Holidaze
4 Be Mine
Notas iniciais
Eu nunca gostei do Dia dos Namorados. Sempre me pareceu forçado e estranho, como se você tivesse a obrigação de sair com o seu namorado mesmo que você não quisesse. No entanto, se essa fosse a maior das minhas preocupações, eu realmente não teria nada a reclamar. Eu estava lidando com problemas bem maiores do que se eu queria ou não sair para jantar de graça e ganhar chocolates.
Aquele assunto sobre o qual eu e Rachel não falávamos estava ficando cada vez mais difícil de suportar e logo seria inevitável que o mesmo viesse à tona. Era só uma questão de tempo até que ela achasse o momento certo para falar sobre aquilo.
“Então... O que você e o Sam vão fazer no Dia dos Namorados?” Rachel me perguntou da onde estava, sentada no chão. Ela estava trabalhando numa apresentação para a aula de Francês e precisava de espaço.
“Não faça isso.” Eu a alertei num tom suave.
Aquilo estivera na ponta da sua língua inúmeras vezes antes que ela finalmente me perguntasse. Todas as vezes que eu percebia que ela estava prestes a perguntar, eu achava uma maneira de mudar de assunto antes que ela pudesse questionar meus planos para o Dia dos Namorados. Eu estava muito ocupada resolvendo meus problemas de matemática em sua cama dessa vez para perceber aquele olhar indicativo e cortar o assunto.
“Eu só estou tentando conversar...” Ela replicou, tentando com todas as forças não parecer curiosa demais.
Eu também estava morrendo para saber o que o Finn tinha planejado para ela, mas eu mordi minha língua todas as vezes que a pergunta ameaçava sair da minha boca. Nós não precisávamos complicar mais as coisas. Já era muito o fato de estarmos passando mais tempo uma com a outra do que com os nossos respectivos namorados, dispensando-os no segundo seguinte que uma oferta melhor aparecia. Isso é, sempre que Rachel me mandava mensagens e nós combinávamos de fazer algo, o que acontecia toda vez. Nós tínhamos um esquema e ele meio que funcionava para nós. Era simples: nós simplesmente não falávamos sobre eles.
Eu nunca imaginei que eu ficaria com ciúmes das coisas mais bobas do mundo. Como, por exemplo, o fato de que meu sangue borbulhava toda vez que via eles cantando um dueto juntos, que quando eu via seus braços em volta dela enquanto eles andavam juntos pelo corredor eu me virava e seguia na direção oposta e até mesmo aquele sorriso torto que ele tinha fazia meu peito doer, porque era Rachel que estava fazendo ele sorrir daquela forma. Como eu fui de namorada do Finn, com ciúmes da Rachel, a ser namorada do Sam, mas com ciúmes do Finn? Isso não fazia o menor sentido.
Eu constantemente me perguntava se Rachel estaria se sentindo da mesma forma quando ela via eu e Sam fazendo as mesmas coisas. Eu pensava nisso mais do que eu gostaria de admitir. Ela sentia ciúmes também? Eu tinha algum motivo para me sentir com ciúmes? As incertezas que nos rodeavam me deixavam emocionalmente exausta. Eu queria ter certezas, eu só não estava pronta para a rejeição que eu experimentaria caso as coisas não acontecessem do jeito que eu desejava.
Porque a verdade era que eu estava apaixonada pela Rachel. Eu estava muito apaixonada por ela. Eu gostava tanto dela que eu preferia só ser sua amiga do que me arriscar e ser rejeitada. Por mais irritante que a Santana fosse, ela tinha dito algumas coisas certas. Rachel nunca iria deixar Finn, não importava o quão infeliz ela estivesse com o namoro deles. Finn dava à ela uma segurança e proteção que eu não podia oferecer.
“Então vamos falar sobre o tempo.” Eu disse a ela da posição deitada em que eu estava antes de voltar a atenção para o meu caderno. Eu estava encarando o mesmo problema há mais de vinte minutos, sem conseguir absorver nada do que eu estava lendo.
“Está chovendo.” Ela brincou. “Eu só queria saber se o Sam planejou alguma coisa especial, só isso.” Ela disse encolhendo os ombros.
Ela tinha esse jeito de se fazer passar por inocente que fazia eu me sentir culpada por ser daquele jeito, mesmo se fosse ela a quebrar o nosso voto de silêncio.
“Ok.” Bufei, fechando o meu caderno como se estivesse muito aborrecida por ter meu estudo interrompido. “Sam vai me levar para sair para numa noite romântica, com jantar e um filme.”
“Você não parece particularmente animada com isso.”
E eu não estava. Eu odiava o Dia dos Namorados. Podia até ter sido um dia comemorativo de verdade pra mim, mas ainda assim parecia superestimado. Era previsível e chato. Eu queria um tipo de romantismo espontâneo e não forçado. Eu queria receber flores de alguém porque a pessoa realmente sentiu a vontade de fazer isso. Eu queria um ursinho de pelúcia de algum parque de diversão porque a pessoa gastou vinte dólares só tentando ganhá-lo para mim. Eu queria chocolates e cartas secretas de amor pelo simples fato de alguém querer me dá-las. Para mim, as melhores datas eram aquelas inesperadas, aquelas noites em que não tinha nada planejado e mesmo assim se tornavam especiais, porque aconteceu algo inesperadamente especial.
Suspirei. “Rachel, não faça isso.”
“Eu não sei o que você acha que eu estou fazendo, Quinn. Eu estou simplesmente...”
“Tentando conversar, eu sei. Eu só não quero falar sobre isso.”
“Por que?” Ela perguntou, mais uma vez inocente demais para o tom daquela conversa.
Ela não enxergava que aquilo estava acabando comigo por dentro?
“Porque eu realmente não me importo com o encontro entediante e completamente previsível que o Finn planejou para vocês.”
Seu rosto se transformou numa carranca e ela endireitou os ombros. “Eu não ia te dizer mesmo.”
Ela soou completamente ridícula, como uma criança respondendo o professor quando as coisas não saíam do jeito que ela queria.
“Por que não?”
Ok, eu não deveria alimentar seu comportamento infantil. Mas por que ela não queria me dizer depois de eu ter acabado de contar meus planos à ela?
“Você não merece saber.” Ela respondeu com um humpf.
“E por que não?
“Porque...” Ela parou de falar e olhou para mim. “Porque você está sendo uma Quinch.” Ela me disse decidida.
“E que inferno significa Quinch?”
“É uma mistura entre Quinn e Grinch. Eu não vou te dizer o que o Finn planejou porque você está mal humorada em relação a esse dia. O Dia dos Namorados é mágico e cheio de possibilidades, Quinn! Tudo pode acontecer no Dia dos Namorados.”
“O Dia dos Namorados é uma verdadeira merda, Rachel.” Eu sabia que estava sendo um pouco áspera, mas quanto mais cedo ela percebesse isso, melhor seria pra ela. “É tudo sobre atitudes vazias e fazer algo porque a sociedade espera que você faça.”
Eu já sabia disso a época porque eu vi meus pais fazerem a mesma coisa por quinze anos.
“Desculpa então por estar animada!”
“Animada? Por favor. O que poderia ter de animado num restaurante qualquer e chocolate barato?”
Eu tinha certeza de que provavelmente Lauren Zizes ficaria animada, mas não eu.
“Talvez porque esse é o primeiro Dia dos Namorados que eu vou passar de fato com um namorado.”
Eu recuei por alguns motivos. Eu tinha completamente me esquecido desse ponto. Eu sabia que não deveria me incomodar com o fato de que ela estava animada para passar o dia com o seu namorado, mas eu estava. E também me incomodou ela só usar a palavra namorado. Mas eu me foquei no ponto principal do que ela havia dito: esse era o seu primeiro Dia dos Namorados. Meu coração se apertou pela sua pobre alma desiludida.
Mas eu não podia deixar ela ter esperanças. Eu já tinha tido uma experiência de Dia dos Namorados com o Finn uma vez e não tinha sido nada especial.
“Deixe-me adivinhar. Ele vai te pegar às seis e você vai ter que esperar por pelo menos uma hora porque ele vai ter esquecido de fazer uma reserva do Breadstix, – eu tenho certeza que ele vai usar um cupom – vocês vão dividir uma sobremesa e ele vai te dizer que tem uma surpresa pra você. Ele vai te levar para um parque ou algum lugar que não tem absolutamente significado algum para vocês, onde ele fará uma serenata pra você cantando uma música que provavelmente não será totalmente apropriada para a ocasião.”
Rachel bufou mais uma vez e cruzou os braços, seu trabalho completamente esquecido no chão do quarto.
“E você acha que o Sam vai fazer alguma coisa melhor que isso?” Ela desafiou.
Ela tinha um ponto válido.
“Tá vendo? É por isso que eu não queria falar deles.”
“Por que não? Eles são nossos namorados, Quinn.”
Nós estávamos fazendo um bom trabalho evitando falar sobre nós e eu não entendia porque não poderíamos continuar dessa forma.
“Você não precisa me lembrar disso.” Resmunguei.
“Se você acha que a sua vida é assim tão ruim então porque você ainda namora ele?”
“Porque eu o amo.”
Era uma tremenda mentira e nós duas sabíamos disso. Nem eu conseguia me convencer mais. Como minha mãe tinha feito isso por tantos anos eu jamais saberia.
“Nós duas sabemos que você é uma péssima mentirosa.”
Mas o fato dela saber identificar quando eu mentia e meu próprio namorado não fazer a mínima ideia me fez ficar com raiva. Rachel não deveria ser aquela que sabia tudo sobre mim, ela não deveria ser aquela para quem eu ligava quando tinha boas notícias ou quando eu estava tendo um dia ruim. Claro que éramos amigas, mas eu deveria no mínimo também dizer ao meu namorado esse tipo de coisa.
“Você não sabe nada sobre mim.”
Ela recuou um pouco, obviamente se tocando de que ela tinha tocado em algum ponto fraco. Que grande surpresa... Rachel Berry mais uma vez sabendo como eu era sensível em relação a algum assunto.
“Talvez você tenha razão.” Ela disse calmamente. “Mas eu sei mais do que o Sam sabe.”
“E o que isso quer dizer?”
Em vez de recuar com o que eu tinha dito, ela ganhou mais confiança. Talvez essa fosse a reação que ela estava esperando de mim, me empurrando a questão e querendo ver o que saia de mim.
“Eu acho que está bastante claro o que isso quer dizer.” Ela levantou do chão e pairou sobre a cama. “Você pode achar que eu sou idiota por estar animada com uma data comemorativa que eu nunca tive a chance de celebrar antes, mas eu acho que você é mais idiota ainda por celebrar esse dia com alguém sobre quem você não se importa.”
“Eu me importo com ele.”
“Ok.” Ela disse suavemente.
Ela sabia exatamente o que estava fazendo. Rachel Berry sempre havia sido uma artista talentosa com palavras e tons.
“Não faça isso!”
“Fazer o que?” Ela encolheu os ombros.
“Isso! Agir de forma indiferente, como se o que você está dizendo não estivesse me afetando. Como se você estivesse sendo completamente inocente e não estivesse me dizendo que eu sou uma pessoa horrível.”
“Eu nunca disse isso.” Ela respondeu rapidamente.
Ela podia não ter dito com todas as letras, mas ela me deu a entender isso e eu sabia que era isso que ela estava pensando. “Você estava pensando isso.”
“Bom, você foi quem me beijou no Ano Novo.” Ela pontuou desnecessariamente.
Às vezes eu me perguntava se ela planejava essas coisas, como se nós estivéssemos jogando uma longa partida de xadrez. Suas estratégias eram à prova de bala e enfurecedoras.
“Eu estava te fazendo um favor.” Eu argumentei fracamente. Era tudo que eu tinha.
“Eu não me lembro de ter te pedido um.”
Ela estava fazendo isso para me dar um xeque-mate e eu não ia me sentar e esperar que ela vencesse. “Ok.”
Eu peguei minha mochila na cabeceira da cama e comecei a jogar meus cadernos e anotações dentro dela, sem me importar se estava amassando alguma coisa.
“Onde você vai?”
Eu a ignorei até ter guardado tudo e saído da sua cama. “Eu preciso ir embora. Essa amizade foi uma ideia idiota.”
Eu não sei porque eu disse isso, eu realmente achava que a amizade tinha sido uma ideia ruim porque eu não sabia por quanto tempo mais eu ia aguentar ser só sua amiga, mas ela deveria reagir. Era para ela supostamente gritar comigo ou pelo menos me dizer para retirar o que eu disse. Até chorar iria me satisfazer temporariamente.
Ela encolheu os ombros novamente e se virou para se ocupar com outra coisa. “Se é como você se sente.”
Eu joguei a mochila de volta na cama. “Não é como eu me sinto! E está me deixando louca você não sentir a mesma coisa que eu!”
Ela se virou de volta e me estudou. “Eu não acho que essa amizade seja uma ideia idiota.”
Ela era inacreditável e eu deveria ter saído daquele quarto no segundo em que ela tinha aberto a boca para falar sobre o Dia dos Namorados. Por que eu não tinha ido? Eu estava tão desesperada assim para fazer com que ela percebesse tudo? Por que eu tinha me colocado nessa tortura? Eu preferia brigar com ela do que ficar longe dela?
“Não é a isso que eu estava me referindo.”
Ela riu levemente para si mesma. “Então ao que você está se referindo?”
Ela estava me desafiando novamente, seus olhos estavam penetrando os meus e eu quase não sentia a necessidade de dizer a ela ao que eu estava me referindo porque parecia que ela já estava dentro da minha cabeça, lendo meus pensamentos. Como ela podia saber quando eu estava mentindo, mas ser incapaz de perceber o que eu sentia por ela?
Nós encaramos uma a outra pelo que pareceu uma eternidade. Silenciosamente pedindo para que a outra cedesse.
“Esquece.” Eu finalmente disse pegando novamente minha mochila.
Eu comecei a andar em direção a porta e eu estava quase lá quando ela finalmente decidiu reagir.
“Quando se trata disso Quinn, você tem tanto medo de ficar sozinha quanto eu.” Ela disse as minhas costas, me fazendo virar e dar a ela total atenção. “Ninguém está te obrigando a sair com o Sam amanhã à noite, assim como ninguém está me obrigando a sair com o Finn. Mas diferente de você, eu não tenho medo de admitir que eu aproveitaria a chance se houvesse uma oferta melhor. Você continua evitando o assunto e se escondendo atrás do seu ódio pelo Dia dos Namorados, mas eu acho que se você passasse ele com alguém que você realmente queira, você iria descobrir que sua a opinião seria completamente diferente.”
Suas palavras estavam me atingindo como tijolos, ela estava absolutamente certa e estava me matando o fato de que eu ainda assim não agi.
“Você está certa.” Ela continuou uma vez que o meu silêncio se tornou evidente. “Eu não toquei nesse assunto só para começar uma conversa, eu toquei nesse assunto para que você pudesse cair em si e me chamar para um encontro de verdade.”
Eu me senti literalmente como um peixe fora d’água, minha boca se abrindo e fechando como se as palavras fossem sair sem que eu tivesse que fazer qualquer esforço para falá-las. Estava lá. O encorajamento que eu estava esperando estava finalmente lá para mim aproveitá-lo. A indecisão com a qual eu estava lidando pelos últimos dois meses, talvez mais, estava finalmente me dando uma certeza. Por que eu não agia?
Eu ainda estava criando desculpas.
“Você está namorando o Finn e eu estou namorando o Sam, nada disso vai mudar. O que nós temos funciona porque...”
“O que nós temos funciona porque nós pisamos com cuidado perto uma da outra. Nós evitamos tudo que nós duas sentimos, nós ficamos de mãos de dadas quando ninguém está vendo e nos recusamos a falar sobre o que isso significa. Você acha que eu não sei porque você silenciosamente fecha os punhos de vez em quando? Me diz porque você dispensa o Sam sempre que eu digo ao Finn que eu não posso sair com ele porque eu tenho uma noite da família... Não, você sabe o que mais? Me diz porque eu minto para o Finn em primeiro lugar?”
Eu finalmente tinha o que eu estava desejando e agora que era palpável, eu estava sendo covarde demais para tomar alguma atitude. A verdade é que eu nunca esperei algum dia ter essa conversa com a Rachel.
“Eu gosto de passar o tempo com você...”
“Me poupe das suas desculpas de merda, Quinn.”
Eu estava em pânico com o que tudo aquilo significava. Era fácil quando eu tinha que esconder porque significava que eu não tinha que ser aquela pessoa que lá no fundo eu sabia que era.
“Eu não sou essa pessoa. Eu não posso ser essa pessoa.”
Se eu estava tentando convencer a Rachel ou a mim mesma, eu acho que nenhuma das duas funcionou.
“Você foi a que me beijou!” Ela argumentou. “Seus olhos estavam em mim a noite toda, Quinn!”
Eu sabia que essas atitudes iriam voltar para me assombrar e que era só uma questão de tempo até que ela falasse do beijo novamente. Ela devia saber que ele era basicamente no que eu pensava o tempo inteiro.
“Foi um erro, Rachel. Eu me senti mal por você porque o Finn te trata como um nada.”
“Vai embora.”
Sua ordem bateu em mim. “O que?”
“Sai da minha casa.”
“Você está me expulsando da sua casa?”
“Você já estava pronta para sair de qualquer forma.” Ela me respondeu com um cruzar de braços.
“Por que você está me expulsando?”
“Porque eu não posso conversar com você sendo tão teimosa.”
“Como eu estou sendo teimosa? Eu nem entendi porque você está tão brava comigo ou porque nós estamos tendo essa conversa em primeiro lugar. Você ainda irá para o seu encontro amanhã à noite, você ainda vai continuar cantando com ele no Glee, você ainda vai usar aquele estúpido cordão e ele vai sempre ser sua primeira escolha.”
Sua mandíbula caiu momentaneamente e a dor em seu rosto fez minha pele rastejar. “Se você acha isso então você não é quem eu pensei que você fosse.”
“Espera, eu não quis dizer isso.” Eu tentei desfazer, passando a mão pelos meus olhos cansados, aquilo estava indo tão mal.
Rachel falou antes que eu pudesse oferecer uma explicação. “Ele pode não ser o melhor namorado do mundo ou estar ao meu lado todas as vezes, mas ele está tentando.”
Eu não consegui suprimir o som irônico que saiu da minha boca. “A única razão pela qual ele está tentando é porque provavelmente ele se sente ameaçado por mim.”
Eu estava inteiramente centrada só em mim.
“Ele realmente se sente ameaçado por você.”
Eu ri e rolei os meus olhos. “Ohh, ele te disse isso?”
“Na verdade, sim. Ele tocou nesse assunto várias vezes. Ele não está sendo nem um pouco infantil e tem sido nada menos do que honesto comigo.”
Eu ri mais ainda num tom incrivelmente depreciativo. “Honesto? Você tem que estar brincando comigo. Ele transou com a Santana e mentiu sobre isso por meses.” Lembrei a ela.
“E você teve uma filha com o seu melhor amigo. Todo mundo comete erros.”
Pensar em Beth acendeu algo dentro de mim. “Isso não tem nada a ver com você.”
“E a minha relação com o Finn agora não tem nada a ver com você.” Ela expôs. “Se não tem mais nada que você gostaria de dizer para mim, então eu acho melhor você ir embora agora, Quinn.”
Eu pensei em dizer a ela o quão arrependida eu estava, o quão infantil eu estava sendo e como eu não quis realmente dizer aquelas coisas dolorosas que eu havia dito. Por um segundo, eu pensei ter visto ela esperando que eu fizesse isso, mas eu não podia. Eu era muito teimosa e imatura para deixar ela vencer, para dar a ela o que ela queria. O que ambas queriam. Eu ajustei a alça da minha mochila e levantei o meu queixo, eu podia desabar quando eu não estivesse mais debaixo do seu olhar desapontado.
Ignorei o tremor do seu lábio inferior. “Eu espero que você tenha um ótimo encontro.”
Eu sei que ela estremeceu assim que a porta fechou atrás de mim porque até eu estremeci com a força que eu usei. Os Berry estavam num canto perto da porta da frente, um empoleirado em sua mesa enquanto o outro estava sentado em uma das poltronas.
“Está tudo bem, Quinn?” Michael perguntou assim que levantou os olhos do livro que estava lendo.
Eu não ousaria alertá-lo que tudo estava absolutamente mal. Eu não queria preocupá-los. Eu também não queria que eles me olhassem acusatoriamente, eu não queria que eles vissem o quão egoísta eu realmente era.
Eu fingi um sorriso enquanto caminhava em direção a porta. “Está. Eu só tenho que ir pra casa. Vejo vocês mais tarde.”
Eu não esperei para ver se eles me chamaram ou algo do tipo, eu não queria ficar por ali para comprovar que Rachel não viria atrás de mim. Eu só queria chegar no meu carro e sair dali. Demorou pelo menos mais uma hora para que eu chegasse em casa e quando eu eventualmente passei pela porta, minha mãe sorriu para mim, perguntou se eu tive um dia bom e voltou sua atenção para o reality show que ela estava assistindo. Era normal e era o que ela fazia todo domingo à noite. Eu normalmente subiria para o meu quarto, prepararia meu material para o dia seguinte e mandaria uma mensagem para Rachel para ver se alguma coisa tinha mudado desde que eu tinha ido embora da sua casa.
Aquela noite, no entanto, eu desliguei o celular e cai no sofá ao lado da minha mãe. A ciência de que ela percebeu que eu estava me juntando a ela veio através da caixa de biscoitos em forma de coração que ela me passou, além de ter me cedido uma das almofadas para eu me aconchegar. Era estranhamente reconfortante saber que eu podia contar com a minha mãe nos momentos mais bizarros e de que ela era esperta o suficiente para não me perguntar nada.
No dia seguinte na escola, Rachel e eu nos evitamos. Nenhuma mensagem foi recebida e minha bateria quase acabou no fim do dia de tanto que eu olhava meu celular esperando por elas. Nenhuma mensagem no facebook durante o tempo na sala de estudo, nenhum bilhete inspirador no meu armário e nenhum cartão virtual no meu email. Seus olhos não se dirigiram a mim nenhuma vez, eu era invisível para ela.
Eu não sei quando, mas foi entre assistir o quão desesperada uma mulher estava num programa de tv, ter Rachel me ignorando e ouvir o Finn cantando algo estúpido de Hairspray— honestamente, quão convencido ele podia ser para achar que Ladie's Choice era uma música apropriada para cantar para sua namorada no Dia dos Namorados – que eu percebi que a minha briga com a Rachel tinha sido por nada.
Eu estava sentindo a falta dela. Eu estava sentindo demais a falta dela. Demais para ser considerado normal.
Por que eu deveria me privar de viver algo que eu queria? Eu nunca tinha feito isso antes e não iria ser agora que eu faria. O único problema era que Rachel estava realmente sem falar comigo.
Eu encarei o relógio na parede enquanto os segundos se transformavam em minutos, até a hora que eu tinha combinado com Sam. Levou um pouco de tempo para criar coragem para ligar para ele e vinte minutos para convencê-lo e ele ainda não tinha ficado muito feliz, mas tinha entendido. Ninguém podia prever que Judy iria cair do lado de fora de seu escritório, torcer o tornozelo e com isso me fazer esperar na sala de espera da emergência o dia todo enquanto eu esperava para levá-la para casa. Eu realmente nunca esperei que ele fosse cair nessa também, mas eu errei.
Eu estava saindo de casa antes que eu pudesse pensar sobre o que eu estava prestes a fazer, minha mãe acenando sem esforço do seu lugar no sofá, aninhada com uma boa garrafa de vinho, chocolates finos e um DVD cheio de episódios inéditos de algum programa.
Eu podia ouvir a campanhia soar pela casa enquanto eu estava de pé em frente a porta. Eu não tinha ideia do que eu estava fazendo lá, mas eu precisava fazer alguma coisa. Eu precisava pedir desculpas, implorar por perdão, mas principalmente, eu precisava de Rachel.
“A Rachel está?” Eu perguntei afobadamente uma vez que a porta foi aberta, antes mesmo de ver qual dos pais eram.
“Sinto muito, Quinn, ela saiu.” Mr. Berry respondeu, certamente percebendo minha respiração frenética e minha aparência desgrenhada e, quem sabe, talvez ele estivesse se sentindo mal por mim. “Mas você pode entrar e esperar por ela.” Ele gesticulou.
Eu respirei profundamente na tentativa de regular minha respiração e dei um passo em direção ao hall de entrada da casa.
“Obrigada.”
Ele me olhou de forma curiosa, provavelmente imaginando porque eu não estava aproveitando meu próprio Dia dos Namorados. Era o que a sua filha estava fazendo, afinal de contas. Esse pensamento fez meu estômago revirar violentamente.
Falando nisso, porque ele mesmo não havia saído?
“Posso te perguntar uma coisa?” Perguntei desnecessariamente enquanto sentava em um dos sofás.
“Claro.”
“Por que você está em casa hoje à noite?”
Ele riu para si mesmo e correu uma das mãos pelos seus cabelos castanhos antes de coçar o pescoço.
“Eu estou de castigo.”
Meus olhos dobraram de tamanho. “Você está de castigo?”
“Acredite ou não, eu estou.”
Eu brinquei com o botão da minha jaqueta nervosamente. “Posso perguntar porquê?”
Ele apoiou as costas no encosto do sofá e apoiou um dos braços nele. “A mesa do meu marido era a única que não tinha flores ou chocolates.”
Eu assenti pensativamente antes de chegar a conclusão óbvia. “Você esqueceu de dar a ele?”
“Eu não achei que eu tinha que fazer uma grande exibição. Eu não sou exatamente um grande fã dessa data.”
Dessa vez eu assenti compreensivelmente. “Nem me fale, eu odeio esse dia.”
Um divertido sorriso iluminou seu rosto. “Você é muito jovem para isso, você não acha?”
Encolhi os ombros. “Pelo menos eu não vou me desapontar ao longo dos anos.”
“É um ponto de vista.” Ele meditou. “Não tem ninguém com quem você queira estar?”
“Tem, mas eu acho que as expectativas eram grandes demais.”
“Entendi.” Ele assentiu. “Eu acho que você não deveria ter medo de coisas como essa, você é jovem e você vai aprender com as experiências.” Ele acrescentou sabiamente.
Rachel havia aprendido o jeito com as palavras dele e sua teimosia de seu outro pai.
“Então por que você não mandou flores para ele se você sabia que se não mandasse isso iria chateá-lo?” Eu finalmente perguntei.
Ele suspirou, talvez sem ter percebido que essa era a questão que ele deveria ter se perguntado mais cedo. “Eu sei que o amo e eu sei que ele me ama.” Ele pausou. “Eu acho que esqueci que às vezes está tudo bem mostrar isso para os outros.”
“Você estava com vergonha?”
Ele riu levemente. “Nunca.” Ela correu a mão pelos seus cabelos novamente. “Eu só não percebi que isso era importante para ele, eu deveria saber.”
“Eu acho que isso significa que ele quer que todo mundo saiba que ele tem um homem como você para voltar pra casa.” Eu disse a ele, ganhando uma gargalhada em troca. Ele pareceu até mesmo corar um pouco.
“Eu presumo que você está aqui porque você aprendeu essa lição recentemente?”
“Algo do tipo.”
Ele deu um tapinha em suas coxas e levantou do sofá. “Bom, você é mais que bem vinda para ficar o quanto você quiser.”
“Aonde você está indo?”
Ele sorriu. “Passar o Dia dos Namorados com o meu marido.”
“Você sabe onde ele está?” Eu chamei atenção pra isso.
Ele riu enquanto botava seu casaco preto. “Claro. Eu o conheço por vinte anos.”
Eu sorri calorosamente para ele e ele me deu um largo sorriso, levantando o polegar.
“Me deseje sorte.”
“Eu acho que você não vai precisar disso.” Eu respondi. Ele definitivamente não precisava de sorte alguma.
“Eu acho que você não vai precisar disso também.” Ele piscou.
Eu queria perguntar o porquê, mas ele tinha saído pela porta antes que as palavras pudessem deixar os meus lábios. Eu suspirei profundamente e levantei do sofá, seguindo em direção as escadas e ao quarto de Rachel. Era um caminho que eu já tinha feito inúmeras vezes, mas eu levei o tempo que foi preciso para chegar lá. Um peso estranho me cercou assim que eu abri a porta e vi que seu trabalho de Francês ainda estava no mesmo lugar da noite passada, provavelmente intocado desde então.
Seu notebook estava aberto na sua escrivaninha e o protetor de tela estava ativado. Meus dedos delicadamente se moveram pelo touchpad e eu esperei encontrar um arquivo do Word com uma lista do que ela e Finn iriam fazer no seu perfeito Dia dos Namorados. Era tão ela. Em vez disso, sua página do navegador estava aberta no meu perfil do facebook. Isso fez eu me sentir culpada e todo o tipo de coisas acontecerem dentro de mim. Eu não podia descrever a sensação, assim como eu não podia descrever minha atração por ela no Ano Novo.
Eu andei pelo quarto antes de deitar na sua cama e encarar o teto. Era uma sensação de paz ser a única na casa. Me deu a chance de apreciar o seu quarto e todos os momentos que passamos nele nos últimos dois meses. Eu honestamente tinha achado que a noite passada tinha sido a última vez que eu tinha sido bem vinda naquele quarto e eu não estava certa do que ela diria quando me encontrasse esperando ela voltar do seu encontro.
E se o Finn estivesse com ela? E se ela quisesse me dar o troco e tivesse decidido convidar Finn para subir até o seu quarto? Aquilo era inteiramente egoísta. Se ela quisesse fazer sexo com Finn Hudson que fosse porque ela quisesse fazer, não porque ela queria me deixar com ciúmes. Isso me faria ficar com ciúmes, mas essa não era a questão. Eu estava lá para me desculpar, não para me meter entre ela e Finn.
Deus, e se ele realmente subisse? Como eu me explicaria?
Eu saltei para fora da cama e comecei a fazer meu caminho para a porta, já nervosa porque eu seria pega dentro da sua casa sem a sua permissão. O que eu estava pensando quando decidi vir parar aqui?
Meu celular vibrou no bolso do meu casaco e meu coração quase foi parar no meu estômago quando eu vi quem era.
Ela sabia. Ela descobriu que eu estava em seu quarto e ela estava ligando para gritar comigo. Eu corri os olhos pelo quarto freneticamente. Eu não me surpreenderia se ela tivesse câmeras escondidas por todo o quarto. Eu podia ignorar a chamada e ir embora, talvez ela encontrasse em seu coração um jeito de ignorar isso e nós seguiríamos com as nossas vidas. Mas uma parte de mim queria saber porque ela estava ligando, precisava saber o que ela tinha pra dizer. Eu realmente só precisava ouvir sua voz. Respirei fundo mais uma vez e atendi a ligação.
“Alô?”
“Oh, eu achei que cairia na sua caixa postal. Desliga e eu vou ligar de volta só para deixar uma mensagem." Ela falou.
“Não, Rach...”
“Está tudo bem, Quinn. Eu não quero interromper o seu encontro com o Sam. Eu falo com você amanhã.”
Eu entrei em pânico. “Espera!”
“O que?”
“Me desculpa.” Eu botei pra fora.
“Pelo que?” Ela pressionou.
“Por tudo.” Era muito genérico, mas eu estava honestamente arrependida por tudo. “Por ter sido infantil ontem, ignorar você hoje, só... tudo.”
Pairou um silêncio entre nós e eu estava com medo dela já ter desligado, não aceitando as minhas desculpas.
“Foi muito difícil pra você fazer isso?” Ela finalmente perguntou tranquilamente.
O suspiro de alívio que eu dei foi enorme. “Mais do que você imagina.”
“Pela sua voz realmente parece que você está no seu limite.” Ela meditou.
Eu provavelmente podia ter rido para que ela soubesse que ela estava certa, mas eu precisava que ela entendesse tanta coisa. Eu me afastei da sua porta e comecei a andar de volta para a cama, eu precisava me deitar.
“Eu estava errada. Você sabe tanta coisa sobre mim.”
“Eu sei que sim.” Ela replicou.
As palavras estavam surgindo em minha cabeça e não pareciam passar pelo filtro Fabray que tendia a manter meus sentimentos escondidos.
“E não foi um erro. O beijo. Não foi um erro. Eu queria te beijar.”
“Eu percebi.”
“E você estava certa, eu tenho medo de acabar sozinha.”
Ela suspirou. “Isso não foi necessariamente justo da minha parte, eu acho que todo mundo tem medo de ficar sozinho.”
Todo mundo devia ter medo de ficar sozinho. É aterrorizante, mas não é desculpa. Eu virei de lado e encarei o seu criado mudo, pegando uma foto dela e dos seus pais no verão.
“Eu tenho medo que você seja muito para mim e que você logo perceba isso.” Eu confessei.
“Agora você que não está sendo justa, eu não sou assim.” Ela argumentou.
Eu estudei a foto e me encontrei sorrindo para ela. O brilho nos seus olhos chocolates, a pele bronzeada que parecia tão quente e o sorriso lindo demais para ser apreciado em uma só dimensão.
Antes que eu dissesse a mim mesma para não dizer, eu finalmente soltei. “Eu gosto de você, Rachel.”
“Eu gosto de você também.” Ela respondeu quase imediatamente. “Mesmo quando você está sendo uma Quinch.”
Eu gargalhei, o apelido pejorativo era quase reconfortante agora. “Você merece flores e chocolates e alguém para cantar pra você uma versão massacrante da sua música de amor favorita.” Eu disse a ela, segurando a foto no meu peito enquanto eu me virava novamente para olhar para o teto.
Ela me cortou. “Eu duvido que você massacraria ela.”
Eu continuei. “Mas você não merece isso no Dia dos Namorados, você merece isso todos os dias. E o Finn pode te dar isso.”
Essas palavras estavam partindo o meu coração. Eu sabia que elas eram verdade, nós duas sabíamos que era verdade. Finn podia dar tudo a ela. Eu podia dar a ela dor de cabeça e momentos ocasionalmente sentimentais quando estávamos sozinhas.
“Finn não é aquele de quem eu quero essas coisas, não mais.”
Eu queria tanto acreditar nela, suas palavras eram tão fáceis de acreditar, mas as coisas nem sempre aconteciam da maneira que nós queríamos. Eu sabia disso, eu seria um tola de pensar que só porque alguém disse algo que aquilo seria verdade.
“Mas deveria, ele é com quem você deveria querer estar.” Minha voz se quebrou num momento de emoção crua. Eu não tinha esperado ficar tão devastada por desistir de algo que eu nunca tive.
Ela parou por um momento. “Por que você quer que eu fique com alguém que ainda ontem não me merecia?”
Era uma questão válida. Eu não achava que o Finn merecia a Rachel, mas eu também não achava que eu merecia. Pelo menos ele podia oferecer a ela algum tipo de segurança no ensino médio. Ele parecia não querer estragar a terceira vez. Deus, três vezes ele a teve e eu ainda estou dizendo a ela para ficar com ele.
“Porque eu estou morrendo de medo de estragar tudo.”
Eu seria estúpida se não acreditasse nisso. Insegura ou não, minha família nunca foi a melhor em lidar com relacionamentos ou emoções. Meus pais eram separados, minha irmã estava num casamento sem amor e eu estava gostando de uma garota que tinha um namorado. E o fato dela ser uma garota era a menor das minhas preocupações.
“Tecnicamente ainda não existe nada para você estragar.”
Eu dei mais uma olhada para a foto que eu ainda estava segurando antes de botá-la ao meu lado na cama. “Você gostaria que isso fosse alguma coisa?”
Eu não deveria estar dando esperanças a mim mesma, eu deveria ter caído fora antes disso tudo ter tomado conta de mim, mas Rachel era atraente e algo novo. Ela era algo que eu nunca tinha experimentado antes. Eu nós duas sabíamos muito bem que se ela me quisesse, eu egoistamente a pegaria para mim e nunca a deixaria ir.
“Eu gostaria pelo menos de outro surpreendente e apaixonado beijo seu.”
Meu rosto corou imediatamente e eu agradeci aos céus por ela não estar no mesmo lugar que eu. “E depois?”
Ela riu. “Nós veremos o quão bem você pode beijar quando está sóbria.”
Rachel ter confessado o que ela queria me deu uma confiança repentina.
“Eu gosto de segurar a sua mão e dividir cobertores com você.”
“E eu gosto quando você fica chateada quando não consegue fazer essas coisas.”
“Por que você gostaria disso?” Eu perguntei.
“Porque significa que eu não sou a única que quero fazer essas coisas.”
Eu suspirei, minhas defesas estavam caindo rapidamente e ela tinha percebido. “Eu sou incrivelmente teimosa.”
Ela gargalhou, como se não fosse tão teimosa quanto eu. “E eu não tenho problemas com dizer isso pra você.”
Ela realmente não tinha problemas em me repreender por praticamente tudo que eu fazia.
“Eu chuto enquanto eu durmo.” Eu ofereci, mas ela já sabia disso.
“E eu durmo cantando.”
Eu também já sabia disso.
“Eu...”
“Nada vai mudar o que eu quero, Quinn. Então pare de tentar.” Não tinha irritação em sua voz, só uma determinação que eu invejava.
Eu poderia deixar acontecer e ver aonde isso me levaria? Eu poderia jogar a precaução ao vento e deixar que Rachel cuidasse de mim? Era assustador e emocionante ao mesmo tempo. Eu a queria ali comigo, mas o pensamento me aterrorizava.
“Eu não posso te dar um monte de coisas que alguém como Finn pode te dar.” Eu lembrei a ela.
Ela riu quase que silenciosamente. “Quem sabe? Talvez você me dê mais.”
Ela verdadeiramente tinha um jeito com as palavras que deixava o meu corpo em chamas.
“Você tem uma resposta pra tudo.”
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“Rachel? Você está aí?” Eu chamei diante do silêncio do outro lado da linha.
Lima não tinha a melhor recepção, talvez ela tivesse perdido o sinal. Ou talvez ela tivesse desligado.
Sua risada pelo telefone me fez suspirar de alívio. “Eu queria provar que eu não tenho uma resposta pra tudo.”
“Muito engraçado.” Eu rolei meus olhos, meu peito se acalmando assim que eu percebi que ela não tinha ido a lugar nenhum.
“Eu te assusto, né?”
“Não.” Eu respondi firmemente.
“Está tudo bem em ser honesta às vezes, Quinn. Você não tem que manter a guarda o tempo inteiro.”
E assim, ela fez eu me sentir segura o suficiente para confiar nela.
“Ok, você me assusta às vezes.”
“Você não precisa mais ficar com medo e nós podemos continuar fazendo o que sempre fazemos. Sem pressão.”
“Obrigada.”
“De nada.” Ela riu. “Eu vou deixar você voltar para o seu encontro com o Sam agora.”
“Eu nunca fui.” Eu contei a ela. “Eu disse a ele que minha mãe tinha torcido o tornozelo.”
“Quinn Fabray! Deus proíbe!” Ela guinchou.
“Eu não sou uma pessoa muito legal Rachel, você deveria já saber disso.”
“Não diga isso, eu acho que você sempre tem boas intenções.”
Não era possível que ela soubesse as vezes em que eu pus o Glee antes de mim porque eu tinha feito escondido de todos.
“Como você sabe?”
“Eu sei coisas sobre você, Quinn. Eu vejo o bem que você tem dentro do seu coração.”
“Você está me espiando, Berry?
“É difícil não notar você.” Ela respondeu e eu me encontrei corando novamente. “Então, se você não está no seu encontro... Onde você está?”
Eu limpei minha garganta. “Em casa. Estou fazendo dever de casa no meu quarto.” Eu menti. Era menos embaraçoso do que admitir que eu estava na sua casa naquele momento.
“É mesmo?”
“É. Na verdade, agora que eu estou pensando, cadê o Finn?”
Rachel de alguma maneira conseguiu ficar comigo no celular e me fazer esquecer completamente que era para ela estar num jantar com o seu namorado.
“Bom, eu acho que ele voltou pra casa depois que eu o pedi para me deixar na mansão Fabray.”
Meus olhos se arregalaram. “Você está na minha casa?”
“Olha que engraçado, eu não estou vendo nenhuma garota loira fazendo dever no seu lindo pequeno quarto, a não ser que você tenha se tornado invisível, claro.”
“Por que você está no meu quarto?”
Ela riu. “É uma boa história na verdade. Finn ainda não descobriu como desativar o viva voz do celular dele, então quando o Sam ligou para dizer que você estava cuidando da sua mãe com o tornozelo torcido e havia cancelado o encontro, eu considerei isso um sinal.”
“Minha mãe realmente poderia ter torcido o tornozelo, ela sempre foi desajeitada.”
“Talvez... Independente disso, eu não estava pronta para deixar você passar o Dia dos Namorados com a sua mãe. Você pode imaginar o meu choque quando eu cheguei na sua casa e achei a sua mãe jogando uma caixa de chocolates na televisão durante um dos episódios, completamente ilesa.”
A imagem certamente soou correta.
“O Finn não ficou chateado?”
“Oh, ele ficou, mas eu disse a ele que você precisava de mim. E ele realmente não podia dizer nada depois que eu gritei com ele por ter esquecido de fazer a reserva em primeiro lugar.”
Eu escondi a minha risada o máximo que eu pude, porque eu percebi que ela não estava bem com isso, seja por causa da incompetência dele, seja pelo fato de que eu estava certa.
“Você não tinha que ter feito isso. Você sabe, desistir do seu encontro. Você nem sabia se era verdade ou não.”
“Era um risco que eu estava disposta a correr e ainda assim você não está aqui, então eu acho que o tiro saiu pela culatra.”
“Então você me ligou, sabendo que eu não tinha saído com o Sam?”
“Uhum.” Ela respondeu num tom divertido. “Então, você vai me dizer onde você está?”
Eu assenti com a minha cabeça desnecessariamente. “Eu estou na sua casa.”
“Eu não posso dizer que eu estou completamente chocada, você é meio que previsível nesse ponto.”
Eu tossi. “Eu não sou.”
Rachel riu. “Certamente não era assim como eu esperei que hoje terminasse.”
“Mas eu estou feliz que terminou dessa forma.” Eu conclui por ela.
“É, eu também. Eu meio que estou encalhada aqui... Você não quer vir pra casa?”
“Ainda não, nós podemos continuar no telefone por mais algum tempo?”
“Claro.” Ela respondeu e eu podia quase ouvir ela se ajeitando na minha cama. “Algum motivo em especial?”
Fechei meus olhos enquanto a imaginava no meu quarto, com os seus olhos fechados, me imaginando no seu próprio quarto. Era reconfortante.
Pareceu certo e exatamente perfeito aquele jeito de terminar a noite. Se era nosso primeiro Dia dos Namorados juntas ou se seria o nosso primeiro e último, eu realmente não podia imaginar fazendo outra coisa que não fosse com ela. Talvez nós começaríamos uma tradição ou talvez eu ficasse muito ansiosa em alguns minutos e fosse correndo para casa para vê-la. Talvez dar a ela aquele surpreendente beijo que ela pediu. Foi exatamente o que aconteceu. Mas isso só confirmou minha teoria de que os melhores dias não são aqueles planejados, são aquelas noites aleatórias que se transformam em especiais.
“Não.” Eu sorri pra mim mesma. “Me conte sobre o seu dia.”
Aquele primeiro Dia dos Namorados juntas foi especial porque tinha dado início a algo mais.
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