Hold me tight and kiss me slow.
9 Capítulo 9.
Notas iniciais
– Só eu estou me sentindo desconfortável? – Mason perguntou em voz alta, mas nem estava prestando atenção em quem o acompanhava.
Mordeu o lábio sutilmente, retirando do forno a lasanha enquanto Spencer – agora com uma camiseta – colocava os pratos. Basicamente aquele era o único som que se ouvia na cozinha, além de Jane, que perguntava ocasionalmente o que eles estavam fazendo e porque ela não sabia de nada. Ela não ia mentir, se sentia completamente deslocada da amizade do amigo. Eles costumavam cantar tudo um para o outro.
– Jane... Você precisa jurar segredo sobre o que viu hoje. – Spencer murmurou, olhando para a morena que arqueou a sobrancelha.
– E eu por acaso faria algo para machucar meu melhor amigo? – A morena revidou, cruzando os braços.
– Não é isso, Jane... – Mason a olhou, colocando a lasanha por cima da mesa. – Ele sabe que você não faria nada contra mim. Mas você sabe que ele é “hetero”. – O garoto finalizou fazendo aspas com os dedos.
– Eu sou hetero. – Spencer murmurou, retrucando o moreno, que ficou confuso.
– Eu não sei se você notou, Spencer, mas eu tenho um pau. – Mason manteve a expressão confusa.
– É mais complicado que isso. – Spencer falou, dando de ombros.
Por algum momento, Mason perguntou a si mesmo o que estava acontecendo, mas ainda assim eles decidiram jantar juntos. Jane sentou-se ao lado do amigo, enquanto Spencer optou por ficar do lado oposto. Durante a refeição, a única pessoa que parecia ter coragem para encarar alguém da mesa era Jane, que ainda queria entender tudo o que estava acontecendo entre aqueles garotos.
– Então... – Jane pigarreou, apoiando o garfo no prato. – Como isso começou?
– Foi por acaso. – Mason murmurou respondendo, enquanto Spencer não parava de encarar o prato, que já estava vazio. – Ele e eu começamos a ficar por causa do trabalho que fizemos juntos...
– Então foi ele que você estava esperando no museu quando apanhou? – Ela perguntou, franzindo a sobrancelha, vendo que ambos ficavam em silêncio. – Você que mandou eles baterem nele! – Ela concluiu por si só.
– Claro que não! – O loiro, pela primeira vez durante o jantar, se pronunciou. – Eles pegaram meu celular e mandaram por conta própria aquilo para Mason.
– Isso só fica mais confuso. – Ela virou os olhos. – Bom, vocês sabem o que fazem. Sabe que tem meu apoio pra começar um relacionamento, não importa com quem seja. – Ela piscou para o amigo. – Contanto que esteja feliz com a pessoa, eu estarei feliz também.
O jantar terminou algum tempo depois, em mais um longo silêncio constrangedor. Mason já colocava os pratos na pia enquanto Jane começava a lavar a louça, procurando ajudar o amigo. Spencer estava encostado, encarando o nada quando Mason aproximou-se dele, colocando as mãos por cima de seus ombros e o encarando com um sorriso no canto dos lábios.
– Viu, está tudo bem... – Ele murmurou. – Você não precisa ter vergonha de nós.
– Você não vai entender nunca... – Spencer murmurou, com seu jeito típico marrento, encarando o garoto com certo desdém.
– Você pode não aceitar, mas nós temos algo que você não pode negar. – Mason franziu o cenho.
– Eu sei que temos, mas para mim é só... – Spencer falou, engolindo em seco. – Diversão.
Jane arqueou a sobrancelha, mas nem teve tempo para ter alguma reação. Ela já secava as mãos após terminar de lavar a louça. Mason, no entanto, pode sentir seu coração apertar e o estômago embrulhar. Como ele era apenas diversão? Deu alguns passos para trás, afastando-se do corpo do loiro. Quando eles estavam sozinhos Spencer basicamente se declarava para ele, e agora ele era apenas uma diversão. Sexo casual. O moreno não podia acreditar nas palavras que tinha acabado de ouvir. Fechou os olhos, sentindo seus punhos fecharem. Naquele momento, não sentia mais dor alguma, a não ser a interna provocada pelo loiro. Achou que vomitaria, mas não havia o que fazer.
– Eu sou só diversão pra você, Spencer? – Ele perguntou, apertando o encosto da cadeira.
– Eu acho que eu devo ir embora. – Jane deu alguns passos para trás, com uma expressão constrangida.
– Você causou tudo isso! – Spencer apontou para ela.
– Ela não causou nada... – Mason murmurou, voltando a olhar para o loiro. – Eu sou só diversão pra você, Spencer? – Ele indagou mais uma vez, de forma pausada. – Me responda! – Ele exclamou.
– Você interpretou mal minhas palavras. – Spencer retrucou.
– Então faça eu interpretá-las corretamente. – Deu de ombros, ainda encarando o garoto. Jane havia saído do cômodo, mas continuava pela casa.
– Cara, você tem que entender... – Ele começou a explicar-se. – Eu gosto de ti, bati nos caras por você, mas não é como se eu quisesse sair do armário e segurar sua mão no meio dos corredores.
– Então por que bateu neles?
– Por você! – Ele retrucou, estendendo a mão para alcançar a de Mason, que a trouxe para perto novamente.
– Não. Não foi por mim. – Mason encolheu-se, encarando o garoto e abaixando os olhos. – Vá embora, Spencer.
– O que? – Ele indagou, completamente confuso.
– Por favor. – Mason murmurou. – Vá embora.
Spencer bufou, socando a parede com toda a força que tinha e saindo da casa do loiro, batendo a porta. Podia-se ouvir ele murmurando algo como alguns xingamentos direcionados à Jane, mas o moreno nem mesmo queria identificar aquilo. Mason abaixou o rosto, encarnado o chão e os próprios pés. Em sua mente ele já conseguia lembrar tudo o que ele e Spencer haviam tido naquele curto período de tempo, e sinceramente, Spencer devia ser bipolar. Era a última vez que ele se relacionaria com alguém que não fosse seguro de sua sexualidade. Sua vontade de gritar, explodir de qualquer forma era maior do que tudo.
As lágrimas escorriam lentamente por seu rosto quando ele escutou alguns passos na cozinha, mais uma vez encolhendo-se. Não demorou para sentir as mãos suaves e o corpo quente da amiga o envolvendo num abraço. Afundou seu rosto no pescoço da garota, procurando conter o choro, fechando os olhos para que as lágrimas pudessem parar de escolher, o que não aconteceu.
As horas foram passando, e quando já havia passado das 22h, Mason estava deitado em sua cama, já com seu pijama – que consistia de uma camiseta de um time qualquer de futebol americano e um shorts preto – e Jane estava ao pé de sua cama, com as pernas dobradas e encarando o amigo. Ela prendia o cabelo para evitar que durante o sono ele ficasse, como ela mesma dizia “zoado”.
– Você sabe que não precisa ficar aqui esta noite. – Ele murmurou.
– E você sabe que eu me lembro bem de quando você se trancou na casa da árvore quando tínhamos sete anos porque sua irmã queria te forçar à dar pra ela o seu Buzz Lightyear para ela brincar com a Barbie Astronauta dela. – Ela falou procurando confortá-lo.
– Achei que não lembrava disso. – Ele riu rapidamente, procurando esquecer do que havia acabado de acontecer.
– Fui eu quem te contrabandeou Oreo’s, esqueceu? – Ela riu também. – E se eu lembro bem, você ficou trancado sozinho por doze horas e a única pessoa que você queria conversar era comigo.
– Foi aí que viramos melhores amigos.
Jane assentiu, notando que Mason parecia estar mais calmo, voltando a sentir-se confiável de falar com ela. Ele ajeitou-se na cama, saindo dali e descendo para a cozinha, pegando algumas bolachas e dois copos, além de uma garrafa qualquer de refrigerante que ele havia encontrado. Quando subiu as escadas – com o pacote de bolacha preso entre seu queixo e pescoço, os copos em uma de suas mãos e a garrafa em outra – Jane não pode deixar de dar uma risada, olhando para o garoto com uma expressão que misturava preocupação e conforto.
– Sua mãe te mataria. – Ela murmurou. – Todos sabemos que você já é elétrico por natureza, imagina com todo esse açúcar essas horas.
– Por isso vamos virar a noite acordados e não iremos pra aula amanhã. – Ele falou, colocando tudo em sua cama.
– Mas e o Glee Club? – Ela perguntou, franzindo o cenho.
– Eles se viram. – Deu de ombros. Sentando-se na cama e encolhendo as pernas, começando a comer algumas bolachas.
– Ok, pode desabafar. – Ela o encarou após o silêncio de alguns minutos e o olhar perdido do garoto.
– Eu sei que precisa conversar. Te conheço bem. – Ela balançou a cabeça com um sorriso no canto dos lábios.
– Eu só estou meio que... Processando tudo, entende? – Ele perguntou, olhando para a amiga. – Ele se declarava para mim quando estávamos sozinhos... E quando alguém aparece, ele faz isso.
– Mason eu sinto...
– Não diga que sente muito. Foi pro melhor, provavelmente. – Ele forçou um sorriso. – E se for algo que nunca fosse dar certo, e eu sempre tivesse que ficar escondido por isso?
– Você não merece isso. – Ela colocou a mão por cima de seu joelho, fazendo um carinho rápido.
– Ninguém merece isso, pra ser sincero. – Ele franziu o cenho, dando alguns goles no refrigerante despejado no copo.
A conversa continuou por algumas horas. Eles falaram sobre tudo, sobre suas vidas, seus amigos, o Glee Club, o que eles achavam de seus diretores – o que levou a um debate de qual dos dois era melhor – e finalmente pegaram no sono quando o Sol já havia aparecido. O moreno não teve a melhor das noites de sono, sempre era pego num sonho aleatório do qual ele podia ver Spencer, tocar nele e sempre que o ambiente mudava, ele era jogado para longe do garoto, vendo-se mais uma vez em volta daqueles jogadores de futebol e apanhando. Acordou apenas quando sentiu algo ser jogado por cima de seu corpo, e quando abriu os olhos, identificando um travesseiro, pode ver Madison o encarando.
– Já passa de 13h. – Ela falou. – As garotas estão lá embaixo.
– Garotas? – Ele perguntou, esfregando os olhos.
– A Kitty veio almoçar, e a Jane está ali com a gente. – Ela piscou para o irmão. – E nós estamos com fome, então se quiser colocar algo que não revele essa sua... – Ela apontou para o meio de suas pernas. Maldito dia para usar um shorts e sonhar com Spencer. Não conseguia entender como em um pesadelo, ainda tinha uma ereção.
Madison saiu do quarto, deixando Mason sozinho. O moreno foi rapidamente tomar uma ducha, que não demorou muito, saindo da mesma e colocando uma camiseta larga azulada e uma calça jeans preta. Desceu as escadas já com o tênis, e quando ouviu a conversa na cozinha realmente identificou as vozes das garotas que já conhecia, sentindo-se aliviado por não ter surpresas. Quando entrou na cozinha, os cochichos pararam, e as três o encararam.
– Então? – Mason perguntou, confuso.
– Bom dia, dorminhoco. – Kitty o encarou.
– Venha logo almoçar, Mason. Está esfriando. – Madison falou, sentando-se na cadeira que geralmente era ocupada por sua mãe.
Mason sentou-se, virando o prato para cima e procurando o que comer. Madison havia feito um almoço de fato. Havia tudo o que ele relacionava como seus pratos favoritos. Macarrão à bolonhesa, purê de batata, carne de panela e uma enorme salada de brócolis e rúcula. Aquilo era uma intervenção, obviamente. Pelo menos ele pensava nisso. Ou Jane havia contado o que ele havia passado na noite anterior ou algo maior que nem mesmo Madison podia evitar não querer perceber.
– Isso é uma intervenção? – Mason perguntou, dando uma risada.
– Descobriu isso pelo sorriso psicótico de sua irmã ou pela quantidade de carboidratos na mesa? – Kitty perguntou, colocando um brócolis na boca.
– Kitty, prometemos não falar nada sobre isso. – Jane a cutucou.
– Jane... O que você falou para elas? – Ele perguntou à amiga.
– Eu juro que não falei nada. – Jane o encarou.
– Não precisava falar nada, Mason. – Madison quebrou seu sorriso, que realmente era psicótico. – Nós chegamos e vimos na sala uma jaqueta do time de futebol com o nome do jogador bordado por dentro, mas quando subimos...
– Ou melhor, eu subi, porque sua irmã tem medo de te ver pelado pelo jeito. – Kitty virou os olhos.
– Enfim. – Madison a cortou. – Quando subimos e vimos Jane deitada num colchão no chão e você abraçado à um pacote de bolachas já sabíamos que tinha algo errado.
– E não precisou de muito pra fazer a Jane abrir a boca. – Kitty sorriu. – Brincadeira.
– Então o que querem com tudo isso? – Mason perguntou franzindo a sobrancelha.
– Estamos aqui para te ajudar e você vem com essa atitude? – Kitty revirou os olhos. – Amanhã, o ensaio das cheerleaders foi alterado para uma festa.
– Eu não estou afim de festas. – Ele murmurou.
– Qual é, festas são legais. Vai estar todo mundo. – Kitty procurou convencê-lo. – Até o Roderick, Jane. – A reação da morena fez com que Mason risse pela primeira vez no dia.
– Tá legal, quem sabe uma festa. – Ele assentiu.
– E quem sabe você não conhece ninguém legal por lá? – A loira sorriu.
– Não quero um encontro indireto, obrigado. – Ele franziu a sobrancelha.
– Ok... Mas ele é mais velho, alto, bonito e de um colégio particular. – Ela murmurou, piscando para ele.
– Vamos comer logo, depois a gente pensa nisso. – Ele deu de ombros.
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