Hold on
22 Calmaria ll
Na tarde seguinte..
Todos, incluido Coronel Brandão que estava afogentado na casa de Aurélio, desfrutavam de uma tarde calorosa na casa de Julieta, a contive de sua mãe. A senhora servia café para Afonso e Brandão, ambos os três, estavam envolvidos em uma conversa a respeito do campo e das virtudes que só o mesmo poderia oferecer. Mariana e Rosa, sentaram-se mais distante, o assunto ali era outro. As duas discutiam entre risos e fantasias qual história seria contada na manhã seguinte às crianças da velha escola do Vale. As vozes se misturavam, distraindo-os, tornando o ambiente totalmente barulhento.
Mais a dentro na cozinha, Aurélio, continha o riso a observar Julieta se deliciar com seu segundo pedaço de bolo. Hora ela passava a língua entre os lábios, hora seus dedos iam a boca. Nada escapava se sua interminável fome. Bebericou um pouco de café olhando para o que seria seu terceiro pedaço, mas o delicioso bolo conseguiu escapar de seus olhos quando Aurélio o pegou primeiro mordendo-o e desfrutando da reação de sua noiva.
— Não deveria estar trabalhando? — comentou ela com um ar de provocação.
— A minha sogra convidou-me para uma tarde feliz.. — respondeu olhando em direção a sala que ainda exalava barulho. — Hmmm.. A sua mãe sabe o que faz! — disse, mordendo o bolo novamente.
— Mamãe é ótima em tudo que faz! — sorriu. Inebriado com o mesmo, Aurélio deixou o bolo de lado, de imediato, envolvendo Julieta em seus braços.
— Eu jamais saberei explicar, mas quando sorrir, me das tanta paz.. Me entorpece de tudo que é bom.. — os olhos de Julieta brilharam em meio suas palavras.
— Me encanta que já es tão fácil para ti dizer-me coisas doces.. — ela aproximou-se mais para lhe beijar os lábios.- Me enche de esperanças.
— Dará tudo certo.. — suspirou, deixando que seus dedos a acariciassem seu rosto. — Existe em mim outra pessoa, a que pensei que meu pai havia destruído.. Meus pedaços estão juntando-se, Julieta. — ela se afastou para segurar suas mãos entre as suas.
— Me orgulho tanto. — os dedos se entrelaçaram. — Eu sempre soube que por trás dessa postura de durão havia um coração bom, só não tinha conhecimento de como poderia ajudá-lo.
— Já que estamos falando de certezas... — ele abraçou de repente e Julieta inesperadamente deixou que um ruído de surpresa escapasse. — Eu sempre soube que você iria me enlouquecer.. — ambos sorriram.
— Eu o enlouqueço? — a indagação soou claramente provocante. O Barão, olhou rapidamente para a porta, e a girou encostando-a a parede mais próxima, o corpo de Julieta fora "sufocado" pelo seu... E, de repente os lábios apenas roçavam-se envoltos e carentes pela ansiedade de um beijo.
— Você... — ele dera mais um passo a frente, e o que os separavam naquele momento, era apenas suas vestimentas.-... Você é tudo que me faz feliz, Julieta..
— Eu amo você.. — ela confessou, entre seu lábios e os olhos fecharam-se rapidamente como uma defesa a reação do mesmo. Mas, ele fizera o mesmo. O Eu te amo pairava em sua cabeça, e ele, cheio de tantos sentimentos, de vibrações que ela o fazia sentir, dos dedos quase gélidos e do estômago em relutância só.. Só tinha mais certeza que a loucura que Julieta o causava era mais que recíproca, era muito mais..
— Eu também.. Eu também a amo tanto! — sussurrou. Os olhos dela se abriram revelando seu brilho e felicidade. Ela sorriu e o abraçou, tão forte que quase sentiu-se sem forças.. Aurélio, a beijou o pescoço correspondendo a seu abraço, o nariz rapidamente procurou por seus cabelos, e o perfume da morena o embriagou.
O abraço se prolongou, e só fora interrompido quando uma senhora muito sorridente adentrou a cozinha. Guadalupe, os observou por um momento, a filha parecia tão tranquila aconchegada nos braços do Barão que, interrompe-los a deixou com uma sensação horrível. A senhora pigarreou, e os dois separam-se lentamente. Não querendo desapegar do toque Julieta, Aurélio, continuou a abraçá-la mas por atrás deixando que seu braço descansasse em sua cintura.
— Desculpe atrapalhar...-falou se aproximando da filha. — Mas, chegara este convite para você, Julieta.
A baronesa recebeu o pequeno envelope que estava banhado por um perfume forte. Julieta, quase não respirara, mas ainda assim, o estômago revirou-se.
— Obrigada, mamãe.. — a senhora assentiu, e voltara para seu papo estridente a sala.
— Ninguém nunca ousou convidar-me para algo.. — ela disse, e Aurélio deixou um riso escapar ao pé de seu ouvido. Julieta, ignorou que todo os pelos de seu corpo protestaram, e tratou de abrir o papel em mãos.
— É uma bela letra.. — Aurélio comentou.
Quando acabara de ler, Julieta virou-se para olha-lo. Seu semblante estava surpreso e confuso, mesmo que já vivera na companhia de Carina, nunca havia recebido um convite para jantar em sua casa, nem sequer para um simples chá da tarde.
— Carina nos convida para um jantar.. — ela o entregou o papel espesso, feliz por livrar-se do perfume enjoado.
— Seria uma forma de desculpar-se? — ele perguntou.
— Por ontem? Não, não.. Ela jamais faria isso, eu a conheço o bastante para saber o quão Carina é perversa e orgulhosa.. — falou sem olhá-lo. — No entanto, talvez seja de seu pai, certo?
— Nestor.. — ele disse, e se pôs a pensar.. — Certamente! Ele me parecia muito constrangido ao dizer-me o que a filha desejava.
— Pobre senhor! Não faremos a desfeita.. Por mais que eu não esteja nem um pouco afim de dar-me de frente com aquele projeto de cobra personhento. — O Barão franziu o senho.
— Está brava?
— Não, apenas tenho a sensação que isso é uma forma de nos afrontar.. — suspirou, deixando em seu rosto o sinal de um começo de tristeza. — Antes, eramos.. Amigas, digo, não amigas, amigas... Mas, próximas. Ela sabe de mim, assim como sei dela... Temo que passemos a noite por nos provocar!
— Pois... — Aurélio aproveitou que segurava o contive e o rasgou em dois. — Não iremos, é fácil e prático.
— Bom, o pobre Nestor parece desejar uma amizade com você..
— Posso chamá-lo para conversarmos em outra ocasião.. — falou.. — Mas se é o seu desejo podemos ir e levar todos.. Até o intruso do Brandão. — timidamente ela sorriu.
— Bom, eu espero que ela tenha esquecido que eu a enfiei um sorvete interior goela a baixo!! — fez uma careta quase demostrando arrependimento, mas certamente não estava.
— Você fez o quê? — perguntou rindo. — Julieta..
— Ela provocou-me.. — as mãos se puseram nos quadris em defesa.
— Jesus.. Devo me preocupar?
— Apenas fique ciente com quem irá se casar!
— Isso é uma ameaça?
— Um aviso! — disse e sorriu. — Tínhamos um jantar para hoje, sim? — perguntou, lembrando-se do que havia preparado para conta-lo sobre sua gravidez.-ele assentiu. — Tudo bem.. Então, vamos ao jantar de Carina..
— Como queiras..
— Se importa em deixar-me dormir em sua casa? — quase como se estivesse ofendido com sua pergunta, aproximou-se.
— Eu sería o homem mais feliz do mundo se o fizesse..
— Obrigada.. — assentiu.
...
Os carros pararam em frente a uma bela mansão, talvez, a mais bela de todo centro da cidade. O jardim da casa era composto por variadas flores, também, havia algumas árvores.. O ar que se respirava era dos melhores, no entanto, para Julieta o lugar ainda assim a deixava duvidosa e apreensiva. Aurélio, belo com seu terno preto, segurou em sua mão conduzindo-a a frente. Foram recebidos calorosamente, Julieta viu um sorriso no rosto de Carina que nunca havia visto em todos os anos que a conhecia, a mesma a abraçou deixando que Julieta sentisse novamente o seu terrível perfume...
— É uma honra vê-los.. todos! — Carina falou por primeiro.
— Pois, eu infelizmente não posso dizer o mesmo.. — Mariana, a respondeu.
— Desculpe, Mariana.. — Guadalupe forçou um sorriso. — É bom vê-los também.
A mãe de Carina que estava quase vestida para a posse de um presidente, fei-se presente trazendo consigo também, um belo sorriso. Julieta, ainda duvidosa correspondeu o mesmo. Diante de todas as apresentações, contudo, finalmente foram conduzidos a mesa.
Aurélio e Julieta sentaram-se lado a lado, ficando exatamente de frente com Carina. O senhor Nestor e sua mulher, acomodaram- se perto de Dona Guadalupe e Mariana que, não tirava os olhos de Rosa, estranhava como a menina tão rápido havia se apegado a Brandão que, hora conversava com Carina. O clima era calmo, mas tenso, principalmente porque Julieta sentia que Nestor parecia tão constrangido como o dia anterior que o vira.
A morena colocou uma de suas mãos em cima de seu ventre como se seu gesto fosse proteger seu segredo mais precioso. Deus, como o olhar de Carina parecia sádico.
— Então, que ótimo que reataram!
— Está mesmo feliz com isso, Carina? — Julieta, indagou. A branquela bebericou um pouco de água e forçou um sorriso.
— Claro, por que não estaría?
— Certo.. — Julieta, assentiu.
— Quando pretendem se casar?
— O mais pronto possível.. — Aurélio, respondeu. — Você será nossa convidada de honra..
— Deus, Aurélio, não diga asneiras.. — Mariana murmurou. Guadalupe, afim de mudar de assunto pronunciou-se:
— É uma linda casa.. Parabéns!
— Ah, nos custou muito trabalho consegui-lo, obrigada! — a mãe de Carina que chamava-se Matilda, respondeu.
— Mamãe, não seja modesta.. Sempre fomos ricos, a casa é só um mero detalhe de tudo que temos.. — Carina, afirmou nitidamente a provocar.
— O senhor me parece que fora militar.. — Brandão disse mudando de assunto.. — Percebi pelas fotos..
— Oh sim.. — o velho Nestor respondeu. — Estive na última guerra..
— Grandes traumas, certo?
— Incontáveis! — respondeu, rapidamente vendo que o jantar finalmente começara a ser servido.
De repente a mesa ficara repleta de bons pratos. Aurélio engatou uma conversa com Brandão e Nestor, e Guadalupe falava com Matilda sobre suas costuras, apesar de rica, a mulher pareceu interessada.
— Que delícia! O que é? — Rosa, perguntou.
— Creio que frango ao olhou com um pouco de hortelã. — Brandão, a respondeu.
— Me agrada..
— Tem bom gosto, menina.. Não há dúvidas que es irmã do Barão.. Vem de uma fina linhagem. — Carina, disse e sorriu para Rosa.
— Eu não entendi o que disse, mas obrigada! — a menina respondeu voltando a comer.
Todos se envolveram novamente em suas conversas, menos, Julieta.
— Tudo bem? — Aurélio, segurou sua mão por cima da mesa.
— Um pouco enjoada.. — ela confessou. — O clima está muito abafado, não?
— Podemos sair para tomar um ar..
— Não, não seria educado.. — suspirou. — Eles estão sendo muito agradáveis.. — sorriu. — Logo, passará.
— Você quase não comeu.. — reparou, ele.
— Acho que comi bolo demais!
— Lembro-me... — olhou para todos na mesa, logo, voltando a mira-la. — Julieta, tem certeza que está bem? — ela quase choramingou com sua pergunta. Gostaria de ir embora, dizê-lo sobre o filho, abraçá-lo e livrar-se de toda tensão que sentia.
— Sim. — disse forçando um sorriso. — Veja, estão servindo a sobremesa. — Aurélio, respirou fundo ainda preocupado.
— Não gosto da forma que Carina a olha.. — Mariana, inclinou-se para murmurar a Julieta.
— Eu sei, Mariana.
— Fique longe dela.. — avisou.. — Caso sofra algum dano, avise-me e eu a matarei..
— Você pode ser presa por isso.. — a voz de Brandão se fez presente.
— Pelo que sei você engana mocinhas indefesas, então, fique quieto. — Mariana o respondeu.
— Está muito enganada sobre mim, Senhorita.
— Creio que não!
— Não me desafie.. — a morena sorriu.
— Você não sabe com quem está lidando..
— Ah, eu gostaria de descobrir! — ele provocou e Mariana o chutou por debaixo da mesa. Brandão grunhiu entre os dentes quase levantando-se afim de aliviar sua dor.
— O que houve? — alguém dos mais velhos indagou.
— Creio que o senhor Coronel assustou-se com uma lagartixa.. — Mariana se prontificou a dizer. Julieta, mordera o lábio para não rir e Aurélio seguiu seu compasso.
— Creio que há um engano.. Nós não temos esse tipo de bicho aqui, talvez, você o tenho trazido em sua bolsa, Mariana. — a voz de Carina invadiu os tímpanos da irmã mais nova.
— Eu não faria isso com os bichinhos, Carina.. Você certamente os comeria vivos!!
As risadas se mesclam depois do cometário de Mariana. Carina, forçou-se a rir controlando seus instintos mais ferozes, havia uma interminável vontade de voar sobre Mariana, e logo, atingir Julieta com algo que a causaria tamanha dor a ponto de fazê-la desmaiar. Mas, respirou fundo, e levantou-se da mesa.
— Bom, já que estão todos se divertindo, verei porque o chá que sería-nos servido demora tanto.
— Eu a ajudarei.. — Nestor disse seguindo a filha até a cozinha.
— Chá? — Julieta virou-se para Aurélio. — Pensei que nos serviriam um pouco de seu café. O senhor Nestor esta perdendo uma ótima oportunidade para agradá-lo.
Surpreendido, Aurélio sorriu.
— Então, aprendera algo com o seu péssimo professor.. — disse ele convencido.
— Eu sempre fui uma otima aluna.. — arqueou a sobrancelha. — Estava ansiosa para provar o café deles, quem sabe eu poderia colocar em prática o que aprendi..
— Ah, Deus.. Eu sou um homem muito orgulhoso.. — ele não se importou com o público ao seu redor e a beijou calmamente.
No outro comodo, Nestor lutava contra a maldade e a arrogância da filha.
— O que é isso, Carina?
— Chá para todos papai! — sorriu.
— Não, não! — o homem disse arracando das mãos da empregada a bandeja cheia de xícaras. — O que há nessas xícaras?
— Chá, senhor. — a mulher oprimida respondeu.
— Está cheio de pensamentos avulsos, papai.
— Benta sirva o chá! — ela ordenou, mas a mulher parecia relutante.
— Carina! — o pai rosnou.
— Deus! Está bem! — ela bufou. — Apenas o chá de Julieta é diferente, tem um temperinho especial.
— Temperinho?
— Ervas, papai!
— E onde as conseguiu? — sua voz quase chegara a falhar.
— Procurei entre os becos uma parteira e ela ajudou-me.. — ela se aproximou do pai. — A caipira está grávida! E é por isso que Aurélio se casará com ela!!
— E o que a da certeza disso? Porque, o que vi toda a noite fora um homem dedicado ao bem estar de sua noiva.
— Faz por obrigação, ele não a ama! — quase gritou.
— Esta fazendo isso porque quer competir com Julieta, você nem mesmo gosta do Barão. — ele a segurou pelo braço mantendo-a o olhando. — Não servirá isso a aquela mulher, pode matá-la.
— Tenho certeza que não fará falta a ninguém.. — disse amargamente. — Se ela perder o bebê, ou felizmente morrer.. Eu me casarei com ele, papai, é simples.
— Você está louca, minha filha. — ela puxou seu braço, e olhou para a empregada.
— Sirva o chá, Benta, como eu disse a você! — Carina, falou voltando a sala de jantar. A mulher olhou para a bandeja, as mãos pareciam trêmulas, o medo tampava seus olhos.
— Não dê um passo.. — o homem disse. — Derrame tudo, e sirva um novo chá.. Algo que não seja capaz de matar ninguém.
— Sim, senhor! — a mulher disse quase saltitante.
Carina, assistiu com alegria Julieta bebericar seu chá, o pai a olhava de longe totalmente angustiado e decepcionado com a atitude da filha. Aurélio, deu o sinal de cansaço, e todos decidiram partir, rapidamente se despediram e rumaram para os carros. Brandão acompanhou Guadalupe e Mariana, e ele seguiu com Julieta e Rosa para a fazenda.
Quando finalmente fechera a porta de sua casa, Nestor olhou para filha. Havia dito a esposa o que a mesma planejava e juntos tomaram uma decisão.
— Por que me olham assim?
— Arrume suas coisas, Carina.. Seu pai e eu decidimos que você irá para o convento!
...
Rosa chegara tão exausta que fora direito para cama. Julieta a ajudou a trocar-se, e contara uma linda história até que a menina em poucos minutos entregou-se ao sono. A mesma havia engordado, e os cabelos estavam mais brilhantes, realmente parecia mais feliz, assim como as crianças de todo o mundo deveriam ser.
Suas mãos se apertaram entorno da alça de sua bolsa, havia na mesma algo que pedira para sua mãe costurar. Quando abrira a porta do quarto de Aurélio, o viu encostado na cabeceira da cama lendo algo que o parecia ser uma carta. Ele a viu e guardou o papel em um gaveta ao lado.
— Então, eu posso dizer: enfim sós?
— Ah, pode... — Julieta, se aproximara com meio sorriso nos lábios. Estava nervosa era nítido. — Venha aqui.. — ela pediu, e ele rapidamente se pôs em sua frente.
— Aconteceu algo? — preocupou-se.
— Aconteceu.. — os olhos se fecharam e ao voltarem para luz trouxeram um certa comoção.
— Algo que eu disse, meu amor?
— Não... Mas.. — suspirou. — Feche os olhos para mim.. — ainda relutante, ele fizera. — Quero que entenda que havia um certo receio em mim ao conta-lo.. Medo que você, se machucasse e que me ferisse também, mesmo sem quero..
— Eu estou ficando nervoso.. — confessou.
— Eu sei.. Estou a ponto de desmaiar também. — sorriu nervosamente. — Entenda que nunca quis tirá-lo esse direito, eu só não queria que fosse obrigado a ficar comigo..
— Nunca fora uma obrigação ficar com você, Julieta. — ele respondeu ainda de olhos fechados. — Eu amo você, e nunca irei me cansar de dizer isso! — ela ofegou, erguendo a cabeça sentindo pronto as lágrimas em seu rosto.
— Então, sinta aqui.. — ela buscou sua mão, e a levou ao seu rosto, os dedos do Barão umideceram-se e ele engoliu seco. — Aqui.. — a mão agora repousou em cima do peito de Julieta, seu coração estava desenfreado, batia tão forte que ele ficara feliz em sentia-la tão viva.
— Sentiu?-ele assentiu, o toque o fazia desfrutar de tudo com mais afinco. — Enfim.. — respirou fundo... — Sinta aqui.. — dessa vez ela colocou as duas mãos do Barão em seus quadris avantajados, ele suspirou acariciando o mesmo..
Sentia vontade de puxá-la para si, mas parecia haver algo muito mais importante que seu anseio.
— Julieta.. — murmurou, apreensivo.
— Abra os olhos.. — ela pediu, e ele se perdeu no seus rosto emocionado. Olhou para as mãos ainda apoiadas em seu corpo, e novamente para ela... E de repente..
— Julieta.. — dessa vez o sorriso o tomou os lábios, os pés pareciam flutuar.. Tudo estava fazendo sentindo.
— Eu estou grávida, meu amor! — ela sussurrou, e o entregou dois sapatinhos brancos, feitos com muito carinho por sua mãe.
Movido por suas palavras ele a abraçou, e tão forte, que ela deixou-se cair em seus braços. A tensão se fora como uma chuva repentida, sendo logo substituída por um sol radiante. Ele prendeu o rosto dela entre as mãos, e seus sorrisos se correspondiam.. Ele a beijou castamente rumando para o criado mundo, ainda encantado deixou os sapatinhos em cima da cama e abriu uma gaveta achando o que procurava, e voltando para sua frente.
Julieta, perdera o ar quando ele ajoelhou-se em sua frente, buscou por sua mão e colocou novamente em seu dedo o anel de noivado que sempre a pertenceu.
— Eu nunca devia ter o tirado daqui.. — disse, e beijou sua mão. Seguidamente ainda de joelhos, abraçou sua cintura, roçando o nariz por cima do tecido de seu vestido. — Obrigado..-murmurou, beijando seu ventre. Ergueu-se ainda envolvido por suas emoções segurando nas mãos cálidas de Julieta.
— Não tem o que agradecer.. É o fruto do nosso amor.
— Agradeço..Obrigado por me amar, por me fazer feliz.. Por me dar um filho, por tudo, minha Julieta.
— Ele, ou ela será muito muito feliz! — ele assentiu.
— Minha mãe seria a avó mais feliz do mundo.. Bom, depois de Dona Guadalupe, é certo.
— Eu tenho certeza que ela esta torcendo por nós! — disse, e o abraçou.
...
Fale com o autor