História de Adônis e Hansuki (Bl)

4 Capítulo 4 – Quando o Mundo Bate à Porta




O dia começou com silêncio. Daqueles que parecem pesar mais que qualquer grito.


Adônis e Hansuki estavam sentados no sofá, com a TV ligada, mas sem prestar atenção. As notícias continuavam girando em torno deles. Suas fotos, suposições, “especialistas em relacionamentos” dando opiniões não solicitadas.


Adônis desligou a TV com um suspiro, olhando para Hansuki.


— A imprensa não vai parar. Precisamos estar preparados... inclusive para as reações mais difíceis.


Hansuki assentiu. Já tinha recebido mensagens pesadas. Mas o que mais o doía era a ausência de algumas pessoas. Amigos que sempre disseram “te apoiar” simplesmente sumiram. Outros mandaram respostas mornas, neutras, fingindo não saber de nada.


Mas havia exceções.


O primeiro a ligar foi Kai, melhor amigo de Hansuki desde os tempos da faculdade. A tela do celular iluminou com o nome dele e Hansuki atendeu, hesitante.


— Hansuki? — a voz do outro lado era firme. — Eu vi tudo. Só queria dizer: tô com você. Sempre estive. Não se esconde de quem se ama, nem se envergonha de quem se é. E se alguém virar as costas, é porque nunca esteve de verdade.


Hansuki fechou os olhos, aliviado. Lágrimas caíram silenciosas enquanto ele agradecia, sem conseguir dizer muito.


Do outro lado, Adônis encarava seu celular como se fosse uma bomba-relógio.


— Minha irmã me mandou mensagem — disse, respirando fundo. — Quer me ver.


Eles marcaram de se encontrar em um café discreto, no centro. Quando chegou, Adônis a viu já sentada, olhando pela janela. Ela levantou e o abraçou, forte.


— Você está bem? — ela perguntou, preocupada.


— Estou... tentando ficar.


— Então continue. Eu não me importo com o que os outros dizem. Ele te faz bem, Adônis. Dá pra ver nos seus olhos. Não esconda isso de novo. Nunca mais.


Ele sorriu pela primeira vez em dias.


À noite, de volta ao apartamento, Adônis e Hansuki ficaram na varanda, vendo as luzes da cidade piscarem como se cada uma contasse uma história diferente.


— Sabe o que é estranho? — disse Hansuki, com a cabeça no ombro de Adônis. — Mesmo com tudo desabando... eu me sinto mais livre agora.


— Porque a verdade liberta. E eu quero viver ela com você. Mesmo que doa, mesmo que seja difícil. É você.


Hansuki levantou o rosto, sorrindo.


— Então... vamos enfrentar o mundo. De mãos dadas.


— De mãos dadas.


Eles selaram a promessa com um beijo — suave, mas cheio de coragem. E pela primeira vez, desde o início da tempestade, eles sentiram que o sol poderia, sim, voltar a brilhar.



---