Histórias de amor
7 Destruo o encanamento do chalé 3
Notas iniciais
Eu queria nunca mais falar sobre minha experiência indo ao Tártaro. Mas por algum motivo, as palavras foram saindo atropeladamente quando contei tudo que vivi ao meu treinador Quíron.
Acreditem, esse centauro que também era meu ex-professor já havia vivido de tudo em todos esses vários anos que eu não fazia a mínima ideia de quantos eram vivo, mas ainda sim, parecia assustado com tudo que eu havia lhe contado. Quando ele colocou as mãos em meu ombros, senti o que parecia ser cerca de uma tonelada saírem deles.
—Meu jovem — ele tinha aquele mesmo tom soturno e sábio de sempre — Nunca ouvi qualquer relato parecido com este. Mesmo meio-sangues, que podem ir a qualquer lugar e enfrentar qualquer um... Mesmo meio-sangues não devem enfrentar o Tártaro.
É meio vergonhoso, mas eu senti lágrimas brotarem dos lados dos meus olhos. Quíron tinha esse tom de terapeuta, que conseguia normalizar coisas difíceis demais. Percebi que era também meio o que ele fazia no acampamento, e eu me senti ainda mais afeiçoado a ele. Vê-lo admitir que aquilo foi uma tragédia injusta até para os mais poderosos meio-sangues, sei lá, algo em mim se reconfortou.
—Com o tempo, você verá que vai se tornar uma lembrança dolorosa mas longínqua. Como tudo que acontece na vida, vai doer só um pouquinho... — ele me deu um sorriso apaziguador, mas por algum motivo senti que ele falava um pouco de si próprio.
Ele abriu a porta do quarto que estávamos na Casa Grande, empurrando a cadeira de rodas que lhe comportava magicamente.
— Você fará 17 anos em algumas semanas, aproveite. Alguns semideuses sonham em chegar na sua idade…
Sua frase foi interrompida por um campista desesperado, algo sobre um acidente na parede da escalada. Ele suspirou e me falou que terminaria nossa conversa, saindo da Casa Grande trotando em sua metade meio cavalo.
Tudo parecia normal, tranquilo, mas daquela vez, depois dessa missão, eu tinha dificuldades de acreditar naquilo.
Percorri o acampamento, sentia minha energia estar drenada há vários dias. Normalmente isso acontece quando uma antigo poder maligno decide se despertar e causar o caos por aí. Olhei ao redor do acampamento, o lugar lotado de gregos e romanos, tantos chalés que mal cabiam na área comum, mas fui em direção ao chalé 3, que sempre estava vazio.
Ele, felizmente, continuava o mesmo. A única beliche encostada na parede da esquerda, a fonte do fundo, uma pequena mesa com a minha mochila e meu chifre de minotauro cravado na parede logo acima, as conchas incrustadas em todo o local.
Lar, pensei, e tudo estaria normal se eu não tivesse levado um dos maiores sustos da minha vida em seguida:
—Oi
Foi como um sopro no meu ouvido, mas a voz saiu do nada. Eu dei um pulo e um grito um tanto quanto vergonhoso, que eu não gostaria de narrar com detalhes, até ver o boné de Annabeth se materializar na minha frente junto com ela, esta rodava o boné na sua mão esquerda com um sorriso sorrateiro.
Imediatamente senti minhas orelhas queimarem. Eu entendo que às vezes faço algumas transgressões nas regras. Mas é sempre por um motivo muito bom, e quase nunca de maneira proposital. Era uma regra rígida do acampamento dois semideuses não ficarem, de forma alguma, de nenhum jeito, em nenhuma circunstância, sozinhos dentro de um chalé.
Eu levava muito a sério as regras do acampamento, e tinha a total a noção de que iria me tornar comida de harpias ou ter meu corpo dilacerado com laser que sairia dos olhos de Dionísio.
—Parece que você precisa de uma água com açúcar, desculpa pelo susto — Annabeth falou em seguida, quando provavelmente viu meu rosto sair do tom roxo para verde.
—E-eu... — apontei para o lado de fora, ouvindo gritaria e gargalhadas. Me sentia muito lento e burro — Você...
Ela arqueou uma sobrancelha, paciente. Pigarreei.
—O que você... hum... está fazendo aqui? Se descobrirem-
—Ei — ela me interrompeu, estava com um grande sorriso no rosto. Depois de me deparar com ela como um cadáver no fundo do Tártaro, vê-la sorrir era sempre muito bom — Eu só pensei que poderíamos ter um tempinho a sós, para conversar.
Eu a entendia, desde que havíamos ganhado a guerra, me sentia quase que uma sensação desesperadora de estar perto dela o tempo inteiro. Tentava ao máximo me controlar, pois seria péssimo me tornar um namorado pegajoso. Mas havia algo que definitivamente havia mudado em relação a nós dois.
Antes, nossa relação era nova e frágil, e eu estava constantemente tentando não estragar tudo. Mas depois de tudo que vivemos, depois do fato de que estar com ela ou simplesmente saber que ela estaria em algum lugar por mim me manter conectado ao mundo... Parecíamos sólidos como rocha.
Mesmo que eu fizesse besteira, e eu sabia que iria fazer, também sabia que ela não me abandonaria.
Peguei na sua mão, sentindo uma sensação estranha de deslumbramento.
—Vem — eu a levei até a fonte, então pensei em algo, e joguei um dracma para cima. Esperava que nos levasse ao lugar que eu queria.
Felizmente aconteceu. A imagem tremeluziu um lindo campus, um grande prédio central magnífico, verdadeiramente romano. Annabeth estava deslumbrada.
—É... é lindo — ela se aproximou da fonte.
—Uh-um, só queria dar um pouco de realidade a tudo que havia falado — comentei, ela ainda estava deslumbrada com aquela edificação tipicamente romana — Sobre Nova Roma.
Normalmente era difícil decifrar a expressão de Annabeth, mas dessa vez ela parecia feliz de verdade. Percebi que estava ela estava tentando não chorar.
—Você fez um ótimo plano, cabeça de algas — ela encostou seu ombro no meu, e eu sorri para ela.
Depois de termos passado por situações em níveis trágicos, voltar ao que era uma normalidade de um relacionamento era estranho. Eu ainda não me lembrava muito bem dos detalhes de que pé estávamos antes de tudo dar muito errado. Mas de qualquer forma, era claro que agora estávamos em outra fase.
Trocamos olhares, seu olhar parecia significar muita coisa, o mais importante era a intensidade. Normalmente, você pode dar um passo para trás ao ser fitado daquele jeito por Annabeth, mas do jeito que ela estava fazendo, e para mim, me fez ter o efeito contrário. Eu me aproximei, precisava muito beijá-la.
Foi provavelmente o beijo mais intenso que já tivemos. Eu a encostei contra a fonte, a puxando pela nuca para o mais perto possível. Não tinha certeza, mas algo em mim sabia que deveria apertar a parte interna das suas coxas, que ela iria gostar.
—Deuses- respondeu, e eu não pude deixar de rir enquanto ela me empurrava para a mesa do chalé. Não era tão difícil para nós fazermos coisas inesperadas. Mas aquilo era especialmente rebelde, se qualquer pessoa visse, e entrasse, desconfiasse, etc, seríamos a fofoca pelo resto do ano. Normalmente, casais são bastante furtivos dentro do acampamento. Estou falando de tática avançada de guerra: feitiços de proteção, se esgueirar pela floresta. Ou, se especialmente seu namorado for um filho de Poseidon, uns amassos no fundo do lago era sempre legal.
Minha mente estava enevoada, eu sempre tentei me conter quando estava com ela, mas algo sobre estarmos ficando mais velhos e a iminência da morte certeira no último ano estavam fazendo as coisas se escalarem muito rapidamente.
Era difícil de admitir, e eu sempre me pegava envergonhado por isso, mas às vezes eu me sentia excitado somente por vê-la, o que era um pouco estressante.
E estar no acampamento era divertido, mas nós não tínhamos privacidade para namorar. Isto sempre foi um grande desafio para a minha parte impulsiva que queria beijá-la até seus lábios doerem.
E Annabeth é fantástica, beija super bem, e tem mãos macias que contornavam meus braços de um jeito que me fazia suspirar de um jeito humilhante.
Eu sabia que nos meses que namoramos, antes de ter minha memória apagada e a bunda chutada para o outro lado do país no acampamento romano, nós tivemos alguns momentos de... evolução. Algumas vezes no apartamento, ou na praia, quando fomos juntos. Estávamos no caminho de nos tornarmos mais íntimos.
Mas então tivemos Gaia e toda aquela loucura para lidar, e quando voltamos para a normalidade do namoro, sem as aventuras mortais, depois de todos os meses fora e passarmos pelo Tártaro juntos, tudo ficou muito urgente.
Os toques eram como choques, a minha vontade não se continha como antes. E quando nos beijávamos, era tão desesperado quanto um último beijo.
Tentei conter a surpresa de ver Annabeth retirar minha blusa, foi tão rápido que mal tive tempo de reagir. Ela beijou meu peitoral, e minha cabeça pesou me fazendo tombá-la para trás. Eu sentia seus olhos em mim, ela olhava diretamente para o meu rosto, o que intensificava as coisas. Ela passou os dedos pelo meu abdômen, que se encolheu e formigou pelo toque da ponta de seus dedos.
Eu não sabia muito bem o que estava fazendo, Annabeth definitivamente estava me atacando, mas de um jeito que eu ainda não havia imaginado que ela poderia fazer. Ela mordiscava meus lábios, sua mão ficava acariciando a minha virilha, perigosamente perto de me tocar. Então nesse contexto, eu meio que pensei é, vou entrar em autocombustão.
Ela fez algo inesperado: Retirou a própria blusa. Sabia que deveria parecer um bobo com os olhos arregalados. Mas eu não estava fazendo nada, me sentia sendo atacado por uma tigresa ou algo do gênero.
Não se engane, eu estava eufórico para ser atacado, destruído, acabado…
—Estava pensando... — não consegui deixar de falar — Deveríamos quebrar as regras mais vezes
Em resposta ela falou algo que nem, em um milhão de anos, imaginei que sairia da sua boca:
—Dessa vez, não vamos pensar — as palavras foram algo similar com um grande sinal verde para o meu corpo, ela nunca falaria aquilo se não estivesse realmente rendida. Então não teve jeito, foi como estimular um animal selvagem, já propenso a realizar atos não muito domesticáveis.
Segurei sua cintura com força, trocando as posições e a fazendo se sentar na mesa. Beijei cada parte do seu pescoço, até a parte descoberta de seus seios.
Bom, eu não me lembrava de ter chegado mais longe que isso nos amassos com Annabeth dentro do acampamento. Mas nenhum de nós parecia ter se tocado da informação, eu sentia que os hormônios estavam controlando tanto a minha mente como a dela. O que aconteceu em seguida foi instintivo e rápido, quase que ao mesmo tempo que vi a minha bermuda cair no chão vi o sutiã de Annabeth em minhas mãos.
Estávamos seminus e juntos. Eu não consegui deixar de apreciar a vista, quer dizer, não é sempre que você tem uma linda garota de calcinha bem assim na sua frente, as pernas levemente abertas daquele jeito. Eu sei que poderia estar parecendo bobo, mas não consegui deixar de falar:
-Você é linda — e afundei meu rosto em seu pescoço, tanto pela vergonha como para me conter um pouco. Rocei meu nariz perto da parte de trás de seu ouvido, quase na nuca, suas costas se arquearam e seus pelinhos loiros se arrepiaram. Aquilo estava mexendo comigo de uma maneira surreal.
Annabeth puxou meus cabelos enquanto eu beijava o fim da sua barriga, pertíssimo de seus shorts jeans. Aquela visão era bem legal, eu me certifiquei de que tinha capturado todo o quadro: Os cotovelos dela apoiados na mesa, seus cabelos soltos e desgrenhados e as bochechas vermelhas, os seios inchados e molhados, os lábios boquiabertos e seus olhos, cinzas como o céu num prelúdio de um temporal
Pisquei, um pouco encantado e encabulado. O que foram segundos suficientes para que Annabeth me puxasse para mais perto, suas pernas entrelaçando nos meus quadris e os unindo de maneira que eu só tinha um pensamento: retirar seus malditos shorts jeans.
Estava totalmente extasiado, era a melhor sensação do mundo, os seios de Annabeth contra o meu corpo, os quadris dela se movimentando contra o meu. Os beijos, deuses, eram lascivos como nunca antes, sua língua massageava cada parte da minha.
Eu nunca estive tão agradecido por não ter aceitado virar um Deus. Perder tudo aquilo seria imperdoável.
Annabeth estava falando sério quando falou para não pensarmos, ela estava se rendendo totalmente aos seus instintos, eu sabia disso porque seu olhar estava enevoado, como quando ela começava a improvisar. Senti todos os meus músculos se retesando quando ela começou a se movimentar mais rápido contra mim, a fricção dos seus shorts estavam acabando comigo.
—Annabeth — eu não acreditei quando a chamei, a segurei num gesto para parar. Ela me encarou um pouco perdida.
Eu a entendia, algo em mim estava também querendo me matar. Mas, eu estava chegando num ponto que seria difícil parar dali para frente. Eu tinha que me certificar que daquela vez, iríamos até o final.
— Eu estou ficando louco aqui... Agora é a hora perfeita pra você falar se não está confortável o suficiente.
E então ela fez algo que me deixou super nervoso e entusiasmado: Ela sorriu, abriu a boca para me responder quando ouvi batidas estrondosas na porta.
Não! Não, não, não, NÃO
—Ei Percy! — gritou Jason do lado de fora — Quíron me pediu para vir dar uma olhada, algo sobre uma conversa ou algo assim… E hm, está tudo bem aí?
Eu achei que ia explodir. Não me lembrava da última vez que havia ficado tão possesso. Inclusive ignorei o barulho estranho no encanamento. Annabeth estava me estapeando desesperadamente sussurrando que não podia responder por mim. O que foi a única coisa que me fez voltar ao normal.
—Estou a caminho! — Annabeth gesticulou mais. Bufei — Obrigado por avisar, cara!
—Ok...- a voz de Jason se perdeu ao fundo, pois a torneira da pia estourou, como se tivessem atirado nela. Annabeth saltou num pulo, pelo susto.
—Por Hades- vociferei, controlando a água que saía do encanamento. Quando me virei para Annabeth novamente, ela já tinha colocado seu sutiã. Ah não.
—Vou embora — falou brava. Passei a mão nos cabelos, não fazia ideia do que responder. Aquilo cortou o nosso clima completamente
—E-eu — ela parecia muito nervosa — O que estava pensando? Era só alguém abrir a porta, e bam! Ficamos tanto tempo aqui que provavelmente já devem ter percebido meu sumiço. E meus irmãos, droga, eu sou a conselheira chefe!
Tá, ela estava surtando. Annabeth não era muito boa em não pensar em nada. Eu provavelmente não estava cooperando, devia estar a encarando como um cão confuso
— Percy, não podemos fazer isso aqui. Não é certo.
Ela prendeu os cabelos de novo, um coque mal feito. Peguei minha bermuda no chão, tentando esconder o fato que fiquei tão excitado e frustrado que estourei o encanamento.
—Mas deveríamos — soltei, percebendo assim que falei que tinha a contrariado. Ela levantou uma sobrancelha em resposta. Mesmo meio atrapalhado, continuei — Quer dizer, sim... Não aqui. Mas em algum lugar… Sabe, está meio frustrante pra mim.
Pff. Eu já tinha passado há muito tempo da fase pensar antes de fazer as coisas, esse costume tinha acabado mais ou menos na hora que ela se esparramou na minha mesa.
As bochechas dela estavam um pouco avermelhadas por eu tocar no assunto. Eu entendi o que estava dizendo, era quase um pedido do tipo "ei, eu meio que não estou aguentando mais". Ela chegou perto de mim, o que me deixou meio nervoso, mas ela somente colocou a mão em minha bochecha, carinhosamente afegando minha orelha.
—Eu falei que não iria facilitar as coisas — ri pelo nariz
—Você está levando isso a sério demais
Ela me deu um breve selinho.
—Mas como as melhores coisas na vida — disse, depois me deu outro selinho — A espera vai valer a pena.
Wow.
Contra tudo que imaginei, seu tom era quase convidativo. Normalmente era ali que ela me podava, para me deixar esperto. Mas ela piscou pra mim, meio charmosa, e pegou seu boné, esgueirando para fora do meu chalé.
Certo, aquilo era uma tremenda sacanagem, mas enquanto colocava a torneira da pia de volta no lugar me peguei gargalhando, encarando minha mesa bagunçada. Estava agradecido pelo destino deixar aquela ser a maior preocupação que rondava minha mente. Depois daquele dia, eu nunca mais olhei para aquela mesa da mesma maneira que antes, minha imaginação corria vivida para o corpo de Annabeth esparramado enquanto sussurrava o mais baixo que conseguia…
—Deuses... — suspirei enquanto abria a porta do meu chalé. Naquele dia me certifiquei de ir ao encontro de Jason no pavilhão, que ouviu bons xingos naquela tarde ensolarada.
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