Histórias de amor
1 Annabeth tenta ser minha tutora de matemática
Notas iniciais
Essa não é uma história sobre monstros.
Eu sei que normalmente esse é o prato mais pedido da casa."Percy, fale sobre a vez que você decidiu enfrentar um Deus" ou "Percy e aquela vez que tinha literalmente um titã bem na quinta avenida" Por Zeus, como eu queria que estivessem falando de algum filme de Holywood.
Mas honestamente, eu preciso de um descanso, se possível um descanso de anos. E eu esperava que os deuses estivessem de acordo. Isso não faz minha vida exatamente fácil. Até porque, estava travando uma batalha que nenhum dos meus instintos e poderes de semideus poderiam me ajudar.
Ser, ou pelo menos tentar, ser um adolescente normal.
Por isso lá estava eu, encarando o livro de matemática, me sentindo um tanto quanto um otário. O cara que já liderou uma batalha em Nova York estava ali, preso em seu apartamento, ouvindo o tiquetaquear do relógio da cozinha. Mas eu não conseguia me concentrar, não diante do cenário atual que me encontrava. A qualquer momento minha namorada estaria a caminho, aparentemente pra me ajudar a desbravar as fórmulas matemáticas de Tales e Pitágoras e sei lá quantos outros de seus irmãos.
Entediado, dei um pulo assim que ouvi o barulho estridente da campainha, quase caindo da poltrona na escrivaninha do meu quarto. Mesmo namorando Annabeth há algum tempo (um bom e feliz mês), ainda existia algo em mim que ficava estranhamente nervoso ao encontrá-la, aquelas sensações estranhas na barriga e o coração palpitando de forma descontrolada. Abri a porta, me endireitando para ela não sacar que eu tinha corrido até lá.
—Eu espero que você tenha começado sem mim — ela, felizmente estava distraída — Não tem como eu te ensinar em um dia todo o conteúdo de matemática... Inclusive, eu gostaria de deixar claro que não concordo com a escolha curricular da sua escola...
Ela beijou minha bochecha entre sua fala. O que me foi o suficiente para perder totalmente o que ela estava dizendo. Mesmo com centenas de livros na mão e a expressão preocupada, Annabeth continuava linda. Seus cabelos loiros estavam soltos sob seus ombros, os cachos caindo como uma cachoeira. E sua pele continuava bronzeada e dourada, mesmo no outono, o que a fazia emitir a aura endeusada que ela tinha, e acredite, eu já tinha entrado em contato com essas auras antes.
—Percy?
Eu provavelmente estava boquiaberto.
—Oi? — respondi, daquele jeito lento que faz jus ao apelido que ela me deu.
—Onde está sua mãe? — ela perguntou, olhando ao redor da sala e gesticulando para o local. Cocei meus cabelos.
—Ela não está, algum evento da faculdade...
—Oh — Annabeth se enrubesceu, como se estivesse fazendo algo errado. Juntei as sobrancelhas, não entendendo muito bem sua reação.
—Bom, minhas coisas estão no meu quarto. Vamos? — ela levantou uma sobrancelha. Ok, eu estava definitivamente perdendo algum sentido óbvio daquele diálogo. Mas honestamente, eu não conseguia acompanhar o pensamento de Annabeth. Então só esperava ela didaticamente me explicar o que estava rolando — O que foi?
Ela me encarou, como se dissesse "sério?"
—O que? — frisei, rindo um pouco. Ela pegou os livros que tinha deixado na mesa de centro da sala. Rindo também.
—Nada, cabeça-de-algas
Quando entramos no meu quarto, ela deu uma boa vista ao redor. Percebi que era a primeira vez que ela realmente estava ali. Todas as outras ela tinha simplesmente passado pelo corredor para ir ao banheiro. A sensação de vê-la no meu quarto era como um choque de realidades. Definitivamente, percebi que era um daqueles momentos que ela era mais a minha namorada-de-um-jeito-normal-Annabeth do que minha namorada-semideusa-letal-Annabeth. A transição entre essas duas concepções estavam sendo reveladoras.
Eu sempre soube tudo sobre ela, mas mais em situações de perigo e mortais: Como por exemplo quando ela estava pensando num plano, ou quando queria que eu seguisse sua deixa, ou quando nos movimentamos em perfeita harmonia numa luta contra monstros. Mas agora, eram outros quinhentos. Nesse tempo que ela se tornou minha namorada-de-um-jeito-normal, eu percebi que ela gostava bastante do pôr do sol, que organizar sua prateleira era quase como uma terapia, que gostava de romances mais do que gostava de admitir, e que quando tinha pensamentos não muito puros, suas bochechas salpicava de vermelho enquanto ela abria um meio sorriso. Exatamente como ela estava fazendo naquele momento.
—Percebi que você realmente já começou a estudar — ela apontava para os livros que estavam encima da escrivaninha. Encarei eles, pensando se deveria admitir que eles estavam ali de enfeite nas duas últimas horas.
—Bem, eu falei que iria... — respondi, porque percebi que aquele fato tinha a deixado estranhamente animada. Ela chegou bem perto, do jeito que fazia minhas entranhas virarem nó.
—Então podemos fazer isso por cinco minutos — ela disse, antes de me beijar. Foi bem legal, porque eu realmente não esperava por aquilo. Annabeth normalmente levava as horas de estudos muito a sério, me dando apenas alguns selinhos motivacionais quando eu acertava alguma questão. O que era realmente uma ótima estratégia. Mas aquele beijo, estava bastante diferente de todos os selinhos que ela poderia ter me dado anteriormente. Era um beijo intenso, como se não fizéssemos aquilo em um bom tempo. Eu obviamente respondi, instintivamente minhas mãos apertavam sua cintura, a puxando para mais perto. Suas duas mãos foram para os meus cabelos, puxando-os levemente de forma que me fez pensar coisas que eu normalmente tento afastar da minha mente.
Benevolentes... Sra. Dodds...
Tudo que pudesse me deixar menos... animado.
Ela se separou de mim, nós dois ofegantes como se tivéssemos acabado de fazer a escalada do acampamento meio-sangue.
—Certo... — ela murmurrou, sua testa encostando na minha. Seus olhos cinzas, por Afrodite, eram lindos. Eles brilhavam tempestuosos. Normalmente, eles eram bastante amedrontadores, e era a característica principal que fazia Annabeth parecer intimidante. Mas ali, tão perto do meu rosto, enquanto ela dava um mínimo sorriso. Eram somente charmosos — Acho que os cinco minutos se passaram
—Bom, o tempo é relativo — falei, sorrindo. Abracei sua cintura. Ela abriu um sorriso maior.
—Hoje é matemática, não física — a puxei para mais perto. Depositei um beijo no seu pescoço. Acredite: um ato puramente instintivo. Mas percebi que seus braços tinham se arrepiado, o que fez algo dentro de mim que eu nem sabia que tinha se revelarem.
Claro que eu não vou mentir, já tinha 16 anos. Era óbvio que eu estava atraído por Annabeth... Admitindo, eu tinha pensamentos sobre Annabeth muito tempo antes de começarmos a namorar. Mas agora, tudo estava ficando mais real. Os pensamentos se transformam em sensações mais vívidas, que se transformavam em atos instintivos, como fiz naquele momento. Mesmo assim, uma parte de mim meio que se apavorava com a sensação de ir mais a frente do que Annabeth poderia querer. A verdade é que eu esperava ao máximo que ela tomasse as iniciativas em situações como aquela. O que não eram muitas, pois estávamos sempre acompanhados de nossa família ou amigos.
Annabeth se afastou um pouco.
—Tecnicamente você está certo, o tempo
relativo — levantei uma sobrancelha. Ela depositou uma palma de sua mão em meu peito, depois me puxou levemente pela gola da camisa, me beijando de novo. Na intensidade do beijo, minhas pernas encostaram na cama, fazendo com que eu me sentasse nela. Olhei para Annabeth, suas bochechas estavam vermelhas. E pela minha temperatura, imaginei que a minha também estava. Conter meus hormônios eram uma das batalhas mais difíceis que eu já tinha realizado.
-Tudo bem?- perguntei, decidindo segurar sua mão. Ela olhou rapidamente para nossas mãos dadas.
—Hm, Percy...- ela parecia um pouco encabulada — Nós nunca conversamos sobre isso...
Levantei minhas sobrancelhas. Nos encaramos um pouco. A verdade é que tínhamos mais um acordo não falado. Existia alguma tensão que pairava, mas nós nunca tínhamos realmente a oportunidade de... descontar...toda essa tensão.
—Você que decide- falei, mais rápido do que tinha imaginado na minha cabeça -E-eu... enfim, eu não quero que fique estranho...
Estava percebendo que estava começando a sair tudo de um jeito diferente do que estava posto nas minhas ideias. Cocei meus cabelos, como sempre faço quando não sei bem o que dizer. Annabeth parecia estar se divertindo com tudo aquilo. Percebi que ela estava brincando comigo
— Fala sério — vociferei, rolando os olhos. Annabeth gargalhou — Você realmente não facilita as coisas!
—Nunca — ela falou, ainda rindo. As suas duas mãos indo nas minhas bochechas — Mas acredite, não vai ficar estranho... — e então ela sussurrou duas palavras que eu juro, seriam as palavras que eu mais refleti na minha vida inteira. Mais do que todas as profecias que recebi — Eu também quero.
Talvez ela não estivesse falando o que eu estava imaginando. Mas não tinha como ser diferente do que eu estava imaginando porque sabe... o contexto. Não tive tempo de pensar muito sobre aquilo, Annabeth me beijou, e eu decidi que ia deixar meus instintos tomarem conta das minhas ações por enquanto: a puxei para perto de mim, a fazendo sentar no meu colo, o que surpreendentemente ela fez sem pestanejar, suas pernas estavam em volta do meu quadril. Foi bem ali que eu percebi que meus instintos eram péssimos senão para lutas e batalhas.
. Percebi que estava ficando... muito animado. Respirei fundo quando paramos de nos beijar. Annabeth estava com os olhos cinzas tempestuosos, como ela ficava quando tinha que matar um monstro 10 vezes maior que ela.
—Percy...- ela sussurrou, seu hálito de menta era bem gostoso, quase me fez querer beijá-la de novo. Enfim, meus pensamentos estavam nebulosos — Você tem...?
Ela olhou para mim, esperando quase que desesperadamente eu responder. Ok, até eu sabia o que aquilo significava. Fiz que sim com a cabeça, e quase que imediatamente ela voltou a me beijar. Certo, essa parte específica de ser um adolescente normal era bem legal. Cada parte do meu corpo parecia estar 100 vezes mais sensível, sua respiração no meu pescoço arrepiava minha nuca e minha espinha, e as suas mãos eram muito macias, quando ela tocou meu abdômen, carinhosamente indo até o meu peitoral, foi ali que eu percebi que a minha parte racional não ia resistir muito mais tempo. Apertei sua cintura, a abraçando para mais perto de mim. Quando beijei seu pescoço, sentia seu cabelo com o típico cheiro cítrico de limão. Era inebriante, eu estava quase em modo combate, no automático. E quando ela tirou minha blusa, eu sabia que ela também estava...
Um barulho na porta. Annabeth e eu nos encaramos, ofegantes.
—Percy...!- ouvi minha mãe chamando na entrada do apartamento. Annabeth arregalou os olhos, quase num pulo saindo do meu colo e da minha cama, ela tentou desesperadamente organizar seus fios dourados que antes estavam nas minhas mãos.
Era como se eu estivesse envolto em névoa, e o chamado da minha mãe tivesse despedaçado toda a aura:
Tudo veio como uma porrada, o que me fez vestir minha camisa rapidamente e tentar ser tão ágil quanto Annabeth.
—Ah...Oi Annabeth — minha mãe estava sorrindo na soleira da porta. Annabeth estava sentada na minha escrivaninha, a linguagem corporal de que estava ali desde que chegou na residência. Eu? Um otário em pé no meio do quarto com as mãos nos bolsos.
—Oi Sally — ela sorriu angelicalmente, apertei meus lábios para não rir. Annabeth fez aquele olhar inquisidor que eu sabia exatamente que significava "Cabeça-de-algas" — Estava repassando a matéria de matemática com Percy...
—Bom, então não vou atrapalhar — minha mãe parecia desconfiada, mas se estava, decidiu não tocar no assunto — Ele está estudando muito só para te agradar.
Minhas bochechas coraram.
—Mãe — foi quase exasperador — Nós realmente precisamos repassar...
Ela riu.
—Ok, me desculpem. Não vou mais incomodar — ela deu leves tapinhas na soleira da porta — Se precisarem de mim estou na sala, ok?
Eu e Annabeth agradecemos em únissono. Quando ela se foi, eu e ela sorrimos maliciosos. Aquilo foi um resquício de adrenalina que me lembrou a batalha. Puxei a cadeira ao lado de Annabeth.
—O que foi isso? — ela sussurrou, rindo em seguida. Encostei meus cotovelos na mesa. Aliviado e ao mesmo tempo frustrado, se possível.
Ficamos um tempo em silêncio, nos recompondo. Tinha sido a primeira vez que fomos quase sendo pegos pelos pais. Talvez essa seja a minha influência para esse relacionamento, um pouco de rebeldia inconsequente. Felizmente, Annabeth parecia estar se divertindo. Demoramos para nos concentrar, até mesmo Annabeth bateu a lapiseira na mesa, repetindo a mesma coisa várias vezes. Quando nossas pernas se roçavam, os pelos do meu braço se eriçaram.
Eu falei que não era uma história sobre monstros, mas nem por isso não é uma história sobre uma aventura: Esse dia inaugurou nossas diversas tentativas frustradas, a respiração ofegante, e todas essas aventuras-de-jovens-normais que finalmente conseguimos viver.
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