Hocus Pocus
6 Capítulo 6
A Brand New Day
Foi exatamente na manhã seguinte à melhor noite da minha vida, até então, que tudo realmente começou a ficar esquisito. Como se esquisito fosse uma palavra razoável para o que me aconteceu. Tive sonhos maravilhosos e deliciosos com Dongwan, seus olhos, seus lábios macios e muito pouca roupa envolvida. Fui despertada miseravelmente por um “toc toc” inconveniente na porta do quarto. Minha mãe era realmente muito chata. Abri os olhos e procurei o relógio sobre a mesinha de cabeceira, mas não o encontrei. Como eu sempre estava com aquele relógio, sentei na cama e esfreguei os olhos com força. Mas... nada estava no lugar que eu deixara na noite anterior! Já pensando em xingar alguém, o “toc toc” me perturbou novamente, e soltei um berro.
_Já vou, mãe!
Franzi a sobranceilha assustada. Minha voz estava rouca e grave, como nunca. Eu não tinha gritado tanto para estar daquele jeito. Pior foi a resposta que veio do outro lado da porta.
_Mãe? Está bêbado, Dongwannie?
Naquele momento em com aquelas palavras ecoando nos ouvidos, tive coragem para olhar realmente em volta e perceber que aquele não era, nem nunca fora, o quarto em que eu estava. Olhei para minhas mãos e elas também não eram minhas mãos. Passei as mãos pelo corpo e senti... em verdade, não senti. Não imediatamente... Pulei da cama e corri para o banheiro. A imagem que apareceu no espelho, olhando assombrada para mim, era a de Kim Dongwan.
Fiquei ali, parada olhando para o espelho por alguns segundos. Imediatamente, a imagem de Consuelo e o seu maldito livro de feitiços me vieram à mente. Claro! Não parece óbvio? O feitiço, aquele que me jogou contra a parede e sacudiu o sótão da minha casa. Mas eu não acreditava que aquilo pudesse funcionar, eu não podia acreditar. Olhei novamente para o que se colocava à minha frente, e era mesmo Kim Dongwan. Vestindo apenas uma... cueca! Não preciso dizer que entrei em parafusos; fiquei completamente transtornada. Não parei para pensar que, se aquele era Dongwan, Dongwan deveria estar no meu corpo. Não, aquilo era birutice demais para eu acreditar. Para qualquer um conceber.
Corri para a porta para verificar quem estava do outro lado, e era Eric Mun. Sorri amarelo e tentei fazer parecer que eu era Dongwan, exatamente como aquele corpo – que corpo! – mostrava.
_O que foi, Eric?
_Está bem? Você me chamou de mãe e veio atender a porta de cuecas.
_E daí? Diga logo o que você quer? – Eu estava nervosa.
_Tem alguém aí com você? Aquela gata com quem você estava passou a noite aí?
_Não... mas eu vou tomar um banho agora, ok?
_Ok... vim acordar você porque em duas horas temos uma coletiva. Não vá se atrasar.
_Eu costumo me atrasar muito? – Perguntei, na esperança de que eu, ou melhor Dongwan, ainda estivesse dormindo e não tivesse percebido nada.
_Não sei o que você bebeu ontem, mas não beba novamente. Claro que você atrasa muito... que pergunta tola!
Sorri amarelo novamente e tranquei a porta educadamente na cara de Eric. O que estava acontecendo não poderia estar acontecendo, era só no que eu conseguia pensar. Rodei de um lado para o outro por alguns instantes, pensando no que fazer. Eu tinha que falar com Dongwan antes que ele acordasse e... não, seria um caos.
Passei a mão no telefone e diquei o número da recepção. Meus dedos, ou os dedos de Dongwan, tremiam. Eu estava muito mais confusa do que de costume.
_Ligue-me com o quarto 1240, por favor. – Pedi assim que me atenderam. Aguardei por alguns instantes na linha, mas ninguém respondia. Dongwan deveria estar mesmo bêbado, pois não acordava de jeito nenhum. Pensei que a bêbada era eu, pois o efeito do álcool estava agindo sobre o corpo.
A chamada retornou para a recepção sem ninguém atender. Bati o telefone e vesti a primeira roupa que vi na frente. Qualquer calça jeans e qualquer camisa servia naquele momento. Desabalei-me para o quarto onde Dongwan estaria dormindo. Estava apenas cinco andares acima, então resolvi descer de escada mesmo.
Se a coisa já estava surreal, o pesadelo tinha apenas começado. Enquanto eu matutava comigo mesma o que faria quando me encontrasse comigo, ouvi uma voz ecoar por trás.
_Esse sonho está ficando cada vez mais louco. Pensei que tinha acordado, mas ainda estou descendo escadas!
Parei instantaneamente e olhei assustada, mas não vi ninguém.
_Quem está aí? – Perguntei.
_Eu é que pergunto... não estou vendo você. – A voz conhecida falou.
_Não é hora para brincadeiras... vamos, apareça!
_Debby, é você? Está me seguindo?
Imediatamente, reconheci a voz de Dongwan. Meu coração acelerou ainda mais, pois parecia que ele ainda não tinha se dado conta do que acontecera.
_Dongwan? Que bom que é você. Não sabe a coisa esquisita que aconteceu. Eu acordei e estava assim, como você.
_Como eu?
_É... já se olhou no espelho? Você está com o meu corpo, e eu com o seu.
Alguns minutos de silêncio, para me deixarem ainda mais apreensiva.
_Debby... acho que tomou tequila demais ontem. Eu estou normal, só não sei o que estou fazendo parado no meio da escada do hotel.
O mundo girou e parou de pernas para o ar mais uma vez. Se Dongwan estava normal, e eu estava no corpo de Dongwan, é porque estávamos no... mesmo corpo.
_Madre de Dios, vou matar Consuelo!!! – Esbravejei.
_Matar quem? Por que você não aparece, não consigo ver você.
Pensei em como contar a ele, e em como fazê-lo acreditar.
_Dongwan... o que vou dizer não faz o menor sentido, mas parece ser a única explicação. Hoje, quando acordei, eu estava no seu corpo. Quero dizer que estava no comando das suas pernas, dos seus braços, enxergando com seus olhos. Agora, você aparentemente também está... isso significa que nós dois estamos dentro de você.
Dongwan caiu na gargalhada.
_Vai querer que eu acredite nisso? Vamos... pare de brincar, apareça.
_Vou tentar te mostrar.
Levantei a mão e acariciei os lábios de Dongwan, como fizera na noite anterior.
_Ei!! O que está acontecendo??? – Dongwan pulou para trás.
_O que eu disse. Eu também estou aqui... dentro de você.
_Mas isso é impossível! Quero dizer... devo estar sonhando. Só pode.
_Então eu também deveria estar, e dividiríamos o mesmo pesadelo. Dongwan, estamos acordados. Isso aconteceu por causa de um feitiço... Eu nem acredito nisso!! Mas foi um feitiço que uma amiga lançou em mim.
_Você tem amigos que te lançam feitiços???
_Foi acidental.
Dongwan fez o corpo rodar de um lado para o outro, a mesma mania que eu tinha.
_Isso não faz sentido nenhum, é uma aberração. Não posso acreditar... tem que ter uma explicação.
Enquanto pensava se havia uma explicação, lembrei-me do pior. Se Dongwan estava lá e eu também, quem estaria no meu corpo?? Imediatamente uma sensação péssima me consumiu, e voltei a descer as escadas.
_Aonde você pensa que vai? – Dongwan gritou.
_Vou ver meu corpo. Alguma coisa me diz que...
Quando coloquei os pés no 12°. andar, tive certeza que muita confusão ainda iria rolar. Havia dúzias de pessoas por lá, todo mundo falando ao mesmo tempo. Pude ver Brad conversando com alguém do hotel, e a porta do meu quarto estava aberta.
_O que será que está acontecendo? – Dongwan quis saber.
_Vamos descobrir.
Caminhei até Brad, que estava aparentemente transtornado. Ele falava com duas pessoas vestindo uniforme do hotel e sacudia os braços de um lado para o outro, nervoso. Falava um inglês rápido demais para que eu pudesse entender. Acho que ninguém estava entendendo.
_Bom dia,Sr. Badford.
Tive vontade de rir de novo. Eu detestava chamá-lo de Brad Bradford, aquilo lá era nome de gente? Mas eu tinha que ser Kim Dongwan, e eu era. Acho que Dongwan entendeu que devia ficar calado, pois não deu nenhum “pio” quando comecei a falar.
_Kim Dongwan... o que houve? Estou atrasado com alguma coisa??? – Brad pareceu desesperar-se ainda mais.
_Não... só gostaria de saber o que está acontecendo aqui.
Naquele instante, minha mãe saiu em pratos do quarto onde eu estava hospedada, totalmente descontrolada, e atirou-se em cima de Brad.
_Minha filha!!! Minha filhinha!!!
Brad tentou acalmá-la, mas respondeu à minha pergunta. Ou à pergunta de Dongwan.
_Aconteceu uma tragédia. Minha enteada foi encontrada morta esta manhã.
Dongwan deve ter ficado surpreso, ou assustado, porque senti o corpo perder equilíbrio e fiquei zonza. Se o mundo rodasse mais uma vez, eu entraria em órbita. Tinha certeza.
_Morta? – Dongwan não conseguiu se conter. – Como assim, morta?
_Morta! Sem vida! – Minha mãe esbravejou. – Vá e veja com seus próprios olhos! Morta!
Mesmo sem conseguir equilibrar aquele homem grande, e com Dongwan aparentemente tão desesperado quanto minha mãe, corri para dentro do quarto e deparei-me comigo mesma deitada na cama, e duzentos médicos me examinando. Meu corpo estava lá, inerte. Claro... eu estava no corpo de Dongwan.
Da mesma forma atabalhoada que aparecemos, sumimos. Fiz questão de levar Dongwan dali e esconder-me com ele no quarto dele, novamente. Pelo menos lá eu tinha telefone, e certamente iria precisar ligar para Consuelo. Pensei em quantos pedaços ia cortar Consuelo, para ficar mais fácil de engolir. Sim, porque eu iria comê-la viva. Aquela confusão toda, por culpa daquele livro estúpido e... minha descrença. Se eu não fosse tão cética, talvez aquilo pudesse ser evitado. Mas, de qualquer forma, eu ainda desejava o fígado de Consuelo.
_E agora? – Dongwan conseguiu formar uma frase. – O que vamos fazer? Você morreu!
_Eu não morri, Dongwan! Se não, como estaria aqui falando com você? Eu... deixei aquele corpo. E agora preciso voltar!
_Como?
_Tem alguém que pode ajudar.
Passei a mão no telefone, no mesmo instante em que bateram na porta. Dongwan deu um sobressalto, mas acalmou-se ao ouvir a voz de Hyesung.
_Dongwannie, mocinha. Você sempre atrasa, mas hoje está passando dos limites. Mandaram vir te chamar, aconteceu uma coisa muito chata.
_O que vamos fazer? – Dongwan falou comigo.
_Mande-o entrar.
_E se ele desconfiar?
_E você acha que alguém vai desconfiar dessa coisa absurda? Além do que... você confia nele?
_Sim, Hyesung é um ótimo amigo. Por que?
_Vamos precisar de ajuda.
Coloquei o fone no gancho e respiramos. Senti Dongwan vacilante, mas forcei-o a ir até a porta. A figura simpática de Hyesung surgiu do outro lado, mas ele não estava feliz. Fizemos um sinal para ele entrar e sentamos na cama.
_Você nem está vestido ainda... – Hyesung balançou a cabeça. – Vamos, vista-se.
_Assim, na sua frente? – Deixei escapulir.
_Bem que Eric disse que você estava esquisito... Dongwan, não sou gay nem vou me interessar por você.
_O que aconteceu? – Desconversei.
_Sabe aquela garota com quem você estava ontem? A Débora? Bem... ela amanheceu morta, hoje.
_Eu sei.
_Você sabe? Como sabe? – Hyesung levantou-se e aproximou-se. – Dongwan... você tem alguma coisa com isso?
_Claro que não, Hyesung!! É que... Hyesung, você acredita em magia?
Hyesung caiu na gargalhada. Eu fazia aquilo sempre que me falavam de magia. Era ridículo acreditar naquilo. Mas Dongwan não teve vontade de rir e ficou sério. Estava engraçado... eu podia fazer coisas sozinha, e ele também. Mas havia um impasse se quiséssemos fazer coisas contra a vontade do outro. Era quase impossível sorrir se Dongwan preferisse ficar quieto.
_Por que essa pergunta?
_Porque aconteceu uma coisa... sobrenatural. Eu... hoje quando acordei... eu estava nas escadas do hotel.
_E daí? Você deve ser sonâmbulo.
_Hyesung... eu estava nas escadas do hotel, com Debby. Ela... ela está aqui agora, dividindo este corpo comigo.
Mais uma vez, Hyesung caiu na gargalhada. Daquela vez ele rolou no chão de tanto rir, no sentido literal da expressão. Pensei até que ele teria uma congestão. Mais uma vez, Dongwan ficou sério. Achei que ele estivesse abalado com aquilo tudo, e não era para menos.
_Dongwan, não sei como você consegue brincar com uma coisa dessas. – Hyesung conseguiu parar de rir. – Seu senso de humor é mórbido!
_Não estou brincando. O que preciso fazer para você acreditar?
Hyesung olhou sério para Dongwan, que continuou impassível.
_Dongwan... você não quer mesmo me fazer acreditar que você está falando sério? Porque, se quer... é mais sério do que eu pensava. Você deve estar com estafa.
_Eu disse a ela que podíamos confiar em você, mas pelo visto me enganei. Acho melhor você ir, eu não estou me sentindo bem.
Dongwan levantou-se e abriu a porta para Hyesung. O amigo ameaçou sair, mas vacilou antes de conseguirmos fechar a porta. Hyesung deu meia volta e entrou novamente no quarto.
_Dongwan... isso é... completamente louco. Você tem noção do que está dizendo que aconteceu com você? Tem... tem uma mulher dentro de você, é isso?
_É isso.
_Tem uma mulher querendo sair. – Eu disse. Hyesung não podia perceber a diferença, para ele seria sempre Dongwan falando. A voz era de Dongwan, e as palavras saíam da boca de Dongwan.
Ficamos vários instantes mudos, sem muita ação. Os três pensando em que fazer para reverter o que parecia inacreditável. Lembrei-me de Consuelo novamente, precisava falar com ela. Pensei em como contar que o feitiço tinha dado certo... e errado. Era para trocarmos de corpo, eu me lembrava daquilo. “Cambia cuerpo”, dizia minha amiga, aquela tarde no sótão. Mas não trocamos, apenas nos misturamos em um corpo só. E alguém tinha que fazer alguma coisa rápido.
Disquei para a recepção e pedi que me fizessem a chamada internacional. Consuelo tinha que estar em casa. Os segundos que o telefone levou para tocar pareceram horas, dias. Pude observar uma gota de suor escorrer pelo rosto de Hyesung, que comprimia os dedos fazendo-os estalar.
_Alô... Consuelo?
_Sim, quem fala?
_Sou eu, chica... Debby.
_Debby!!! Estou com saudades! Mas... o que houve com sua voz?
_Não foi nada com minha voz exatamente, Consuelo... você está sentada?
Ouvi minha amiga fazer um ruído do outro lado do telefone.
_DIO, CHICA! Você não vai me dizer que...
_Kim Dongwan, Consuelo. Eu o conheci ontem. E... quem resistiria a olhar em seus olhos?
_EU DISSE PARA NÂO FAZER ISSO!
_E EU DISSE QUE NÃO ACREDITAVA NISSO! Olha, Consuelo... a verdade é que aconteceu. Eu estou aqui, dentro do corpo de Dongwan, e preciso voltar para o meu. Você vai ter que me dizer como fazer isso, e rápido.
O telefone ficou mudo por alguns instantes. Logo Consuelo voltou e me ditou algumas palavras, em espanhol. Pediu que eu anotasse, pois eram as palavras que desfaziam o feitiço. Depois anotei alguns outros detalhes: deveríamos estar à luz do luar, à meia noite, dentro de uma roda de sal. Aquilo era surreal demais, mas eu precisava reverter a lambança que havia se formado.
_Só tem um problema, Consuelo.
_Outro problema? – Ela ironizou.
_Engraçadinha. Bem... o feitiço era para trocarmos de corpo. E... bem, estamos dividindo o mesmo corpo.
_UAU! Que... que errado!
_Eu sei. Olha, vou esperar até a noite para reverter isso, e depois te ligo contando.
_Mas chica, eu...
Nem deixei Consuelo terminar sua frase. Eu não queria saber mais nada daquela história de magia, menos ainda das pirações da minha amiga. Tudo que eu precisava era do meu corpo de volta. E tinha certeza que Dongwan também queria ficar sozinho no dele.
Ainda estávamos sem saber o que falar um para o outro quando Hyesung levantou as sobrancelhas, como se uma idéia lhe tivesse ocorrido.
_Dongwan... se a mulher está dentro de você, e todos pensam que ela está morta... já parou para pensar o que vão fazer com o corpo dela?
Foi minha vez de ficar ainda mais nervosa. Claro, o corpo. Minha mãe estava em desespero por causa da minha “morte”, e certamente já estaria providenciando o meu... enterro. Se o corpo desaparecesse ou “se estragasse”, eu estaria condenada a ficar com Dongwan para o resto de nossas vidas. Aquilo seria o terror. Sempre sonhei em ficar próxima do Shinhwa, mas daquela forma era patético. Primeiro porque eu sentia atração pelo corpo que ocupava. Segundo porque eu era uma mulher, e estava em um corpo masculino. Terceiro porque os professores de física sempre tentaram me ensinar que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Não podem!
Certa de que aquilo não podia ficar pior, pedi a Hyesung que fizesse alguma coisa para nos ajudar. Ele tinha que interceder para que meu corpo ficasse intacto até o dia seguinte. E ele precisava saber para onde meu corpo iria. Se minha mãe ouvisse meus desejos, eu iria diretamente para um hospital doar o órgão que estivesse aproveitável. Talvez ela achasse que nada mais pudesse ser aproveitado dentro do meu corpo, mas ainda assim eu achava que iria a um hospital. Fazer a necrópsia, claro. Se eu, jovem e saudável, amanheci morta, alguma coisa estranha deveria estar por trás daquilo.
Meu pensamento estava ainda mais absurdo do que aquela situação toda. Confabular sobre a minha “morte” parecia ridículo. Enquanto eu e Dongwan ficamos no quarto de hotel, no mais absoluto silêncio, tentando fazer parecer que nem estávamos ali, Hyesung foi até a fuzarca no meu quarto para tentar descobrir alguma coisa. Voltou alguns instantes depois, muito mais rápido do que eu gostaria que ele voltasse.
_Tenho notícias boas e ruins. Qual primeiro? – Hyesung perguntou, servindo-se de um whisky.
_Você beber já é uma notícia ruim. – Tomei o copo de suas mãos – Precisamos de todo mundo sóbrio hoje, Hyesung... só hoje. Conte-nos o que descobriu de bom.
Hyesung fez uma careta, mas sentou-se.
_A produção cancelou todos os nossos compromissos de hoje, temos tempo de sobra para agirmos. E o velório será apenas amanhã de manhã.
_Ótimo... eu acho.
_E o que vem de ruim? – Dongwan quis saber.
_Seu corpo foi para o hospital... eles vão fazer uma necrópsia para ver a causa da morte.
_NECRÓPSIA? – Dongwan berrou. – Como assim?????
_Significa que vão me abrir e revirar meus órgãos para descobrir do que eu morri!
_Eu sei! – Ele estava nervoso. – Mas isso... vão destruir o corpo!
_Por isso a notícia é ruim, Dongwan. – Hyesung levantou-se e ajeitou a camisa. – Vamos, temos que bolar uma forma de impedir isso.
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