Hold me Tight

50 Talvez tenha entendido tudo errado


Notas iniciais
Mais cenas fortes a seguir~

— Jimin POV -

Ao acordar, ainda de olhos fechados, a primeira coisa que meus sentidos ainda meio grogues de sono captaram foi essa sensação calorosa e protetora que me rodeava e envolvia como um cobertor, um calor aconchegante que aquecia minhas costas e acariciava minha face. Entretanto, o calor gostoso que beijava minhas bochechas logo se tornou agressivo, impiedoso e um tanto quente demais pro meu gosto; mesmo de olhos fechados eu podia ver o calor queimando através das pálpebras. Quando os abri fui imediatamente cegado pela claridade que atacava minha retina, mas antes de fechá-los novamente com um resmungo e uma careta de desconforto, pude reparar nas cortinas abertas da janela, deixando que os raios solares invadissem o quarto e pousassem diretamente sobre meu rosto, sendo a causa da alta temperatura que me acordara pra começo de conversa. Eu não sabia ao certo que horas eram, se havia dormido até o auge da manhã ou se já passara da hora do almoço – minhas fichas estavam na última hipótese, entretanto –, mas sabia que ainda não estava pronto pra encarar um novo dia. Estava cansado demais, e definitivamente as poucas horas de sono que tive não foram o suficiente pra recarregar minhas energias – a mera ideia de passar o dia na cama era tão apelativa que quase me fazia chorar. Além disso estava tendo um sonho maravilhoso antes de ser brutalmente arrancado dele, e com toda certeza não poderia retomá-lo de onde parei nem se tentasse, o que pra mim era uma ofensa. O sonho havia sido simplesmente adorável: envolvia Yoongi, eu mesmo, uma banheira, uma quantidade absurda de bolhas de sabão e—

Espere um pouco.

Yoongi.

Um pouco mais alerta e consciente do que antes, semicerrei os olhos a fim de evitar que adagas imaginárias perfurassem minhas orbes enquanto vasculhava meus arredores atrás de sinais do mais velho. Foi necessário apenas um breve passar de olhos pra constatar que sim, aquele era definitivamente seu quarto e tanto o braço que envolvia minha cintura quanto a palma apoiada possessivamente sobre meu abdômen lhe pertenciam. Só então me dei conta de que a sensação de calor e conforto que me rodeava – aquele calor que me fazia sentir seguro e todo morno por dentro, não o outro que me acordou rudemente – emanava do seu corpo como radiação. O fato de ter seu peito pressionado contra minhas costas de modo a poder sentir cada movimento que sua caixa toráxica fazia ao inspirar e cada sopro de hálito quente na minha pele ao expirar trazia um sorriso aos meus lábios, e eu não sabia muito bem explicar o porquê. Sentindo-me extaticamente feliz sem motivo aparente, não consegui conter a vontade de espiar por cima do ombro pra confirmar o que já sabia e, com certeza, lá estava a forma adormecida de Yoongi, agarrando-se a mim como uma criança carente se agarra ao seu urso de pelúcia. Pelo ângulo em que estava não conseguia ver seu rosto, visto que o mais velho dormia com a testa apoiada em minha nuca, escondendo-o, mas o ninho de fios loiros que encontrei era inconfundível.

De alguma maneira nós havíamos trocado de posição enquanto dormíamos, porque me lembrava perfeitamente bem de pegar no sono aninhado contra a lateral do corpo do outro e com a cabeça apoiada em seu peito magro, embalado pelas batidas de seu coração. Agora que parara pra recordar, também pensei ter ouvido sua voz baixa e rouca reverberando diretamente em meu canal auditivo, vinda de algum lugar nas profundezas de seu tórax, vibrando contra a orelha que estava em contato direto com sua pele; porém naquele momento eu já estava a meio caminho da terra dos sonhos, oscilando entre o consciente e inconsciente, sonolento demais pra distinguir as palavras ditas. Provavelmente não passava de um desejo de boa noite, pensei.

Por mais satisfatório que fosse dormir de conchinha com Yoongi, o ataque impiedoso que o sol fazia em meus olhos me motivou a rodar o corpo pro outro lado, dando as costas pra janela enquanto me arrependia da nossa escolha preguiçosa e mal planejada de dormir do jeito que caímos na cama, voltados pra porta ao invés da cabeceira da cama; pela angulação dos raios e posição da janela, onde decidimos deitar nossas cabeças era a única parte da cama que pegava sol – se olhasse pra baixo poderia ver que meus pés estavam imersos em sombra. Se não fosse nosso descuido e preguiça de nos preparar pra dormir propriamente seria meu rosto ali protegido dos ataques impiedosos do corpo celestre e eu nem estaria acordado agora. Ainda assim, mesmo com a leve irritação que sentia, fiz questão de ser vagaroso e tomar cuidado ao me virar nos braços do mais velho pra não acordá-lo com movimentos bruscos. Entretanto a menor das perturbações no colchão causada pelo gesto foi o suficiente pra fazer o loiro grunhir no sono: sua feição adormecida agora também apresentava uma careta, traços delicados contorcidos com cenho franzido, sobrancelhas unidas que criavam rugas profundas na testa e lábios finos puxados pra baixo que demonstravam exatamente o tamanho do seu descontentamento.

Uma risadinha baixa e afetuosa me escapou enquanto apreciava tal visão, deslumbrado com este ser tão adorável que exibia carrancas até mesmo quando dormia. Já não tinha mais o controle sobre minhas ações quando deixei que meus dedos deslizassem delicadamente sobre a curva suave de seu nariz e tentassem amenizar as rugas em sua testa, mas o gesto só me arrecadou outro ruído irritado proveniente do fundo da garganta do loiro enquanto afundava o rosto em meu peito e suspirava pesadamente contra minha pele, fazendo-me cócegas. O sopro constante e quente de sua respiração arrepiava-me todos os pelos do corpo e enviava faíscas de eletricidade pela minha espinha, fazendo-me corar sem motivo algum ao envolver o braço ao redor do seu corpo nu de forma hesitante. Foi só quando o puxei pra mais perto e deixei que nossas pernas se encontrassem de tal forma que ninguém saberia dizer quais eram minhas e quais eram dele que a realização do que havia acontecido na noite anterior me atingiu como ondas num rochedo.

Não era como se tivesse esquecido o que aconteceu, nada disso. Antes mesmo de abrir os olhos, de forma inconsciente, eu sabia que sentia algo novo, algo diferente, algo que não podia ser visto mas ao mesmo tempo não podia ser ignorado. Estava no ar que respirava, na minha carne e no sangue que corria em minhas veias, assim como no pulsar ritmado do meu coração. Eu havia compartilhado o momento mais íntimo que poderia pensar com Yoongi, e nunca antes na minha vida inteira tinha me sentido tão... desejado. Mais do que isso, durante todo o ato o mais velho me tratara como se eu fosse a única pessoa no mundo que ele via, a única coisa que importava naquele instante. Não acreditava que nossa já intensa ligação poderia ficar ainda mais forte, mas a união de nossos corpos me provou o contrário. Sentia como se o mundo pudesse entrar em colapso ao nosso redor e mesmo assim Yoongi jamais deixaria de me segurar. Mais do que desejado, Yoongi me fazia sentir querido, cuidado e, se ousava dizer, amado.

Também não podia dizer que me arrependia do que havia acontecido – não era verdade, mas nem se fosse. O único motivo de arrependimento era talvez não ter me entregado antes. Se eu soubesse que Yoongi poderia me fazer sentir dessa forma, aquele medo irracional que apertava meu peito e nublava minha mente jamais existiria. Eu me sentia seguro em seus braços; sentia como se pudesse confiar meu corpo e alma em suas mãos e, baseado no que havia experimentado, estava certo. O loiro tinha um certo dom pra coisa – Yoongi parecia saber exatamente o que fazer e como me tocar pra arrancar os mais profundos suspiros e os sons mais profanos de mim, sons que nem mesmo eu sabia que era capaz de emitir, quase como se meu corpo fosse as teclas do piano que seus dedos ágeis pressionavam com precisão e minhas cordas vocais fossem responsáveis por lhe dar o som correspondente a cada toque.

Mas além de gostar de sentir prazer, e amar o prazer que ele me dava, eu também gostava de pensar que o fiz se sentir bem. Seu rosto belo e angelical contorcido numa face de pura concentração enquanto mordia o lábio abusado por meus beijos pra abafar os gemidos que teimavam em lhe escapar conforme me invadia com suor escorrendo nas têmporas era uma visão que eu não me importaria de reviver em sonhos pelo resto da vida. Estaria mentindo se dissesse que não gostaria de repetir a noite anterior; não apenas pelo prazer, mas pra poder sentir todas aquelas emoções que o acompanhavam – carinho, afeto, paixão, amor. Sexo não era apenas sobre o desejo carnal, e fazer sexo com Yoongi certamente se mostrou uma experiência no mínimo etérea.

Eu poderia passar horas apenas relembrando os eventos da noite anterior, cada beijo trocado, cada toque, cada sentimento que explodiu em meu peito a partir deles e o modo como Yoongi me fazia sentir completo, tudo isso enquanto acariciava sua nuca e os fios finos que nasciam ali de forma distraída, silenciosamente aproveitando a sensação de tê-lo em meus braços numa preguiçosa manhã de verão com o topo da cabeça do loiro aninhada sob meu queixo e leves sopros de sua respiração atingindo meu peito. Na verdade, este me parecia um ótimo plano; estava até mesmo tentado a voltar a dormir dessa forma se não tivesse sido interrompido por um ronco alto do estômago, o que trouxe um rubor desnecessário à minha face, visto que, além de mim, não havia ninguém acordado pra ouvi-lo.

Foi assim que me encontrei a caminho da cozinha, cuidadosamente me desvencilhando das videiras que eram os braços e pernas de Yoongi – me arrependendo amargamente assim que perdi o contato com sua pele e o calor que emanava dela – parando apenas pra vestir uma camisa e a roupa de baixo que estavam descartadas no chão do quarto, ignorando a bermuda porque seria simplesmente muito trabalhoso colocá-la agora e o esforço não valia a pena. Segui para o outro cômodo com pernas trêmulas e talvez um pouco mancas, sibilando entredentes a cada passo dado com uma careta de desconforto permanente no rosto; mesmo se as imagens obscenas da nossa intimidade não invadissem minha mente a cada poucos segundos sem receber convite, com certeza a dor surda que sentia entre as pernas serviria de lembrete para o fato de que minha virgindade acabara de ser perdida. Talvez eu tivesse encontrado o único ponto negativo para o que fizemos, mas não me importava – pensar em todo o resto tornava a dor um pouco menos insuportável.

Nesse ponto do relacionamento já não me surpreendia mais o fato da cozinha de Yoongi estar praticamente vazia, apenas alguns itens que eu poderia usar pra nos alimentar na sua despensa e geladeira, sobreviventes da última vez que fui comprar suprimentos pra si. Me contive a preparar café, este que havia em abundância assim como garrafas de soju – ainda nenhuma surpresa aqui –, enquanto pensava em algum prato que poderia criar com os poucos ingredientes que tinha a disposição. Estava no meio do processo de adoçá-lo, provando o líquido escuro e fumegante em pequenos goles cuidadosos apenas pra constatar que o café definitivamente poderia usar um pouco mais de açúcar com uma careta, quando senti um par de braços longos e finos rodeando minha cintura por trás.

— O que está fazendo acordado? Ainda é cedo. – ouvi a voz rouca de sono do loiro resmungar no meu ouvido, traços do dialeto de Daegu carregando as palavras de modo a parecerem ainda mais arrastadas que o normal. Uma breve espiada por cima do ombro me agraciou com a visão de um Yoongi seminu com o rosto inchado, cabelos rebeldes apontando pra todas as direções e olhos fechados como se tivessem sido colados juntos. Não consegui conter uma risadinha enquanto desviava o olhar pro relógio barato que havia na parede da cozinha, procurando os ponteiros que me informavam a hora.

— Não é cedo, já passou do meio-dia. – disse, eu mesmo levemente espantado com a informação. Não era pra menos que estava morrendo de fome.

— Isso ainda é cedo pra quem foi dormir quando o sol nasceu. – insistiu, seu tom levemente contrariado. Yoongi então tirou uma das mãos que tinha na minha cintura pra esfregar os olhos como uma criança, franzindo o cenho com um bico projetado nos lábios. Adorável, realmente. – Não consigo nem abrir os olhos.

— Aqui. Isso deve te ajudar. – ofereci uma das canecas fumegantes e propriamente adoçadas de café para o loiro, que largou completamente da minha cintura pra aceitá-la. Com minha própria caneca em mãos, virei-me para si com a parte inferior das costas apoiada no balcão atrás de mim, levando a porcelana aos lábios enquanto o assistia fazer o mesmo. Yoongi mal tomou um gole antes de abaixar a caneca rindo baixo pra si mesmo. – O que foi? Por que está rindo? – perguntei, genuinamente confuso.

— O café está muito doce. De alguma forma eu já sabia que você seria o tipo de pessoa a adoçar demais as coisas. – provocou com um brilho travesso no olhar e a sombra de um sorriso que puxava seus lábios e criava rugas no canto dos olhos. Mesmo que ele não soasse ou parecesse irritado nem nada, a realização de que não havia feito o café de acordo com seu gosto me trouxe um sentimento forte e irracional de aflição, pesando o fundo do meu estômago e contorcendo meu rosto numa expressão preocupada e apologética.

— Oh, me desculpe! Está muito ruim? Eu tinha achado o café amargo pro meu paladar então coloquei um pouco mais de açúcar... e-eu posso fazer de novo se quiser! – comecei, um tanto desesperadamente devo dizer, nem ao menos esperando uma resposta antes de girar o corpo pra apoiar minha caneca no balcão e me mover pra tirar a outra de suas mãos, a fim de dar-lhe uma nova. Porém antes que pudesse fechar meus dedos ao redor da porcelana Yoongi erguera o braço que a segurava no ar, tirando-a do meu alcance.

— Eu nunca disse que estava ruim. Na verdade, o café está bastante... Jimin. Então está perfeito, sério. – assegurou-me sem conter o sorriso dessa vez, este que esticava seus lábios de tal forma que podia ver suas gengivas. O elogio mascarado de cantada, embora nada original e digna de pena, ainda foi capaz de me fazer corar como uma colegial apaixonada. Maldito seja Min Yoongi e sua habilidade de ler a mim como a um livro aberto.

— Aish, você é tão brega, hyung. Não acredito que acabou de falar isso. – resmunguei, tentando parecer embaraçado por um motivo totalmente diferente enquanto pegava minha caneca de volta pra ter uma desculpa pra desviar o olhar. Logo em seguida tentei esconder o rubor que coloria minhas bochechas atrás da mesma conforme fingia que a intensidade de seu sorriso e olhar sobre mim não me afetava em nada. Chegava a ser inacreditável o tamanho do efeito que tudo que Yoongi fazia tinha sobre mim. Simplesmente não era justo.

— Esse é o efeito que Park Jimin tem nas pessoas. – riu, tomando outro gole do seu próprio café antes de sua expressão mudar e avisar-me num tom estranhamente sério. – Mas não vá se acostumar, porque você nunca mais vai ouvir essas palavras saindo da minha boca.

— Graças a Deus. – agradeci num tom brincalhão, rindo quando o mais velho soltou um “Yah!” indignado e empurrou meu ombro de brincadeira, quase me fazendo virar a caneca e entornar café na camisa. Depois de uma breve troca de empurrões e tapas leves acompanhados por um bate-boca que soava mais ou menos como “isso é o melhor que pode fazer, hyung?” e “yah, seu moleque, quer morrer?”, nós finalmente chegamos num acordo mútuo de trégua selado com um beijo enquanto tentávamos conter uma crise de risos e terminar o café.

Assim que comecei a lavar a louça Yoongi se pôs novamente atrás de mim, enlaçando minha cintura com os braços. A essa altura o contato já se tornara familiar, aconchegante até. Ter seu corpo quente tão próximo do meu tinha um efeito calmante sem igual, mas não podia negar que meu coração começara a bater mais forte quando senti uma das suas mãos deslizando por baixo da camiseta, acariciando a pele macia logo abaixo do umbigo com dedos leves. Yoongi parecia ser fisicamente incapaz de manter suas mãos longe de mim, e toda aquela situação me trazia uma enorme sensação de déjà vu, mas qualquer pensamento foi jogado pela janela quando seus lábios pousaram sobre minha nuca, enchendo minha mente com estática. Tentei fazer o que podia pra ignorar o rubor que teimava em colorir minha face conforme o loiro distribuía pequenos beijos leves e úmidos pela extensão de minha nuca, pescoço e ombros, ou qualquer pedaço de pele que seus lábios podiam encontrar, torcendo para que ele não notasse os arrepios e tremores que seus toques causavam em mim. – Hyung—hm... E-estava pensando em... em fazer alguma coisa pra gente comer. Algum—algum p-pedido? – gaguejei, lutando pra conter os suspiros e qualquer outro ruído que pudesse denunciar o quanto gostava de ter seus lábios em minha pele. Tal tarefa foi extremamente difícil; quase soltei um gemido quando sua língua pincelou uma das muitas marcas que fizera na noite anterior, o local ainda roxo e sensível, mas acho que minha excitação passou suficientemente despercebida.

— Sim, um banho. Você vem? – devo confessar que a resposta me pegou de surpresa, porque não era exatamente isso que tinha em mente quando fiz tal pergunta. Ainda levemente confuso, olhei por cima do ombro pra ver que Yoongi abdicara de plantar beijos em minha pele pra me encarar com uma expressão indecifrável. Franzi o cenho, ainda sem entender: o loiro parecia tão casual, tão impassivo que nem captei suas reais intenções ao abrir a boca pra protestar e reclamar sobre como meu estômago precisava de comida nesse exato instante, antes que inundasse todo meu interior com suco gástrico. Entretanto, Yoongi pressentira meus protestos e fora mais rápido ao continuar. – Ora, vamos. Tenho certeza que não vai querer cozinhar com o corpo todo grudento de suor e... outros fluidos. Isso seria nojento. – disse com a voz baixa e sedutora enquanto me analisava de cima a baixo com um olhar predatório apesar das palavras de julgamento. Toda aquela atenção somada com a realização tardia do que exatamente ele queria dizer com “fluidos” e as lembranças que tal realização trazia foi o suficiente pra me transformar numa bagunça muda e corada. Quando percebeu que continuaria calado como um idiota, envergonhado demais pra formar palavras, Yoongi suspirou. – Por favor? Eu te ajudo a preparar algo depois.

Sua última frase foi a única coisa que conseguiu me despertar do estado de estupor, fazendo-me apertar os olhos desconfiado enquanto girava o corpo de modo a lhe encarar depois de colocar as canecas pra secar no escorredor de pratos e secar as mãos num pano. – Pensei que não soubesse cozinhar. – rebati, ignorando totalmente a resposta acompanhada por um rolar de olhos – “eu sei como usar uma faca, pelo menos”— quando finalmente me dei conta do verdadeiro peso de suas palavras, com olhos arregalados e o coração palpitando dentro do peito. – Espere um pouco. Você quer tomar banho... junto... c-comigo? – gaguejei, mortificado pela mera ideia mas ao mesmo tempo com medo de ter entendido tudo errado.

— Por que não? – Yoongi ergueu uma sobrancelha ao notar minha reação. – Não é como se não tivéssemos visto tudo o que tinha pra ver. Além do mais, dessa forma economizamos água. – o sorriso que o mais velho exibia não podia ser descrito de nenhuma outra forma além de malignamente travesso. Como se soubesse exatamente o que suas palavras implicavam e que sua sugestão não me passara despercebida. A cara de pau de certas pessoas... é impressionante, pensei, ainda boquiaberto. Até parece que Min Yoongi se importava com a falta de água no mundo; o verdadeiro motivo por trás de tal convite indecente nada tinha a ver com seu desejo altruísta de salvar o planeta. Eu sabia perfeitamente bem disso. Mas não era como se a sugestão do que poderíamos fazer no banho não me causasse uma onda de calor que surgia no baixo ventre e arrepios na espinha, muito pelo contrário. Porém o desejo ainda não era forte o bastante pra sobrepor a vergonha.

— Você não tem vergonha mesmo, né? Aish... me pedindo coisas desse tipo... – resmunguei com a voz baixa e rouca, de repente sentindo como se minha garganta fosse fechar a qualquer minuto enquanto evitava ao máximo encontrar aquelas orbes negras que de alguma forma conseguiram ficar ainda mais obscurecidas pela luxúria. O fato de Yoongi invadir meu espaço pessoal com um mero passo pra frente, pressionando-me ainda mais contra a bancada de nada ajudava meu caso.

— Por que deveria ter vergonha? Por acaso você se arrepende do que fizemos noite passada? – devo confessar que o que mais me doeu não foi a pergunta em si, mas sim o tom de pura insegurança que pude captar na sua voz mesmo com o esforço que o mais velho fez pra contê-lo, a dor e dúvida escondidas em suas palavras me apunhalando direto no peito.

— Não! Não, não, é claro que não. – fui rápido em lhe assegurar, com olhos grandes que fitavam diretamente dentro dos seus e tentavam transmitir minha sinceridade, querendo nada mais do que apagar aquela angústia de sua voz, mas um segundo muito tarde percebi que talvez tenha sido um pouco entusiasta demais. – Q-quer dizer... E-eu... – tentei consertar, mas já era tarde: Yoongi exibia novamente aquele sorriso presunçoso de quem acabara de pegar sua presa numa armadilha.

— Viu só? Não há motivo ter vergonha. – sorriu, silenciando-me com um beijo lento e sensual. Uma de suas mãos encontrara minha nuca enquanto a outra acariciava a lateral do meu tronco por baixo da camiseta, apertando levemente minha cintura quando abri os lábios permitindo-lhe passagem e deixei que minha língua encontrasse a sua numa carícia suave. Meus braços envolveram seu pescoço por conta própria conforme o puxava pra mais perto, ansioso pra obter mais daquele contato inebriante. Yoongi já tinha uma perna enfiada entre as minhas quando deixou meus lábios em busca de ar, seus olhos negros como obsidiana e bochechas rosadas na cor de pêssego. – Agora pare de ser difícil e venha tomar um banho comigo.

Quando põe dessa forma, quem sou eu pra dizer não, certo? Era o que pensava em minha mente, mas sentindo-me tonto e com o rosto em chamas tudo que saiu de meus lábios foi um pequeno choramingo patético quando aceitei o convite com um aceno positivo da cabeça. Não tive outra escolha senão segui-lo até o outro cômodo, deixando que o loiro me conduzisse pela mão com passos largos, parecendo ansioso pra ficar preso num cubículo úmido e cheio de vapor comigo. Tentei ao máximo não ser dominado pela vergonha nem me sentir mal por ter concordado tão facilmente com aquela indecência; Yoongi era irresistível quando se esforçava pra isso, e devo confessar que suas táticas de convencimento eram nada menos do que impiedosas – eu não tinha a menor chance de contrariá-lo, nem se quisesse.

Uma vez dentro do banheiro, assisti com o lábio inferior preso entre os dentes o mais velho fechar a porta atrás de si antes de voltar sua total e completa atenção pra mim, olhos escuros e predadores me devorando antes de diminuir a distância entre nós com poucos passos e um beijo faminto, com uma língua sedenta que nem se deu o trabalho de pedir licença antes de invadir minha boca e mãos que mapeavam cada extensão de pele que podiam encontrar. Meus joelhos quase cederam com a intensidade com que Yoongi me beijava, mas sua posse na minha cintura e quadril me manteve de pé. Quando ousei uma mordida brincalhona em seu lábio fui recompensado com um rosnado rouco que vinha do fundo da garganta enquanto o outro me puxava pra mais perto, suas mãos agora apalpando minha bunda, apertando a carne com força e arrancando-me um gemido fraco que Yoongi engolira de bom grado. Eu podia sentir que já estava pelo menos meio duro dentro da cueca quando o mais velho descolou nossos lábios por falta de ar e deu um leve puxão na barra da minha camiseta, olhando a peça como se o tecido o ofendesse de alguma forma.

— Por que está vestido desse jeito? Aish, tão problemático... – resmungou com o cenho franzido, estalando a língua contra os dentes da frente antes de se aproximar pra mais um beijo, puxando o tecido pra cima conforme deslizava lentamente as mãos por baixo do mesmo, seus lábios agora deixando uma trilha de beijos molhados em meu maxilar e pescoço. Estremeci quando seus dedos pararam pra provocar meus mamilos, dedões desenhando pequenos círculos ao redor dos bicos enrijecidos, fechando os olhos com um suspiro trêmulo e oferecendo meu pescoço para mais beijos, expondo a pele já marcada. Minhas mãos se seguravam com tanta força em seus ombros que não me espantaria se encontrasse a marca avermelhada dos meus dedos na sua tez branca após o banho.

— M-me desculpe. Eu não sabia que—ngh—que não devia colocar roupas. – devolvi, parte irônico e parte genuinamente apologético. Porém qualquer rastro de petulância foi dizimado quando seus lábios retornaram aos meus.

— Não quando está aqui, não comigo, não hoje. – disse entre beijos, pontuando sua fala com estalos molhados. Deixei um guincho surpreso me escapar quando seus dedos beliscaram de leve ambos os meus mamilos ao mesmo tempo, sentindo seus lábios sorrindo contra os meus. Impaciente, Yoongi interrompeu o ósculo pra tirar minha camisa num puxão só; depois de alguns poucos segundos desesperados tentando livrar meus braços, a peça ofensiva estava finalmente no chão. – Com um corpo como o seu... cobri-lo é um pecado. Além do mais, só me dá trabalho pra despi-lo depois. – sorriu travessamente, correndo olhos famintos e mãos exploratórias por meu peito e abdome como forma de confirmar suas palavras, pausando pra apenas apreciar a vista enquanto murmurava em apreciação. Yoongi me olhava como se eu fosse uma pintura feita por anjos, e embora aquela reverência fizesse coisas estranhas dentro de mim, obrigando meu estômago a dar voltas e pulos e causando uma enorme chama em meu baixo ventre que fazia todo o sangue correr pro sul, um pouco daquele calor ainda se retinha teimosamente na minha face, e de repente estava quente demais pra suportar.

— Pare de encarar. Você está me deixando sem graça. – pedi com olhos baixos e bochechas em brasa, a voz tão fina e patética que não passava de um miado choroso. Meu embaraço só piorou quando o ouvi rir descaradamente, uma risada baixa e rouca que me causava os melhores arrepios. Irritado, desferi-lhe um soco fraco no ombro pra avisá-lo de que estava falando sério, mas isso só o fez rir um pouco mais.

— Não paro. Por que deveria? É justamente por isso que eu faço. Gosto quando você fica todo vermelhinho desse jeito. – brincou com uma voz tão sensual que pingava mel, claramente obtendo satisfação com o meu sofrimento. Escondi o rosto nas mãos com um choramingo manhoso, incapaz de encará-lo no momento, dolorosamente envergonhado enquanto abafava outro pedido de “pare, hyung!” que não tinha a menor força pra realmente fazê-lo parar. Entretanto, milagrosamente o mais velho decidiu tomar pena de mim e cessou suas provocações por completo, puxando-me pra um abraço morno enquanto guiava minha cabeça para seu ombro e afagava meus cabelos. – Pronto, não precisa se esconder. Hyung já parou. Me perdoe, Sunshine. É que você é tão fofo que não consigo me conter. – desculpou-se com um beijo suave na minha têmpora, sua outra mão esfregando minhas costas num gesto reconfortante. – Vamos apenas tomar um banho, sim?

Assenti fracamente com a cabeça, meu rosto ainda escondido nas mãos e agora também aninhado em seu pescoço, quando o senti me dar mais um beijo na têmpora antes de se afastar. Era ridículo, mas eu já sentia falta dos seus braços ao meu redor. Tirei as mãos da frente dos olhos a tempo de ver Yoongi se despindo até ficar completamente nu na minha frente, visto que só estava usando sua boxer preta de qualquer forma, pisando fora dela quando o tecido ficara preso em seus tornozelos. Yoongi tinha um corpo tão maravilhoso: pernas finas, pele clara, abdômen liso, ombros estreitos. Nem mesmo a feia cicatriz que o marcava era capaz de diminuir tamanhã perfeição. Havia uma certa delicadeza em sua constituição física e feições do rosto que contrastavam quase comicamente com sua personalidade fechada e agressiva, mas talvez seja isso que tenha me atraído em primeiro lugar. Não havia percebido que estava encarando como um tarado até ouvir uma risada fraca, quase muda, vinda do outro, seu sorriso sabido e sem vergonha quando notou no que exatamente meus olhos estavam tão focados. Engoli em seco, sem saber o que dizer, tentando agir como se a visão de seu membro ereto não enviava cargas elétricas para o meu próprio.

Felizmente Yoongi manteve sua palavra e não me provocou mais, optando por diminuir a distância entre nós mais uma vez, seus olhos desafiando os meus pra uma competição que jamais seria capaz de vencer. – Posso? – perguntou de repente, voz calma e aveludada, e só soube a que estava se referindo quando senti seus dedos deslizando pela barra da cueca que usava, enganchando o tecido num pedido silencioso. Eu pensava que meu peito fosse explodir com tamanho tesão misturado com vergonha que sentia quando assenti mais uma vez com a cabeça, tão mortificado que perdi a voz. Era impossível esconder minha excitação, visto que a tenda em minha boxer era bastante óbvia, mas no momento que Yoongi se agachou pra deslizar a peça por minhas pernas e livrou minha ereção, seu rosto tão próximo que podia sentir sua respiração em meus testículos, pensei que fosse morrer ali mesmo, no chão frio daquele banheiro, vítima de um ataque cardíaco. Me atrapalhei um pouco quando a cueca atingiu meus tornozelos, tentando livrar-me dela com pernas bambas. Yoongi me equilibrou com uma das mãos segurando minha panturrilha, seu toque sendo o suficiente pra manter-me assentado nos próprios pés, sorrindo safado quando olhou pra cima e viu que o observava com bochechas coradas e olhos fixos e negros.

Entretanto, contrariando meus desejos e esperanças, Yoongi não se aproximou mais; ele não beijou minhas coxas ou fechou os dedos ao redor da minha ereção como queria – e estupidamente temia admitir. Ao invés, assisti o loiro ficar de pé e me dar as costas, entrando na área do box a fim de ligar o chuveiro. Ele se manteve fora do alcance da água por alguns instantes, aguardando até que ficasse morna e agradável o suficiente pra banhar-se quando finalmente estendeu o braço na minha direção, oferecendo-me a palma aberta virada pra cima. Dessa vez não tinha vergonha de admitir que me apressei pra aceitar sua mão estendida, ansioso pra receber mais de seus toques experientes. Yoongi tinha um pequeno sorriso nos lábios quando fechei a porta de blindex atrás de mim a fim de não inundar o banheiro inteiro com a água que corria do chuveiro, aproximando-se pra roubar-me um selinho rápido. Porém antes que o selinho pudesse transformar-se num beijo mais profundo, o loiro se afastou mais uma vez, situando-se embaixo da cascada que vinha do chuveiro e simplesmente deixando que a água lavasse seu corpo, olhos fechados numa expressão serena e relaxada.

Aproveitei o momento de distração pra observá-lo por um instante, vendo gotas atrás de gotas de água correndo ligeiras por seu corpo, deslizando pela curva de seus ombros e pela extensão de seu tronco, encharcando seus cabelos e colando os fios à sua testa. Essa era minha primeira vez tomando banho com outra pessoa, e embora inicialmente pensasse que seria estranho e embaraçoso dividir o espaço do chuveiro com alguém, completamente nu e vulnerável, por algum motivo já não pensava mais dessa forma; ver Yoongi se banhando me fascinava, na verdade.

Como se soubesse que tinha meus olhos em si, vi o mais velho abrir um sorriso antes mesmo de abrir os próprios olhos, confirmando suas suspeitas. Porém ele ainda mantinha sua palavra, permanecendo quieto enquanto abria espaço pra mim debaixo da corrente de água, sua mão novamente estendida num claro convite com uma promessa no olhar. A água estava quente quando me coloquei embaixo do chuveiro, a correnteza agradável e relaxante enquanto me deixava ser lavado por ela. Milhares de gotas caíam como chuva em minha cabeça, ombros e costas, massageando meus músculos doloridos e levanto toda a tensão embora, quase como uma terapia. Mesmo de olhos fechados eu podia sentir a presença sólida de Yoongi, tão próximo de mim, ainda que o loiro não me tocasse de maneira alguma – ainda não, pelo menos. Porém esse quadro mudou assim que o outro desligou o chuveiro de repente, deixando-me confuso, obrigando-me a esfregar os olhos pra tirar o excesso de água e pentear a franja molhada pra trás com os dedos a fim de ver o que estava fazendo.

O primeiro toque de seus dedos em minha pele causou-me uma onda de arrepios incontroláveis, meus sentidos de alguma forma intensificados pela umidade e vapor que me cercavam. Yoongi acariciava meus ombros e peito com um sabonete em mãos, criando uma fina camada de espuma branca por onde passava. O mais velho tinha os olhos fixos em suas mãos, concentrado em sua tarefa, mas desviou brevemente o olhar para os meus quando percebeu que o encarava, abrindo um pequeno sorriso quando notou meu rubor e meus lábios entreabertos que soltavam suspiros baixos a cada novo toque de suas mãos. – Você... n-não precisa... – comecei, tentando lhe dizer que poderia tomar banho sozinho, mas, ao mesmo tempo, adorando a atenção que recebia.

— Shh. Deixe hyung fazer isso por você. Eu quero. – silenciou-me, sua voz inalterada e tranquila me assegurando antes de deslizar a mão ensaboada até meu membro sem aviso, arrancando de mim um gemido alto e desimpedido ao bombeá-lo algumas vezes. Tive que me segurar em seus ombros pra evitar cair no piso escorregadio, já que meus joelhos não serviam pra mais nada a essa altura, mas justo quando a tensão em meu baixo ventre se tornara insuportável sua mão desaparecera tão rápido quanto viera. Nem sequer tentei reprimir o miado fraco e queixoso que escapou-me com a falta de contato, fazendo o outro rir baixinho.

— Você é tão cruel, hyung. – eu sabia que estava sendo a epítome de uma criança mimada naquele momento, contrariada quando não conseguia o que queria, com um bico impressionante nos lábios e uma expressão lamentável no rosto. Yoongi apenas abrira mais o sorriso.

— Pensei que só queria tomar um banho. – rebateu, presunçoso, num tom de voz provocante e com um brilho travesso nos olhos enquanto voltava a me ensaboar como se nada tivesse acontecido, porém agora suas mãos faziam de tudo pra evitar me tocar onde realmente precisava. Emiti um ruído indignado no fundo da garganta, sem palavras. Antes que pudesse fazer um papel de bobo ainda maior e me envergonhar além do limite do aceitável, preferi ficar quieto e tirar o sabonete de suas mãos de maneira um tanto rude, deslizando-o pela extensão de seu tronco assim como fizera comigo segundos atrás. Dois podiam jogar esse jogo, afinal de contas.

Meus movimentos se tornaram gradativamente menos bruscos e mais gentis conforme Yoongi suspirava e gemia baixo e rouco sob meus dedos enquanto acariciava sua pele e massageava seus músculos, obtendo uma estranha satisfação em cuidar do mais velho dessa maneira. Com nada além de vingança barata em mente, envolvi meus dedos ao redor de seu membro ereto e o masturbei com movimentos lentos e deliberados, ainda um pouco hesitante mas ganhando confiança rapidamente agora que tinha um objetivo. Porém Yoongi não foi pego de surpresa, ou sequer corou, embaraçado: o mais velho apenas suspirou pesadamente pelo nariz e fechou os olhos, deixando os lábios se abrirem relaxados ao redor de um gemido mudo enquanto tombava levemente a cabeça pra trás e apenas aproveitava. Por um momento até cheguei a esquecer das minhas reais intenções, observando fascinado seu rosto contorcido de prazer de forma pecaminosa e tão angelical ao mesmo tempo, sentindo uma pontada de orgulho por saber que era eu a causa daquela expressão, quando finalmente dei-me por mim. Aish, brincar desse jeito não tem graça, pensei decepcionado enquanto mudava a direção de meus toques para suas coxas e nem ao menos tive a satisfação de ouvir um resmungo irritado. Yoongi sorria vitorioso, nem um pouco afetado pelas adagas que lhe enviava com o olhar.

— Eu te odeio. – disse num tom emburrado, fazendo o outro rir e segurar meu rosto entre as mãos, afagando minhas bochechas de forma suave antes de inclinar-se pra eliminar o bico em meus lábios com um beijo.

— Não é isso que a sua óbvia ereção me diz. – brincou, recebendo um soco no braço em resposta. Isso finalmente me deu a reação que queria, fazendo-me sorrir triunfante quando o vi chiar de dor e afagar o local agredido com uma careta. Eu não poderia ficar com raiva de si nem se quisesse, então depois de roubar-lhe um beijo no canto dos lábios que o deixara sorrindo como um idiota, satisfeito, fizemos as pazes e voltamos a ensaboar um ao outro como antes, revezando a posse do sabonete enquanto nos acariciávamos de forma delicada, e logo estava tudo muito quente novamente.

Quando chegou a hora de nos enxaguar e tirar todo aquele sabão, meu pênis já pulsava, pingando pré-gozo e ansiando por atenção. Ninguém poderia chamar aquilo de um simples banho inocente – não com o modo como sua mão esbarrava minha ereção de propósito, arrancando-me suspiros apenas pra desviar sua atenção pra outro lugar, provocando-me; não quando Yoongi envolvia os braços ao redor do meu tronco pra ensaboar minhas costas e alcançar minhas nádegas, massageando os globos com mãos grandes e fortes antes de esgueirar uma mão ensaboada entre eles com um toque suave e fugaz, fazendo-me sentir como se Yoongi tivesse ateado fogo nas minhas veias e também um pouco decepcionado por ter durado tão pouco; certamente não com a maneira como o loiro me puxava pra perto e sussurrava coisas ao pé do meu ouvido, coisas indecentes que me faziam tremer e soltar um gemido arrastado quando nossos membros se encontraram por um breve instante. Ousava dizer que essa era apenas uma forma diferente de fazer sexo, de conhecer seu parceiro e explorar o corpo um do outro atrás de novos pontos de prazer. Eu gostava de tudo que Yoongi fazia comigo, e deixava isso claro ao vocalizar meu contentamento sempre que me tocava, estremecendo a cada nova sensação descoberta; não que isso me impedisse de tocá-lo de volta, pois logo percebi que não podia manter minhas mãos longe dele nem se tentasse. Agora nós trocávamos beijos nos braços um do outro com água caindo sobre nossas cabeças, levando o resto do sabão embora. Talvez esse tenha sido o banho mais demorado da minha vida, mas mesmo assim não queria que acabasse nunca.

— Vire-se. Preciso me certificar de uma coisa. – o ouvi dizer num tom de comando contra meus lábios, voz rouca de tesão. Fixei olhos confusos em seu rosto, piscando algumas vezes quando vi sua expressão indecifrável, porém meu primeiro instinto sempre fora obedecer quando se tratava de Yoongi. Dei-lhe as costas com um forte sentimento de excitação torcendo a boca do estômago, curioso e ansioso pra saber qual seria seu próximo passo. Fui pego de surpresa – uma boa surpresa, na verdade – quando senti seus dedos massageando os pontos de tensão nos meus ombros, arrancando de mim gemidos e grunhidos mais altos a cada novo nó desfeito enquanto relaxava completamente em suas mãos, essas que deslizavam lentamente para a parte inferior das minhas costas, um centímetro por vez. Aparentemente eu não era o único que não queria acabar o banho tão cedo.

Yoongi passara um bom tempo apenas massageando minha lombar, dedões pressionando os pontos mais críticos com firmeza antes de mover as mãos para meus quadris e então pra minha bunda mais uma vez, massageando-a. A essa altura parecia que Yoongi tinha um certo fascínio pelas curvas suaves de minhas nádegas, pois o loiro não perdia uma oportunidade sequer de tocá-las, quase venerando-as de certa maneira – o que geralmente me deixaria tremendamente embaraçado, mas agora estava muito relaxado pra ligar. Tão relaxado que não percebi quando o outro deslizou um de seus dedos pela fenda que havia entre os dois firmes globos, pelo menos até o mesmo ultrapassar o anel de músculos da minha entrada, invadindo-a devagar, mal introduzindo a ponta antes que eu chiasse de dor, sibilando alto entredentes com uma careta. Pra ser justo, o desconforto inicial que sentira pela manhã havia diminuído aos poucos, abafado ao ponto de sentir apenas uma dorzinha distante dependendo do movimento que fizesse, mas isso era diferente; Yoongi não sabia, logicamente, então não tinha culpa, porém a perturbação de seu dedo intruso, por mínima que fosse, enviava raios por minha espinha e parecia deixar minhas paredes em brasa, os músculos ardidos e sensíveis.

Ao som do meu protesto explosivo, Yoongi imediatamente tirou o dedo de minha entrada e afastou-se como se tivesse sido queimado. Culpa e preocupação eram evidentes em sua voz quando tocou meu ombro, hesitante, tentativamente, tentando fazer-me olhar pra si. – O que houve? Te machuquei? Ainda está dolorido de ontem? Aish, eu sou tão estúpido. M-me desculpe, eu não sabia... Eu—

— Está tudo bem hyung, de verdade. Já não dói tanto mais, é só porque não estava esperando... não se preocupe, sério. – tentei assegurá-lo, enviando-lhe um sorriso que esperava ser reconfortante por cima do ombro, mas minha tentativa pareceu um pouco patética quando não consegui esconder o esforço que fazia pra segurar as lágrimas. Gastamos um bom tempo nisso, com o loiro se desculpando profusamente com uma expressão arrependida e pesarosa no rosto enquanto eu tentava tranquilizá-lo e convencê-lo de que realmente não fora nada demais, chorando mais de nervoso do que pela dor a essa altura, quando Yoongi balbuciou algo que me fez pausar. – O que... o q-que disse? – indaguei, incerto, sem saber se meus ouvidos me traíam ou não.

— Deixe-me ver. – repetiu, seus olhos pedintes. Quando não respondi nada, congelado como uma estátua com olhos grandes fixos em seu rosto, rosto vermelho e boca estupidamente aberta sem emitir som algum, Yoongi apoiou uma das mãos em minhas costas e fez pressão, forte o suficiente pra tombar meu tronco pra frente e expor meu traseiro, porém não forte o suficiente pra vencer a pressão que eu mesmo fazia em sentido contrário.

— O quê?! Não! Não é necessário! – exclamei, quase guinchando as palavras no tom mais agudo que minha garganta era capaz de produzir. Meu rosto estava tão quente que quase podia ver o vapor dançando diante dos olhos como se minha pele estivesse fumegando. A mera sugestão, a mera ideia de ter a atenção de Yoongi sobre minha entrada fora o suficiente pra me deixar em estado de alerta, praticamente em pânico, fazendo-me virar para si e cobrir minha bunda com as mãos a fim de escondê-la. Quase choraminguei quando, ao dar um passo pra frente, o loiro obrigou-me a dar dois passos pra trás, assim chocando minhas costas contra a parede úmida de azulejos do box e finalmente realizando de que não tinha pra onde fugir. – Não foi nada. Está tudo bem, eu juro!

— Não, não está tudo bem! – explodiu, tom sério e expressão impassível, fazendo-me recuar ainda mais contra a parede. Yoongi suspirou profundamente ao notar minha reação assustada, apertando a ponte do nariz com os dedos e mantendo os olhos fechados enquanto apenas inspirava e expirava algumas vezes. – Me desculpe. Não pretendia gritar com você. Mas não minta pra mim. Não me diga que está tudo bem quando eu sei que não está. – começou de novo, sua voz bem mais branda dessa vez. Quase angustiada. – Você está sentindo dor, e eu sei que é por culpa minha. Então não seja tão teimoso e apenas deixe-me ver o que fiz com você. Por favor.

Depois disso já não tinha mais palavras pra protestar, então apenas deixei que Yoongi se ajoelhasse na minha frente enquanto mantinha os olhos fixos em si, sentindo meu rosto queimar com a proximidade que tinha da minha área íntima. Entretanto, a vergonha e humilhação se mostraram demais pra suportar quando o mais velho encaixou a mão por trás do meu joelho direito e colocou minha perna sobre seu ombro, obrigando-me a jogar todo o meu peso pra perna esquerda, esta que ainda estava seguramente apoiada no chão. Não suportava a ideia de ter meu corpo tão exposto e vulnerável diante de seus olhos, sob seu olhar crítico, então desviei os meus próprios pra que não pudesse ver o quão intensamente Yoongi analisava minha entrada abusada.

— Merda. Isso não parece nada bom. Está realmente vermelho e irritado. Me perdoe, baby. – pediu com voz apologética, seu hálito quente soprando diretamente sobre o orifício sensível, me fazendo estremecer e soltar um pequeno miado embaraçado. Eu estava prestes a assegurar-lhe mais uma vez que não tinha porque pedir desculpas quando senti algo firme e úmido pressionando hesitantemente contra o local. Se minha mente não tivesse entrado em curto-circuito naquele exato momento eu teria vergonha do guincho alto e agudo que soltei, pego de surpresa. Só quando senti aquela coisa acariciar minha entrada pela segunda vez, rodeando o anel de músculos com movimentos curtos e circulares, foi que percebi que aquele objeto úmido e não identificado na verdade era a língua do mais velho.

— O q—o que está fazendo?! – gritei, horrorizado e extremamente excitado ao mesmo tempo, perdido entre sensações tão intensas e conflitantes. Sem saber o que fazer, apoiei minha palma em sua testa e empurrei sua cabeça pra trás com toda a força que conseguia juntar naquele instante, afastando-o de mim. Assisti com o coração martelando na garganta seus olhos negros lentamente se erguendo pra fixar os meus, e mesmo que pudesse encontrar um leve rubor em sua face estóica, nem podia comparar-se com a vermelhidão que sabia haver na minha.

— Eu te machuquei, Sunshine. Você está com dor por minha causa. Então, por favor, apenas—apenas deixe hyung cuidar de você, sim? Apenas relaxe. Hyung promete que vai fazer você se sentir bem de novo. – eu jamais havia visto Yoongi com uma expressão tão dolorosamente conflitada antes, sua voz fraca e levemente trêmula enquanto suplicava. Também jamais pensaria que me machucar, por mais não intencional que tenha sido, o afetaria daquela forma. Não fazia ideia de como lhe responder, mas confesso que a mão que empurrava sua testa perdera um pouco da força ao ouvir suas palavras. Ao fitar seus olhos eu vi tanta culpa, tanto desejo, tanta necessidade de apenas me satisfazer, que não tive forças pra impedi-lo quando o loiro aproximou novamente o rosto da fenda entre minhas nádegas e lambeu o local de cima a baixo numa pincelada lenta e deliberada.

Dessa vez nem tentei abafar os ruídos que escapavam de meus lábios numa correnteza de gemidos desinibidos e palavrões sussurrados entredentes juntamente com súplicas por misericórdia seguidas de seu nome conforme Yoongi beijava e lambia minha entrada de novo e de novo, provocando-me ao intercalar lambidas cheias dadas com a parte plana da língua e pinceladas curtas e rápidas, com o ocasional padrão circular desenhado com a ponta da mesma ao redor do anel. O mais velho mantinha uma das mãos sob a curva da minha bunda, onde a nádega encontrava a coxa, a fim de sustentar melhor a perna que tinha pendurada em seu ombro enquanto a outra segurava a parte interna da perna que tinha apoiada no chão, tentando mantê-las afastadas o suficiente pra dar-lhe melhor acesso. A posição era tremendamente desconfortável, mas não podia me importar menos. Tudo que podia fazer era tentar não me mover demais enquanto o outro se deliciava com o orifício oferecido, mas toda e qualquer tentativa de manter-me imóvel fora abandonada quando senti o músculo firme e morno de sua língua ultrapassando o anel e acariciando minhas paredes.

— Oh, Yoongi—hyung—por favor, p-por favor. – a essa altura nem sabia mais pelo que estava suplicando, tentando encontrar apoio na parede adjacente a que estava pressionado apenas pra minha mão escorregar devido a fina camada de umidade que aderira na superfície e quase me fazer perder o equilíbrio. Yoongi me manteve no lugar entretanto, e aparentemente minha reação apenas o instigou a pressionar a língua ainda mais fundo dentro de mim. Chegava a ser engraçada, a sensação de ser comido dessa maneira. Era algo novo que nunca pensei ser capaz de sentir, mas logo me vi viciado. Era ao mesmo tempo degradante e estimulante, fazendo-me querer recuar envergonhado e pressionar ainda mais minha entrada contra seu rosto. Mais uma vez me vi sem saber como agir nas mãos de Yoongi, e eu amava. Amava o fato de não poder fazer nada a não ser aproveitar o prazer intenso que o loiro me dava de bom grado.

Yoongi emitiu um ruído rouco que parecia vindo do fundo do peito quando comecei a rebolar o quadril descaradamente, tentando obter mais daquela sensação sublime. Uma de minhas mãos encontrou seus cabelos loiros e ali se instalou, agarrando os fios entre os dedos e segurando-se ali como se o mais velho fosse meu bote salva-vidas. O loiro gemeu apreciativamente contra minha pele quando dei-lhes um puxão particularmente forte, meus próprios gemidos servindo-lhe de incentivo para que chupasse o orifício com ainda mais vigor, fodendo-me com a língua numa imitação porca de seu pênis.

O prazer que sentia parecia encher minhas veias com fogo tamanha sua intensidade, porém não chegava perto de ser suficiente. Não importava o quão rápido ou o quão forte Yoongi me lambesse, ou o quão fundo sua língua chegasse, havia algo faltando, algo que me impedia de alcançar o pico do orgasmo. Eu estava quase chorando com tanta frustração acumulada, com pernas trêmulas e garganta levemente rouca por ser tão vocal, quando de repente me vejo com os testículos dentro da boca do loiro. Não consegui conter um grito obsceno quando Yoongi chupou o saco escrotal com uma brutalidade impiedosa, enviando-me uma onda de prazer tão intensa que por um instante minha mente ficou em branco, minha visão turva e meus ouvidos zunindo com estática. Os dedos que tinha em seus cabelos já se encontravam com as juntas esbranquiçadas, de tão forte que os agarravam. Yoongi retornou a fim de dar mais uma lambida em minha entrada antes de seguir para o meu falo, deslizando a ponta da língua lentamente desde a base até a ponta, onde concentrou algumas lambidinhas felinas na fenda antes de abocanhá-la por completo.

Yoongi não parecia mais tão hesitante quanto havia sido da última vez que tentara fazer aquilo, mas eu também fazia questão de controlar meus impulsos a fim de evitar outro acidente. Entretanto não iria negar que tal tarefa era bastante difícil de realizar, quase impossível com o modo como o loiro rodeava a ponta da minha ereção com a língua, umedecendo-a com sua saliva. Não fui capaz de conter alguns pequenos espasmos, deixando-os escapar juntamente com meus gemidos entrecortados, e como se pressentisse meu controle se esvaindo o loiro plantou ambas as mãos em meus quadris, segurando-me efetivamente no lugar. Porém, uma vez que sua mão deixara a parte inferior da coxa que tinha sobre seu ombro, deixei minha perna escorregar e plantar-se no chão meio trêmula, fraca demais pra sustentar-se sozinha, ainda mais erguida daquela forma. Agora que sentia que não iria mais cair, nem impulsionar o quadril sem querer e machucá-lo, aproveitei a posse que tinha em seus cabelos pra incentivá-lo a continuar, correndo os dedos até sua nuca e arranhando de leve a pele macia que tinha logo abaixo dos fios antes de fazer o caminho de volta pro topo da cabeça, como num cafuné mais bruto e insistente. Isso pareceu ser exatamente o que Yoongi precisava, pois assim que massageei seu couro cabeludo com a ponta dos dedos o mais velho emitiu um ruído satisfeito no fundo da garganta e perdeu qualquer traço da hesitação anterior.

A onda de calor que senti ao ter minha glande inchada dentro da sua cavidade bucal, úmida e incrivelmente quente, seus lábios abusados esticados ao redor do meu membro, com olhos fechados e expressão de deleite no rosto enquanto chupava apenas a cabeça com movimentos insistentes como se quisesse sugar todos os fluidos que despejava em sua língua até me deixar completamente seco, era indescritível. Foi necessária muita força de vontade pra não gozar de imediato, nem mesmo dois minutos depois de ter seus lábios ao meu redor, e uma força ainda maior pra não puxá-lo de volta pelos cabelos quando o loiro tirou meu membro da boca com um ruído indecente e fechou os dedos ao redor do mesmo, masturbando-o languidamente, seus olhos escuros de desejo e bochechas que apresentavam um adorável tom de rosa ao me enviar um sorriso presunçoso. – Gosta disso? Pois eu gosto. Adoro sentir o seu sabor na minha língua, baby. Você tem um gosto tão bom. – disse com a voz rouca, fazendo minha pele formigar com arrepios percorrendo-a diante do elogio.

— P-pare de dizer coisas desse tipo. É—ah—é embaraçoso... – protestei fracamente, tentando parecer indignado, mas o rubor em minha face e os pequenos gemidos que deixava escapar enquanto me masturbava não me deixava mentir. Secretamente eu amava todos os elogios e apelidinhos carinhosos com que o mais velho me banhava durante o sexo; me fazia sentir especial, desejado.

— Só disse a verdade. E você ainda não respondeu minha pergunta. – lembrou-me, sua mão habilidosa pegando velocidade por um momento antes de desacelerar de novo, assim criando um ritmo alucinante que era demais pra suportar e não era o suficiente ao mesmo tempo. – Então, me diga: gosta quando hyung te chupa, baby? – repetiu, seu tom de voz caindo algumas oitavas com a pergunta sugestiva, pingando sensualidade.

— S—oh, céus—sim. Sim, eu gosto. Gosto muito. P-por favor, hyung, por favor... – supliquei pelo que parecia ser a milésima vez, cansado de ser provocado sem nunca conseguir atingir o ápice, ansioso pra ter seus lábios em mim mais uma vez. Yoongi apenas riu naquele timbre grave e rouco, aquele mesmo que me deixava subindo pelas paredes de tesão, mas antes que pudesse choramingar novamente o loiro abocanhou meu membro sem aviso, indo até onde sua garganta podia aguentar, fazendo-me jogar a cabeça pra trás com olhos fechados e cílios úmidos, lábios abertos e moldados ao redor de um gemido mudo de prazer.

Eu podia jurar que por um momento perdi completamente a noção de tempo e espaço, e até mesmo de identidade enquanto me concentrava exclusivamente nas sensações que Yoongi me proporcionava. Não era apenas o modo como seus lábios rosados e macios envolviam meu pênis, deslizando por ele com movimentos repetitivos de subir e descer, ou como sua língua trabalhava ao cobri-lo de saliva enquanto seus dedos rodeavam o restante que sua boca não comportava, bombeando-o no mesmo ritmo estabelecido por sua cabeça, mas até mesmo os sons produzidos pela felação eram o bastante pra me deixar mais perto da lua; Yoongi emitia ruídos molhados e obscenos enquanto me chupava com vigor, eventualmente soltando um gemido fraco ao meu redor que enviava agulhas ao meu sistema nervoso central com as vibrações vindas de sua garganta. Pela tensão em meu estômago e pelo modo como meus músculos tremiam involuntariamente eu sabia que estava perto do orgasmo, e não tinha vergonha de anunciar sua chegada com gemidos cada vez mais altos e agudos, segurando a cabeça loira do outro no lugar enquanto estocava sua boca com movimentos erráticos antes de choramingar, confuso, quando reparei que no segundo seguinte estava estocando nada além de ar.

— O que—por que—por que parou? – exigi, mal registrando o tom choroso e necessitado que minha voz adquirira ao ver com o coração apertado e membro ainda dolorosamente ereto e insatisfeito o mais velho se pôr de pé com um sorriso diabólico e muito mal contido. Estremeci com o frio que senti de repente, ultrapassando minha pele e instalando-se nos meus ossos, como se tivessem jogado um balde de água gelada sobre minha cabeça; eu estava tão perto do orgasmo, tão perto que tinha vontade de chorar por tê-lo arrancado de mim sem piedade.

— Estava ficando cansado. – disse com a maior cara de pau do mundo, aproximando nossos corpos de modo a prender-me contra a parede com os braços apoiados de cada lado da minha cabeça, o contato de nossas ereções se esbarrando me fazendo suspirar e tremer. – Além do mais, gosto quando implora por mim. Quer continuar sendo tocado, Sunshine? Implore. – acrescentou, inclinando a cabeça em falsa inocência com um pequeno sorriso nos lábios, antes de sussurrar o comando em meu ouvido com uma voz baixa e pecaminosa, simplesmente deliciosa de ouvir.

Eu fiz de tudo pra manter minha dignidade, juro que tentei não ceder aos seus caprichos abusivos, mas enquanto esperava por uma resposta tudo que Yoongi se permitiu fazer foi brincar com a minha orelha, lambendo a concha e mordiscando o lóbulo de forma atrevida, segurando meus quadris com mãos fortes pra impedir-me de roçar minha ereção contra a sua numa tentativa desesperada de conseguir um pouco do alívio que tanto precisava enquanto soltava aquela risada baixa e entrecortada diretamente em meu canal auditivo, transformando meus joelhos em gelatina. Por mais que tentasse ser forte, sabia que de nada adiantaria: Min Yoongi sempre me tivera na palma de suas belas e delicadas mãos.

— Por—por favor, hyung. Isso não é justo... não é justo, eu estava tão pert—ah! – comecei de maneira tentativa, envergonhado, deixando um pequeno gemido escapar ao ser pego desprevenido quando finalmente, finalmente Yoongi envolvera os dedos ao redor do meu membro, masturbando-o com movimentos leves que não chegavam nem perto de ser satisfatórios enquanto murmurava apreciativamente em meu ouvido, incentivando-me a continuar. Entretanto, apesar de não ser o suficiente pra me fazer gozar, o prazer ainda cobria minha mente com uma manta de luxúria, e de repente me vi com dificuldade pra encontrar as palavras certas. Diante do meu silêncio, Yoongi suspirou e cessou a masturbação mais uma vez, despertando-me com o impacto causado pela falta de seus toques e deixando-me num estado de quase pânico. – Não! Não, por favor, não pare. Hyung—hyung, eu preciso de você, por favor. Eu preciso... – a essa altura estava tão desesperado que não ligava pra humilhação que o outro me fazia passar, chegando ao ponto de quase derramar lágrimas enquanto esfregava descaradamente meu pênis em sua perna. Não sabia por que Yoongi não me impedia dessa vez, mas estava feliz. – P-por favor, Yoongi. Eu preciso de você dentro de mim agora. Hyung—ah—por f-favor, preciso que me foda, por favor, por favor.

— Merda—porra, Sunshine, puta merda. Não me peça uma coisa dessas. Você sabe que não posso te foder agora, não—não quando está machucado. – Yoongi parecia sofrer ao dizer aquelas palavras, como se apenas proferi-las requeresse um esforço tremendo, as mesmas abafadas em minha pele por ter escondido o rosto em meu ombro com um grunhido quando ouviu as súplicas que deixavam meus lábios sem permissão. Eu sentia tanto tesão que sequer raciocinava direito, o filtro que havia na conexão entre meu cérebro e boca esquecido enquanto deixava que ainda mais choramingos pedintes me escapassem, determinado a não aceitar um não como resposta.

— Então foda minhas coxas, sei lá, qualquer coisa, por f—por favor, Yoongi. Eu preciso gozar, p-preciso de você. Hyung—me dê qualquer coisa, apenas me toque, me t-toque, por favor. – continuei, as súplicas jorrando de meus lábios como água a essa altura, tentando desesperadamente fazer com que o loiro me tocasse de novo, mas seu corpo parecia feito de pedra, seu braço imóvel e inflexível; eu só precisava ser tocado – por que ele não me toca, estou implorando, não estou? — estava tão frustrado e—

— ...O que disse? Quer que foda suas coxas? – perguntou com uma voz incrédula, curiosidade e divertimento evidente no olhar. Lá estava ele de novo, fazendo a única coisa que não podia suportar quando necessitava tanto de seus toques. Todos os traços do conflito que sentira segundos atrás desaparecera por completo, dando lugar a boa e velha malícia, como se eu, sem querer, tivesse lhe dado uma ideia ao mesmo tempo brilhante e perversa.

— Eu só quero que me toque Yoongi, será que é tão difícil assim de entender? – explodi em tom de choro, cansado de ser provocado sem dó e simplesmente excitado demais pra lidar com pessoas malditas que conseguiam controlar seu tesão melhor do que eu. Eu precisava gozar. . – Não importa o que faça comigo, só, por favor—eu te imploro—me toque. – sabia que a determinação do loiro também não duraria muito tempo, pois podia ver o modo como seu pênis pulsava e pingava pré-gozo cada vez que abria a boca e me humilhava mais um pouco. Eu podia sentir a tensão em seus ombros conforme me puxava pra mais perto, apertando minha cintura tão forte que sem dúvida deixaria marcas de seus dedos, então sabia que o que faria a seguir seria não só pelo meu alívio, mas pelo dele também. Sem ao menos esperar por uma resposta, decidi deixar de depender da sua boa vontade quando levei ambas as mãos para suas nádegas, puxando sua pélvis pra mais perto, de modo que seu falo inchado e ereto ficasse aninhado entre minhas coxas grossas.

— Porra, Jimin—isso é... céus. – gemeu, deixando sua testa cair de encontro a minha quando pressionei as pernas uma contra a outra, efetivamente prendendo seu membro entre elas. – Você ainda vai ser a causa da minha morte, estou lhe dizendo. – murmurou contra meus lábios depois de eliminar o espaço que havia entre nós com um beijo quente e apaixonado. Por mais que gostasse de seus beijos e do gosto de seus lábios, eu estava impaciente. Precisava de um alívio rápido, antes que perdesse totalmente a sanidade.

— Yoongi... por favor... – implorei, minha voz nada mais do que um miado fraco e choroso. Meus olhos ardiam com as lágrimas que ameaçavam cair a qualquer momento; no meu estado hiper sensível, qualquer coisa era capaz de me sobrecarregar com as mais diversas emoções.

— Shh, baby, está tudo bem. Hyung está aqui. Deixe que eu cuido de você, ok? – Yoongi mantinha a voz baixa e calma ao sussurrar garantias em minha pele, acariciando minhas bochechas e limpando as lágrimas que rolavam por elas com os dedões de forma terna, até trazer os lábios ao meu ouvido novamente e mudar o tom. – Vire-se. – ordenou pela segunda vez naquele dia, me causando uma onda de arrepios que não sabia se atribuía ao timbre de sua voz ou ao frio que sentira quando se afastou. Yoongi sequer esperou até que meu cérebro lento e nublado de prazer registrasse suas palavras para então virar-me ele mesmo, mãos fortes em meus ombros que me giravam no lugar até que ficasse de costas pra si. Quase beijei o azulejo quando o mais velho me posicionou de forma um tanto descuidada, tombando meu tronco pra frente e puxando meu quadril pra trás de encontro ao seu, e com certeza beijaria se não tivesse o instinto de apoiar as palmas na parede e aparar a queda. O gemido que soltei sem querer deve tê-lo excitado de alguma forma, pois suas mãos apertavam minha cintura com um pouco mais de força agora. – É isso que você quer, Sunshine? Quer que te foda desse jeito?

Não iria mentir: eu estava mais do que intrigado com a nova posição; estava ansioso, quase extático com a ideia de ter Yoongi me fodendo brutalmente por trás. Mesmo que a situação não fosse a ideal, mesmo que ele só fosse foder minhas coxas e não minha entrada, onde realmente o queria, havia um apelo naquilo que não sabia explicar mas também não conseguia ignorar. Todas as vezes em que fomos íntimos eu tinha o mais velho diretamente a minha frente, seu rosto sempre em meu campo de visão, seus lábios ao alcance dos meus caso quisesse puxar-lhe pra um beijo. Agora tudo o que tinha era uma parede fria e úmida diante do nariz e a presença ardente de Yoongi atrás de mim, e por algum motivo isso fazia minha pele formigar com antecipação. Nem me preocupei em sentir vergonha quando lhe respondi com uma série de sim, sim, eu quero, preciso, por favor, sim repetida de novo e de novo como um mantra, sabendo que se o agradasse teria o que queria mais rápido.

— Céus, você fica tão lindo quando choraminga desse jeito, baby. Tão perfeito, só pra mim. – a essa altura já nem precisava mais dos seus toques pra estremecer e gemer de forma necessitada, uma vez que meras palavras conseguiam o mesmo efeito em muito menos tempo. Entretanto precisava admitir que vi estrelas quando senti sua mão esgueirando-se entre minhas pernas, logo abaixo das nádegas, pra cobrir a parte interna das minhas coxas com sabão. Só entendi que a espuma faria as vezes de lubrificante quando Yoongi introduziu seu membro entre elas num impulso só, o deslizamento tornado tão simples e fácil com tão pouca preparação. Ao sentir o primeiro movimento de vai e vem não pude deixar de empinar ainda mais a bunda no ar e flexionar os músculos das pernas, quase esmagando-as uma na outra conforme o ouvia grunhir de prazer atrás de mim, suas mãos encontrando apoio no meu quadril enquanto fodia minhas coxas com muito menos delicadeza do que usara na noite anterior.

— Ah—hyun—ngh... P-por favor, mais rápido... eu preciso de mais. Me dê m-mais. – gemi conforme o loiro pegava velocidade, incentivado por minhas palavras, incapaz de parar de suplicar mesmo quando estava sendo martelado sem piedade. Yoongi gemia e arfava atrás de mim, murmurando obscenidades enquanto apalpava minhas nádegas, separando os globos a fim de assistir seu pênis desaparecer e ressurgir entre minhas coxas a cada nova estocada, empurrando meu corpo pra frente com o impacto. O ruído de pele estapeando pele num ritmo constante e furioso era alto, este que, somado aos timbres de ambas as vozes gemendo o nome um do outro, enchia o pequeno banheiro com os sons pornográficos do sexo.

Logo o calor era demais pra suportar, e em pouco tempo voltei a sentir aquela familiar torção na boca do estômago que denunciava a aproximação do iminente ápice, deixando minha respiração mais pesada e minhas pernas trêmulas. Não conseguia me importar nada além disso, desesperado pra perseguir meu próprio prazer enquanto Yoongi perseguia o dele, deixando que um silvo me escapasse por entre os dentes quando minha mão gelada fez contato com meu falo sensível, sentindo-o pulsar em minha palma. Ao notar o que estava fazendo, Yoongi, sem um pingo de piedade no coração, imediatamente puxou meu braço, prendendo a mão que lhe ofendera atrás das minhas costas. Choraminguei alto por ter meu prazer negado, mas o descontentamento viveu pouco; aproveitando a vantagem que tinha sobre mim, Yoongi puxou meu tronco de encontro ao seu, de modo que minhas costas quase pressionavam contra seu peito, salvo o braço e a mão que ainda segurava firme em meu pulso que havia entre nossos corpos, criando distância entre eles. Acoplando os lábios na junção entre meu pescoço e ombro e abusando o local com mordidas e chupões, o loiro rodeou meu corpo com o braço livre e tomou pra si a tarefa de me masturbar, bombeando meu membro no mesmo ritmo de suas investidas – ou pelo menos tentava, visto que sua pélvis já metia de forma errática e espasmódica, um claro sinal de que seu orgasmo estava próximo.

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Deixei um gemido alto escapar livre e desimpedido de meus lábios quando o senti gozar com um gemido rouco que mais parecia um rosnado, o som gutural e animalesco me enviando cargas elétricas por todo o corpo, servindo pra me empurrar aquele último centímetro que precisava pra alcançar meu próprio orgasmo enquanto inclinava totalmente o corpo em direção ao seu, com costas arqueadas e a cabeça apoiada em seu ombro, vocalizando meu deleite com seus lábios em minha orelha, respiração quente e pesada me dando calafrios conforme ejaculava na sua mão. Yoongi não interrompera os movimentos – embora tenha diminuído consideravelmente sua intensidade – até que ambos estivéssemos arfando e tremendo, sensíveis demais pra suportar até o mínimo dos toques. Quando se afastou de forma lenta e cautelosa, como se quisesse saborear os últimos segundos de êxtase, sentia que iria entrar em colapso a qualquer momento. A única coisa que me mantinha de pé era Yoongi e sua presença reconfortante, próxima o bastante pra senti-la pairando atrás de mim. Virei-me devagar, corando ao sentir seu gozo morno escorrendo por minhas pernas, bem a tempo de ver o loiro fitar curioso a mão lambuzada com meu próprio sêmen antes de enfiar um dedo experimentalmente nos lábios, provando-o. Se não estivesse tão exausto e incrivelmente satisfeito, poderia ficar duro de novo apenas observando Yoongi murmurar em apreciação e lamber os dedos até limpá-los por completo.

Praguejei baixinho diante de tal visão, ficando excitado mesmo que ainda fosse fisicamente incapaz de demonstrar. Assim que fiz contato visual com o mais velho, vendo-o abrir um sorriso ladino enquanto chupava o mindinho de maneira obscena, seus olhos me diziam que ele sabia perfeitamente bem o que fazia comigo. Logicamente não podia aceitar tamanha afronta sem ao menos tentar revidar, então puxei-o pela nuca pra um beijo de tirar o fôlego, ardente e lambão, emitindo um ruído no fundo da garganta quando pude sentir meu gosto em sua língua. Não era a primeira vez, visto que eu era uma pessoa curiosa por natureza e peguei-me indagando qual seria o sabor do gozo numa das vezes em que me toquei por prazer. Também não podia dizer que não o apreciava, mas o gosto salgado e levemente amargo do sêmen era muito melhor quando saboreado em seus lábios.

Conforme o beijo ficava ainda mais profundo e não dava o menor indício de acabar tão cedo, cheio de línguas se acariciando e mãos que tocavam qualquer pedaço de pele que podiam encontrar, peguei-me desejando alcançar a parte interna de minhas coxas com a ponta dos dedos e coletar um pouco do líquido viscoso que ainda podia sentir ali, perguntando-me se era possível que o outro tivesse um sabor diferente. Porém lembrei-me que sua ejaculação estava contaminada com a espuma do sabonete usada pra lubrificar a área, então me contive. Mas confesso que dediquei alguns segundos para apenas apreciar a sensação estranhamente reconfortante de ter seu sêmen entre as pernas, coisa que não pude experimentar na noite passada; na verdade, se parasse pra pensar esse banho me trouxera nada além de novas experiências e sensações, o que me deixava triste e feliz ao mesmo tempo. Triste por que sentia como se estivesse perdendo muita coisa até esse momento, imerso na minha ignorância virginal; mas também feliz por que agora que tinha Yoongi pra me guiar, podia finalmente me aventurar nessa esfera do nosso relacionamento e descobrir mais coisas, novas coisas, a cada dia. Mais do que feliz, estava ansioso até.

— Nossa, isso foi... bem sexy. – o loiro comentou depois de interromper o beijo com uma risada fraca, sua respiração pesada e ofegante. Havia um sorriso satisfeito estampando seus lábios e um leve rubor em sua face que lhe dava um ar inocente; seus olhos brilhavam, contentes, acompanhando o sorriso dos lábios ao se transformar em pequenas fendas em forma de meia-lua. Não podia fazer nada se não sorrir de volta.

— O quê? O beijo ou todo o resto? – indaguei em forma de brincadeira, tom leve e provocativo, tendo uma ideia de qual seria sua resposta.

— Ambos. – respondeu sem um segundo de hesitação, confirmando minhas suspeitas. – Mas agora me sinto nojento de novo. Acho que precisamos de outro banho. Apenas um banho dessa vez, prometo. – riu.

— Oh? Então você admite que me arrastou pro banheiro com segundas intenções? – acusei de imediato. Apertei os olhos, desconfiado, quando me deparei com sua postura envergonhada: cabeça baixa, olhos inquietos, face corada, ombros tensos que subiam pra cobrir as orelhas. Pelo menos ele tinha a decência de tentar esconder o sorriso.

— ...Talvez. – sua voz era baixa e sua expressão apresentava culpa e vergonha em igual medida, mas eu sabia que no fundo Yoongi não se sentia nem um pouco apologético. Balançando a cabeça, incapaz de conter o riso, fiz questão de lhe informar que não prestava enquanto ligava novamente o chuveiro a fim de lavar a lambança que havíamos feito.

Dessa vez o banho fora mais curto, desprovido de segundas intenções, e a água já não esquentava tanto mais, mas nem por isso deixamos de nos divertir enquanto lavávamos o cabelo um do outro. A quantidade absurda de xampu que despejei na cabeça de Yoongi me deu a oportunidade de brincar com os fios loiros, moldando-os a fim de dar-lhe orelhas de gato. Visto que não conseguia parar de rir, Yoongi, confuso e extremamente desconfiado, deslocou-se até a pia e, após esfregar o espelho pra tirar o vapor e ver o que fizera em sua cabeça, começou a rir também. Ao retornar pra área do chuveiro o mais velho começou a miar de maneira ridícula, lambendo as costas da mão como se fosse sua pata e esfregando a bochecha na minha, agindo como a verdadeira personificação de um gato. Seu pequeno show apenas me fez rir ainda mais, tanto que quase escorreguei no chão molhado. Contudo Yoongi fora rápido em me segurar, e passado o segundo de susto ambos caímos numa crise de gargalhadas e risadinhas infantis. Não contente em ser o único felino ali, Yoongi colocou-se a me dar um par de orelhas idêntico ao seu, e assim que concluira seu trabalho o mais velho sorria de orelha a orelha. Agora somos um adorável casal de gatos, foi o que dissera logo antes de me puxar pra um beijo doce e suave, deixando minhas bochechas em brasa e o coração palpitando dentro do peito.

Fomos obrigados a encerrar o banho quando a água se tornou realmente fria – uma vez que o chuveiro barato não suportava esquentá-la por tanto tempo – enxaguando rapidamente os resquícios de sabão e xampu antes de nos enrolar nas toalhas com o corpo trêmulo e dedos enrugados. Yoongi me emprestou uma muda de roupas limpa pra usar depois que havíamos nos secado em seu quarto, tendo que vasculhar o armário atrás de calças que não ficassem ridiculamente pequenas ou apertadas nas minhas curvas avantajadas. Assim que deu as costas pra se vestir não pude me conter ao trazer o tecido da camisa em minhas mãos até o nariz, notando com um sorriso que suas roupas tinham um perfume almiscarado com uma pitada de tabaco ao fundo que era inconfundivelmente Yoongi. Por pouco o loiro não me pega em flagrante enquanto cheiro suas roupas como um pervertido, erguendo uma sobrancelha desconfiada quando me vê ainda de cueca com uma expressão de culpa no rosto e um sorriso forçado nos lábios. Em poucos segundos sua expressão muda pra uma de divertimento logo antes de sair do quarto, sem dizer uma palavra, dando-me tempo e privacidade suficiente pra me recuperar e vestir antes de segui-lo até a cozinha.

— Acho que ramen é a única coisa que tenho pra comer. – anunciou assim que ouviu meus passos se aproximando, sem me dirigir o olhar enquanto procurava na despensa e geladeira algo minimamente comestível, inconsciente de que havia feito a mesma coisa assim que acordei.

— Eu sei. Tentei procurar algo pra comer mais cedo e acabei de mãos vazias. Por acaso você só come direito quando estou aqui? Aish, esse hyung, sinceramente. Às vezes parece uma criança. – repreendi fracamente, sem forças pra lhe dar um sermão completo sobre a importância de uma alimentação saudável. Afinal, velhos hábitos custam a morrer, e eu sabia que nada que dissesse seria capaz de matar esse em particular.

— Me desculpe. – pediu, soando genuinamente apologético. – Mas acho que ainda devo ter alguns ingredientes que você comprou no mercado da última vez. Podemos usá-los pra incrementar o prato, se quiser. Fazer um super ramen.

A única coisa que me impedia de rir na sua cara era a expressão esperançosa que tinha na face ao fazer a sugestão, e eu simplesmente tinha um coração grande e bom demais pra dizer-lhe que um “super ramen” não chegava nem perto de ser uma refeição decente; na verdade continuava sendo um ramen como outro qualquer, apenas com mais porcarias dentro, que lhe conferiam o status de “super”. Além do mais, não era como se eu tivesse uma ideia melhor. – Está bem. Junte tudo que acha que podemos usar enquanto eu cozinho o macarrão.

— Ah não, Sunshine. Por favor, permita-me. – pediu num tom de falso galanteio, colocando uma panela com água pra ferver no fogão enquanto tirava dois pacotes de macarrão instantâneo do armário de cima, parecendo ignorar minha expressão perplexa e levemente desconfiada enquanto o observava se virar na cozinha, até me enviar um sorriso torto por cima do ombro. – Se tem uma coisa que aprendi comendo porcamente esses anos todos, foi cozinhar ramen. Acredite em mim, meu ramen é digno de um restaurante cinco estrelas.

— Eu nunca vi um restaurante cinco estrelas que servisse ramen, mas ok, fique à vontade. – disse com um encolher de ombros, abafando o riso quando o mais velho me encarou com um “yah!” ameaçador. Julgando-me indigno de uma resposta a altura, o loiro apenas estalou a língua contra os dentes e se pôs a me ignorar, concentrando-se na tarefa a frente.

Já que Yoongi insistia em fazer tudo sozinho, me deixando com absolutamente nada pra ocupar as mãos, me pus a importuná-lo e distraí-lo, abrançando-o por trás com meu queixo apoiado em seu ombro e cutucando suas costelas a fim de verificar se sentia cócegas, tanto ao ponto de quase fazê-lo cortar o dedo. A reprimenda e o tapa na parte de trás da cabeça que ganhei foram mais do que merecidos, pensei com certa culpa. Depois do quase acidente insisti para que me deixasse ajudar, ao menos cortando os vegetais. Com um suspiro Yoongi assentiu, e desse modo nós caímos num silêncio confortável enquanto cozinhávamos lado a lado. A cena era incrivelmente doméstica, e de repente me vi apreciando a familiaridade da situação. Não me importaria de passar o resto dos meus dias assim com Yoongi, ainda que fosse assustador admitir isso em voz alta.

Depois de pronto, era hora de comer o ramen – ou super ramen, como Yoongi chamava. Nesse momento estava empoleirado na cadeira alta do balcão da cozinha, encarando a tigela de macarrão com olhos cheios de julgamento. A aparência não era nada boa, parecendo mais uma gororoba mal cozida e misturada, mas tinha que admitir que a comida estava cheirosa, pelo menos. Yoongi, sentado ao meu lado com uma tigela idêntica à sua frente, me olhava cheio de expectativa nos olhos, incentivando-me a provar sua criação. Tentando conter uma careta amedrontada, prendi a respiração e coloquei a primeira porção na boca, mastigando cuidadosamente. Hm, nada mal, pensei. Nada mal mesmo.

— E então? – o ouvi perguntar, curiosidade evidente na voz. Chegava a ser fofo, o modo como ele aguardava um sinal de aprovação antes de qualquer coisa. Yoongi nem sequer tocara sua comida ainda.

— Eh. Já comi melhores. – provoquei com um encolher de ombros, fingindo o tom mais indeferente que conseguia fazer enquanto tinha que morder o lábio pra esconder um sorriso. Sabia que era cruel da minha parte brincar com seus sentimentos dessa maneira quando o mais velho parecia tão ansioso e apreensivo, mas a expressão de puro choque seguida de uma indignação fervorosa que estampavam sua face fazia tudo valer a pena.

— Oh, é mesmo? Então acho que você não deve mais estar com tanta fome, já que está fazendo pouco caso da minha comida. Com certeza não se importaria se eu comesse tudo sozinho, certo? – explodiu, soando realmente ofendido enquanto tentava tirar a tigela das minhas mãos com orelhas vermelhas. Nesse momento já não conseguia mais segurar o riso, puxando a mesma em direção ao peito enquanto ria até perder o fôlego.

— Não! Pare, não seja assim. Estava só brincando. O super ramen está delicioso. – assegurei-lhe assim que me recuperei da crise de risos, sorrindo de uma forma que esperava que pudesse convencê-lo da minha sinceridade. Abri ainda mais o sorriso quando vi seu rubor intensificar e o ouvi murmurar “pentelho” de maneira irritada com os olhos fixos em sua tigela antes de enfiar uma boa quantidade de macarrão na boca. – Também te amo, hyung.

Só me dei conta da gravidade de minhas palavras quando ouvi Yoongi engasgar ao meu lado, atraindo minha atenção. O loiro parecia completamente petrificado no lugar, músculos tensos e paralisados no meio da ação que realizavam, olhos grandes e vidrados no balcão a sua frente, pele ainda mais pálida que o normal. Se olhasse com atenção, veria que suas mãos tremiam levemente. Por um instante peguei-me perguntando o que tinha dito de errado, até finalmente cair a ficha: mesmo que sem querer, mesmo que dito em tom de brincadeira, eu havia confessado meus sentimentos para o mais velho. A surpresa com tal realização foi tão grande que soltei os hashis de imediato, tampando a boca com um arquejo preso na garganta. Eu não pensei antes de falar, e agora era tarde demais. Agora Yoongi sabia que o amava – eu havia acabado de lhe dar a confirmação verbal pra esse fato.

Passado o susto, mesmo minutos depois da confissão fujona, Yoongi ainda se recusava a olhar pra mim. O mais velho parecia ter se recuperado, abaixando a mão casualmente a fim de apoiar os próprios hashis na tigela de porcelana, mas ainda permanecia terrivelmente quieto. Eu podia ver o modo como seus olhos corriam de um lado pro outro como se procurassem uma saída, e como seu pomo-de-adão trabalhava enquanto engolia em seco. Conforme os minutos se arrastavam, percebi que prendia a respiração esperando uma resposta que nunca viria. Imediatamente senti como se um punho de ferro esmagasse meu peito, quebrando meu coração em mil pedacinhos. Talvez ainda fosse muito cedo pra falar de amor. Talvez Yoongi não se sentisse da mesma forma, ou precisasse de mais tempo pra descobrir o que sentia realmente. Talvez ele só não queria mentir. De qualquer forma, me vi com dificuldade pra esconder a decepção que pesava meus ombros e fazia meus olhos arder.

— Não seja tão cheio de si, Park Jimin. – disse, quebrando o silêncio com uma risada fraca e sem graça. Seu tom deveria ser tão travesso e brincalhão quanto o meu, mas só conseguia captar desespero no modo como sua voz tremia no final. Yoongi ainda não me dirigia o olhar, mas forcei um sorriso mesmo assim.

— Se eu sou desse jeito é porque o hyung gosta. – rebati, entrando na brincadeira e tentando agir como se a estranheza e a falta de contato visual não me afetassem. Pela primeira vez o outro não tinha uma resposta na ponta da língua, nenhum retruque ácido que dissiparia a tensão entre nós e me faria esquecer dos últimos minutos como se eles jamais tivessem existido. Ao invés, deixamos que o ambiente fosse imerso em silêncio mais uma vez enquanto terminávamos de comer com o coração pesado. De repente a comida de Yoongi não tinha mais gosto de nada, mas fiz questão de despejar tudo goela abaixo numa tentativa falha de fazer meu estômago parar de dar voltas.

Quando ambas as tigelas ficaram vazias me pus a lavar a louça, apenas pra ter o que fazer. Talvez estivesse enrolando, mas quem poderia me culpar? Eu já não sabia mais como agir, não sabia o que dizer. Se pudesse, voltava no tempo e retirava minhas palavras, mas infelizmente não podia. Não podia nem mesmo fingir que tudo não passava de mais uma brincadeira, por que as palavras haviam sido verdadeiras demais pra passar como mentiras. De qualquer forma, agora já era tarde demais: Yoongi sabia que o amava, mas Yoongi não me amava de volta.

— Hey. – o ouvi murmurar baixinho em meu ouvido ao envolver-me em um abraço morno por trás, como se soubesse exatamente o que se passava na minha cabeça. Era ridículo o quão rápido meu corpo respondia aos seus toques; já podia sentir a tensão em meus ombros derretendo no calor de seus braços.

— Hm? – murmurei de volta, incentivando-o a continuar, já começando a inclinar meu tronco em sua direção, pressionando meu corpo contra o seu e apenas apreciando o conforto que o movimento me trazia. Tive vontade de rir e chorar ao mesmo tempo; eu estava tão perdidamente apaixonado que sequer podia me conter.

— Me desculpe, Sunshine. – pediu com um suspiro, sua voz soando angustiada e sofrida. – Eu—

— Tudo bem. Não precisa dizer nada. – cortei antes que pudesse começar, tentando assegurar-lhe ao enviar um pequeno sorriso por cima do ombro que não alcançava meus olhos.

— Preciso sim. – insistiu, seu tom sério de repente, forçando-me a encontrar seu olhar ao me virar de frente pra si. – Você entendeu tudo errado. Só... acredite em mim, está bem? Você entendeu tudo errado. – Yoongi não estava fazendo o menor sentido, e suas palavras soavam como desculpas baratas, mas a dor que encontrei em seus olhos era bastante real. Como se houvesse algo escondido dentro de si que lhe doía dizer. Como se não fosse capaz de encontrar as palavras certas pra expressar o que estava sentindo. Depois do silêncio se esticar por um bom tempo, tempo demais, Yoongi fechou os olhos com um suspiro exausto lhe escapando dos lábios; parecia que havia o peso do mundo em seus ombros quando os abriu novamente. – Você confia em mim?

Deixei que o silêncio perdurasse por mais alguns segundos, tempo suficiente pra vasculhar suas orbes negras atrás de algo que nem mesmo eu sabia o que era, contando o tempo com as batidas do meu coração – o órgão palpitava tão forte que podia ouvi-lo claramente nos ouvidos. Não demorei muito pra encontrar o que queria, porque no três me vi assentindo com a cabeça, mesmo que de maneira hesitante. Yoongi sorriu aliviado, um sorriso lindo que iluminava todo o seu rosto apesar da inconfundível tonalidade de culpa e tristeza que havia por trás dele. Quando nossos lábios se encontraram num beijo suave, boa parte das minhas dúvidas e inseguranças haviam desaparecido. Talvez eu tivesse mesmo entendido tudo errado. Talvez Yoongi não fosse bom em demonstrar o que sentia com palavras, mas definitivamente suas ações falavam por ele. Talvez Yoongi de fato me amasse de volta. Talvez.

Nenhum de nós dois mencionou de novo o que acabara de ocorrer enquanto nos mudávamos pra sala a fim de assistir um pouco de TV e aproveitar o restante do nosso tempo juntos, preferindo ignorar a leve tensão que teimava em pairar no ar, dormente, apenas esperando um pequeno deslize pra retornar com força total e esquecer o infortúnio de momentos atrás. Era vergonhoso admitir, mas era fácil acreditar que estava tudo bem de novo e que não tinha feito nada de errado enquanto me aconchegava contra o corpo de Yoongi, apreciando o calor que emanava com um de seus braços rodeando meus ombros de forma protetora conforme seus dedos deslizavam por meu braço e afagavam meus cabelos. Eu ainda não entendia por que Yoongi havia reagido daquela forma, mas confiava nele. Como poderia não confiar, depois de tudo que passamos juntos? Yoongi podia ter dificuldades em se expressar – talvez nunca teria a oportunidade de ouvir as palavras que mais ansiava deixando seus lábios – mas se alegava ser mal interpretado, eu acreditava nele. Sem perceber, com o braço que tinha ao redor da sua cintura acabei puxando-o pra mais perto e apertando-o contra meu peito, meu abraço certamente sufocando-o, sentindo meu coração dar voltas e pulos de alegria quando Yoongi silenciosamente me apertou de volta, parecendo tão carente de contato físico quanto eu. Sorri, fechando os olhos e me permitindo apenas aproveitar o momento. Eu esperava que realmente tivesse entendido tudo errado.

Não percebi que havia pegado no sono até abrir os olhos e ver o sol se pondo, suas cores transformando o céu numa pintura antes de dar lugar à escuridão da noite. Eu ainda estava no sofá, na mesma posição em que havia dormido, e Yoongi ainda estava em meus braços. Quando ergui o olhar pra fitar seu rosto encontrei suas orbes já fixas em mim, uma ternura estampada nelas que era raríssima de ver, como se tivesse passado esse tempo todo me assistindo dormir – talvez fosse mesmo esse o caso, pois um segundo mais tarde percebi que não havia nada além de silêncio nos rodeando, a televisão agora desligada. Não consegui impedir um rubor de me subir a face quando inclinei-me pra pressionar seus lábios com os meus, numa tentativa de fugir do peso daquela atenção esmagadora. Não sabia dizer quanto tempo passamos nos beijando, um beijo constituído apenas pelo moldar de lábios, lento e afetuoso, mas ambos lutamos pra recuperar o fôlego quando nos afastamos.

— Acho melhor eu ir. Já está tarde. – disse com uma voz miúda, pesarosa. Não queria ir embora, não queria deixar o conforto dos braços de Yoongi, mas sabia que havia estendido minha estadia demais, mais do que me permitia aceitar.

— Ok. Eu te levo até em casa. – Yoongi não parecia muito melhor ao oferecer a carona, sua voz tão baixa quanto a minha enquanto me dirigia um sorriso triste. Agradeci a oferta e me pus de pé, procurando as roupas que usara na noite anterior pra me trocar e devolver as roupas que pegara emprestado de Yoongi, mas o mais velho insistira pra que ficasse com elas. Elas ficam muito melhores em você de qualquer forma, disse ao entregar-me uma sacola pra guardar minhas próprias roupas. O leve rubor que subiu a minha face pareceu agradá-lo imensamente.

A viagem de volta pro meu apartamento passara como um borrão, o carro imerso num silêncio confortável enquanto Yoongi dirigia e eu observava a vida noturna de Seoul passando por mim sem grande interesse. O mais velho havia ligado o rádio num volume baixo pra servir de som ambiente e às vezes eu reconhecia alguma música e cantarolava as letras baixinho, acompanhando o cantor. Mais de uma vez peguei Yoongi me encarando pelo canto dos olhos com a sombra de um sorriso nos lábios, e mais ou menos na metade do caminho o loiro finalmente baixara a guarda e alcançara minha mão com a sua, entrelaçando nossos dedos e mantendo-os assim até estacionar na frente do prédio em que residia. Ao ver a fachada do complexo de apartamentos não pude deixar de me sentir um pouco receoso; eu havia passado dois dias tão bons com Yoongi, tão maravilhosamente mágicos, que temia acordar com um sobressalto assim que botasse os pés em casa, finalmente percebendo que tudo não passara de um sonho. Entretanto, a mão que sentia contra minha palma era bastante real, e isso me trouxe um certo alívio, dando-me coragem pra encará-lo novamente.

— Obrigado pela carona. Nos vemos de novo logo, certo? – disse como forma de despedida, já com a mão na trava da porta do carro, sorrindo pra si com o que eu esperava que não fosse insegurança estampando meu olhar e colorindo minha voz. Mas é claro que Yoongi perceberia qualquer mudança de tom; era evidente no modo como sua expressão suavizara e sua mão apertava a minha um pouco mais forte.

— Lógico. – disse com um sorriso seguido de silêncio. Um silêncio tenso onde o sorriso de Yoongi desaparecera aos poucos e ele parecia querer me dizer algo enquanto sustentava meu olhar. E então, aparentemente desistindo de tentar encontrar as palavras certas, Yoongi desafivelou o cinto de segurança e se aproximou pra um beijo.

O ósculo começara inocente, hesitante, como se Yoongi temesse me afugentar caso viesse com muita força, suas mãos agora segurando minha face entre elas como se minha pele fosse feita de porcelana. Deixei-me ser inundado pelas sensações enquanto correspondia ao beijo, mas logo aquilo já não era mais o suficiente pra mim. Eu precisava de mais – sempre precisaria de mais quando se tratava de Yoongi. Eu era guloso e egoísta quando se tratava da afeição do mais velho, e agora precisava banhar-me nela pra assegurar meu frágil coração. Eu acreditava em Yoongi quando dissera que havia entendido tudo errado, mas já que não podia ouvir as palavras saindo de sua boca, eu precisava ao menos senti-las.

Sedento e ávido por sentir mais de seus toques, mais de seu gosto, mais Yoongi, desafivelei meu próprio cinto com dedos impacientes e empurrei-o de volta para seu banco, deslocando-me junto consigo a fim de não descolar nossos lábios enquanto me colocava sentado sobre seu colo, prendendo-o entre minhas pernas conforme o beijo se tornava ardente e apaixonado. Soltei um suspiro contra seus lábios quando o senti apertar minhas coxas com vontade, eu mesmo emaranhando seus cabelos com os dedos enquanto explorava cada canto de sua boca com a língua. Logo o beijo já não era mais tão inocente assim, e a temperatura dentro do carro parecia ter subido pelo menos dez graus enquanto arfávamos entre beijos molhados e nos tocávamos sem pudor, com mãos que deslizavam por baixo de camisetas e causavam arrepios na pele do outro. Eu estava a poucos centímetros de apalpar sua ereção recém-formada, tendo que me afastar relutantemente pra facilitar o acesso ao zíper da calça que usava quando sem querer sentei-me sobre o volante, o peso do meu corpo acionando a buzina com um barulho alto que nos sobressaltou de imediato. Ficamos alguns segundos assim, paralisados com olhos grandes e travados um no outro e rosto pálido de susto, com minha mão também congelada pairando sobre a tenda em suas calças, quando de repente caímos numa crise de risos incontroláveis.

Rimos até nos faltar o fôlego, até que lágrimas começassem a surgir nos olhos, rimos até não lembrarmos mais porque estávamos rindo pra começo de conversa. Depois do que pareceram horas gastas apenas rindo, quando o sentimento de puro júbilo substituíra a luxúria por completo, envolvi seu pescoço com os braços e o senti fazer o mesmo com a minha cintura enquanto apenas olhávamos um pro outro e tentávamos parar de rir, ainda que um sorriso capaz de rasgar bochechas estivesse estampado em ambas as faces e pequenas risadinhas escapassem de vez em quando. Naquele momento, ali dentro daquele carro, sentado no colo de Yoongi e olhando profundamente em seus olhos, pensei ter ouvido as palavras que talvez seus lábios não fossem capaz de proferir mas que suas orbes expressavam com uma clareza impressionante.

Eu te amo.

Depois de me despedir com o coração pesado e subir de elevador a curta distância até meu apartamento já sentindo falta dos lábios de Yoongi contra os meus, a última coisa que esperava encontrar ao abrir a porta era a face sorridente de Taehyung me recebendo com um alto e estrondoso “bem-vindo de volta, Jiminie!”. Sua expressão era estranha; Taehyung sorria largo como quem acabara de descobrir um segredo ou pretendia dominar o mundo logo logo – era difícil decidir quando se tratava dele. O garoto mal permitiu que me acomodasse no sofá propriamente, indo direto ao assunto quando interrogou-me sobre meu paradeiro e por que não estava vestido com as roupas do dia anterior, mas antes que pudesse me fazer de desentendido Taehyung largara todas as farsas: ele já sabia exatamente o que havia acontecido, onde havia acontecido e com quem havia acontecido. Quando lhe perguntei, surpreso, como sabia aquilo tudo, o mais novo apenas estalou a língua contra os dentes num gesto reprovador, balançando a cabeça em decepção. Vocês não deviam ter tocado a buzina se não quisessem atrair a atenção dos vizinhos, foi o que disse com um sorriso felino.

Diante do meu silêncio incriminador, Taehyung riu em deleite e continuou seu interrogatório com perguntas cada vez mais gráficas e indecentes, afugentando Jungkook, que com uma expressão enojada no rosto marchou para o quarto com passos decididos e fechou a porta com um baque atrás de si. Entretanto isso não fora o suficiente pra fazer Taehyung parar, muito pelo contrário. Ao invés, ele me surpreendeu com uma pergunta que estranhamente nada tinha a ver com Yoongi e sua performance na cama. – Então você recebeu minha mensagem?

— Sim, na verdade foi Yoongi que... – comecei, piscando os olhos um pouco confuso, porém grato pela mudança de assunto, até que tudo fez sentido de repente. Era como se tivesse um estalo e então todas as peças se juntaram imediatamente formando uma imagem no quebra-cabeça. E essa imagem se assemelhava terrivelmente com o sorriso diabólico que Taehyung abria nesse momento. – Espere um pouco. Esse era o seu plano o tempo todo, não era?!

— Bem... – começou, parecendo inocente e culpado em igual medida, nem um pouco abalado pelo olhar de puro horror que lhe dirigia. – Eu não tinha como ter certeza que Suga-hyung iria encontrar a mensagem, mas já que encontrou... vamos apenas dizer que meu não-plano correu exatamente como planejava.

Notas finais
Bom, esse foi o último capítulo programado. Por favor, sejam pacientes comigo daqui pra frente. >—
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.