Holidaze

3 Groundhog Day


Notas iniciais
E aí galera? Mais um capítulo pra vocês! Espero que gostem! E obrigada por todos os comentários! Que bom que estão gostando da fic, eu sou apaixonada por ela! Qualquer erro podem comentar comigo!

Eu realmente nunca tinha entendido o que as pessoas queriam dizer quando me diziam que eram as pequenas coisas da vida as que importavam. Parecia estúpido para mim. Por que alguém ficaria tão feliz sobre algo tão pequeno e sem importância?

Isso foi antes que eu soubesse o que era ter uma amizade secreta com Rachel Berry.

As pequenas coisas se tornaram colossais.

Olhares de relance na sala de aula, mãos se encostando no corredor, sorrisos tímidos durante o almoço, bilhetes inspiradores no meu armário, mensagens pelo facebook na sala de estudo, até as piscadas antes dos ensaios do Glee me deixavam felizes por estar viva. Me deram uma razão para levantar da cama pela manhã antes mesmo do meu alarme tocar.

Mas as mensagens no celular... Elas eram as melhores.

As vibrações me deixavam perto de um ataque do coração. Supostamente, não era permitido usar o celular durante a escola, então o jeito com que Rachel estava quebrando as regras tinha me deixado ajudando-a de todas as maneiras possíveis pra ela continuar fazendo isso.

Eu normalmente não conseguia chegar a metade da aula de espanhol sem ceder à tentação de falar com Rachel. Era muito forte para ser ignorada. E eu achava os motivos mais banais para enviar mensagens pra ela.

Brittany acabou de perguntar ao Mr. Schue como está o seu filho... Às vezes eu gostaria de saber mais sobre ela.

Eu queria trocar de lugar com você, Santana está dando uma apresentação sobre maldições da Broadway só para me irritar.

O que é uma maldição da Broadway?

Isso não existe!

“Quinn, guarde o celular... Quem pode me dizer a forma passada dessa palavra?”

Eu prestei atenção por aproximadamente três minutos antes do celular vibrando me distrair mais uma vez.

Você poderia conversar com a Santana quando tiver uma oportunidade?

Eu já tive várias conversas com ela, o que ela está fazendo agora?

Além de arruinar a minha vida?

Você é tão dramática, mas eu vou falar com ela por você.

Eu ficaria grata.

Às vezes eu sentia como se Rachel estivesse tão desesperada para falar comigo como eu estava para falar com ela. Não importava o que nós inutilmente conversávamos, desde que nós estivéssemos em contato uma com a outra. Assim que cada aula acabava, nós tínhamos uma nova lista de assuntos para falar sobre.

Você acha que vai nevar nesse final de semana?

Eu olhei para a minha esquerda e inclinei minha cabeça para que eu pudesse ver o céu através da janela.

Não parecia como se fosse nevar, mas o final de semana estava há três dias de distância, então qualquer coisa podia acontecer. Eu não tinha ideia do porquê dela estar me perguntando sobre o tempo, eu era a única que sempre a perguntava sobre o tempo.

Você não pesquisa sobre o tempo antes de ir dormir?

Eu pesquiso. Eu só estou preocupada que os meteorologistas estejam mentindo para mim.

Claro que ela deduziu isso. Rachel Berry tendia a acreditar que o mundo todo girava em torno dela. Isso era cativante de uma forma inocente.

Por que eles mentiriam para você?

Por que eles não mentiriam para mim?

Eu ri levemente comigo mesma e senti os olhos de Santana brilharem para mim de seu assento ao lado do meu. Ela odiava quando eu estava com o meu celular porque eu acho que ela se sentia excluída e ela não estava acostumada a se sentir dessa forma.

Justamente quando eu penso que você não pode ficar mais dramática.

Você ama meus dramas, eles fazem você rir.

Era verdade. Eu amava seus dramas e eles certamente me faziam rir. Era porque na maioria das vezes ela estava falando completamente sério.

Isso não é verdade.

Você esquece que nós estamos na mesma aula agora... Eu posso te ver, lembra?

Eu li a mensagem duas vezes antes de olhar para além de Santana e ver os olhos castanhos de Rachel Berry sorrindo para mim com a sobrancelha arqueada. Ela me pegou totalmente de surpresa, às vezes eu realmente esquecia que nós estávamos na mesma aula porque nós não agíamos como se estivéssemos. Nós não deveríamos estar trocando mensagens durante o horário escolar, mas nós realmente não deveríamos estar trocando mensagens enquanto estávamos na mesma sala. Somente pessoas obcecadas uma com a outra faziam isso.

Você é uma espertinha.

Aww você está ficando vermelha agora, eu tenho esse efeito sobre você, Quinn Fabray?

Eu fiquei mais vermelha ainda e sacudi a cabeça enquanto lia a mensagem novamente.

“Você está parecendo uma idiota.” Santana sussurrou asperamente para mim.

Eu a ignorei e voltei minha atenção para o celular. Rachel estava esperando minha resposta.

Me deixe em paz.

Você vai me deixar triste.

Eu poderia levantar o olhar e procurá-la novamente, ela estava provavelmente fazendo beicinho do outro lado da sala.

Eu tenho certeza que você ficará bem.

Lol se eu prometer parar de tirar onda com a sua cara, você seria minha amiga de novo?

Eu levei um minuto para responder, o que queria dizer anos para nós em se tratando de mensagens de texto. As respostas normalmente vinham imediatamente e se ela não estivesse na mesma sala que eu ela provavelmente deduziria que eu tinha sido abduzida. Eu só queria que ela agonizasse um pouco.

Eu finalmente apertei enviar.

Somente se você também me fizer cookies esse final de semana.

Você finalmente está admitindo que eu faço cookies melhores que os seus?

Eu sabia que ela fazia. Não que ela não aproveitasse a oportunidade de me dizer isso toda vez que podia.

Existe alguma competição de que eu não estou ciente?

Tudo é uma competição, Quinn.

Típica resposta Rachel Berry.

Certo, como eu poderia esquecer?

O nome dela foi chamado pelo professor para responder uma questão. Como ela era capaz de manter uma conversa por mensagens e prestar atenção em Literatura Inglesa eu nunca saberia.

Sarcasmo a parte, o que você vai fazer esse fim de semana?

Eu já tinha me certificado de não ter nada para fazer aquele final de semana, caso ela quisesse fazer algo.

Nada de especial, o que você vai fazer?

Eu estava me perguntando se você toparia uma noite do pijama.

Eu li as últimas três palavras repetidas vezes, isso era novo para nós, nunca tinha acontecido antes. Uma noite do pijama parecia um sonho se tornando realidade, mas eu estava completamente despreparada pra isso. Não era suficiente eu me atrapalhar com as palavras quando eu estava sozinha com ela, tinha que ser também quando eu estivesse dormindo ao seu lado? Acordando ao seu lado? O que eu ia fazer?

Eu não sabia o que responder e uma nova mensagem chegou.

Nós poderíamos convidar todas as meninas do Glee se isso fizer você se sentir mais confortável.

Minha hesitação em responder fez ela pensar que eu não queria ter uma noite do pijama com ela e eu queria chutar a mim mesma por ter hesitado. Eu não queria as outras meninas lá, mas eu não podia dizer isso a ela.

O que você quiser está bom pra mim.

Nós poderíamos ver filmes e comer porcarias.

Eu sorri e digitei rapidamente minha resposta dessa vez.

E isso é diferente do que normalmente fazemos?

Eu suponho que não, mas meus pais não vão estar em casa e eu me sentiria muito melhor se eu tivesse alguém para me fazer companhia em minha vigília para ter certeza de que não tem nenhum assassino em série escondido no meu closet.

Eu soltei uma gargalhada alta e tive que disfarçá-la com um ataque de tosse. Santana me lançou outro olhar e o professor estava começando a suspeitar.

Dramática.

Você me protegeria?

Eu me derreti com a sua escolha de palavras.

Eu posso carregar uma arma?

Eu tenho um taco de beisebol com o seu nome nele.

Eu amaria saber aonde ela arranjou um taco de beisebol, ela era péssima quando se tratava de esportes. Para uma dançarina e atriz, sua coordenação era seriamente duvidosa.

Tudo bem, mas os garotos não podem descobrir, senão eles vão tentar nos assustar de propósito.

Isso será um problema, Noah descobriu.

Bem, então era só uma questão de tempo antes de rolar uma fofoca sobre uma festa na casa da Rachel.

Como ele descobriu?

Eu devo ter mencionado algo.

Ela nunca conseguia manter a boca fechada sobre as coisas.

Rachel! Isso foi burrice.

Bom, agora eu tenho uma desculpa.

Os outros alunos começaram a guardar o material enquanto o professor tentava desesperadamente ser ouvido. Ninguém estava escutando.

Uma desculpa para que?

Pra você me proteger ;-)

O sino tocou estridentemente, retirando minha atenção da tela do meu celular. Eu fiz o meu melhor para não deixar meu rosto me trair e revelar minhas verdadeiras emoções com a mensagem que ela havia acabado de enviar. Eu podia sentir seus olhos em mim e eu sabia que se eu a olhasse, eu veria o sorriso de satisfação que ela sempre dava quando me pegava com a guarda baixa.

Ela passou pela minha carteira e esbarrou contra mim de propósito. A confiança que ela às vezes exibia vinha do nada. Claro, ela era confiante quando estava cantando ou atuando em algum papel, mas esse era o nosso dia-a-dia e ela estava agindo como se fosse uma celebridade que havia ganhado algum prêmio.

Eu assisti ela sair da sala, incapaz de me mover até Santana me empurrar para que eu saísse de seu caminho.

“Você precisa parar com essa merda.” Ela disse atrás de mim enquanto andávamos pelo corredor.

“Do que você está falando?”

“Você está sendo tão óbvia, é quase embaraçoso.”

Eu rolei meus olhos e continuei caminhando em direção ao refeitório, Brittany vinha em direção a nós com um sorriso no rosto e eu me recompus. Ela sussurrou alguma coisa no ouvido de Santana e o que quer que seja que ela tenha dito deixou a latina sem palavras. Como ela poderia falar algo sobre eu ser muito óbvia?

Nós três nos sentamos na mesa de costume e Brittany e Santana começaram a falar sobre os melhores beijadores da escola. Eu tendia a me desligar desse tipo de conversa, mas rapidamente fui obrigada a direcionar minha atenção para elas.

“Fico imaginando se a Rachel beija bem.” Brittany disse.

Santana riu. “Eu aposto que ela é muito ruim.”

Ela estava fazendo isso para ver se eu me manifestava e eu me recusei a dar o que ela queria. Meu celular vibrou na mesa.

Você parece estar se divertindo.

Eu levantei o olhar para ver Rachel olhando para mim e me pegar sorrindo.

Oh toneladas de divertimento -_-

“Mas ela tem lábios realmente bonitos.” Brittany contrapôs.

“Mas isso não importa.” Santana concluiu, tomando um gole da sua vitamina.

“Por que isso não importa?” Eu perguntei.

“Porque ela é como um gnomo.”

“Isso não faz sentido.” Eu rebati.

Do que vocês estão falando?

Na verdade, as duas estão tentando decidir se você beija bem ou não.

“Claro que faz. Isso faz ela cair uns cinquenta pontos no quesito gostosa, ela é muito baixinha.” Santana disse.

Você tá brincando.

“Eu ainda acho que ela é gostosa.” Brittany soltou.

Quem dera.

O que elas estão falando?

Eu podia ver o ciúme saindo dos poros de Santana e ri pra mim mesma antes de voltar para a minha conversa com a Rachel.

Bom, Brittany parece achar que você tem lábios muito bonitos. Eu estou inclinada a concordar.

Eu cuido muito bem dos meus lábios.

Dá para perceber.

“Eu não posso acreditar que você realmente acha que ela é gostosa.” Santana estava irritada, provavelmente já esquematizando uma maneira de botar Rachel para baixo.

“Ela é a única pessoa nessa escola que eu ainda não beijei.” Brittany encolheu os ombros.

“Isso não significa que você precisa beijar ou achar que ela é gostosa.”

Meu celular vibrou novamente e eu deixei as duas resolverem suas discordâncias.

O que mais elas falaram?

Santana agora está com ciúmes porque Brittany acha que você é gostosa.

Ah não, agora ela vai ser excepcionalmente má comigo.

“Ela é nojenta.” Santana quase guinchou em aborrecimento.

Eu olhei para o meu celular e li a mensagem de Rachel mais uma vez. Ela botou fé o suficiente em mim para protegê-la aquele final de semana enquanto seus pais viajavam. E eu iria protegê-la até onde eu pudesse de Santana.

Eu não era para ser aquela que ficaria com ela quando ela tivesse a casa só para ela e eu não era pra ser aquela que botava Santana em seu lugar depois de um comentário rude sobre ela deixar os seus lábios. Era para Finn estar fazendo essas coisas. Finn era pra ser aquele que a protegeria com um taco de beisebol quando o vento soprasse forte o suficiente para que os galhos das árvores batessem na janela.

No entanto, eu podia fingir por um pouco mais de tempo.

“Deixa a Rach em paz.” Eu exigi.

“Que Rach?”

“Dã! Rachel Berry. Nós estávamos falando dela há uns cinco minutos atrás.” Brittany esfregou o braço de Santana.

Santana sabia quem era Rach, ela só estava provando um ponto para me chamar atenção sobre isso.

“Desde quando você se importa se eu faço alguma coisa com a Berry?”

Ela sabia desde quando, ela estava sendo implacável tentando me fazer admitir que eu estava atraída por ela. Ela estava convencida que alguma coisa tinha acontecido entre nós no Ano Novo e ela estava certa.

“Sabe, eu acho que talvez você tenha uma queda por ela.” Virei a discussão a meu favor. “Você parece amar falar dela o tempo todo.”

“Eu não.” Santana vacilou.

“Sempre comentando sobre a aparência dela, saindo do seu caminho só para ser má com ela e eu ouvi sobre sua pequena apresentação mais cedo sobre as maldições da Broadway.”

Eu logo percebi que eu não estava usando a melhor tática falando com a Santana daquela forma e estava bastante claro que isso ia ter o efeito oposto do que eu estava esperando.

“Eu sou má com ela porque eu não gosto dela.” Santana argumentou. “Além disso, eu sou má com todo mundo.”

Brittany concordou ao seu lado.

“Só deixe ela em paz.” Eu disse a ela. “Está ficando chato.”

“B, você roubaria um biscoito pra mim?” Santana acenou com a sua cabeça para a parte da frente do refeitório.

Brittany sorriu e foi em direção a mesa da sobremesa. O pequeno sorriso sumiu do rosto de Santana assim que ela se virou para mim. Santana não comia biscoitos, ela só queria que Brittany saísse para poder falar comigo abertamente.

“Eu acho que você só está envergonhada pelo fato de que a sua pequena paixonite é a maior perdedora dessa escola.” Santana atirou e cruzou os braços.

“Ok, isso era há dois anos atrás, ela não é mais uma perdedora. Você se esqueceu que ela namorou Puck, aquele idiota da Carmel e o nosso quarterback?”

“Você se esqueceu de que ela ainda está namorando o nosso quarterback? Você precisa acordar desse sonho que você está tendo. Você realmente acha que a Berry vai largar o Hudson por você?”

“Ninguém disse nada sobre...”

“De qualquer maneira, por que você está defendendo ela? Não é como se vocês fossem amigas. Ela não tem problemas em te ignorar todos os dias.”

“Isso não é verdade.” Eu comecei a argumentar.

Um sorriso satisfeito tomou conta do seu rosto. “Tem algo que você queira compartilhar com a classe?”

“Esquece. Só deixe a Berry em paz.” Eu disse a ela, aborrecida por ter deixado ela me afetar quando eu estava tendo um dia perfeitamente bom.

“Eu peguei um pedaço de chocolate pra você.” Brittany disse assim que voltou à mesa. “Mas eu fiquei com fome e comi.”

Está tudo bem? Você parece chateada.

Eu olhei para o meu celular e pensei sobre qual resposta eu daria.

Santana sempre sabia exatamente o que dizer, fosse bom ou ruim. Aonde estava a garota que havia me incentivado a ir em frente no Ano Novo?

Está tudo bem.

...

“É um dia glorioso. O dia da marmota não parece nublado, portanto o inverno logo terá terminado.” Rachel anunciou no Glee mais tarde naquele dia.

“Quem se importa?”

“Santana, você deveria se importar! O dia da marmota determina se vai ou não ter mais seis semanas de inverno.” Ela guinchou.

Eu achei adorável que ela estivesse vestindo um suéter com uma marmota nele. Ela me disse que vestiria na noite anterior quando estávamos no telefone e eu não acreditei nela. Ela realmente me provou que eu estava errada.

“Você não acredita nisso realmente, acredita?” Santana perguntou num tom entediado.

“Claro que acredito. É um fato comprovado.”

“Você é uma idiota. E você meio que me lembra uma marmota. Então vai se enfiar de volta no seu buraco ou algo do tipo.”

Eu assistir da minha cadeira no degrau mais alto Finn rir para ele mesmo enquanto Rachel pisava em seu próprio pé. Ele não teve sequer a decência de defender sua namorada.

Mr. Schuester entrou antes que eu pudesse abrir a minha boca para gritar com Finn e Santana.

“Hey, eu estava pensando...” Eu comecei enquanto me aproximava de Rachel em seu armário depois do Glee. “Por que você não vai lá pra casa hoje à noite e nós assistimos O Dia da Marmota?”

Ela me estudou curiosamente. “Sério? S-sem problemas?”

“Sério! Quer dizer, minha mãe vai estar em casa, mas você raramente percebe que ela está lá na maioria das vezes. Ela está meio que no meu pé para conhecer você e eu tenho certeza que ela vai gostar de exibir suas habilidades culinárias de dona de casa.”

Ela não riu. “Você quer que eu vá para a sua casa?”

Eu dei um passo pra trás ao lembrar que ainda estávamos na escola. Nós não nos falávamos na escola. Nós trocávamos mensagens e conversávamos secretamente, mas nunca nos falávamos na frente dos outros.

“Quero, por quê? Isso é estranho ou algo do tipo?”

Eu estava começando a ficar nervosa. O jeito que eu havia imaginado na minha cabeça tinha sido bem diferente do que realmente estava acontecendo. Eu esperava que ela graciosamente aceitasse o meu convite, talvez me abraçasse ou me rodopiasse em câmera lenta. Estava claro que eu estava passando muito tempo com Rachel Berry.

“Não! É só que normalmente nós vamos pra minha casa.” Ela explicou.

“Então você só quer fazer algo comigo se for na sua casa?”

“Não, não foi o que eu quis dizer.”

“Tá tudo bem, Rach. Eu vou pra sua casa depois do treino das Cheerios e nós assistimos um filme.”

Eu estava fazendo de novo. Eu estava jogando uma sutil queda de braços. Eu tendia a me fechar quando isso acontecia. Não ajudava que a voz irritante da Santana estivesse na minha cabeça, rindo sobre o quão boba eu era por acreditar que Rachel e eu pudéssemos ser amigas de verdade.

“Não, Quinn...”

“Eu estou pelo menos convidada para a sua casa hoje à noite?”

Ela pareceu ofendida, mas eu não sabia o porquê. Não era educado se presumir convidada. Todas as vezes que eu estive na sua casa ela tinha me convidado formalmente.

“Você sempre está convidada, você sabe disso.” Ela disse suavemente.

“Ótimo. Vejo você mais tarde.”

E eu já tinha começado a andar para longe dela. Eu odiava quando eu ficava desse jeito, mas eu não podia evitar. Eu não tinha razão para reagir daquela forma e eu não tinha motivo nenhum para presumir que Rachel poderia querer conhecer a minha mãe. Conhecer a minha mãe? Jesus! Não era como se estivéssemos namorando. Qual era o meu problema? Nós só tínhamos nos tornado amigas, isso não deveria ser grande coisa como eu estava tentando fazer com que fosse. Mas por alguma razão, eu queria que a minha mãe a conhecesse, nem que fosse para ela poder por um rosto em seu nome. Não porque eu queria que Rachel avançasse mais para dentro da minha vida.

O treino das Cheerios tinha sido esgotante aquela tarde e isso tinha sido bem-vindo. Eu mal tive tempo para pensar no quão teimosa eu estava sendo pela relutância inicial de Rachel de ir para a minha casa. Quer dizer, tinha sido só um choque, certo? Eu nem tinha dado tempo para ela responder corretamente à minha pergunta.

Santana teve um treino particularmente difícil.

Rachel estava me esperando do lado de fora do meu carro quando eu entrei no estacionamento. Eu apertei um pouco o passo quando a vi. Ela devia estar congelando. Só porque o dia da marmota não tinha ficado nublado não queria dizer que o inverno já tinha acabado.

“O que você está fazendo?” Eu perguntei, destravando a porta antes de empurrar ela para o banco do carona.

“Eu te mandei mensagem.” Ela disse rangendo os dentes de frio.

Eu fechei a porta e dei a volta para entrar do lado do motorista. Liguei o carro e coloquei o ar quente na potência máxima antes de me virar para ela.

“Você sabe que a treinadora Sylvester nos obriga a desligar os celulares antes de começar o treino.” Eu a lembrei.

“Eu sei disso.”

Eu achei que ela tinha esquecido.

“Por que você estava aqui fora? Eu disse que ia pra sua casa depois do treino.”

“Eu não queria que você...”

Eu me endireitei no banco. “Oh, ok. Eu levo você pra casa.”

“Para de me interromper e de levar o que eu digo para o outro lado.” Ela pôs suas mãos na frente do aquecedor. “Eu não quero que você vá para a minha casa porque eu quero ir para a sua.”

“Oh... Ok.”

Rachel ficou em silêncio por mais alguns segundos. “Eu sinto muito por ter hesitado mais cedo, eu só queria ter certeza de que realmente estava tudo bem eu ir para sua casa.”

“Bom, por que não estaria? Eu que te convidei, lembra?”

“Eu sei. É que nós não tomamos conhecimento uma da outra fora da minha casa.”

“Nós somos amigas, certo? Eu acho que nós deveríamos poder sair juntas quanto e quando quiséssemos.” Eu esclareci.

Foi um movimento corajoso da minha parte dizer aquilo.

“Certo... Amigas.” Ela replicou.

Eu me recusei a levar em conta a tristeza na sua voz porque provavelmente não era nada. Dei ré e saí do estacionamento, indo em direção à minha casa. Minha mãe estava na cozinha falando no telefone.

“Ok. Eu tenho que ir Edith, Quinn chegou em casa da escola. Claro. Tchau.” Ela desligou o telefone. “Desculpe por isso meninas, estava resolvendo algumas coisas do evento de caridade que estou organizando esse final de semana. Você deve ser a Rachel.” Minha mãe deu alguns passos e segurou sua mão. “Quinn sempre fala tanto de você, é um prazer finalmente te conhecer.” Ela sorriu calorosamente sacudindo a mão de Rachel.

Tive esperanças de que Rachel achasse que a minha mãe estava sendo simpática, eu não queria necessariamente que ela descobrisse o quanto eu realmente falava sobre ela.

“É também um prazer finalmente te conhecer, Sra. Fabray. Você tem uma linda casa.” Rachel respondeu, radiante.

Assisti os olhos de minha mãe brilharem de excitação, Rachel já havia caído em suas graças.

“O que vocês vão fazer, meninas?”

“Eu convidei a Rachel para o jantar.” Eu disse a ela e minha mãe arqueou a sobrancelha. Eu não convidava as pessoas para o jantar, especialmente depois do Finn ter me feito ser expulsa de casa.

“Que maravilha! Vou preparar algo especial.”

“Ok. Nós vamos fazer nossos deveres de casa.” Eu disse, entregando a Rachel uma garrafa de água.

“E depois nós vamos assistir O dia da marmota.” Rachel acrescentou. “Em homenagem a hoje.”

Minha mãe sorriu abertamente. “A primavera está chegando.”

Rachel estava simplesmente radiante por alguém finalmente compartilhar a mesma crença que ela e eu decidi puxá-la para as escadas antes que isso se tornasse uma discussão de quarenta e cinco minutos. Minha mãe podia falar sem parar se ela tivesse a audiência certa.

“Certo. Nós estaremos no meu quarto.”

“Eu chamo vocês quando o jantar estiver pronto.”

“Eu amei a sua mãe!” Rachel sussurrou enquanto subíamos as escadas.

Eu estava esperando por isso.

O jantar foi surpreendentemente normal. Minha mãe não parecia ter nenhum problema em escutar as histórias que Rachel contava e Rachel não achava que a minha mãe era uma chata esnobe. Foi estranhamente reconfortante não ter que me preocupar em fazer uma boa impressão das duas, elas estavam fazendo um ótimo trabalho sozinhas. Eu sequer me senti envergonhada quando minha mãe começou a contar as minhas histórias de infância, mas eu suspeitava que isso tinha alguma relação com o fato de Rachel estar descansando sua mão nas minhas pernas por baixo da mesa.

Minha mãe quase se derreteu quando Rachel sugeriu que devíamos ajudar com a louça.

“Você agora deve ser a nova melhor amiga da minha mãe.” Disse a ela assim que sentamos para assistir ao filme.

Eu sabia que ela ficaria emocionada ao escutar aquilo e seu sorriso não me desapontou.

“Eu não tenho muitas oportunidades de fazer amizade com os pais dos meus amigos.”

Franzi a testa, olhando pra ela. “Como assim?”

“Não é todo dia que eu recebo um convite para jantar na casa de alguém e pelo que ouvi, sua família é meio que intimidante.” Explicou.

“Você acha que eu sou intimidante?” Eu perguntei calmamente.

“Eu achava.” Ela encolheu os ombros. “Eu pensei que sua mãe não fosse gostar de mim.”

“Por que você pensou isso?”

“Bom, eu sou judia e meus pais são gays.” Ela explicou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Eu não pude evitar minha gargalhada. “Ela já sabia disso. E não é como ela se importasse.”

“Eu não podia ter certeza.” Ela disse.

“Claro que quando meu pai estava aqui, as coisas eram um pouco diferentes, mas isso não ia me impedir de sair com você.” Disse a ela.

Ela se virou para me encarar e estudou o meu rosto. “Você diz isso agora.”

Eu balancei minha cabeça negativamente. “É verdade!” Sorri quando ela descansou a cabeça no meu ombro. “Pronta para começar o filme?”

Ela assentiu e eu apertei o play antes de permitir que meu braço descansasse nas suas costas. Ela se remexeu inquietamente até achar uma posição confortável e eu tive que morder minha língua para não dizer a ela para sossegar. Eu não queria arriscar e fazer com que ela se movesse para longe de mim.

“Sua mãe iria surtar se nos visse assim?”

“Você se preocupa muito, Berry.”

“Me assusta ser você a me dizer isso, Fabray.” Ela replicou.

“Só existem dois lugares onde eu não me preocupo.” Disse a ela.

Ela se mexeu para poder olhar para mim. “Quais são?”

“Aqui e na sua casa.”

Ela sorriu abertamente e reajustou sua posição para poder deitar no meu colo.

Eu deveria estar preocupada. Eu não só tinha uma garota deitada em meu colo, mas essa garota era Rachel. Talvez essa fosse a razão para eu não me sentir incomodada, porque era a Rachel. De qualquer jeito, eu provavelmente estava ferrada.

Ela se revirou e chamou minha atenção, deitando de barriga para cima e olhando para mim.

“Eu mal posso esperar por este fim de semana.” Ela sussurrou.

Sim. Eu estava tão ferrada.

Notas finais
;)