Hogwarts Paralela-Interativa Hiatus
6 Capitulo 5
Notas iniciais
Carter e Thomas percorriam os corredores de Hogwarts a fim de chegarem a tempo da aula de Adivinhação, que seria dada pelo Professor Juan Pietro.
Pietro era um professor muito alto. Quando dizemos que ele era alto, era muito alto mesmo. Tinha, com certeza, mais de dois metros de altura. Era uma pessoa muito bem-disposta, sempre com um sorriso no rosto. Seu cabelo era brilhante. Pietro o fixava para trás, e o penteava perfeitamente, provavelmente com a ajuda de vários produtos quimicos e poções capilares. Tinha um sotaque italiano muito carregado e caminhava de um jeito engraçado. Mas o melhor do Professor Juan Pietro era que sempre chegava cerca de quinze minutos atrasado na aula, devido ao tempo que demorava para comer sua torrada e beber seu café com leite, que para ele eram sagrados.
Infelizmente, mesmo com quinze minutos de avanço, os meninos chegaram ainda mais atrasados que o professor. Tudo isso porque Carter tropeçou e caiu na lama do campo de Quadribol, manchando o uniforme e sujando a cara. Estavam fugindo de Indina, que jogava ameaças e berrava por eles estarem assistindo a equipe que praticava em vez de estarem na aula.
–Lamento garotos, mas eu vou ter que tirar três pontos de cada um. Senhor Delano, por favor passe pelo dormitório antes de sua próxima aula. Se Professora Paddock o vê assim é capaz de ter um ataque de coração. Sabe como ela gosta de ter tudo em ordem, não é?
–Sim senhor, sei sim.- Thomas e Carter se sentaram em seus lugares, enquanto esse último esfregava a cara com as mãos, numa tentativa falhada de tirar a sujidade.
Só depois de estarem sentados repararam numa menina baixinha que se encontrava de pé, do lado esquerdo de Pietro, junto á janela. Parecia um pouco intimidada, com as costas muito direitas e o olhar vagando por todo o lada, sem focar em nada. O cabelo era ondulado e curto, quase não chegando a tocar nos ombros. Tinha uma cor estranha, sendo castanho muito claro por baixo, mas quase azul perto da raiz. Era possível ver que seus olhos eram cor-de-mel e anormalmente grandes, ainda que estivessem escondidos por detrás de uma grossa armação de óculos pretos e largos, que teimavam em escorregar de seu nariz.
–Bem, como eu estava dizendo antes de vossos colegas entrarem, o Conselho de Hogwarts decidiu que os primeiros, segundos e terceiros anos deveriam ter algumas aulas… especiais. De cada disciplina será retirado um tempo para que possam ter essas aulas.
–Professor, o que quer dizer com aulas “especiais”?- o garoto gordinho na fila da frente perguntou, fazendo um sinal de aspas com os dedos.
– O que eu quero dizer, é que essas aulas serão lecionadas por alunos mais velhos que atingiram notas excepcionais nos anos anteriores. E é por isso que Senhorita Reiben está aqui.- o professor deu um gentil empurrão nas costas da garota, que no lado dele mais parecia um pequeno anão de jardim, e a mesma se viu obrigada a dar um passo em frente.- Essa é Savana Reiben. Ela pertence a Lufa-Lufa e tem catorze anos, apenas um ano mais velha que vocês. Desde que entrou em Hogwarts a Senhorita Reiben tem tirado notas excelentes, tendo se distinguido no ano passado em Adivinhação. Ela tirou nota máxima, algo que não acontecia há já vinte e três anos. Essa menina tem aquilo a que se chama de “dom natural”, e eu espero que aprendam muito com ela. Eles são todos seus. Boa sorte.- após dizer isso ele olhou para a menina com seu habitual sorriso aberto, mostrando os dentes tão brancos quanto os dos anúncios da Colgate. O que não fazia o mínimo sentido, levando em conta a quantidade de café que ele ingeria. Em seguida se sentou na sua secretária e esperou a garota começar.
–O-oi. Como o Professor Pietro já vos disse, meu nome é Savana Reiben. Eu realmente não acho que tenho dom algum, mas vou tentar fazer o meu melhor para vos ajudar. B-bem, erm… alguém aqui sabe me dizer o que é Quiromancia?- vendo que ninguém iria responder, ela continuou.- Quiromancia é a arte mágica de prever o futuro através das linhas da palma da mão.- nesse momento Carter levantou o braço.
–Eu tenho uma dúvida. Na última aula, o Professor Pietro nos disse que Adivinhação uma das disciplinas mais instáveis de todas, porque o nosso futuro muda, e suas possibilidades são imensas. Se é assim, então como é possível prever o futuro através da palma da mão? Quer dizer, não é como se as linhas fossem mudando com o passar do tempo, certo?
–E-essa é realmente uma boa questão. Qual é o seu nome?
–Carter Delano.
–Delano. V-você poderia vir aqui por um momento, por favor?- sem responder, Carter se levantou e se sentou na lateral da mesa, de frente para a garota, para que todos na classe pudessem ver o que acontecia.- Pode me dar sua mão?- ele estendeu a mão para Savana, e ela olhou para a classe.- Isso serve não só para o Carter, mas também para todos vocês. Por favor, prestem muita atenção.- assim que pegou na mão dele, Reiben pareceu ter virado uma pessoa completamente diferente. Seus olhos cor-de-mel se fixaram nas linhas de Delano. Em poucos segundos eles começaram a se abrir muito e assumiram um tom de amarelo bastante vibrante, como os de um falcão. Sua postura mudou, transmitindo um ar altivo e severo.- Eu vejo uma vida longa e cheia de desafios. Mais cedo ou mais tarde você terá que enfrentar um período de grande dor. Dependerá de você se essa se transformará em miséria ou prosperidade. Vejo também que dentro em breve você será alvo de má sorte, que o atingirá na velocidade da luz.- quando ela acabou de falar, seus olhos voltaram ao normal e sua postura tímida voltou ao corpo pequeno.
–Como é suposto isso responder a minha pergunta?- assim que Carter disse isso, o vidral da janela da sala de Adivinhação se partiu e um pequeno vulto dourado atingiu a cabeça dele com força. Professor Pietro abriu a janela e deu de caras com Lyra Winchester, vestida com o equipamento esportivo de Sonserina e montada numa vassoura.
–Desculpe Professor. Erm, será que poderia me devolver o pomo? A gente está no meio do treino.
–Senhorita Winchester, eu deveria retirar quinze pontos a Sonserina, devido á janela que acabou de partir. Mas, visto que aconteceu durante seu treino para o campeonato, vou relevar.- ele pegou o pomo do chão e o entregou á garota.- Fica avisada, tenha mais cuidado para que isso não se repita.
–Sim Senhor. Muito obrigada.
–Como você fez isso?- perguntou Delano atônito, com um galo já se evidenciando na sua testa ainda suja com lama. A menina endireitou os óculos.
–Q-que tentar?- estendeu a mão para o garoto. Este passou o que pareceram minutos olhando para a mão dela antes de se pronunciar.
–Eu não vejo nada. Só linhas tortas.
–Isso é porque você não está se abstraindo do mundo exterior e de suas próprias dúvidas. V-veja bem, ler a palma da mão é a mesma coisa que descer um rio. O rio sempre tem as mesmas curvas. Mas a velocidade das águas está em constante mudança. Numa hora elas podem estar tão calmas que você se consegue ver reflectido nelas. Na outra elas podem estar tão bravas que podem te afogar se chegar perto. Tudo é relativo. A única coisa que você tem que fazer é se abstrair e ver para lá das curvas. Ver para lá das linhas.- Carter, assim como o resto da turma, olhou para ela confuso.
Thomas, que até então estava apenas assistindo em silêncio, repetiu mentalmente a frase de Savana.
“Tudo é relativo…”
Fale com o autor