Hold me tight and kiss me slow.
3 Capítulo 3.
Conforme o tempo ia passando, Mason tinha mais certeza que Spencer não estava naquela clareira, e no momento em que ele pensou em sair dali, dois garotos do time de futebol saíram daquelas moitas, com sorrisos maldosos estampados em seu rosto.
– Posso ajudar? – Mason perguntou, com certo receio da resposta que receberia.
– Não queremos nenhuma ajuda sua. – Eles falaram, e logo os dois jogadores já eram quatro, e o cercavam por cada lado. – Por que você fica querendo um encontro com o Spencer? Ele é nosso amigo. Não é como você. – Eles disseram, empurrando o peitoral de Mason, que deu alguns passos para trás.
– Como assim... É só para o trabalho de biologia. – Mason murmurou, gaguejando pelo possível medo que estava sentindo.
– A gente viu o jeito que você olha para ele. Ele não é um viado como você. – O mais alto deles se pronunciou, encarando Mason. – Você vai se afastar dele.
– Tá. Mas era só para o trabalho. – Mason já ficava de cabeça baixa, procurando evitar encarar aqueles garotos, afinal não tinha como saber o que eles iriam fazer.
– Você não entendeu. Você vai se afastar dele. – Ele disse mais uma vez, com uma entonação mais séria.
Em sua mente, Mason estava confuso. Ele ainda lembrava-se do momento em que Spencer o beijara, e da forma como o corpo de Spencer encaixava-se perfeitamente no seu. Por mais que procurasse afastar essas coisas de sua mente, elas sempre acabavam vindo, mas ainda assim ele ainda não entendia o motivo daquilo tudo. Por dentro ele queria exclamar que não havia sido ele quem tinha iniciado o beijo. Mas por fora, seus punhos já estavam fechados. Ele não iria desistir sem lutar, mas era difícil quando ele era apenas um, e estava contra outros quatro jogadores de futebol. Em sua mente, ele estava basicamente encurralado.
Não demorou muito para que dois garotos segurassem Mason pelos braços, e um deles desferisse um soco em seu estômago, que fora seguido de outro. Pela fora dos socos, o corpo de Mason foi impulsionado para a frente. Os homens deixaram que ele ficasse caído, e assim que seu corpo sentiu o impacto da dor do chão duro, um gemido sutil ecoou por seus lábios. Os garotos continuaram a ataca-lo, chutando seu abdômen, peitoral, coxas e alguns chutes atingiram inclusive seu queixo. A dor era alta. Mason procurava fechar os olhos, para esquecer aquilo que havia acontecido. Ele não queria lembrar-se daquilo. Spencer havia armado pra cima dele, e agora ele estava completamente machucado.
Um dos garotos, que ria enquanto o chutava e o xingava de viadinho e bichinha aproveitou para pegá-lo pelos cabelos, encarando Mason e batendo em seu rosto até ele abrir os olhos, coisa que demorou um pouco, já que um de seus olhos estava inchado por estar roxo. O garoto continuou a segurar em seu rosto, e logo desferiu um soco em sua mandíbula, seguido de outro no sentido oposto.
– Espero que isso sirva de lição. E não venha tentar converter outros garotos do nosso time. – O garoto falou, e logo os outros o seguiram, sumindo naquele local.
Mason procurou por seu celular em seu bolso, mas ele estava destruído dos chutes que havia levado. Não tinha como chamar ajuda. A dor que sentia era enorme, mas não se comparou até o momento em que ele decidiu levantar-se. O garoto começou a caminhar, apoiando-se nas árvores. Seus lábios sangravam. Suas pernas estavam cheias de machucados assim como seu abdômen. Seu nariz estava quase quebrado e um de seus olhos roxos. Ele não entendia. Ele não havia feito nada para que aquilo acontecesse. Ele só queria fazer aquele trabalho. Sua mente parecia girar. A sua concentração não existia mais.
O moreno conseguiu encontrar a calçada, e logo algumas pessoas viram seu estado, cercando-o e procurando ajudar o garoto, que naquele momento não sabia se chorava de raiva ou de dor, e muito menos se chorar aumentaria ainda mais sua dor, o que fez com que ele ficasse completamente estático naquela calçada, apenas olhando para as pessoas desesperadas, querendo chamar seus pais, mas ele nem mesmo queria abrir a boca para falar. Não sabia se tinha lascado algum dente, mas pelo sabor forte de sangue de dentro de sua boca, algum dano devia de ter sido feito.
Não demorou muito para uma ambulância chegar. Assim que entrou no hospital, seus pais foram chamados pelos documentos que carregava com ele, e após alguns minutos a notícia parecia ter corrido todo o colégio. Madison devia ter avisado o Glee Club, pois entre um cochilo e outro no leito do hospital, Mason viu-se cercado por alguns de seus amigos. Madison estava sentada próxima da cama, Kitty apoiada ao pé da mesma junto de Jane, Roderick estava na porta e Rachel e Kurt aguardavam do lado de fora.
– Hey, está melhor? – Jane perguntou, colocando a mão sobre a perna de Mason, o que o fez gemer de dor. Parecia que seu corpo todo doía, mas nada havia sido quebrado, muito menos fraturado.
– Acho que sim. – Mason murmurou, olhando para seu braço e notando o soro injetado diretamente em sua veia. – Estou aqui faz tempo?
– Nem mesmo um dia. O médico disse que você vai ficar aqui mais dois dias para a finalização dos exames. – Madison fez um carinho em seu cabelo, olhando para o irmão.
– Quem fez isso com você? – Roderick perguntou, encarando o moreno que apenas balançou a cabeça.
– Uns caras que estavam na rua. Acho que estavam bêbados. – Mason disse, forçando um sorriso. – Mas eu estou bem... É o que importa, né?
– Se isso é estar bem... – Kitty murmurou, arqueando a sobrancelha. – Eu vou comprar um café. Querem ir também?
– Podem ir... – Mason disse. – Não é como se viessem me atacar agora. – Ele forçou um sorriso, já que até mesmo uma risada o faria sentir dor no abdômen.
Todos saíram, com exceção de Madison. Por algum motivo ela não havia parado de encará-lo desde que ele tinha dito que tinha apanhado para desconhecidos. Ela conhecia seu irmão, e sabia para onde ele havia ido. Ele não iria simplesmente apanhar para um bando de bêbados no meio do dia próximo ao museu, que ficava numa das áreas mais nobres daquela cidade. Mason fechou os olhos por alguns segundos enquanto a irmã se levantava, andando até a janela e olhando pela persiana o movimento na rua, mantendo-se com os braços cruzados.
– Eu sei que você está mentindo pra mim, irmão. – Ela murmurou, passando uma mão sutilmente por seu braço.
– Eu... Eu não... – Ele murmurou, fingindo estar sem forças para conversar.
– Eu te conheço. Quando vai entender isso? – Ela virou-se, ficando de frente para ele, dando alguns passos em sua direção. – Você nunca ficaria perto de um grupo de caras bêbados, e nem há bares naquela região do museu.
– E as pessoas só bebem em bares? – Ele perguntou, com um sorriso no canto dos lábios e uma expressão confusa.
– Você entendeu... Aquela área não tem perigo nenhum. – Ela falou, franzindo a sobrancelha. – Por que não conta a verdade? – Ela perguntou. Seus passos faziam com que seu corpo ficasse cada vez mais próximo da cama, e logo ela sentou-se no pé da mesma, e ficou olhando para o irmão, esperando por sua resposta.
– Eu... Não posso contar quem foi. – Ele murmurou. O efeito do remédio parecia estar começando a passar, já que as dores começavam a tornar-se cada vez mais fortes. – Pode buscar o meu remédio com alguém? Eu estou com dor. – Ele pediu à irmã.
Madison acabou consentindo ao seu pedido, fazendo um carinho nos cabelos do gêmeo antes de sair dali. A última coisa que Mason escutou antes de fechar seus olhos foi o barulho da porta do quarto sendo fechada. Não demorou muito para que seu corpo relaxasse. O sono parecia voltar, e mais uma vez ele era pego em meio à preguiça que já estava sentindo fazia algum tempo. Em seus sonhos parecia estar revivendo circunstâncias de mais cedo. Podia ver Spencer no laboratório, podia até mesmo sentir seus lábios nos dele. Mas logo todo o ambiente mudava. Ele estava cercado por jogadores de futebol e voltava a apanhar. A realidade do sonho era tanta que até mesmo podia sentir sua dor, o que fez com que o garoto abrisse seus olhos e acordasse num susto, só então notando que estava sozinho no quarto. Já era de noite, pois tudo estava escuro, e se não fosse por uma silhueta na janela, ele teria certeza que estava sozinho.
– Está tudo bem? – O garoto perguntou, virando-se para Mason.
– Spencer... – O moreno murmurou, com a garganta seca, o encarando. Não o queria ali, mas também não queria que ele fosse embora. Talvez, dentro de si, nem ele mesmo soubesse o que queria.
– Podemos conversar? – Ele indagou para o moreno, encostando o corpo contra a parede próxima à janela.
Mason nem mesmo queria olhar para o loiro. Só queria ficar quieto em seu canto. Queria distância dele. As lembranças boas já haviam se mesclado às ruins, e agora parecia que não havia nada que fosse convincente o suficiente para ele querer trocar alguma palavra com Spencer, e muito menos ficar no mesmo local que ele. Ele havia quebrado sua confiança. E por culpa dele, Mason estava deitado naquela cama, completamente machucado.
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