Hold on

23 O que o amor faz...


Julieta não pensava em nada, apenas, observava o balanço das cortinas; aquele vai e vem a envolvia em quase sonolência. A cama de Aurélio também não a ajudava muito, era confortante, assim como sentir o corpo dele sobre suas pernas, ele estava de olhos fechados, sentindo os dedos dela entre seus cabelos. O simples carinho fazia de Aurélio um homem totalmente a mercê, queria poder ficar ali, sob o corpo da mulher que amava por toda sua vida, era assustador como Julieta o dava tanto conforto e força. Estava mais que certo que, o amor poderia mudar qualquer coisa, qualquer um.

— Gostaria de gritar, mesmo sem forças.. — ele murmurou, ajeitando-se sobre o colo dela, agora sua cabeça repousava quase em cima de seu abdômen.

— E o que gritaria? — perguntou ela, olhando para baixo mesmo que não fosse possível encontrar seus olhos.

— Tantas coisas. — abriu os olhos. — Gritaria pela janela por saudade de minha mãe.. Por ainda não conseguir perdoar meu pai.. E Principalmente gritaria de felicidade. — ergueu a cabeça para olhá-la, e ela tinha um fino e tímido sorriso iluminando o rosto.

— Então, grite.

— Não, não.. Talvez quando eu estiver a cavalgar pelo campo.. Lá, poucos irão me ouvir. Agora, eu quero apenas ficar com você.. Digo.. — sorriu. — Com vocês!

— Ah, isso nós também queremos. — a mão acariciou o abdômen e logo, o rosto do noivo. — Você parece um menino que acabou de descobrir algo muito estonteante.

— Pois, sim. Eu acabo de descobrir que a felicidade pode ir além do que qualquer pessoa possa imaginar. — moveu-se para o lado, e Julieta aproveitou-se para se aninhar em seus braços;tinha ciência que nunca cansaria daquele aconchego. — Me sinto sim um menino, e sinto que ele está prestes a descobrir muito mais que coisas estonteantes.. — ele beijou a ponta do nariz de Julieta a fazendo deixar um risinho escapar.

— Coisas como cuidar de um bebê, certo?

— Coisas de como fazê-lo dormir... — ele franziu cenho. — O que eles comem? — ela riu, escondendo o rosto em seu pescoço. — Estou a brincar..

— Espero que sim! — afirmou. — Deixe-me lhe mostrar algo. — Julieta, sentou-se na cama de costas para ele. — Me ajude com o zíper..

De repente o vestido estava preso em seus quadris, deixando em evidência sua combinação rendada de tom champanhe. O grande tecido fora jogado no chão e ela ansiosa virou-se para Aurélio. Rencostado na cabeceira da cama, ele a contemplou carregando um brilho nos olhos que certamente jamais dedicaria a outra pessoa, porque, era ela a dona desse brilho. Julieta, engatinhou até ele, sentando-se em seu colo, um suspirou lhe atravessou os lábios quando sentiu as pernas dele rígidas como barras de ferros. Ignorou o arrepio que a possuiu sorrateiramente e buscou a mão do homem, que não deixava de olha-lá. As penas de Julieta que o rodeava estavam cobertas por uma fina meia, estas não terminavam em suas coxas, eram mais curtas como meias de jogadores de futebol, no entanto, ainda assim, tinham um efeito entorpecedor sobre ele.

— Pare de olhar para as minhas pernas, Aurélio.. — ela murmurou. — Sinta.. — disse, direcionando a mão dele a sua barriga. — Está crescendo, bem devagar, mas está..

Por trás do tecido de sua combinação, ele pôde sentir o pequeno volume entre seus dedos. Engoliu em seco quase afastando os dedos, de repente, estava receioso com medo de causava-los algum dano; era tão delicado.

— Não tenha medo.. — sussurrou, lhe dando confiança. A mão do Barão se espalmou aquecendo de vez a pele de Julieta, e ele sentiu o coração acelerar. Nunca pensara que voltaria amar novamente, e agora, amava há duas pessoas e de forma tão intensa que quase, deixou escorrer pelos seus olhos.

— Quando descobriu? — Aurélio disse, sem mover sua mão, parecia não querer mais tirá-la dali.

— Há algumas semanas atrás.. — suspirou. — Me senti tão feliz, e triste porque não poderia dizê-lo.

— Você sabe que poderia..

— Não.. — ela afirmou. — Você fugiria de mim, e depois voltaria disposto a casar-se apenas pelo bebê.. Viveríamos em um inferno. — a mão de pele fina tocou o rosto do Barão, a barba agora, estava maior o envelhecendo mais, deixando-o ainda mais atrativo a Julieta. — Era necessário um tempo.

— Eu sei, mas ainda não suporto a ideia de você longe de mim.. E grávida. Deus, me faz sentir um imbecil por tomar decisões tão precipitadas.- ele buscou o olhar dela. — Afirmo a ti que, a buscaria por toda a cidade de São Paulo!

— Faria um escândalo..

— Sabes que não me importo com o que os outros digam.. — ela assentiu.

— Não é a toa que está prestes a se casar com uma caipira sem dote, tão pobre quanto os mendigos a mendigar pela cidade.. — disse, divertida. Ele sorriu balançando a cabeça.

— Como sempre sem papas na língua..

— Sempre soube, não sei por que a surpresa..

— Não estou surpreso, só ciente que você ainda me deixar a lamber seus pés..

— Ah, eu gostaria dos serviços de sua língua, mas não em meus pés..

— Não? — a sobrancelha se arqueou. Ela segurou na bainha da combinação e a tirou pela cabeça, os seios mais fartos revelaram-se a Aurélio, mas os cabelos cabelos castanhos logo os cobriram, e ele a olhou.. A boca entreaberta e olhos quase sombrios deixaram Julieta descrita como o pecado. Ela, segurou em seus ombros aproximando-se dele o suficiente para lhe acariciar o nariz com o seu. — Onde? — ele sussurrou, e a rouquidão em sua voz disse muito a ela.

— Pode começar em colocá-la dentro de minha boca.. Depois, em minha pele.. — ela segurou aos mãos dele as colocando sobre os seios. Aurélio não necessitava de nenhum ensinamento de como possuir uma mulher, mas aquilo.. Ah, aquilo que Julieta estava fazendo era extremamente absurdo e enlouquecedor. — Deixo que.. — sua fala fora interrompida quando ele mordeu seu lábio inferior sorrateiramente. — Faça amor comigo.. — disse em um tom manhoso.

— Você sabe o que fez comigo? — ele indagou, em um sussurro e de repente suas testas estavam coladas.

Ela balançou a cabeça sem saber ao certo o que ele indagara.

— Eu não fiz nada, querido, fora o amor e se amor não faz, nada faz..

Ele enfiou as mãos entre os fios de cabelos soltos dela a fazendo olhá-lo. Seus olhos estavam inebriados, sua boca levemente aberta, e a respiração descompensada. Aurélio, não sabia o que estava passando na cabeça de Julieta, mas estava ciente de que ela o desejava do mesmo modo que ele, tanto a ponto de um leve toque seu a fazê-la gemer entre os dentes.

O fogo tomou seus olhos, e as mãos começaram com suas carícias rotineiras.. Ele, a amaria da cabeça aos pés, não deixaria nenhuma parte do seu corpo sem sentir a sofreguidão de um quase orgasmo, e a faria chegar no seu limite como um amante de verdade faria. Ela era a mulher da sua vida e merecia o seu melhor.

Ainda com as mãos entre os cabelos dela, Aurélio aproximou seus rostos, ele fechara os olhos, e roçou seus lábios, sentiu o cheiro adocicado dela, e com sutileza a beijou. Julieta, apoiou-se em seus ombros quando de imediato um espasmo a possuiu; sempre desejaria aquele homem, seus beijos, seu corpo.. Desejaria fundir seus espíritos com algo que só eles entendiam e sabiam fazer. O beijo se aprofundou. E com mãos mais firmes Julieta tirou rapidamente a camisa de Aurélio, ela pousou suas mãos sobre o peito dele, e as deslizou até seu abdômen sólido, por um momento sentindo seu toque, ele suspirou e abandonou os lábios dela olhando diretamente para suas mãos; tão pequenas, delicadas e únicas.

— Fica para sempre. — ele murmurou, a olhando. Julieta não o respondeu, e continuou com suas carícias então percebendo toda pele dele arrepiada. Ela suspirou satisfeita.

— Fico.. Fico.. — assentiu.. inclinando-se para o lado desligando um abajur, e deixando o outro a iluminar seus olhares.

Ele apoiou suas mãos nos quadris dela, e ela dessa vez o beijou, agora suas mãos tomavam conta dos cabelos dele, os bagunçado, e os puxando como se quisesse o marcar; e estava. As respirações voltaram a não ter controle deixando seus grunhidos soarem pelo quarto. Enfim, quando lhe faltou o ar, ele guiou seus lábios explorando cada parte do pescoço de Julieta, até então, inclinar-se e alçar um de seus seios, a reação dela fora imediata esquivando-se o pescoço apreciando como a boca dele a abocanhava com lentidão e intensidade, por hora ela sentia sua língua rodear seu mamilo, aquela sensação, espalhava-se por todo seu corpo, inclusive para entre suas pernas, que por falar nas mesmas, não paravam de se remexer em cima dele.

Com mais necessidade de senti-la, Aurélio rodopiou seus corpos, fazendo-a deita-se, sua boca voltara saliva quando teve a perfeita visão dos seios dela agora totalmente sob ele. Rapidamente os beijara, e em seguida com o calor fervente que exalava se sua respiração, ousou soprar um dos mamilos, de imediato, fazendo-a arqueou-se da cama, mas não durara muito, pois o Barão deitou-se por cima dela, e colou-se novamente ao seu corpo suplicante. Sentir seu corpo tão seu outra vez parecia um sonho que nunca mais se realizaria. Ela era tão doce e pequena, mesmo cega de prazer nada nela parecia devassado demais que não pudesse se admirar.

Julieta, o sentia grande, e confortável. Era de se estranhar como um homem tão alto, e músculo, poderia ser seu encaixe perfeito. O peso do seu corpo não a incomodava, ao contrário, a fazia ter um prazer diferente, que se misturava com segurança e desejo. Sentia seu peito sobre o dele, sentia o roçar dos seus seios sobre sua pele quente.. E... De repente, sentiu sua boca dentre suas pernas, tão ligeira que ela mal percebera que sua roupa interior fora tirada. Aurélio, nunca havia a dado prazer dessa forma, e ela o questionária o porque dele nunca ter o feito se ao menos conseguisse falar entre seus gemidos. Ele abriu mais suas pernas e dedicou-se, a beijá-la intimamente o mais profundo que consiguira, quando sua língua roçou a milímetros do seu clitóris, ela mordera os lábios oprimindo um gemido, e segurou forte nos cabelos de seu noivo.

Ele segurava firme em suas coxas, sempre a trazendo para mais perto de sua boca quando ela afastava-se pelo prazer provocado. Seus dedos marcavam sua pele, e mesmo que não fora essa sua intenção, a ideia não era nada mal. Queria que ela olhasse para mesma, e lembra-se de quem as causou e de como ela estava no momento, e o que exatamente sua boca e sua língua estavam fazendo.

Quando percebera que faltava pouco para ela chegar em seu limite, ele cessou suas caricias, e terminou de despir-se. Ela estava inebriada de baixo do seu corpo, totalmente a mercê dele. E ele sorriu, e ela correspondeu, no mesmo instante ele sentiu seu coração acelerar, e pedira no seu mais íntimo que todo aquele sentimento, ligação, durasse para todo sempre.

Ela o recebeu dentro de si totalmente rígido, viril. Ele sentiu que explodiria quando a sentiu tão quente e aconchegante, moveu seu quadril lentamente, para apreciar cada instante que era esta com aquela mulher. Cada centímetro seu fora sentindo por ela, e quando ela pensara que era impossível que ele crescesse mais dentro dentro do seu corpo, Aurélio a mostrou o contrário.

Ele a abeijou, e começou a mover-se, sem parar, sem cessar. Seu maior combustível naquele momento eram os gemidos dela, quanto mais intensos ficavam, mais Aurélio sentia-se no direito de dá-la tudo o que ela pedisse.

Julieta sentiu quando seu corpo inclinou-se um pouco para o lado, sentiu a mão dele sobre sua bunda, e logo depois um tapa desferido ali, sua pele queimou com a intensidade do mesmo, mas logo acalmou-se quando no mesmo lugar ele iniciou uma massagem. E logo a boca dela também deixara marcas em seu pescoço, enquanto seus corpos ligados não cessavam seus movimentos por nenhum instante. As costas de Aurélio queimavam em quase sangue por seus arranhões... quando seu ventre começou a contrair-se ela se afundara mais debaixo dele. Gozou sentindo seu cheiro, sua respiração fora de ordem, seus sussurros impróprios, e principalmente a sensação que ele deixara em seu corpo. Estava exausta, e ele também. O sentiu se derramando lentamente dentro dela, seu ventre esquentou- se ainda mais, e ele deslizou-se para fora do seu corpo com lentidão. Deitou-se de frente para ela, e segurou com as pontas dos dedos seu queixo a fez olhar para ele, e ele roçou seu polegar sobre o lábio inchado dela. Ela sorriu fechando os olhos e ele a abraçou...

— Vamos nos casar.. — ele murmurou.

...

Era tarde da manhã quando Julieta espreguiçou-se sentindo falta do corpo de Aurélio. A cama estava extremamente fora de ordem, e suas bochechas coraram quando a mesma recordou-se do que haviam feito. A exaustão a tomava, mas havia algo que se sobressaia, a paixão, o êxtase e o sentimento de finalmente está com seu amor.. Desejava descansar mais, no entanto, de repente, seu quarto fora invadido por Mariana e Dona Guadalupe. A irmã, trazia em mãos uma linda bandeja de café da manhã, e a mãe, estava com as mãos cheias de tecidos e fitas.

— Até que enfim! — a irmã reclamou. — Estava a pensar que dormeria por todo o dia.. — Fora até as cortinas e as abrira quase deixando Julieta cega com tanta claridade. — Veja, o dia está lindo. — sorriu.

— Eu estaria vendo se você não tivesse me deixado cega.. — reclamou tampando os olhos com as mãos. — Mamãe, o que está acontecendo?

A mãe sorriu aproximando-se da cama.

— Não podemos contá-la..- Julieta reagiu franzindo o cenho.

— Levante-se por favor!! — Mariana disse, batendo palmas. — Há muito o que fazer, você está destruída.

Julieta olhou para dentro do lençou que a cobria e.... estava nua.

— Ah, minha filha, sou eu e sua irmã..

— Eu sei mãe.. — ela assentiu. — Mas...

— Levante-se ou eu a arrancarei dessa cama pelos cabelos!!

— Mariana esta muito atrevida, mamãe!

— A digo isso constantemente, mas a mesma não se crer.. — a mãe disse dando-se por vencida. — Agora, venha comigo.

Ela aceitou a mão de Guadalupe e enfim levantou-se. Rapidamente fora forçada a tomar um banho repentino, em seguida sua mãe a ajudou com as vestimemtas interiores enquanto Mariana esforçava-se para fazê-la comer. Um pouco de suco, e um pedaço de queijo fora o máximo que conseguira ingerir, estava nervosa com todo aquele alvoroço. Em um certo momento os empregados começaram a andar de um lado para outro, havia murmuros para todos os lados e.. Só então, reparou que Mariana e sua mãe estavam muito bem vestidas.

Um vestido rendado lhe passou a cabeça abaixo e se ajustou perfeitamente em seu corpo, no entanto, Guadalupe insistiu em deixá-lo ainda mais rodeado.. Uma fita quase amarela marcou sua cintura deixando quase em evidência sua gravidez.

— Mãe.. — ela disse tentando engoli outro pedaço de queijo. — Eu estou ficando com medo..

— Acalma-se, meu bem.. — disse a mulher com algumas agulhas presas aos lábios. — Bom, Mariana cuidará de seus cabelos..

A irmã mais nova penteou seus fios marrons para trás, pondo em sua cabeça uma pequena coroa de brilhantes, o coração de Julieta acelerava-se cada vez mais, talvez, soubesse o que estava acontecendo, mas era quase impossível que fosse real, era muito sonho.. Muito encantando para acontecer com ela.. Era..

— Pronto!! — disse Mariana, a empurrando para frente do espelho.

E Julieta se viu mais alta, por causa de seus novos sapatos. Os cabelos estavam moltados em perfeitos cachos, e a coroa... de onde havia surgido? O vestido tinha um leve decote, as mangas eram curtas e seu caimento confortável, ela ficara deslumbrante com tão pouco, e tão rapidamente. Olhou para as duas mulheres e as palavras lhe faltaram..

— Mariana? — a voz soou quase trêmula.

— Você vai se casar.. — a irmã murmurou com os olhos marejados. Julieta, percebera a visão lhe falha quando os olhos encheram-se de lágrimas. — Venha.. — segurou em sua mão, e as três traçaram do quarto o caminho que mudaria de vez a vida de Julieta.

Mariana e Guadalupe desceram rapidamente a deixando no topo da escada. A morena olhou para os longos degraus ao qual lhe levaria ao homem que a esperava no final dos mesmo, e certificou-se se ainda sentira as próprias pernas. O corrimão lhe ajudou, e passo a passo ela fora descendo, os olhos não saiam de Aurélio que cada vez mais estava próximo. Os peitos pulsavam em ansiedade, as mãos de ambos transpiravam sem cessar.. Era algo deles, que apenas eles entendiam, e se causavam.

— Surpresa? — perguntou ele, segurando-a pela mão logo, a beijando.

— Aurélio eu... — ela olhou ao seu redor, e a boca se fechara prontamente.

Havia uma decoração de flores por toda sala. Um pequeno altar fora construido, e um tapete vermelho levava até o mesmo. Dois senhores vestidos formalmente tocavam uma pequena sintonia com seus violinos, algo que deixara Julieta com vontade de tirar Aurélio para uma dança. Dividos pelo tapete vermelho estavam Brandão ao lado de Mariana, Guadalupe e Afonso, do outro Rômulo que, estava acompanhado por uma bela mulher, certamente sua esposa.

— Precisávamos de padrinhos.. — ele disse, e a voz soou tão melancólica que Julieta quase o abraçou. — Ah, o padre!- exclamou quando o senhor acanhado atravessou a sala, e se pôs frente ao altar.

— Ele parece triste.. — ela disse sorrindo e limpando as lágrimas que já a tomava.

— Suponhamos que eu tive que ameaçá-lo a deixar de doar dinheiro para igreja caso ele não viesse..

— Aurélio! — ela o repreendeu.

— O homem estava irredutível, e eu não poderia mais esperar para me casar com você! — confessou. — Quero que seja minha de todas as formas, Julieta.

— Eu também.. — disse, apenas para ele.

— Então, venha..

Ele a conduziu a ponta do tapete ficando em sua frente.

— Rosa.. — disse, e a menina entrou quase correndo a sala, estava com um vestido quase igual ao de Julieta, mas o seu trazia um imenso laço vermelho. A menina sorriu para Julieta, e entregou para seu irmão um apanhado de flores.-Obrigado! — ele assentiu, lhe beijando entre os cabelos, Rosa se juntou aos demais.

E Julieta voltara a sentir os olhos marejarem.

— Bom, uma noiva necessita de um buquê, certo? — ela concordou. — Então, segure estas flores amarelas para que tenhamos alegria, e muita inteligência para lidar com qualquer coisa que tente nos afetar.

— Obrigada.. — disse, segurando as flores tão amarelas que pareciam vivas.

— Agora, as brancas para que não nos falte paz e confia.. — ela as pegou e juntou com as demais. — E por fim, estas vermelhas.. Para o nosso amor ser permanente, e que não nos falte paixão, desejo, fogo e esse arrepio que sentimos todas as vezes que nos vemos.

Ela juntou todas flores e ele tirou do bolso uma fita, amarrou os caules das mesmas e Julieta enfim estava com seu buquê, e ele não era qualquer um, estava cheiro de desejos, carregava as palavras de um homem eternamente apaixonado e que agora a olhava como se seu mundo fosse apenas ela. Ele andou até o altar, e cruzou os dedos, talvez por ansiedade, ou apenas por morrer de vontade de tê-la logo em seus braços. Os violinos, agora soavam uma música mais grave, e Julieta começara a dar passos longos e lentos em direção a todos que amava. Diferente do qual havia imaginando, seu casamento não fora invadido por pessoas que ela mal conhecia, ali, estava cada parte de sua história com Aurélio, e nada poderia ser mais perfeito. Mariana que sempre a acusou de amá-lo. Guadalupe, que nunca a julgou por suas escolhas. Afonso, que mesmo não a aprovando no início, nunca fizera nada para separá-los. Rômulo, que guardara seu segredo, e por fim, Rosa;a pequena Rosa que tirou de Aurélio ainda mais sentimentos evidenciando que ele sempre fora um grande homem, não só de negócios, mas o que entendia também, o valor de dar importancia ao raro sentimento do amor verdadeiro.

Ela entregou seu precioso buquê para Mariana, e o padre começara a falar, falar, falar.. No entanto, ela estava presa demais no encanto de seu noivo, em suas vestimenta, seu cabelo e os olhos cansados certamente por ele ter corrido por toda a cidade para da-la tanta felicidade.

— Julieta... — alguém a chamou. — Meu bem, os votos..

— Oh... — despertou-se de seu devaneio. O que diria? pensou. — Meus votos.. — repetiu. E segurou firme as mãos de Aurélio. — Talvez, eu não tenha muita palavras, porque, elas jamais descreveriam o quão Aurélio é importante para mim. O seu olhar me entorpece, seu o calor me conforta... Ah, há tanto que posso dizer deste homem, senhor Padre. O sorriso é o próprio sol que ilumina qualquer que seja a escuridão profunda. Es tão generoso, simples, o estimo com toda minha alma, com tudo que há em mim.. Com todo meu amor..

De certo os suspiros soltado naquela sala foram ouvidos a meio metro. Ele recebeu sua aliança sentindo a mão trêmula de Julieta, era sua vez... E o que diria da mulher que destruiu tudo que havia de rude em si?

— Aurélio.. — o padre disse.

— Não que eu tenho pesquisado, mas Julieta significa; Ousadia, independência, força, e a minha querida Julieta tem tudo isso em si e muito mais. Es tão bela a ponto de calar-me apenas com seu olhar.. Torna-te grandes quando queres moldando tudo a teu gosto.. Me envolveu a ela fazendo-me melhor, fazendo-me conhecer o verdadeiro amor, e você é meu verdadeiro amor, Julieta. A cada momento que estou contigo me sinto tão afortunado, me eleva com teu jeito de mulher.. Me faz o homem mais feliz e esperançoso, e agora sabes que me dará algo tão preciso que eu nunca poderei ser grato o suficiente a ti. Eu a amo.. Amo.. — ele pôs a aliança em seu dedo e respirou fundo tentando manter-se forte.

O padre os abençoou, e por fim eles selaram os lábios em um beijo intenso, mas casto.

— Te amo.. — Julieta falou, só para que ele pudesse ouvir.

— Eu também.. — sua mão pousou exatamente em cima do abdômen dela. — Amo-os!

...

Julieta observava de longe os seus convidados desfrutarem do buffet. Mariana provocava Brandão que insistia em retribuir suas críticas, Rômulo parecia muito feliz ao lado da esposa e com certeza estava ensinando alguma receita caseira a sua mãe e, por fim, Afonso ensinava a Rosa alguma coisa sobre etiqueta.

— Está vendo tudo o que você me deu? — ela sentiu os braços do marido abraçando sua cintura. Julieta sorriu virando-se em sua direção.

— Onde estava?

— Mandando uma mensagem ao jornal, é necessário que anunciem que nos casamos.

— Oh, as vezes eu me esqueço que você é famoso pelos arredores.

— Agora você também é..

— Já falam o bastante de mim, eu prefiro ficar no esquecimento de todos. — sorriu.

— Isso é quase impossível, meu amor.. Quem ousaria esquecer tal sorriso?

— O meu Deus grego é um ótimo galanteador..

— O seu Deus grego estava ansioso para passar o dia todo na cama... — murmurou. — Mas antes, precisamos comer... — disse, puxando a cadeira para que ela pudesse se acomodar.

...

A madrugada fizera uma mulher muito faminta sair de seus aposentos como um felino silencioso e rumar para cozinha. Buscou por um pouco de bolo, logo, presunto fresco, pão e para sua sorte achara metade de uma torta de morango. Era certo que toda esse mistura não a faria bem no dia seguinte, no entanto, estava dedica demais a matar sua fome para se importar com as consequências no momento.

Julieta sentou em cima da velha mesa da cozinha iluminada apenas por um pequeno lampião e buscou por um pedaço de torta, começara a se deliciar com mesma. Não havia comido quase nada todo o dia, ela e Aurélio receberam alguns presentes de pessoas que certamente estavam incomodadas por não terem sido convidadas para o repetindo casamento, mas ainda assim quiseram marca o dia de algum modo.. Quando finalmente tiveram tempo livre, Aurélio a levara para o quarto, e de lá só saira quando a fome fora maior que sua exaustão.

— Estive a ponto de ligar para a polícia, não sabia ao certo se pelo sumiço de minha mulher, ou por suspeitar que alguém invadira minha cozinha. — o Barão disse do canto da porta.

— Pois, faria algo muito grave, senhor Barão. — ele se aproximou ficando entre suas pernas. — Eu diria que estava presa dentro do seu quarto a mercê de suas vontades. — ele sorriu observando ele lamber os dedos sujos de calda vermelha.

— Você não estava reclamando enquanto eu me aproveitava de você.

— E do que reclamaria? — Aurélio esperou que ela desse sua última mordida no doce, e a trouxe para mais perto, bem perto para ver com afinco seus lábios lambuzados. — A sua boca estava exatamente onde eu queria.. — ela provocou mordendo o lábio.

— Você nem imagina onde eu estou imaginando ela agora..

— Então, me diga.. — Aurélio a puxou para si segurando-a em seus braços.

— Em nosso quarto, na nossa cama.. E em nossos lençóis.. — falou, a levando carregada escadas a cima..

Entre um degrau e outro ele a beijava, ou Julieta o provocava ainda mais. Viraram em um corredor e ouviram alguns murmúros.

— Parece a voz de Mariana. — Julieta sussurrou.

— E a de Brandão.. — ele completou.

Se olharam deixando um riso escapar, e Aurélio seguiu seu caminho até o quarto do casal.

...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.