Hold On 16th
3 Capítulo 2 - A resposta disfarçada de pergunta.
Notas iniciais
-Octavius, o que aconteceu?
Perguntou Klaus ao seu irmão, que esperava desesperadamente, sentado em um banco do hospital, pelo resultado da morte de Hallimander. Octavius levantou-se bruscamente do banco e o abraçou enquanto sua frase era cortada por soluços de choro.
-Não... Culpe-me Klaus, não me culpe, por... Favor! Eu não fiz nada... Nada. Eu e ela estávamos... Indo pro colégio... Juntos e...
-Hey, colega, espera! Não estou te culpando, só queria saber o que aconteceu. Ninguém vai te culpar por algo que você não fez, calma.
-Mas... E se eu tiver certa culpa nisso? Porque eu estava com ela, ela morreu nos meus braços e...
Octavius calou-se, sentou-se e esperou Klaus falar alguma coisa para tentar livrá-lo da culpa que perturbava cada célula de seu corpo no momento.
-Cara, você não tem culpa alguma. Ninguém sabia que a Hall era viciada, okay, mas overdose é comum em usuários de qualquer tipo de droga, ainda mais na adolescência. Não se culpe por nada, calma.
Klaus sentou-se ao lado do irmão no banco e ambos ficaram calados encarando a porta do quarto de Hallimander. Depois de certo tempo, James, Schrooder, Brunnett, Alexandrea e Georgia-Simoné chegaram ao hospital para se encontrarem com Klaus e Octavius.
-Me conta agora o que aconteceu ou seu irmão vai pro buraco também! –James entrou gritando com Klaus no hospital esperando alguma resposta que poderia fazer algum sentido naquele momento.
-Se segura, James! Ele não tem culpa, pra começo de conversa! Não venha com essa de que vai matá-lo, já basta a Hall! – Nesse momento o hospital silenciou-se, deixando o constrangimento entre James e Klaus pairando no ar. – E segundo: Ele não sabe o que aconteceu, na verdade, nenhum de nós sabe. Então não dê uma de menininha mimada e destrua o que resta de harmonia entre nós. Já chega! É muita preocupação pra um dia só! – Klaus olhou fixamente para seu melhor amigo e esperou alguma resposta sair da boca de James, mas a única coisa que conseguiu foi uma cara vermelha de arrependimento do garoto e um suspiro de seu irmão.
-Desculpa cara, desculpa mesmo. – James virou-se para Octavius. — Me desculpa também, carinha, não foi minha intenção. Eu... Eu fiquei nervoso, só isso. Desculpem-me...
Todos ficaram em silêncio se encarando. Depois de uma leve abertura de porta –que para eles parecia que alguém havia batido a porta com o máximo de força que essa pessoa poderia produzir – todos se levantaram de onde estavam sentados – isso incluía o colo de Klaus – e esperavam ansiosamente pela resposta da médica de Hallimander, acompanhada dos pais da colega.
-Crianças, – disse Kevin Suri, pai de Hallimander – a Dra. Jensen fez os exames na Hall, e... – Kevin respirou um pouco, tentando conter as lágrimas – constatou que ela teve uma overdose. E nós, falo por mim e pela Daisy, que vocês serão os únicos capazes de fazer algo decente pela nossa filha, pois vocês a conheciam muito melhor do que nós mesmos. Ela passou esses últimos meses distante de nós, achávamos que era algo a ver com a adolescência, mas... Mas descobrimos que ela se drogava...
Kevin parou de falar, olhou fixamente para Octavius, abraçou sua mulher que estava perturbada com o momento – assim como todos ali – e foi embora, carregando a ficha com o atestado de óbito de sua filha.
— Queridos, – disse a Dra. Jensen – espero que, como amigos, vocês possam fazer algo por ela, um memorial, ou talvez o próprio funeral. Ela era muito jovem, e por ser anoréxica não suportou a overdose tanto quanto suportaria se estivesse no peso ideal pra idade dela. Eu sei que é assustador, mas teremos que mandar fazer uma busca sobre como a overdose aconteceu, em que momento, com quem ela estava... Desculpem, tomei muito do seu tempo e da sua dor, com licença.
A Dra. Jensen se retirou do corredor e entrou em outra sala ao lado da de Hallimander, fechando a porta cuidadosamente. Nesse momento, todos olharam para Octavius, que havia se sentado novamente, e parecia remoer com cuidado cada momento do trágico acontecimento. Klaus, que no momento era a melhor pessoa para conversar com o irmão, se agachou na frente de Octavius, segurou suas mãos e fez a pergunta que todos queriam fazer.
— Por favor, conte-nos detalhadamente cada segundo desde o momento que você a encontrou até a hora que ela... Bem, você... Você sabe... – a palavra "morreu" soaria muito forte para qualquer um presente no corredor do hospital.
— Eu não tenho que falar porra nenhuma pra vocês!
Octavius se levantou bruscamente, empurrou o irmão e saiu correndo do hospital, deixando uma grande dúvida para todos.
— Espera, qual foi a dele agora? – Georgia-Simoné perguntou em um tom não parecido com dúvida, mas sim de desdém. – Ele deve estar perturbado, eu sei, mas precisava fazer isso? Seu irmão fica cada vez mais misterioso, Klaus.
Klaus se levantou do chão, limpou as mãos na camiseta e se sentou no banco ao lado do bebedouro enquanto pegava um copo de água.
— Não acredito que ele fez aquilo... Ele parecia estar tão nervoso, sem forças pra nada... Eu vou atrás dele!
— Não! – Gritou James. – Não vai! Deixa ele, deixa. Ele está com raiva, é muita coisa para um dia só, deixe-o pensar, refrescar a cabeça. Não o culpe, ele estava com ela. Isso não é e nunca será fácil, Klaus. Todo mundo tem seu momento de descontrole, só... Deixe-o sozinho por um tempo.
Klaus concordou, abraçou o melhor amigo e todos foram para a cantina do hospital.
— Desculpe, Klaus, mas eu realmente acho que seu irmão tem alguma culpa nisso.
Brunnett se pronunciou pela primeira vez no hospital.
— Não te culpo, cara. Eu também imagino que ele tenha alguma coisa a ver, mas eu não queria falar na frente dele. É muita pressão pra um dia só.
— Nada pode fazer muita pressão em um assassino. – Disse James, com uma voz seca.
— Ele não é um assassino! – Klaus disse entre dentes. – Ele só estava com ela no momento, ele não teria motivos pra matá-la! Ele é inocente!
— Todos são inocentes até que se prove o contrário. – James disse, terminando a frase com uma risada desdenhosa.
Klaus levantou-se da cadeira e deu um soco em James.
— Seu filho da puta, meu irmão é mais inocente que você! Idiota, ele é melhor do que você um dia conseguirá ser! – Klaus continuava socando James, que não tinha reação nenhuma. – Para de acusá-lo por algo que ele NÃO fez! Eu te odeio! – Mais um soco. – Te odeio! – Outro soco. – Te odeio! – Um soco final. – Me solte!
Klaus começou a se debater nos braços de Schrooder e de Brunnett, tentando se livrar dos amigos que o seguravam para não bater mais em seu, até algum momento atrás, melhor amigo.
— Me solte! Esse desgraçado merece morrer! Ele não pode culpar meu irmão por algo que ele não fez!
Nesse mesmo momento, os seguranças do hospital tiraram Klaus da cantina, enquanto os outros do grupo ajudavam James a se levantar e a se limpar do sangue que jorrava de seu nariz. Podiam ouvir de longe os gritos de Klaus dizendo: "Aquela bicha me paga!".
Depois de lavar o rosto, James disse que iria para casa, mas Schrooder levou James e o primo até o apartamento onde moravam, enquanto as meninas que haviam ficado no hospital acompanhavam junto com Kevin Suri e Daisy Akemi o corpo de Hallimander ser movido da sala de autópsia para as gavetas do necrotério.
— Ela era tão maravilhosa, tão bem-humorada... Por que, meu Deus, por que tinha que levar nossa filha, nossa única filha? – Kevin chorava enquanto falava mais para si mesmo do que para qualquer outro.
Georgia-Simoné e Alexandrea se abraçavam embaixo daquele sentimento de nostalgia que voltava a percorrer os corredores do hospital, enquanto Daisy e Kevin seguravam a maca que era empurrada pacientemente por enfermeiros para dentro da sala escura, fria e carente de lembranças do necrotério.
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