Hold me Tight

49 Me diga que não estou sonhando


Notas iniciais
Esse capítulo é todo proibido pra menores de 18 anos, estejam avisados. q

— Yoongi POV -

Aquela semana fora um verdadeiro teste de paciência.

Depois da conversa franca que tive com Jimin onde ambos expomos nossos medos e inseguranças, os dias seguiram como de costume: eu continuava em casa, aguardando o momento que Namjoon nos daria o sinal de liberação pra voltar ao trabalho enquanto Jimin se mantinha ocupado com a faculdade e os empregos, nada que pudesse ser chamado de extraordinário. Acabei criando um hábito de buscar o mais novo depois das aulas e do turno noturno na loja em que trabalhava sempre que podia, aproveitando cada janela de tempo livre que ele tinha pra ficarmos juntos, visto que não havia nada que eu gostaria de fazer sozinho em casa de qualquer forma. Na maioria das vezes nós buscávamos um lugar tranquilo pra aproveitar a tarde em paz, mas ainda haviam as raras ocasiões em que Jimin passava sua noite livre no meu apartamento, trocando beijos e morgando no sofá. Entretanto, logo percebi que ficar próximo de Jimin se tornara uma prova de resistência; em cada momento que passamos juntos nos últimos dez dias, consciente do que estava fazendo ou não, o garoto dizia ou fazia algo que parecia testar meu autocontrole, tornando a tarefa de esperar a hora certa de levá-lo pra cama e acompanhar seu ritmo muito mais difícil.

Uma das primeiras ocorrências aconteceu nem dois dias depois da dita conversa, enquanto trocávamos beijos acalorados dentro do meu carro, o mesmo estacionado em frente ao seu prédio após ir lhe buscar na loja de conveniência uma segunda vez. Eu não fazia o menor esforço pra conter minhas mãos aventureiras que mapeavam cada extensão de pele do garoto como se tivessem encontrado a terra prometida, deslizando por baixo da camiseta e ao longo de coxas grossas. Jimin também não demonstrava se importar muito, visto que sua própria mão acariciava uma área na minha perna que ficava perigosamente próxima da virilha, apertando o músculo com força enquanto suspirava contra meus lábios. Não era como se não tivéssemos feito nada parecido antes – e até mesmo muito pior – mas havia algo na maneira como Jimin simplesmente se entregava aos meus toques sem questionar que me fazia querer explorar cada canto de seu corpo, descobrir cada ponto sensível, admirar cada curva e vale do mesmo como se fosse uma escultura criada por alguma divindade qualquer. Naquela noite, nos despedimos com respirações ofegantes e olhares angustiados, mas entendia que aquela ainda não era a hora. Jimin jamais teria interrompido o beijo primeiro se fosse.

A segunda vez que tive vontade de devorar o garoto com um grande foda-se pras consequências – e talvez a mais memorável de todas – fora num domingo preguiçoso no qual Jimin estava livre pra me fazer companhia em casa, deitado no sofá comigo e aconchegado contra a lateral do meu corpo com a cabeça apoiada em meu ombro, suspirando contente enquanto assistíamos um filme na televisão. Quer dizer, se Jimin assistia o filme ou não, não saberia dizer, pois estava ocupado demais desenhando padrões aleatórios nas suas costas pra prestar atenção no que os atores diziam, dedos leves acariciando desde a base da nuca até o osso do cóccix.

Alguns minutos adentro no filme, depois que já tinha traçado com os dedos todos os padrões que conhecia e estava começando a inventar novos sem jamais me cansar de tocá-lo, percebi que Jimin ficara um pouco inquieto, impulsionando os quadris pra frente em pequenos movimentos espasmódicos toda vez que meus dígitos percorriam a parte inferior de suas costas e se aproximavam de suas nádegas fartas. No começo interpretei aquela reação involuntária como cócegas, mas conforme persistia nas carícias não pude ignorar o princípio de ereção que cutucava minha coxa esquerda. Hesitantemente, permanecendo quieto por temer que o som da minha voz pudesse afugentar o garoto e estilhaçar a tensão sexual que pairava pesada no ar, deixei minha mão apoiada sobre a curva de sua bunda e desviei o olhar para seu rosto, encontrando-o vermelho e com os olhos fixos na tela da TV, mesmo que a tensão em seus ombros me dissesse que a última coisa em que Jimin prestava atenção era no desenrolar do filme.

— Sunshine? Jimin, olhe pra mim. – pedi, insistindo quando o mais novo não encontrou meus olhos na primeira vez que o chamei. O garoto então tentou esconder metade do rosto na minha axila, erguendo o olhar e fitando-me através dos cílios com sua melhor expressão de falsa inocência, mas o fato de estar embaraçosamente duro contra minha perna não o deixava mentir. O que era pra ser um carinho inofensivo e livre de segundas intenções acabou por despertar seu interesse, e por consequência o meu também. Sem tirar meus olhos de si, trouxe a mão que não estava firmemente plantada em sua nádega pra afagar seus cabelos, afastando a franja castanha de sua testa apenas pra vê-la voltar ao lugar um pouco mais bagunçada que antes, assim me proporcionando uma visão adorável que só eu tinha o privilégio de apreciar. – Quer fazer outra coisa?

Nós dois tínhamos plena consciência da insinuação por trás daquela simples pergunta, por isso peguei-me abrindo um sorriso torto quando vi Jimin assentindo com a cabeça, o movimento me fazendo cócegas sob o braço. Contendo uma risada que apenas estragaria o clima, usei a mão livre pra abraçar sua cintura e o puxar pra cima de mim, apoiando ambas as mãos sobre suas coxas quando o garoto se acomodou diretamente sobre minha virilha, cada perna rodeando a lateral do meu corpo. Nem me dei ao trabalho de desligar a televisão quando o puxei pela camisa pra um beijo lento e molhado, com nossas línguas se encontrando no meio do caminho pra nossas bocas e seu lábio inferior preso entre os meus enquanto o chupava, puxando a carne com os dentes e deliciando-me ao ouvir Jimin sibilar de forma apreciativa ao fazê-lo.

As coisas não ficaram só nos beijos por muito tempo, principalmente quando Jimin ainda estava evidentemente excitado e impaciente pra conseguir o alívio que tanto desejava. A posição em que nos encontrávamos era perfeita pro mais novo roçar nossas ereções uma na outra, criando uma fricção deliciosa mesmo com todas as camadas de roupa que usávamos e encontrando seu ritmo facilmente depois de tanta prática que tivemos. Engoli de bom grado o gemido baixo que Jimin soltou contra meus lábios quando apanhei suas nádegas em ambas as mãos, enchendo as palmas com a carne firme e macia e apertando até conseguir tirar mais reações semelhantes do garoto, murmurando em apreciação quando os movimentos de seu quadril ficaram ainda mais insistentes. Jimin parecia perder-se diante do prazer ao descolar nossas bocas e deixar sua cabeça cair ao lado da minha sem cerimônia, a respiração quente e ofegante contra minha orelha que me fazia forçar seus quadris pra baixo com as mãos e encontrá-lo no meio do caminho impulsionando os meus próprios pra cima com um arrepio percorrendo-me a espinha e eriçando todos os pelos do meu corpo.

— Hyung—ah—f-faça aquilo de novo... aquilo com o de-dedo. Por f-favor—por favor, Yoong—ah! – suplicou com a voz sussurrada em meu ouvido, seu tom preso entre um choramingo e um gemido angustiado. Imediatamente entendi o que o garoto pedia, e ele não precisou repetir-se para que o atendesse. Sem perder mais tempo, deslizei as mãos por baixo do elástico da calça larga e confortável que usava seguido da cueca, apreciando o contato de pele na pele ao apertar sua bunda com vigor renovado agora que não tinha mais barreiras no caminho.

Porém, antes que pudesse tocá-lo onde o garoto mais ansiava, uma ideia repentina passou por minha mente, fazendo-me pausar; era uma ideia ousada, mas boa o bastante pra que me visse tirando uma das mãos do casulo que era sua calça e colocando o dedo médio entre os lábios, chupando-o e lambendo-o até que ficasse coberto de saliva. Uma vez que estava satisfeito com a umidade do dígito, retornei com a mão para seu lugar inicial e com a ajuda da outra, que mantinha os globos afastados a fim de me dar acesso fácil à sua entrada, deslizei o mesmo dedo até o anel de músculos, acariciando o local com uma leve pressão ao mesmo tempo que o lubrificava com minha saliva.

Jimin soltara um arquejo ao pé do meu ouvido, os músculos retesados e ombros tensos, sem dúvida estranhando a umidade em sua pele, mas logo o susto se transformou em júbilo quando voltou a mover os quadris, mais focado no toque de meus dedos do que na fricção entre nossos membros, fazendo uma pressão própria em sentido contrário à minha ao empinar mais a bunda a cada rolar de sua pélvis. Me senti livre pra interpretar aquela ansiedade da forma que quisesse, e minha resposta aos seus movimentos foi rodear o anel com o dedo em pequenos círculos antes de penetrá-lo vagarosamente. Por ainda ser virgem, seu ânus apresentava uma resistência enorme ao dedo intruso, os músculos tão contraídos – talvez pela dor, pela surpresa, ou talvez por ambos – que era praticamente impossível deslizá-lo mais do que alguns poucos centímetros, mesmo com a ajuda da saliva; decidi que era melhor não forçá-lo demais, introduzindo o dígito até a primeira junta e parando ali, deixando-o acostumar-se com a sensação enquanto ouvia seus fracos gemidos em tom de choro jorrando diretamente em meu canal auditivo.

— Quer que eu pare ou continue? – perguntei a fim de verificar se não estava ultrapassando nenhum limite, virando o rosto pra plantar um beijo em seu maxilar e certificar-me de que o garoto me ouvira. Jimin tinha os olhos fechados com força e lágrimas acumuladas nos cílios, mas o modo como agarrava meus ombros e choramingava em tom de desespero me mostrava que ainda estava alerta e presente antes de responder com voz trêmula.

— Continua—ngh—p-por favor, hyung... – Jimin conseguia soar sensual de qualquer maneira, seja ofegando em meu ouvido ou gemendo alto e desinibido, mas o que realmente me tirava do sério era quando o garoto implorava por mais com voz pequena e miados dengosos como agora. Aquela era toda a confirmação que precisava, então não hesitei ao tirar o dedo de sua entrada apenas pra colocá-lo de volta logo em seguida, parando na primeira junta com o mesmo cuidado de antes. Como não sabia até que ponto o mais novo podia aguentar, preferi manter a intrusão no mínimo possível para evitar qualquer possível desconforto, mesmo que seu choro logo se transformasse em gemidos abafados e mal contidos, indicando que sentia-se qualquer coisa menos desconfortável.

Mantive aquele vai-e-vem curto e vagaroso até sentir que os músculos anais do garoto começavam a relaxar ao redor do meu dedo, acostumados com a sensação estranha de ter algo dentro de si, ao mesmo tempo que os movimentos pélvicos de Jimin, ainda que um pouco fora de ritmo, faziam sua entrada engolir alguns centímetros a mais do dígito; antes que qualquer um de nós percebesse ou pudesse impedir, a saliva que o lubrificava acabou ajudando no deslizamento, de modo a forçar o dedo até a segunda junta – e também a mais grossa – sem aviso prévio. Jimin soltou um gemido-quase-grito repentino, erguendo a cabeça com o sobressalto e tentando buscar equilíbrio no braço do sofá, arranhando o couro falso como se aquela fosse a única forma de evitar que caísse numa espiral de prazer. Aproveitei a deixa pra acoplar meus lábios no pescoço exposto, distribuindo beijos molhados pela extensão de pele imaculada enquanto pensava seriamente em reverter aquela situação, lambendo e gemendo contra sua pele com o queixo do mais novo pressionando minha testa.

Entre gemidos entrecortados e choros de angústia Jimin pediu-me pra voltar à configuração inicial, alegando não ser capaz de suportar tamanha pressão com lamúrias de “é demais hyung, não, por favor, é demais”, suplicando por misericórdia ao mesmo tempo em que esfregava nossas ereções juntas com a voracidade de um animal faminto. Fiz o que me fora pedido sem hesitar, puxando o dedo até a primeira junta novamente e mantendo-o dentro dele, estimulando sua entrada com movimentos circulares e constantes que me renderam uma série de gemidos e variantes do meu nome que faziam os fios de minha nuca ficarem em pé e meu ápice muito mais fácil de alcançar.

Sabia que Jimin tinha gozado primeiro pelo timbre que sua voz alcançara ao soltar um gemido longo e gutural, como se o mesmo estivesse preso no fundo da garganta esse tempo todo e só agora conseguira sair, despertando algo animalesco dentro de mim quando atingi o orgasmo com os dentes ao redor da sua jugular e um grunhido próprio, arrastado e rouco. O olhar que Jimin me lançara ao voltarmos das nuvens com a mente inebriada pela luxúria me fez querer ainda estar duro o suficiente pra inverter nossas posições e tomá-lo ali mesmo no sofá com movimentos fortes e um ritmo alucinante, mas a realização de que o garoto ainda não estava preparado pra tanto me freou – não que eu tivesse forças pra fazer isso no momento, de qualquer forma. Primeiro tinha que levar em conta de que nada que fizemos ali já não tínhamos feito antes, mais de uma vez até; o elemento surpresa foi a introdução de um único dedo em sua entrada, e até isso fora demais pra ele depois de certo ponto. Era inegável que Jimin não estava pronto pra fazer sexo, mas isso não significava que ele deixaria de me provocar pelo menor dos motivos, seja de forma intencional ou não.

Era difícil me controlar perto de Park Jimin, porém o sorriso acanhado com bochechas coradas que estampava seu rosto foi o bastante pra me fazer sorrir de volta e puxá-lo pra um beijo demorado e terno, fazendo questão de derramar toda a afeição que sentia sobre si ao deixar que deitasse a cabeça no meu peito enquanto tentava recuperar o fôlego e a força dos membros inferiores, indagando-me se podia ouvir as batidas erráticas do meu coração conforme afagava seus cabelos levemente úmidos de suor na raiz, tirando-os da testa com meu outro braço envolvendo suas costas num abraço preguiçoso. O momento foi bom enquanto durou, confortável e familiar, mas não demorou muito até que precisasse estragá-lo com uma viagem ao banheiro, sentindo-me nojento com todo aquele gozo melando a cueca. Jimin riu ao me seguir, aceitando de bom grado uma tolha e uma muda de roupas minha pra passar a noite. Se repetimos o processo mais tarde na cama antes de cair num sono profundo nos sentindo contentes e satisfeitos, ninguém além de nós dois jamais saberia.

Alguns dias depois desse episódio em particular, comecei a perceber que Jimin parecia muito mais aberto e à vontade sexualmente, muitas vezes tomando a iniciativa ao me tocar de maneira sugestiva ou ao sussurrar alguma obscenidade no meu ouvido, mesmo que seu rosto ficasse em brasa logo depois. Desnecessário dizer que eu acolhia essas raras mudanças de comportamento com braços abertos, permitindo que o mais novo seguisse seu próprio ritmo e ditasse o quão longe iríamos daquela vez. Em nenhuma ocasião nós ultrapassamos a linha invisível que havia entre o território do confortável e do desconfortável; Jimin não me pedira mais pra repetir “aquela coisa que fazia com o dedo”, e certamente não seria eu a iniciar tal intimidade se o garoto ainda não estava pronto. A liberdade pra tocar e explorar seu corpo como bem quisesse deveria ser-me dada por ele, a permissão dita por sua própria boca, não tomada à força enquanto o obrigava a dar um passo maior do que seria capaz de dar naturalmente. Enquanto não tinha essa liberdade, eu apenas esperava pacientemente o menor vir até mim por conta própria quando criasse confiança o bastante, e nesse meio tempo certificava-me de banhá-lo com carinho e atenção toda vez que me procurava atrás de um pouco de diversão.

O que me trazia ao momento atual, num dos raros finais de semana que Jimin não tinha absolutamente nada pra fazer depois que saiu do turno do almoço que pegara no restaurante, nenhuma apresentação pra praticar ou compromisso marcado com os amigos, e portanto decidira matar o tempo no meu apartamento. Desde a hora que chegara até agora, quase onze da noite segundo meu celular, não fizemos nada além de morgar no sofá enquanto assistíamos televisão e trocávamos alguns beijos inocentes – bom, inocentes na medida do possível. Pouco depois do sol se pôr consegui convencê-lo a passar a noite, vendo-o corar ao assentir antes de me dizer pra não fazer disso um hábito, senão poderia acabar “morando” comigo de novo – o que eu não lhe disse foi que a ideia me parecia muito tentadora, na verdade; Jimin não precisava saber exatamente a falta que sua presença fazia naquele apartamento vazio.

Uma fome desgraçada nos atingiu mais ou menos na metade do oitavo episódio da maratona de um dorama que Jimin insistira pra que víssemos juntos, mesmo que tivéssemos passado a tarde inteira beliscando todo tipo de porcaria que ele havia trazido com a desculpa de que assistir televisão ficava mais interessante quando se tinha algo pra comer. Ao debatermos o que poderíamos fazer pra remediar aquela situação precária, Jimin sugeriu que eu procurasse o número do restaurante que trabalhava em seu celular, garantindo-me que o mesmo ficava aberto até mais tarde aos sábados e que poderiam nos entregar a comida aqui caso fizéssemos o pedido a tempo enquanto pedia licença pra ir ao banheiro. No meio da tarefa de vasculhar a lista de contatos do garoto, o aparelho notificou o recebimento da mensagem de texto de um certo Tae-Tae, atraindo minha atenção imediata com a prévia de seu conteúdo.

Foi com nada além de boas intenções que abri o chat e corri os olhos pelo que parecia uma lista acompanhada por uma mensagem que dizia “Aí está, como prometido. Esses são os melhores que conheço. Divirta-se!” e um emoji animado de um gato piscando o olho. Pelos nomes sugestivos que encontrava na lista eu poderia apostar todo o meu dinheiro que eram sites de pornografia, por mais que não reconhecesse nenhum deles. Antes que pudesse refletir sobre o que estava fazendo, peguei o notebook que estava em modo de hibernação na mesa de centro desde antes de Jimin chegar e digitei o primeiro nome da lista na barra de endereço, arrumando todas as desculpas possíveis pra justificar tais atos em minha mente; não era nem como se tivesse bisbilhotando a vida do mais novo, já que a mensagem simplesmente aparecera na minha frente. Além do mais, eu precisava saber que tipo de sites aquele delinquente estava indicando pro meu Sunshine. O dia em que permitir que Jimin seja influenciado por Taehyung a ser esquisito como ele será o dia em que deixarei de me chamar Min Yoongi.

Não foi nenhum choque quando constatei que sim, todos aqueles endereços levavam a sites de pornografia, mas não de qualquer tipo: aqueles eram especializados em pornografia gay, especificamente gay masculino. Por mais que não me surpreendesse o fato de Jimin assistir esse tipo de coisa, afinal seria apenas lógico, peguei-me franzindo o cenho em confusão do mesmo jeito; eu podia imaginar as motivações que Jimin teria pra acessar tais sites, mas o que ainda não entendi era porque logo Taehyung, dentre todas as pessoas, lhe mandara uma mensagem listando pelo menos seis deles. Talvez fosse uma coisa normal entre amigos – eu e Namjoon nunca compartilhamos o mesmo gosto pra essas coisas, então não saberia dizer – ou talvez fosse algum tipo de piada interna que jamais entenderia. De qualquer forma, não tive muito tempo pra debater o assunto antes que Jimin retornasse pra sala, completamente alheio ao que eu acabara de descobrir.

— Conseguiu ligar? – perguntou ao se aproximar do sofá que ocupava, pausando incerto quando sentou-se e finalmente notou minha expressão.

— Jimin, o que é isso? – perguntei por cima de suas palavras, ignorando completamente o motivo que me fizera ver a mensagem pra começo de conversa, girando o notebook para que ele pudesse ver o que estava na tela. O garoto foi tomado de surpresa, piscando os olhos grandes quando viu o teor do site que lhe mostrava, mas parecia tão confuso quanto eu quando franziu o cenho e ergueu a sobrancelha num pedido silencioso pra que elaborasse a questão. – Taehyung te mandou uma lista com vários desses agora há pouco. E também disse “divirta-se”. O que está acontecendo? – com a minha explicação, era como se uma luz tivesse se acendido na cabeça do menino: pude ver seus olhos adquirirem o tamanho e formato de duas bolas de gude, arregalados em reconhecimento enquanto sua boca abria e fechava de forma cômica e seu rosto ficava tão vermelho que envergonharia qualquer pimenta. Esperei até que o garoto me explicasse porque diabos Taehyung lhe mandara uma lista com os melhores sites de pornô gay – palavras dele, não minhas –, bufando impaciente quando percebi que o outro não se manifestaria. – E então?

— Ah, b-bem... é que... – gaguejou, suas mãos imediatamente indo brincar com a barra da camiseta como fazia toda vez que estava nervoso, seus olhos frenéticos correndo por todo o apartamento atrás de uma saída mas nunca focando num só lugar, apenas evitando a todo custo encontrar os meus. – É q-que... nós—digo, eu—bem, Taehyung e eu... aish! Não. E-eu, bem...

— Desembucha logo, Jimin. – ralhei, impaciente com a sua tentativa falha de explicar as coisas que só me deixava ainda mais confuso. – Não estou surpreso que você assista pornografia, todo mundo assiste, mas o que Taehyung tem a ver com isso?

— Bom, talvez... hm. – começou de novo, sua voz um pouco mais firme e controlada do que antes, pigarreando pra livrar-se da provável obstrução que tinha na garganta. – Pode ser que ele tenha me flagrado assistindo um vídeo desses algumas noites atrás.

— Pode ser? – repeti num tom sarcástico, achando graça na sua escolha de palavras e erguendo uma sobrancelha sabida pra si. Jimin apenas abaixou a cabeça em vergonha e corou ainda mais, se é que era possível. – Como ele conseguiu te flagrar, de qualquer forma? Onde você estava?

— Jungkook estava dormindo no quarto, então eu fui pra sala. – explicou com a voz miúda, seu queixo praticamente encontrando o peito a essa altura.

— E banheiros servem pra quê? Ah, Sunshine. Tão inocente. Você ainda tem muito o que aprender. – suspirei, estalando a língua contra os dentes numa forma de falsa repreensão, balançando a cabeça com decepção estampada no rosto.

— Eu... e-eu não pensei nisso. – admitiu envergonhado com um pequeno bico projetado nos lábios, antes de erguer a cabeça com o cenho franzido de indignação. – E não sabia que Taehyung ia chegar justo naquela hora! Ele trabalha num bar, sempre passa a madrugada toda fora de casa. Não sabia que era tão tarde até ser tarde demais. – defendeu-se, a expressão fechada juntamente com os braços cruzados na altura do peito formando a imagem mais adorável e perfeita de uma criança petulante. Não consegui esconder meu divertimento, rindo enquanto balançava a cabeça de forma afetuosa.

— Você é impossível. Mas não se preocupe, eu te perdoo. – brinquei, abrindo um sorriso largo quando ouvi a bufada revoltada que recebi em resposta. Então uma ideia maliciosa atravessou minha mente e instalou-se ali como a semente do mal, transformando meu sorriso doce e terno num torto e perverso. – Acho que nós poderíamos assistir alguns vídeos, já que Taehyung se deu ao trabalho de indicá-los. O que acha?

— O—o q-quê?! – exclamou, engasgando com a própria saliva, seus olhos tão esbugalhados que por um momento tive medo de que pudessem cair das órbitas. – Você quer assistir isso? Juntos? Agora?

— Sim, por que não? Por acaso tem medo de que não consiga manter meu pau dentro das calças se assistir pornô com você? – provoquei ao fuzilá-lo com o olhar, soando genuinamente ofendido mas no fundo divertindo-me aos montes com a cor que parecia colorir permanentemente suas bochechas. Tive que morder os lábios pra conter um sorriso predador ao ver Jimin negar freneticamente com a cabeça, tão desesperado pra desfazer o mal-entendido que pensei que distenderia um músculo do pescoço caso não fosse cuidadoso.

— Não! Claro que não. Mas... não seria um pouco estranho? – perguntou de maneira incerta, mordendo o lábio inferior com uma dúvida clara estampada no rosto, como se debatesse os prós e contras de minha proposta em sua mente.

— Só vai ser estranho se você quiser que seja estranho. – falei cheio de certeza na voz, ainda que soubesse que aquela era apenas uma desculpa pra convencê-lo a ceder. Como pareceu estar funcionando, continuei com um encolher de ombros. – Além do mais, estou curioso. Não conheço muitos pornôs gays, então acho que essa seria uma ótima oportunidade pra estudar e adquirir mais repertório na cama. – brinquei, movendo as sobrancelhas de forma sugestiva e rindo ao ver Jimin desviar o olhar. Entretanto minha tática de persuasão fora um sucesso, pois logo o garoto recostava-se no sofá com uma expressão resignada no rosto, esperando que eu escolhesse um dos vídeos pra reproduzir.

Confesso que não sabia descrever muito bem o que sentia naquele momento. Pornografia nunca fora algo que me fazia corar, visto que assistia vídeos daquele tipo desde o princípio da minha adolescência, mas havia um certo apelo em ver dois homens se tocando que simplesmente não podia ignorar. Não sei se era porque eu mesmo estava apaixonado por outro homem ou o quê, mas dentro de poucos minutos todo aquele estímulo visual e auditivo estava começando a me tirar do sério, transformando minha calça numa jaula conforme minha ereção ficava mais evidente; também não ajudava em nada o fato de ter Jimin pressionado contra a lateral do meu corpo e seu queixo apoiado em meu ombro a fim de ver melhor o vídeo que desenrolava na tela do notebook, esse que descansava no meu colo. Sem dúvidas o garoto se sentia da mesma forma, pois nem sequer esperou até que o ativo terminasse de limpar seu parceiro com a língua antes de apertar o botão de pausa, erguendo o olhar na minha direção com uma expressão estranhamente pura e acanhada no meio de uma situação tão maliciosa. – Hyung... q-quer... quer fazer outra coisa?

O calor que se instalara no meu baixo ventre assim que começamos a assistir o vídeo de repente dobrou de intensidade e seguiu pelo restante do meu corpo em ondas deliciosas ao ouvir o mais novo repetir as palavras que usara numa outra ocasião, aquelas mesmas que tinham um significado oculto sob a aparente inocência, sua real intenção soando alta e clara em meus ouvidos. Minha forma de responder foi fechar a tela do laptop com força e jogá-lo de qualquer jeito sobre a mesa de centro, sem nem verificar se o mesmo tinha pousado sobre a superfície em segurança ou não antes de voltar-me pra si e colar nossos lábios num beijo precipitado. O ósculo era todo feito de línguas se entrelaçando atrapalhadas e dentes colidindo, mas nenhum de nós parecia realmente se importar. Entretanto, tinha que admitir que o ângulo era um pouco estranho e minhas costas com certeza protestariam se continuasse assim por muito tempo, por isso empurrei-o pra trás sem tirar meus lábios dele, guiando-o com os dedos de uma mão fincados nos fios de sua nuca e a outra apertando a cintura, fazendo suas costas encontrarem o assento do sofá enquanto o seguia de perto. Mesmo assim a nova posição não era lá muito confortável, com uma das minhas pernas entre suas coxas e a outra apoiada no chão de modo a ficar praticamente sentado sobre seu joelho, mas era melhor do que nada.

O beijo tinha se acalmado um pouco, mas continuava profundo e ardente conforme suspirávamos contra os lábios um do outro, mãos percorrendo toda e qualquer extensão de pele que podíamos encontrar. Senti os dedos de Jimin se fecharem ao redor do tecido das costas de minha camiseta enquanto roçava o quadril contra sua coxa num ritmo insistente e constante, trazendo a mão que antes segurava sua cintura até sua bunda e apertando a nádega com vontade quando o garoto ergueu a perna e envolveu-a ao redor da minha cintura a fim de me dar mais acesso. Não encontrei resistência nenhuma de sua parte ao guiar o beijo com a mão firme na parte de trás de sua cabeça, girando-a como queria e regozijando-me com os suspiros e gemidos fracos que soltávamos contra os lábios um do outro conforme o mordia, lambia e beijava em ângulos diferentes.

Contudo, não demorou muito até que o mais novo se tornasse impaciente, impulsionando a pélvis pra cima a fim de conseguir um pouco da fricção que eu obtinha sem pudor em sua perna, resmungando e choramingando com a voz aguda e necessitada. Resolvi tomar pena de si e dá-lo o que tanto ansiava, tirando a mesma mão que massageava o globo farto de sua bunda e esgueirando-a entre nossos corpos pra afagar a ereção que pulsava entre as pernas do menino, surpreendendo-me ao encontrar um pequeno ponto molhado na bermuda esportiva que usava.

— Céus, Jimin. Você ficou duro desse jeito só de assistir aquele vídeo? Gosta tanto assim de ver dois homens transando? Olhe só pra você, está tão molhado que até manchou a bermuda. – sussurrei ao interromper o beijo, minha mão pegando velocidade ao esfregar a ereção por cima da roupa enquanto me afastava para ver sua face corada pela humilhação, os olhos fechados com força e o lábio inferior preso entre os dentes numa tentativa falha de abafar os gemidos e miados que ameaçavam jorrar de si numa corrente constante; o mais novo jogou os braços pra trás buscando algo que o firmasse, suas mãos encontrando o braço do sofá e agarrando-se a ele como se sua vida dependesse disso. – Consegue se imaginar no lugar de um deles, baby? Você imagina que seja eu ali te marcando e fodendo sem piedade, é por isso que fica tão excitado? – não sabia de onde aquelas palavras estavam surgindo, mas não podia deixar de provocá-lo ao ver o quão alucinado Jimin ficava quando sussurrava obscenidades em seu ouvido. Sinceramente eu esperava que ele não fosse me responder, preferindo salvar sua dignidade ao manter-se quieto e continuar abafando os sons de prazer como se deixá-los escapar desimpedidos confirmasse minhas suspeitas de alguma forma, ou no máximo esperava que fosse protestar, emitindo um ruído choroso e indignado no fundo da garganta; porém fui pego de surpresa ao ver que o mais novo assentia timidamente com a cabeça sem abrir os olhos, envergonhado demais pra encarar o olhar faminto que sem dúvidas encontraria no meu rosto. – Oh, é mesmo? Foi isso que aconteceu naquela noite? Taehyung te pegou assistindo pornografia enquanto se tocava com meu nome em seus lábios? Foi isso, Jimin? Me diga.

— Yoong-gi—ah! Hyung, por f-favor. – gemeu em tom de choro, pressionando a virilha contra minha palma sem pudor, desesperado pra conseguir mais da fricção que aos poucos destruía sua sanidade. Sorri pra si, um sorriso perverso de quem não estava ali pra facilitar sua vida, fechando os dedos ao redor do membro ereto e o masturbando por cima do tecido fino em movimentos lentos e calculados.

— Por favor o quê, Sunshine? – perguntei numa voz de falsa inocência, inclinando a cabeça a fim de distribuir beijos por seu maxilar e seguir pelo pescoço, esfregando o nariz no ponto logo abaixo do lóbulo da orelha direita do garoto antes de mordiscá-la de brincadeira, divertindo-me com o arquejo que aquele gesto me proporcionara. Ouvi Jimin murmurar algo ininteligível em resposta, mas eu não descansaria até fazê-lo dizer o que queria em alto e bom tom. – O que disse? Não consegui te ouvir.

— E-eu... eu quero senti-lo dentro de mim. – aquela confissão sussurrada fora o suficiente pra me fazer parar todos os movimentos, congelando sobre o garoto com a mão imóvel ainda fechada ao redor da sua ereção. Afastei-me dele de forma hesitante, procurando sinais de arrependimento em sua face enquanto pedia confirmação ao soltar um “quê?” baixo e estupefato, sentindo como se todo o ar tivesse sido expulso de meus pulmões com o impacto que seu olhar me causara. Jimin tinha o rosto em brasa e os olhos entreabertos e fixos em mim, escuros de desejo e brilhando com algo que só podia identificar como devoção. – Por favor, hyung.

— Você não diria essas coisas se soubesse o efeito que causa em mim. É praticamente impossível me controlar quando implora desse jeito. – grunhi contra seu pescoço, escondendo a face ali a fim de evitar que sua expressão sublime me influenciasse a tomar alguma atitude e fazer algo de que pudesse me arrepender depois.

— Sinto muito... mas eu não sinto muito. – retrucou com uma risada baixa e nervosa, trazendo as mãos pras minhas costas e deslizando-as por sua extensão num carinho trêmulo e contido, quase como se não pudesse suportar a vontade de me tocar mas temesse me afugentar ao mesmo tempo. Estremeci quando suas palmas encontraram minhas nádegas e empurraram minha pélvis pra frente, obrigando-me a esfregar minha ereção dolorosamente evidente contra sua perna mais uma vez, arracando-me um suspiro e um gemido fraco que soltei contra a coluna de seu pescoço, assistindo sua pele arrepiar-se.

— Tem certeza disso? – indaguei, mais pra me assegurar do que por não acreditar em si, mas mantive o tom sério devido a delicadeza da questão. Estávamos falando da sua virgindade, afinal; quando pedi pra Jimin passar a noite eu não tinha um pingo de segundas intenções, nem imaginaria que esse era o dia em que Jimin se sentiria pronto pra dar o próximo passo. Quase tive vontade de me beliscar pra ter certeza de que não estava sonhando, mas preferi apenas aguardar sua resposta enquanto prendia a respiração.

— Tenho. – respondeu depois de alguns segundos de silêncio contemplativo, sem dúvida utilizados para que o garoto pudesse olhar profundamente dentro de si mesmo e se fazer a mesma pergunta, soando resoluto ao vocalizar sua decisão. – Eu confio em você, Yoongi. E pra ser sincero, nos últimos dias não tenho pensado em nada além de qual seria a sensação de ter nossos corpos unidos de forma tão íntima. Hyung, eu quero sentir isso. Eu quero você.

Não pude conter um grunhido ao ouvir aquilo, acoplando meus lábios no ponto de pulso que havia entre seu pescoço e maxilar, marcando o local ao mesmo tempo em que apertava de leve o falo ereto que permanecia seguro em minha palma, arrancando um gemido do garoto que se contorceu sob meu peso e arqueou as costas quando retomei vagarosamente os movimentos ritmados da mão e pus-me a lamber a concha de sua orelha, ofegando com a respiração pesada e quente diretamente em seu canal auditivo quando também retomei a fricção em minha virilha.

— Quer ir pro quarto? – sugeri num sussurro, sorrindo ao ouvi-lo murmurar em concordância antes de parar o que estávamos fazendo e me afastar por completo. Levantei-me do sofá com pernas instáveis, mas Jimin parecia ainda pior ao me seguir, agarrando-se às minhas costas e deixando que o conduzisse até o cômodo adjacente com seus braços ao redor da minha cintura e os lábios chupando marcas no meu ombro, tão excitado que podia senti-lo cutucando meu traseiro a cada passo desajeitado que dávamos.

Ao chegar no quarto escuro e acender a luz, a visão da cama pareceu trazer-me de volta à realidade, pesando meus ombros e fazendo-me perceber finalmente que aquele não era apenas um sonho muito bom do qual acordaria a qualquer instante, suado e sem fôlego; Jimin estava realmente ali, presente de carne e osso no meu quarto depois de ter confessado seu desejo por mim e me assegurado de que estava pronto pra consumar tal desejo. O menino parecia ter tido a mesma realização que eu, pois quando me voltei pra si encontrei-o com a cabeça baixa e as mãos segurando a barra da camiseta com firmeza. Aquela era uma expressão que eu definitivamente não queria ver em seu rosto na noite da nossa primeira vez, então guiei-o gentilmente pela mão para que se sentasse na lateral da cama enquanto agachava à sua frente, procurando seus olhos e forçando-o a encontrar os meus quando o garoto insistiu em encarar o próprio colo, erguendo a cabeça com meus dedos sob seu queixo.

Selei nossos lábios num beijo breve e doce antes de tirar seu óculos sujo e embaçado pelo calor de nossas atividades prévias e apoiá-lo sobre a mesinha de cabeceira, sorrindo com afeto transbordando do peito ao vê-lo piscar os olhos pra se acostumar com a falta do mesmo. – Se quiser que eu pare é só falar, sim? – disse, insistindo no assunto pra que Jimin soubesse que tinha o poder de interromper tudo a qualquer hora, não importava a situação ou nosso grau de nudez, e esperando até que ele me desse o sinal positivo pra só então continuar o que estava fazendo.

Apoiei minhas mãos em seus ombros e as deslizei pela extensão de seu peito e abdômen num toque suave, puxando a barra de sua camiseta e fazendo o caminho de volta com dedos levemente trêmulos. Jimin até agora cooperava de bom grado, erguendo os braços acima da cabeça pra facilitar a remoção da peça de roupa e presentear-me mais uma vez com a visão privilegiada de seus músculos cuidadosamente esculpidos. Uma vez que o tecido encontrou o chão não pude deixar de repetir o gesto, dessa vez diretamente em sua pele, sentindo a firmeza de seus músculos contra a ponta de meus dedos, assistindo fascinado o menor arrepiar-se todo e arfar de forma fraca e entrecortada quando meu polegar esbarrou contra um de seus mamilos enrijecidos. Guardei essa informação pra uso futuro enquanto enganchava os dedos no elástico de sua bermuda, pausando até que o mais novo me desse permissão pra continuar. Sua forma de responder foi apoiar-se nos braços e erguer levemente os quadris, apenas o suficiente pra que eu pudesse puxar a bermuda sem esforço. Assim o fiz, deslizando a peça lentamente por suas pernas com olhos vidrados na extensão de coxas grossas e macias que era aos poucos revelada, parecendo desafiar-me a pintá-las com uma constelação de pontos rubros e purpúreos.

Peguei-me imaginando como o corpo escultórico de Jimin pareceria coberto com as marcas de meus beijos ao puxar a bermuda por seus tornozelos, excitado apenas com as imagens que minha mente fornecia antes que meus olhos fossem atraídos pela ereção que formava uma evidente tenda na boxer azul-marinho que usava e deixava uma mancha de pré-gozo do tamanho de uma moeda no tecido. Sem pensar no que estava prestes a fazer, ajoelhei-me no chão de modo a ficar mais confortável enquanto afastava suas pernas gentilmente a fim de abrir espaço pro meu corpo entre elas, mantendo minhas mãos apoiadas no interior de suas coxas ao abaixar meu rosto para que ficasse no mesmo nível de seu membro ereto, pausando para apenas observá-lo por um momento antes de esfregar a ponta do meu nariz por toda sua extensão, desde seus testículos até a cabeça que continuava a pingar e tornar sua excitação ainda mais evidente. Pude sentir os músculos de sua perna tensionarem contra minha palma ao mesmo tempo que o ouvi engasgar com a própria saliva e arquejar com um ruído surpreso, mas eu só conseguia sentir-me embriagado e desorientado pela luxúria; seu cheiro era tão doce e inebriante, tão Jimin, que logo me vi pressionando a língua contra a mancha escura em sua cueca pra saber se o gosto era tão bom quanto.

Jimin gemeu alto e arrastado quando fechei os lábios ao redor da cabeça coberta de seu pênis, sugando o melhor que podia o fluido salgado que vazava da fenda enquanto sentia suas pernas tremerem e seus dedos agarrarem com força os fios de cabelo no topo da minha cabeça. Era a primeira vez que sentia o sabor forte e característico de outro homem na língua, porém não podia dizer que era desagradável; diferente, sim, mas por incrível que pareça percebi que tinha adquirido um gosto pra coisa – um gosto pra Jimin era o mais adequado a se dizer – e estava ansioso pra provar mais, senti-lo quente e pesado dentro da minha boca ao fazer menção de tirar também sua roupa de baixo, antes de ser impedido pelo menor com mãos firmes empurrando meus ombros pra trás e um choramingo baixo vindo de sua garganta.

— O que foi? Quer parar? – indaguei com o cenho franzido, confuso e preocupado, vasculhando o rosto do mais novo por qualquer indício de desconforto e temendo que tivesse ido longe demais cedo demais. Fiquei um pouco mais aliviado quando o vi negar com um aceno da cabeça, mas era difícil saber o que se passava em sua mente quando tinha a mesma baixa em vergonha.

— Não é justo que só eu seja despido. – falou com a voz miúda, puxando minha camiseta como se o tecido o ofendesse. Não pude deixar de achar graça na sua atitude, soltando um riso baixo e aliviado por saber que não tinha estragado tudo. Jimin só queria me ver em campo de igualdade, apenas isso.

A fim de atender o pedido subentendido do garoto, fiquei de pé e tirei minhas próprias roupas sem a cerimônia e o cuidado que usara pra despi-lo, ainda que fosse um pouco embaraçoso tirá-las enquanto tinha uma plateia, lutando por um momento com a camiseta que teimara em ficar presa pela cabeça antes de ser reduzido a minha roupa íntima como ele. Imediatamente me arrependi de tê-lo feito, sentindo-me vulnerável e autoconsciente sob o olhar fascinado com que Jimin encarava meu corpo seminu, olhos famintos que corriam desde meu ombro ossudo e estreito e peito magro marcados por uma cicatriz até minhas pernas pálidas e canelas finas. Eu tinha plena consciência de que meu corpo viraria motivo de piada caso fosse comparado com o de Jimin: onde o garoto era todo pele saudável e beijada pelo sol, músculos firmes e curvas fartas que lhe davam um porte imponente mesmo com a estatura baixa, eu era pálido ao ponto de parecer doente, com olheiras profundas sob os olhos e o corpo magro e flácido de quem nunca se exercitara na vida. Enquanto olhava pro abdômen de Jimin e via um tanquinho bem trabalhado e adquirido com muito esforço e dedicação, eu olhava pro meu próprio e não via nada além de uma extensão lisa e vergonhosa de pele branca como leite e uma bolsa de gordura logo abaixo do umbigo que conseguia apertar entre o polegar e o indicador e parecia que nunca iria me deixar. Entretanto, por mais que não conseguisse ver nada de atraente em meu corpo, o menor não tirou os olhos de mim por um segundo sequer, encarando-me fixamente a tal ponto que fazia minha pele formigar sob toda aquela atenção.

— O—o que está olhando? – resmunguei desviando o olhar enquanto sentia minhas orelhas e bochechas em brasa e tentava cobrir meu corpo o melhor que podia com os braços. Isso pareceu despertá-lo de seu transe, pois assim que a barreira entrou em seu campo de visão Jimin segurou meus pulsos com mãos gentis e afastou meus braços, obrigando-me a pendê-los imóveis ao lado do corpo outra vez enquanto dedicava mais alguns segundos pra admirar a nudez parcial apresentada diante de si.

Antes que pudesse reclamar e me contorcer sob seu olhar outra vez, Jimin inclinou-se pra frente e deu um beijo tão suave em meu umbigo que por um momento acreditei ser feito de porcelana, ainda mais quando o garoto soltou meus pulsos em favor de segurar minha cintura e distribuir mais deles por todo meu abdome, subindo em direção ao peito enquanto ficava de pé e plantava um beijo doce e demorado sobre a cicatriz que a bala tinha deixado em meu ombro. Retribuí o abraço apertado que o outro me dava ao deixar selares na curva do meu pescoço, antes de soltar um suspiro pesado em meu ouvido quando nossas ereções se esbarraram acidentalmente. – Você é lindo, hyung. Não precisa se esconder de mim.

— Lindo? – ri fraco em descrença, escondendo meu rosto corado em seu ombro a fim de não demonstrar o tamanho do efeito que suas palavras tinham sobre mim. – Era eu quem devia te dizer isso, idiota.

— Então diga. Ninguém está te impedindo. – desafiou-me ao puxar levemente os fios de minha nuca com os dedos e obrigar-me a encontrar seus olhos, sorrindo cheio de ternura no olhar ao ver meu estado embaraçado. Minha resposta foi dada na forma de resmungo seguido de um beijo plantado em seus lábios, deixando que nossas bocas se moldassem ao redor uma da outra sem pressa enquanto minhas mãos encontravam o caminho da sua cintura por conta própria, sentindo seus dedos se perderem nos meus fios de cabelo conforme o guiava cegamente de volta pra cama.

Com a minha ajuda, Jimin sentou-se e apoiou os cotovelos no colchão atrás de si, deslizando por ele antes de se deitar no centro do mesmo, enquanto o acompanhava apoiado nas minhas mãos e joelhos, alojando-me entre suas pernas sem nunca quebrar o contato de nossas bocas. Ambos suspiramos pesadamente quando nossas ereções se encontraram, a sensação de alguma forma nova pois nunca antes havia sentido a firmeza do seu tronco nu colado ao meu, sua pele quente incentivando-me a rolar os quadris com mais vigor. Eu engolia de bom grado os miados que Jimin emitia contra meus lábios, mas ao mesmo tempo precisava de mais; precisava senti-lo por completo, tocar cada parte de seu corpo, precisava prová-lo. Jimin era como a droga mais doce pra um viciado como eu, daquelas que parecem inofensivas de início mas que te acertam em cheio quando você menos espera, e agora aquelas peças ofensivas de roupa estavam no caminho entre eu e a minha tão aguardada dose.

Interrompi o beijo pra sentar-me sobre os calcanhares, pausando pra admirar a visão diante de mim: lábios rosados e inchados, úmidos pela saliva que minha língua deixava em seu rastro, pequenas marcas que começavam a escurecer em seu pescoço da nossa atividade anterior, cabelos lindamente desarrumados que caíam sobre o colchão e deixavam sua testa à mostra, um leve rubor que deixou-me fascinado ao descobrir que coloria não só sua face mas também seu peito, esse que arfava em busca do ar que meus lábios lhe roubaram, olhos da cor de chocolate derretido, escuros e irresistíveis, que me hipnotizavam com sua profundidade.

Despertei de meu estupor quando notei que o garoto começara a ficar inquieto sob mim, corpo quente que se contorcia claramente ansiando por atenção. Jimin nem precisou pedir para que pendesse meu tronco pra frente outra vez com as mãos apoiadas uma de cada lado da sua cintura, pondo-me a atacar seu peito com beijos suaves antes de abocanhar um dos mamilos amarronzados com lábios famintos, obtendo grande satisfação ao vê-lo gemer e convulsionar de prazer sob as pinceladas que minha língua dava no bico rijo. Com a mão livre passei a estimular o outro entre o indicador e o polegar, procurando dá-los a mesma atenção e invertendo os estímulos até que o garoto choramingasse alto e implorasse por misericórdia com gemidos entrecortados e pernas trêmulas.

Tomando piedade de si com o mantra de por favor, hyung, por favor que o menor balbuciava de maneira incoerente, deixei uma trilha de beijos por seu tórax e abdômen que me levava diretamente aonde o garoto mais queria ser tocado, tudo enquanto ouvia-o suspirar sob meus toques. Antes que pudesse lhe dar a atenção que desejava, beijei seu umbigo usando um pouco de língua e sorri satisfeito contra a pele macia quando suas costas arquearam com um silvo escapando de seus lábios, mordiscando-a de brincadeira no ponto logo acima da barra da boxer que usava enquanto a puxava pra baixo com a mesma delicadeza que dedicara às outras peças. Jimin ajudou a livrar-se do tecido erguendo os quadris e depois dobrando os joelhos de encontro ao peito, voltando as pernas pra posição inicial assim que a cueca deslizou por seus tornozelos e encontrou o chão, revelando-me o corpo nu em toda sua glória. Pouco depois minha própria cueca a acompanhara, ainda que me atrapalhasse todo apenas pra conseguir fazê-la ultrapassar os joelhos sem ter que levantar, mas logo estava livre e de volta ao meu lugar de origem, prendendo a respiração ao fitar o que me esperava. Não era como se aquela fosse a primeira vez que via o membro ereto do mais novo, mas não podia negar que era um pouco intimidador vê-lo assim tão de perto. O fato de ambos estarmos nus como viemos ao mundo e a realização de que aquilo era real e não apenas um sonho inalcançável fazia minha pele formigar de antecipação.

Tentativamente, como forma de testar as águas antes de mergulhar de cabeça – literalmente – no sexo do moreno, dei uma pequena lambida felina na sua glande rosada, provando mais um pouco do pré-gozo que pingava da uretra em gotas grandes e cristalinas, constatando que o gosto era muito mais acentuado quando não tinha uma camada de algodão no caminho – não que fosse ruim necessariamente, apenas algo que deveria aprender a lidar com o tempo. Incentivado a continuar pelo modo como Jimin agarrava o lençol embaixo de si em busca de algo pra se firmar com punhos fechados e lábios entreabertos que soltavam pequenos suspiros e arquejos, envolvi os dedos na base de seu membro e os lábios ao redor da cabeça, preparando-me pra engoli-lo inteiro; porém, mal consegui chupá-la antes que Jimin impulsionasse a pélvis com um gemido alto de prazer, sobressaltando-me com o espasmo involuntário e fazendo-me engasgar quando a ponta tocou minha garganta.

— Oh, droga! Hyung, você está bem? Me desculpe, eu não queria... Hyung! – o menino exclamou preocupado, colocando-se de joelhos na cama pra dar tapas nas minhas costas quando soltei seu membro com uma crise de tosse, sentindo os olhos ardendo pelas lágrimas e a garganta em brasa, parecendo que ia se fechar a qualquer instante.

— N-não, está tudo bem. Você me pegou de surpresa, só isso. – assegurei-lhe com um sorriso fraco uma vez que a crise diminuiu e podia respirar novamente, ainda que minha voz soasse três vezes mais rouca que o habitual. Jimin não parecia muito convencido entretanto, com cenho franzido e sobrancelhas juntas numa clara expressão de culpa e vergonha.

— Eu realmente sinto muito, não queria te machucar. É só que... não pude me controlar... a realidade foi tão melhor do que meu sonho... – admitiu embaraçosamente com olhos fixos nos meus lábios como se ainda pudesse senti-los em sua pele, mordendo os seus próprios num ato inconsciente. Por um momento meu ego inflou, orgulho rugindo em meu peito por ter conseguido impressioná-lo na primeira vez que fazia sexo oral em outro homem, mesmo que dito homem nunca tivesse recebido um boquete na vida; porém isso não tirava meu mérito, principalmente quando só tinha minhas próprias experiências como a parte que recebia o oral pra me servir de guia. Contudo algo em sua confissão me fez pausar, analisando suas palavras cuidadosamente com olhos desconfiados.

— Espere um pouco. Você disse que sonhou com isso? – perguntei de modo a confirmar minhas suspeitas, uma nova onda calor surgindo em meu baixo ventre e fazendo meu falo pulsar com a imagem mental de Jimin tendo um sonho erótico comigo como protagonista e acordando com um problema nas calças, quente e ofegante, quando vi o garoto concordar tímido com a cabeça baixa e orelhas vermelhas.

— S-sim. Foi por isso que Tae-Tae me flagrou aquela noite... não consegui mais dormir quando só pensava no sonho, em você me chupando debaixo do cobertor... eu precisava me aliviar de alguma maneira. – confessou com um murmúrio, a voz resmungada de quem não queria professar aquelas palavras e o rosto corado de quem ainda se recusava a encontrar meus olhos. Não iria mentir: aquela confissão fazia maravilhas pro meu ego, mas tinha que admitir que fazia coisas ainda melhores pra minha libido.

Puxei-o pela cintura com um sorriso malicioso, arrancando um arquejo fraco do garoto quando nossas ereções se encontraram no meio do caminho, mordiscando sua orelha ao colar nossos corpos e apertar suas nádegas firmes com ambas as mãos. – Você não faz ideia das coisas que quero fazer contigo quando me diz algo assim. – sussurrei em seu ouvido, ouvindo-o miar necessitado em resposta, meu hálito quente fazendo a pele do menino arrepiar-se por inteira. Jimin retribuiu o abraço na mesma intensidade, envolvendo meu pescoço com os braços e rolando o quadril de encontro ao meu numa velocidade lenta mas inegavelmente prazerosa enquanto arfava e suspirava contra meu maxilar, indicando que talvez soubesse muito bem o que tinha me mente.

— Onde... o-onde estão as coisas que—ah—comprou? – gaguejou quando comecei a pegar velocidade, trazendo-me de volta à realidade num instante. Cessei todos os movimentos com olhos arregalados, tentando desesperadamente vasculhar minha mente sem encontrar nada. Saí da cama aos tropeços enquanto murmurava um “só um minuto”, ouvindo as risadinhas divertidas do garoto atrás de mim depois de um segundo de silêncio estupefato. Eu sabia que tinha guardado a sacola com os itens que fui buscar na loja onde Jimin trabalhava em algum lugar do quarto, só não lembrava onde, nem se fosse uma questão de vida ou morte. Estúpido, estúpido, estúpido, repreendi-me mentalmente enquanto procurava nos lugares mais óbvios sem obter sucesso algum, a urgência e aflição aumentando a cada segundo perdido.

Vasculhei o quarto inteiro atrás da maldita sacola até encontrá-la no fundo de uma das gavetas do armário – porque ela tinha parado ali não saberia dizer, sinceramente – e pude respirar aliviado novamente quando tirei de lá um tubo de lubrificante e um pacote de preservativos, levando a sacola inteira comigo ao pensar melhor e resolver deixá-la num lugar mais evidente. Quando me voltei pra onde o deixara, encontrei Jimin deitado no sentido da cama com a cabeça apoiada no travesseiro, parecendo confortável e quase presunçoso ao deslizar a mão languidamente pelo membro ereto com os olhos escuros de desejo e fixos em mim como se quisessem me devorar vivo. Estremeci sob a intensidade daquelas orbes, a visão de Jimin se masturbando tão descaradamente na minha cama me fazendo salivar, mas contive minha sede por enquanto – a primeira experiência oral fora o suficiente pra um dia, e eu honestamente preferia não fazer mais papel de bobo pelo resto da noite; ainda precisava mostrar ao mais novo tudo que sabia sobre sexo, e tudo que aprendi apenas pra essa ocasião em especial.

Abri a caixa de preservativos e separei um dos pacotes individuais, jogando-o no colchão ao lado do corpo do moreno juntamente com o lubrificante e deixando o restante sobre a mesinha de cabeceira pra um possível uso futuro, sentindo meu coração martelar na garganta ao me ajoelhar na cama entre as pernas do mais novo. Jimin mantinha os olhos fixos nos meus, o rosto tingido com um familiar tom rosado que lhe conferia uma aparência doce e quase inocente apesar da mão que ainda deslizava por seu falo num ritmo constante e dos ruídos baixos que escapavam de seus lábios abusados pelos meus beijos. Mesmo que não visse nada além de confiança naquelas orbes castanhas, não pude deixar de me preocupar com o seu bem-estar ao abrir a tampa do tubo de lubrificante e despejar um pouco do gel frio nos meus dedos, esfregando-os um no outro a fim de esquentá-lo um pouco. – Você sabe que pode dizer chega a qualquer hora, não é? Não precisamos fazer isso se não quiser.

— Mas eu quero. – foi a resposta simples que me deu, e foi toda a confirmação que precisava. Com a mão livre Jimin fez um gesto na minha direção como se agarrasse algo invisível no ar, olhos pedintes que confirmavam suas palavras e me fizeram entender o sinal pra me aproximar. Deixei meu corpo pender sobre o seu conforme o pedia silenciosamente pra abrir mais as pernas com a mão que não estava lambuzada empurrando sua coxa direita, selando nossas bocas num beijo ao mesmo tempo que meu indicador sujo de lubrificante encontrava sua entrada e a rodeava com movimentos leves e circulares.

Pude sentir o arquejo que o garoto soltara contra meus lábios assim que a ponta do dígito ultrapassou o anel de músculos, parando na primeira junta quando o senti contrair-se, envolvendo meu pescoço com os braços e segurando-se ali com firmeza; quando olhei pra si, Jimin tinha os olhos fechados e o lábio inferior preso entre os dentes, o rosto contorcido numa clara expressão de desconforto. – Tá doendo? Quer que eu pare?

— N-não, pode continuar. É só porque o lubrificante ainda está um pouco frio, desculpe. – tentou assegurar-me enquanto negava com a cabeça um pouco desesperadamente, abrindo os olhos e um sorriso apologético que me parecia mais tenso do que reconfortante. Franzi o cenho, notando a mentira sem saber porque fora contada em primeiro lugar, mas preferi acreditar que ele me avisaria caso a dor se tornasse insuportável enquanto forçava meu dedo pra dentro de si aos poucos, parando a cada novo centímetro quando as contrações do músculo se tornavam muito fortes e avançando novamente quando o garoto parecia relaxar. Engoli cada miado e choramingo que Jimin derramava em meus lábios enquanto o beijava esperando distraí-lo. Quando meu dedo foi introduzido até a base, o mais novo tinha os olhos marejados e o lábio preso entre os dentes mais uma vez; quando me arrisquei a fazer o primeiro movimento de vai-e-vem, de forma vagarosa e o mais delicada possível, uma de suas mãos foi parar na minha nuca, seus dedos puxando os fios encontrados ali com tanta força que pensei que fossem arrancá-los.

— Tem certeza? – insisti, beijando suas bochechas, maxilar e peito enquanto repetia o gesto num ritmo ininterrupto, esperando que se acostumasse com a sensação estranha e recebendo em resposta um aceno positivo da cabeça, tão frenético quanto o anterior.

Aos poucos fiquei mais ousado, pegando velocidade, acariciando as paredes anais do mais novo enquanto curvava o dedo à procura de um ponto específico dentro de si – ainda que não soubesse nem onde procurar direito – e ouvia-o emitir menos sons de choro e mais sons de prazer. Assim que o considerei relaxado o suficiente, retirei meu dedo e acrescentei ainda mais lubrificante aos dígitos já lambuzados; Jimin protestara pela falta de contato com um ruído baixo e necessitado que vinha do fundo da garganta, mas calou-se de imediato quando encostei em sua entrada a ponta de não apenas um, mas dois dedos. Pude ouvir claramente o momento em que o menino prendeu a respiração conforme o indicador e o médio invadiam seu interior no mesmo passo lento e cauteloso de antes, centímetro por centímetro, enquanto me mantinha atento a cada mínima reação sua. Jimin me segurava num abraço de urso, as unhas cravando marcas vermelhas nos meus ombros de tão forte que apertava. Em pouco tempo peguei-me com ambos os dedos novamente enterrados em si, ainda imóveis enquanto aguardava o garoto se acostumar com a invasão e sussurrava incentivos e garantias em seu ouvido. – Shhh, está tudo bem, Sunshine. A dor já vai passar, ok? Apenas relaxe. Relaxe e deixe que hyung cuide do resto.

Quando Jimin me deu o sinal pra continuar e seus ombros pareceram um pouco menos tensos, deixei que meus dedos tornassem a se mover e retomassem o processo que começaram, ainda que o dedo extra dificultasse e muito a tarefa. Jimin tentava ao máximo conter o choro e esconder os sinais de dor e desconforto, mas minha proximidade não deixava espaço pra dúvidas. Me doía o coração ter que fazê-lo passar por tamanha tortura, mas sabia que se não o preparasse direito a penetração seria ainda pior. Afastei-me dele a fim de observar seu rosto, encontrando seus olhos fechados com força e cheios de lágrimas acumuladas nos cílios, o cenho franzido numa careta sofrida e os lábios puxados pra baixo num bico trêmulo que me fazia querer parar tudo agora mesmo e enchê-lo de beijos e mimos, implorando por perdão. Entretanto, quando hesitei em meus movimentos pra fazer exatamente isso, incapaz de suportar o fardo da dor que estava lhe causando, o garoto puxou-me de volta pelo pescoço e contraiu as paredes ao redor dos meus dedos com tanta força que não poderia sequer passar como involuntário, choramingando em meu ouvido num tom impossível de resistir. – Não—não pare, hyung... Yoongi... continue, p-por favor.

Eu não era ninguém quando Jimin implorava desse jeito, e agora não seria diferente. Por um instante sentia como se não tivesse mais controle sobre meu corpo e ações enquanto invadia sua entrada com os dedos usando um pouco mais de força e velocidade a cada nova investida, o deslizamento fácil agora que os músculos escorregadios de lubrificante relaxavam aos poucos. – Porra, Jimin. Você fica tão sexy quando me implora assim. – gemi em seu ouvido, sentindo minha ereção latejar com os sons que suas cordas vocais emitiam em resposta, dolorida pela falta de contato. Cheguei a estremecer com a realização de que em breve poderia enterrar-me dentro de si e arrancar-lhe ainda mais gemidos lascivos, esses que surgiram contidos mas que ficavam desinibidos conforme a dor se transformava em prazer. A promessa de fodê-lo até não sentir mais as pernas quase foi o suficiente pra me fazer gozar intocado, arracando-me um silvo com a onda de calor que percorrera minha espinha.

O auge do prazer do menino foi quando, assim que enterrei os dedos em seu interior numa das estocadas, os abri e fechei repetidamente simulando uma tesoura, alargando o canal e arrancando-lhe um grito que misturava surpresa e deleite, porém aquilo ainda não fora o suficiente pra fazê-lo atingir o orgasmo. Querendo ver o efeito que causava no garoto, sentei-me sobre os calcanhares e assisti sua face contorcer-se numa expressão de puro prazer, com olhos fechados e lábios abertos que soltavam os mais deliciosos gemidos, mãos em punho agarrando o travesseiro ao lado da cabeça com força, joelhos erguidos e dobrados num espasmo involuntário, músculos abdominais contraídos e costas arqueadas num arco perfeito. Tudo em Jimin gritava perfeição, por isso não me contive ao intercalar os movimentos de tesoura com os de vai-e-vem, querendo arrancar novas reações e apreciando o modo como o mais novo chamava por mim entre gemidos e súplicas com lágrimas rolando pelo canto dos olhos.

— Hyu—ngh—Hyung... – gemeu com a voz entrecortada e ofegante, e eu podia jurar que nunca sentira tanto tesão com uma única palavra antes. – O q-que é isso? O—o que—ah—está fazendo? – indagou sem fôlego, parecendo desnorteado em meio as sensações ao rebolar o quadril no sentido contrário das minhas estocadas, silenciosamente pedindo por mais e me proporcionando uma visão tão maravilhosa que jamais sonharia em tirar meus olhos de si.

— Um truque que aprendi. Gostou? – sorri orgulhoso com a confirmação vinda na forma de outro aceno de cabeça, já que o mais novo estava perdido demais pra formar frases completas, concentrado apenas na sensação dos dígitos entrando e saindo de si num ritmo alucinante; preferi não mencionar o fato de que fora Seokjin que me ensinara aquilo, mas reservei alguns segundos pra agradecê-lo por isso ao ver Jimin praticamente se foder em meus dedos com uma avidez que não sabia que possuía. – Jimin, merda, você não faz ideia do efeito que tem sobre mim, não é? Se fodendo desse jeito... tão lindo, tão insaciável... quer mais, baby? Quer outro dedo meu dentro de você?

— Y—oh, droga—Yoongi... não d-diga coisas embaraçosas assim... – Jimin tentou protestar, o rubor em sua face parecendo mais forte do que nunca, mas eu sabia exatamente quais botões pressionar pra tê-lo ronronando como um gatinho em pouco tempo: bastou uma investida particularmente forte e algumas poucas obscenidades sussurradas em seu ouvido narrando o quão bom seria fodê-lo com algo que não fosse meus dedos, mas que só poderia fazer isso se o menino respondesse minha pergunta, pra que uma enxurrada de sim, sim, por favor, sim saíssem de seus lábios como um mantra.

Com sua permissão inseri cautelosamente o anelar ao lado dos outros dois, observando seu rosto se contorcer outra vez e tremores percorrerem todo o seu corpo, mas havia algo diferente no gemido sofrido que soltara, quase como se agora pudesse sentir prazer com a dor. Mesmo que Jimin estivesse tão excitado a ponto de relaxar dentro de poucos instantes ao se acostumar com a nova sensação, sua entrada até então virgem não comportava muito bem tantos dedos ao mesmo tempo, o que tornava meus movimentos um pouco mais difíceis e limitados; porém, apenas a ardência causada pelo esticamento dos músculos parecia ser o suficiente pra fazê-lo revirar os olhos e exclamar súplicas incoerentes. – Yoongi—ah—hyung... eu quero—ngh—eu quero...

— Hm? O que foi, Sunshine? Diz pra mim o que você quer. – provoquei com uma voz de falsa inocência acompanhada por um sorriso predador, incentivando-o a vocalizar seus desejos mais íntimos enquanto distribuía beijos por seu tórax e abocanhava um dos mamilos com lábios famintos, atacando a região com a língua enquanto continuava estocando três dedos dentro de si de forma impiedosa. Apesar de ser infinitamente melhor do que qualquer fantasia que pudesse criar, aquela situação estava começando a me deixar impaciente; meu falo pulsava a cada gemido que saía de seus lábios, a cabeça vermelha e inchada, pingando pré-gozo e ansiando por atenção. Não sabia dizer quanto tempo mais aguentaria gastar para prepará-lo sem saciar minhas próprias necessidades.

— E-eu quero... você d-dentro de mim. Por favor, hyung—ah—agora. Quero agora. – se antes não sabia quanto tempo demoraria pra tomar uma atitude, esse tempo acabara de ser reduzido a zero; eu não poderia negar nada a Park Jimin, principalmente quando tinha o mais novo pedindo, ou melhor, suplicando por mim com aquela voz manhosa, acompanhada por gemidos sem vergonha e um corpo quente e inquieto sob meus toques.

Removi completamente meus dedos de sua entrada e descolei minha boca de seu peito sem aviso nem cuidado, sentando-me novamente sobre os calcanhares a fim de encontrar os itens que precisava. Jimin parecia que iria protestar com o cenho franzido numa careta de desconforto, mas mudou de ideia com a visão da camisinha na minha mão, mantendo os olhos vidrados na mesma como se estivesse diante de um tesouro. Lutei com a embalagem por um momento, meus dedos trêmulos e pegajosos com uma mistura de lubrificante e suor que me impedia de abri-la. Já no fim da minha paciência resolvi rasgá-la com os dentes, cuspindo no chão o plástico que ficara na minha boca ao revelar o preservativo de látex. Desenrolei-o sobre meu pênis dolorosamente ereto com mãos gentis, soltando um longo chiado entredentes, minha pele extra sensível por não ter sido tocada por tanto tempo. Não consegui conter um gemido baixo ao despejar uma quantidade generosa de lubrificante sobre o mesmo depois de protegido e masturbar-me num ritmo lento com punho firme a fim de espalhar a substância igualmente por toda a extensão do falo, quase atingindo o orgasmo apenas com o olhar do mais puro e incontrolável desejo com que Jimin assistia toda a ação.

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Segurei meu pênis pela base enquanto me posicionava melhor entre suas pernas, ouvindo-o arfar sob mim quando pressionei a glande contra sua entrada. Por um instante não podia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, pensando que fosse acordar assustado a qualquer momento com a cama encharcada de suor e um problema pra cuidar dentro da cueca, mas o calor do corpo embaixo de mim era real, as marcas que as unhas do garoto deixaram em meus ombros e costas eram reais, a sensação da sua entrada contraindo contra a ponta do meu membro antes mesmo de invadi-la era real. Porém, o que me trouxe de volta à realidade e convenceu-me de que isso não era apenas um truque da minha mente e fazia parte tanto das fantasias de Jimin quanto das minhas foi o olhar que o garoto sustentava: olhos marejados e escuros de desejo, sem um pingo de dúvida neles. Mesmo assim hesitei por um segundo, uma pausa pra respirar fundo e tomar impulso quando recebi seu sinal positivo.

Jimin gritou quando forcei a cabeça pelo anel, não conseguindo esconder a dor que sentia mesmo com todo o cuidado que tomava ao penetrá-lo. Eu pensava que depois de ter três dedos dentro de si o mais novo estaria pronto pra receber meu membro, mas não poderia estar mais enganado; jamais imaginaria que seu canal pudesse continuar tão apertado, os músculos anais contraídos e apertando minha glande desconfortavelmente. – Porr—ah—Jimin... merda. T-tão apertado... – tentei repetir o processo de penetrá-lo aos poucos, assim como fizera com os dedos previamente, mas era mil vezes mais difícil manter o ritmo quando tudo que queria fazer era enterrar meu pênis dentro de si e fodê-lo com tanta força que o garoto não seria capaz de andar sem mancar por dias. Foi naquele momento que descobri o tamanho do meu autocontrole: invadia-o devagar, parando a cada novo sinal de dor e desconforto, tudo enquanto alisava suas coxas e a lateral do seu abdômen numa tentativa de reconfortá-lo, beijando sua têmpora úmida de suor e murmurando garantias em seu ouvido. – Estou aqui, Jimin, estou aqui. Apenas relaxe. Hyung está aqui.

Nós dois grunhimos com a sensação indescritível de ter meu membro enterrado em seu interior; eu só podia imaginar como deveria ser pra ele, um corpo estranho que o invadia e de repente fazia parte de si, mas pra mim o calor e aperto de suas paredes ao meu redor fazia sentir-me seguro e protegido – não sabia explicar, mas era quase como chegar em casa depois de uma longa viagem e deitar na própria cama, refestelando-se no conforto da mesma. Era isso que fazia agora, aproveitando o conforto do corpo de Jimin sob o meu enquanto esperava até o menor se acostumar com a sensação e relaxar os músculos tensos, sentindo o arfar de seu peito contra o meu enquanto massageava as coxas que envolviam minha cintura com uma mão e a outra secava as lágrimas que trilhavam suas bochechas, afagando seus cabelos e afastando-os da testa úmida de maneira gentil, tudo isso antes de meus lábios engolirem seus miados fracos ao lhe beijar profunda e apaixonadamente, deixando que minha língua invadisse sua boca e explorasse cada canto que pudesse encontrar.

Não me movi até que Jimin me desse permissão pra tal, essa vinda na forma de um aperto firme das mãos apoiadas em meus ombros. De início mal rolei os quadris, mantendo a maior parte de meu membro inserida ao fazer movimentos curtos e superficiais, testando sua resistência antes de interromper o beijo e apoiar as mãos no colchão sob o travesseiro que usava pra apoiar a cabeça, afastando meu tronco pra observar cada mudança de expressão em seu rosto conforme ficava mais ousado, chegando a retirar o pênis quase que por completo apenas pra enterrá-lo novamente em si no instante seguinte. Apesar de manter o ritmo vagaroso e gentil, a face de Jimin não me transmitia nada além de sofrimento: olhos fechados com novas lágrimas que deslizavam vagarosamente na direção das orelhas, sobrancelhas juntas e cenho franzido, lábios mordidos e pressionados com tanta força que perderam a cor, abafando as lamúrias sôfregas que insistiam em lhe escapar. Eu queria parar, juro que queria, mas as sensações eram tão intensas e prazerosas que me vi em transe, impulsionando a pélvis num ritmo constante até que uma determinada estocada o fez gritar de dor e por consequência me trouxe de volta à realidade, me fazendo cessar todos os movimentos de imediato e olhar pra si com orbes cheias de culpa e preocupação.

— Jimin, baby. Olhe pra mim. – pedi, alisando o braço que o mais novo jogara por cima dos olhos a fim de se esconder, sentindo meu coração apertado dentro do peito ao ver seu lábio inferior projetado num bico trêmulo com o esforço de segurar o choro. Eu me sentia como um tremendo idiota, um verdadeiro canalha por machucá-lo dessa forma, ainda mais com todo o cuidado que tomei pra que isso não acontecesse. Precisei utilizar todo o poder de persuasão que possuía pra convencê-lo a abaixar o braço, insistindo pra que me deixasse vê-lo, mas o que encontrei naquelas orbes castanhas quase me fez chorar também. – Me perdoe, Sunshine. Eu fui um idiota, não queria te machucar. Vamos parar, está bem? Acabou, hyung vai fazer a dor passar. Me desculpe. Por favor, não chore. – implorava desesperado por seu perdão, afagando seus cabelos e distribuindo beijos por suas bochechas úmidas na esperança de que isso o tranquilizasse. Porém, assim que minhas palavras registraram em seu cérebro sobrecarregado com as mais diversas emoções, Jimin parecia ainda mais aflito do que eu: o mais novo prendeu-me entre suas pernas e braços, puxando-me pra perto e me mantendo ali enquanto balançava a cabeça em negação de maneira quase histérica, choramingando em meu ouvido.

— Não! Não, não, por f-favor, não quero parar. Por favor hyung, n-não pare. Vou ficar quieto, por favor, eu aguento. Só não me d-deixe. Continue, Yoongi, por favor. Eu vou ficar bem, prometo. – soluçou em tom choroso, balançando a cabeça e repetindo suas súplicas contra meu pescoço como um disco quebrado, agarrando-se a mim como se eu fosse seu bote salva-vidas. Não iria negar que aquele tom de voz em particular despertava algo dentro de mim, mas não me atreveria a continuar daquele jeito e arriscar machucá-lo ainda mais. Simplesmente não suportava a visão de Jimin chorando, ainda mais quando era o principal causador daquelas lágrimas.

— Não podemos continuar assim, Sunshine. Estou te machucando, não percebe? – suspirei quando recebi outro aceno negativo em resposta, sentindo o aperto do garoto ficar ainda mais forte ao redor dos meus ombros. Sabia que aquela batalha estava perdida mesmo que tivesse plena consciência de que parar seria a coisa certa a se fazer; não conseguia negar nada a ele, nem quando o próprio não sabia o que era melhor pra si. Peguei-me pensando no que poderia fazer pra ajudá-lo a sentir menos dor a fim de aproveitar de fato o ato sexual. Vasculhei minha mente atrás de soluções e possibilidades até me lembrar de algumas experiências passadas, com garotas que não se sentiam confortáveis ficando por baixo, mas a história mudava quando a posição era invertida. – Eu quero tentar algo, ok? Me diga se sentir dor ou desconforto, qualquer coisa, por favor. Não quero te machucar mais.

Com um aceno positivo da parte do mais novo, envolvi meus braços ao redor da sua cintura e nos girei na cama a fim de ficar por baixo dele, tudo enquanto tentava manter o pênis dentro de si pra não perder o progresso já feito. Com algumas manobras e a ajuda de Jimin, que parecia começar a entender minhas intenções, apoiei a cabeça no travesseiro e tive que abafar um grunhido quando o garoto ergueu o tronco numa posição sentada e seus quadris afundaram em meu colo, fazendo sua entrada engolir aquele último centímetro que faltava pra que meu membro ficasse enterrado até a base em seu interior. A reação de Jimin foi mais satisfatória do que sofrida, aquele mesmo som diferenciado de quando a dor era suportável o suficiente pra se transformar em prazer escapando de seus lábios. Eu mantinha meus olhos fixos em seu rosto enquanto acariciava sua pele até onde podia alcançar, deixando meu dedos passearem por suas pernas, abdome e peito. Claro que encontrei pequenos sinais de desconforto naquela face lindamente rosada, mas seu cenho não estava mais tão franzido e as paredes ao meu redor começaram a relaxar, um pouco de cada vez.

— Assim está melhor, baby? Está se sentindo bem? – indaguei, ainda preocupado porém também esperançoso, massageando suas coxas e cintura pra deixá-lo o mais confortável e relaxado possível. Meu maior interesse aquela noite era dá-lo prazer afinal de contas, e não causá-lo sofrimento.

— S-sim... bem melhor. – concordou, testando a nova posição ao rebolar levemente os quadris, chiando pelo incômodo que o movimento lhe causara. Imediatamente segurei sua cintura com mãos firmes, imobilizando-o pra que não se machucasse mais do que o necessário.

— Hey, vá com calma. Não tenha pressa, pode ir no seu próprio ritmo. Eu não vou a lugar algum, ok? – assegurei-lhe, sorrindo quando o garoto baixou a cabeça com bochechas coradas e assentiu.

Jimin voltou a rebolar no meu colo com movimentos contidos e cuidadosos, testando a velocidade até encontrar um ritmo que fosse confortável pra si, lento mas muito sensual. Foi necessária toda a minha força de vontade pra não impulsionar o quadril pra cima e o foder como gostaria, mas vê-lo fechar os olhos sem apertá-los com lábios entreabertos e ouvir os pequenos gemidos de prazer que lhe escapavam era o suficiente pra me deixar satisfeito. Aos poucos o garoto foi criando audácia, seus atos mais ousados conforme pegava velocidade e cavalgava em meu membro com mais vigor, arrancando de mim uma enxurrada de gemidos roucos e mal-contidos. Jimin então pendeu o corpo pra frente, apoiando as pequenas palmas no meu peito ao buscar a melhor angulação pras suas investidas contrárias, de modo que ainda mais sons de deleite jorrassem de seus lábios, doces como mel.

Sua cabeça pendia baixa enquanto observava fascinado o ponto onde nossos corpos se encontravam, meu falo desaparecendo dentro do seu corpo a cada nova estocada, mas eu só tinha olhos pra si: me perdia no tom rosado de sua pele quente, no suor que escorria das têmporas e molhava os fios de cabelo, grudando-os na testa, nos músculos abdominais duros e contraídos e nas coxas que trabalhavam sem parar e tremiam pelo esforço de manter os movimentos fluidos de vai-e-vem, na ereção que pulava entre nós a cada investida, a ponta encharcada de pré-gozo que corria pelo falo e sujava seu abdome sempre que uma investida particularmente forte o fazia quicar e chocar-se contra sua pele. Não podia negar que Jimin ficava lindo desse jeito, simplesmente divino se fodendo em mim de bom grado, mas o que realmente conseguia me tirar do sério eram os sons que emitia ao fazê-lo; sons do mais puro prazer, gemidos descarados de quem não conseguia esconder o quão bem se sentia.

Uma pontada de orgulho surgiu em meu peito enquanto o assistia se perder no deleite do sexo, sua pélvis cada vez mais insistente e sedenta conforme sua entrada me engolia com avidez, sabendo que eu era o responsável por seu estado eufórico. Suas bochechas ainda apresentavam uma trilha fresca de lágrimas, mas o modo como reagia a tudo me indicava que as poucas que rolavam não eram de dor. Podia sentir que meu autocontrole não duraria por muito tempo se ele continuasse contraindo suas paredes ao meu redor a cada poucas estocadas, como se me implorasse pra metê-lo com mais força. Gemi arrastado e apertei sua cintura com tanta força que tinha certeza que encontraria marcas vermelhas no formato dos meus dedos no dia seguinte quando o ouvi vocalizar tais desejos com voz manhosa, gemendo ao redor do meu nome e pedindo por mais, mais forte, mais rápido, apenas mais. Seus quadris começaram a falhar ao mesmo tempo que impulsionei os meus pra cima, plantando a sola dos pés no colchão pra buscar equilíbrio e flexionando os joelhos pra facilitar o impulso, estocando dentro de si e dando-lhe o que pedia sem dó nem piedade.

— Y-Yoong-gi—ah—não, espere... hyun—ngh—isso é—ah—isso é demais... espere um p-pouco. Não quero—oh, Deus—não quero g-gozar aind-da. – implorou entre gemidos entrecortados, soltando um grito contra meu pescoço quando a força de minhas investidas o fez tombar sobre o mim e o novo ângulo me deu a localização exata de sua próstata, obrigando-o a manter os quadris imóveis enquanto se agarrava a mim e recebia tudo o que tinha pra lhe dar com músculos tensos e respiração pesada. Com um grunhido acatei seu pedido, diminuindo a velocidade e intensidade das estocadas até que ele fosse reduzido a um gatinho manhoso, miando seu contentamento em meu ouvido enquanto o penetrava com movimentos fluidos e vagarosos, procurando não perder aquele ponto em especial ao remover meu pênis até restar apenas a cabeça dentro de si antes de invadi-lo novamente, as paredes relaxadas e escorregadias de seu ânus tornando o deslizamento muito mais fácil e prazeroso.

Naquele momento, a proximidade e o calor de seu corpo me fez querer abraçá-lo propriamente, senti-lo por completo em minha pele com seus braços ao meu redor enquanto sua entrada abraçava meu membro naquele ritmo torturante, tomar seus lábios num beijo ardente e engolir todos os gemidos que lhe escapassem como se fossem água no deserto. Então assim o fiz, erguendo-me numa posição sentada e cruzando as pernas sob o garoto. Envolvi seu tronco num abraço apertado, escondendo o rosto na curva de seu pescoço e suspirando, apenas apreciando a familiaridade de seu corpo contra o meu e inalando o seu cheiro tão característico. Jimin resmungou um pouco por ter perdido o ponto que o fazia delirar, mas captou minhas intenções num instante quando devolveu o abraço com a mesma intensidade, parecendo ansiar pelo contato tanto quanto eu ao envolver meu pescoço com os braços e minha cintura com as pernas. Não demorou muito para que o garoto voltasse a se mover, impaciente e excitado demais pra parar agora, rebolando em meu colo com movimentos contidos e um pouco dificultados pela nova posição, mas também não hesitei em ajudá-lo na tarefa, com as mãos guiando seu quadril de encontro ao meu, apertando suas nádegas e gemendo baixo contra sua pele.

— Jimin—ah—Jiminie... você é tão lindo, baby. Tão—ngh—tão lindo recebendo tudo que eu te dou como um bom menino. – murmurei em seu ouvido, logo antes de acoplar meus lábios na base do pescoço e chupar o local, criando uma marca gêmea às outras já escurecidas que o adornavam desde nossa atividade anterior e sentindo o gosto salgado de sua pele na língua, deliciando-me com o estado que Jimin ficava ao ouvir aquelas palavras. Por incrível que pareça aquilo o incentivou a cavalgar com mais avidez, deixando-me impressionado com sua energia, flexibilidade e força que sem dúvidas eram fruto de todas as horas que passara praticando dança.

O mais novo jogou a cabeça pra trás e soltou um gemido longo e gutural quando minha glande encontrou sua próstata outra vez, pressionando o local a cada rebolada; minhas costas ardiam pelos arranhões que as unhas do menino deixavam em seu caminho, mas era uma dor gostosa que me fazia chiar de prazer e apertar suas nádegas de modo a criar novas marcas pra combinar com aquelas que deixara em sua cintura. Aproveitei a exposição de seu pescoço e pus-me a abusar o local, lambendo, chupando e mordendo com o instinto animal de querer marcar o que era meu, grunhindo e rosnando enquanto os gemidos de Jimin aumentavam de frequência e tom, clamando por mim repetidamente como numa oração. Sabia que ele estava perto do orgasmo, por isso resolvi provocá-lo um pouco mais, tomando seus lábios num beijo desleixado e os prendendo entre os dentes antes de sussurrar contra eles com um sorriso felino. – Hmm—isso é bom, baby? Gosta quando eu te marco e te fodo com força? Tão perfeito, meu Sunshine. Tenho vontade de te destruir quando geme meu nome assim. Vamos lá, baby, goze pra mim. Goze com meu nome nos seus lábios. Hyung quer ouvi-lo gritar.

— Yoongi—hyung—ah—eu vou... por favor, Yoongi—ah—por f-favor, me toque, me toque. Estou tão perto... – já que encarava todos os seus desejos como ordens, o garoto não precisou implorar nem se humilhar por muito tempo pra que eu acabasse cedendo e esgueirasse uma das mãos até seu sexo, envolvendo os dedos ao redor do falo inchado e quente que ficara preso entre nossos abdomens, sujando nossa pele com o líquido claro e viscoso que vazava da uretra numa quantidade absurda agora que seu ápice estava tão próximo, lambuzando o membro e tornando minha tarefa de masturbá-lo bem mais fácil. Não poupei esforços ao bombeá-lo com punho firme e pulso ágil, engolindo os gemidos agudos que despejava diretamente em minha boca quando nos beijamos, sugando seu lábio sensível e abusado entre os meus com um murmúrio contente ao sentir seus dedos puxando-me os fios da nuca no seu desespero por alívio.

O orgasmo de Jimin me pegou desprevenido apesar de tudo, sobressaltando-me com o forte espasmo que percorrera seu corpo no instante em que o sêmen morno jorrou sobre minha mão ao mesmo tempo que um gemido alto e arrastado abria caminho pela sua garganta. Porém, fui rápido em me recuperar e guiá-lo através do êxtase, masturbando-o até que não restasse mais nada pra ejacular e o apertando contra meu peito, afundando o rosto em seu pescoço enquanto sentia os tremores que percorriam sua espinha e arrepiavam sua pele como se fosse a minha própria. Ao voltar pra realidade Jimin me puxou pela nuca pra um beijo profundo e envolvente, quase desleixado na maneira como sua língua se entrelaçava com a minha sem direção nem rumo, choramingando contra meus lábios quando meu toque em seu membro ultra sensível se tornara demais pra suportar.

Contudo, sequer lhe dei tempo pra respirar ao segurá-lo firme em meus braços e me ajoelhar na cama, jogando-o de costas sobre o colchão antes de segui-lo enquanto ainda nos mantinha conectados, pegando-o de surpresa com o movimento brusco. Jimin já podia ter gozado, mas eu continuava dolorosamente duro dentro de si, e agora que cuidei dele só conseguia pensar na minha própria satisfação. Abrindo um sorriso malicioso ao ver os olhos arregalados e lábios entreabertos e úmidos de saliva do mais novo, enganchei as mãos na parte de trás de seus joelhos e os encaixei com facilidade sobre meus ombros, agradecendo silenciosamente pela flexibilidade do dançarino. Antes que Jimin pudesse sequer compreender o que estava acontecendo, impulsionei a pélvis com força pra frente, deliciando-me com o gemido entrecortado que lhe escapara conforme engasgava com a própria saliva. Repeti o gesto algumas vezes num ritmo martelado antes dos meus movimentos ficarem mais rápidos e curtos, quase frenéticos na minha busca por alívio.

Era bom deixar o predador que habitava meu corpo sair em liberdade pra fazer o que bem entendesse com o garoto que convulsionava e se contorcia sob meu peso, pele sensível demais pra suportar meus toques e o prazer intenso que proporcionavam, as cordas vocais tão abusadas que tudo que saía de sua garganta eram gemidos falhados e roucos que só serviam pra me deixar ainda mais excitado. O som obsceno de pele estapeando pele num ritmo constante e furioso somado com o ruído molhado que o lubrificante fazia toda vez que meu falo penetrava sua entrada até a base e voltava criava uma sinfonia erótica que era como música para meus ouvidos. Eu mantinha minhas mãos na parte inferior de suas coxas, apertando a carne macia enquanto o metia impiedosamente, quase dobrando-o ao meio quando pendi meu corpo pra frente e gemi com a simples visão de meu pênis desaparecendo dentro de si uma, duas, incontáveis vezes com o seu ainda ereto pelo estímulo constante em sua próstata, quicando contra sua barriga com a intensidade das estocadas.

Jimin era a verdadeira visão do pecado, com seu corpo coberto por uma fina camada de suor que fazia sua pele brilhar na luz do quarto, os cabelos úmidos e bagunçados apontando pra todas as direções possíveis, músculos abdominais contraídos que ressaltavam o quão bem definidos eram, pernas que tremiam com o esforço de se manter no lugar e mãos que não sabiam onde segurar e optaram por fincar os dedos no lençol acima de sua cabeça, puxando-o com punhos de ferro; olhos entreabertos e fixos nos meus, marejados de tal forma que não demorariam a derramar uma nova onda de lágrimas diante de tamanho prazer e lábios perfeitamente moldados ao redor de um oh enquanto proferia uma enxurrada de gemidos fracos intercalados com alguns xingamentos e pedidos de misericórdia.

Previ que um segundo orgasmo estava se aproximando quando senti seus músculos anais contraindo com força ao meu redor, o que acabou sendo o estímulo necessário pra me levar ao céu. Não parei de estocar ao ejacular no preservativo com um gemido rouco e bestial que parecia surgir das profundezas do meu peito, quase rosnando ao ponto de mostrar os dentes como um cachorro raivoso. Fechei os olhos com o rosto contorcido numa carranca, penetrando-o com movimentos pélvicos irregulares e erráticos enquanto tentava prolongar ao máximo a sensação de puro êxtase do orgasmo. Uma dessas investidas fora o suficiente pra fazer Jimin gozar pela segunda vez, seu pênis liberando um jato fino do líquido leitoso que de alguma maneira sobrara do primeiro clímax antes de pulsar a seco quando realmente não havia mais nada no saco escrotal pra liberar, seu corpo convulsionando com costas arqueadas e músculos tensos, um gemido mudo escapando de seus lábios abertos enquanto tinha a expressão sublime de quem se perdera no espaço e não sabia mais como voltar – ou simplesmente não queria.

Deitei as pernas do garoto gentilmente sobre o colchão, deixando-as descansar enquanto esperava Jimin acalmar-se e retornar do estado de euforia com a cabeça aninhada em seu peito, sentindo o suor escorrer por minhas costas e têmporas enquanto tentava recobrar a força nas pernas, ao passo que meu membro murchava dentro de si. Tudo que ouvia no silêncio do quarto eram nossas respirações pesadas e as batidas agitadas de seu coração contra meu ouvido, fazendo-me fechar os olhos e sorrir sem motivo algum. Permanecemos naquela mesma posição por alguns momentos, apenas aproveitando o calor e o conforto do corpo um do outro, até que pude sentir o toque suave de seus dedos em meus cabelos, atraindo minha atenção; ergui o olhar pro seu rosto e apoiei o queixo no tórax definido onde antes descansava a cabeça, encontrando olhos afetuosos e lacrimejados com cílios úmidos, bochechas coradas e um sorriso acanhado que puxava o canto dos lábios.

Ver sua expressão pós-clímax, o contentamento em seus olhos e o rubor de sua pele causado pelo calor do sexo era demais pra suportar. Não me contive e tomei sua boca carnuda num beijo longo e suave, deixando que nossas línguas se envolvessem numa dança sensual antes de me afastar e retirar o pênis de sua entrada com cuidado, arrancando um silvo de nós dois pela sensibilidade aguda de nossa pele. Sentei-me sobre os calcanhares a fim de tirar a camisinha e dar um nó na boca da mesma pra que seu conteúdo não vazasse, parando pra observar o anel de músculos do garoto contrair-se ao redor de nada enquanto se acostumava com o vazio que eu deixara em si; Jimin choramingou envergonhado quando percebeu que o olhava descaradamente, trazendo-me de volta à realidade e me forçando a desviar o olhar com um pigarro forçado – a visão do seu corpo nu, vulnerável e completamente exposto para o deleite dos meus olhos era tão erótica que temia o surgimento de uma nova ereção caso o encarasse por muito tempo.

— Er—hm... acho melhor jogar isso fora. – falei desajeitadamente, indicando o preservativo pegajoso na minha mão com um sorriso sem graça. Meu comportamento não fazia o menor sentido, sabia disso; não entendia porque engasgava com minha própria saliva sempre que ousava roubar um vislumbre do menor em toda sua glória desnuda e ofegante. Quem me visse nesse estado nervoso jamais acreditaria que acabara de ter relações sexuais com o mesmo garoto que agora mal conseguia olhar nos olhos. – T-também preciso me limpar. Você vem?

Não me surpreendi quando Jimin balançou a cabeça num aceno negativo em resposta, corando e escondendo os olhos com o antebraço antes de juntar as pernas perto do corpo, dobrando os joelhos pra cima de modo a tampar seu sexo. A timidez que demonstrava poderia ser considerada ridícula e sem fundamento por muitos, principalmente depois do momento íntimo que compartilhamos, mas pra mim aquele gesto adorável só trazia alívio: era bom saber que não era o único embaraçado e perdido nessa situação. – Não quero. Muito cansado.

— Aish, essa criança. Sempre me dando trabalho. – resmunguei brincalhão com um suspiro sôfrego, procurando deixar a atmosfera menos tensa e esquisita ao me levantar com pernas bambas e andar até o banheiro com dificuldade, tentando não tropeçar nas peças de roupa espalhadas pelo caminho.

Chegando ao outro cômodo, a primeira coisa que fiz foi jogar a camisinha usada no lixo e lavar bem as mãos, aproveitando pra jogar água fria no rosto e nuca na esperança de que o choque térmico pudesse aliviar um pouco da quentura da minha pele. Peguei a toalha de mão que tinha pendurado ao lado da pia e a encharquei com água da torneira depois de secar-me com ela, usando-a pra limpar meu membro flácido e os fluidos corporais do mais novo que secavam na minha barriga. Ao voltar pro quarto sentia-me um pouco menos desnorteado, conseguindo desviar da trilha de roupas no chão sem esforço enquanto levava a toalha comigo a fim de cuidar de Jimin antes que o moreno caísse no sono. Encontrei-o exatamente na mesma posição que o deixei, com o rosto oculto na curva interna do cotovelo e uma das pernas dobrada sobre o joelho da outra, o calcanhar que estava apoiado no colchão quicando num tique nervoso que denunciava seu estado de alerta.

Removi o braço que escondia seus olhos com mãos gentis, guiando-o para baixo conforme sentava na cama ao seu lado, achando graça no modo como Jimin ficava ainda mais corado e evitava encontrar meu olhar, mordendo os lábios com uma expressão autoconsciente. Quando não consegui atrair sua atenção, coloquei-me de joelhos no colchão a sua frente, imitando a mesma postura que tinha antes da minha viagem ao banheiro e puxando suas pernas pelo calcanhar de modo a separá-las para que pudesse me posicionar melhor entre elas; tive que reprimir uma risada divertida ao ver Jimin fechar os olhos com força e soltar um ruído embaraçado com lábios selados quando nossas pélvis fizeram contato mais uma vez, ainda que nenhum de nós estivesse disposto pra um segundo round no momento. Apoiei-me sobre os cotovelos pra plantar um beijo em cada uma das suas pálpebras fechadas, sentindo o gosto salgado das lágrimas acumuladas em meus lábios e sorrindo satisfeito quando o vi relaxar numa expressão serena e suspirar contente. Aproveitando-me de sua breve distração, passei a atacá-lo com uma enxurrada de beijos distribuídos por toda e qualquer extensão de pele que podia alcançar, selares ligeiros e estalados que percorriam desde sua testa, nariz e queixo ao pescoço, ombro e até mesmo os pequenos mamilos que adornavam seu peito, enrijecidos pelos arrepios que meus lábios provocavam.

— Yah, pare com isso! – suplicou entre uma crise de risadas joviais e gostosas de ouvir, implorando por misericórdia enquanto se contorcia e agredia minhas costas na tentativa de livrar-se de mim. Nem ao menos cogitei a ideia de dar-lhe ouvidos ao continuar meu percurso pelo abdômen definido do garoto, banhando-o com beijos e toques suaves até encontrar um rastro da ejaculação anterior que fez-me pausar com uma ideia maliciosa na cabeça.

Não podia negar que sempre tive uma curiosidade quase felina em relação ao corpo do outro, mas dessa vez fora impossível contê-la quando me inclinei pra limpar o filete de fluido leitoso com a língua, chupando e lambendo a pele a ponto de marcá-la, sentindo o gosto salgado do suor e sêmen misturados nas papilas gustativas com um pequeno ruído apreciativo enquanto o comparava com o pré-gozo que provara horas atrás – assim como antes, seu sabor característico era algo com que me acostumaria com o tempo, mas peguei-me tomando um gosto maior pela coisa do que esperava.

Divertia-me ao ouvir o arfar fraco e excitado do garoto com meus atos sensuais, encontrando-o apoiado sobre os cotovelos acompanhando cada mínimo movimento meu com olhos escuros e fixos quando ergui o olhar pra lançar-lhe o sorriso travesso que abri contra sua pele, tomando grande satisfação com o rubor que aquele gesto simples me recompensara. Julgando que já havia torturado o pobre garoto suficientemente por uma noite, sentei-me sobre os calcanhares e pus-me a limpar o restante do seu orgasmo com a toalha úmida, alisando seu abdome e envolvendo seu membro adormecido e sensível com mãos gentis, tomando um cuidado especial com a entrada vermelha e abusada que arrecadou-me um silvo longo seguido de um choramingo manhoso assim que a toquei. Fiz uma nota mental pra verificar se o menino continuaria dolorido no dia seguinte quando decidi que o mimara e cuidara na melhor das minhas capacidades, descartando a toalha no chão de qualquer jeito e movendo-me pra pegar os travesseiros e os ajeitar no pé da cama, colocando um deles sob a cabeça de Jimin antes de descansar a minha própria sobre o segundo e acomodar-me confortavelmente ao seu lado depois de apagar a luz do quarto. A noite não estava tão fria a ponto de precisarmos nos cobrir, porém mesmo se estivesse duvidava que precisaríamos de qualquer jeito – nossos corpos ainda estavam bastante quentes de todo o esforço físico que fizemos, o suficiente pra nos manter aquecidos apenas com os braços um do outro.

— Não acredito que acabamos de fazer sexo. – comentou com uma risada fraca e um tom contemplativo e quase sonhador, parecendo ler meus pensamentos ao aninhar-se contra a lateral do meu corpo e esconder o rosto na curva onde o pescoço encontrava o ombro, suspirando contente contra minha pele quando esgueirei o braço por baixo do seu tronco e envolvi sua cintura num abraço aconchegante.

— Também não. Parece que vou acordar de um sonho a qualquer momento. – concordei, revivendo a noite que acabamos de ter em minha mente. Era inegável o fato de que deitar-me com Jimin não era o mesmo que minhas experiências passadas, quando só deitava-me com mulheres, mas o sentimento que tinha pelo garoto era tão forte que nem sequer hesitei quando chegou a hora. Além de tudo tive uma agradável surpresa ao constatar que aquele possivelmente havia sido o melhor sexo da minha vida, ainda que não tivesse o direito de ficar surpreso com tal coisa; era mais do que óbvio que compartilhar um momento íntimo com alguém que amava era infinitamente mais satisfatório e prazeroso do que uma transa rápida e sem compromissos com pessoas que mal sabia o nome. Gostaria de poder afirmar com convicção que obtivera sucesso em lhe dar uma primeira experiência sexual digna de boas memórias, mas não sabia dizer se Jimin terminara a noite tão satisfeito quanto eu, e isso me preocupava mais do que gostaria de admitir. – Só espero que não tenha te decepcionado. – apesar do tom descontraído, havia uma pontada de insegurança na brincadeira; ri fraco e nervoso enquanto esperava sua resposta, temendo o que poderia ouvir ao mesmo tempo. Entretanto não esperava uma reação tão exaltada de sua parte, sobressaltando-me com a rapidez com que Jimin ergueu-se no cotovelo me fitar com olhos arregalados e perplexos, encarando-me como se tivesse declarado meu ódio por filhotinhos ou coisa parecida.

— Está falando sério? – exclamou indignado, o cenho levemente franzido evidenciando a pequena ruga que surgia entre suas sobrancelhas sempre que se incomodava com algo. – Você, me decepcionar? Como poderia? Eu acabei de—de gozar—duas vezes seguidas. Duas! Isso nunca me aconteceu antes. – a vergonha sentida pela confissão que sussurrara com olhos grandes era bastante óbvia, se não pelo tom rosado que sua face adquiriu apenas por mencionar a palavra gozar, então pelo modo como baixara os olhos e mordera os lábios de maneira apreensiva assim que se obrigara a calar a boca. Sua postura acanhada e vulnerável só me fazia querer beijá-lo até não restar mais oxigênio em seus pulmões, mas me contive com um breve selinho roubado.

— Bom, já que colocou dessa forma... me sinto aliviado. – já podia sentir minhas orelhas queimando ao desviar o olhar pra não ter que ver a expressão risonha que o mais novo tinha estampada na face, tocando os lábios com bochechas coradas e os olhos em fenda. – Fico feliz por, hm, por te dar prazer. Fiquei com medo de não ser o suficiente pra você—não—q-quer dizer... aish, não foi isso que quis dizer. Nem sei mais o que estou dizendo. Por favor, me ignore. – gaguejei de forma estúpida, atrapalhando-me todo ao escolher as palavras erradas por não saber o que dizer. Não negaria que aquela confissão tirou um peso das minhas costas e inflou meu ego quase ao ponto de explodir, mas não encontrava forças em mim pra contar vantagem e provocá-lo quando estava tão exposto diante de si, não só física como emocionalmente também, tirando proveito da intimidade que compartilhávamos nus e satisfeitos nos braços um do outro, com os troncos colados e pernas entrelaçadas.

— Hyung, você é tão bobo. – brincou em meio as risadinhas que soltara em meu pescoço ao esconder-se ali novamente, envolvendo meu abdome com o braço e passando uma das pernas por minha cintura, deitando parcialmente sobre meu corpo e aprisionando-me entre seus membros como um coala. Ignorei o comentário com um simples estalar da língua contra os dentes, repreendendo-o por desrespeitar os mais velhos, mas de qualquer forma devolvi o carinho alisando suas costas com a mão que passara por baixo de si, consciente de que era fraco demais perante seus charmes pra conseguir negá-lo qualquer coisa; logo peguei-me deslizando a ponta dos dedos por suas costas musculosas num afago suave, mapeando cada centímetro de pele enquanto sentia o garoto abrir um sorriso contra a minha própria.

— Por que diz isso? – questionei, genuinamente curioso.

– Sabe, enquanto imaginava como seria nossa primeira vez juntos, nunca pensei que pudesse ser tão romântico e carinhoso assim. Quer dizer, não que não seja romântico nunca, mas é que quando paro pra pensar em alguns meses atrás nossa relação era tão diferente que jamais acreditaria que fôssemos chegar a esse estágio. – riu, deixando-me intrigado com o rumo da conversa. Não iria desmentir sua afirmação, nem poderia, afinal de contas sempre tive meus problemas com relacionamentos, mas por alguma razão estar num relacionamento com Jimin não me parecia ser tão ruim. – Mas então as coisas foram progredindo, nos conhecemos melhor e acabei descobrindo essas novas faces suas que não sabia que existia. Sabia que hoje descobri mais uma? Essa noite percebi que talvez você seja a única pessoa capaz de me proporcionar um prazer tão intenso ao mesmo tempo que me faz sentir seguro e confiante de mim mesmo, o que me faz pensar que ainda tenho muito a descobrir sobre você. Às vezes sinto como se não te conhecesse por completo, ainda que você me conheça melhor do que ninguém. Isso não é sua culpa, por favor não pense o contrário, mas quando me pego pensando nisso... não posso evitar de ficar um pouco triste. – não preocupei-me em dizer alguma coisa enquanto ouvia atentamente o monólogo que Jimin despejava no silêncio do quarto com a cabeça apoiada em meu peito e o ouvido sobre meu coração, sabendo que ele poderia escutar a irregularidade nas batidas. Senti como se um punho de ferro o esmagasse dentro do peito ao perceber o tom melancólico que sua voz adquirira, mesmo com as palavras prejudicadas pela bochecha que esmaguei em meu tórax quando o apertei ainda mais contra mim, afagando seus cabelos com a mão livre e sentindo-o devolver o abraço na mesma medida. – Eu quero ser a pessoa que te conhece melhor do que ninguém, hyung. Quero estar ao seu lado e te apoiar sempre que precisar de mim. Quero que conte comigo pra qualquer coisa. Quero... quero te beijar o tempo todo... te dar prazer... quero te fazer tão feliz quanto você me faz. – admitiu com voz miúda e manhosa, quase ininteligível pelo modo com que a abafava ao esconder o rosto em meu peito, agarrando-se a mim com tanta força que poderia até acreditar que o garoto tirava coragem nos toques de meus dedos e no calor de meus braços. Depois de uma longa pausa embaraçosa Jimin ousou erguer o olhar na minha direção, deixando-me aliviado ao ver que sua face estava enrubescida mas seus olhos permaneciam secos. – Acha que estou pedindo muito?

— Não sei se é pedir muito, talvez seja. – concordei com um encolher de ombros, agindo rápido ao beijar sua testa pra eliminar a expressão abatida que tomara conta do seu rosto com minhas palavras porcamente escolhidas e tentar evitar um grande mal-entendido. – Não vou mentir pra você: eu nunca fui bom em manter um relacionamento com alguém, por isso os evitava ao máximo. Mas agora não importa mais. Sei que quero ficar com você pelo tempo que me aceitar, e isso basta pra mim. Eu temia nos colocar rótulos e estragar o vínculo especial que temos, mas não quero que sinta como se não me conhecesse o bastante ou não soubesse em que página estamos, nem que se sinta triste ou deixado de lado por não conseguir me expressar como gostaria. Por favor, não pense que você não significa o mundo pra mim. Sunshine, você... você foi a melhor coisa que já me aconteceu. Não sei nem botar em palavras o quão sortudo sou por ter te conhecido, honestamente. Eu jamais me perdoaria se te causasse sofrimento sem saber por algo que poderia resolver facilmente. Então, por favor, sinta-se livre pra me perguntar o que quiser, a hora que quiser. Se você precisa disso pra se assegurar de que o que temos é real, prometo que farei o meu melhor.

Jimin ficara mudo por alguns longos segundos, encarando-me com olhos estupefatos como se não pudesse acreditar no que acabara de ouvir. Sua reação me deixara um pouco desconfortável e autoconsciente, obrigando-me a desviar o olhar por não conseguir sustentá-lo sem entrar em combustão; falar sobre meus sentimentos ainda era uma tarefa árdua, mas se ouvir sobre eles fazia o mais novo se sentir melhor, então seria capaz de revelar meus mais profundos segredos. – Hm... posso perguntar qualquer coisa que eu quiser? – indagou, piscando aqueles olhos grandes e puros com uma voz de falsa inocência, sorrindo daquele jeito radiante quando voltei meus olhos pra si e assenti, um brilho travesso no olhar que me deixava apreensivo e até um pouco arrependido por ter dito aquilo tudo, mas só um pouco. – Qual sua cor favorita?

Após alguns segundos de choque, ri alto por esperar qualquer coisa, qualquer tipo de pergunta menos algo tão simples quanto aquilo; achava que Jimin talvez pudesse questionar-me sobre algo sério e pessoal como minha família ou minha vida antes de conhecê-lo, esperava até que me pressionasse por uma confissão formal de amor, mas me surpreendi mais uma vez com sua pureza e doçura. Sorri cheio de afeto no olhar pra si antes de guiar sua cabeça de volta pro meu peito gentilmente e retomar o carinho que fazia em suas costas, sabendo que aquilo o relaxava de uma forma que nada mais conseguia. – Cinza.

— Cinza? Que cor estranha. – repetiu pra ter certeza de que ouvira certo. A posição em que estávamos não me permitia ver seu rosto, mas tinha certeza que se pudesse vê-lo encontraria seu nariz franzido numa careta de puro julgamento.

— Não há nada de errado com o cinza. – defendi, cutucando sua costela num ritmo rápido e impiedoso, ouvindo-o guinchar e se contorcer pra livrar-se das cócegas entre risadas borbulhantes e mal contidas, tão contagiantes que me peguei rindo junto. Apenas quando Jimin suplicou por misericórdia com lágrimas de riso nos olhos foi que tomei piedade de si e parei de importuná-lo. – Qual é a sua, então? Já que cinza aparentemente não é uma cor digna de Park Jimin.

— Azul. Mas isso não vem ao caso agora, estamos falando de você. – respondeu orgulhoso, devolvendo um cutucão dolorido na minha barriga enquanto erguia-se sobre o cotovelo e sorria satisfeito com o ruído irritado que deixei escapar. – Cachorro ou gato?

— Gato. – respondi sem hesitar, alisando o ponto acima do umbigo que havia sido atacado pra aliviar a dor e ouvindo sua decepção enquanto anunciava que preferia cachorros. Acabamos perdendo a noção do tempo nesse bate-e-volta de perguntas e respostas: me surpreendi ao concluir que divertia-me respondendo todo tipo de pergunta idiota e trivial que Jimin conseguia pensar, desde minha data de aniversário até se eu conseguia tomar banho frio no inverno. Durante toda a brincadeira eu acariciava sua pele distraidamente, tão habituado ao carinho que sabia exatamente como fazê-lo da maneira que o garoto mais gostava, meus dedos desenhando padrões em suas costas, ombros e braços no automático a essa altura.

Ao mesmo tempo que o afagava simplesmente porque não conseguia tirar minhas mãos dele, sabia que Jimin não duraria muito tempo acordado se continuasse nesse ritmo. Se o garoto não apagasse pelos toques suaves que o relaxavam tanto, com certeza apagaria pela fatiga que uma longa noite de prazer trazia consigo, ainda mais agora que o sol estava prestes a apontar no horizonte, clareando o céu noturno com seus raios brilhantes. Fiquei observando o astro ascender na abóbada celeste pela janela enquanto respondia o que poderia ser a trigésima quarta pergunta e esperava pela trigésima quinta por alguns segundos a mais do que o necessário, o silêncio atraindo minha atenção imediata e fazendo-me voltar os olhos pra si; dito e feito: antes mesmo que pudesse formular a próxima questão seus olhos ficaram pesados demais pra mantê-los abertos sozinho, sua cabeça pendendo levemente pra frente antes do menor piscar assustado e soltar um longo bocejo cansado. Eu precisava admitir que admirava a força de vontade do mais novo, sorrindo com a visão adorável de um Jimin extremamente sonolento que lutava pra permanecer acordado e saber mais sobre alguém tão desinteressante quanto eu.

— Qual... qual poder gostaria de ter? – perguntou com um bocejo, piscando os olhos castanhos de forma tão vagarosa que por um instante pensei que não fosse abri-los novamente. Jimin ainda mantinha teimosamente o cotovelo apoiado no espaço do colchão entre o meu tronco e braço e o queixo na palma aberta, por mais que eu insistisse pra que voltasse a deitar em meu peito. Se deitar vou dormir, e não quero dormir, era o que repetia todas as vezes que tentava convencê-lo.

— Não sei... invencibilidade. – respondi qualquer coisa apenas pra apaziguar sua curiosidade, ignorando os protestos fracos de que invencibilidade não era um poder válido e que estava trapaceando o jogo, mais concentrado em admirar o modo como inflava as bochechas e franzia o cenho numa careta meio irritada e meio sonolenta com os olhos em fenda de tão pesados que estavam; não pude deixar de abrir um sorriso largo diante de tal imagem, tão perfeita que gostaria de poder capturar o momento e emoldurá-lo para o meu deleite e ganho próprio. – Por que não dorme um pouco, hm? Dá pra ver que está morto de sono.

— Mas eu ainda tenho tantas coisas a perguntar. – protestou choramingado, com o rosto contorcido numa careta sofrida e um beicinho puxando seus lábios pra baixo. – Preciso saber qual é sua banda favorita, o que mais gosta de comer, quais são seus sonhos, as coisas que mais ama... – Jimin listava as perguntas contando-as nos dedos com voz arrastada e fala embolada pela exaustão, parecendo que resistiria ao sono por um instante. Porém, antes que percebesse o que estava fazendo o menor já deitava a cabeça em meu ombro com outro longo bocejo, aninhando-se contra a lateral do meu corpo e aumentando seu aperto de coala, adormecendo antes mesmo de completar a frase.

Fiquei observando sua face serena por algum tempo, deslumbrado pela aparência angelical que tinha ao dormir, com a franja castanha que lhe caía sobre os olhos fechados e os lábios entreabertos, carnudos e macios, que soltavam seu hálito quente sobre minha pele em pequenos suspiros. Continuei com os dedos perdidos em seus fios, afagando seus cabelos até ter certeza de que o garoto estava realmente imerso no mundo dos sonhos e que não me escutaria caso ousasse responder mais uma de suas perguntas, talvez a mais importante e difícil de todas.

— Você, Park Jimin. – sussurrei, confessando meus sentimentos no silêncio do quarto escuro com nada além da aurora do dia como testemunha para o descompasso do meu coração. – Eu amo você.