Hito
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era hora de retornar, terceiro semestre da faculdade . Me chamo Musashi Kyosuke, 19 anos, estudante de Tecnologia.
A faculdade é muito divertida e sempre estamos empolgados para aprender mais… errado, na verdade tenho me perguntado com muita frequência, em que momento eu perdi o sentido do que estou fazendo. Ingressei na faculdade a um ano, cheio de energia e empolgação, eu morava em Kyoto mas acabei me mudando para Tokyo onde atualmente estou morando em um apartamento perto do centro.
Minha vida não é ruim acredite, trabalho em um a empresa muito bem conceituada na área de tecnologia, tenho pais que me amam e me deram muito apoio tanto nos estudos como profissionalmente. Minha família nunca teve muitas condições de bancar minha faculdade, eu tive que estudar muito, meu pai sempre me ensinou o valor do trabalho, ele é um homem muito batalhador, trabalha como vendedor em uma empresa de seguros, eu resolvi vir pra Tokyo para conquistar uma boa vida e dar orgulho para meus pais.
Sempre usava o meu tempo livre para estudar, quando não estava estudando estava relaxando com um boa leitura, eu estava sempre disposto a dar o meu melhor, me sentia no caminho da realização da minha vida e isso me deixava feliz, desde o dia que recebi a resposta de que havia sido aceito na faculdade vi um leque se abrir a minha frente, cheio de oportunidades e um futuro a ser conquistado. Meus pais ficaram muito contentes em saber que seu filho iria cursar a faculdade.
Flashback: ON
___ Isso meu filho, estou muito orgulhoso de você, já ultrapassou o seu velho pai que nunca conseguiu cursar a faculdade.___ dizia meu pai erguendo o copo de cerveja em comemoração.
___ Otoosan…___ aquelas palavras me deixaram sem jeito e ao mesmo tempo me deram um incentivo sem igual.
___ Ah Kyo-chan, estou tao feliz, mal posso acreditar. Até parece que foi a poucos dias que estava levando você pela mão para a escolinha do primário.____ ela estava quase chorando enquanto sorria. ___ Meu menino já e um homem, fico um pouco triste em ver você indo morar longe e sozinho Kyo-chan.___ Naquele dia eu vi um mundo novo sendo apresentado a mim.
Dois meses depois eu estava desembrulhando minhas coisas no meu pequeno apartamento em Tokyo, sentindo aquela sensação de independência, dono da minha própria vida.
__ Yosh! Daqui pra frente uma vida nova!___ Disse para mim mesmo enquanto terminava de organizar as coisas mais importantes da mudança.
Vendo que tudo estava em ordem resolvi dar uma volta pela vizinhança, ainda estava claro e eu estava animado de mais para ficar enfiado dentro de casa ate a hora de dormir, no dia seguinte seria meu primeiro dia na faculdade mas do jeito que eu estava duvido que sequer conseguisse dormir. Andando pelas ruas de Tokyo eu sentia o clima muito diferente, em Kyoto na área onde eu morava sempre havia crianças correndo pelas ruas, catando insetos nos terrenos desocupados, ali não vi uma alma viva se quer, não era tao cedo para passear mas também não era noite ainda, nos 40 minutos em que caminhei ate desistir de andar e resolver ir pra casa as únicas pessoas que vi transitando foram duas senhoras que estavam puxando carrinhos de feira enquanto conversavam, resolvi ir a alguma loja de conveniências compara algo para jantar, a mudança embora não tivesse sido muito demorada foi cansativa, encontrei uma a caminho de casa.
___ Irashaimasen! Bem vindo.___ disse a atendente quando entrei.
Fui rápido na escolha pois não queria demorar muito, enquanto escolhia alguns enlatados vi uma senhora já bem velinha se esticando para tentar pegar uma lata de milho fora do seu alcance.
___ Eu ajudo a senhora. Este aqui certo?___ entreguei a ela duas latas.
___ Oh Obrigado, você e muito educado me lembra a minha neta, sim Karin-chan e muito educada também, vocês deviam namorar hohoho___ disse ela se divertindo.
___ ah-ah, sim senhora.___ disse ficando desconcertado e indo terminar minhas compras.
Terminei minhas poucas compras e pelo caminho avistei a mesmo senhora da loja, estava tendo dificuldades com seu carrinho de feira, ela usava bengala e por isso dependia de uma mão só para puxar seu carrinho, me adiantei e fui ajuda-la de novo.
___ Deixa que eu levo pra senhora.___
___ E você de novo mocinho educado, obrigada novamente.___ ela disse abrindo um sorriso carinhoso.
___ A senhora mora aqui perto?___ perguntei enquanto caminhávamos.
___ Ah sim, sim, moro em um apartamento seguindo mais a diante.___
___ Eu levo ate a sua casa então.___ eu decidi.
___ Ah, muito obrigado. Qual o seu nome mocinho? Você e novo por aqui?___ ela me perguntou
___ Musashi Kyosuke, cheguei hoje mais cedo, me mudei para poder cursar a faculdade senhora.___ respondi.
___ Que graça, mas não me chame de senhora, faz eu parecer muito velha hohoho, me chame de Haruka.___
___ Prazer em conhece-la Haruka-san.___ fim um cumprimento.
Conversamos por mais alguns minutos, como Haruka-san usava bengala, ela caminhava um pouco devagar mas foi uma conversa agradável. Ela falou diversas vezes na sua neta e em como nos daríamos um belo casal, eu fiquei sem jeito mais ve-la era como estar com minha falecida avo.
___Pronto aqui que eu moro.___ ela disse e para minha surpresa era no mesmo lote de apartamento que eu morava.
___ Eu também moro aqui haruka-san.___ disse um pouco aliviado por não ter que andar
mais ainda.
Sofri um pouco para arrastar o carrinho pelas escadas, pois assim como eu Haruka-san morava no segundo andar, fiquei pensando em como ela levaria as compras para casa, ela me disse que morava sozinha, imaginei a pobre velinha levando produto por produto do pé da escada ate o topo, recolocando no carrinho e então levando para seu apartamento, tudo isso se movendo naquela incrível velocidade.
___ Muito obrigado de novo Kyosuke-kun.___ disse ela antes de fechar sua porta.
De volta ao meu apartamento, tomei um banho e depois comecei a preparar a janta, minha primeira refeição em Tokyo, sozinho. Resolvi ligar para casa e contar que tinha me instalado e estava tudo bem, minha mãe atendeu.
___ Oi Kyo-cha, como se sente morando sozinho, já jantou?___ ela estava animada ao telefone.
___ Hai Okaasan, onde esta o Otoosan?___ Perguntei animado para contar para ele que estava começando bem em Tokyo.
___ Esta trabalhando, ligou avisando que chegara tarde hoje.___
___ Hum, entendo.___ disse meio desapontado, mas ainda fiquei conversando com minha mãe por quase uma hora.
Quando me deitei ainda estava muito animado mas diferente do havia pensado peguei no sono bem rápidoo. No dia seguinte eu estava acordado duas hora antes do necessário, vestido e tomando cafe da manha, chequei pela quinta vez se estava levando tudo o que precisava. Formulários de matricula, laptop, cadernos… tudo ok, eu estava mais ansioso do que antes, depois peguei o trem e enquanto viajava em pensamentos quase perdi a estação, uma hora mais tarde estava em aula, uma sala bem grande como um anfiteatro e um professor utilizava três quadros para explicar como iriam funcionar as suas aulas.
Eu estava fascinado com as aulas, “então isso era a faculdade” estava parecendo uma criança que vai ao cinema pela primeira vez. No intervalo antes da próxima aula eu estava no patio sentado debaixo de uma arvore praticando um exercício em meu laptop quando ouvi uma voz atrás de mim.
___ Por que você esta fazendo esse script em código binário? Não seria mais rápido usar linhas de comando escritas?___
Eu me virei e dei de cara com um rapaz acho que um pouco mais alto do que eu, provavelmente mais velho também, apenas me virei e voltei a teclar no computador.
Senti o leve impacto que vez minha cabeça ir para frente e quase derrubei o laptop, me virei mal acreditando no que o maldito tinha feito, ele deu um chute na minha cabeça, de leve, mas ainda assim um chute.
__ Ei, o que e isso?__ olhei para a cara de ofendido que o infeliz estampava, isso mesmo ele estava se sentido ofendido?
__ E muito feio ignorar as pessoas, sabia?__
__ O que? E muito feio se meter nos assuntos das pessoas, muito menos chutar pelas costas, sem no minimo se apresentar. SABIA?__ e ele me acusava de ser mal educado?
__ Sou Hiroshi, Kurosaki Hiroshi, 20 ano, 4* semestre.___ ele disse estendendo a mão.
__ Kyousuke, Musashi Kyosuke, 17 anos, 1* semestre.___ Aceitei meio receoso o comprimento.
___Há, sou mais velho, o que faz de você meu kouhai Kyosuke-kun.__ ele se divertia com a ideia.
___Hai, hai senpai...___ que figura eu tinha acabado de conhecer.
___ Mas como eu dizia, por que esta fazendo esse script em código binário Kyosuke?___ ele se sentou.
___ Hunf…___ eu suspirei ainda digerindo o que acabou de acontecer. ___ E por que eu queria testar minha capacidade com código binário, então me desafiei a criar um aplicativo usando apenas binário, nada grande apenas para estudo mesmo.___ a cara que ele estava a seguir era algo abstrato, como se estivesse congelado.
___ Você não tem mulher não?__ foi o que ele me disse.
___ O-o-o-oque?___ quase engasguei ___ O que isso tem a ver? Você deveria dizer: “Ohh como você estudioso” não uma besteira dessa. Kono baka.__
___ Isso coisa de virjão Kyosuke, você não tem namorada?___ ele me olhava com olhos arregalados.
___ E-e-eu acho isso muito interessante, estudos são importante pra mim, uma namorada seria uma distração...___ falei mesmo sabendo que não era isso.
__ Entendi, você não e chegado em mulheres, uhum, me desculpe por ser tao insensível. ___ ele concordava com uma pose de aceitação.
___ EEEEEEE?! Cla-claro que gosto de mulheres, de onde você tirou isso?____ esse cara só por de ser maluco, e alguma pegadinha? sera que estão filmando isso?
___ Cara, você no pode sufocar seus instintos assim, isso e anti-humano meu jovem. Honre o que você tem no meio das pernas rapaz, “Um homem tem que fazer oque um homem tem que fazer”!___ ele estava filosofando de forma espalhafatosa.
___ Pare de falar besteiras, eu no estou sufocando nada e só que… não tenho muito jeito com garotas, quer dizer, eu tive uma namorada uma vez… no colegial… provavelmente...___
___No colegial? Então você esta na seca e isso? Não se preocupe eu tenho algo bom para você aqui… deixa eu ver...___ começou a revirar a sua mochila ___ AHA! Aqui pode usar a vontade.___
Ele me entregou um envelope, eu abri para checar o conteúdo e acho que minha cara se assemelhava a um tomate muito vermelho.
OOWWW YEEEAHHHH
“Universitarias Safadinhas”
___ M-ma-mas que porcaria e essa?___ a peste tinha me entregado uma revista erótica.
___ Material de estudos__ ele disse dando de ombros.
___ Você tem merda na cabeça? Anda com isso dentro da mochila por acaso?___ eu me levantei de supetão tentando colocar a revista dentro do envelope de novo.
___ Claro que não, comprei essa hoje de manha. Eu nem li ainda mas vou te dar a honra de ser o primeiro a usa-la companheiro. ___ ele pôs a mão no meu ombro como se fosse um herói fazendo sinal de positivo com o polegar.
___ Eu não quero isso, seu retardado!___ eu sussurrei nao conseguindo colocar a revista novamente no envelope.
___ Mas você precisa Kyosuke, e o seu primeiro passo para o mundo das mulheres.___ ele falava com malicia ___ Lição surpresa!___ ele pós a mão no meu peito sorrindo e me empurrou, eu esbarrei em alguém, perdi o equilíbrio e cai por cima da pessoa.
___ ARA ARA KYOSUKE-KUN, NÃO SABIA QUE VOCÊ GOSTAVA DESSE TIPO DE REVISTA, MAS NÃO ACHO QUE A MOÇA QUEIRA LER COM VOCÊ...___ Hiroshi estava falando isso alto e dava pra notar que prendia o riso desesperadamente, enquanto me levantava vi uma menina de joelhos encarando a revista que caíra aberta numa pagina nada inocente. Eu fiquei branco senti todos os olhares do local caindo sobre mim.
___ Isso… não e meu, me desc…___ eu estava estendendo a mão para ajuda-la a se levantar, mas ela deu um pulo para traz.
___ HEENTAAAI!___
Juro que tudo ficou em câmera lenta, e eu acompanhei toda a trajetória da delicada mão da menina ate o fulminante e mortal encontro com a minha cara.
___ Pervertido, virgem!___ dizia a garota enquanto se afastava com suas amigas de olhar assassino.
___ Ai, olha o que você fez. Qual e o seu problema?___ eu estava me sentindo muito envergonhado, olhei para Hiroshi furioso, ele estava fingindo enxugar lagrimas imaginarias.
___ Ah Kyosuke, estou to orgulhoso do meu garoto, você acaba de ter sucesso no seu primeiro contato…. Oh Deus eles crescem tao rápido...___ e fingia mais choro.
___ Que contato?___ passava a mão pela bochecha que provavelmente ficaria um bom tempo marcada. Hiroshi se colocou ao meu lado e fez um gesto a nossa frente com a mão.
___ Seu primeiro contato com as “femeas” gafanhoto.___ dizia com ar de triunfo.
Flashback: Off
O que realmente aconteceu eu não faço ideia, com o passar do primeiro ano em Tokyo, vi que toda aquela empolgação foi passando e já não era mais tão incrível o que eu estava fazendo. Cada dia iniciava e terminava como se não fosse nada de mais, meu trabalho era ótimo, fui indicado pelo pai de Hiroshi-san para uma vaga de programador na empresa de um conhecido dele, eu me destacava como funcionário e sempre fui grato por essa oportunidade. Ao longo desse ano comecei a sentir que algo estava faltando, o que era difícil de descrever, eu estava estudando, consegui um emprego muito bom e estava iniciando a vida muito bem para a idade que eu tinha mas, sentia que não era mais uma aventura, apenas… tornou-se um cronograma a ser seguido. Logo no primeiro dia apos o retorno as aulas eu estava aproveitando o intervalo entre as aulas comendo um sanduíche de yakisoba, pensando sobre projeto em que estava trabalhando e ouvindo Hiroshi-san contando suas historias indecentes que ele jurava serem verdade mas, eu custava a acreditar.
___ E ai estávamos la em casa, só nos dois e o clima estava esquentando… ahhh a Yozora-chan e tao atraente…___ ele dizia viajando nas suas fantasias.
___ Oe senpai, você não devia falar assim da sua namorada para outro homem não acha?___ eu falei entre as mordidas que dava no sanduíche.
___ Ohh kyosuke-kun, não precisa ficar irritado com isso, tudo bem sentir inveja afinal minha princesa tem uns peitões enormes eu te entendo, sua vez vai chegar gafanhoto.___ ele apalpava o ar a frente do peito com um sorriso indecente na face.

Nem sequer tive tempo de responder a ele, muito depressa vi uma perna cortar o ar diante dos meus olhos e acertar Hiroshi bem no meio da cara, mesmo desafiando as leis da física e inercia ele deu um incrível loop para trás aterrissando de cabeça no chão.
___ O que você esta falando sobre meus peitos? Meu amor...___ dizia uma Yozora com cara de psicopata.
___ Nada meuamor, só estava comentando com Kyosuke-kun sobre o quanto eu sou sortudo em ter uma deusa tao deliciosamente apetitosa como namorada.___ Hiroshi sorria ainda de joelho quando Yozora-san pisou na cara dele novamente.
___ Bom dia Yozora-senpai!___ disse cumprimentando ela.
___ Bom dia Kyo-kun, não de ouvidos para o que o meu querido fala.___ ela ainda mantinha o pé na cara do seu namorado.
___ Eu nunca dou de qualquer forma.___ ri
___ Que baldade Kyofuke, vofê e beu confidentfe e…___ Hiroshi-san moveu seus olhos para perna de Yozora ___ Ei aborzinho!___ abriu um sorriso mesmo com o pé dela em sua cara ___ Bela calcinh...___ não teve tempo de terminar a frase e teve sua cara enterrada no chão pelo pé de Yozora.
___ Morra seu pervertido.___ ela veio se sentar ao meu lado.
Aquilo era cômico, Hiroshi realmente teve sorte com Yozora-san, duvido muito que houvesse outra garota que tolerasse ou mesmo aguentasse os devaneios pervertidos dele. Dava ate uma certa inveja mesmo, ela volta e meia estava espancando ele mas, era muito apegada e cuidava dele com muito carinho, e o mesmo valia para ele.
___ Você esta pensando em que Kyo? Em garotas bonitas hein? Andou se divertindo depois do trabalho? hehehe.___ ela deu cutucadinhas com o cotovelo na minha barriga.
___ Nada disso, eu não penso nessas coisas senpai.___ disse pensando longe.
___ S-sim, hehe, eu sei você não e igual o Hiroshi que pensaria em algo assim...___ ela disse meio constrangida.
___ Mas quem pensou nisso foi você Yozora...___ Hiroshi salientou.
___ Ha? ha? AHHH, e tudo culpa sua, esta me passando a sua mente pervertida!___ Ela tinha um ataque enquanto estapeava Hiroshi.
__ Itai!__ falei pondo a mão no rosto e movendo a cabeça __ Ahh! Fala sério...__ vi o sanduíche que eu comia caído no chão junto a uma bolsa.
__ Gomen, gomen!__ uma menina corria em minha direção.
__ Ei, qual é a grande ideia__ eu disse.
__Gomenasai, eu não tive a intenção__ ela disse se curvando.
__ De atirar sua bolsa em mim?__ disse irônico.
__ Eu não atirei.. eu.. arremessei__ disse juntando a bolsa.
__Sua pequen… Ok, deixa isso pra la.__ me virei e fui andando.
Só pode ser brincadeira, tem gente muito estranha nesse mundo, ainda nem tinha começado o dia direito e já sou contemplado pela vida com uma pérola dessas.
Minha rotina é muito mecânica, acordo as 6 da manhã, pego o trem para ir a faculdade, depois saio e vou trabalhar, no fim do dia eu passo no mercado para comprar algo e fazer a janta, mas nos últimos meses eu tenho me forçado a comer comida pronta ou ramem instantâneo, por que meu humor não anda muito bem até para cozinhar. No dia seguinte tudo de novo, é quase fazer tudo automaticamente.
Eu cheguei em casa e antes de tomar um banho, chequei meus recados na secretária, uma mensagem da minha mãe, liguei para ela.
__Alô? Okaasan?__
__ Kyo-chan!__
__ Oque foi kaasan?__
__ Seu Otoosan… ele ficou doente e esta internado__ ela dizia com um voz embargada e tremula.
__ Calma kaasan, me diga o que aconteceu...__
__Ele, anda trabalhando de mais e até tarde, nos ultimas semanas ele andava muito abatido e quando eu pedia ele se negava ir ao médico… ele esta com tuberculose Kyo-chan.__ Minha mãe começou a chorar.
__ Mas por que não me avisaram antes?__
__ Ele não queria Kyo-chan, descobrimos a uma semana e ele não queria te contar por que disse que seria um estorvo para você, que agora não podia perder a concentração nos estudos e no trabalho, seu Otoosan tem muito orgulho de você.__
__Kaasan...__ isso foi um baque totalmente inesperado.
__ Você poderia vir visitar ele no hospital?__
__ Posso, vou pedir uma licença no trabalho mas fique calma Okaasan vai ficar tudo bem.__ dito isso minha mãe começou a chorar mais ainda do outro lado da linha.
__ Kyo-chan… não vai ficar… os médicos disseram que esta em um estagio muito avançado da doença… já se tornou terminal… por favor venha vê-lo Kyo-chan.__ ouvia os soluços ao telefone.
__ Eu irei kaasan… eu irei.__
Quantos socos a vida pode te dar? Nunca, nem pelo meu mais louco pensamento eu imaginava isso acontecendo. Meu pai sempre foi o meu herói, um homem esforçado e um pai sem igual. Tomei um banho e por incrível que pareça eu não senti nada, na verdade eu sentia algo mas não sabia o que era mas me corroía por dentro, o homem me ensinou tudo e sempre foi um guerreiro quando se tratava de trabalhar para sustentar a família, todos os anos de batalha agora lhe presenteou como uma doença que vai mata-lo.
No dia seguinte fui até meu trabalho e expliquei tudo o que estava acontecendo, me deram duas semanas de licença para estar com minha mãe nesse momento. Estava indo para Kyoto, olhava pela janela do trem, observava o nada ainda tentando digerir o que estava acontecendo, meu pai esta morrendo, pensando em tudo o que aconteceria depois, minha mãe, vou ficar com ela, não posso abandonar ela dessa forma, “Isso! É pela minha mãe certo? Não posso ficar em Tokyo e deixa-la sozinha? posso fazer faculdade daqui uns anos. Pensando nisso durante algumas horas eu cheguei ao meu destino, Kyoto, senti saudades daqui. fui para casa que não era muito longe da estação, ao chegar minha mãe veio até mim com os olhos cansados, ela esteve chorando muito.
__Okaeri Kyo-chan… Okata, você veio.__ Ela me deu um abraça daqueles que só nossa mãe sabe dar.
__Tadaima Okaasan. __ Eu retribui com um abraço daqueles que todo filho da apenas em sua mãe. __ Vamos ver o Otoosan?__ Perguntei.
__ Vamos amanhã, você deve estar cansado da viagem, leve suas coisas para o seu quarto, esta do jeito que você deixou quando se mudou__ ela deu um sorriso leve.
Entrei em meu quarto e para minha surpresa estava exatamente da forma que eu havia deixado, mas muito limpo, minha mãe não deixou nem que o pó acumulasse. Deitei na minha cama, e fui inundado por uma sensação nostálgica tão boa, como se não houvesse mais nada daqueles sentimentos que tanto me incomodavam nos últimos meses, fiquei olhando para o teto cai num sono tranquilo como não tinha a tempos.
Acordei já estava anoitecendo, foi um sono revigorante, desci as escadas sentindo um aroma que me trazia mais nostalgia, encontrei minha mãe na cozinha fazendo o meu preto favorito “Curry”, que ela mesma nomeava “O grande Curry Musashi”, lembro de quando ela me disse que se chamava assim, eu devia ter uns 4 anos, estava doente e com febre alta, nada parava em meu estomago e minha mãe fazia todo tipo de comida para mim, mas eu me recusava a comer, até que eu dia ela fez curry e eu disse.
__ Kaasan, eu não quero curry, não quero nada.__
__ Ahh, mas Kyo-chan esse não é curry comum, é “O grande Curry Musashi”.__ Ela disse abrindo um sorriso cheio de carinho e olhos cheios de lagrimas.
__ Parece Curry normal Kaasan...__ eu disse incrédulo
__ Mas não é Kyo-chan, ora ora, Prove e você vai ver que é um curry magico, receita da nossa família para curar todas as doenças.__
Eu provei e naquele dia eu consegui comer, e em pouco tempo em melhorei da minha febre.
Sorri lembrando disso, mas logo fui lembrando que não existe curry magico que cura doenças, ou então meu pai não estaria morrendo.
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