Histórias da Vovó Macabra

2 Capítulo 2: Um Lobo Mau Diferente


Notas iniciais
Olá~ Venho trazendo outra história da vovó macabra, espero que gostem desta também.

Capítulo 2: Um lobo mau diferente.

Olá de novo jovenzinhos, se acomodem aqui perto da cadeira de balanço para outra história dessa velhinha... Se não se importarem eu continuarei meu tricô enquanto conto à vocês, faz tempo que eu estou tentando terminar esta peça e talvez agora eu termine.

Hm... A história de hoje é um pouco mais recente que a última, mas não chegou a ir para os noticiários e foi antes de vocês nascerem certamente...

Em uma cidade vizinha começou a haver muitos desaparecimentos de crianças, na verdade, o que chamamos de pré-adolescentes. Jovens de dez a treze anos sumiam sem a menor explicação, sem testemunhas, sem rastros, sem restos... Nada daquele que sumia era encontrado. Esses desaparecimentos eram bem poucos... Cerca de cinco ao ano, mas passara a aumentar gradativamente até ser um por mês e isso estava preocupando em muito os moradores de lá, afinal era cidade pequena.

Hm? Se descobriram o que estava acontecendo? Sim, descobriram. Graças a uma jovenzinha chamada Alice.

Vou falar um pouco sobre Alice... Alice não era de uma família rica, mas também não era pobre, tinha o suficiente para se viver de forma confortável. Ela era uma jovenzinha ruiva e de olhos cor mel, com aqueles rostos cheios de sardas e pele clara, era uma graça.

Ela estudava em uma escola perto de casa, portanto podia ir e vir a pé da escola para sua casa sem problemas todos os dias. Era uma menina dedicada, dócil, se preocupava com as pessoas e estava sempre disposta a ajudar.

Mas ah... Como jovens podem ser desprezíveis! Quando a pobre Alice entrou na sétima série começaram a zombar de suas sardas, fazer chacota e judiar verbalmente da pobre Alice. Diziam que ela era enferrujada, estragada, que tinha cabelo de milho e coisas similares... Isso fez com que a menina se fechasse, ficasse infeliz e se sentindo só... Ela já não ia com a mesma disposição para a escola. Parecia que andava sobre uma estrada de espinhos... Mas ninguém parecia notar sua infelicidade, o que a fazia se perguntar se ninguém dava importância a ela.

Certo dia notou que havia um garoto que devia ser pouca coisa mais velho que ela, sentado no banco de uma praça que ficava no meio de sua trajetória para a escola. Ele parecia bem chateado... Até mesmo bem triste, sua figura sentada ali parecia o quadro da melancolia. Solitário... Mas ela não tinha tempo para prestar atenção, estava atrasada.

Alice passou a ver que aquele garoto estava todo dia na praça... sempre sentado com um olhar triste, vago... Seus cabelos eram pretos como a noite sem estrelas e caiam melancolicamente sobre sua pele pálida. Ele parecia pedir desesperadamente por alguma fonte de calor, de carinho... Ou alguém que o fizesse companhia. Bom, com este pensamento Alice decidiu que sairia mais cedo no dia seguinte para tentar conversar com aquele ser cheio de mistério e, sobretudo era belo, não parecia ameaçador... Estava empolgada com a ideia.

No dia seguinte ao chegar na praça fria, tentou puxar assunto...

_Bom dia moço, está tudo bem com você? –perguntou inocente.

O garoto a olhou com sua expressão que parecia ainda mais triste de perto e voltou a fitar o chão.

_Bom dia garotinha. Sim, estou bem – por fim respondeu.

_Você está todo dia aqui... Você não tem casa?

_Você é bem esperta garotinha – disse ele num tom ressentido – Não tenho uma casa... As pessoas não gostam de mim então nunca posso ficar muito tempo em um lugar... –explicou de forma calma, mas notava-se sua tristeza.

_É por isso que você é tão triste? – perguntou com o coração pesado a pobre Alice.

_Deve ser por isso... Você veio aqui para me mandar embora garotinha? – ele perguntou desesperançoso.

_Não, não! Eu só queria saber por que você parecia tão abatido... –ela respondeu rapidamente.

_Ah sim... –ele a olhou nos olhos – Você também parece sozinha garotinha.

Alice se espantou, como ele poderia saber sobre isso...? Ele não sabia nada sobre ela, nem ela dele, ele não poderia saber, poderia? Mas então... Como aquele garoto sabia sobre sua solidão? Aquilo intrigou bastante nossa Alice. Ela nunca havia parado pra pensar sobre o quão sozinha estava até aquele dia... Percebeu que a única coisa diferente entre ela e aquele garoto é que ela possuía uma casa. Os dois eram almas solitárias. Isso fez com que ela sentisse um aperto em seu coração.

Devido a isso, Alice passou a visitá-lo dia após dia. Eles conversavam, despejavam seus problemas, se aproximavam mais e isso fazia com que a solidão diminuísse um pouco. Com o passar do tempo eles se tornaram amigos, ou era isso que Alice acreditava e ela passava cada vez mais tempo com ele sem se dar conta. Passou a pensar que talvez ele fosse a única pessoa no mundo que a entendesse e pudesse ficar com ele... Essa ideia fez com que um novo sentimento começasse a crescer sem que Alice notasse também.

Um dia, o garoto a perguntou se ela queria conhecer um lugar e ela aceitou... Ah, a inocência era muita, pobre Alice... O garoto nunca havia dito o nome dele em todo esse tempo e ela o considerava seu melhor amigo ou até mais que isso... Ele também estava sempre arrumado e bonito, alguém sem casa não estaria tão bem assim, ah... Pobre Alice.

O garoto a levou até uma casa aparentemente abandonada e disse que lá era seu “refúgio secreto”, apenas ela sabia disso. Pediu a ela que colocasse uma venda e não soltasse sua mão até entrarem. Alice obedeceu alegremente, ah... Quem dera ela soubesse, pobre Alice.

Ele a levou para dentro por meio de uma entrada que apenas ele conhecia, sorte de nossa Alice que ela trapaceou e deu uma espiadinha no caminho, ao menos na entrada secreta. Ele a fez parar em uma sala, e ela estava achando estranho o som que fazia ao andar, estava pisando sobre algo que estralava, pensou que eram galhos ou folhas secas, mas logo ela descobriria, pois tiraria a venda... Ah Alice, como foi tola. Assim que ela pode retirar a venda se arrependeu no mesmo instante... Por todo o chão haviam ossos e mais ossos, crânios, pedaços de carne podre e o cheiro, o cheiro era de uma podridão sem limites que quase fez a pobre garota vomitar. Ela podia ouvir alguém gritando por ajuda em algum lugar, mas não sabia de onde, pois ela mesma estava em completo pavor. O garoto começou a rir por detrás dela e lentamente abaixou até que ficasse próximo da orelha de Alice... E sussurrou:

_Você vai ficar linda na minha coleção Alice...

A garota se virou em pânico já com os olhos em lágrimas, sabendo que ela poderia não sair mais de lá.

_Não tenha medo Alice, você não precisa ter – disse o garoto com compaixão, mas um sádico sorriso estava em seu rosto – Nós vamos ficar juntos para sempre! Não estaremos mais sozinhos... E olha quanta amiga você terá! – exclamou apontado para as pilhas de ossos – Eu garanto que não vai doer... E vai ser bem rápido – disse já se aproximando e acariciando as bochechas rosadas de choro enquanto a olhava de forma a quase engolir a menina com os olhos.

Pobre Alice... Foi naquele momento que ela notou que o homem tinha caninos maiores que o normal assim como suas orelhas, pontudas... Ele a enganara o tempo todo, era tudo mentira para que ele a levasse até esse local.

_Ah... Alice, eu estava louco para saber qual seria o gosto de sua carne até hoje – ele disse passeando com a língua entre os dentes e se aproximando cada vez mais.

Alice reunindo a força que restava em si por conta do choque empurrou o que ela pensou que era um garoto ao chão e disparou corrente a plenos pulmões o caminho de volta, mas não demorou para que ele levantasse e fosse atrás dela rindo, ele provavelmente pensava que ela não poderia escapar de lá. Mas nossa Alice tinha uma carta na manga, ela sabia o caminho para a saída. Correu, correu até chegar à passagem para a rua e sabia que se hesitasse ela seria devorada por ele. Ela conseguiu passar pela passagem, mas ele continuou a persegui-la, mas assim que ela atravessou a rua vinha um carro e este acertou o garoto o atirando para longe.

O resgate foi chamado, Alice retornou para casa e contou sobre tudo. Uma investigação foi feita e descobriram a localização de várias crianças desaparecidas, eram as ossadas na casa. O garoto na verdade tinha mais de trinta anos, mas não envelhecia e usava disso para conseguir o que queria: carne humana. Ele foi preso e após isso os desaparecimentos cessaram.

Mas sabem... A prisão em que ele estava pegou fogo um dia, não o encontraram entre os presos sobreviventes e nem entre os mortos...

Notas finais
Gostaram? Obrigada pela leitura e sintam-se à vontade para voltar aqui para um chá e outra história.