Hold me Tight

13 Arte milenar de servir bebidas


– Taehyung POV -

Na escuridão do meu quarto, eu sorria satisfeito comigo mesmo pelo belíssimo plano bem executado. Mais cedo naquela noite, através de um de meus amigos gangsters, eu descobrira que aquela figura pálida que mantinha uma nuvem tempestuosa sobre a cabeça no fundo do bar era na verdade ninguém menos que o famoso Suga, o gângster mais perigoso do pedaço e também o amiguinho do meu querido Jiminie. Eu o analisei da cabeça aos pés discretamente – não que ele fosse me notar, já que estava tão absorto nos próprios pensamentos – a fim de julgá-lo digno ou não do meu melhor amigo. Ele era fofo o bastante, conclui. Comecei então a maquinar um plano para trazer Jimin até aquela espelunca que chamávamos de bar – até então sem sucesso – quando a resposta para minhas preces estava bem à minha frente o tempo todo: o álcool. Sem pensar duas vezes, fui esvaziando garrafa atrás de garrafa, enquanto sentia minha cabeça girar e a minha fala ficar engraçada. Veja bem, eu estava acostumado a ingerir grandes quantidades de bebidas alcóolicas sem vomitar as tripas pra fora depois, uma vantagem adquirida depois de tantas festas universitárias e visitas à bares duvidosos como este. Mas isso não significava que eu era completamente imune à embriaguez. Quando me julguei suficientemente bêbado, disquei o número de Jiminie no celular e assim que ele atendeu, pedi socorro na voz mais manhosa e fofa que eu conseguira. Tive que lutar contra o sorriso triunfal que teimava em puxar o canto dos meus lábios quando vi Jiminie dando de cara com o fantasma que chamavam de Suga. O resto é história.

Agora, deitado confortavelmente na minha cama e sentindo orgulho próprio, eu pegava no sono contemplando a possibilidade de me tornar um mestre do crime, tamanha minha genialidade para bolar planos malignos.

Era noite de quinta-feira. Eu e Jungkook estávamos disputando uma partida de corrida no videogame quando ouvimos o familiar bipe da porta sendo destrancada. Estiquei o pescoço para ver Jiminie retirando os sapatos de costas para nós, os ombros um pouco mais caídos que o normal. Era estranho ter Jimin em casa tão cedo – ainda não era nem meia-noite – mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, minha atenção fora trazida de volta à TV quando ouvi um barulho de batida de carro.

– Droga, Jungkook-ah! – ralhei, tentando levar meu carro de volta à pista. – Era pra você ter pausado o jogo.

– A culpa não é minha se você não estava prestando atenção. – olhando-o de soslaio, pude notar um sorrisinho debochado puxando seus lábios.

– Ah, mas você vai comer poeira agora, seu moleque. – desafiei, franzindo o cenho em concentração enquanto apertava o botão do joystick pra acelerar o carro, acompanhando cada curva com o corpo enquanto a ponta da minha língua se esgueirava pra fora da boca.

Quando senti Jimin se sentar no chão à minha frente e encostar a cabeça no meu joelho, desviei a atenção da tela para ver seus olhos fechados numa expressão de exaustão e preocupação. Como eu possuía uma péssima mania de tirar os olhos da televisão mas continuar com o dedo pressionado sobre o botão de acelerar, meu carro capotou de uma maneira tão bonita que eu até ficaria maravilhado, se a expressão do garoto abaixo de mim não me preocupasse tanto.

– Aconteceu alguma coisa, Jiminie? – perguntei, aflito, deixando o joystick de lado enquanto a contagem regressiva para recomeçar a partida piscava na tela da TV.

– Sim. – respondeu, soltando um longo suspiro cansado. – Eu estava tão animado por poder voltar pra casa mais cedo, mas tudo isso foi destruído quando encontrei a síndica no elevador. – mais um suspiro. – O aluguel vai aumentar a partir do mês que vem.

– Que merda. – comentou Jungkook, recebendo uma encarada de Jimin e um tapa na orelha da minha parte. – Ai! Por que fez isso, seu idiota? – o moreno me perguntou com raiva, segurando a orelha agredida enquanto fazia uma careta de dor.

– Você ainda é muito novo pra falar palavrão. – disse simplesmente.

– Ah, não fod- – outro tapa, dessa vez na nuca. – Por- – mais um, no mesmo lugar. Jungkook se virou na minha direção com o punho cerrado, mas antes que ele pudesse seguir adiante com a agressão, Jimin interviu.

– Podem parar, vocês dois. – seu tom de voz não deixava brechas para reclamações. Suspirando mais uma vez, disse – Acho que eu vou ter que arrumar outro emprego.

– Mais um, Jiminie? – perguntei, genuinamente preocupado. – Você já trabalha todas as noites, de manhã você tem aula... Como você vai arrumar tempo?

– Sei lá, Tae. – observei-o passar as mãos pequenas pelos cabelos castanhos. – Eu posso arrumar um bico nas minhas tardes livres, ou no final de semana. Eu preciso dar um jeito.

– Você não precisa se esforçar tanto, Jimin-ah. – ouvi Jungkook dizer baixinho ao meu lado. De toda forma, Jimin escutou, porque se virou bruscamente para o moreno com uma expressão séria no rosto.

– Preciso sim, Jungkook. E sabe por quê? – Jimin levantou-se de supetão, irritado, enquanto apontava o dedo para nós dois. – Porque eu não sou sustentado pelos pais como vocês. Todas as minhas despesas eu pago sozinho, com o meu trabalho. Se essa despesa aumenta, eu preciso dar um jeito de pagá-la. – com isso, Jimin foi se fechar no quarto, bufando de raiva. Troquei olhares silenciosos com Jungkook, que estava tão estupefato quanto eu.

– Que escroto. – comentou, cruzando os braços e fechando a cara numa carranca.

– Não... Não, ele tem razão. – suspirando, me levantei para ir em direção ao meu quarto. – Todas as noites, ele se mata de trabalhar. E o que a gente faz? – apontei em direção ao videogame. Sem mais, comecei a me afastar quando fui impedido por uma mão segurando meu pulso. Olhei sem entender para a mão, depois para o braço conectado à ela, até encontrar o rosto suplicante de Jungkook.

– Me deixa dormir no seu quarto hoje? Eu sinto que vou morrer se entrar lá agora. – pediu, apontando na direção do quarto que ele dividia com Jimin. Não conseguia deixar de pensar num coelho quando o via assim, olhos grandes e lábios formando um bico.

– Aish, que criança mimada. – baguncei meus cabelos com a mão livre, tentando parecer indignado. – Tá, tanto faz. – continuei meu caminho, com um Jungkook relutante, mas agradecido, atrás de mim.

O relógio marcava altas horas da madrugada enquanto minha mente era bombardeada por pensamentos que afastavam o sono. Por mais que eu quisesse, eu não conseguia impedir que as palavras duras – porém verdadeiras – de Jimin me afetassem. Eu era sustentado aqui em Seoul basicamente pela minha vó paterna, que tinha uma condição financeira agradável graças ao seu marido, meu avô, um médico aposentado e atual CEO de uma empresa que fabricava equipamentos médicos e cirúrgicos. Meu pai se rebelara contra os desejos de meu avô ao se tornar professor de primário, ao invés de seguir carreira na medicina, ganhando assim seu desgosto e revolta. Resumindo, eu não era muito próximo de meu avô graças às escolhas de meu pai, mas eu ainda mantinha uma ótima relação com a minha vó. Meu pai então se casou com uma bela mulher – minha mãe – e juntos se mudaram pra Daegu. Lá, tiveram três lindos filhos: eu, Kim Taehyung, o mais velho que às vezes agia como o mais novo; a linda e irritante Kim Taegeuk, hoje com doze anos; e o pequeno Kim Taekwon, oito anos. Eu poderia dizer que a nossa família era aquele típico retrato da família feliz, mesa cheia no café da manhã, relatos animados de como fora o dia de cada um e tudo isso, se não fosse pelo falecimento da minha mãe, há sete anos atrás. Ela havia adoecido com alguma coisa no seu pulmão, e durante boa parte da minha infância eu a via no hospital. Um dia, sem mais nem menos, ela nos deixou. Meu pai nunca mais fora o mesmo depois daquilo, – aliás, nenhum de nós – mas ele se esforçava para continuar sendo o pai presente que seus três filhos tanto precisavam. O pobre Taekwon cresceu sem ter nenhuma lembrança da mãe, tendo que se contentar com fotos e relatos meus antes de dormir. Meu coração doía ao ver a dedicação que meu pai apresentava ao se manter firme e forte apesar da evidente devastação que o luto lhe causara. Tendo que vê-lo dar o máximo de si por nós, eu decidira que iria para Seoul a fim de frequentar uma das melhores universidades do país e construir uma carreira, para então retribuir tudo que meu pai já fizera por mim e por meus irmãos, isso tudo sem sua ajuda.

Por isso, eu me sentia um lixo no momento. Claro, eu ainda me recusava a aceitar um tostão sequer de meu pai, já que ele estava com as mãos cheias para criar duas pestinhas com seu salário de professor. Mas deixei minha vó me convencer a aceitar sua ajuda, o que me tornou um garoto desleixado. Eu havia entrado na universidade aos dezoito anos, para cursar biologia. Na metade do ano, eu havia desistido do curso. No ano seguinte, eu mudei para o curso de filosofia e matei tantas aulas por causa de festas que acabei reprovando. Agora, aqui estava eu, Kim Taehyung, vinte anos de idade, cursando o primeiro ano de filosofia novamente, desempregado e vendo meu melhor amigo se matar para fazer aquilo que eu prometera fazer e não fiz. Fora com pensamentos de arrependimento e culpa que eu finalmente peguei no sono, sendo embalado pelos roncos leves de Jungkook ao meu lado.

Na manhã seguinte, acordei com meu celular notificando a chegada de uma nova mensagem. Deixando apenas um olho entreaberto, peguei o aparelho – notando que eu acordara quase na hora do almoço – apenas para ver minha irmãzinha reclamando sobre uma aula de balé que nosso pai não tinha condições de pagar. Se fosse qualquer outro dia, eu desconsideraria completamente aquela mensagem. Mas como hoje eu estava especialmente sensível, ela acabou servindo como um incentivo a mais para minha decisão de tomar rumo na vida. Levantei-me e fui até a cozinha, constatando que os outros dois já haviam saído de casa há muito tempo – e me largado sozinho. Porém, o choque e sentimento de solidão iniciais foram completamente derretidos ao ver uma pequena tigela de comida deixada na mesa à minha espera. Ah, Jiminie. Você é carinhoso até quando está com raiva, pensei.

Devorei a refeição mais do que depressa, tomando um cuidado especial ao lavar a louça antes de voltar ao quarto pra me arrumar. Tomei uma ducha breve, e enquanto secava os cabelos na toalha eu escovava os dentes. Decidindo que agora era tarde demais pra ir pra faculdade, escolhi uma calça jeans negra e um blusão branco de manga comprida com um rasgo próximo à gola que eu mesmo fizera com a ajuda de uma tesoura no armário e um par de Converse azul. Arrumei meus fios lilases da forma mais estilosa que conseguia e apliquei um pouco de maquiagem na pele e nos olhos, tentando parecer apresentável pra uma entrevista de emprego.

Durante a breve descida de elevador do meu andar até o térreo, me dei conta que não fazia a menor ideia de onde eu queria trabalhar. Eu sabia que tinha que ser algo de meio período, e que eu era especialmente bom com pessoas, mas eu não possuía absolutamente nenhuma experiência, em ramo nenhum. Antes que eu pudesse me desesperar, lembrei de um pequeno café que ficava no final da rua; andei contente até lá, praticamente saltitando o caminho todo. Chegando ao local, tomei a primeira de muitas decepções do dia: o gerente só precisou dar uma boa olhada no meu cabelo e nas minhas roupas, pra me agraciar com um sorriso amarelo e um “me desculpe, não estamos contratando no momento”. Sai do café derrotado, e a mesma sequência se repetiu ao longo do dia, não importava o estabelecimento, seja ele café, restaurante ou supermercado. Todos me recusavam sem pensar duas vezes.

Lá pelo meio da tarde, eu senti a estranha necessidade de desabafar com alguém, então peguei o celular e disquei o número da minha vó. Sentando num banco da praça que me encontrava, batendo os pés no chão impaciente, esperei alguns segundos para que ela atendesse a ligação.

– Alô? – assim que ouvi sua voz, não pude conter o sorriso que começava a surgir em meus lábios.

– Oi, vó! Sou eu, Tae-Tae. – exclamei, já me sentindo um pouco aliviado.

Olá, Taehyungie, meu amor! – ela me cumprimentou, animada como sempre. – O que houve? Por que está me ligando à essa hora? – acrescentou, um pouco de desconfiança e preocupação sobressaindo no tom de sua voz.

– É que... – suspirei, tomando coragem. – Vó, eu tô procurando emprego. Mas ninguém quer me contratar. Isso me deixa muito triste. Eu vim pra Seoul querendo viver minha própria vida, mas ainda sou sustentado por você, e por isso me tornei um vagabundo que está começando a faculdade pela terceira vez. A Taegeuk quer fazer aula de balé mas o pai não pode pagar agora. O aluguel do apartamento que eu divido com meus amigos aumentou, e agora o Jiminie tem que trabalhar mais pra conseguir pagar, e isso me lembra tanto o meu pai que eu sinto vontade de chorar. – finalizei o monólogo com lágrimas nos olhos, lutando para contê-las enquanto recuperava o fôlego. Minha vó apenas ouviu tudo silenciosamente, e agora fazia sons tranquilizadores para me acalmar.

Aigoo, meu menino... Não se preocupe, vovó manda mais dinheiro pra você.

– Não, vó! Não é isso que eu quero. – suspirei. – Eu quero arranjar um emprego e começar a pagar minhas próprias contas, como o Jiminie faz. Eu o admiro tanto, porque mesmo com a sua condição financeira, ele se esforçou e veio pra Seoul realizar seu sonho. Eu queria ser capaz de fazer isso também. Queria ser capaz de viver de forma independente, ganhando meu próprio dinheiro e, se possível, pagando todos os cursos que meus irmãozinhos quisessem entrar. Será que estou pedindo muito, vó?

Claro que não, meu amor. – ela me garantiu, sua voz transbordando ternura. – Eu respeito muito sua decisão. Você já é um homem crescido agora, e é mais do que natural essa vontade de ganhar o próprio dinheiro. Mas eu só tenho uma pequena dúvida em relação à isso tudo. Você sabe quanto é a mensalidade da sua faculdade?

– Ahn... Não...? – respondi, inseguro. Ao ouvir sua resposta, meus olhos se arregalaram com a quantia. – Hm... Vó? Você se importaria em só pagar a minha mensalidade e deixar o aluguel por minha conta? – sugeri, tentando não soar tão fracassado quanto eu me sentia. Pude ouvir sua risada do outro lado da linha.

É claro que não, meu bebê. Pode ficar tranquilo que a vovó cuida de tudo, inclusive do curso de balé de Taegeuk. – ela soltou outra risada, mais contida dessa vez. – E não se preocupe em relação ao emprego. Eu tenho certeza que eventualmente alguém irá ceder ao seu charme irresistível. Lembre-se que quem perde são eles, não você.

– Obrigado, vó. – sorri. – Eu sinto sua falta.

Eu também sinto a sua, meu anjo. Lembre-se de me visitar nas férias, sim? E traga seu amigo Jiminie também.

– Pode deixar. – rindo, me despedi. Pude sentir meu coração se contorcendo de saudades, mas agora eu tinha um objetivo a cumprir.

Passei o resto do dia na mesma rotina anterior: batendo de porta em porta, e sendo rejeitado em todas. Quando o sol se pôs, eu reparei que estava próximo ao bar de noites atrás quando avistei seu letreiro verde néon piscando mais abaixo na rua. Fiz o caminho até lá com os ombros caídos em derrota, contemplando a possibilidade de pedir um emprego na loja que Jimin trabalhava enquanto pedia uma dose de soju ao bartender de meia idade.

– Tem algo errado, filho? – o homem me perguntou, secando alguns copos com um pano encardido.

– Procurar emprego é uma droga, né? – suspirei, não hesitando em despejar minhas lamúrias sobre ele. Afinal de contas, era de conhecimento geral que barmans davam os melhores conselhos. – Eu passei a tarde inteira atrás de um, mas tudo que recebi foi um “não” bem grande na cara.

– Por que você não vem trabalhar aqui? – perguntou o homem casualmente, limpando a bancada com o mesmo pano encardido.

– ... Como?

– Por que não? Sabe, guri, eu sirvo bebidas nessa mesma pocilga há mais de vinte anos. Eu já sou um homem velho, e agora tenho netinhos pra me preocupar. Ao meu ver, já está mais do que na hora de dar no pé daqui, mas eu não posso ir embora sem um substituto. – ele parou de limpar a bancada e me olhou diretamente nos olhos, levantando a sobrancelha de forma sugestiva. – Você precisa de um emprego, eu preciso de um substituto. Uma mão lava a outra, não?

– Sabe... Essa seria uma ótima ideia. – concordei, acenando com a cabeça pra dar ênfase. – Só tem um pequeno problema, ahjussi. Eu só sei como ingerir bebidas alcóolicas, não servi-las.

– Há, não se preocupe com isso, garoto. – ele me lançou um sorriso que mostrava seus dentes podres, jogando o pano encardido sobre o ombro direito. – Ser bartender é uma tradição, e como toda tradição, pode ser passada adiante.

Algumas horas mais tarde, saí de lá empregado e com um pouco mais de conhecimento sobre a milenar arte de servir álcool em bares estranhos pra gente esquisita. Cansado de toda a caminhada que eu fizera ao longo do dia, peguei um ônibus para casa. Mal eu terminei de digitar a senha para destravar a porta, fui atacado por um Jimin extremamente carente e preocupado.

– Onde você estava? – perguntou, afundando o rosto na curva do meu pescoço enquanto apertava os braços em torno da minha cintura. – Quando eu saí de casa você ainda não tinha acordado, você nem sequer deu as caras na faculdade, eu fiquei com medo de te ligar e você ainda estar com raiva de mim, e quando eu chego em casa do trabalho você não estava aqui pra me receber. Onde você foi? – eu me sentia atordoado com a quantidade de palavras que Jimin cuspia por segundo, mas ao mesmo tempo me perguntava se ele tinha algum dom pro rap. Antes que eu pudesse verbalizar essa dúvida, senti Jimin me afastando para que pudesse olhar fundo nos meus olhos enquanto esperava uma resposta.

– Eu fui procurar emprego. – respondi simplesmente.

– O quê? Onde? Como? Quando? Por quê?

– Jiminie, respira. – pedi, notando como ele se desesperava.

– Você não precisava, Tae! – ele choramingou. – Me desculpe por ter sido grosso com vocês. Eu estava com muita raiva no momento, e descontei em quem não devia. Me perdoa.

– Tá perdoado, mas você não teve culpa. – assegurei-lhe, apertando suas bochechas fartas. – Eu já estava cansado de te ver ralando todo dia e ficar aqui em casa coçando o saco. Ganhar minha própria independência sempre foi algo que eu desejei, e vê-lo conquistar isso só me motivou mais. Portanto, Jiminie, não se preocupe comigo.

– Meus parabéns. – me assustei ao ouvir a voz de Jungkook atrás de nós, porque não tinha notado sua presença até o momento. – Agora somos três garotos devidamente empregados.

– Sério? – me desvencilhei dos braços de Jimin para poder tirar os sapatos e me aproximar de Jungkook na sala. – Você vai trabalhar onde?

– Meus pais conhecem uma pessoa que tem um escritório de advocacia aqui em Seoul. Eu fui contratado como estagiário lá. Vou servir café, arrumar arquivos, esse tipo de coisa chata.

– Ah, tinha que ser. – bufei. – Enquanto eu rodo a cidade inteira atrás de emprego, esse moleque mimado só precisa fazer uma ligação e já está com a vida toda feita. – zombei, arrancando uma careta irritada do moreno. Antes que pudéssemos brigar de fato, Jimin interviu.

– Você ainda não me disse onde está trabalhando, Tae. – disse, obtendo sucesso em tirar nossa atenção da briga e atrair para si.

– Naquele bar que você foi me buscar, lembra? – respondi casualmente, fazendo meu caminho até a cozinha em busca de algo pra comer.

– O quê? Naquele lugar... – Jimin fez uma pausa, em busca de alguma palavra menos ofensiva, mas desistiu quando não encontrou nenhuma. – Você ao menos sabe como servir bebidas?

– Não se preocupe, Jiminie. – sorri, alinhando três copos na bancada da cozinha e abrindo uma garrafa de soju que eu havia escondido no armário. – Ser bartender é uma tradição, e como toda tradição, pode ser passada adiante.