História de Adônis e Hansuki (Bl)

8 Capítulo 8 – Laços que se Estendem



A vida mudou completamente.

A rotina agora incluía desenhos espalhados pela casa, risadas infantis ecoando nos corredores, e brinquedos invadindo o tapete da sala. Sora adorava desenhar, principalmente o céu. Ren era mais quieto, mas ficava horas construindo castelos com blocos coloridos ao lado de Adônis.


Hansuki e Adônis aprenderam a preparar mamadeiras noturnas, contar histórias para dormir, curar joelhos ralados e confortar pesadelos com abraços apertados. O amor crescia ali — simples, barulhento, verdadeiro.


Mas havia algo que ainda faltava.


— Eles deveriam conhecer seus avós — disse Hansuki, enquanto colocava Ren para dormir.


Adônis hesitou.


— Meus pais... você sabe como são. Nunca aceitaram nada fora da "norma". Nem a gente, nem o nosso casamento escondido... e agora duas crianças?


Hansuki tocou a mão dele com carinho.


— Mas talvez agora seja a hora de tentar. Por eles.


Depois de conversas longas e cuidadosas, marcaram a visita. Começaram pela família de Adônis — os mais difíceis.


Naquela tarde, a casa dos pais de Adônis estava arrumada como se esperassem um desfile real. Sua mãe, sempre elegante, abriu a porta com uma expressão tensa.


Mas quando Sora correu até ela com um desenho nas mãos, dizendo “eu fiz isso pra senhora”, algo quebrou.


A mulher ajoelhou-se devagar, pegando o papel. Era uma família: quatro pessoas de mãos dadas, com corações enormes nos peitos.


Ela olhou para Sora, depois para Adônis, e, sem dizer uma palavra, a abraçou.


O pai observava de longe, rígido. Mas quando Ren se aproximou, tímido, segurando um carrinho de brinquedo e perguntando: “Você é o vovô?”, a muralha começou a desmoronar.


— Sou, sim... — ele respondeu, a voz embargada. — Sou seu vovô.


Hansuki observava a cena com os olhos marejados.


Dias depois, foram ao Japão para visitar os pais de Hansuki, que já sabiam da adoção. Ao contrário dos temores de Adônis, foram recebidos com lágrimas de alegria e braços abertos.


A mãe de Hansuki mal conseguia parar de abraçar as crianças, chamando Sora de “minha estrelinha” e Ren de “meu pequeno samurai”.


— A casa está completa agora — ela disse, emocionada, servindo chá para todos. — Nunca pensei que teria netos... e agora tenho dois.


Naquela noite, em um quarto preparado especialmente para eles, Sora dormia com um ursinho novo e Ren segurava uma carta que o avô de Hansuki escrevera com sua caligrafia delicada: “O amor nos escolhe quando menos esperamos.”


Adônis e Hansuki se deitaram lado a lado, exaustos e cheios.


— Você acha que estamos prontos pra isso? — sussurrou Adônis.


Hansuki sorriu, entrelaçando os dedos dele.


— Ninguém está pronto... até estar. E nós estamos. Juntos.


E no quarto ao lado, dois pequenos corações sonhavam tranquilos, finalmente com um lar.



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