho.
“Estou feliz que você esteja aqui.” Ela pegou minha mão e me guiou escada acima em direção ao seu quarto. “Eu preciso de ajuda para escolher minha roupa para amanhã.”
Eu a segui e deixei que ela me guiasse até o quarto.
“Eu diminui para cinco opções.”
Meus olhos analisaram a cama e eu apontei para a última opção. Eu amava quando ela estava de vestido e aquele azul-marinho era um dos meus favoritos.
Ela mordeu o lábio inferior e riu enquanto assentia. “Esse também é o meu favorito.”
Ela logo entrou no chuveiro, não querendo permanecer daquele jeito.
“Você alguma vez já ficou cansada de mim?” Eu perguntei sentada na cama.
Ela já havia saído do banho e estava sentada na escrivaninha, postando seu vídeo semanal no Youtube. Eu finalmente tinha conseguido convencê-la que o MySpace não existia mais nas redes sociais e que muitas pessoas não iriam ver o seu talento se ela continuasse postando lá. Ela tinha feito uma conta no Youtube quase que instantaneamente, mas eu notei que ela ainda postava o link na página do MySpace. Eu não podia ter tudo.
Ela também tinha desistido das suas postagens à noite porque ela tinha encontrado algo melhor para fazer toda a noite. Eu não era de me gabar, mas...
Eu sempre estava na sua cama quando ela gravava os vídeos, era emocionante pensar que as pessoas que iam assistir ao vídeo não faziam ideia de que eu estava no quarto com ela, escondida da câmera. Eu também jamais perderia a chance de ver Rachel cantar.
“Por que você está me perguntando isso?” Ela parecia magoada.
A revista que eu estava lendo estava esquecida ao meu lado. Eu fiz sinal pra que ela se juntasse a mim na cama.
“Eu amo você.”
Ela sorriu. “Eu também amo você, Quinn. Por que eu ficaria cansada de você?”
“Eu estou sempre por perto. Quero dizer, nós praticamente moramos juntas durante esse verão. E amanhã começa as aulas e vamos nos ver todos os dias, temos Glee juntas e depois vamos pra minha casa ou pra sua. Algumas noites nós vamos assistir algum filme, outras vamos sair com nossos amigos e acabar dormindo juntas se tivermos sorte. Eu só não vejo você quando eu estou treinando e mesmo assim algumas vezes você ainda fica nas arquibancadas.”
Rachel me olhou, sem dizer nada.
“Eu não sei se eu estou me expressando da forma certa.” Eu respirei profundamente. “Eu gosto de sempre estar com você, muito. Eu só quero ter certeza de que você também. Eu não encho o seu saco, né?”
Ela deixou um beijo em meus lábios. “Não, você não enche meu saco. Eu quero passar mais tempo com você, se é possível. Eu nunca tenho o suficiente de você.”
Eu senti meu peito inchar.
“Eu me sinto da mesma forma.”
“É estranho.” Ela começou. “Eu sempre fui independente, mas é muito bom depender de alguém. Eu gosto de mal poder esperar para ver você. Sempre que caímos no sono, eu amo acordar do seu lado. Quando eu estou treinando, eu amo ver você lendo algo na minha cama enquanto espera. Quando eu saio com meus pais, eu fico contando os segundos para receber alguma mensagem sua.”
Eu assenti porque eu sabia exatamente como era se sentir assim.
“Quando eu estou no treino, eu mal posso esperar para te beijar quando você vai me buscar.”
Ela se aconchegou em mim.
“Eu sei que nunca conversamos sobre isso, mas o que você acha que as pessoas vão dizer quando descobrirem sobre nós?”
“Sendo como somos?”
Ela assentiu. “Eu posso ter medo, mas eu tenho você ao meu lado. Eu sei que você não vai deixar nada de ruim acontecer comigo. Eu realmente queria que pudéssemos ser nós mesmas no colégio. Às vezes eu me imagino te dando um beijo depois de você ter me acompanhado até alguma aula, talvez dividir meu almoço com você. Eu também queria poder cantar abertamente pra você no Glee em vez de ter que fazer isso escondendo meus sentimentos.”
“As coisas que você disse ontem realmente mexeram comigo.” Eu comecei.
“Por favor, esquece isso. Eu estava sendo irracional sobre tudo. Eu sei que você não está pronta, seus medos são completamente naturais e foi errado da minha parte tentar pressionar você daquele jeito. Eu estou satisfeita com qualquer forma que eu possa ter você.”
Era tão bom ouvir ela dizer todas aquelas coisas e só me fez querer mais ainda dar a ela o que ela queria. Porque, no fim das contas, ela estava deixando que eu escolhesse. E eu estava pronta.
“Você deixaria eu cantar com você em um dos seus vídeos?”
Ela olhou para mim mais rápido do que eu tinha antecipado.
“Um dueto? Você está falando sério, Quinn?”
Antes que eu pudesse confirmar, ela me engolfou num forte abraço.
Eu sabia que as pessoas assistiam aos seus vídeos e eu sabia que eles assistiam porque gostavam de ouvir ela cantar. Claro, eu já tinha feito comentários horríveis sobre eles, mas eu sempre esperava secretamente para ouvi-la cantar. Eu sabia que todo mundo secretamente idolatrava sua voz e eu sabia que as pessoas veriam nós duas cantando juntas e algumas suspeitas seriam levantadas. Eu queria cantar com ela desde que eu tinha entrado no coral dois anos atrás, mas eu raramente tinha a oportunidade. Eu estava matando dois pássaros com uma pedra só. Eu cantaria com ela e também seria o começo para as pessoas descobrirem sobre nós, eu estava pronta para que as pessoas vissem a Quinn que ela via todos os dias.
No segundo que entramos no colégio juntas na manhã seguinte, nós podíamos ver os olhares que eram lançados em nossa direção. Antes de sairmos de casa, eu tinha checado a página do vídeo que tínhamos postado cantando I Think We’re Alone Now, da Tiffany e tinha mais de três mil visualizações. Era muito mais do que qualquer outro vídeo que ela tinha postado e nós sabíamos por quê. Talvez fosse uma jogada muita arriscada e quando Rachel sugeriu algo um pouco mais discreto, eu insisti naquela música. Eu tinha escutado aquela música no caminho pra sua casa. Havia se encaixado perfeitamente.
Sem levar em conta como ela tinha ficado usando uma blusa com a gola em v e um rabo-de-cavalo.
Talvez tínhamos nos deixado levar na escolha do figurino. Mas quando Rachel tinha algo em mente, ela ia em frente com aquilo. Literalmente. A esteira tinha sido útil como equipamento para deixar a letra da música ganhar vida.
“Quinn, eu estou com um pouco de medo.” Ela sussurrou ao perceber que as pessoas no corredor estavam nos encarando.
“Vai ficar tudo bem, não se preocupe.” Eu prometi a ela.
Eu realmente não tinha ideia do que ia acontecer, mas eu não podia voltar atrás. Nós tínhamos trabalhado arduamente no nosso vídeo inspirado nos anos 80 para desistirmos agora. Eu tinha dado meu sangue, suor e lágrimas naquela performance.
“Me leva até a minha sala?”
Eu sorri. “Claro.”
“O que nós fazemos? Eles estão esperando a gente fazer alguma coisa? Eu deveria segurar a sua mão?”
“Hmm, eu acho que sim.”
Eu engoli meu medo e segurei a sua mão com a minha enquanto íamos juntas para sua primeira aula.
“Me manda mensagem?” Eu implorei. Eu podia me virar, mas eu estava preocupada que alguém tentasse fazer algo com ela.
Ela assentiu antes de entrar na sala. Eu senti meu celular vibrar assim que cheguei na minha sala de aula.
Noah está salivando como se fosse um cachorro olhando para um pedaço de carne.
Eu cuido dele mais tarde. Além disso, está tudo bem?
Só sentindo a sua falta.
Eu também já estava com saudades, bem mais do que eu deveria. Eu lutei contra a umidade que já ameaçava tomar conta dos meus olhos e tentei ignorar as pessoas me encarando como se eu fosse fazer algum tipo de mágica ou algo do tipo.
Aquele primeiro dia de aula nunca tinha passado tão devagar.
“Você poderia ter me avisado, Fabray.” Santana apareceu do nada quando eu estava pegando alguns livros do armário.
Eu revirei meus olhos.
“Eu sei que você é completamente gay agora, mas aquilo era realmente necessário?”
“San, você me disse que tinha sido fofo.” Brittany sorria abertamente. “Eu gostei da sua calça, Quinn. Eu poderia ter te emprestado algumas coisas legais.”
Eu agradeci antes de dar uma risadinha para Santana, que estava claramente evitando comentar o que Brittany tinha dito antes.
“Que seja. Um aviso teria sido bom. Não ache que eu vou proteger a sua bunda.”
“Da próxima vez que eu fizer alguma coisa do tipo ou quiser me declarar para minha namorada, vou me certificar de ligar para você.” Eu respondi sarcasticamente enquanto caminhávamos para a sala do coral, nossa última aula do dia.
Quase todos os membros já estavam sentados em suas cadeiras e Rachel estava analisando algumas partituras no piano.
“Oi.” Eu sussurrei me esgueirando para perto dela.
“Eles ainda estão me encarando?” Ela perguntou num tom baixo.
Eu podia ver pelo canto do olho que eles estavam.
“Uhum.”
“Me dá um beijo.”
“Sério?”
“Sério. Eles estão olhando para nós. Eu acho que isso seria uma boa experiência para quando os paparazzi inevitavelmente começarem a me perseguir por NY, mas eu ainda tenho alguns anos antes disso acontecer. Isso precisa acabar agora.”
“Aproveite.”
Aquele beijo talvez tenha sido um dos mais inocentes que já tínhamos compartilhado, mas pareceu satisfazer nossa audiência.
“Eu sabia. Podem ir me pagando.”
Todo mundo grunhiu enquanto entregavam o dinheiro na mão de Kurt.
“Vocês apostaram?” Rachel perguntou incrédula.
“Você sabia dessa aposta?” Eu dirigi minha pergunta para Santana.
Ela encolheu os ombros enquanto lixava as unhas. “Eu tinha apostado que vocês iam assumir a relação gay de vocês no Ano Novo.” Ela se explicou antes de finalmente olhar para mim. “Era por isso que eu estava puta porque você não tinha me avisado. Eu poderia ter ganho essa merda.”
“Vocês são inacreditáveis.”
“Você pode nos culpar? Nós tínhamos que nos distrair com alguma coisa.” Artie disse com um inocente dar de ombros.
“Como vocês sabiam que nós estávamos juntas?” Rachel perguntou.
Todo mundo começou a explicar seus próprios motivos e nós não conseguíamos entender o que ninguém estava dizendo.
“Puckerman, eu vou arrancar os seus olhos se você continuar olhando pra ela dessa forma.”
Sua boca finalmente fechou, mas infelizmente não permaneceu assim. “Eu literalmente dou a vocês todas as minhas economias se vocês deixarem eu assistir vocês fazendo.”
“Cala a boca, Puckerman!”
“Qual é! Vocês são minhas duas garotas.”
“Como é que é?” Santana disse com raiva, enquanto Brittany encarava os dois.
Antes que a situação piorasse, uma nova surgiu.
“Ela não se importa com você. Ela está usando você e ela vai te machucar. Ela não ama você como eu amo.”
Parecia que o Finn tinha passado as últimas aulas fazendo uma lista com os motivos pelos quais Rachel não deveria estar comigo e falado antes que pudesse esquecê-la.
“Cara, você não pode falar assim e acabar com o momento. Elas estavam prestes a concordar com um ménage.” Puck reclamou.
“Eww, você tem sorte que eu não tenho ânsia de vômito.”
“Sério, Finn. Cresce.”
“Isso é tão quente.”
“Rachel, você não pode confiar nela.”
“Puckerman, eu juro por Deus...”
“Finn, deixa elas em paz. Elas estão felizes.”
“Eu e Santana podemos deixar você assistir.”
“Alguém apostou qual seria a reação do Finn?”
“Eu quero as quatro.”
“Puck, cala a boca! Hudson, não toque nela.”
“Eu apostei que o Finn iria todo Vanilla Sky pra cima delas.”
“Ninguém vai nos assistir, Britt-Britt.”
“Ela mentiu sobre quem era o pai da sua própria filha!”
“Por que não? A gente sempre deixa a câmera nos assistir.”
“Quem é Vanilla Sky?”
“Sério? Você ainda está nessa? Isso foi há mais de um ano atrás e você foi idiota o suficiente para acreditar em mim.”
“Porque isso é particular, Britt.”
“Não é minha culpa que você é tão convincente. Talvez as pessoas realmente possam ficar grávidas numa banheira.”
“Vanilla Sky é um filme que o Tom Cruise é completamente stalker.”
“Deus, você é um idiota! Eu estou feliz pelo Puck ser o pai, pelo menos ele tem algum tipo de cérebro!”
“Humm, igual Swinfan?”
“Santana, eu realmente te dou todo o dinheiro que eu tenho se você deixar eu ver esses vídeos.”
“Chega!”
Todo os olhares foram para uma pequena morena ao meu lado assim que sua voz ecoou pela sala.
“Puck, você não pode assistir ninguém fazendo sexo, gravado ou não. Kurt, Vanilla Sky é um pouco demais para essa situação e meu rosto é muito valioso para ficar desfigurado. Tina, Swinfan nem se compara e, também, eu jamais trairia Quinn com um provável stalker. Quinn, antes que você fale alguma coisa, eu nunca trairia você sob nenhuma circunstância. Santana e Brittany, eu não julgo vocês. Artie e Mike, obrigado por terem permanecido em silêncio. Sam e Mercedes, obrigada por nos defenderem. Finn, por favor, não fale da minha namorada dessa forma.”
“Namorada? Rachel, e nós?”
Eu não pude controlar o riso sarcástico que passou pelos meus lábios.
“O que é que tem nós?” Ela perguntou.
“Eu pensei, você sabe, que nós estávamos flertando e você estava só bancando a difícil?”
Dizer que ele estava iludido seria atenuar a situação.
“Flertando? Eu não vi você desde a festa. Eu sinto muito se minha reação ao te empurrar quando você tentou me beijar te levou a achar que eu queria algum tipo de relacionamento com você.”
“Mas com a Quinn? Você está fazendo isso para se vingar de mim? Eu disse que eu estava arrependido por ter dormido com a Santana.”
“Eu nunca vou saber como eu sobrevivi um semestre na Dalton sem isso.”
“Ao contrário do que você acha, isso não tem nada a ver com você, Hudson.”
“Fica fora disso, Fabray.”
“Cara, não fala assim com a minha baby mama.”
“Noah, por favor, nunca mais me chame disso.”
“Está vendo? Você nunca vai se livrar disso, Rach. A filha dela é sua irmã!”
“Bravo realmente precisa retornar minhas ligações. Como eles puderam não nos dar um reality show?”
“Você pode pegar emprestado a nossa câmera, Kurt.”
“Dispenso, Britt.”
“Eu já sei de todas essas coisas, Finn. Então se você está querendo me impedir de querer ficar com a Quinn, isso não vai dar certo. A menos que você esteja ciente de alguma coisa que faça nossa relação ser incestuosa, nada vai me impedir de estar com ela.”
Finn abriu e fechou sua boca, como um peixe fora d’água.
“O drama só aumenta.” Kurt comentou, os olhos arregalados de excitação.
“Então?”
“Finn, qual é exatamente seu problema comigo?” Eu perguntei depois dele ter permanecido em silêncio.
“Você foi quem mandou o Puck jogar raspadinha nela pela primeira vez, você fez a escola inteira começar a chamá-la de nomes horríveis, você fez aquela Glist estúpida para se sentir melhor e magoou a Rachel ainda mais, você me traiu com o meu melhor amigo, ficou grávida e continuou mentindo na minha cara. Você é uma traidora e uma mentirosa. Você provavelmente traiu o Sam também! Você é uma egoísta e você não merece alguém como a Rachel. Você nunca mereceu e nem nunca vai merecer.”
Os olhos de Rachel foram direto para mim, ela sabia minha insegurança sobre esse assunto. Ele tinha acertado em cheio. Até mesmo Santana podia dizer que ele tinha.
“Ok. Falando sério Finn, você está começando a me irritar. Como você ousa falar com a minha amiga dessa forma? Se você não estivesse com sua cabeça anormalmente grande enfiada na sua bunda, você veria que elas estão felizes juntas. A Quinn tem protegido a Rachel bem melhor do que você jamais fez, elas obviamente já superaram os problemas do passado e a Berry já deixou muito claro que trazê-los de volta não vai fazer com que elas se separem. Você teve um milhão de oportunidades com ela e você as desperdiçou e graças a Deus, porque se você não consegue enxergar o quanto a Rachel está feliz com a Quinn durante esses últimos meses então você realmente não a conhece e que eu vá para o inferno se você ainda acha que você a merece. Agora faz o favor de tirar sua bunda gorda do caminho delas, Hudson, antes que eu quebre essa sua cara de bebê em tantos pedaços que nem você mesmo vai se reconhecer.”
O silêncio que se seguiu foi quase estranho. Santana estava de pé e bem em frente ao moreno quando seu discurso acabou e Finn parecia precisar de um novo par de calças. Rachel permaneceu em silêncio enquanto analisava curiosamente Santana e eu estava lutando contra o riso que os meus lábios queriam soltar. Ninguém disse nada por um bom tempo.
“Você realmente me chamou pelo meu primeiro nome?”
“E daí?” Ela soltou, virando para voltar para a cadeira que ela tinha abandonado ao lado de Brittany.
Kurt parecia que tinha acabado de assistir os últimos trinta segundos do último episódio da última temporada de Os Sopranos. “E daí?”
“Cara, eu escutaria ela se fosse você.” Puck disse, finalmente acrescentando algo útil a conversa.
Finn não respondeu. Eu gentilmente segurei a mão de Rachel e a puxei para sentarmos quando Mr. Schue finalmente chegou.
“Para quem não ia defender a minha bunda...” Eu sussurrei ironicamente para Santana.
“Vai se foder, Fabray. E diz para a sua namorada não achar que isso foi grande coisa.”
Mr. Schue bateu palmas para chamar nossa atenção. “Desculpem pelo atraso, pessoal. Eu tive uma reunião com Figgins. Então, o que eu perdi?”
Os grunhidos foram instantâneos e necessários. Era o primeiro dia de aula e a tensão na sala do coral já era palpável. Rachel manteve sua mão entrelaçada a minha, mas eu estava com a cabeça muito longe dali para poder aproveitar a sensação. Eu tinha o que eu queria, mas eu não me sentia como eu pensei que me sentiria. Eu tinha centenas de arrependimentos pesando sob a minha cabeça sobre a forma com que eu havia tratado Rachel no passado.
Eu fingi não deixar com que as palavras de Finn me afetassem para não poder arruinar completamente o nosso dia, mas aquele assunto não ia ser evitado para sempre. Na verdade, eu não planejava prolongar aquele assunto por mais uma semana. Nós estávamos bem no colégio, nós continuamos a andar de mãos dadas enquanto andávamos pelo corredor e ela continuou a me dar um beijo no rosto sempre que eu a deixava em suas aulas. Nós ainda trocávamos mensagens quando ficávamos entediadas em alguma aula, sentávamos uma do lado da outra no almoço e ela até mesmo realizou seu desejo de dividir seu almoço comigo em um dos dias. Mas quando íamos pra casa uma da outra era quase que forçado e algo estava estranho entre nós. Eu não queria que fosse assim, mas quando não tínhamos a distração de estarmos no colégio, era meio que difícil fingir que tudo estava bem.
O silêncio nos matava.
Ela não me pressionou a me abrir, mas eu sabia que ela era esperta o suficiente para saber o que passava pela minha cabeça. Eu me fechei emocionalmente depois do Finn ter dito aquelas palavras para mim.
Eu estava deitada na cama do quarto de hóspedes. Ela estava praticando um dueto com o Finn. Eu não estava feliz com isso, especialmente depois de tudo que tinha acontecido, mas realmente não havia muitas opções masculinas para acompanhar Rachel na música que o Mr. Schue tinha escolhido. Eu fingi não me importar quando ela me disse que tinha que praticar com ele e me mandou uma mensagem para me avisar que tinha mudado o local do ensaio para o seu quarto para que eu pudesse estar lá também. Eu comecei a fazer meu dever de casa enquanto eu fracamente escutava eles passarem a música algumas vezes.
Eu não confiava nele.
Eu o ignorei quando ele subiu as escadas e me esquivei da tentativa de Rachel de me dar um beijo. Eu estava sendo uma idiota.
Ele tinha ido embora já faziam uns dez minutos, eu havia escutado ele fechar a porta da frente e o barulho do seu carro indo embora. Eu esperei que Rachel viesse até mim.
A batida na porta deveria ter me alertado para a séria conversa que estava prestes a acontecer entre nós. Ela raramente batia na porta.
“Podemos conversar?”
Meu corpo congelou quando eu ouvi sua voz. Eu pus minha melhor expressão e lentamente me virei para ver uma Rachel cansada e não muito confiante. E eu era o motivo. Ela sempre brilhava depois de cantar, mas a garota a minha frente parecia triste e hesitante.
Eu limpei minha garganta. “Claro. Sobre o que você quer conversar?”
“Finn.”
“O que tem ele?” Se a falha na minha voz fosse alguma indicação, eu estava nervosa.
Mas como eu era teimosa, eu ainda não queria falar sobre aquilo.
“Você pode ao menos olhar para mim?”
Eu fechei os olhos, apreciando o último momento em que eu pertencia a Rachel Berry antes que ela terminasse comigo para ficar com alguém que certamente era mais merecedor que eu.
“Olha, se você vai terminar comigo, por favor faça de uma vez para eu poder pegar minhas coisas e sair daqui.”
“Eu sabia! Você deixou o que o Finn disse te afetar.” Ela apontou um dedo acusatório para mim.
“Como não?”
“Você me disse que estava bem semana passada.”
Eu só pude encolher os ombros.
“Não me deixe de fora, Quinn.”
Quando eu não respondi, seu corpo desapareceu e eu estremeci com o barulho da porta batendo. Ela raramente batia a porta, mas ela era uma perfeccionista quando se tratava das suas saídas de diva. Ela nunca tinha usado elas comigo, no entanto. Ou ela estava realmente irritada ou ela queria que eu reagisse.
Eu levantei da cama e fechei meu caderno no processo. Eu estava fazendo o que os Fabrays faziam e eu tinha feito um trabalho tão bom até então tentando não ser assim. Eles tendiam a se fechar para as pessoas que ficavam muito próximas. Claro que as palavras de Finn estavam martelando na minha cabeça desde o segundo em que ele as tinha dito quase uma semana atrás. Elas não iam para lugar nenhum e em vez de discutir isso como uma pessoa normal, eu decidi passar por uma espécie de tortura sádica, o que eu não fazia desde que eu tinha começado a ficar com Rachel.
Não demorou muito para eu andar até a porta do seu quarto e encontrá-la dando voltas pelo quarto.
“Não me deixe te deixar de fora!”
Os pais dela ainda não estavam em casa, então eu não tinha que me preocupar com o volume da minha voz.
“Por favor Quinn, me diga como eu faço isso? Você tem estado tão fechada essa semana que passou, é como conversar com uma parede.” Ela argumentou.
“O que você esperava, Rachel? Ninguém está atacando você ou te dizendo que você não me merece.”
Ela me olhou incrédula e balançou a cabeça enquanto abraçava a si mesma.
“O que eu sei é que eu não mereço esse tratamento de você. Eu entendo que você esteja insegura-”
“Só fica quieta.”
“Você está evitando seus sentimentos.”
“Deus, para de tentar me consertar, você não é minha terapeuta, Rachel. Você é minha namorada.”
“Exatamente, Quinn. Eu sou sua namorada. Eu estou com você, não com o Finn.”
Eu exalei pelo nariz. “Você não precisa me agradecer por te fazer esse favor.”
Ela apontou para a porta. “Sai da minha casa.”
Suas palavras me rasgaram por dentro e acertaram meu peito como um trem de carga. Ouvir aquelas palavras me machucaram fisicamente. Ela sabia o que aquelas palavras causavam em mim, ela sabia que era exatamente o que meus pais tinham me dito na noite em que eles haviam me expulsado de casa. Na noite em eles me machucaram sem volta. A noite que eles me estragaram tanto que eu nem podia ficar num relacionamento sem me sentir insegura e como se eu estivesse no limite em certos momentos. E aqui estava Rachel, jogando essas palavras na minha cara. Independente dela ter percebido ou não, elas doeram como o inferno.
“Quinn, eu não quis...”
Suas palavras pararam quando a porta bateu atrás de mim.
Eu estava sendo extremamente difícil e isso eu conseguia admitir. Rachel nunca tinha sido nada menos que perfeita e compreensível comigo. Ela entendia que alguns dias eu precisava de alguns momentos sozinha, ela entendia porque eu ocasionalmente recuava quando passávamos por um bebê num carrinho e ela rapidamente percebeu porque às vezes eu tinha problemas em expressar meus sentimentos. Ela também reconheceu que eu precisava de algum tempo longe dela. Ela não iria atrás de mim ou me fazer falar durante o jantar. Eu não podia ficar longe dela nem mesmo quando estávamos no meio de uma briga. Eu voltei para o quarto de hóspedes e silenciosamente engoli meus problemas quando os Berry nos chamaram para jantar. Nós respondíamos as perguntas deles sobre o nosso dia, mas não passou disso. Ocasionalmente nossos olhares se cruzavam e parecia que uma faca estava sendo enfiada bem no meu coração. Eu sabia que ela estava tão magoada quanto eu, mas eu precisava resolver meus problemas antes de fazer promessas que eu não poderia cumprir.
Nós já tínhamos tido brigas estúpidas antes. Sobre qual filme assistir ou que comida pedir. Elas eram, na maioria, devidas as nossas personalidades orgulhosas, mas essa era a primeira briga que tinha o potencial de nos afetar de verdade. Nós precisávamos encarar e resolver aquilo antes que acabasse nos destruindo.
Eu odiei o que Finn tinha me dito, mas eu odiava ainda mais o que eu estava fazendo com Rachel por causa disso. Eu não podia magoá-la mais do que eu já tinha durante aquela semana de silêncios e respostas curtas quando estávamos sozinhas.
Eu precisava ser a Quinn que ela sempre viu em mim. Aquela que ia desnudar a alma e falar sobre tudo que estava passando pela sua cabeça. Eu precisava achar a garota pela qual ela tinha se apaixonado e voltar a ser ela.
Finn era um pequeno detalhe na minha vida e mesmo que ele tivesse suas opiniões sobre o nosso relacionamento, Rachel estava certa, ela estava comigo. Por que eu precisava de mais que isso, eu não tinha certeza.
Não houve nenhuma resposta quando eu bati levemente na porta. Eu pensei em bater de novo, mas eu estava com um pouco de medo de que ela não fosse responder mais uma vez. Eu também considerei que ela já pudesse ter dormido, o que era um pensamento mais assustador ainda. Era sábado e ela estar na cama às sete só para me evitar era doloroso. Eu abri a porta e ela só rangeu uma vez. Suas luzes estavam acesas e Rachel não estava na cama. Eu empurrei a porta mais um pouco para encontrá-la mais uma vez andando pelo quarto.
“Rach?”
Sua cabeça levantou imediatamente quando ela percebeu que eu estava no quarto com ela.
“Quinn.” Ela disse, um pouco ofegante.
Eu fechei meus olhos e respirei profundamente antes de me aproximar dela. Eu segurei suas mãos e a puxei até a cama. Nos sentamos na beirada e eu passei o meu braço pelas suas costas.
“Eu sou uma idiota.” Eu comecei.
“Você não é idiota.” Ela imediatamente tentou a argumentar.
“Me deixe botar isso pra fora.” Eu pedi. “Eu sou idiota porque às vezes eu me preocupo com o que as outras pessoas pensam. A única pessoa com quem eu deveria me preocupar é você.”
“Posso falar agora?”
Eu sorri e assenti. “Santana estava certa no que ela disse ao Finn. Ele não faz ideia do quanto você me faz inacreditavelmente feliz.” Eu deixei um pequeno sorriso escapar. “Ele ainda vê a Quinn que partiu seu coração e ele ainda acredita que eu sou a garota que é obcecada por ele desde o primeiro ano. Ele não faz ideia de quem nós somos agora, especialmente uma para outra.”
Eu permaneci em silêncio enquanto ela tirava alguns fios de franja dos meus olhos. “Você é perfeita pra mim e você é muito dura consigo mesma.”
Eu assenti e olhei para baixo. “Finn me atingiu porque tudo que ele disse é verdade.” Eu finalmente admiti. “E eu só estou esperando você perceber isso.”
“Pode ter sido verdade algum dia, mas não é verdade agora. Se eu quisesse viver no passado, eu já teria inventado uma máquina do tempo. Eu gosto de estar aqui, no presente, com você. E se você quer saber, o ataque de ciúmes dele só me fez querer ficar mais perto de você. Confirmou ainda mais o quanto eu sou incrivelmente feliz com você e no quanto eu tenho sorte por também ser aquela com quem você quer estar. Eu não sou ingênua, eu sei o quão fácil seria pra você voltar para o que o Finn ainda acha que você é, mas o fato de você querer continuar mudando por mim... Bom, eu acho que isso faz de você a pessoa mais merecedora do mundo.”
“Você é muito boa com as palavras.” Eu falei por entre uma pequena risada.
Ela estava fazendo com que fosse inacreditavelmente fácil estar com ela e mais fácil ainda me abrir.
“Você pode ser também quando está inspirada.”
“Nós estamos bem? Me perdoa por estar agindo como uma idiota com você.”
“Claro que nós estamos bem.” Ela sorriu antes de se inclinar para me dar um beijo suave nos lábios. “Mesmo quando brigamos, eu me sinto inacreditavelmente atraída por você.” Seu nariz acariciou meu rosto e eu comecei a sentir muito calor. “Promete que você vai conversar comigo mesmo que você esteja chateada com alguma coisa?”
Eu assenti e mordi meu lábio inferior. “Eu prometo.”
“Nós não temos apreciado devidamente a sensação de estarmos finalmente livres. Quero dizer, todo mundo já sabe... Nós podemos fazer o que quisermos.”
“Minha mãe sabe também.” Eu disse a ela. Eu estava esperando pelo momento certo para contar.
“Ela não te expulsou de casa!” Ela bateu palmas excitada antes de me derrubar na cama e beijar cada centímetro do meu rosto.
“Não, ela não me expulsou.” Eu ri enquanto sentia cócegas nas minhas costelas. “Nós não conversamos ainda, mas pelo menos ela já sabe.”
“Isso é maravilhoso! É como uma etapa completamente nova em nossas vidas!”
“Você é tão sentimental.” Eu provoquei antes de beijar o bico que ela tinha feito.
“Então, namorada, e aquele encontro que eu tenho requisitado?”
Eu me inclinei para alcançar seus lábios mais uma vez antes de me levantar. “Podemos ir na sessão das nove, mas primeiro, eu queria postar outro vídeo nosso no Youtube.”
“Sério?” Ela pulou da cama com um guincho. “Porque minha inbox está cheia de pedidos. Alguns são vulgares, mas eu tenho um forte pressentimento de que esses são do Puck.”
“O que você quiser, princesa.” Eu sorri quando ela foi direto para o seu notebook e começou a analisar sua lista de músicas instrumentais.
A Whole New World parecia se encaixar perfeitamente à situação.
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