História de Adônis e Hansuki (Bl)

7 Capítulo 7 – Dois Corações Pequenos




Era o fim de uma tarde dourada.


Adônis e Hansuki caminhavam pelas ruelas tranquilas da vila grega, com sorvetes nas mãos, rindo de alguma piada interna. O mar ao longe murmurava em ritmo suave, embalando o momento com paz.


— Você parece mais leve — disse Hansuki, apertando levemente os dedos de Adônis.


— Porque estou. Porque você é minha leveza.


Hansuki sorriu, encostando a cabeça no ombro dele por um instante. Mas, de repente, algo chamou sua atenção.


Na beira da estrada de terra que levava a uma pequena igreja antiga, dois pequenos corpos estavam encolhidos à sombra de uma oliveira. Uma menina e um menino, com roupas sujas e rasgadas, cabelos bagunçados, os olhos arregalados e alertas.


Hansuki imediatamente se aproximou devagar, ajoelhando-se à frente deles.


— Ei... vocês estão bem?


As crianças não responderam. Apenas se abraçaram, com medo. A menina tinha olhos enormes e escuros, e o menino parecia um espelho dela — como se fossem gêmeos. Não deviam ter mais que cinco anos. Estavam descalços, famintos, exaustos.


Adônis tirou o casaco e o colocou sobre os ombros dos dois, olhando ao redor. Não havia ninguém por perto. Nenhum adulto. Nenhum sinal de ajuda.


Foram até a pequena igreja próxima. O padre local, um senhor de idade gentil, os informou com tristeza:


— Os pais morreram no ano passado, em um naufrágio. Não tinham parentes. Desde então, as crianças vivem por aí... sobrevivendo como podem. Ninguém daqui tem como cuidar. A vila é pequena. Pobre.


Hansuki apertou os lábios, olhando de volta para os pequenos. O menino agora segurava seu dedo com força, como se tivesse encontrado ali uma âncora.


— Eles... têm nomes? — Adônis perguntou.


— Não. Nunca disseram. Nunca responderam. Parece que até os nomes perderam.


Hansuki olhou para Adônis. Eles não precisaram dizer nada. O olhar foi suficiente.


Naquela noite, levaram as crianças para casa.


Deram banho, comida, roupas limpas. A menina adormeceu no colo de Hansuki, a mãozinha apertada na barra da camisa dele. O menino se aconchegou ao lado de Adônis no sofá, sem dizer uma palavra.


E naquele silêncio... algo mudou.


Era como se os dois homens, tão acostumados a guardar o próprio coração do mundo, de repente tivessem encontrado dois corações pequenos que precisavam de abrigo. De nomes. De amor.


Dias se passaram, e as crianças começaram a sorrir. Pouco a pouco, tímidas palavras escapavam. Risos surgiam. E em uma tarde de sol, enquanto desenhavam com giz no chão do jardim, a menina apontou para Hansuki e disse:


— Papai...


Ele congelou, os olhos se enchendo de lágrimas.


— E ele é o outro papai? — perguntou o menino, olhando para Adônis.


Adônis apenas sorriu. Ajoelhou-se e abriu os braços.


— Se vocês quiserem... eu serei.


Um mês depois, de volta à cidade, os papéis começaram a ser preparados. Adoção formal. Registro. Escolheram nomes juntos: Sora para a menina, que sempre olhava o céu com esperança. E Ren para o menino, de olhos curiosos e alma quieta.


Adônis e Hansuki sabiam: aquele encontro não foi acaso. Foi destino.


E agora, o amor deles não era mais só de dois. Era de quatro.



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