Notas iniciais
Aqui vem mais um conto, espero que apreciem!

Capítulo 3: Decomposto

Olá! Venham, entrem, entrem! Estava esperando por vocês... Tomem um pouco de suco fresco, acabei de fazer. Hoje me lembrei de uma história em especial sobre algo muito curioso que aconteceu numa cidade a uns quarenta quilômetros daqui. Podem se sentar a vontade... Eu vou ficar na minha boa e velha cadeira... Vocês já imaginaram, caso vocês morressem, se não morressem inteiramente?

Há um tempo, houve um incidente que deixou a todos pasmos e trouxe com ele o com medo e a tristeza... Havia um homem chamado Bruno que não estava indo muito bem na empresa em que trabalhava. Ele não era muito escolhido pelos clientes e acabava ganhando bem menos comissão que a maioria dos vendedores, mas ele não se abalava com isso, pois mantinha a fé de que um dia ele venderia bem mais que os outros bastavam o reconhecerem.

Bruno trabalhava naquelas agências de carro, dos chiques! Mas ele levava uma vida comum e simples. Morava em um apartamento, estava namorando e quase ficando noivo... Esperava a hora certa para fazer o pedido à Catarina, sua “musa”, como gostava de chamá-la. E esse momento chegaria quando ele estivesse com tudo encaminhado para a compra da casa em que eles morariam. Bruno era até bem feliz...

Chegou o dia dos namorados! Bruno queria fazer uma surpresa a Catarina levando flores em um belo arranjo e uma caixa com brincos de brilhante, ele era um romântico nato... Difíceis de achar hoje em dia. Ele ia buscá-la no trabalho, mas... Parou embaixo de uma construção. Aconteceu de uma das cordas que carregavam tubos de ferro estourar, desequilibrando os tubos e fazendo alguns caírem trinta metros abaixo e alguns... Acertaram o carro de Bruno, o achatando por completo.

Ele acordou cerca de uma semana depois, disseram ter sido um milagre ele ter saído ileso! Apenas o susto e um pouco do impacto fez com que ele ficasse desacordado. Catarina estava chorando e o abraçando, agradecendo por ele estar vivo e por não tê-la deixado aquele dia. Ela agradeceu os presentes, pois ela havia os encontrado no carro e declarou que o melhor dentre eles foi ele ter acordado aquele dia... O que fez Bruno muito feliz.

Um tempo depois... Bruno decidiu pedi-la em noivado e combinou de irem jantar em um restaurante conhecido pela boa comida no centro da cidade. Chegado lá, conversaram como de costume, brincaram, beliscaram os aperitivos e pediram pelo jantar. Enquanto esperavam... Catarina notou algo de estranho com Bruno... Ele parecia diferente e estava certa que não era sua imaginação então decidiu declarar este pensamento.

_Meu amor... Tem algo de estranho em você – disse ela.

_Huh, espero que seja de uma forma boa – brincou ele.

_Não seu bobo, não estou brincando, eu falo sério... Tem algo diferente desde aquele dia... – ela disse pensativa.

_E o que seria isso minha musa? – curioso a indagou.

_Hm... – ela parou para fitá-lo melhor – A sua pele... parece mais azulada?

E ele riu achando graça, respondendo em seguida:

_Wow, eu devo estar virando um smurf então. Não se preocupe, deve ser só impressão sua.

Mas Catarina não achou graça. Algo a dizia que havia realmente algo de errado...

Logo o prato que pediram estava servido e os dois comeram de bom grado. Deram um tempinho e pediram a sobremesa e assim que esta chegou, Bruno se levantou ajoelhando em seguida ao lado de Catarina que já colocou a mão sobre a boca em gesto de surpresa e pediu-a em noivado. E ela aceitou de imediato! Ah... Mulheres gostam muito de anéis bonitos, não falo isso porque sou velha gagá e sim porque é verdade! E os anéis se tornam ainda mais bonitos quando dados com amor e com um significado. Acreditem no que vou dizer... Não existirá emoção maior ao ganhar um do que quando ele for de casamento, isso para as meninas, claro.

Bruno passou a explicar os planos que tinha para os dois enquanto Catarina concordava e opinava com um sorriso de orelha a orelha...

Após uns dois meses eles se mudaram para a nova casa e agora era mais que visível que Bruno estava estranho. Sua pele estava ficando em um tom roxo escuro como se estivesse com hematomas pelo corpo todo o que fez Catarina se assustar pois não o havia encontrado pessoalmente fazia quase um mês já que havia viajado a negócios várias vezes seguidas.

_Bruno! Você está roxo! Envolveu-se em outro acidente? O que aconteceu? – perguntou espantada.

_Fique calma meu amor, não aconteceu mais nada desde aquele dia. Não sei por que estou com a pele assim, mas garanto que estou bem! – respondeu ele preocupado.

_Vamos levar essas caixas para dentro e ir para o hospital! – disse ela quase ordenando.

Ambos foram para o hospital depois, mas nada constou nos exames. Bruno estava em perfeitas condições e isso intrigou até os médicos.

Ah... Mas Bruno não estava em perfeitas condições coisa nenhuma. Não se pode confiar sempre na ciência... Ela não pode explicar muitas coisas...

Cerca de um mês depois Bruno piorou... Sua pele estava completamente preta, grudenta e cheirava muito mal, mesmo com banhos continuava da mesma forma. Catarina estava em pânico e Bruno não agüentava vê-la tão preocupada... Não que ele também não estivesse, mas ele tinha que parecer calmo para não preocupá-la ainda mais.

Não mais do que uma semana depois Bruno não conseguia mais respirar direito e sua pele ficara flácida... Menos de quatro dias depois ele não conseguia mais se alimentar, pois sua comida não era digerida... Aquilo foi o ponto final. Catarina o levou novamente ao hospital e todos se espantaram com a condição de Bruno. O levaram para a sala de emergências e fizeram um monte de exames os quais os resultados saíram no final do dia... E aqueles resultados anunciavam algo inimaginável...

Bruno estava morrendo.

Os resultados mostraram que o sangue estava morto, as células não se multiplicavam, não trabalhavam, nada faziam. Estavam mortas! Assim como todos os tecidos e órgãos que compunham o corpo de Bruno. Não tinha como ele estar vivo, mas ele estava! De uma forma muito precária, mas Bruno ainda vivia... Pelo menos viveria até onde a fome e sede não o matassem.

Os médicos anunciaram que ele não viveria muito e que Catarina deveria se preparar para a despedida. Aquilo foi um choque e tanto para ela que começara uma nova vida e queria começar uma nova família com Bruno... Mas ele estava definhando e não estaria mais lá com ela... Na verdade, ele já estava morto, mas ainda vivo por algum milagre ou tortura...

Ela decidiu ficar ao lado dele no hospital até que chegasse a hora e foi para o quarto onde ele estava. Bruno já nem parecia mais ser Bruno... Parecia um defunto desenterrado... Estava respirando com aparelhos e virou levemente a cabeça ao notar Catarina. Ele tentou estender a mão em vão... O que fez Catarina ir imediatamente para perto dele.

_Minha... Musa... – disse ele com a voz rouca e falha, quase inaudível – Aquele dia... Eu devo ter morrido... Mas... Eu queria tanto... Ficar com você... Que... Não morri – disse deixando uma lágrima escorrer.

Os olhos de Catarina encheram de lágrimas que rolaram pelas suas bochechas...

_Eu... Queria muito... Ter a vida com você... Mas... Parece que eu tenho... Realmente... Que partir...

_Me desculpe... Minha... Musa... Eu realmente... Te... Amo...

E ao dizer estas últimas palavras... Seu braço pesou e caiu... Bruno havia chegado ao limite da morte...

Coisas inacreditáveis acontecem no mundo, coisas que apenas algumas ouvimos falar... E esta foi uma delas.

Dizem que depois Catarina continuou a morar na casa, adotou filhos, mas não se casou...

Se um dia sofrerem um acidente ou conhecerem alguém que sofreu, fique alerta para saber se realmente está morto... Ou não.

Notas finais
Gostaram? Obrigada pela leitura, voltem sempre para sentarmos em volta da lareira.