Hito

2 Capitulo 2


Notas iniciais
Eai? Antes que eu seja brutalmente espancado e apedrejado, peço minhas mais sinceras desculpas. A verdade é que já estou com o segundo capitulo de Hito escrito a mais de duas semanas, porem sem tempo algum para postar, perdão. Tenho escrito boa parte usando o sistema linux, então pode ser que contenha muitos erros, por que o maldito alterra palavras e acentos corretos por palavras erradas. Bom prometo postar semana que vem o terceiro capitulo que ja esta quase concluído.

Capitulo II

No dia seguinte iriamos visitar meu pai, acordei me sentindo péssimo, meu corpo estava pesado, me sentia sem vontade, ate pensei em usar isso como desculpa para não ir ao hospital. Pode parecer infantil mas ver meu pai doente dessa forma era algo que eu nunca imaginava que aconteceria, quero dizer, aos meu olhos meu ele e alem de pai um mentor, sempre pronto a dar um bom conselho, me indicar o caminho certo, eu me recuso a acreditar nessa doença.

___ Kyo-chan, levante o café esta pronto.___ minha mãe disse do outro lado da porta.

Levantei-me e fui tomar um banho, a agua quente tirava a tensão dos meus músculos como se fossem feitos de gelo e estivessem derretendo, eu estava nervoso, o que eu iria dizer para meu pai? O que se diz ao seu herói quando o vê morrendo?

Quando cheguei a cozinha minha mãe me esperava com um cafe da manha do tipo que eu sentia muita saudade e que a tempos eu não tinha, ela deu um beijo em minha testa e sentou a mesa comigo. Estava tudo delicioso, mesmo assim eu sentia que concreto caia no meu estomago cada vez que engolia, eu não estava com fome, comer era oque eu menos queria no momento. Minha mãe não dizia nada o que deixava um silencio torturante, eu sabia que ela estava sofrendo, tanto ou mais do que eu, claro, o marido dela estava em estado terminal.

___ Eu estava com saudades daqui...___ disse ja não aguentando o silencio.

___ Nos também estávamos com muita saudade de você Kyo-chan, a casa parecia tao vazia sem você aqui e agora…___ ela não terminou a frase e ficou com um olhar desligado.

Fiquei sem palavras, me sinto um filho terrível sem saber o que dizer para consolar a própria mãe, eu sabia o que ela estava passando mas, o que eu deveria dizer? A minha mãe é uma mulher incrível, e foi um dos motivos de eu pensar duas vezes antes de ir para Tokyo, meu pai trabalha o dia inteiro e ela sempre estava disposta a conversar o que não era ruim, muito pelo contrario no tempo que eu passava em casa eu gostava muito das conversas que tinha com minha mãe. Sempre fui muito apegado a ela, e tentava compensar o fato de meu pai ficar o dia inteiro fora dando atenção a ela, minha mãe como eu era muito estudiosa, se formou em pedagogia e antes do meu nascimento era professora em uma escola perto de casa. Quando eu nasci ela entrou e licença e depois disso mesmo podendo voltar a dar aulas desistiu da carreira, pois dizia que o seu lugar era em casa educando e criando o filho.

Após o café da manhã recebi uma ligação de Hiroshi-senpai, quando estava voltando para Kyoto eu havia mandando uma mensagem para ele explicando o por que de não ter ido a aula e um pouco da situação.

___ Yo, Kyosuke-ku como estão as coisas por ai?___

___ Hiroshi-senpai, o clima anda muito deprimente, toda essa situação é muito dificil de lidar. Não sei nem o que dizer para minha mãe...___ confessei.

___ É… Não imagino como é esse fardo, pode parecer muito forçado dizer isso mas, você tem que ser forte Kyo, eu sei que você é capaz de ser enfrentar isso.

___ Obrigado. Logo mais iremos ao hospital, não sei se quero ir la para ser franco… Não sei se consigo encarar meu pai dessa forma...___

___ Não Kyosuke, você precisa ir, seu pai esta depositando a confiança dele em você. Você vai ser o… homem da casa de agora em diante, mostre a ele que vai ser responsável.___ Ele me disse com muita confiança.

___ Hai senpai, agora vou me arrumar para sair.___

___ Vai la, vai ser bom pra você.___ ele disse antes de desligar.

Antes do almoço resolvemos ir visitar o meu pai, quando cheguemos ao hospital meu coração ficou acelerado não somente por ir ver meu pai, mas por que nunca gostei e hospitais. Da vez que fiquei doente quando era criança, fiquei uns dias no hospital o que me trouxe uma aversão ao local, ouvia muitas pessoas gemendo de dor, e gente doente para todo o lado, aquilo me assustava, ainda mais depois que conheci uma menina mais ou menos da mesma idade que eu, ela vinha ao meu quarto quase todo o dia e conversava comigo, eu achava que ela estava visitando alguem mas, ela parou de ir me ver e quando eu estava para ser levado pra casa descobri que ela era uma paciente terminal de leucemia e havia falecido.

Entramos no quarto onde meu pai estava e vi alguem que não parecia nem de longe o que eu lembrava dele. Estava mais magro, com um semblante muito abatido, parecia nem ter forças para abrir os olhos e estava ligado a uma maquina que pelo que percebi mantia sua respiração estabilizada, parecia que estava dormindo e seu peito subia e descia minimamente, sua respiração estava bem fraca.

Ele abriu os olhos devagar, não podia ver sua boca direito mas vi seu o canto de seus olhos se enrugarem como quando se sorri, sentindo um certo alivio por ele ficar feliz ao me ver, me aproximei da cama e me sentei em uma cadeira ao seu lado. Senti sua mão cair sobre a minha e a segurei gentilmente mas firme sem tirar os olhos dele.

___ Watashi no musuko… (Meu filho)___ vi seus olhos ficarem úmidos.

___ kon’nichiwa Otoosan…( Oi pai) ___

___ Como é bom ver você Kyosuke... como vai a faculdade?___ sua voz estava fraca e eu cheguei mais perto para ouvi-lo direito.

___ Vai bem pai, como o senhor esta se sentindo?___

___ Ja estive melhor...___ ele tossiu um pouco e pediu um pouco de agua, depois de beber continuou ___ Desculpe fazer você vir aqui meu filho, sua mãe não devia ter lhe chamado, sei que você tem que se concentrar em nas aulas e no trabalho.___ Na verdade eu usei isso como desculpa para me afastar dessas coisas.

___ Não tem por que se desculpar e não seja duro com a mãe, o senhor é meu pai é logico que eu iria vir mesmo se não me pedissem.___

___ Eu fui tolo filho, tentei ser mais do que era capaz de ser e acabei aqui corroído pela enfermidade… no seja como seu pai idiota Kyosuke.____ aquilo me quebrou por dentro, não era verdade.

___ O senhor não é tolo e muito menos idiota pai, sempre foi e sera o maior exemplo para mim, quero ser metade do homem que o senhor é...___

___ Que bom que servi para algo… então receba um ultimo conselho filho, pense sempre em sua família e siga seus sonhos. Eu realizei o meu… você e sua mãe sempre foram minha razão de viver e meus maiores presentes, não me arrependo de ter me esforçado tanto.___ ele derramou algumas lagrimas e voltou a tossir com mais força.

Uma enfermeira entrou no quarto e pediu que saíssemos, meu pai precisava descansar e ja tinha conversado de mais. Fomos para casa e fiquei perdido pensando no que meu pai me disse, estou realizando os meus sonhos… lembrei do que tenho vivido em Tokyo, trabalhando, não compreendi as palavras que hoje ouvira.

Antes de voltar para casa resolvi que iria caminhar um pouco, sei que minha mãe ia querer que eu estivesse com ela, mas eu precisava tomar um pouco de ar e estava querendo matar as saudades de Kyoto e ver oque havia mudado nesse ano que estive fora. Perto do hospital havia um parque muito arbóreo e tinha uns jardins públicos muito bonitos que eu costumava ir quando queria pensar, eu me sentei em um banco mais afastado, me recostei e fechei os olhos. O som do vento movendo as folhas das arvores sempre foi um relaxante para mim, eu me recordo de passar horas ali nessa mesma posição apenas meditando, tentando encontrar um sentido para o que eu estava enfrentando.

Acho que dei importância de mais aos acontecimentos recentes, sim meu pai estava morrendo e isso é doloroso, logico, afinal ele é meu pai. Mas é o natural da vida, as pessoas morrem, outras nascem é um ciclo continuo e sempre haverá alguem para sentir saudade na morte ao passo de que haverá alguem para se alegrar no surgimento de uma nova vida. Afastei esses pensamentos da minha mente, isso me fez sentir mal, pensar assim sobre a morte do meu pai foi cruel e me senti o pior de todos os piores filhos, meu pai me disse que não se arrependia de viver como viveu e eu acredito nisso, mas esse fim não era o que ele merecia.

Eu estava de de olhos fechados quando ouvi uns ruídos baixos próximos a mim, e o mais curioso que eu não pensei em abrir os olhos para ver o que era, tentei retomar a linha do raciocínio que esta seguindo, mas os sons começavam a ficar estranhos.

____ Pare… tem um cara ali….____ ouvi um sussurro feminino.

____ Hey, não seja medrosa ele esta dormindo, provavelmente esta bêbado ou algo assim.___ dizia um sussurro não tão baixo como o anterior e claramente masculino.

___ SHHHH. fale baixo… Ai que vergonha!____

___ Eu sei que você que, não faça doce pra mim.____

Eu não podia acreditar nisso, tinha um casal aos beijos sentados bem ao meu lado, oque era muito engraçado mas também era muito constrangedor, não sei como reuni força mas não me mexi ou fiz som algum e me contive muito para não rir.

___ E se ele… acordar?____ sussurrava a menina entre o que eu achava que era um beijo.

___ Ele não vai acordar, acho que ate podíamos sentar no colo dele e ele não perceberia.____ respondeu o garoto.

“ Não, não perceberia” eu dizia em pensamento “ que tal um susto?”.

___Hunf...___soltei um leve suspiro ainda sem me mover e os sons cessaram.

___ Viu ele tá acordando… vamos embora.____ disse a menina.

“ Isso é hilario, gente safada” eu ria muito por dentro.

___ Não esta nada, ele só suspirou, tá dormindo afinal.

___ Por favor...___ ela pedia

___ Calma, ele não vai acordar. E se acordar convidamos ele para se juntar a nós hehehe.___ disse o garoto rindo.

___ Seria divertido...___ eu disse sorrindo e os sons pararam, não disseram qualquer palavra.

Espera ai, eu falei isso em meus pensamentos certo? Abri um olho devagar, vi um rapaz que devia ser um ou dois anos mais novo que eu e uma menina que a propósito era muito atraente, sentada em seu colo apoiando os joelhos no banco uma perna de cada lado da cintura do garoto. Os dois me fitavam pasmos e a menina estava com a cara vermelha de vergonha, eu não pude conter uma risada.

___ HENTAI!___ a menina saltou do banco e se encolheu atrás do banco cobrindo o peito com os braços, sua blusa esta aberta.

___ Eu? Vocês estavam se agarrando sentados do meu lado e eu que sou o pervertido?___ eu disse rindo muito.

___ Pare olhar!___ a menina gritava tentando abotoar sua blusa.

___ O que você tá olhando cara?___ disse o garoto me empurrando.

Eu não conseguia falar estava gargalhando muito, quase ficando sem ar o garoto ficou furioso e me deu um soco na rosto, eu me desequilibrei e cai sentado no chão, a menina acabara de arrumar a sua roupa e recolheu suas coisas, depois os dois foram embora. Apesar do soco ter doido eu comecei a rir novamente, aquilo tinha aliviado a tensão em que eu estava, olhei para o céu e já estava ficando escuro, decidi ir para casa e ficar um pouco minha mãe.

Enquanto eu andava pelo parque vi que ali havia se criado um ponto de encontros para casais, em cada banco tinha um casal ou dois aos beijos e caricias, vi vultos nas áreas mais afastadas e menos iluminadas mas preferi não descobrir oque acontecia por la, não pude deixar de pensar em Hiroshi-senpai, em como ele se sentiria a vontade num lugar como esse, fico com pena de Yozora-senpai. Sai do parque ainda rindo do que ocorrera a pouco, como eu senti saudade de Kyoto, não fosse a situação em que minha família se encontrava tenho certeza que eu estaria muito mais tentado a voltar para cá definitivamente.

Ao chegar em casa encontrei minha mãe, assistindo televisão, na verdade ela estava revendo uns vídeos antigos da nossa família, aquele tipo de coisa clichê que você faz quando passa por tragédias familiares e ao contrario do que se espera fazem você sofrer ainda mais, eu não estava afim de enfiar os dedos em minhas próprias feridas por isso fui em direção as escadas para o meu quarto.

___ Ele ja tinha orgulho de você desde cedo Kyo...___ disse minha mãe chamando minha atenção e me fazendo parar no corredor.

Voltei a sala e vi meu pai quase vinte anos mais novo, com uma cara de bolacha com um sorriso tão grande que não me recordo de ter visto ele sorrir assim nunca, ele estava com um menininho no colo que abria os braços rindo alto enquanto ele o girava no ar como um bobão.

___ O que eu disse hein? Ora meu filho é um prodígio ou não é?____ ele disse ao colocar o garotinho no chão sentado, e ver o menininho se levantar meio desajeitado e firmar os pés no chão e dar alguns passos n=em sua direção.

___ Viu só, viu só? Com 10 meses de idade meu menino ja sabe andar. Ele quebrou o recorde da minha família. Vem cá.___ ele pegou o bebe e o levantou alto rindo muito.

___ Seus pais ficava todo bobo e contente quando você aprendia a fazer uma coisa nova.____minha mãe dizia isso com os olhos brilhando e com lagrimas enquanto assistia aquilo, eu me sentei ao seu lado e fiquei assistindo várias fitas uma atrás da outra, nos riamos vendo e relembrando muitos momentos felizes e únicos do passado, ficamos algumas horas assim até que minha mãe decidiu preparar o jantar. Eu fiquei ali ainda e quis ver a fita dos meus primeiros passos, voltava trechos, pausava, meu pai não sorria mais daquela forma mas o seu olhar tinha o mesmo brilho, acabei pegando no sono enquanto assistia os vídeos.

No dia seguinte acordei no sofá todo encolhido, meio espremido pela falta de espaço e notei que estava coberto por uma manta quentinha, me trouxe mais recordações dos tempos em que eu dormia no sofá e minha mãe me cobria com um cobertor, cheguei a conclusão que é muito melhor dormir no sofá quando se tem 10 anos de idade.

Após me levantar foi até a cozinha e não encontrei minha mãe, apenas um bilhete em cima da mesa dizendo que tinha ido fazer algumas compras para o almoço, então eu estava sozinho em casa, senti aflorar aquele mesmo sentimento que tenho quando estou em Tokyo, um vazio. Para me desfazer desses pensamentos fui até o jardim nos fundos da casa, e vi que estava sendo tomado pela erva daninha, passados algum tempo minha mãe chegou em casa me surpreende.

___ O QUE ESTA FAZENDO?___ ela solta um berro.

___ Estou arrancando a erva daninha do jardim Kassan.___ disse me virando para ela e apontando o pequeno montinho de ervas que já havia arrancado. Kaasan poem os dedos nas temporas e baixa a cabeça dizendo.

___ Kyosuke… você acaba de arrancar as flores que eu estava cultivando a meses.___ Ela estava braba e muito, minha mãe só me chamava de Kyosuke quando eu aprontava.

Olhei para o mato, para minha mãe, novamente para o mato e digo.

___ Parecia erva daninha…___ me abaixei tentando replantar as mudas.

___ Parecem mas não são, elas só florescem duas vezes por ano, nesse meio tempo ficam assim.___ ela disse seria ___ Deixe ai que logo mais eu vejo oque consigo plantar novamente.___ disse se virando e entrando em casa.

Fiz besteira, e ainda acabei me sujando de terra e lama por nada, subi para meu quarto e fui tomar um banho, quando desci o almoço já estava pronto. Sentamos a mesa e no dissemos nada apenas comíamos, minha mãe olhava para baixo e nem sequer levantava o olhar, devo te-la irritado mesmo, as flores deviam ser algo realmente importante para ela.

___ Desculpe… não quis estragar sua flores Kaasan.___ eu disse mais baixo do que queria.

___ Tudo bem, não tem problema.___ ela respondeu com o mesmo tom serio e sem olhar para mim.

___ Sim….___ respondi tristonho.

Terminamos de almoçar e fui direto para meu quarto, me deitei e coloquei meus fones de ouvido, tentei dormir por quase uma hora sem sucesso, até que senti um peso descer sobre a cama, me virei retirando os fones e minha mãe estava me olhando com lagrimas nos olhos.

___ Gomene, Kyo-chan… me desculpe, por ter sido muito dura com você… Sei que não teve culpa e só queria ajudar.___ ela disse soluçando tanto que senti dor de ve-la assim.

___ Tudo bem Kaasan, eu não fiquei magoado nem nada.___ disse com um sorriso fraco.

___ É que… é tão difícil, não consigo aceitar isso.___ ela se debruçou sobre meu colo chorando. ___ Seu pai sempre foi meu companheiro em tudo, não sei como vai ser sem ele… casais deveriam partir juntos.___ chorava mais ainda.

___ Okaasan, não chore, o Otoosan não ia gostar de lhe ver chorando por ele, não quer que ele veja sua cara inchada quando formos visita-lo de novo não é? Ele vai dizer que eu que a fiz chorar.___ Eu disse fazendo carinho em sua cabeça.

___ É, ele não iria gostar muito hehehe.___ Ela se ergueu secando o rosto e esboçando um pequeno sorriso.

___ Você fica mais bonita quando esta sorrindo mãe.___

___ Eu sei, você puxou isso de mim.___ ela sorria com mais brilho.

___ Amo você mãe.___ eu lhe dei um abraço apertado.

___ Eu também te amo Kyo-chan, eu fiz bolo de laranja quer uma fatia?___ ela já estava recuperada.

___Quero sim, senti muita falta dos seus doces.___ eu disse saltando da cama.

Já havia se passado quase uma semana que eu estava em Kyoto e já tinha visitado meu pai mais 3 vezes, teve o dia em que ao entrar em seu quarto me deparei com meu pai sentado assistindo televisão, ele parecia normal, não se via qualquer sinal da doença em seu aspecto e podia até dizer que ele não estava doente, a não ser pela mascara que usava para o auxilio da respiração. Nesse dia conversamos mais animadamente e me convenci de que tudo começava a indicar uma cura, só para ter minhas ideias positivas frustradas e na mesma noite receber um ligação do hospital dizendo que o quadro de meu pai havia piorado.

Quando chegamos ao hospital devia ser mais ou menos 2:15 da manhã, nos disseram que meu pai teve uma parada cardiorrespiratória, e sua respiração era induzida por um aparelho, o que resultou em um coma. Foi um choque para minha mãe, ela se recusou a ir para casa descansar, quis ficar ali a noite inteira ao lado da cama do meu pai, eu acabei por dormir em uma poltrona que tinha no quarto.

Três dias após meu pai entrar em coma, a doença deu a sua cartada final, parada cardíaca foi o que nos disseram, minha mãe desmaiou no corredor do hospital, teve que ser carregada para um quarto e reanimada, eu estava apavorado, meu pai tinha morrido e a sensação que tive foi de um soco na boca do estomago. Já era esperado, claro que sabíamos que não demoraria muito, mas tudo pareceu ir tão depressa, em menos de duas semanas apos eu voltar a Kyoto, meu pai faleceu, isso e inacreditavel, tudo parece tão dramático, não parece ser real. Lembro que a algum tempo a trás li uma reportagem sobre um rapaz que se acidentou e teve suas duas pernas esmagadas, ele dizia que na hora não sentiu absolutamente nada, não sentiu dor alguma, dizem que quando o trauma é muito grande, o cérebro desliga as sinapses da dor pois seria insuportável o choque nervoso.

O velório e o enterro já haviam terminado, eu e minha mãe estávamos em casa, sentados no sofá sem dizer uma única palavra, minutos antes havíamos nos despedido de Hiroshi e Yozora-senpai na estação de trem, eles me surpreenderam ao aparecer ontem para o enterro, poucas horas depois de eu ter dado a noticia a eles.

___ Vai ser difícil…___ disse minha mãe quebrando o silencio, ela não disse uma só palavra a manhã inteira, apenas chorava derramando lagrimas silenciosas. Eu não chorei uma vez sequer, isso me torturava, eu no sentia tristeza em si, mas algo dentro de mim me corroía.

___ Eu sei… mas estive pensando em voltar para cá. Não posso deixar a senhora sozinha numa hora como essa mãe.___ eu falei virando par ver a expressão dela.

___ Não seja ridículo!___ me disse me encarando séria ___ Seu pai nunca me perdoaria se eu fizesse você deixar sua vida para ficar comigo.___

___ Mas Okaasan...___

___ Nada disso Kyo-chan, você nem pense em fazer uma coisa dessas. Vai ser difícil, não vou dizer que não estou abalada e sofrendo, mas não me tornei uma velha invalida que precisa de cuidados.___ Ela estava com um aspecto diferente, continuou ___ Não estou acostumada a morar sozinha, sinto sua falta Kyo, e seu pai… seu pai foi meu companheiro e sempre esteve aqui quando precisei, contanto que não esqueça de vir visitar sua mãe sempre que possível, eu ficarei bem.____ disse abrindo um sorriso meigo.

No dia em que voltei para Tokyo, não estava com disposição para ver ninguém, cheguei ao meu apartamento e logo me tranquei em casa, só queria ficar sozinho, tentei ler mas no me concentrava no que corria os olhos, li a mesma pagina trés vezes por no lembrar do que havia lido ao chegar no fim da mesma. Meu apartamento é pequena, mas parecia tão grande e silencioso naquele momento, ouvi alguem bater na porta e pensei em fingir que não estava.

___ Kyosuke-kun? Esta em casa? É a Haruka.___ me levantei mesmo sem querer, não achei correto enganar Haruka-san.

___ Olá Haruka-san...___ cumprimentei-a parecendo mais desanimado do que queria.

___ Olá menino, não o via a alguns dias. Você esta bem? Não me parece com uma cara muito boa...___ Ah sim, Haruka-san não sabia que eu havia ido para Kyoto, nem tive tempo de avisa-la.

___ Na verdade não, meu pai faleceu e passei as ultimas duas semanas em Kyoto com minha mãe...___

___Oh, sinto muito querido, eu não sabia.___ Ela disse se desculpando.

___ Tudo bem...___

___ Ah tenho uma noticia para te dar, minha neta vira morar comigo, não é ótimo?___

___ Hai, ótimo...___ Dei um sorriso sem jeito, era difícil não sentir um pouco de alivio perto de Haruka-san eu a tratava quase como minha avó de verdade.

___ Uhum, agora vocês vão se conhecer, você vai poder ser o meu neto também, hohohohoho.___ ela estava se divertindo com a ideia.

___H-Ha-Haruka-san…___ Engasguei.

___ Karin-chan vai chegar amanhã a tarde, vou fazer um bolo bem gostoso para ela. Você esta convidado.___ Ela fazia uma cara engraçada com se quisesse colocar alguma malicia em suas palavras.

___ Eu acho melhor não, não quero atrapalhar a visita da sua neta.___ Tentei recusar com educação, não estou nem um pouco afim de uma festa de bolo.

___ Bobagem, você vai adorar Karin-chan, ela se parece muito comigo quando eu tinha a idade dela, muito bonita por sinal.____ não teria como rejeitar, Haruka-san era muito incisiva.

Era domingo e não tive chances de escapar do convite/ convocação de Haruka-san para comer bolo e dar as boas vindas a sua neta, então eu estava ajudando a organizar a sala de seu apartamento para acomodar os convidados, que a proposito seriamos só nos três. Haruka-san era uma confeiteira de mão cheia, não resisti a vontade de provar um dos bolos que ela havia feito, eram belos e delicados e fiquei espantado com ver que de um dia para o outro ela fez 5 bolos diferentes todos muito bem enfeitados.

___ Nossa, esta delicioso Haruka-san.___

___ Ara nunca lhe contei? Eu tinha uma confeitaria antes de me aposentar, agora ela é administrada pela minha filha Kyoko, é a mãe de Kasrin-chan.___

___ Mas mesmo assim, esse bolo esta incrivel.___ até fiquei animado com ideia de comer mais bolo.

___ Minha neta já deve estar chegando, Kyosuke-kun, você pode terminar de colocar as bandejas na mesa? Vou trocar de roupa.___ ela ainda estava usando um avental meio sujo de farinha. ____ Ah, os talheres e os copos são guardados naquele armário ali.___ e foi para seu quarto.

Eu foi ate o armário que era um pequeno balcão no corredor e enquanto eu pegava alguns copos ouvi a porta da frente abrindo.

___ Obaasan eu ja cheguei.___ escuto uma voz no corredor.

___ Olá___ cumprimentei enquanto a menina me encarava com olhos esbugalhados, ela me é familiar mas não sei da onde.

___KYAAAAHH___ ela grita e me bate com a sua mochila ___ Ladrão, Obaasan um ladrão.___ a desvaerada grita correndo pelo apartamento.

___Espera...___

___SAI DAQUI___ ela jogou sua mochila em mim.

___Espera um pouco eu não sou um ladrão.___ disse desviando da mochila.

___ Isso é o que um ladrão diria, o que você fez com minha Obaasan?___ ela pecou um cortador de bolos e apontava para mim como se fosse uma arma.

___ Não fiz nada Haruka-san esta trocando de roupa.___

Ela baixou o cortador e se aproximou de mim devagar.

___ Eu estava ajudando Haruka-s...___não terminei a frase.

___ KARIN KICK!___ ela me acertou um chute bem nas jóias da família. ___ OBAASAN O LADRÃO...___

Haruka-san voltou para sala.

___ Que gritaria é essa? Karin-chan você ja chegou, onde esta o Kyosuke-kun?___ Perguntou.

Eu estava de joelhos, sentindo a vida abandonar o meu corpo.

Notas finais
Bom espero que gostem do capitulo, mais uma vez peço perdão pelo atraso. Deixem comentários sobre o que acharam.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.