Histórias de amor
6 Tenho quentes sonhos californianos
Notas iniciais
Normalmente semideuses podem ter sonhos bastante perturbadores, cada vez mais quanto mais perigosa sua vida fica. Assim como nossas vidas físicas, nossas almas vagam pelas aventuras atrás daquilo que mais precisávamos ver, sempre em estado alerta. Numa noite específica no ano anterior a guerra com os titãs, eu havia acabado de conversar com Grover pela mensagem de Íris, e torcia para uma noite tranquila, quando meus sonhos me arrebataram.
Eu não fazia a mínima ideia de onde estava, sabia que não era em Nova Iorque, o sol ali era muito forte para estar no lado leste do país. Quando a imagem focou, percebi que estava na beira da praia.
Normalmente tinha sentidos perfeitos de navegação, então chutei que estava na Califórnia.
Dito e feito, reconheci pela placa a esquina exatamente onde estava. Santa Mônica, uma das praias mais próximas de São Francisco. Imediatamente pensei em Annabeth, se eu estava sonhando com ela... Talvez corresse perigo.
Mas então a imagem que parecia abafada pelo calor se focou, e eu entendi imediatamente que Annabeth estava bem. Seus pés estavam descalços, ficou na ponta deles por causa do calor na calçada. Estava levemente inclinada, abrindo o que parecia ser uma ducha.
Mesmo em sonho, fiquei bastante envergonhado. Estava observando Annabeth tomar um banho? Qual era o sentido daquilo?
Ela passou algo nos cabelos, o que imaginei que era seu shampoo típico em cheiro cítrico. Me aproximei para sentir o aroma do seu cabelo, algo que sempre me deixava feliz, mas algo me parou. Senti que ela poderia me sentir de alguma maneira caso me aproximasse. Estava confuso, ainda não entendia muito bem o que raios estava fazendo ali.
Annabeth e eu sequer nos víamos a meses. No último verão, na batalha do labirinto, tínhamos brigado e estávamos meio que sem nos falar. Então imaginei que só poderia ser isso. Estava começando a ficar incomodado e a ver nos meus sonhos.
Ela começou a limpar seus braços, o pescoço, a areia saindo pelo ralo. O sonho pegava todo o quadro, mas também se aproximava de onde as suas mãos estavam. A sua pele combinava demais com tudo aquilo, os raios solares do fim da tarde alaranjados num pôr do sol digno da Califórnia. A água da ducha fazia tremeluzir um arco íris, se ela tivesse um dracma, imaginaria que estava me chamando.
Ela ensaboou seu tronco, descendo para seus seios. Prendi a respiração, senti que poderia estar invadindo sua privacidade. Mesmo estando numa praia pública, ela parecia sozinha.
Seus olhos estavam fechados e seu semblante era relaxado. Ela não parecia correr perigo algum, então relaxei. Aquilo não deveria estar acontecendo de verdade. Se a minha imaginação estava sendo generosa comigo, deveria aproveitar.
Definitivamente ela havia mudado desde a última vez que a vi, estava mais alta e mais encorpada, seus seios haviam aumentado e seu quadril também. A maior mudança era em seu rosto, mais magro, a expressão mais madura, ela poderia fingir que tinha 18 anos com facilidade.
Agradeci minha mente por ser absurdamente detalhista, eu conseguia ver as gotas d'água caindo em suas costas, percorrendo as curvas da sua cintura e parando no seu quadril, ali algo em mim se remexeu. Definitivamente estava começando a ficar excitado. Então decidi reparar nos detalhes, seu biquíni era de uma cor amarela como o sol, combinando com seus cabelos agora molhados. Suas mãos ensaboaram suas coxas, apertando a parte interna. Deuses.
E então a imagem simplesmente sumiu, o que me fez querer morrer de tanta frustração. Estava subindo escadas, ainda era pôr do sol. Eu perseguia algo. Girei a maçaneta do quarto, o vento soprando. Os lençóis eram brancos, o que combinava com o clima praiano.
Lá estava ela.
Meu coração perdeu uma batida. Apenas uma toalha branca a enrolava, e ela estava deitada. Juntei as sobrancelhas me aproximando, tentando entender o que ela poderia estar fazendo. E quando eu entendi, cada parte de mim se eriçou.
Seus dedos percorriam aquela mesma parte da coxa que havia sido a última coisa que vi. A sua mão boa, a da direita... Fiquei boquiaberto. Ela se tocava, sua cabeça inclinada para trás, a toalha querendo abrir, e eu queria que abrisse. Era a única coisa que me impedia de ver os detalhes do que estava acontecendo.
Me aproximei ainda mais, ficando pertíssimo de sua cama. Sua boca estava levemente aberta, seus olhos fechados. Ela aumentou o ritmo, e vi seu quadril começar a se arquear de encontro com seus dedos.
—Não para — falei, mesmo sem minha voz preencher o quarto me assustei, pois ela respondeu:
—Percy...
Arregalei os olhos, dando um passo para trás. Ela não poderia estar me vendo, seus olhos estavam fechados. Foi quase um sussurro, mas eu confirmei que era o meu nome quando ela o repetiu, agora quase que num grito estrangulado.
Olhei para tudo aquilo, meio confuso e meio frustrado. Nunca mesmo a havia imaginado daquela forma. Era ridículo não conseguir fazer nada, desejei ser um agente ativo naquele sonho: conseguir tocar sua pele, beijar sua boca entreaberta.
De alguma maneira, eu sabia que ela estava vindo. Ela começou a murmurar palavras inaudíveis, seu ritmo começou a ficar frenético.
Estava sentindo o que ela estava sentindo. Quase...
Abri meus olhos, alguma buzina especialmente alta soava nas ruas de Nova York.
—Merda! — soquei meu colchão em frustração. Pensei em perseguir e matar o idiota que havia me acordado, só não me levantei porque estava muito... agh… Gemi em frustração, lembrando dos lábios dela.
Daquela vez era impossível eu não me tocar, fechei os olhos. Pela primeira em toda minha vida, foi com uma imagem vívida dela na minha mente: as gotículas de água contornando o seu quadril, ela gemendo meu nome, e depois apertando suas coxas enquanto a areia se arrastava com a água dos seus pés.
—Deuses...
Enfiei minha cabeça nos travesseiros, mesmo gozando estava frustrado. Não era a mesma coisa que estar lá. Que ver o final.
Ali, caiu a minha ficha que talvez minha mente não conseguisse ver mais Annabeth de uma maneira somente amigável. Não teria como eu não me sentir atraído pela ideia de estar com ela, na ducha, numa próxima vez.
Aquele sonho me trouxe material para muitos momentos como aquele nos próximos meses. Mesmo os detalhes se apagando da minha mente com o passar do tempo, não consegui me esquecer dos seus lábios sussurrando o meu nome.
Naquele ano, quando a encontrei no verão pela primeira vez no acampamento meio-sangue, tentei não enrubescer. Meu sonho tinha sido estranhamente preciso: Ela parecia mais alta, absurdamente mais bonita e mais madura, alguma parte de mim sabia que estava atraído pra caramba por ela, mesmo só conseguindo admitir isso de verdade algum tempo depois. Com o passar de alguns minutos conversando e nos atualizando, a lembrança do meu sonho se evaporou, até que enquanto íamos em direção à fogueira Annabeth me disse:
—Ah, e eu finalmente visitei a praia de Santa Mônica este ano — ela enfiou um marshmallow numa vareta de madeira, sorrindo inocentemente — Me lembrei de você
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